A RICA E POBRE IGREJA DO CARMO

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Ao longo de meus bem vividos anos de existência, não me lembro de ter visto em algum jornal de São Luis algo semelhante, sob a forma de informe publicitário, e amplamente divulgado nas páginas da mídia impressa.
Trata-se de um anúncio em policromia emitido pelos frades capuchinhos da igreja de Nossa Senhora do Carmo. Nele, os religiosos fazem um apelo patético à população católica para ajudá-los na recuperação do templo, há séculos instalado no Largo do Carmo.
O informe publicitário explica às autoridades e ao povo que as doações podem ser depositadas na Caixa Econômica Federal ou nas casas lotéricas, para serem aplicadas na construção do forro e na pintura interna da igreja.
Ao fazer esse apelo à comunidade, os frades capuchinhos, com humildade e sinceridade, não escondem as dificuldades financeiras que ora vivem. Por isso, não podem, como outrora, assumir a responsabilidade de realizar por conta própria as restaurações e reformas num templo cuja presença na cidade não tem apenas significado religioso, mas também histórico.
Ao compilar o belo livro “Arquitetura e arte religiosa no Maranhão”, editado sob os auspícios do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, vejo que de 1808 a 2007, a igreja de Nossa Senhora do Carmo sofreu 18 reformas ou restaurações, muitas por conta da Província Capuchinha e poucas com ajuda do poder público.
Mas quando a gente vê os frades capuchinhos saírem do seu convento e vir a público pedir socorro às autoridades e à população, para a realização de obras físicas no templo, há que se recuar no tempo e fazer um cotejo entre a igreja do Carmo do passado (rica) e do presente (pobre).
Como estou a ler o extraordinário livro da autoria do escritor francês Jean-Ives Mérien, intitulado “Aluísio Azevedo vida e obra”, no capítulo que trata da relação do romancista maranhense com a Igreja do Maranhão, vejo um artigo do autor de O mulato, publicado no jornal O Pensador, em 10 de agosto de 1881. Nele, o retrato sem retoque do fausto em que vivia a igreja de Nossa Senhora do Carmo em São Luis: “Dantes, quando a ingenuidade e a boa fé eram uma virtude dos maranhenses, não morria fazendeiro rico que não legasse a Nossa Senhora do Carmo algum dinheiro, algumas propriedades ou comumente escravos. Nossa Senhora do Carmo chegou a ser proprietária de uma quantidade enorme de escravos; hoje mesmo creio que o é de muitos. É uma rica capitalista”.
Em complemento ao texto ácido de Aluísio Azevedo, o livro “Arquitetura e arte religiosa no Maranhão” mostra categoricamente: “Na última década do século XVIII foi feito o seguinte inventário dos bens dos carmelitas: dois conventos – um em São Luis e um em Alcântara -, um hospício no Bonfim, com 30 religiosos, 257 escravos, 7 fazendas, com 214 léguas de terra e 640 cabeças de gado vacum e cavalar”.
Agora, a pergunta que não quer calar: quando e como se deu a mudança da opulência para a pobreza da Província Capuchinha do Maranhão? Quem dá a resposta é também o livro do IPHAN ao revelar que a partir do começo do século XIX, após um longo tempo de riqueza e acumulação de bens, “a Ordem Carmelita passou a sofrer um o processo de decadência que se instaurou em todas as demais Ordens Religiosas. Impedidas de receberem noviços, a Ordem teve o seu número de frades drasticamente reduzido, abalando o trabalho que os mesmos praticavam junto à comunidade maranhense”.
Repito o que escrevi no começo deste pedaço de página: pela maneira honesta e franca como os frades capuchinhos trouxeram ao conhecimento das autoridades e da população as vicissitudes financeiras que estão enfrentando, merecem ser ajudados e apoiados, especialmente pelos que se preocupam com a preservação e restauração do patrimônio histórico e religioso de São Luis, da qual a igreja do Carmo é parte integrante e marcante.
