A TRAJETÓRIA DO PSD NO MARANHÃO

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Os jornais de São Luis, na semana passada, informaram que o “PSD estagna no Maranhão e pode se esvaziar por falta de projeto político”. Mais ainda: “Fundado há pouco mais de um ano, o Partido Social Democrático parece ter chegado a um estágio de ostracismo”, por isso “alguns membros pretendem deixar a sigla, insatisfeitos com os rumos do partido”.
Este PSD, fundado em 11 de março de 2011, que está na iminência de desaparecer do mapa, não é o primeiro a ter vida no Maranhão. Antes dele, outros dois surgiram com o nome de Partido Social Democrático. Um, teve existência curta: de 11 de agosto de 1934 a 3 de dezembro 1937, quando o ditador Getúlio Vargas dissolveu todos os partidos políticos brasileiros. O outro, fundado em 17 de junho de 1945, saiu de cena em 27 de outubro de 1965, por força do Ato Institucional nº 5, que extinguiu os partidos nacionais.
O primeiro Partido Social Democrático criado no Maranhão foi em 1934, produto da aliança entre o ex-governador Magalhães de Almeida e o interventor Martins de Almeida. Esta costura política foi feita por Vitorino Freire, que veio para o Maranhão coordenar as ações políticas do governo e eleger a maioria dos deputados federais e estaduais, estes, com a responsabilidade de fazer a Constituição do Estado e eleger, por via indireta, o novo governador.
O PSD elegeu 2 dos 7 deputados federais e 13 dos 32 deputados estaduais, os quais não votaram no candidato que ganhou as eleições para o governo do Estado: o cientista Aquiles Lisboa. A ele fizeram ferrenha oposição na Assembleia Legislativa, a ponto de moverem uma moção de desconfiança, que culminou em intervenção federal e em seguida na nomeação de Paulo Ramos para o Poder Executivo do Maranhão.
Em dezembro de 1937, por causa do Estado Novo, que transformou Getúlio Vargas em ditador, o PSD foi extinto com outros partidos.
Com nova roupagem e novo comando, o Partido Social Democrático reaparece em 1945, fruto da redemocratização do país e das negociações entre Vitorino Freire, Genésio Rego e Clodomir Cardoso. Em 2 de dezembro de 1945, nas eleições para a Câmara e Senado Federal, o PSD elege seis dos nove deputados federais e dois senadores. Com esse resultado, o partido teve o direito de indicar o novo interventor: o empresário Saturnino Belo, encarregado de fazer a transição da ditadura para a democracia.
O novo PSD teve pouco tempo de harmonia política, pois logo surgiram os desentendimentos de Genésio Rego e Clodomir Cardoso com Vitorino, este, fortalecido dado sua amizade com o presidente da República, Eurico Dutra. Por conta disso, o PSD divide-se em dois grupos. Um, o mais forte, o PSD do V, liderado por Vitorino; o outro, o PSD do G, sob o controle de Genésio e Clodomir.
Para contornar a situação, o Diretório Nacional do PSD decide apoiar o PSD do V, com o que não concorda o PSD do G, indo imediatamente bater às portas do Tribunal Superior Eleitoral, que lhe dá ganho de causa. Para não ficar sem legenda partidária no Maranhão, Vitorino deixa o PSD e consegue o Partido Proletário Brasileiro para abrigar seus correligionários políticos, que disputariam as eleições de 1947. Os candidatos do PSD do G são esmagados pelo PSD do V.
Depois de oito anos fora do PSD, sem deixar de pensar no partido e na expectativa de um dia reconquistá-lo, o senador Vitorino Freire, com muita luta e conchavo, volta ao ninho do partido que ajudou a fundar em 1946. Em 28 de junho de 1954, o Tribunal Regional do Maranhão registra a nominata dos membros do novo diretório regional do PSD, constituído por figuras representativas da política maranhense, dentre as quais Eugênio Barros, Sebastião Archer, Newton Bello, Raimundo Bogéa, Alexandre Costa e Matos Carvalho.
Em 1963, o PSD sofre um terrível abalo no Maranhão, em decorrência da insurreição de sete deputados federais ao comando do governador Newton Bello. Os rebelados, liderados pelo deputado Cid Carvalho, desligam-se do PSD, filiam-se ao PTB e passam a apoiar o presidente João Goulart e a luta por ele travada pelas reformas de base. Pensavam também criar condições para disputar as eleições de governador do Estado, em 1965, fato que não aconteceu, face ao golpe militar de 1964.
Mas a grande cisão nas hostes do PSD maranhense veio à tona em 1965, com o processo de sucessão do governador Newton Bello. Para enfrentar a candidatura oposicionista de José Sarney, que estava na rua, o governador aposta na candidatura de Renato Archer, que não vinga por causa do veto dos militares. Newton Belo, com o PSD em suas mãos, lança o prefeito de São Luis, Costa Rodrigues, a candidato, este, vetado por Vitorino. O impasse resulta no rompimento do senador com o governador. Resultado: Newton Bello, com maioria na convenção, homologa a candidatura de Costa Rodrigues; Vitorino, por sua vez, faz uma representação ao diretório nacional do PSD contra o governador e pede intervenção no diretório estadual do PSD, sendo prontamente atendido.
Desfecho da crise: sem o PSD, Newton Bello socorre-se do PDC, pelo qual homologa a candidatura de Costa Rodrigues; com o PSD em seu poder, Vitorino rende-se à candidatura de Renato Archer, lançada pelo PTB.
Com o PSD derrotado e dividido, tendo em vista que Costa Rodrigues e Renato Archer perderam as eleições para José Sarney, o vitorinismo mostrava que estava em pleno processo de eutanásia. Mas o golpe fatal para o desaparecimento do Partido Social Democrático ocorre a 27 de outubro de 1965, por conta da edição do Ato Institucional nº2, que extingue inapelavelmente o pluripartidarismo e faz nascer o bipartidarismo com a criação da Arena e do MDB.

