AS ÓBVIAS PREVISÕES DO ANO-NOVO

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Sempre olhei os que dizem ter o poder de fazer previsões ou exercícios de futurologia de maneira atravessada ou com o pé atrás, pois, salvo melhor juízo, são usurpadores da boa-fé das pessoas. Valem-se dos momentos da fraqueza humana, seja física, mental ou psicológica, para persuadirem ou sugestionarem os incautos e inocentes e levá-los a pensar que poderão superar suas dificuldades ocasionais ou seus problemas vivenciais por meio de presságios falsos e ilusórios.
Confesso que nessa matéria de previsão ou futurologia sou um cara cético. Mesmo assim, por impulso e curiosidade dei-me ao trabalho de assistir a uma sessão em que os interlocutores dos espíritos do Além avocam a responsabilidade de dar conselhos, orientação ou receitar remédios aos que estão em situação de vulnerabilidade ou de carência.
Nada do que vi nessas sessões levaram-me a ter crença ou fé na palavra dos que falavam em nome dos espíritos ditos elevados. Se, por um lado, permaneci incrédulo e assustado com as cenas absurdas, vexatórias e constrangedoras, só vistas em locais preparados para o exercício de tais práticas, por outro, pude ver no rosto das pessoas ali presentes e condicionadas a receber passes e fluidos do mundo sobrenatural, manifestações ululantes em busca de esperança, de cura para os males físicos, mentais ou psicológicos, e convictos de que suas vidas mudariam para melhor.
Como a futurologia é o foco desta matéria (jornalística), nada mais oportuno do que a temporada de final de ano para se fazer previsões e exercícios premonitórios, bem como vocalizar fatos, atos e episódios óbvios que podem vir à tona ao longo deste ano.
Para mostrar como tais previsões são destituídas de conteúdos científicos, portanto, não merecedoras de crédito, pois são frutos da imaginação fértil dos ludibriadores da boa-fé, disponho-me, do alto da minha incredulidade mediúnica, a anunciar alguns acontecimentos, que pela sua obviedade, podem ocorrer em 2014, aqui e alhures, a despeito de eu não ter a mínima vocação ou tendência para espírita, médium, mago, pai de santo, vidente ou babalorixá.
Levando em conta de que o próximo ano será praticamente dedicado às eleições e à Copa do Mundo, vejamos o que nos espera em matéria de obviedade com respeito a esses e a outros assuntos.
No tocante ao pleito presidencial, não será fácil a reeleição de Dilma Roussef. Lula vai ter de se desdobrar para a candidata do PT retornar ao Palácio do Planalto. A eleição só será definida no segundo turno, quando ela terá de enfrentar Aécio Neves ou Eduardo Campos.
A governadora Roseana Sarney deixará o Governo em abril para se candidatar ao Senado e será eleita com folga. Quem a substituirá no Palácio dos Leões é o deputado Arnaldo Melo, depois de um acordo político que dará muito trabalho ao Governo para contemplar as forças interessadas na sucessão governamental.
As eleições para a sucessão de Roseana serão as mais difíceis e complicadas para o grupo Sarney. A despeito disso, Luis Fernando vencerá o pleito, mas no segundo turno.
Quanto às eleições para a Câmara Federal e Assembleia Legislativa, poucos deputados não se reelegerão. A falta de bons candidatos fará o eleitorado votar em quem já está no desempenho do mandato.
O deputado Manoel Ribeiro, na próxima legislatura, tentará novamente ser o presidente da Mesa Diretora da Assembleia, mas não será fácil essa empreitada. O deputado Ricardo Murad está com tudo e não está prosa para ser o deputado estadual mais votado e, quem sabe, o presidente do Legislativo estadual, se não for mantido no cargo de secretário de Saúde.
O senador José Sarney pode voltar ao Senado, elegendo-se pelo Estado do Amapá, onde tem o seu domicílio eleitoral. O grande obstáculo para sua reeleição não é o eleitorado ou as lideranças políticas amapaenses, mas a sua família que quer poupá-lo das vicissitudes da campanha eleitoral. Alguns vereadores terão os mandatos cassados por envolvimento em operação fraudulenta com um banco privado e poderoso.
O Tribunal Regional Eleitoral tem tomado providências e cercando-se de todos os cuidados para evitar que a fraude e o derrame de dinheiro marquem presença neste pleito. Quanto à fraude, o TRE pode até impedi-la, mas será impossível deter a influência do dinheiro.