Amanhã, se a greve dos bancários já tiver acabado, quero ser o primeiro a entrar numa agência da Caixa Econômica e dar uma contribuição pequena, mas relevante, para a reforma de um templo secular, que tem servido como centro de irradiação espiritual e de ensinamentos úteis à comunidade maranhense. Como se não bastasse, a igreja do Carmo, em 1641, quando da invasão holandesa teve papel importante, sendo utilizada como fortificação para abrigar nossa gente e que resultou em 1643 na expulsão dos batavos do Maranhão. Ao longo da história, o Convento do Carmo também teve outras serventias: quartel da Polícia Provincial, em 1929, primeira sede da Biblioteca Pública, inaugurada em 1831, e Liceu Maranhense, em 1838.
Em épocas mais recentes, era no frontispício da igreja do Carmo que os políticos maranhenses realizavam os comícios e as concentrações populares. Na década de 1950, especialmente os partidos oposicionistas, faziam daquele privilegiado lugar a sua principal tribuna de combate ao vitorinismo. No final dos anos 1960, contudo, a secretaria de Segurança decidiu proibir a realização de comícios no Largo do Carmo, fato que livrou os frades de cedê-lo aos políticos oposicionistas e não ganhar um dinheirinho extra.

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EX-GOVERNADORES E SENADO

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Com a instalação do regime republicano um ato político virou tradição: os governadores em fim de mandato são automaticamente guindados ou premiados com um lugar no Senado Federal.
No Maranhão, essa regra tem sido cumprida quase que religiosamente e com mais visibilidade a partir de quando o país livrou-se do Estado Novo e voltou à estrada democrática.
Um olhar sobre a vida política maranhense ver-se-á em toda a plenitude que poucos foram os governadores, após o final do exercício de governo, a não conquistar um mandato de oito anos, na mais alta Casa do parlamento nacional.
Alguns não seguiram essa tradição por vontade própria, vale dizer, retiraram-se espontaneamente da atividade pública, preferindo o anonimato ou o recolhimento à vida particular. Outros, porém, por motivos essencialmente partidários ou para elegerem os sucessores.
Depois dessas ligeiras considerações, vejamos os ex-governadores do Maranhão conduzidos, pelo voto do eleitor ao Senado da República, e os que optaram pelo ostracismo político.
Pela ordem cronológica, o primeiro governador eleito depois da redemocratização do país, Sebastião Archer da Silva. Por questões partidárias, manteve-se até o término do mandato em 1951. Mas nas eleições de 3 de outubro de 1954, concorreu ao pleito senatorial, elegendo-se a uma das vagas a que tinha direito o Maranhão.
O sucessor de Archer da Silva, o governador Eugênio Barros, também, ficou até o final do mandato em 31 de janeiro de 1956. Foi eleito senador em outubro de 1958, derrotando o candidato das Oposições Coligadas, Hugo da Cunha Machado, que havia rompido com o vitorinismo.
O substituto de Eugênio Barros, Mattos Carvalho não deixou o governo para se candidatar ao Senado. Passou o Poder Executivo ao eleito, Newton de Barros Bello, pensando disputar o pleito de senador em 1962. Teve, porém, sua candidatura afastada pela cúpula do PSD, que preferiu renovar o mandato de Sebastião Archer da Silva. Mattos Carvalho, como prêmio de consolação, teve de contentar-se com o mandato de deputado federal.
Sucedeu a Mattos Carvalho, Newton Bello, que imaginava candidatar-se ao Senado nas eleições de 1966. Todavia, o movimento militar de 1964 e a eleição de José Sarney a governador em 1965, levaram o seu plano por águas abaixo. Renunciou ao mandato três dias antes do término do governo, não para se candidatar, mas passar o cargo ao vice, Alfredo Duailibe, que o transferiu ao eleito, José Sarney.
José Sarney sucedeu a Newton Bello. Antes de findar sua gestão à frente do governo, em função da lei de desincompatibilização, renunciou ao mandato de governador em maio de 1970, para candidatar-se ao Senado da República. Eleito com votação consagradora assumiu em 1971 o mandato de senador, ocupando a vaga do ex-governador Eugênio Barros, que não se reelegeu. Sarney, em face da dissolução dos partidos políticos e da adoção do bipartidarismo, concorreu pela Aliança Renovadora Nacional.