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DO TRIVIAL VARIADO

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JOGO DE EMPURRA
Maranhenses que necessitam do uso contínuo de remédios estão enfrentando problemas sérios em São Luis.
O desabastecimento nas farmácias públicas de remédios para esquizofrenia, insuficiência renal, epilepsia, cardiopatias, dentre outros.
O jogo de empurra é grande. Os doentes responsabilizam os governos, que culpam as distribuidoras, que apontam os laboratórios.
Da falta desses remédios emerge uma suposta jogada de distribuidores e laboratórios, que para tornar as concorrências desertas, obrigam o governo a comprar as drogas emergencialmente ou por decisão judicial, com preços que chegam às alturas.
PROBLEMAS NO PMDB
Foi no Palácio Jaburu, na semana passada, o jantar oferecido pelo vice-presidente da República, Michel Tamer, aos governadores, ministros e líderes do PMDB.
Um dos assuntos tratados: a situação do PMDB nos estados e relacionados às sucessões em 2014 de governadores e senadores.
Pela avaliação da cúpula pemedebista, em apenas dois estados o partido de Ulisses Guimarães preocupa: Rio de Janeiro e Maranhão.
A governadora Roseana Sarney marcou presença na reunião. Ela não gostou e nem concordou com essa avaliação.

AS ANGELINAS JOLIE
Foi grande a repercussão do gesto da bela artista Angelina Jolie, que, nos Estados Unidos fez uma drástica cirurgia para evitar um câncer.
A esposa de Brad Pitt extirpou de seu corpo as duas mamas e um ovário, ao saber que se assim não procedesse teria 90 por cento de ser atacada por um tumor cancerígeno.
Em São Luis, a notícia só não foi alarmante para duas mulheres. Elas, em outra época, tomaram a mesma atitude de Angelina Jolie e foram bem sucedidas na cirurgia.
ASFALTO E ESPIGÃO
Até meados do século passado, São Luis não vivia sob o efeito das elevadas temperaturas. Sempre havia uma brisa a nos confortar em qualquer mês do ano.
A partir do asfaltamento da cidade, nos anos 1960, passou a ser voz corrente que a pavimentação era a causa do calor aqui reinante.
Com a construção dos espigões no Calhau e na Península da Ponta D’Areia, os cientistas tupiniquins atribuem aos majestosos prédios de apartamento a responsabilidade pelo incessante e candente calor que se instalou nesta capital.
A soma do asfalto com os espigões deu como resultado um calor à moda piauiense: escaldante e sufocante.
SALVE JORGE
É mais quem quer viajar para o exterior em companhia de Lil Trinta e Jorge Cateb.
Explico: o casal passou recentemente por dois momentos delicados fora do Brasil e saíram ilesos.
Nos Estados Unidos, conseguiram se livrar a tempo do tsunami que assolou várias regiões do país, inclusive Nova York, onde estavam hospedados.
Recentemente estavam na Turquia, mas deixaram o país dias antes do choque entre os balões turísticos da Capadócia, nos quais eles também passearam.

SALÃO DO LIVRO
Intelectuais de São Luis que marcaram presença no Salão do Livro de Imperatriz, voltaram de lá preocupados com o futuro do evento.
Acham que o Salão do Livro, realizado anualmente vem perdendo, não o brilho, mas a participação da população.
A continuar assim, o evento tende ao fracasso. Para evitar isso, resta uma saída: em vez de anual, passar a ser bienal, como todas as feiras de livros do país.
LIVRO DE CASSAS
Como sempre ocorre, o lançamento da obra completa do poeta Luis Augusto Cassas, na semana passada, foi sucesso absoluto.
O poeta, em São Luís, possui um número significativo de leitores, que gostam imensamente de seus trabalhos poéticos e fazem questão de prestigiá-lo em qualquer lugar onde seus livros são lançados.
A sua mais recente obra “A poesia sou eu” foi lançada num dos restaurantes mais novos de São Luis – O Ferreiro, que até então não havia se prestado a esse tipo de evento cultural.

PRESENÇA DE CASTELO
Desde que deixou o cargo de prefeito de São Luís, João Castelo tem evitado participar de eventos de qualquer natureza.
Na semana passada, o Jornal Nacional mostrou o ex-gestor da cidade sentado num lugar privilegiado e onde se realizou a convenção nacional do PSDB.
Castelo não fez nenhum pronunciamento na convenção, mas foi cortejado pelos cardeais do tucanato, que ainda o vêem como um grande puxador de votos no Maranhão.
MARRECA EM MOSCOU
O ex-prefeito de Itapecuru, Júnior Marreca, após passar o cargo de prefeito para o seu sucessor, Magno Amorim, sumiu da cidade que administrou por dois mandatos.
Enquanto aguarda e torce para que a governadora Roseana Sarney o convoque para uma secretaria no governo, foi esfriar a cabeça numa viagem internacional.
Esteve na Rússia, a convite da fábrica de cerveja Schin, da qual a sua família é uma das distribuidoras em grande parte do Maranhão.
SARNEY EM NOVA YORK
Sempre que viaja aos Estados Unidos, o senador José Sarney visita o famoso Museu de Arte Moderna de Nova York.
Na semana passada, ao cumprir o ritual de ver as novidades no templo mundial da modernidade artística, foi surpreendido por um grupo de brasileiros que espontaneamente correu ao seu encontro e haja tempo para as poses fotográficas.
Sarney já retornou dos Estados Unidos e compareceu ao Senado para, em discurso de improviso, enaltecer as figura de Ruy Mesquita, falecido recentemente em São Paulo, e Antônio Dino, pelo seu centenário de nascimento.
VIAGEM PARA IDOSOS
À frente do Ministério do Turismo, o deputado Gastão Vieira não deixa de se preocupar com os idosos que gostam de viajar e de lazer.
Nesse sentido, vai reativar o programa “Viaje mais na melhor idade”, para incentivar o turismo para idosos, aposentados a pensionistas.
O programa objetiva compensar os efeitos da sazonalidade no setor, oferecendo pacotes com preços reduzidos no período da baixa temporada.
HOMENAGEM A DINO
A Assembleia Legislativa, na manhã da última quinta-feira, realizou uma sessão especial em homenagem ao Dr. Antônio Jorge Dino, pelo seu centenário de nascimento na cidade de Cururupu.
Quem assistiu a solenidade, no plenário ou pela TV Assembleia, só faz elogios ao discurso pronunciado pelo ex-deputado Benedito Buzar, que teve como companheiro de bancada, na legislatura que começou em 1962, o saudoso médico e parlamentar.
Buzar abordou o lado político de Antônio Dino, que na sua trajetória de vida foi deputado federal, por dois mandatos, deputado estadual, vice-governador e governador do Maranhão.
RELÓGIO DA PRAÇA
Há 14 anos, os ponteiros do relógio da Praça João Lisboa, em frente à igreja do Carmo, estão literalmente parados.
Ao longo desse tempo, nenhum prefeito se preocupou em restaurá-lo e fazer com que volte a funcionar e a continuar, como no passado recente, a prestar um serviço inestimável às pessoas que moram e trabalham no centro da cidade.
Quando um prefeito assume o cargo, as esperanças de que o relógio seja reativado é enorme, mas logo depois essa expectativa se transforma em frustração.
Com a chegada de Holanda Júnior na prefeitura, os freqüentadores da João Lisboa esperam que ele olhe para o abandono em que se encontra a praça principal de São Luis, sem esquecer o conserto imediato do relógio.