No que diz respeito à Copa do Mundo, o Brasil tem tudo para ser o campeão pela sexta vez, basta que os cartolas não atrapalhem. Quem não tiver apartamento ou casa de amigo ou parente para se hospedar, não deve viajar para o Rio de Janeiro na época da Copa do Mundo, pois não há mais vagas em hotéis. Os que desejarem assistir algum jogo da Copa, que viajem para Fortaleza e procurem lugares em ônibus fretados, pois as passagens aéreas estão quase todas esgotadas e os hotéis praticamente reservados.
Nos dias de jogos do Brasil, as repartições públicas federais, estaduais e municipais não funcionarão. As empresas privadas fecharão as portas antes dos jogos, mas reabrirão após as partidas.
Outros fatos que terão São Luis por palco em 2014: muita gente conhecida vai viajar para o andar de cima; o número de assassinatos e de assaltos continuará crescendo, levando o sistema de segurança à crise e à instabilidade; o inverno será rigoroso e as cidades que sofrem com as enchentes dos rios trarão problemas para os moradores ribeirinhos e aos governantes; os hospitais da cidade continuarão insuficientes e deficientes para atender a demanda de doentes; o trânsito ficará ainda mais caótico e os motoqueiros serão os responsáveis pelo assustador número de acidentes no tráfego; contratar empregada doméstica só nas portas de colégios de cursos médios e nas faculdades de ensino superior; algumas empresas de construção civil quebrarão e deixarão os compradores de apartamentos em situação difícil; um padre muito conhecido será afastado de suas obrigações eclesiásticas por praticar pedofilia; um pastor evangélico será preso por desviar dinheiro de sua igreja; um casamento entre mulheres homossexuais e de bem com a vida, abalará a sociedade; será descoberto o nome de um importante político que teve participação direta no assassinato do jornalista Décio Sá; o Sampaio Correa não terá na série B o mesmo desempenho que teve na série C.
Viram como é fácil fazer uma lista de previsões óbvias? Se o espaço fosse maior, as obviedades seriam mais abundantes, extravagantes e inusitadas.

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SER E TER UM AMIGO COMO GASTÃO

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Há algo que me envaidece na vida: possuir uma casta de bons amigos. Não são muitos, mas fazem parte de uma relação rigorosamente selecionada. São amizades verdadeiramente sinceras e fraternas, que espero, parafraseando o poeta Vinicius de Moraes, serem infinitas enquanto durarem.
Gastão Dias Vieira é um desses amigos e com o qual mantenho uma relação de amizade que se arrasta há mais de 60 anos. Tudo começou quando eu estudava na Faculdade de Direito, que funcionava na Rua do Sol. Ele, mais moço, aluno do Liceu Maranhense, pontificava por sua incontestável liderança, fulgurante inteligência e vocação política, com P maiúsculo.
Vivíamos os anos de chumbo em que a juventude brasileira, inconformada e revoltada com os rumos que o Brasil atravessava, tentava encontrar saídas, algumas violentas, outras discursivas, para tirá-lo da situação a que fora submetido. Nesse clima de apreensão e angústia, vejo o jovem Gastão à frente de entidades estudantis em busca de estratégias para ultrapassar as barreiras impostas pelo regime militar, que proibia os estudantes de se posicionarem contra as arbitrariedades, as opressões e as injustiças ditadas pelos Atos Institucionais, que garroteavam a liberdade e a democracia.
Ainda naqueles tempos de incerteza e de aflição, revejo-o na Faculdade de Direito, onde continuava a luta política em defesa de causas nobres, que exigiam dos que dela participavam idealismo, coerência e posições firmes.
Nesse contexto, a nossa amizade corporificou-se, consolidou-se e me permitiu acompanhar de perto os seus passos na atividade política, vendo-o atuar com senso de responsabilidade e não se arredando dos princípios éticos que abraçara e o levariam, anos depois, a chegar aonde chegou, conquistar aplausos e admiração, ainda que, muitas vezes, tenha enfrentado injustiças, adversidades, malquerenças, invejas e dissabores, mas graças à sua habilidade intelectual e seu equilíbrio emocional, consegue contorná-las ou jogá-las no lixo.
Antes de ingressar na ação política, vi Gastão desempenhar-se de modo positivo e exemplar na gestão pública, prestando inestimáveis serviços ao governo Pedro Neiva de Santana e ao Conselho de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, em Brasília, onde o seu talento profissional aflorou em toda plenitude.
Ainda em Brasília, quando José Sarney chegou à presidência da República, assisti Gastão assumir o cargo de secretário-executivo do Projeto Carajás. A partir daí, ninguém o segurou mais. O sangue político que corria em suas veias fez com que se candidatasse em 1986 e 1990 a deputado estadual, pelo PMDB. Brilhou na Assembleia, especialmente na fase da elaboração da nova Constituição do Maranhão. Pela sua atuação no Legislativo estadual, convenceu-se a disputar o pleito de 1994 à Câmara Federal, sendo reeleito em 1998, 2002, 2006 e 2010. Em todos esses mandatos, brilhou intensamente, a ponto de ser escolhido a vice-líder do PMDB e presidente da Comissão Nacional de Educação.