Depois de Sarney, os três governadores que o Maranhão teve não foram eleitos por eleições diretas: Pedro Neiva (1971-1975), Nunes Freire (1975-1979) e João Castelo (1979-1982). Os dois primeiros ficaram no governo até o mandato acabar. João Castelo, contudo, optou pela candidatura à Câmara Alta do país, razão pela qual renuncia ao mandato em maio de 1982, depois de uma crise política que o levou a romper com o senador José Sarney. Castelo disputa o pleito de outubro de 1982 e ganha o direito de ocupar o lugar de Henrique de La Rocque Almeida, que renuncia ao mandato para assumir o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União, em 1980. O restante do mandato de La Rocque foi exercido pelo suplente, Luis Fernando Freire.
O sucessor de João Castelo no governo do Estado foi o deputado Luiz Rocha (1983-1987), que se determinou a permanecer no cargo até a expiração do mandato em março de 1987. Abdicou da candidatura ao Senado e não participou do processo de sua sucessão, por rejeição à candidatura do deputado Epitácio Cafeteira, lançada pelo grupo Sarney, à chefia do Executivo do Estado, no período de 1987 a 1991. Cafeteira, antes de terminar o mandato e já rompido com o senador Sarney, renuncia ao cargo de governador, em abril de 1990, em atendimento à legislação eleitoral relativo à desincompatibilização. Filiado ao PMDB, elege-se senador em outubro de 1990, mandato que exerce até 1998.
O governador do Maranhão eleito em outubro de 1990, para o mandato de 1991 a 1995, Edison Lobão. Em março de 1994, renuncia ao cargo, transferindo-o ao vice, Ribamar Fiquene, para cumprir o que mandava a lei de desincompatibilização. Nas eleições de outubro de 1994, Lobão se elege para exercer o seu primeiro mandato de senador.
Para suceder a Lobão-Fiquene ocupa o Palácio dos Leões a deputada Roseana Sarney, eleita para os mandatos de 1995 a 1999 e 1999 a 2002. Em abril de 2002, no seu segundo mandato, renuncia ao cargo, para não ficar inelegível e se candidatar ao Senado da República. Substituída pelo vice, José Reinaldo Tavares, este, completa o mandato e se elege governador em outubro de 2002 para o mandato de 2003 a 2007. Rompido com o grupo Sarney, Zé Reinaldo não se afasta do governo para apoiar a candidatura do oposicionista Jackson Lago, que derrota Roseana Sarney no pleito de outubro de 2006. Em outubro de 2010, José Reinaldo concorre ao Senado, sendo derrotado, ficando em terceiro lugar na disputa eleitoral. Desejava candidatar-se novamente ao Senado nas eleições de 2014, mas desistiu para apoiar o vice-prefeito de São Luis, Roberto Rocha.

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DESCENDENTES LIBANESES NO PODER

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O brilhante advogado Ricardo Duailibe é mais um descendente libanês a conquistar um lugar de destaque na estrutura estatal do Maranhão. Na última sexta-feira, em sessão solene, no Tribunal de Justiça, assumiu o elevado cargo de desembargador, após ser o mais votado da lista sexta preparada pela Ordem dos Advogados do Maranhão e o colocado em primeiro lugar na votação da lista tríplice que o Poder Judiciário encaminhou à governadora Roseana Sarney a qual, sem pestanejar, o nomeou para integrar a cúpula do TJ do Estado.
Ricardo faz parte da segunda geração da família Duailibe, neto do patriarca Salim Nicolau, casado com Linda Salim, com a qual teve uma prole de doze filhos. Chegando ao Brasil no começo do século passado, vindo de Monte Líbano, Salim estabeleceu-se definitivamente em São Luis, onde se firmou como um dos comerciantes mais categorizados da Praia Grande, o grande centro polarizador do sistema produtivo do Maranhão, no século passado.
