URBANO SANTOS E JOSÉ SARNEY

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URBANO SANTOS E JOSÉ SARNEY
BENEDITO BUZAR
Em fases históricas distintas, dois ilustres políticos do Maranhão tiveram suas vidas pontuadas pelo brilho intelectual e pela participação ativa na vida pública brasileira: Urbano Santos e José Sarney.
O primeiro, com atuação destacada nas três primeiras décadas do século XX; o segundo, a partir da metade da centúria passada, com ações marcantes no contexto político nacional.
No regime republicano, foram os únicos a ocupar cargos altos e importantes na estrutura política do país: deputado federal, senador, governador, ministro, vice e presidente do Brasil.
Ambos nasceram no interior do Estado: Urbano Santos, em Guimarães, José Sarney, em Pinheiro. Com relação à formação acadêmica, colaram grau nas Faculdades de Direito de Recife e São Luis, onde receberam lições de devotamento às letras e de culto às leis.
Antes de iniciar a carreira política, Urbano Santos foi promotor público e juiz em várias comarcas do Maranhão. Sarney, filho de promotor e magistrado, exerceu o cargo de secretário do Tribunal de Justiça.
Urbano projetou-se no Partido Republicano, pelo qual disputou vários cargos eletivos, sobressaindo-se o de vice-presidente do Brasil. Sarney era da União Democrática Nacional, mas deve ao Partido Republicano o lançamento de sua candidatura ao governo do Maranhão, em 1965.
Na Câmara Federal, Urbano Santos exerceu o mandato de deputado em quatro legislaturas, numa das quais foi vice-presidente da Casa. Sarney também despontou no Parlamento federal, elegendo-se em 1954 (suplente), 1958 e 1962.
N o Senado da República, Urbano só cumpriu um mandato: de 1906 a 1914. Sarney exerceu cinco mandatos: dois, pelo Maranhão, de 1971 a 1979 e de 1979 a 1985; e três, pelo Amapá, sendo três vezes eleito para presidi-lo.
Para o governo do Maranhão, Urbano Santos elegeu-se três vezes. Em 1898, não tomou posse, pois renunciou ao mandato para ser candidato ao Senado. Em 1913, por ser indicado à vice-presidência da República, também não assumiu. Em 31 de agosto de 1917, pela terceira vez, elegeu-se para o cargo, exercendo-o praticamente até o fim do mandato, com exceção do período de 21 de novembro de 1918 a 3 de outubro de 1919, quando ocupa o cargo de ministro do Interior e Justiça, a convite do presidente, Rodrigues Alves. Ao longo da vida pública de Sarney, não há registro de sua nomeação ao posto de ministro de Estado.
À frente do governo estadual, desempenharam com eficiência os mandatos para os quais foram eleitos e realizaram obras de repercussão, com o objetivo de alterar a fisionomia social e econômica do Maranhão.
Urbano inaugurou a Estrada de Ferro São Luís-Teresina, construiu o prédio da Escola Modelo, fez melhoramentos no Porto de São Luís, ampliou os mananciais necessários ao abastecimento de água da Capital, estruturou o serviço de profilaxia rural, instalou o instituto Osvaldo Cruz, construiu o Leprosário, reformou a Penitenciária, o Quartel da Polícia e o Teatro, que passou a ser chamado de Artur Azevedo.
Sarney inaugurou a rodovia São Luis-Teresina, o Porto do Itaqui, a Barragem do Bacanga, a Ponte do São Francisco, a Televisão Educativa, as Escolas de Alfabetização João de Barro, os Ginásios Bandeirantes, as Faculdades de Administração, Engenharia e Educação, em Caxias.
O ponto alto da carreira de ambos deu-se quando alcançaram o Poder Executivo da Nação. O filho de Guimarães foi eleito vice-presidente da República nos governos de Wenceslau Braz (1914-1918) e de Artur Bernardes (1922- 1926). No primeiro mandato, não chegou a substituir o titular; no segundo, não assumiu o cargo porque morreu na viagem de navio para o Rio de Janeiro.
O filho de Pinheiro foi também vice-presidente, na chapa da Aliança Democrática, em 1985. Com a morte do presidente eleito, Tancredo Neves, Sarney o substituiu no comando do país.
Numa questão, contudo, caminharam por estradas diferentes e tiveram comportamentos desiguais: a autonomia política de São Luís. No governo Urbano Santos, o prefeito da Capital passou a ser um delegado da confiança do governador, por ele nomeado e não mais eleito. Adotou-se essa regra para acabar com os conflitos entre os chefes do executivo estadual e municipal, que se desentendiam e criavam problemas à administração do município.
Quando José Sarney estava no comando do Estado, a cidade de São Luís, como todas as capitais brasileiras, reconquistaram a autonomia político-administrativa, fazendo com que seus gestores, nomeados pelos governadores desde os idos de 1922, voltassem a ser eleitos pelo povo.