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AFIF DOMINGUES E JOÃO ALBERTO

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No dia 9 de maio, o vice-governador de São Paulo, empresário Afif Domingues assumiu, no Palácio do Planalto, o cargo de ministro da Micro e Pequena Empresa.
Antes mesmo de sua posse, os meios de comunicação já discutiam se ele poderia como vice-governador de São Paulo investir-se no cargo de ministro, ato que caracteriza acumulação de cargo, portanto, afrontoso às leis vigentes no país.
O assunto, ao sair da esfera política para a área jurídica, ganhou mais repercussão com a Procuradoria da Assembleia Legislativa de São Paulo entendendo que o vice-governador Afif Domingues desrespeitou a Constituição brasileira e paulista ao acumular o mandato de vice- governador com o de ministro de Estado.
Caso semelhante ao protagonizado por Afif Domingues, mutatis mutandis, já aconteceu no Maranhão e numa época em que uma aparente pacificação política reinava no estado. Foi no momento histórico em que José Sarney exercia a Presidência da República e estava em curso o processo da sucessão do governador Luiz Rocha.
Para concorrer às eleições de outubro de 1986 ao governo do Estado, uma composição política bem montada teria de ser feita para tornar viável a aliança do PFL com o PMDB, tendo em vista que este partido, no Maranhão, estava em franca oposição a Sarney.
Pouca gente acreditava nessa composição partidária, levando em conta que Sarney e Cafeteira haviam rompido as relações políticas e pessoais desde 1966, em que um era o governador do Estado e o outro prefeito de São Luis. Mas os tempos agora eram diferentes e ambos estavam no mesmo barco, lutando pela volta da democracia no país.
Em nome dessa nova situação política, em 1985, o PMDB nacional condicionou o seu apoio à candidatura de Sarney a vice-presidente da República, se Cafeteira desse o sinal verde à formatação da chapa com Tancredo Neves. Cafeteira não criou problemas, mas exigiu a contrapartida: o grupo Sarney deveria apoiar, sem discrepância, sua candidatura ao governo do Maranhão.
Como produto dessa articulação política, os desentendimentos e as malquerenças entre os dois ficaram para trás e selado o acordo para o lançamento em 1986 das candidaturas do deputado Epitácio Cafeteira, do PMDB, a governador do Estado, e do deputado João Alberto, do PFL, a vice.
Em outubro de 1988, vieram as eleições de prefeitos municipais. Para evitar a derrota de seu grupo político em Bacabal, o vice-governador João Alberto, candidata-se e elege-se prefeito do município. Em 28 de novembro de 1988, depois de eleito e diplomado, o vice encaminha expediente à Assembleia Legislativa, pedindo licença por tempo indeterminado, para empossar-se no cargo de prefeito, no que foi, por maioria de votos, prontamente atendido.
A 13 de agosto de 1989, João Alberto depois de quase um ano à frente da prefeitura de Bacabal, começa a viver sua via crucis. Ele decide renunciar ao cargo que ocupava para reinvestir-se na função de vice-governador por dois motivos. Primeiro, porque tramitava no Tribunal de Justiça uma Ação Declaratória de Vacância de Cargo, impetrada pelo deputado Bete Lago, seu terrível adversário. Segundo, pela suspeita de que um movimento estava em marcha na Assembleia Legislativa, com o fito de embaraçar sua investidura no governo do Estado, no momento em que o governador Epitácio Cafeteira renunciasse ao cargo, em abril de 1990, para concorrer ao pleito senatorial.
Quando tudo parecia correr frouxo para a transmissão do cargo de Cafeteira para João Alberto, eis que o desembargador João Manuel Assunção, concede, a 28 de março de 1990, medida liminar ao mandado de segurança, impetrada pelo presidente do Poder Legislativo, Ivar Saldanha, contra a investidura de João Alberto.
O surpreendente golpe jurídico desfechado por Ivar Saldanha deixa os sarneístas em polvorosa, mas não os impede de reagir para impedir que um ato jurídico se transformasse em tormento político, com reflexos nas eleições de governador, marcadas para outubro de 1990.
No mesmo dia, João Alberto faz chegar ao Supremo Tribunal Federal um recurso requerendo a cassação da medida liminar do desembargador João Manuel Assunção. O presidente do STF, ministro José Neri da Silveira, não vacila e atende ao que requer João Alberto e este assume o governo.
Setenta dias da posse de João Alberto na chefia do Poder Executivo, outra e inesperada manobra, também arquitetada na Assembleia Legislativa, vem a lume. A 15 de junho de 1990, deputados estaduais, os mesmos que aprovaram o seu pedido de licença para assumir a prefeitura de Bacabal, votam e aprovam um decreto-legislativo que determina a vacância do cargo de vice-governador do Estado.
Qual foi a atitude de João Alberto? Destemido como o é, não toma conhecimento do ato da Assembleia e nem se afasta do Palácio do Planalto, o qual passa a ser protegido por forte esquema policial. Mais ainda: ingressa no Tribunal de Justiça com mandado de segurança e pede medida liminar contra o decreto-lei que procurava bani-lo do poder.
No dia 18 de junho, o desembargador Emésio Araújo, presidente do Poder Judiciário do Maranhão, concede a João Alberto a liminar requerida, pondo fim a mais uma crise política, que, se não estrangulada pela Justiça, poderia evoluir para um quadro de anomalia constitucional.