Fiz todo esse intróito para evocar a enorme contribuição que os libaneses ao longo do tempo prestam ao Maranhão em todas as áreas do conhecimento humano. Os primeiros imigrantes do Líbano aqui aportados, com o sangue fenício nas veias, optaram pelas atividades comerciais, antes, porém, ganharam a vida como mascates no interior do Brasil.
Os libaneses abraçaram o comércio de maneira impetuosa e aguerrida e assim se impuseram na sociedade maranhense, onde amealharam recursos suficientes para ter uma boa qualidade de vida e proporcionar aos filhos, aqui nascidos, condições de estudarem em bons colégios e ocuparem um lugar ao sol como profissionais competentes, conceituados e respeitados.
Um olhar mais atento na cena maranhense pode-se evidenciar em toda a plenitude a nossa afirmação. Não é à toa que vamos encontrar, em São Luis, um significativo e brilhante número de descendentes da primeira e da segunda geração libanesa em plena ação laboral, seja no setor público ou privado.
Como ilustração, vejamos os filhos ou netos de libaneses que ocuparam cargos de relevância nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do Maranhão, a partir da redemocratização do país em 1946.
Na área do Executivo, o primeiro a exercer o cargo de governador, ainda que interinamente, foi César Aboud, na condição de presidente da Assembleia Legislativa. Substituiu Eugênio Barros, em março de 1951,enquanto este aguardava o julgamento dos recursos contra sua diplomação e posse no Superior Tribunal Eleitoral.
O segundo, Alfredo Duailibe, vice-governador. Assumiu o governo em função da renúncia do titular Newton Bello, dias antes de José Sarney ocupar o cargo em janeiro de 1966.
O terceiro, Antônio Jorge Dino, vice-governador. Ocupou o cargo de governador quando o titular em função da lei de desincompatibilização, deixou o governo para disputar as eleições de senador em outubro de 1970.
O quarto: José Murad, vice-governador. Chegou ao poder, em março de 1975, antes da posse do titular, Nunes Freire, que se encontrava em tratamento de saúde, em Belo Horizonte.
Por último, Ribamar Fiquene, vice de Edison Lobão. Exerceu o cargo de governador em abril de 1994, face à renúncia do titular, que se desincompatibilizara para concorrer às eleições ao Senado da República.
Na esfera do Poder Legislativo, que sejam lembrados os nomes de deputado estaduais, filhos ou netos de libaneses que tiveram atuações marcantes como representantes do povo maranhense: César Aboud, Emílio Biló Murad, Benedito Buzar, Antônio Dino, João Jorge, Joaquim Itapary, José Lamar, Nagib Haickel, José Elouf, Benedito Saback Tomé, Riod Ayoub Jorge, Antônio Carlos Braid, Mauro Fecury, Joaquim Haickel, Socorro Waquim, Teresa Murad, Ricardo e Eduardo Braid.
Nessa relação, encontram-se cinco parlamentares que chegaram à presidência do Poder Legislativo do Estado: César Aboud, Nagib Haickel, José Elouf, Antônio Carlos Braid e Ricardo Murad.
Na órbita do Poder Judiciário, que se realcem as figuras dos desembargadores Ives Miguel Azar, Jorge Rachid Mubarack Maluf e Jamil Gedeon, como representantes do universo libanês no Maranhão.
Jorge Rachid e Jamil Gedeon, pelos méritos pessoais e jurídicos foram alçados à Presidência do Tribunal de Justiça.
Extrapolando da área institucional para a cultura, tendo como referência a Academia Maranhense de Letras, não se pode esquecer os acadêmicos Salomão Fiquene, João Mohana, Joaquim Itapary, Benedito Buzar e Joaquim Haickel, com assento naquele sodalício. Os dois primeiros descendentes da primeira geração libanesa. Os três últimos da segunda geração.

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A FRUSTRADA CANDIDATURA DE AMÉRICO DE SOUSA

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Como o processo da sucessão da governadora Roseana Sarney foi deflagrado com antecedência, não custa rememorar as peripécias ocorridas na segunda metade de 1968, quando um deputado federal da Arena e da bancada maranhense, também, lançou-se prematuramente à sucessão do governador José Sarney.