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APRISÃO DE JK EM SÃO LUIS

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Quem acompanha a cena política brasileira, não esquece a noite de 8 de junho de 1964, quando “A Voz do Brasil” informou o que já vinha sendo articulada pelos radicais do regime militar: a cassação do mandato de senador do ex-presidente Juscelino Kubitschek e a suspensão de seus direitos políticos por dez anos.
Os maranhenses tinham por JK uma admiração especial, não apenas pelo fato de ser um homem público notável, haja vista o processo de desenvolvimento que deflagrou no país no exercício da Presidência da República, mas pelas atenções prestadas ao nosso Estado, sem esquecer a amizade dispensada às lideranças políticas locais, priorizando os governistas Renato Archer e Cid Carvalho e os oposicionistas José Sarney e Neiva Moreira, este, deu ao seu governo uma fantástica contribuição, por ocasião da transferência da capital da República, do Rio de Janeiro para Brasília, em 1961.
Enquanto figura de relevo na política brasileira, Juscelino veio ao Maranhão quatro vezes. A primeira, no começo de 1954, então governador de Minas Gerais e potencial candidato à presidência da República. Cumpriu em São Luís a missão de convencer o PSD maranhense, principalmente o governador Eugênio Barros, a aceitar a operação orquestrada pela cúpula do partido para eleger o jornalista Assis Chateaubriand, derrotado em sua terra natal – a Paraíba, mas, pelo domínio sobre a mídia impressa do país, sua presença no Senado era imprescindível ao projeto de JK.
A segunda visita de Juscelino a São Luís foi em julho de 1955, em plena campanha eleitoral à sucessão presidencial. Na companhia de João Goulart, seu companheiro de chapa, aqui passou três dias, cumprindo uma programação intensa de comícios, reuniões, visitas e participação na convenção do PSD que homologou as candidaturas de Matos Carvalho e Alexandre Costa a governador e vice do Estado.
A terceira vez que pisou no solo maranhense deu-se no exercício do cargo de presidente da República. Não passou mais do que seis horas em São Luís, onde, no dia 18 de janeiro de 1958, marcou presença nas inaugurações do Hospital Presidente Dutra, construído pelo Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários, então dirigido pelo engenheiro Remy Archer, e da Faculdade de Ciências Médicas, iniciativa do arcebispo Dom José de Medeiros Delgado. Também visitou a estação da Estrada de Ferro São Luis-Teresina para ver uma locomotiva diesel, comprada nos Estados Unidos.
A quarta e última visita de JK, a mais agitada, ocorreu no auge de seu inferno astral, por conta das indefectíveis perseguições e vinganças movidas pelo regime vigente no país, que o submetiam a humilhantes interrogatórios e malsinados inquéritos, patrocinados pela Comissão Geral de Investigação e pelo Serviço Nacional de Informação.
Naquela oportunidade, veio a São Luís a convite da primeira turma do curso de Economia da Universidade Federal do Maranhão, que, no dia 12 de dezembro de 1968, colou grau. Em solenidade especial, o ex-presidente da República, consagrado como patrono, foi alvo principal das homenagens dos formandos, desejosos de desagravá-lo dos sofrimentos morais a ele impingidos.
Na solenidade de formatura, realizada no auditório da Biblioteca Pública, aliás, pequeno para comportar tanta gente, o homenageado proferiu um discurso inflamado em favor da liberdade e da democracia, ao final do qual foi significativamente reverenciado e aplaudido.
No dia seguinte, nova homenagem foi a ele tributada pelos economistas, desta feita, no Clube Recreativo Jaguarema, com direito a banquete, ao qual marcou presença o então governador José Sarney, que discursou e, em brilhante improviso, enalteceu a figura de estadista do ilustre visitante, realçando sua operosa administração e seu elevado espírito democrático quando governou o Brasil. No auge da empolgação, Sarney o chamou de “meu presidente”, fato que obteve repercussão no país, irritou a linha dura do regime e por pouco sua cabeça não rolou. O governador chegou até a lançar um manifesto, como que se despedindo da vida pública.
À noite, em companhia do dileto amigo, Renato Archer, participou de um jantar no Olho D’Água, na residência do empresário Antônio Moraes Correia, onde acompanhou, pelo rádio, a sessão do Congresso Nacional, onde o mandato do deputado Márcio Moreira Alves era objeto de cassação, pelo discurso que fizera e considerado agressivo às Forças Armadas. Como foi poupado pela maioria parlamentar, o presidente Costa e Silva decretou o Ato Institucional nº 5, com base no qual foram cassados mandatos, realizadas prisões e suspensão de direitos políticos de centenas de brasileiros.
JK foi um dos primeiros a sentir os efeitos do AI-5. Ao regressar ao Rio de Janeiro, na manhã de 13 de dezembro de 1968, ainda no aeroporto do Tirirical, percebeu que havia alguma coisa ar, além da movimentação dos aviões de carreira. A bordo da aeronave, agentes do SNI, que acompanharam todos os seus passos em São Luís, sorrateiramente dele se aproximaram e ao seu ouvido disseram que ele viajava sob escolta e vigilância do Serviço Nacional de Informação. Chegando ao destino final da viagem, recebeu nova ordem: apresentar-se imediatamente aos militares encarregados do IPM, para prestar depoimento sobre a Frente Ampla, sumariamente fechada pelo Ato Institucional 5.