Ao tempo em que esteve no exercício da atividade parlamentar, vibrei quando recebeu o convite dos governadores Edison Lobão e Roseana Sarney para ocupar os cargos de secretário de Planejamento (duas vezes) e Educação, nos quais sua atuação foi impecável. Mais empolgado fiquei ao saber que a presidente da República, Dilma Roussef o nomeara ministro do Turismo num momento delicado em que vários políticos haviam ocupado o cargo, mas não se comportaram como deviam e, por isso, foram demitidos. Gastão chegou ao Ministério do Turismo quando o órgão estava desacreditado e sem pique para desenvolver um trabalho de monta. Ele fez o ministério dar a volta por cima e recuperar o prestígio dentro e fora do país. De modo competente e com criatividade introduziu no órgão normas e diretrizes voltadas para revelar a transparência de seu trabalho e a lisura de suas ações, inovações que levaram a Controladoria Geral da União a louvá-lo e a premiá-lo.
Como seu amigo e conhecedor de suas virtudes de homem público, não me conformo quando o vejo desprezado ou marginalizado pela nossa cúpula dirigente. Com um cartel de relevantes atividades e iniciativas prestadas ao Maranhão e ao Brasil, a Gastão só uma vez foi dada a oportunidade de mostrar o seu potencial técnico e político: em 2008, quando se candidatou a prefeito de São Luis, mas não se elegeu. O melhor discurso era o dele. Jogado à própria sorte ficou sem apoio e recursos para sustentar a campanha eleitoral.
Por suas qualidades, sobejamente reconhecidas, e por seu desempenho, testado e comprovado nas esferas estadual e federal, Gastão já deveria ter sido olhado ou cogitado para figurar numa disputa em que estivesse em jogo o cargo mais alto do Estado. Em qualquer outro lugar deste país, onde a meritocracia e não a politicalha tivesse vez, ele, certamente não seria esquecido e já teria sido chamado a ocupar uma função de alta envergadura, pois experiência, criatividade, competência e probidade não lhe faltam.
Um homem da estirpe de Gastão, que o país exalta como gestor e parlamentar, mas que a elite política do Maranhão desdenha ou lhe dá um tratamento imerecido, não pode ser desperdiçado ou ficar preso às disputas para conquistar de quatro em quatro anos um mandato de deputado federal.

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CENTRO COMERCIAL

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O presidente da Federação do Comércio do Maranhão, José Arteiro, bateu o martelo.
No ano que se avizinha será iniciado definitivamente o projeto de construção do Centro Comercial, localizado na Avenida dos Holandeses, no Calhau.
O projeto, com mais de 9 mil metros quadrados, terá seis pavimentos, garagem com 170 vagas, loja âncora e 16 lojas-satélites, praça de alimentação e lanchonetes.
Dois andares serão dedicados exclusivamente às salas comerciais. Pela previsão de Arteiro a obra será concluída em 2016.
BEIJA-MÃO
O beija-mão foi um ritual trazido ao Brasil por D. João VI.
Em sinal de respeito e veneração ao rei, os súditos que iam visitá-lo costumavam beijar-lhe a mão.
Esse protocolo atravessou o Império e chegou a ser cumprido por algum tempo no regime republicano. Realizava-se ao final do ano, quando os segmentos representativos da sociedade eram recebidos pelo presidente da República ou pelos governadores estaduais.
No Maranhão, Pedro Neiva de Santana foi o último governador a receber políticos, empresários, sindicalistas e outros setores sociais para a confraternização de final de ano, quando mandava abrir o Palácio dos Leões para trocar afagos e jogar conversa fora.
BOAS PRÁTICAS
Não são poucos os maranhenses que já ocuparam cargos importantes na administração federal.
Mas nenhum foi tão glorificado como o deputado Gastão Vieira, no exercício do cargo de ministro do Turismo, no governo Dilma Roussef.
Para coroar sua brilhante passagem pelo Ministério do Turismo, na semana passada, foi homenageado pela Controladoria-Geral da União, que, no Dia Internacional Contra a Corrupção, recebeu prêmios pelas ações em prol da transparência e de boas práticas na administração pública brasileira.
PERMANECER NO CARGO
O desempenho de Gastão Vieira no cargo de ministro do Turismo tem o reconhecimento público tão grande que passou a ser assediado a permanecer na pasta que ocupa de modo decente e exemplar.