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CASAMENTO GAY

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CASAMENTO GAY
Como o Brasil não assumiu a causa nacionalmente, com o Congresso relutando sobre o tema, virou missão do Poder Judiciário de cada estado autorizar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.
E, aos poucos, os homossexuais começam a conquistar avanços em relação aos seus direitos.
Em 12 estados, além do Distrito Federal, o casamento entre pessoas do mesmo sexo já garante direitos até bem pouco tempo inalcançáveis como receber herança dos parceiros.
Até agora o Tribunal de Justiça do Maranhão ainda não se manifestou quanto à união entre pessoas do mesmo sexo. Talvez seja porque nenhum casal homossexual chegou a pedir ao Poder Judiciário esse direito.
PENÍNSULA SEM ÁGUA
A península da Ponta D’Areia, entre o mar e a lagoa, emoldura edifícios de arquitetura moderna e de ambientes sofisticados.
Ali fica o metro quadrado mais caro do Nordeste do Brasil, cujo valor facilmente chega a R$ 7 mil.
Nessa área mais cobiçada pelo setor imobiliário e pelos endinheirados, aparece um dos problemas mais cruciais da cidade: a falta d’água.
A solução só não é mais aflitiva porque os moradores da península recorrem aos serviços dos carros-pipas.
ACESSO À INFORMAÇÃO
Um ano após a entrada em vigor da Lei de Acesso à Informação, a transparência dos gastos públicos ainda não é total em 14 das 26 Assembleias Legislativas dos Estados.
O Poder Legislativo do Maranhão ainda não cumpriu a legislação que manda dar publicidade aos gastos da instituição.
O povo maranhense espera da Assembleia do Maranhão a decisão de informar à sociedade sobre os procedimentos quanto aos recursos do Orçamento do Estado e como os emprega nas atividades que lhe são pertinentes.
COMISSÃO DA VERDADE
A Comissão da Verdade foi criada pelo Governo Federal para apurar crimes contra os direitos humanos e torturas praticadas no regime militar.
No tocante a esse tipo de crime, a Comissão da Verdade não vai encontrar nada no Maranhão.
Os oficiais que comandavam o 24º Batalhão de Caçadores, naquele período, jamais praticaram sevícias ou torturas contra os detidos.
PIOR TRIMESTRE
Os lojistas de São Luís, os instalados no centro da cidade, na periferia ou em shoppings e supermercados, usam a mesma linguagem quando falam sobre a situação da economia maranhense nos dias correntes.
Todos dizem que, nos últimos anos, o primeiro trimestre de 2013 foi o pior para o comércio varejista, fato atribuído ao processo inflacionário vigente, especialmente no setor de alimentação.
Em tempo: até mesmo maio, mês das mães e das noivas foi o menos lucrativo para os lojistas. Esteve abaixo dos anos passados.
HONRAS DE ESTADO
O ministro Gastão Vieira, em função de suas atividades de governo, já visitou vários países do mundo, nos quais assinou convênios e intercâmbios para incrementar o turismo nacional
Nas cidades visitadas sempre foi recebido calorosa e festivamente pelas autoridades estrangeiras.
Mas nenhuma visita calou mais fundo na sua alma e lhe proporcionou tanta emoção quanto à realizada na cidade de Havana.
Recebido com honras de chefe de estado, trouxe das autoridades cubanas boas lembranças pelo tratamento que lhe foi dispensado e pelos pontos positivos conquistados bilateralmente na área do turismo.
Ponto alto da visita: a reativação da linha aérea entre o Brasil e Cuba, no dia 10 de julho, com os aviões cubanos pousando nos aeroportos brasileiros.
MARANHENSE EM HAVANA
A maior surpresa que Gastão Vieira teve em Havana, na semana passada, foi quando entrou num dos bares mais animados da capital cubana.
Antes de sentar à mesa, ouviu uma voz, vida do fundo do bar, que em alto e bom som gritava: “ministro Gastão, ministro Gastão”.
Mais que depressa rumou na direção de quem o chamava. Ali estava, em companhia de amigos brasileiros e cubanos, um empresário maranhense.
POSSE NA ACADEMIA.
Nesta quinta-feira, 23 de maio, às 20 horas, a Academia Maranhense de Letras abre as suas portas para uma solenidade festiva.
A posse do intelectual Louis Phelipe Andrés, um mineiro que há mais de trinta anos escolheu São Luis para morar e construir família.
Arquiteto conhecido pela sua competência é admirado pelos relevantes serviços prestados ao Maranhão na área cultural.
Louis Phelipe será saudado pelo acadêmico Lino Moreira.
BASE ELEITOREIRA
Em recente entrevista, o ex-presidente Lula disse que “O PT depois do mensalão está dividido entre o PT da base e o PT eleitoreiro”.
Resta saber como os petistas do Maranhão se enquadram nessa dicotomia lulista.
NOVENTA ANOS
Na próxima quinta-feira, Valéria e Nelson Almada Lima recebem parentes e amigos em sua residência no Calhau para uma noite de alegria e de homenagem.
A homenageada é matriarca dos Almada Lima, Consuelo.
Ela completa nesse dia noventa de anos. Para felicidade dos familiares e amigos encontra-se em plena lucidez e com boa saúde.
PREÇO ALTO
O promoter Fernando Bicudo passou alguns dias em São Luis, cidade que gosta e onde tem uma infinidade de amigos.
No Teatro Artur Azevedo, onde assistiu o Ballet Russo, disse a Benedito Buzar que pagou um preço alto pelo fato de promover em São Luís, nas comemorações de seus 400 anos, um concerto da Orquestra Sinfônica Brasileira, da qual era presidente.
No concerto, a OSB executou apenas músicas de compositores maranhenses, o que lhe valeu a demissão.
CIDADÃO PINHEIRENSE
Nesta sexta-feira, 24 de maio, o reitor da Universidade Federal do Maranhão, Natalino Salgado, estará na cidade de Pinheiro para receber uma homenagem especial.
Em sessão solene, a Câmara Municipal de Pinheiro outorgará ao reitor o título de Cidadão Pinheirense.
Em seguida, assina com o prefeito Filuca Mendes convênio com vistas à construção do hospital que servirá de escola para os estudantes de Medicina.