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Notas Rápidas

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ASSALTOS NO OLHO D’ÁGUA

O Olho D’Água, um dos bairros mais habitados pela classe média alta de São Luís, sempre foi alvo da bandidagem, só que, nos últimos dias, os assaltantes, naquela área, aumentaram significativamente
Recentemente, duas famílias bem conceituadas na cidade, foram vítimas de assaltos, em plena luz do dia.
As residências do escritor Marialva Frota e do empresário Rodolfo Silva, a primeira, na parte da manhã, a segunda, à tarde, caíram na mira dos bandidos, que as saquearam de cara limpa.
Por sorte, nenhum membro das famílias vitimadas sofreu violência física.

SESSENTA ANOS

Sílvia Duailibe Costa, uma das figuras mais queridas e estimadas de São Luís, muda de idade, hoje.
A data não ficará sem comemoração, pois ela vai reunir os familiares e amigos num almoço na casa de eventos, Panette.
Para quem conhece a família Duailibe, deve imaginar que o aniversário de Sílvia vai acabar em show artístico.

BATEU O MARTELO

O prefeito Junior Marreca, de Itapecuru, com base em pesquisa de opinião pública, bateu o martelo com relação ao candidato que apoiará e que o sucederá na prefeitura.
O escolhido foi o médico Miguel Lauande, ex-prefeito de Itapecuru nos mandatos de 1997 a 2001 e de 2001 a 2004.
Ainda que Miguel esteja na frente das pesquisas, Junior Marreca está encontrando dificuldades para o seu grupo político fechar em torno da candidatura do médico.

