NUMEROS DO MEDO

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NÚMEROS DO MEDO
Pesquisa do Ministério da Justiça, publicada na semana passada pela revista Veja, mostra o temor dos brasileiros com relação à violência e aos crimes ocorridos no país nos últimos anos.
A pesquisa revela como a sociedade vem se comportando diante do número de assassinatos e como as pessoas mudaram os seus hábitos para escapar dos bandidos.
Em São Luís, por exemplo, vejam o que as pesquisas apresentaram: 75,7 por cento das pessoas entrevistadas disseram que deixaram de sair à noite por causa da criminalidade; 67,6 por cento deixaram de ir a alguns locais em decorrência dos crimes; 54,4 deixaram de ir a certos bancos devido aos assaltos.
GASTOS MILIONÁRIOS
O Ministério Público está de olho nos municípios maranhenses onde os candidatos a prefeito e a vereador querem se eleger por conta de campanhas milionárias.
Essa redobrada vigilância objetiva saber a origem do dinheiro gasto, principalmente quando essa irrigação monetária ocorre em cidades pobres e desprovidas de recursos para se manterem.
Os promotores públicos não farão vista grossa a essa farra de dinheiro e serão rigorosos quanto à aplicação da legislação.
HOMENAGEM A RENATO
Afinal, apareceu uma instituição maranhense para prestar publicamente uma homenagem ao saudoso Renato Archer.
Partiu da Universidade Federal do Maranhão, na pessoa do reitor, Natalino Salgado, que fez questão de homenageá-lo na solenidade de abertura da 64ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.
Uma placa foi entregue ao irmão de Renato, o médico Rui Archer, que veio do Rio de Janeiro para receber a tardia, mas merecida honraria.
A MÍDIA IGNOROU
A Universidade Federal do Maranhão, em que pese às adversidades, merece todos os louvores, fazendo com que a 64ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência se transformasse num evento de alto nível e de retumbante sucesso.
Todos os esforços foram feitos para que a reunião de São Luís não ficasse nada a dever às realizadas anteriormente e acontecidas em outras cidades brasileiras.
Ainda que as dificuldades fossem superadas e tudo funcionasse a contento, a mídia nacional, impressa e eletrônica, ignorou o evento e não deu a ela importância merecida.
Apenas um fato foi noticiado pela grande imprensa: a ausência do ministro da Educação, Aluizio Mercadante, no evento.
SALIÊNCIA RÁPIDA
Um motel, localizado nas proximidades da Universidade Federal do Maranhão, faturou bastante na reunião da SBPC.
O astucioso dono de um dos templos da saliência do Anjo da Guarda, com este afrodisíaco anúncio se deu bem: “Uma rapidinha com almoço por R$ 100,00”.
A fila na porta foi enorme.
AVENIDA BRASIL
Na semana passada, a prefeitura de Itapecuru-Mirim organizou uma programação para comemorar os 142 anos da fundação da cidade.
Em sintonia com os sentimentos da população, o prefeito Junior Marreca determinou que os eventos noturno só começassem depois das 22:30 horas.
Motivo: para o povo assistir a novela Avenida Brasil.
COLETE DE HAROLDO
A maioria dos candidatos a prefeito de São Luís usa camisas vermelhas ou coloridas para chamar as atenções do eleitorado.
O candidato do PSOL, Haroldo Saboia, contudo, discrepa literalmente dos concorrentes.
Sem se incomodar com o calor reinante na cidade, adota como uniforme de campanha um surrado colete creme.
ISIANE DECEPCIONOU
Os maranhenses não perdoam a atleta Lisiane pelo seu irresponsável comportamento em Londres.
A sua indisciplina na concentração das jogadoras de basquetebol, em preparativos para as Olimpíadas, mostrou sua falta de profissionalismo e péssima conduta esportiva.
Isiane, no ano passado, quando da realização dos jogos da Liga de Basquete em São Luís, recebeu da torcida maranhense as maiores provas de carinho e de idolatria. Mas jogou tudo por terra e ainda legou ao esporte um exemplo nada construtivo.
SALGUEIRO EM PORTUGAL
No mês passado, o empresário José Carlos Salgueiro materializou um sonho que acalentava há tempos.