A última pessoa a lhe fazer tal apelo foi o vice-presidente da República, Michel Temer, no entendimento de que o parlamentar do PMDB, além da excelente atuação no cargo de ministro, é um dos melhores quadros do partido.
Sensibilizado com a proposta do vice-presidente, Gastão recusou-a, pois sua prioridade política em 2014 é disputar mais uma vez as eleições de deputado federal e renovar o seu mandato.
CONFRATERNIZAÇÃO DA AML
Os membros da Academia Maranhense de Letras vão se reunir nesta quinta-feira em um evento especial.
O ponto de encontro será na casa do acadêmico Ney Bello Filho, que, este ano, fez questão de receber os confrades em torno de uma festa de confraternização.
Como reza a tradição, os acadêmicos realizarão o “amigo oculto” à base de troca de livros.
BARRACA DO FELIX
Como sempre e por causa da televisão, aparece na cidade alguém para tirar proveito das novelas veiculadas pela TV Globo e transmitidas no Maranhão pela TV Mirante.
Um vendedor de cachorro-quente, por conta do sucesso que o produto vem fazendo em Amor à Vida não perdeu tempo.
A sua venda de hot dog, na Praça Deodoro, ainda sem nome, foi batizada de “Barraca do Felix”.
SEGUNDA PARCELA
O pagamento da segunda parcela do 13º salário, no dia 20, vai despejar um montante de recursos na economia maranhense.
A maior parte do dinheiro virá dos cofres públicos e animará especialmente o comércio varejista.
Como a primeira parcela do 13º salário, pago em junho, destinou-se ao pagamento das dívidas, a segunda parcela, será aplicada em compras.
Em tempo: confiando no incremento das vendas de final de ano, alguns empresários tomaram empréstimos bancários para pagar o 13º salário.
PREFEITOS EM APUROS
Para os prefeitos, dezembro é pior mês do ano.
Em cumprimento à legislação, obrigam-se a pagar dois salários: o 13º e o correspondente à jornada de trabalho.
O 13º salário até que pagam. Agora, o de dezembro ninguém sabe quando.
Com todas essas dificuldades financeiras que as prefeituras estão sofrendo ainda tem político querendo criar mais municípios.
CONVITE DE ROSEANA
A presidente Dilma Roussef convidou os ex-presidentes da República para assistirem, na África do Sul, a cerimônia em homenagem ao falecido presidente Mandela.
Se a governadora Roseana Sarney imitasse o gesto de Dilma e convidasse os ex-governadores do Maranhão para acompanhá-la em alguma solenidade especial, teria de chamar políticos que ainda estão em plena atividade.
O pai, José Sarney, João Castelo, Epitácio Cafeteira, João Alberto, Edison Lobão e José Reinaldo.
LIVRO DE LOURIVAL
O desembargador Lourival Serejo foi o intelectual que mais lançou livro este ano em São Luis.
Como é um escritor eclético, publicou um livro de poesia “Pescador de memória”; em seguida, o ensaio “Aluísio Azevedo sempre”.
Nesta terça-feira, às 17 horas, no salão nobre do Tribunal de Justiça, Lourival relança “Direito Constitucional da Família”, obra refeita como se fosse um livro novo, com conteúdos diferentes, mas permanecendo intocável na perspectiva constitucional.
TURMA DE MEDICINA
O Conselho Regional de Medicina realiza nesta sexta-feira cerimônia especial, emblemática e nostálgica.
O cinqüentenário da primeira turma do curso da Universidade Federal do Maranhão.
Professores e médicos, vivos e mortos, integrantes dessa turma serão homenageados pelo CRM.
Fazem parte dessa turma, alguns profissionais ainda em plena atividade: Elízia Fernandes, Euler Vidigal, Francisco Amazonas, Edinólia Serra Cordeiro, Getúlio Albuquerque e José Domingos Costa.
Um nome que certamente será lembrado na solenidade: o saudoso bispo, Dom José Delgado, que fundou a Faculdade de Ciências Médicas, da Universidade Católica, mantida pela Sociedade Maranhense de Cultura Superior.
NATAL DAS MERCÊS
O senador José Sarney confirmou presença na festa de confraternização natalina, que, nesta terça- feira, a partir das 17 horas, acontecerá no Convento das Mercês.
Antes da chegada de Papai Noel, a ser recebido com muita música e alegria, um cortejo natalino percorrerá as ruas do Desterro.
BALEIRO E ACADEMIA
A Academia Maranhense de Letras ficou bastante sensibilizada com a homenagem que o cantor e compositor prestou ao poeta José Chagas, na semana passada.