OITENTÕES

Neste ano, a Academia Maranhense de Letras passa a contar com mais dois octogenários.
Joaquim Campelo Marques, que mudou de idade no dia 19 de maio, e Sálvio Dino, que apagou as velinhas no dia 5 deste mês.
Com o ingresso de Campelo e de Sálvio na casa dos oitenta anos, o grupo de octogenários na Academia Maranhense aumentou para treze. Dele fazem parte: Antônio Martins de Araújo, Evandro e José Sarney, Hélio Maranhão, José Chagas, José Louzeiro, Cabral Marques, José Maria Ramos Martins, Manuel Lopes e Ubiratan Teixeira.

SINAL DOS TEMPOS

Nos anos em que o vitorinismo dominava a política do Maranhão, os mortos gozavam de um privilégio: votavam sem medo de ser ressuscitados.
A presença de fantasmas era tão marcante, que após a revisão eleitoral no Maranhão, em 1965, que retirou das folhas de votação os sepultados, uma frase dizia tudo no muro do cemitério do Gavião: “os mortos agradecem a tranqüilidade nestas eleições”.
Com o passar dos anos, os fantasmas voltaram à cena, desta feita, para desespero dos empresários dos transportes coletivos: eles constituem boa parte do contingente de passageiros que viaja nos ônibus que circulam na cidade.
Quem está dando estado de vida (falso) a esses passageiros é a Secretaria Municipal de Transportes da Prefeitura de São Luís.

CÂMARA DE IMPERATRIZ

Que seja louvada, por políticos e não políticos, a proposta de um vereador de Imperatriz que, se aprovada, servirá de exemplo ao país.
Enquanto as Câmaras Municipais tentam aumentar o número de vereadores no plenário, a de Imperatriz quer fazer o contrário.
Pretende reduzir de 21 para 15 a edilidade imperatrizense, sob o argumento realista de que o acréscimo de cadeiras representa um gasto elevado ao erário público do município.

FESTA DO DIVINO

Há vinte anos, o deputado Gastão Vieira participa e consegue recursos para abrilhantar os festejos do Divino Espírito Santo, de Alcântara.
Este ano, como ministro do Turismo, não deixou de colaborar e marcar presença no evento profano-religioso mais importante e popular do país.
Mas ao voltar de Alcântara, Gastão não esconde a preocupação: o festejo de 2012 não teve a repercussão costumeira e a participação do povo não foi relevante como nos anteriores, o que revela a decadência anunciada do Divino.

OPERAÇÃO UNIVERSITÁRIA

Antes da Universidade Estácio de Sá, do Rio de Janeiro, fechar as negociações financeiras de compra da Faculdade São Luís, ocorreram tratativas para que ela fosse vendida a um grupo maranhense.
Por muito pouco, a Faculdade São Luís não ficou sob o domínio do grupo Fecury, que desejava incorporá-la à Universidade do Ceuma.
Na hora do acerto final, contudo, os donos da São Luís e do Ceuma não chegaram a um acordo e a negociação foi para o brejo.

MOVIMENTAÇÃO NA ACADEMIA

Nos próximos dias, a Academia Maranhense de Letras viverá intensa movimentação cultural.
Amanhã, às 20 horas, dar-se-á a posse do jornalista Antônio Carlos Lima, na Cadeira 7, cujo último ocupante foi o historiador Carlos de Lima. Em nome da secular instituição, o acadêmico Sebastião Duarte o saudará.
Na quinta-feira, dia 14, às 17 horas, os acadêmicos se reunirão para eleger o substituto do saudoso José Joaquim Filgueiras, na Cadeira 23. A vaga é disputada pelos intelectuais Luis Phelipe Andrés e José Neres.
No período de 18 a 21 deste mês, a professora Luiza Lobo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ministrará no auditório da AML, no período da tarde, o curso “O épico na literatura brasileira”. As inscrições estão abertas. Ao final do curso, o lançamento do livro “O Guesa”, de Sousândrade, em nova edição, organizada pela professora e Jomar Moraes.

ACADEMIA DE SÃO BENTO

No dia 29 de junho, a Academia Sambetuense de Letras se reúne para uma solenidade especial.
A posse do escritor Ney Bello Filho, recentemente eleito. Será saudado pelo historiador Urubatan Melo, presidente da Federação das Academias do Maranhão.
O ingresso do jovem intelectual na Academia Sambentuense não deixa de ser também uma homenagem ao seu avô, o ex-governador Newton Bello, nascido em São Bento.