Era o deputado Américo de Sousa, que resolve bater de frente com Sarney, que, àquela altura dos acontecimentos, já conquistara da população maranhense a aura de líder popular pelo governo que realizava, fazendo uma administração renovadora, calcada na mudança e no desenvolvimento sócio-econômico.
Em função desse governo progressista, a imagem de Sarney como exemplar governante, chega a Brasília, onde o presidente da República, Castelo Branco, empresta-lhe apoio institucional e ajuda política e financeira para tirar o Estado do secular atraso em que se encontrava.
Com o término do mandato de Castelo Branco, assume o poder federal o general Artur da Costa e Silva. Essa mudança no governo altera significativamente o projeto que Sarney operava no Maranhão. O governador logo percebe que pelo seu alinhamento ao grupo castelista e dada à amizade com o ex-presidente da República, o seu trânsito no Palácio do Planalto não seria mais tão livre e que as portas da administração pública federal não estariam mais abertas para os problemas maranhenses como até recentemente.
Ainda que Sarney não recebesse da parte do presidente Costa e Silva qualquer hostilidade pessoal ou política, contudo, as relações entre o Governo do Maranhão e o Poder Central se deterioraram e deixaram de ser como nos tempos de Castelo Branco, com o qual o governador se identificava até no plano intelectual.
Os reflexos dessa situação logo repercutiram no Maranhão. O deputado Américo de Sousa, que colocara sua candidatura a governador na rua, mas sem obter qualquer sinal de receptividade da parte de Sarney, decide agir vangloriando-se da estreita amizade com Costa da Silva, desde a época em que este ocupou o cargo de ministro da Guerra. Prevalecendo-se disso, o parlamentar da Arena passa a se movimentar com desenvoltura no Palácio do Planalto, procurando ocupar, no universo federal, o lugar que Sarney conquistara quando Castelo Branco estava à frente da Nação.
Se Américo já não era bem visto no Palácio dos Leões, mais complicada fica a sua situação a partir do momento em que tentou imiscuir-se nos assuntos políticos e administrativos do Estado. Quando maior era a animosidade entre Sarney e Américo de Sousa, chega a São Luis (12-12-1968) o ex-presidente Juscelino Kubitscheck, a convite dos formandos da Faculdade de Economia, para proferir palestra na condição de patrono da turma. O governador Sarney, como paraninfo, comparece ao almoço em homenagem a JK, no Clube Jaguarema, onde pronuncia um discurso em que enaltece, com os mais rasgados elogios, ao fundador de Brasília, àquela altura, já sofrendo violenta perseguição dos setores radicais do governo.
Desse fato, aproveitaram-se os adversários de Sarney, dentre os quais o deputado Américo de Sousa, para engrossar o coro de denuncias contra o governador, segundo as quais ele, além de participar da homenagem a um inimigo da Revolução, mantinha ainda na administração estatal pessoas consideradas subversivas e punidas pelo regime militar.
Nesse quadro de revoltantes denúncias e acusações ao governador, o Maranhão que vivia uma fase de calmaria e de trabalho, imediatamente se transforma e convive com dias de tumulto e inquietação, por conta dos boatos, cada vez mais fortes, de que a cabeça de Sarney rolaria nas águas tempestuosas do AI-5. A boataria foi de tal monta que levou o governador a pensar em renunciar ao mandato.
Ele só não pratica o gesto pela intervenção de amigos e do vice-governador Antônio Dino, ao anunciar que se Sarney renunciasse ao cargo, ele não assumiria o governo. Antes, porém, lança um manifesto ao povo maranhense, em que relata a luta que teve para chegar ao poder e do esforço que fazia para rebater as insensatas e sórdidas acusações feitas contra ele e seu governo.
A firme e desassombrada atitude do governador repercute aqui e fora do Estado, a ponto de fazer com que as forças que tentavam defenestrá-lo do governo, recuam para ganhar tempo para novas investidas, mas que não se viabilizam por um fato inesperado e lamentável: o afastamento da chefia da Nação do presidente Costa e Silva, atacado, em 28 de agosto de 1968, por uma violenta trombose, que o tornou inválido.