Zeca Baleiro, além de produzir um belo filme sobre a vida e a obra do poeta, musicou alguns poemas de Chagas e gravou em DVD.
O artista maranhense, por conta dessa iniciativa cultural, receberá significativa mensagem de agradecimento dos imortais, alguns dos quais já pensam vê-lo futuramente na Casa de Antônio Lobo.

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A MINHA EXPECTATIVA DE VIDA

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Em recente publicação, o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostra que em 2012 a expectativa de vida no Brasil passou para 74, 6 anos.
Se comparada há 10 anos, a expectativa de vida do brasileiro aumentou mais de três anos. Em 2002 era de 71 anos.
Confesso que fiquei deveras satisfeito e alegre ao tomar conhecimento dessa informação do IBGE. Explico: faço parte de uma faixa etária da qual o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística afirma que a expectativa de vida está à beira dos 75 anos.
Imaginar que no Brasil de hoje a gente pode alcançar essa idade com uma boa qualidade de vida e em plena forma física e técnica, para os que nos antecederam, seria ficção ou sonho de uma noite de verão.
Para a geração que me antecedeu, por exemplo, chegar aos sessenta anos, derramando saúde, só milagre ou um super homem. Quem teve a ventura de ultrapassar meio de século de vida, até um tempo não tão remoto, podia se considerar herói ou devoto de Matusalém.
Aos nossos antepassados faltaram os instrumentos do homem contemporâneo, que através da evolução da ciência e da tecnologia, vem buscando conquistar e dominar a natureza e colocá-la a serviço da existência humana.
Graças, portanto, aos avanços científicos e tecnológicos, a sociedade vem experimentando um novo modus vivendi, em que a medicina assume papel relevante e dando uma ponderável contribuição para a humanidade dispor de uma qualidade de vida mais saudável e longeva.
Com profissionais mais preparados, técnicas e terapias inovadoras, medicamentos mais eficientes e equipamentos modernos e de alcance ilimitados, a medicina, ao lado das atividades físicas e de uma alimentação cuidadosa, vem fazendo de tudo para que a minha e as futuras gerações desfrutem de uma existência menos penosa e mais radiante do que as que nos precederam.
No que me diz respeito, proclamo vaidosamente ser um septuagenário bem vivido e ainda sem apresentar sintomas e marcas peculiares da decadência cronológica. Quando perguntam a minha idade, respondo sem constrangimento e os interlocutores duvidam. Acham que estou brincando ou faltando com a verdade. Graças a Deus, o meu aspecto físico, a minha mobilidade, a minha memória e outros componentes inerentes à vida pessoal estão em completa e perfeita harmonia.
Alguns dos problemas comuns e tormentosos do ser humano, no meu estágio de vida, ainda não me perturbam. Não tenho pressão alta e nem baixa, meu colesterol reina absolutamente bem, não sou diabético e a minha próstata é de criança. Só me queixo da coluna, por conta de uma estonese, já operada, mas sem sucesso, da presença de ácido úrico, mas controlado, e de um stress oftálmico, também conhecido por olho seco. Do resto, como diz Zeca Pagodinho, “deixo a vida me levar, porque da vida levo eu”.
Para ter essa saúde, não faço dieta. Até pouco tempo ainda jantava comida de panela. Só mais recentemente, adotei uma alimentação mais frugal, sobretudo, às noites. Também nunca fumei e bebida alcoólica, só socialmente. Quanto aos exercícios físicos, hoje imprescindíveis e tão reclamados pelos médicos, de vez em quando, os faço em academias ou caminhadas. Contudo, há mais de três meses, estou sem praticá-los. Em 2014, voltarei com toda força. O que religiosamente faço, mas só aos domingos: jogar voleibol, sol a pino, com amigos de geração, na casa de veraneio de Mauro Fecury, onde, também, colocamos o papo em dia e relembramos fatos e atos de nossa juventude em São Luis.
Por falar nisso, uma das coisas mais importantes, na minha modesta opinião, para gozar saúde e estar sempre de bem com a vida, anotem este conselho: estar com amigos e conversar sobre o passado, presente e futuro.
Dou a vida para ficar ao lado de amigos de geração e ter com eles encontros, programados ou acidentais. Como me fazem um bem danado, cumpro uma programação que começa às quintas-feiras, nas fecundas as reuniões da Academia Maranhense de Letras, onde discutimos coisas do mundo intelectual. A descontração e o companheirismo ali reinantes deixam-me leve e solto. Aos sábados, antes do almoço, bato um papo com a turma da velha guarda, no Buteco, na Lagoa. No final da tarde, no Shopping Tropical, a conversa, com outro grupo, gira em torno de assuntos políticos e mundanos daqui e alhures. Aos domingos, pela manhã, o imperdível voleibol na casa de Mauro Fecury, que reúne a turma dos antigos Maristas e Liceu e haja falação. Uma vez por mês, sempre na primeira quinta-feira, reúno-me com outra “rapaziada”, na Cabana do Sol, onde o tema é livre e diversificado.