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OS ARCHER NA POLÍTICA

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Ricardo, da quinta geração da família Archer, assumiu, na semana passada, o mandato de deputado federal. É o mais jovem membro da bancada do Maranhão no Congresso Nacional, traz no sangue o DNA da política, herdado do trisavô, Raimundo Archer da Silva, do bisavô, Sebastião, do avô, Remy, do tio, Renato, e do pai, Ricardo.

 A trajetória política dos Archer começa com o trisavô de Ricardo, Raimundo Archer da Silva, que, em 1891, fez parte do Conselho da Intendência de São Luis do Maranhão. O filho de Raimundo, Sebastião, então dirigente da Companhia Manufatureira e Agrícola de Codó, candidata-se à Câmara Municipal e elege-se para o mandato de 1915 a 1919.

Seu bom desempenho na vereança levou-o a disputar uma vaga ao Congresso do Estado, elegendo-se para a legislatura de 1928 a 1930, que não completou, pois teve o mandato extinto pela Revolução de 30.

No retorno do país à normalidade constitucional,em 1935, atendendo apelos da sociedade codoense, concorre e vence o pleito de prefeito. Em 1937, o presidente Getúlio Vargas golpeia a democracia e instala o Estado Novo, mas Sebastião permanece à frente da prefeitura por decisão do interventor do Maranhão, Paulo Ramos.

Com o fim da ditadura varguista, em 1945, pela sua atuação empresarial e política, Archer da Silva é convidado por Vitorino Freire a candidato a governador do Maranhão. Vence a batalha eleitoral, pela legenda do Partido Proletário Brasileiro.

Depois de cumprir o mandato de 1947 a 1951, em que realiza uma administração operosa, candidatou-se ao Senado da República, pelo Partido Social Democrático, nos períodos de 1954 a 1962 e de 1963 a 1971.

Os filhos de Sebastião, Renato e Remy Archer ingressam na vida pública na segunda metade dos anos 1940. Os primeiros passos de Renato na cena política deram-se no governo do próprio pai, que o trouxe do Rio de Janeiro, nomeando-o chefe de gabinete. Na sucessão do pai, foi companheiro de chapa do candidato a governador, Eugênio Barros, cuja eleição, em 1950, foi contestada pelas Oposições Coligadas, sob o argumento de realizada à sombra da fraude eleitoral.

Em 1954, 1958 e 1962, elegeu-se pelo PSD à Câmara dos Deputados, onde brilhou e se destacou em 1961, na vigência do regime parlamentarista, ocupando o cargo de subsecretario do Ministério das Relações Exteriores.

Em 1965, depois do rompimento político do governador Newton Bello com o senador Vitorino Freire e de sofrer o veto dos militares, lança-se candidato ao governo do Maranhão, pelo MDB, mas perde para José Sarney. Em 1966, retorna à Câmara Federal, tendo o seu mandato cassado, com base no Ato Institucional nº 5. Dez anos depois, readquire os direitos políticos, candidatando-se novamente a governador do Maranhão, pelo PMDB, que ajudou a fundar, mas não consegue empolgar o eleitorado. Retorna à atividade política em 1985, lutando na Aliança Democrática, em favor das candidaturas de Tancredo Neves e José Sarney, que, vitoriosos, no Colégio Eleitoral, inauguram a Nova República, com Renato pontificando nos Ministério da Ciência e Tecnologia e da Previdência Social.

Ao contrário de Renato, o irmão Remy Archer marcou sua presença na cena pública notadamente em cargos executivos, nos quais pontuou como diretor da Estrada de Ferro Central do Piauí, da Estrada de Ferro São Luis-Teresina, da Viação Férrea Leste Brasileiro, presidente do Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Comerciários e do Banco Nacional de Crédito Cooperativo. Na atividade política só foi eleito uma vez: suplente de senador do pai, Archer da Silva, para o mandato de 1954 a 1962. Em dezembro de 1959, Remy ganhou as manchetes do país: estava no avião da Panair do Brasil, seqüestrado por um grupo de oficiais da Aeronaútica, que desejava subverter a ordem legal e destituir do poder o presidente Juscelino Kubitscheck.      