A doença não permite mais o retorno de Costa e Silva ao poder, sendo substituído não pelo vice-presidente Pedro Aleixo, mas por uma Junta formada pelos três ministros militares, que transferem o governo ao general Ernesto Garrastazu Médice.
Com essa reviravolta institucional operada no país, Américo de Sousa fica na orfandade e sem condições políticas de continuar conspirando contra a presença de Sarney no Palácio dos Leões, onde permanece até junho de 1970, em cumprimento à legislação eleitoral, para ser candidato ao Senado. Só então renuncia ao cargo, o qual transfere ao vice-governador Antônio Dino.
Anos depois, quando Sarney estava no exercício da Presidência da República, esquece e perdoa as tramóias arquitetadas por Américo de Sousa em 1968, e o nomeia ministro do Tribunal Superior do Trabalho.
E ainda dizem que Sarney é rancoroso.

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ACADEMIA LUDOVICENSE DE LETRAS

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Dentro de pouco tempo, São Luís vai contar com uma nova Academia de Letras.
Trata-se da Academia Ludovicense de Letras que pretende reunir quarenta intelectuais e marcar presença no universo cultural do Maranhão.
Até agora trinta escritores residentes em São Luis foram convidados para integrar a nova entidade. Alguns já confirmaram presença; outros ainda não responderam se aceitam ou não fazer parte da instituição, que deverá ser fundada até o começo de outubro.
Alguns nomes sondados para participar da Academia Ludovicense de Letras: Roque Macatrão, Aymoré Alvim, José Maria Nascimento, Luis Augusto Cassas, Arlete Nogueira Machado, Lourdinha Lauande, Pedro Freire, Fernando Belfort, Kleber Moreira, Cleones Cunha, Álvaro Melo(Vavá) e Paulo Melo Sousa.
LEMBRANDO ALUÍSIO AZEVEDO
Se o espírito do escritor maranhense Aluísio Azevedo baixasse em alguma sessão mediúnica no Maranhão, certamente ficaria satisfeito de ver o seu nome e sua obra cantada e decantada em prosa e verso.
Aluísio Azevedo, quando vivo, passou por decepções em São Luis pelo fato de abordar e criticar, em seus livros, a sociedade maranhense, principalmente o clero. Agora, no centenário de sua morte, os seus conterrâneos tiveram um comportamento diferente com relação ao que escreveu nos meados do século XIX.
Na semana passada, em três ambientes diferentes, Aluísio Azevedo foi saudado e louvado pela nova geração de escritores maranhenses como um dos mais lúcidos e importantes do Brasil.
Na Academia Maranhense de Letras, o escritor francês Jean-Ives Mérien, no Centro de Convenções Pedro Neiva, o intelectual Sebastião Duarte, e no Festival Geia de Literatura, o professor Antônio Martins, proferiram palestras em que a figura e os livros de Aluísio de Azevedo foram evocados e lembrados de maneira entusiasmada.
QUE VENHAM
Poucas são as pessoas que se manifestam contra a vinda de médicos do exterior para o exercício da profissão em lugares distantes dos centros mais adiantados do país.
Pensando bem é melhor um médico estrangeiro do que médico nenhum.
Só de Cuba são quatro mil, de onde se conclui que existem por aqui, pelos menos, quatro mil cidades sem médicos.
Que venham os cubanos ou outros que desejam trabalhar para a diminuição no Brasil de índices tão alarmantes de doenças e de doentes.
No Maranhão, temos certeza de que serão recebidos com confetes e serpentinas.
PADRES E MÉDICOS
Houve um tempo no Brasil que a falta de padres nativos era acentuadamente grande.
Foi uma época em que os seminários ficaram vazios ou fecharam devido à ausência de jovens para ordenaram-se sacerdotes.
Houve necessidade de a igreja brasileira buscar padres estrangeiros para que os ofícios católicos continuassem e não houvesse maior debandada de fieis de seus templos.