Às vezes, encontro colegas de infância ou da adolescência e não acredito que sejam eles. Pelas nuances físicas, parecem ser meus avós. Um dia desses, quase não reconheci um amigo do Liceu. Eu, em plena forma, ele caindo aos pedaços. Em meio à conversa, pergunta-me o que faço para estar bem e saudável. Como ele reside em outra cidade, não hesitei na resposta e no conselho para a sua recuperação: – Volte para São Luis urgente e reintegre-se à vida da cidade, que não é das melhores, mas onde estão seus amigos de juventude. Se você fizer isso, com toda certeza sua vida será outra.
Antes de finalizar, não devo omitir dois fatores que também contribuem para ser um cara hígido: ser bem casado e passar trinta anos em sala de aula, em contato quase diário e fraternal, com os estudantes da Universidade Estadual do Maranhão.

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NOVAMENTE PRESIDENTE

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No período de 1970 a 1990 vivi o auge de minha carreira jornalística, por conta da coluna “Roda Viva”, que escrevia no antigo Jornal do Dia, depois em O Imparcial e, em seguida, em O Jornal, do caro amigo Cordeiro Filho.
A coluna, de essência política, modéstia à parte, era a mais lida e a mais conceituada da cidade. A vida política do Maranhão girava em torno da “Roda Viva”. Sem jamais extorquir vantagem pecuniária, invadir a privacidade ou ferir a dignidade ou a honra de alguém, dela servia-me apenas para noticiar e comentar assuntos em pauta nos meios políticos.
Por causa da penetração e da repercussão da coluna, aqui e alhures, ao mesmo tempo em que ganhei credibilidade junto ao leitor, também conquistei alguns inimigos, em sua grande maioria, avessos a críticas. Só queriam elogios. Com o passar dos anos, eu e os desafetos esquecemos as rusgas e reatamos as relações de amizade.
Estávamos na década de 90, época em que, além do jornalismo diário, também exercia o cargo de secretário da Cultura, no governo João Alberto, e comandava um programa semanal de entrevistas – “Maré Alta”, de grande audiência na antiga TV Ribamar.
Foi assim que, num encontro meramente fortuito com o então presidente da Academia Maranhense de Letras, Jomar Moraes, em meio a uma boa conversa, veio à tona a sondagem para candidatar-me à Casa de Antônio Lobo. Quase desmaiei ao ouvir do presidente da mais importante instituição cultural do Maranhão convite tão inesperado. Logo eu que, até então, jamais havia pensado, cogitado ou programado fazer parte da AML.
A surpresa foi tamanha que pedi tempo para pensar. O convite era para ocupar a vaga do meu querido amigo e professor da Faculdade de Direito, Fernando dos Reis Perdigão, falecido em maio de 1990, no Rio de Janeiro. Depois de refletir e de ouvir a minha mulher e conselheira, Solange, e alguns amigos, cheguei à conclusão de que deveria aceitar o convite, no suposto de que partira do presidente da Casa de Antônio Lobo, portanto, uma categorizada autoridade para avaliar as minhas condições intelectuais. Se assim pensava Jomar, quem era eu para questioná-lo ou contestá-lo?
Dessa maneira cheguei à Academia Maranhense de Letras, com a sorte de ser eleito sem concorrente no dia 2 de agosto de 1990. Oito dias depois, ou seja, a 10 de agosto, empossava-me na Cadeira nº 13, patroneada por José Cândido de Moraes, fundada por José de Almeida Nunes e ocupada por Clarindo Santiago, Antônio Lopes e Fernando Perdigão, todos, jornalistas como eu. Milson Coutinho, também homem de imprensa, recepcionou-me em nome dos confrades.
Na condição de membro da AML, desde que ali ingressei, orgulho-me de ser um “imortal” cumpridor das obrigações e dos deveres acadêmicos, ao contrário dos que lutam e desejam fazer parte da instituição apenas com a intenção de usufruir do seu prestígio. Ao longo desses 23 anos, a minha convivência com os confrades tem sido marcada pelo respeito, camaradagem e companheirismo, não me descuidando, também, de honrar as tradições da Casa e fazendo de tudo para vê-la superar as suas inerentes dificuldades.
Por essa conduta e pela minha participação sempre ativa em favor da AML, vinha ocupando cargos importantes na direção da instituição. Algumas vezes como secretário, outras, como tesoureiro, sem o cometimento de qualquer deslize.