No final do século passado, mais um descendente dos Archer ganha luminosidade na política maranhense: Ricardo, bisneto de Raimundo, neto de Sebastião, filho de Remy e sobrinho de Renato. Jovem empresário, Ricardo, muda-se do Rio de Janeiro para Codó, onde abraça a militância política. Filiado ao PP, vence as eleições de prefeito, ocorridas em 1996.

Concorre em 2000 à reeleição de prefeito e ganha, desta feita, pelo PSDB. Nas eleições de 2002, apresenta ao eleitorado codoense a candidatura da então esposa, Cristina Archer, à Assembleia Legislativa, que se elege, com expressiva votação, pelo PMDB.

Em 2006, Cristina não concorre à reeleição para possibilitar a entrada de Ricardo na atividade legislativa. Pelo PMDB, chega à Assembleia na condição de suplente. Antes de encerrar a vida pública, passa o bastão político ao filho, também, Ricardo, candidato à Câmara dos Deputados em 2010, que agora assume o mandato parlamentar, no exercício do qual deve dar continuidade à brilhante carreira política dos Archer, iniciada pelo trisavô, Raimundo, nos albores do regime republicano.

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SUFOCO NO AEROPORTO

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As médicas Maria Célia e Eliane, mãe e filha, por causa do sobrenome Buzar, viveram momentos de aflição, no aeroporto de TelAviv, a principal cidade e capital financeira de Israel.

Elas faziam parte de um grupo maranhense que desembarcou, na semana passada, em Tel Aviv, mas, no aeroporto, tiveram os passaportes retidos pelos policiais de plantão e ainda passaram por um terrível e descabido interrogatório.

Depois de algumas horas de angústia, os policiais chegaram à conclusão de que Maria Célia e Eliane eram simplesmente turistas e, por isso, liberaram os passaportes e permitiram o ingresso delas no país.

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Viabilidade dos municípios

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VIABILIDADE DOS MUNICÍPIOS

A criação desordenada de municípios, a grande maioria sem viabilidade econômica e sustentada pelos cofres da União, gerou problemas à administração pública.

A presença dessa miríade de municípios na vida brasileira teve uma única finalidade: dar empregos desnecessários a prefeitos, vereadores e funcionários.

Para remediar essa situação, cresce em Brasília um movimento visando mudar esse terrível quadro. Com base em estudos criteriosos, já se pensa em reunificar os municípios inviáveis ou fazê-los desaparecer do mapa.

CANDIDATOS À ACADEMIA

Menos de quinze dias do anúncio da abertura de inscrição à vaga do saudoso jornalista Neiva Moreira, já é visível a corrida de candidatos à Cadeira nº 16.

Até agora, três potenciais candidatos estão em campo e atrás dos membros da Academia Maranhense de Letras na busca de apoio e de votos.

Bento Moreira Lima, Natalino Salgado e Paulo de Tarso Nascimento Moraes não escondem a vontade de ingressar na Casa de Antônio Lobo, fato que certamente transformará a eleição em acirrada disputa.

LIVRO DE ELIR

Em homenagem ao pai, o saudoso empresário Jesus Gomes, o filho Elir escreveu um opúsculo.

Ao livro, o autor deu o título de “Jesus Gomes: sua vida, seus sonhos”, fazendo questão de não vendê-lo, mas ofertá-lo aos amigos e familiares.

A poderosa Coca-Cola, que adquiriu a fórmula do saboroso e inigualável Guaraná Jesus, inventada pelo próspero industrial maranhense,  assumiu o compromisso de reeditar o livro.

Em setembro, em homenagem ao quarto centenário de São Luís, o livro estará nas mãos do público, revisto e ampliado.      