Como descendente de portugueses foi ao país lusitano encontrar-se com os parentes e conhecer as suas origens.
Com a esposa, Rosimar, os filhos Alessandra, Glauco e Pedro, as noras e os netos, Salgueiro visitou as cidades de seus ascendentes.
A viagem, repleta de felicidade e emoção, será repetida no ano vindouro, quando pretende batizar em Portugal seu mais novo neto, filho de Pedro.
CARA NOVA
O secretário da Fazenda, Claudio Trinchão, já avisou a governadora Roseana Sarney que tem pretensões de ser candidato a deputado federal nas eleições de 2014.
Para ser conhecido no interior do Estado, quer marcar presença na campanha eleitoral deste ano.
Em alguns municípios, deve atuar com força total, pois quer contar com o apoio de prefeitos e vereadores para se eleger a Câmara dos Deputados.
ALMOÇO COM SARNEY
Na quinta-feira, o senador João Alberto convidou um grupo de amigos para um almoço com o presidente do Senado, José Sarney.
Ao rega bofe, no Calhau, compareceram Arnaldo Melo, Mauro Fecury, Joaquim Itapary, Benedito Buzar, Carlos Gaspar, Wilson Neiva, Vitor Mendes, Remy Ribeiro, Sebastião Murad e o comandante Olivar.
Pratos da culinária maranhense e conversas políticas não faltaram no encontro de velhos amigos.
JURA CINQUENTÃO
Os 50 anos do secretário de Turismo, Jura Filho, não passaram em brancas nuvens.
Na noite de sexta-feira, o aniversariante reuniu os familiares e amigos no Hotel Luzeiro para um jantar em comemoração à marcante data.
Os convidados, a pedido do aniversariante, só chegaram ao local do evento após o capítulo da novela “Avenida Brasil”.
MARCHA DO 24º BC
O 24º Batalhão de Caçadores, sob o comando do coronel Peregrino, realiza de 30 de julho a 1º de agosto uma ação inédita no Maranhão.
Tropas militares deixarão São Luís com destino Caxias, mas passando por vários municípios do Maranhão, com o objetivo de fazerem levantamentos estratégicos, prestarem serviços médicos e odontológicos às populações visitadas e manterem contatos com as autoridades locais.
Essas atividades farão parte da “Marcha Barão de Caxias” e servirão de homenagem ao coronel Luis Alves de Lima, que veio ao Maranhão em 1840, para participar da pacificação da Guerra da Balaiada.
Itapecuru-Mirim faz parte do roteiro de visitas das tropas do 24º Batalhão de Caçadores. Nesta cidade, o Coronel Luis Alves de Lima deixou a pedra fundamental para a construção de uma igreja

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aniversário da minha cidade: viva itapecuru

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ANIVERSÁRIO DA MINHA CIDADE: VIVA ITAPECURU

BENEDITO BUZAR

Itapecuru-Mirim , onde nasci e fui criado, completou ontem 142 anos de cidade.
Até antes de alcançar o status de cidade, o que ocorreu em 1870, teve sua trajetória histórica marcada por fases administrativas distintas, que mostram a evolução pela qual passou ao longo do tempo.
A primeira manifestação da Coroa de Portugal, com relação às povoações situadas na ribeira do Itapicuru, deu-se em 1630, por iniciativa de Bento Maciel Parente, futuro governador e capitão-general do Estado, que pediu para subdividir a capitania do Geral do Maranhão em quatro.
Uma das capitanias foi instalada na ribeira do Itapicuru, com o objetivo de conter a invasão estrangeira nas terras maranhenses e atender à franca expansão econômica da região, que apresentava terras férteis, águas piscosas, abundância de caças em suas margens, quantidade de gado e numerosos engenhos.
O segundo passo da Corte lusitana, para dotar a povoação de uma estrutura administrativa mais organizada, foi dado em 25 de setembro de 1801. Por meio da Provisão Régia foi autorizada a criação da Freguesia de Itapecuru Mirim, sob as bênçãos de Nossa Senhora das Dores e não ser confundida com a Freguesia do Rosário do Itapicuru Grande, da qual se desmembrara.