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A BIBLIOTECA PÚBLICA E A POLÍTICA MARANHENSE

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Em 1891, o governador do Maranhão, João Gualberto Torreão Costa, nomeou o escritor Antônio Lobo para dirigir a Biblioteca Pública. Foi ele, segundo Antônio Lopes, um de seus mais dedicados e abnegados dirigentes, tendo prestado àquela casa de cultura relevantes serviços, dando-lhe arrumação, organização e catalogação.
Em 1910, ao deixar a direção da Biblioteca Pública, Antônio Lobo, que com a sua competência, tornou-a um ponto de encontro dos intelectuais maranhenses e bem freqüentada pelo povo de São Luis, disse em alto e bom som que o principal problema da Biblioteca era: “casa nova e de estantes metálicas”.
O interventor Paulo Ramos, à frente dos destinos do Maranhão, deu à Biblioteca Pública, que, à época funcionava nos baixos do edifício Onze de Agosto(ex-sede da Assembleia Legislativa, na Rua do Egito), não estantes metálicas, mas móveis novos.
A outra recomendação de Antônio Lobo, de que a Biblioteca Pública precisava de uma casa nova para ter melhor funcionalidade, cumpriu-se 57 anos depois, na gestão do governador Sebastião Archer da Silva.
Em 1948, na sua mensagem à Assembleia Legislativa, o governador disse que “ O Maranhão – pesa-me dizê-lo – só possui um estabelecimento de cultura – a Biblioteca Pública, presentemente instalada em prédio inadequado à Rua Colares Moreira”(onde é hoje a Academia Maranhense de Letras). Revelou ainda: “Inspirado nesse alto pensamento, expedi o decreto executivo de 21 de julho de 1948, abrindo o crédito especial de Cr$ 3.850.000,00, para fazer face às despesas com a construção de um prédio em que condignamente possa funcionar a Biblioteca”.
Depois de construída e inaugurada, na Praça do Pantheon, a Biblioteca Pública, que posteriormente recebeu o nome de Benedito Leite, em homenagem ao ex-governador do Maranhão, sofreu ao longo do tempo várias reformas. Mas nenhuma delas iguala-se à realizada na gestão da governadora Roseana Sarney. Inobstante a demora foi melhor e a mais completa de todas.
Mas os que pensam que o prédio da Biblioteca Benedito Leite, no correr desses anos, só teve a finalidade de proporcionar ao povo maranhenses condições de leitura e conhecimento, podem mudar de opinião.
Pelo menos em três momentos, a Biblioteca Pública serviu de palco para eventos políticos. Tudo por conta de reformas submetidas à sede do Poder Legislativo, na Rua do Egito. À falta de imóvel para suprir, ainda que por tempo determinado o funcionamento da Casa do Povo, deu ensejo a que os trabalhos legislativos se transferissem para a Praça do Pantheon. Era no seu auditório que os parlamentares se reuniam.
A primeira vez que a Biblioteca foi palco de uma crise política ocorreu no final de 1956, no auge do rompimento do governador Matos Carvalho com o vice, Alexandre Costa. Este, de acordo com a Constituição do Estado, presidia as sessões da Assembleia Legislativa, e, como tal embaraçava as propostas e projetos de interesse do Poder Executivo.
Para acabar essa situação, o deputado Baima Serra apresentou Emenda à Constituição, retirando do vice-governador a competência de comandar as sessões legislativas, proposta aprovada pela maioria governista, mas não aceita por Alexandre Costa. Criado o impasse, já que o vice não permitia o funcionamento da Assembleia, a solução veio com a mudança do Poder Legislativo para a Biblioteca Pública. No dia seguinte, acontece o que os governistas não esperavam. Antes de chegarem à Biblioteca, já encontraram Alexandre Costa tranquilamente sentado na mesa diretora e no ponto de presidi-la. Foi um Deus nos acuda.
A segunda vez foi nos anos 1960, quando outra reforma foi executada na sede do Poder Legislativo, que mais uma vez usou o auditório para o exercício das atividades parlamentares.
No dia 31 de janeiro de 1966, o prédio da Biblioteca não foi palco de crise política, mas de um evento auspicioso para as Oposições maranhenses: a chegada ao poder de um jovem candidato da UDN, José Sarney, que após o domínio de vinte anos do vitorinismo, derrotara a máquina do PSD. Sob a presidência do deputado Aldenir Silva, a Assembleia Legislativa realizava o ato de investidura no governo do Estado governador José Sarney e do vice, Antônio Dino.
Ainda em 1966, no começo de maio, o governador José Sarney enfrentaria uma crise política com o Poder Legislativo. Tudo acontece quando os deputados se reuniram na Biblioteca para eleger a mesa diretora da Assembleia.
No plenário, o MDB contava com 21 parlamentares e a Arena 19. Por isso, os emedebistas, que faziam oposição a Sarney, resolveram não compor com a os arenistas em torno da eleição da mesa diretora. Com dois deputados a mais do que a Arena, o MDB elegeu toda diretoria da Assembleia, tendo na presidência o deputado Carlos Magno Duque Bacelar, impondo insofismável derrota ao novo governador.
Mas, vinte e quatro horas depois da vitória de Magno, a situação já era outra. Os militares, que apoiavam o governador Sarney, pressionaram o novo presidente do Legislativo a renunciar ao cargo. Sem maiores resistências Magno renuncia e nova eleição é realizada, agora com a Arena em maioria, pois os deputados Orleans Brandão e Antônio Bento Farias deixaram o MDB e passaram para a Arena, que assim ficou majoritária.
Destituída toda a mesa diretora, a Arena elege nova diretoria,com o deputado Osvaldo da Costa Nunes Freire na presidência.