Os padres estrangeiros chegaram e sem saber nenhuma palavra em português. Nenhum católico reclamou, ao contrário, elogiou a ação da cúpula do catolicismo pela santa medida tomada.
Os padres alienígenas rapidamente se adaptaram à vida brasileira, inclusive no Maranhão, e, ainda hoje, prestam relevantes serviços.
CRISE MOTELEIRA
A crise que invadiu o país atingiu os motéis maranhenses.
Para poderem sobreviver, os donos dessas casas baixaram consideravelmente os preços das saliências.
Passaram-se os meses, mas nem com os preços diminuídos a freqüência aumentou. Os donos dos motéis chegaram à conclusão de que não é falta de dinheiro que tem acarretado os prejuízos. Mas a falta de outra coisa.
Viagra neles.
SEIOS SILICONADOS
Resultado de uma pesquisa feita pelo segmento que comercializa silicone mostrou que São Paulo é o campeão em seios siliconados.
Depois de São Paulo, vem o Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
O Maranhão, contudo, não está longe nesse ranking. A pesquisa apontou que ocupa o quinto lugar.
Que haja peito.
DUPLICAÇÃO DA BR
Parece que a duplicação da BR-135 agora vai.
Quem viajou esta semana pela estrada São Luis a Teresina observou um fato novo: avançaram significativamente os trabalhos de compactação e de terraplenagem no trecho entre Estiva e Perises.
A presença de mais homens e máquinas, durante dia e noite, naquele trecho rodoviário, leva a pensar que a duplicação da BR-135 brevemente chegará a Bacabeira.
FILHO DE JOÃO DOVALE
Riva do Vale, filho do compositor João do Vale, está produzindo um filme sobre a vida do pai.
O trabalho de filmagem já começou no Rio de Janeiro, onde o autor de Carcará se projetou.
Brevemente, a equipe de filmagem virá a Pedreiras e São Luís, cidades em que ele nasceu e viveu para gravar depoimentos de pessoas que conviveram ou tiveram alguma ligação musical com João do Vale.
BARBEIROS E CABELEIREIROS
Anos atrás, com a presença dos salões de cabeleireiros em São Luis, as barbearias começaram a desaparecer especialmente as do centro da cidade.
Poucas as barbearias conseguiram sobreviver e se manter. Só os homens maduros continuaram a freqüentá-las. Os mais jovens, em função da modernidade, aderiram aos salões de cabeleireiros, que atendia homens e mulheres.
Depois desse tempo de fastígio dos cabeleireiros, os barbeiros reagiram e voltaram a ser procurados pela clientela masculina, independentemente de idade.
Basta ver as novas barbearias que surgiram na cidade, agora requintadas e modernizadas, para ver como os barbeiros passaram a ocupar o lugar que outrora foi deles.
MÃO SANTA
Quem passou o final de semana em São Luis foi o médico e ex-senador piauiense, Mão Santa, que se fazia acompanhar da inseparável esposa, Adalgiza.
Veio a convite do amigo Mauro Fecury para proferir palestra na Universidade Ceuma, na condição de qualificado e competente cirurgião.
Na noite de sábado, Mauro e Ana Lúcia, em sua residência, receberam o casal do Piauí, que foi homenageado com um jantar dos deuses.

INSTALAÇÃO DA AML
A Academia Maranhense de Letras foi fundada a 10 de agosto de 1908.
Mas instalou-se na data de hoje, há 105 anos, quando se reuniu sob a presidência do professor José Ribeiro do Amaral.
Foram seus fundadores os escritores Barbosa de Godois, Clodoaldo de Freitas, Domingos Barbosa, Corrêa de Araújo, Armando Vieira da Silva, Antônio da Costa Gomes, Maranhão Sobrinho, Astolfo Marques, Alfredo de Assis, Inácio Xavier de Carvalho, Godofredo Viana, Ribeiro do Amaral, Antônio Lobo e Fran Pacheco. Os dois últimos tiveram a iniciativa de fundá-la.

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