A criação da Freguesia levou em conta as condições orgânicas da povoação, que atingira um nível satisfatório de progresso, razoável expressão demográfica e existência de uma capela, cujo vigário era Antônio Fernandes Pereira.
A terceira medida para a povoação, então conhecida por Arraial da Feira, se transformar em vila, surgiu na segunda metade do século XVIII, quando várias petições foram encaminhadas ao governo de Portugal.
No livro História da Independência da Província do Maranhão, Luis Antônio Vieira da Silva, revela que as ações de fundação da vila de Itapicuru, começaram em 17 de novembro de 1751. O ato foi da iniciativa do governador Luis de Vasconcelos Lobo, que dirigiu ao rei D. José uma carta com 1094 nomes, que pediam a fundação de uma vila, para os moradores serem “mais bem governados e mais bem administrados”.
A solicitação, contudo, não foi levada na devida conta pela realeza portuguesa. No Dicionário Histórico-Geográfico da Província do Maranhão, César Marques afirma que em “25 de agosto de 1768, D. José fez saber ao governador do Maranhão que os moradores da ribeira do Itapicuru lhe pediram em 12 de setembro do ano próximo passado, alvará de confirmação da vila”.
Frustradas as primeiras tentativas para a fundação da vila de Itapicuru-Mirim, 49 anos depois, o assunto volta a ser objeto de apreciação de Sua Majestade. Desta feita, por meio de um ilustre e rico cidadão lusitano, José Gonçalves da Silva, que se fazendo intérprete dos anseios da povoação, fez ver ao rei que estava em condições de materializar aquela empreitada.
Nesse sentido, César Marques informa que, pela Provisão Régia, de 27 de novembro de 1817, D. João VI fez saber ao ouvidor da comarca do Maranhão, que obrigou José Gonçalves da Silva, Fidalgo da Casa Real a fundar por sua custa uma vila em terras que possuía nessa Capitania.
Revelou ainda que: “atendendo ao que os moradores do Itapicuru lhe representassem havia por bem, sem embargo de não possuir ele terreno próprio nesse lugar, consentir que aí verificasse a vila que devia fundar, comprando ou aceitando as terras necessárias, que lhe oferecessem os moradores”.
Depois de cumpridas as recomendações régias, quanto à presença de trinta casais brancos e da construção das casas destinadas à Câmara, cadeia e oficinas, o Procurador do Fidalgo, Antônio Gonçalves Machado, em 20 de outubro de 1818, recebeu ordem para a fundação da vila.
No ano seguinte, em 20 de novembro de 1818, afirma ainda César Marques: “quando aí existia uma povoação, composta de 138 fogos (casas), 767 almas, na Praça da Cruz, onde se achava o desembargador, ouvidor e corregedor da Comarca de São Luís do Maranhão, Francisco de Paula Pereira Duarte, e presentes o dito Alcaide-Mor, por seu Procurador, Antonio Gonçalves Machado, o clero, a nobreza e o povo, leu-se em voz alta e inteligível a Provisão de 27 de novembro de 1817, expedida em conseqüência do Decreto de 14 de junho do dito ano, e despacho da Mesa de Desembargo do Paço de 17 de julho e 24 de novembro do mesmo ano, determinando a criação dessa vila”.
Enquanto vila, Itapicuru-Mirim teve papel importante em dois episódios relevantes da História do Maranhão: nas lutas pela Independência do Brasil e na Guerra da Balaiada.
Em julho de 1823, foi palco de batalhas que resultaram na formação da Junta Provisória que proclamou a adesão do Maranhão à Independência. Em abril de 1842, serviu de cenário de intensas lutas entre os balaios e as forças legalistas, bem como do julgamento, condenação e enforcamento de Cosme Bento das Chagas, que se proclamava o tutor e imperador das Liberdades Bem-Te-Vis.
Anos depois desses marcantes fatos históricos, ainda na vigência do regime imperial, registrava-se um ato de transcendental importância, para a população itapecuruense.
No exercício da presidência da Província do Maranhão, José da Silva Maia, no dia 21 de julho de 1870, sancionava a Lei nº 919, votada e aprovada pela Assembléia Legislativa Provincial, que elevava à categoria de cidade a vila de Itapecuru-Mirim. O regime republicano, instaurado em 15 de novembro de 1889, manteve esse status político-administrativo, fato que até os dias correntes é comemorado festivamente pelas autoridades e pelo povo.