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MEMÓRIA MARANHENSE

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MEMÓRIA MARANHENSE
A Fundação Nagib Haickel, com o intuito de preservar a memória maranhense, montou um projeto e começou a executá-lo.
Um documentário de pessoas que realizaram ou prestaram relevantes serviços à nossa terra e à nossa gente.
A primeira personalidade a falar sobre sua história de vida e ações e atividades desenvolvidas nas áreas públicas e privadas, foi o engenheiro Haroldo Tavares, ex-secretário de Viação e Obras, no governo José Sarney, e ex-prefeito de São Luis na gestão do governador Pedro Neiva de Santana.
Os acadêmicos Benedito Buzar e Joaquim Haickel participaram da sabatina e ficaram impressionadas com a inteligência e os conhecimentos de Haroldo sobre qualquer assunto de natureza científica e cultural.
HAROLDO E NIEMAYER
Pouca gente sabe da relíquia que o engenheiro Haroldo Tavares guarda com o maior carinho em sua casa.
Trata-se de uma carta e do traçado, do próprio punho, feito pelo grande arquiteto Oscar Niemayer sobre o projeto náutico para Brasília, com fins turísticos, concebido por Haroldo.
CANDIDATO EXPOSTO
Acabou o governo itinerante, mas Luis Fernando Silva, um dos pré-candidatos à sucessão da governadora Roseana Sarney, continuará visitando o interior do Estado.
No recente périplo da governadora Roseana Sarney, Luis Fernando só não compareceu às visitas às cidades de Itapecuru, Presidente Vargas, Vargem Grande e Nina Rodrigues.
Nestas cidades, chegou a ser confundido com Fernando Fialho.
GANHOU PONTOS
Um deputado estadual marcou presença em todas as cidades visitadas pela governadora Roseana Sarney no governo itinerante: Fábio Braga.
A ele não interessava se tivesse sido votado ou não na cidade visitada. O importante era estar ao lado da governadora, prestigiando-a politicamente.
Com isso, o passaporte de Fábio no Palácio dos Leões terá validade até o final do governo.
MARANHENSES NA EUROPA
Pesquisa da Embratur revela que Paris está perdendo para Praga, o título de capital européia mais procurada pelos que moram no sudeste brasileiro.
Se a pesquisa tivesse consultado os maranhenses certamente o resultado seria diferente.
Lisboa continua, e disparado, ser a cidade da Europa mais visitada pela nossa gente. Marquês de Pombal explica.
PROBLEMAS DO FÊMUR
O maior jogador do mundo de todos os tempos, Pelé, depois de recupera-se de uma intervenção cirúrgica no fêmur, retomou suas viagens internacionais.
No ano passado, algumas personalidades maranhenses foram também operadas com o mesmo problema de Pelé e já voltaram às atividades profissionais.
Mauro Fecury operou-se em São Paulo; José Maria Cabral, no Rio de Janeiro, e José Reinaldo Tavares, em Brasília, Todos estão em plena forma física e técnica.
MARANHENSES NA ABL
Numa sessão da Academia Maranhense de Letras, o intelectual Sebastião Duarte lembrou que, atualmente, só há um escritor maranhense na Academia Brasileira de Letras, José Sarney.
Disse ainda, que em tempos passados, o Maranhão teve vários representantes na Casa de Machado de Assis: Aluisio e Artur Azevedo, Coelho Neto, Raimundo Correia, Graça Aranha, Humberto de Campos, Josué Montelo e Odilo Costa, filho.
Sebastião afirmou também que hoje existem escritores do Maranhão, que, pelo potencial intelectual e projeção nacional, estão habilitados a integrar a Academia Brasileira de Letras, a exemplo de Ferreira Gullar, Nauro Machado, Jomar Moraes e Ronaldo Costa Fernandes.
MÉDICO MARANHENSE
Existem maranhenses, que quando vêem a São Luis deveriam ser recebidos com foguetes, homenageados com banquetes, inclusive pelo governador e prefeito, com direito a feriado municipal e estadual.
Um desses maranhenses é o médico, professor, doutor José Eduardo Moraes Rego, cardiologista famoso no país e no mundo, diretor da área de cardiologia do Hospital do Coração.
O Dr. José Eduardo Moraes, está participando do XXXIII Congresso de Cardiologia, que se realiza em São Luis. Nasceu em Pedreiras, é sobrinho do saudoso Genésio Rego, primo de Claudio Moraes Rego e colega de turma do falecido médico Jackson Lago.
Nenhuma cirurgia de coração se realiza no HCor sem antes passar pela avaliação do José Eduardo.
MUNDINHA EM ITAPECURU
O presidente da Academia de Ciências, Letras e Artes de Itapecuru Mirim, Benedito Buzar convidou a professora Mundinha Araújo para proferir palestra sobre Cosme Bento das Chagas, um dos líderes da Balaiada.
Nesta sexta-feira, dia 17 de maio, ela vai a Itapecuru falar e lançar o seu livro “Em busca de Dom Cosme Bento das Chagas, Negro Cosme – Tutor e Imperador da Liberdade”, em sua segunda edição.
Em tempo: o Negro Cosme foi preso em Vitória do Mearim e enforcado em Itapecuru.
EFEMÉRIDE DUPLA
Em maio duas datas são deveras importantes para a família do saudoso Antônio Jorge Dino.
No dia 14, completa 43 anos que assumiu a chefia do Poder Executivo do Maranhão, em face da renúncia do titular, governador José Sarney, em cumprimento à legislação eleitoral, que o obrigava a desincompatibilizar-se para ser candidato ao Senado da República, pela Arena, nas eleições 1970.
No dia 23 de maio, a família do saudoso médico e político, organiza vasta programação e comemora seu centenário de nascimento, ocorrido na cidade de Cururupu.
AMIGOS INTERNADOS
Três bons amigos estão internados em hospitais da cidade, obviamente por problemas de saúde.
Cláudio Vaz dos Santos(Alemão), no Hospital São Domingos.
Evandro Sarney e José Almir Neves Tavares da Silva, no Hospital UDI,
Para alegria de todos, os três não correm perigo de vida e estão em plena recuperação.
SEXAGENÁRIA
A governadora Roseana Sarney não esconde para ninguém que vai completar 60 anos em junho.
Na reinauguração da Biblioteca Pública, na quinta-feira, ela publicamente declarou sua condição de sexagenária.
Mas a grande assistência que lotava o auditório da Biblioteca, constituída em sua grande maioria de jovens, fez um ligeiro sussurro, como se não acreditasse no que acabara de ouvir da própria voz de Roseana.