 A VOLTA DE FORTUNATO

O médico Fortunato Bandeira, seguindo a tradição da família, já se lançou candidato a cargo político, elegendo-se vice-prefeito do município de Raposa.

Pelos serviços que continua prestando àquela comunidade, foi novamente convocado a participar da próxima luta eleitoral.

Fortunato, filiado ao DEM, deve ser mais uma vez candidato a vice-prefeito de Raposa, na chapa encabeçada pelo candidato a prefeito, Felix Moreira, do PV.

CORDEIRINHO

O engenheiro maranhense, Antônio Cordeiro Filho, que vive a vida com sabedoria e tranqüilidade, trocou, anos atrás, São Luís pelo Rio de Janeiro, com moradia num belo apartamento em Ipanema, com vista para o mar.

Depois de um tempo na Cidade Maravilhosa, Cordeirinho passou boa temporada em Nova York.

Após curtir a Big Apple, com direito a desfrutar tudo de bom que a cidade tem e proporciona, mudou novamente de pouso: deixou Nova York pelo clima saudável e praiano de Miame, que considera “o Rio de Janeiro que deu certo”.

 JOÃOZINHO TRINTA

Não há nenhuma empresa privada e nem um órgão do governo do Maranhão entre os patrocinadores do filme “Trinta”, sobre o carnavalesco Joãozinho Trinta.

O apoio financeiro para a realização do filme vem da prefeitura de Paulínia, em São Paulo.

As filmagens já começaram e será rodado inteiramente no Rio de Janeiro, onde o carnavalesco projetou-se em 1974, vestindo a camisa do Salgueiro.

AMIGO FIEL

Este ano, a Escola de Samba Beija-Flor escolheu para enredo no desfile da passarela do samba, os quatrocentos anos de São Luís.

Como é sabido, o desfile não agradou aos jurados e a escola de Nilópolis desceu ladeira a baixo.

A Beija-Flor, na contramão de tudo e contrariando a todos, já escolheu o enredo para o carnaval de 2013: “Amigo fiel”, que vai falar de cavalos. 

MUSEÓLOGOS E ARQUEÓLOGOS

O prédio onde funcionava o Sioge foi cedido pelo Governo do Estado à Universidade Federal do Maranhão e à Petrobrás.

O antigo e amplo casarão, que se encontra em estado de completo abandono e ruína, será literalmente recuperado com recursos do governo federal.

No prédio, recuperado e adaptado, a Universidade Federal do Maranhão fará funcionar o Mestrado de História e a Petrobrás instalará o Museu de Arqueologia, que receberá as peças de valor artístico e cultural encontradas nas escavações realizadas na área da refinaria Premium.

O reitor da Ufma, Natalino Salgado, já pensando no futuro, projeta criar cursos de Arqueologia e Museologia, para atender à demanda de técnicos especializados nessas áreas.      

RETRATO FALADO

Depois de 38 dias do brutal assassinato do jornalista Décio Sá, finalmente, a Secretaria de Segurança divulgou o retrato falado do suspeito criminoso.

A semelhança física do retrato falado do suposto assassino com numerosos jovens de São Luís, em vez de ajudar a Polícia, poderá criar mais problemas na definição do crime.