Na sucessão do confrade Lino Moreira, tudo estava certo para elegermos a nova Mesa Diretora que regeria os destinos da Academia, no biênio 2010-2012, tendo à frente os confrades Milson Coutinho, presidente, e José Maria Cabral Marques, vice-presidente.
Antes da eleição, sou procurado por Cabral Marques, que, alegando problemas de saúde, pede a minha colaboração para substituí-lo na vice-presidência, fato que não pude esquivar-me.
Ao final de 2010, a Academia é surpreendida com a renúncia do presidente Milson Coutinho, por causa de sua delicada situação de saúde. Quem passa então a presidi-la é este escriba, com a missão de cumprir apenas o mandato que finalizaria em fevereiro de 2012. Nas proximidades da eleição, avisei aos confrades que não seria candidato. Mas a reação deles foi imediata e, por unanimidade, achavam que eu deveria cumprir não um mandato pela metade, mas inteiro. Se assim achavam é porque não os havia decepcionado e nem comprometido a majestade da instituição. Quedei-me à força da amizade e da confraria.
A partir do segundo semestre deste ano voltei a cantar o samba de uma nota só. Em reuniões ordinárias ou fora delas afirmava que a Academia deveria ter nova diretoria e, por isso, abdicava ao direito da reeleição.
Ao se aproximar, porém, o encerramento de apresentação de chapas sou novamente surpreendido pelos confrades, que, por aclamação, intimaram-me a ficar mais um biênio na direção da Casa de Antônio Lobo. Tentei resistir, mas as minhas forças foram insuficientes e acabei cedendo à vontade dos acadêmicos.
Estou consciente de que serão mais dois anos de luta e sacrifício, mas espera chegar ao final do mandato, em 2015, de cabeça erguida e oferecendo, a despeito de minhas limitações, a minha alma e o meu corpo a serviço da AML.

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24º BC NA AMAZÔNIA

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Na semana passada, o coronel Heber Costa, comandante do 24º Batalhão de Caçadores, reuniu oficiais da ativa e da reserva para fazer uma comunicação.
Depois de considerações a respeito do momento em que vive as Forças Armadas no Brasil, especialmente o Exército, o coronel foi direto ao assunto, que surpreendeu sobremodo a oficialidade que está fora da caserna.
Segundo o comandante, a partir do dia 10 de dezembro vindouro o 24º Batalhão de Caçadores de São Luís não estará mais sob a jurisdição da 10ª Região Militar, sediada em Fortaleza.
O Batalhão Duque de Caxias, em obediência a ordem superior e em harmonia com a nova estratégia militar, passará para o Comando Militar da Amazônia, sediado em Belém.
DENÚNCIA PASTORAL
A Pastoral Carcerária Nacional, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, faz mais uma denúncia contra o modo de julgamento de presos em algumas cidades maranhenses.
Segundo a Pastoral, nas cidades de Imperatriz, Davinópolis e Açailândia, os presos só conhecem os advogados designados para defendê-los em momentos antes do julgamento.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil está reclamando do Estado um novo tipo de comportamento da Defensoria Pública.
MUDANÇA DE RESIDÊNCIA
Desde o mês de agosto, José Almir Neves Tavares da Silva e a esposa Guivi deixaram a casa da Rua Coelho Neto, onde moravam há anos, e a trocaram por um apartamento no Calhau.
A mudança deveu-se exclusivamente a motivos de segurança e saúde.
Guivi já se adaptou à nova moradia, mas José Almir ainda sente saudades da antiga casa no bairro dos Remédios.
Em tempo: José Almir já seleciona os convidados para o almoço em fevereiro de 2014, quando completa oitenta anos.
MULHER FORTE
Dona Lila Léa, viúva do coronel Alberto Braga, é um exemplo de mulher forte e corajosa.
Do alto de seus 89 anos, sofreu queda em casa, fraturou o fêmur e teve de ser operada às pressas.
Depois da bem-sucedida cirurgia, passou por complicações cardiológicas que a obrigaram a receber quatro stentes e um marcapasso.
Tirou tudo isso de letra, recebeu alta, está em casa, onde se recupera plena e lucidamente.
ABRIGO DA PRAÇA
Agora que o Centro Histórico de São vai passar por profunda reforma, nada mais oportuno lembrar ao IPHAN sobre um enclave anacrônico, horroroso e encravado na Praça João Lisboa, de onde já deveria ter saído.
Trata-se do chamado abrigo novo, construído em outra época, que já deu o que tinha que dar.
Hoje, aquele monstrengo, além de inútil, não tem nada a ver com a paisagem arquitetônica do Centro Histórico.