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SAUDOSA MAROCA, MAROCA QUERIDA

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Até antes de São Luis ingressar na fase das boates, motéis, casas clandestinas e “inferninhos, (segunda metade dos anos 1960), a vida noturna da cidade gravitava em torno das pensões da zona do meretrício, localizadas nas Ruas da Palma e 28 de julho.
Era para ali, que acorriam, em escaladas noturnas, homens de negócio, políticos, turistas, boêmios e notívagos, à falta de opções de entretenimento em outros locais da capital maranhense.
Quando a zona do meretrício viveu o seu esplendor, no período de 1930 a 1960, São Luis era uma cidade acanhada em termos urbanísticos, portanto, sem ainda expandir-se, por força da especulação imobiliária. A sua população ainda não havia crescido tanto como nos últimos tempos, por isso, concentrava-se no centro urbano.
No apogeu da ZBM surgiu em São Luis a figura humana de Maria Ramalho Pestana, que, com o correr dos anos, se transformaria na personalidade mais importante da vida boemia e noturna da cidade, onde reinou, sem concorrência, por mais de trinta anos.
Maria Ramalho Pestana se tornou nacionalmente conhecida por Maroca. Pelo fato de ser a dona da pensão mais famosa da cidade, ganhou notoriedade e passou a ser cortejada pelo mundo político, empresarial e intelectual, fossem casados ou solteiros, velhos ou jovens, mas dotados de recursos para gastar com mulheres geralmente egressas do interior do Estado.
Em junho de 1975, eu trabalhava em O Imparcial, onde assinava a coluna Roda Viva, quando fui tomado por súbita vontade de entrevistar Maroca. Naquela época a zona do meretrício já não era a mesma. Atravessava dias de incerteza, de decadência e procurava impor-se diante da nova realidade que vivia a cidade e sua população, face ao surgimento de outras formas de diversão e as mulheres em plena fruição da liberação sexual.
Procurei-a na pensão que era o seu quartel general. Apresentei-me como jornalista e desejava saber o que ela pensava sobre o momento de agonia da ZBM. Maroca pulou para trás, tentando descartar a conversa comigo. Não desanimei e voltei lá outras vezes até vencer sua resistência, mas, em contrapartida, impôs a condição de não ser fotografada, com a qual concordei.
Disse-me que chegou a São Luis em 1935, com 17 anos. Veio de Pedreiras porque os familiares não concordavam com a perda da sua virgindade. Como não tinha profissão, foi direto para zona do meretrício, sendo hóspede da pensão de Honorina Guabiraba. Bonita, jovem e sagaz, logo passou a ser cobiçada pelos homens, que começaram a incentivá-la, pela sua capacidade de liderar as companheiras, a ser dona de pensão.
Em 1941, com certa poupança e ajuda de amigos, comprou o modesto cabaré de Chiquinha Navalhada, na Rua 28 de julho, que demorou pouco para impor-se e ser chamado de Pensão da Maroca. Na época da guerra, os americanos instalaram no Tirirical uma base militar. Os soldados ianques, por falta de diversões noturnas na cidade, escolheram a sua pensão para as noitadas de folga e ali gastavam os seus dólares. Foi o ápice da ZBM, que, dolarizada, deu a ela e as mulheres melhor qualidade de vida. Além da moeda americana, também contribuiu para a fase áurea do meretrício: o não pagamento de taxas à prefeitura e à polícia, esta, sempre presente, para manter a ordem e tranquilidade dos freqüentadores.
Sobre os tempos de fastígio da ZBM, revelou, com doses de saudade, o perfil dos que freqüentavam a sua pensão: os homens invariavelmente vestidos de paletó e gravata; as prostitutas com roupas requintadas. Pedreiras, segundo ela, era a cidade que mais exportava as chamadas “mulheres de vida fácil” para São Luis, onde eram submetidas a exames de saúde e a treinamento para receber bem os clientes. Por ser o cabaré mais famoso e procurado, não aceitava bagulhos, rameiras e portadoras de doenças venéreas. Depois de selecionadas, tinham direito a alimentação, boa remuneração e quarto de dormir.
Em 1951, época do movimento popular contra a posse do governador Eugênio Barros, Maroca, em solidariedade à luta oposicionista, determinou o fechamento temporário das pensões e as prostitutas acataram a decisão de fazer greve sexual.
A partir dos primórdios dos anos 60, a ZBM começou a entrar no processo de esvaziamento, em decorrência da proliferação na cidade de chatôs, casas clandestinas e motéis. Os homens deixaram de freqüentar a sua pensão e as mulheres procuram outras praças, especialmente Rio e São Paulo, onde o sexo passou a ser um negócio mais rendoso. Sem condições de manter uma pensão sem retorno financeiro, mudou-se para Teresina, onde montou duas pensões, que deram a ela um bom faturamento.
Com a poupança construída, voltou a São Luis, mesmo sabendo que a ZBM perdera o encanto e não era mais como antigamente. Deixou Teresina, no início da década de 70, para aqui começar tudo de novo. Instalou-se na Rua da Palma, tentando fazer o sucesso de outrora. Ledo engano. A zona do meretrício estava sob o impacto de uma irreversível crise, resultado do processo de modernização e crescimento da cidade, que se expandiu para a periferia e a orla praiana. Fez de tudo para reanimá-la, mas em vão. Em não conseguindo, decidiu recolher as armas e, sem lenço e sem documento, esperar o dia que Deus a chamasse.