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ALBERTO E FIEMA

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Vinte e cinco de maio é considerado o Dia da Indústria. Os industriais festejam a data nacionalmente, promovendo eventos, realizando atos ou tomando iniciativas que venham ao encontro do setor empresarial, que, no Brasil, é o preponderante na composição do Produto Interno Bruto.
No Dia da Indústria, impossível esquecer uma figura humana que enquanto viveu foi incansável batalhador pelas causas das forças produtivas do Maranhão: Alberto Abdala.
Fui seu assessor na Federação das Indústrias do Maranhão por mais de vinte anos, por isso, em alto e bom som, posso testemunhar e proclamar seu destemor na defesa das reivindicações do empresariado de nossa terra. Ao longo desse tempo, acompanhei o seu dia-a-dia, vendo-o, com desprendimento e abnegação, fazer a entidade, que presidiu por mais de três décadas – a Fiema, ser uma instituição forte, altaneira e representativa dos interesses dos segmentos produtivos do Maranhão.
Foi Alberto Abdala que liderou o movimento de um grupo de novos industriais, para ressuscitar a Fiema, cuja Carta Sindical havia sido cassada, em 15 de julho de 1965, por força da intervenção do Ministério do Trabalho na Confederação Nacional da Indústria, ato que gerou a destituição de Haroldo Cavalcanti da presidência da CNI.
Inconformados com aquela draconiana decisão do governo militar, Alberto Abdala e seus companheiros de luta, no segundo semestre de 1966, começaram a mover gestões para reativar os sindicatos patronais, que se encontravam esfacelados, através dos quais passaram a reivindicar do Ministério do Trabalho a expedição de outra Carta Sindical para a Fiema voltar a ter vida e funcionar legalmente.
O Ministério do Trabalho, contudo, fazia ouvido de mercador à pretensão do empresariado e sinalizava desinteresse pela revitalização e funcionamento da entidade, por conta dos inquéritos abertos pelos interventores federais, que teriam encontrado grosseiras irregularidades nos órgãos da extinta Fiema.
A despeito das adversidades, os industriais maranhenses não desanimaram e nem recolheram as armas. Foram buscar apoio nos segmentos políticos, especialmente da parte do governador José Sarney, que, no comando do poder, empenhava-se para dar ao Estado uma nova fisionomia desenvolvimentista. Além da solidariedade aos empresários, Sarney passou a manter entendimentos com as autoridades do Ministério do Trabalho, no sentido de a Fiema retornar às suas atividades.
A participação da bancada do Maranhão no Congresso Nacional, sobretudo a colaboração dos deputados Américo de Sousa e Eurico Ribeiro, bem como o engajamento da imprensa maranhense no apoio à causa dos industriais, também foram importantes para contornar o impasse e possibilitar o renascimento da entidade patronal.
Para dar velocidade ao processo de reconhecimento da instituição, o governador em exercício, Antônio Dino (Sarney estava no exterior) conseguiu que Alberto Abdala e seus aliados fossem recebidos em audiência pelo ministro do Trabalho, Jarbas Passarinho, ao qual foi exposta a situação da entidade e os entraves que vinham enfrentando para reativá-la como órgão representativo do segmento patronal.
A própria Confederação Nacional da Indústria, já vivendo uma situação de normalidade com a eleição do novo presidente, o industrial cearense Thomas Pompeu de Sousa Brasil Neto, se posicionou favoravelmente ao ressurgimento da Fiema, pois o Maranhão era o único estado da Federação sem representação na CNI.
Com o cumprimento das exigências burocráticas e legais, veio a certeza de que a Federação das Indústrias do Maranhão teria a sua Carta Sindical deferida pelo Ministério do Trabalho, fato que levou os sindicatos patronais a se adiantarem na indicação do nome de Alberto Abdala para encabeçar a chapa que assumiria os destinos da nova entidade.
Quando maior era a mobilização em torno da eleição da nova diretoria da Fiema, vem de Brasília a informação oficial de que, finalmente, o ministro do Trabalho, Jarbas Passarinho, havia assinado a Carta Sindical que autorizava a entidade a ressurgir, como a Fênix, das cinzas.
O auspicioso fato, que encheu de alegria e emoção as forças produtivas do Maranhão, aconteceu no dia 27 de setembro de 1968. Imediatamente os industriais trataram de cumprir as instruções do Ministério do Trabalho, que deu o prazo de 120 dias para eleger a nova diretoria (30 de novembro de 1968) e empossar os eleitos em solenidade realizada em 20 de dezembro de 1968.
Empossados, os novos dirigentes da Fiema viajaram para o Rio de Janeiro, onde cuidaram de filiá-la na Confederação Nacional da Indústria, condição que deu a Alberto Abdala o direito de ter vez e voz nas reuniões da CNI e fazer com que a Federação das Indústrias do Maranhão e os órgãos a ela vinculados- Sesi e Senai, voltassem a ocupar o lugar de destaque no cenário produtivo do Estado.

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