Nesses 142 anos, a cidade foi administrada por cinco presidentes da Câmara Municipal, cinco intendentes nomeados, oito intendentes eleitos, uma junta governativa, seis prefeitos nomeados e dezoito prefeitos eleitos.
O atual prefeito do município é o advogado Antônio da Cruz Filgueiras Junior, cujo mandato se encerra em 1º de janeiro vindouro.

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O VETO DOS MILITARES A RENATO ARCHER

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O VETO DOS MILITARES A RENATO ARCHER
BENEDITO BUZAR
No dia 9 passado, Renato Archer completaria noventa anos. Pelo que fez em vida, como figura humana e pública, certamente mereceria dos maranhenses efusivas homenagens.
A sua brilhante trajetória política teve inicio em janeiro de 1947, quando a Marinha do Brasil, da qual era tenente, o colocou à disposição do governo do Maranhão, para ocupar o cargo de oficial de gabinete do governador Sebastião Archer da Silva. Em outubro de 1986, ele disputou, pela última vez, as eleições à Câmara dos Deputados.
Ao longo de 39 anos de intensa atividade, sejam em cargos legislativos, sejam em postos executivos, teve um comportamento exemplar e soube, mercê de sua cultura, competência, habilidade e visão de seu tempo, dar uma contribuição relevante ao progresso do país.
Renato cumpriu três mandatos na Câmara Federal, onde teve atuação marcante nas comissões técnicas e no plenário. Foram anos em que conviveu com homens experimentados e ilustrados e se deteve com assuntos e problemas das mais variadas naturezas, que creditaram a ele prestígio nacional, reconhecimento intelectual e habilidade política.
O sonho maior de Renato era chegar ao governo do Estado, o coroamento de sua carreira política. Esse projeto desencadeou-se quando o governador Newton Bello decidiu tê-lo como sucessor. Todas as lideranças situacionistas apoiaram o projeto, excetuando-se Vitorino Freire, que sempre olhou Renato de maneira atravessada pelo fato de ser um parlamentar que caminhava com os próprios pés e traçou o seu destino político sem a proteção do senador.
Em março de 1965, as primeiras informações dando conta de que o presidente Castelo Branco, interprete dos sentimentos militares, não aceitaria a candidatura de Renato ao governo do Estado. Em nome do governador, o vice, Alfredo Duailibe, fez sondagens junto a Vitorino, o qual confirma o veto presidencial, no entendimento de que a Revolução não tolerará candidaturas comprometidas com o governo deposto de João Goulart.
Para não deixar sua candidatura cair no vazio, Renato, através da imprensa, diz enfaticamente não aceitar a interferência do presidente da República, por não reconhecê-lo membro do PSD, portanto, sem autoridade para vetá-lo. Mesmo sabendo das dificuldades que enfrentava para sustentar aquela candidatura, Newton Bello marca para o final de junho a convenção do PSD, para homologá-la.
Dias antes da convenção, o presidente Castelo Branco, em Belém do Pará, assesta o bote contra o parlamentar, dizendo ao governador, sem meias palavras, que a Revolução não aceita a candidatura de Renato ao governo. Mais ainda: se Newton Bello teimasse em sustentá-la que arcasse com as conseqüências de seu gesto. O governador tentou espernear, mas não conseguiu demovê-lo, a ponto de ainda deixar no ar a possibilidade de uma intervenção federal no Maranhão.
Na volta de Belém, Newton Bello, ainda abalado, reúne o partido e comunica o veto presidencial ao seu candidato. Vitorino, que estava fora do processo sucessório, anima-se diante da perspectiva de indicar um candidato de seu agrado e confiança.
Inconformado, Renato, em pronunciamento na Câmara Federal, critica veementemente o governador por não resistir ao veto de Castelo Branco, bem como a Vitorino, que, segundo ele, aproveitava-se da Revolução para desestabilizá-lo e tirá-lo do páreo sucessório e anuncia ser candidato de qualquer jeito.