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A PRISÃO DOS DIRETORES DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DO MARANHÃO

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No dia 11 de maio de 1933, há 79 anos, a população de São Luís assistia estupefata a um ato inédito no Maranhão: a prisão de diretores da Associação Comercial do Maranhão a mando do interventor Martins de Almeida.
O capitão Antônio Martins de Almeida foi nomeado interventor federal no Maranhão, a 3 de junho de 1933, pelo presidente Getúlio Vargas com dupla finalidade: comandar o processo eleitoral, com vistas às eleições para a Câmara Federal e Assembleia Constituinte do Estado, que ocorreriam em outubro de 1934, e recuperar a credibilidade do Movimento de Trinta, desgastado pelo insucesso dos ex-interventores Reis Perdigão, Astolfo Serra e Seroa da Mota.
O novo interventor preenchia os requisitos para comandar o estado: militar, não era maranhense e politicamente neutro. Recebeu orientação do presidente da República para colocar ordem na política e nas finanças do Estado. Formou sua equipe com pessoas de fora do Estado. Para ajudá-lo, trouxe em sua companhia o pernambucano Vitorino de Brito Freire, que conheceu na Revolução Constitucionalista de São Paulo, para ocupar o cargo de Secretário de Governo, órgão encarregado de conduzir a política maranhense.
O capitão Martins de Almeida era um homem valente e destemido, daí o apelido de “Bala na Agulha”. Na sua gestão, organizaram-se os “Bandos de Papai Noel”, integrado por pistoleiros nordestinos, com a tarefa de aplicar surras em plena rua nos desafetos do governo. Essa política de violência respigou também em Vitorino Freire, por isso, a fama que conquistou de truculento.
O interventor sabia que não ficaria muito tempo no Maranhão, portanto, não deveria se preocupar em realizar grandes obras. Não por acaso a construção da estrada Coroatá-Pedreiras foi paralisada, obra de seu antecessor Seroa da Mota, militar como ele, que a considerava um investimento público de relevância.
A prioridade do governo era o desenvolvimento de ações administrativas, para a contenção de despesas e pela obtenção de aumento das disponibilidades financeiras, a fim de equilibrar o orçamento por meio do incremento da arrecadação e de rigorosa cobrança de impostos. Por isso, ao assumir demitiu funcionários, reduziu salários e não recorreu a empréstimos junto à rede bancária.
A Associação Comercial do Maranhão não desejava repetir o péssimo relacionamento que teve no governo anterior, quando bateu de frente com o modo de administrar do interventor Seroa da Mota, que ignorava as propostas e reivindicações do empresariado local.
Como as primeiras iniciativas de Martins de Almeida agradaram à Associação Comercial, a diretoria da entidade procurou aproximar-se do interventor, emprestando-lhe apoio e solidariedade às medidas por ele anunciadas com o propósito de melhorar a situação do Maranhão.
Em a nota publicada na imprensa maranhense, em julho de 1933, os diretores da ACM informavam o seguinte: “Recebido neste estado com as mais robustas provas de simpatia e confiança, S. Excia. vem praticando atos que merecem justos louvores, revelando seus honestos propósitos de soerguer o Maranhão, restaurando sua precária situação financeira, com medidas de compressão nas despesas, fomentando as fontes de receita e desenvolvendo sua expansão comercial”.
Estabelecido o diálogo com o interventor, o qual prometeu ver com bons olhos as reivindicações da Associação Comercial, dentre as quais a formação de uma comissão mista, composta de auxiliares do governo e de representantes da ACM, para a elaboração da proposta orçamentária para o exercício de 1934.
As reuniões, a princípio bem produtivas, deixaram de ser amistosas a partir do momento em que Martins de Almeida decidiu que a elevação da receita orçamentária estadual só poderia alcançar bom resultado com o aumento de impostos do comércio.
Aí coisa começou a degringolar, com desencontros entre os pontos de vista do governo e dos empresários, que passaram a ser constantes e diferenciados. De um lado, a ACM com o argumento de que a proposta do governo só seria viável se houvesse redução do total da receita prevista para o orçamento. De outro, Martins de Almeida irredutível e em oposição a ela.
A situação chegou a um ponto de tamanha discordância que os representantes do empresariado maranhense deixaram a comissão. Com isso, a paz que reinava entre o interventor e a Associação Comercial foi de ladeira abaixo. Os impostos foram aumentados e cobrados, mas as críticas dos comerciantes a Martins de Almeida ocorreram na mesma proporção, através de notas na imprensa, movimentos de protesto para boicotar a política de tributação, denúncias às autoridades federais.
A crise atingiu um clima tão incontrolável a partir do momento em que os empresários mandaram expedientes considerados pelo interventor de injuriosos à sua pessoa. Sentindo-se ofendido, sem pestanejar, mandou prender os diretores Eden Saldanha Bessa, Arnaldo de Jesus Ferreira, Afonso Matos, Arnaldo Correia e Aurino Penha por terem incitados os comerciantes a uma greve geral, como reação ao aumento do Imposto de Transações Mercantis.
Os diretores da ACM só foram libertados quatro dias depois, por força de “habeas corpus”.

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