Vitorino chega a São Luís e inicia uma série de reuniões com o governador, com vistas ao encontro de um nome de conciliação. Nomes diversos são examinados: Alfredo Duailibe, Eugênio Barros, Matos Carvalho, José Burnett, Joel Barbosa e Josué Montello. Todos são vetados pelo chefe do Executivo, que escolhe o prefeito de São Luis, Costa Rodrigues, para sucedê-lo. A intransigência de um lado e de outro acaba causando o rompimento político e pessoal do governador com o senador, fato que resulta no enfraquecimento do grupo palaciano
Renato viu na cisão das hostes governistas a oportunidade de atrair os insatisfeitos do PSD e o apoio de Vitorino, esquecendo as divergências políticas e ideológicas que os separavam. Com o deputado Cid Carvalho, articula o lançamento, pelo PTB, de sua candidatura, àquela altura, já desfigurada e sem condições de concorrer com o candidato das Oposições, José Sarney, que crescia assustadoramente.
Vitorino encarrega-se de convencer Castelo Branco, em Brasília, de retirar o veto a Renato. O presidente da República concorda, mas sabendo, por informações do SNI, que com o PSD dividido e a revisão eleitoral feita no Maranhão, patrocinada pelo governo revolucionário, que expurgou das folhas de votação cerca de duzentos mil eleitores fantasmas, nem Renato, tão pouco Costa Rodrigues, teriam possibilidades de ganhar as eleições.
Dito e feito. Com a abertura das urnas, Sarney obteve a preferência do eleitorado, com uma votação consagradora. Costa Rodrigues, candidato de Newton Bello, ficou em segundo lugar, e Renato, em terceiro. Assim, as Oposições, depois de vinte anos de luta, conseguiram derrotar o vitorinismo.

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MARIA MACHADÃO E MAROCA

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MARIA MACHADÃO E MAROCA
BENEDITO BUZAR
Extraída do romance “Gabriela Cravo e Canela”, de Jorge Amado, a TV Globo relança, com adaptação de Walcyr Carrasaco, a novela “Gabriela”, que tanto sucesso fez em 1975.
Um dos pontos altos do folhetim é o Bataclan, cenário de uma pensão de prostitutas, na cidade baiana de Ilhéus, onde políticos, fazendeiros, exportadores e comerciantes de cacau, todas as noites se reúnem para beber, gastar e fazer sexo.
Quem viu a primeira versão de “Gabriela” ou a ora apresentada pela TV Globo, com certeza, há de lembrar os dias de glória da Zona do Meretrício, localizada principalmente nas ruas 28 de Julho e da Palma. Era ali, em pleno Centro Histórico de São Luís, que negociantes, políticos, notívagos e boêmios acorriam em busca de entretenimento e das então chamadas “mulheres da vida fácil”, para a prática nem sempre sadia do sexo.
Quando a cidade ainda não oferecia casas de diversão noturna, naquele pedaço de chão, não tão espaçoso, mas deveras movimentado, uma mulher reinava absoluta e de modo incontestável: Maria Ramalho Pestana, conhecida por Maroca, a versão maranhense da Maria Machadão. Dona da principal e mais procurada pensão da Zona do Meretrício, era cortejada pelo mundo masculino por ter sob seu domínio as mais requintadas e cobiçadas prostitutas.
Maroca chegou a São Luís em 1935, vinda de Pedreiras, sua terra natal. Com 17 anos, sem a virgindade e incompreendida pelos familiares, buscou a Zona do Meretrício para sobreviver. Hospedada na Pensão da Honorina, atraiu a clientela masculina, pela formosura, juventude e faceirice.
A venda do corpo lhe deu projeção e poupança. Em 1941, tornou-se dona de pensão ao comprar o modesto cabaré de Chiquinha Navalhada, que transformou num dos bordéis mais animados e galantes da Rua 28 de Julho, logo batizado de Pensão da Maroca, em homenagem à nova madama da Zona do Meretrício da capital maranhense.
Na época da guerra, por injunções de defesa do hemisfério ocidental, os americanos instalaram em São Luís, no Tirirical, uma forte base militar. Os soldados ianques aqui sediados afluíam em massa à Zona do Meretrício, onde, com os valorizados dólares, remuneravam fartamente as mulheres. A pensão da Maroca era a preferida dos militares americanos, que nela encontravam boa acolhida da parte das prostitutas e da dona do cabaré. A dolarização do sexo levou a Zona do Meretrício ao apogeu e melhorou sensivelmente a vida dos que dela faziam parte.
O fato de a Pensão da Maroca ser a mais conhecida e procurada pela clientela endinheirada, fez com que a dona do estabelecimento selecionasse melhor as suas hóspedes, exigindo que se apresentassem com visual mais apurado e passassem por exames corriqueiros de saúde, para não se tornarem transmissoras de doenças venéreas. As selecionadas, com direito à alimentação e moradia, obrigavam-se ao cumprimento das regras da casa e às exigências da proprietária.
Em assim procedendo, Maroca fez nome na praça, ganhou prestígio, dinheiro e transformou o promíscuo ambiente da Zona do Meretrício. Os homens que freqüentavam a sua pensão sabiam que lá não havia lugar para bagulhos ou rameiras, daí porque compareciam bem apresentados. Alguns não relaxavam o paletó e a gravata. Brigas e confusões praticamente não existiam.
A clientela, formada em grande parte por figurões importantes da política e do empresariado, aumentou em qualidade e quantidade, tanto que obrigou Maroca a expandir os seus negócios. Com as polpudas reservas provindas do mercado sexual, ela não pensou duas vezes: instalou outra pensão, também na Rua 28 de Julho, conhecida por Filial da Maroca, onde se impôs como rainha absoluta do meretrício maranhense.
Quando maior era o domínio e a fama de Maroca, irrompe em São Luis, em janeiro de 1951, um movimento político e popular contra aposse de Eugênio Barros no governo do Estado. As lideranças oposicionistas, pensando na possibilidade de intervenção federal no Maranhão, decretam uma greve geral, levando o setor público e privado à paralisação de suas atividades.
Em solidariedade ao movimento das Oposições Coligadas, as mulheres das ruas 28 de Julho e da Palma, fecharam as pernas durante bom tempo. Só voltaram à atividade sexual depois que as lideranças oposicionistas deram o sinal verde. Como tinha amigos contra e a favor do governo, Maroca, não entrou de cabeça na greve, mas, por trás dos panos, incentivou as suas hóspedes ao jejum sexual até ser encontrada uma solução para o impasse político.
Se as prostitutas da Zona do Meretrício de São Luis, lideradas por Maroca, fizeram uma greve sexual, de conotação política, as marafonas de Ilhéus, sob o comando de Maria Machadão, fecharam as portas do Bataclan, em protesto contra a intolerância das dondocas baianas. O que comprova a máxima de que a arte imita a vida e a ficção tem muito a ver com a realidade.

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PADRES NA POLÍTICA

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PADRES NA POLITICAPADRES NA POLÍTICA DO MARANHÃO
BENEDITO BUZAR
Foram tantos os padres que pediram à arquidiocese de Natal, no Rio Grande do Norte, para disputar os cargos de prefeitos que o arcebispo, dom Jaime Vieira Rocha, divulgou nota proibindo todos eles de se lançarem candidatos.
No Maranhão, houve tempo em que a cúpula do clero proibiu os padres de se candidatarem a cargos políticos, sob pena de serem afastados dos ofícios eucarísticos. Essa enérgica providência foi tomada, de um lado, para as paróquias, especialmente as do interior, não ficarem ameaçadas de vacância, diante da sedução produzida pela política sobre o clero. De outro lado, para evitar que os cultos católicos fossem usados para as pregações da politiquice e os padres se envolvessem com as maquiavélicas astúcias dos politiqueiros.
Um dos prelados que assumiu essa postura foi o arcebispo, dom José de Medeiros Delgado. No seu vicariato, de fevereiro de 1952 a maio de 1963, através de circular, proibiu rigorosamente os padres de se imiscuírem na atividade política, para não prejudicar “a atividade pastoral, que se desgasta no entrechoque da política maranhense”.
Se houve época em que o clero foi cerceado de atuar na cena partidária, em outro e longo período, teve ampla e irrestrita liberdade para concorrer a postos eletivos.
Com a criação do Conselho Geral da Província, em 1829, e da instalação da Assembleia Legislativa Provincial, em 1834 até a proclamação da República, tivemos no exercício da atividade parlamentar 36 padres, dentre os quais dois prelados: dom Luís Raimundo da Silva Brito, 1º arcebispo de Olinda, e dom Marcos Antônio de Sousa, bispo do Maranhão. A presença de numerosos sacerdotes na cena política imperial, indiscutivelmente, deveu-se à força política da igreja católica na sociedade de então.
Já, na Velha República, de 1891 a 1930, os padres não tiveram presenças tão marcantes na Assembleia Legislativa. Na primeira legislatura, os padres Balduíno Pereira Maia e Carvílio Pereira da Silva Lobo; na terceira legislatura, o cônego Damasceno Ferreira; nas décima segunda e décima terceira legislaturas, o cônego João dos Santos Chaves; na segunda e terceira legislaturas, o monsenhor João Tolentino Mourão; na sétima legislatura, o cônego José Gonçalves Serejo.
Às eleições para Constituinte federal, em maio de 1933, e Constituinte estadual, em outubro de 1934, a igreja católica maranhense organizou a LEC – Liga Eleitoral Católica que não elegeu nenhum padre à deputação federal, mas para o parlamento do Estado foi eleito o padre João Possidônio de Sousa Monteiro.
Em São Luís, os principais mentores da Liga Eleitoral Católica foram os párocos Francisco Godinho, reitor do Seminário de Santo Antônio, Dionísio Azevedo, vigário da igreja de São João, Newton Pereira, professor secundário, e Carlos Bacelar, diretor das Vocações Sacerdotais.
Com o fim do Estado Novo e a volta do país ao regime democrático, a cúpula da igreja maranhense, excetuando-se a fase em que Dom Delgado esteve à sua frente, não tolheu e nem proibiu os padres de se filiarem a partidos políticos e se candidatarem a cargos eletivos.
De 1946 até os dias correntes, deu-se uma reviravolta no comportamento político dos membros do clero secular. Os padres voltaram as suas vistas mais para os cargos executivos, visando às prefeituras, do que para os cargos legislativos (deputados e vereadores). À frente das prefeituras, salvo poucas exceções, nem sempre se conduzem a contento, inclusive, comprometendo a missão evangelizadora da igreja.
Nesse período temporal, apenas dois sacerdotes se candidataram e foram eleitos: os deputados estaduais Joel Barbosa, em 1947 e 1954, e Manoel da Penha Oliveira, em 1982. Coincidentemente, ambos deixaram a batina, casaram e tiveram filhos.
Numerosos fatos e episódios envolvendo os padres com as atividades políticas marcaram a história do Maranhão. Merece registro o que teve como protagonista o padre Astolfo Serra. Depois de ordenado, assumiu a paróquia de Mirador, onde passou a atuar politicamente e apoiando os revoltosos da Coluna Prestes, que invadiram o Maranhão e enfrentaram as forças da Polícia. Dom Otaviano de Albuquerque, arcebispo do Maranhão, foi pressionado pelo governador Godofredo Viana, a removê-lo de Mirador.
Transferido para a paróquia de Flores, o padre não se intimidou e continuou a usar o púlpito da igreja, por meio do qual fazia sermões inflamados e discursos revolucionários a favor da Aliança Liberal e da Revolução de 30. Esses movimentos levaram Getúlio Vargas ao poder, afastaram o governador Pires Sexto do palácio e viabilizaram a formação de uma Junta Governativa, da qual fazia parte o jornalista Reis Perdigão, que, como figura proeminente, indicou o padre Astolfo Serra ao cargo de interventor federal.
A nomeação do pároco não foi bem vista por dom Otaviano de Albuquerque, que fazia restrições ao seu comportamento político, moral e pouco condizente com as normas do Poder Espiritual. O sacerdote só assumiu o comando do Estado depois de o presidente Getúlio Vargas mover gestões junto ao arcebispo, que, a muito custo, concordou com a nomeação, como se adivinhasse os problemas políticos que ele causaria e que resultaram na sua demissão em 18 de agosto de 1931.

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