Na administração do prefeito Castelo, a destruição do abrigo chegou a ser anunciado, mas acabou no esquecimento.
SOBRADO AMARELO
A secretária da Cultura Olga Simão, esteve na semana passada em Viana, onde tratou de um assunto de grande importância cultural.
Depois do serviço de manutenção, realizado pelo Corpo de Bombeiros para o Sobrado Amarelo não desabar, a prefeitura de Viana e o Governo do Estado chagaram a um denominador comum quanto ao imóvel que pertence à família Gaspar.
O prefeito Chico Gomes assumiu a responsabilidade de desapropriar o secular sobrado e a secretária da Cultura, Olga Simão, assegurou a recuperação do imóvel pelo Governo do Estado.
ODILO E RANGEL
A Academia Maranhense de Letras começa a se movimentar para as comemorações em 2014 do centenário de dois expoentes da literatura e da economia maranhense.
O poeta e jornalista Odilo Costa, filho e o economista e escritor Inácio Mourão Rangel.
O primeiro, nascido em 14 de dezembro; o segundo, a 20 de fevereiro.
MULHERES ASSALTANTES
As mulheres estão cada vez mais participando das atividades no mercado de trabalho.
Em certos setores profissionais a presença do sexo feminino chega a ser mais forte que o masculino.
Mas não é apenas em áreas nobres e decentes que as mulheres estão atuando com destaque. Também em atividades nada edificantes ou perniciosas passaram a atuar ativamente.
No Maranhão, por exemplo, é assombrosa a participação marcante do sexo feminino, principalmente de adolescentes, em ações criminosas ou danosas à sociedade.
Raros delitos, nos dias de hoje, em que pelo menos uma figura feminina não esteja presente.
RETORNO DE HELENA
Depois de cumprir quatro mandatos de deputada à Assembleia Legislativa, a brilhante e correta advogada Helena Heluy abandonou a vida política.
Mas ninguém deve estranhar se Helena for convidada ou convocada para retornar à atividade política nas eleições de 2014.
São duas as possibilidades da ex-deputada volver à cena partidária: como representante do PT para compor a chapa do candidato a governador Luis Fernando Silva, na condição de vice; ou suplente de senador na coligação PMDB-PT.
HOMENAGEM A HAROLDO
Harmoniosamente, a Federação das Indústrias do Maranhão, o Sindicato da Construção Civil e o Senai decidiram dar o nome do inesquecível engenheiro Haroldo Tavares ao Centro de Treinamento do Sinduscon.
Nesta semana, os presidentes da Fiema, Edilson Baldez, e do Sindicato da Construção Civil, Fábio Nahuz, farão essa comunicação aos familiares do saudoso engenheiro, urbanista e humanista, que tanto fez pelo desenvolvimento de São Luis.
A solenidade de inauguração do Centro de Treinamento será em 12 de dezembro.
BUZAR REELEITO
Na última quinta-feira, os membros da Academia Maranhense de Letras se reuniram para cumprir o dispositivo estatutário que determina a eleição da nova diretoria da Casa de Antônio Lobo.
Como estava previsto, apenas uma chapa concorreu à eleição, sendo vitoriosa a encabeçada pelo jornalista Benedito Buzar, que dirigirá a instituição por mais dois anos.
A posse da nova diretoria só ocorrerá em março após o recesso acadêmico, que começará no dia 15 de dezembro.
NOME DO CONSELHEIRO
Após a aprovação pela Assembleia Legislativa do vice-governador Washington Oliveira para compor o Conselho de Contas do Estado do Maranhão, comenta-se que apenas um deputado levantou uma questão.
Queria saber como o nome do substituto de Yedo Lobão deve ser escrito.

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CULTURA E INCENTIVOS FISCAIS

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O meu amigo e confrade Joaquim Haickel é uma das melhores aquisições que a Casa de Antônio Lobo conquistou nos últimos tempos. Dedicado, disponível e participativo, tem prestado à Academia Maranhense de Letras relevantes serviços. Sempre que dele a AML precise, não se nega, assume compromissos e cumpre religiosamente o seu papel de acadêmico, diferenciando-se de alguns que após se elegerem dela se afastam hipocritamente.
O último mandato de Joaquim Haickel na Assembleia Legislativa foi altamente produtivo para a cultura e o esporte do Maranhão. Figura humana de rara sensibilidade apresentou um projeto, aprovado unanimemente pelos deputados e sancionado pela governadora Roseana Sarney. Trata-se da lei que concede benefícios fiscais na área do ICMS às empresas localizadas no Maranhão para o desenvolvimento de atividades esportivas e culturais.
A Lei Haickel, como é chamada, pela sua repercussão nos setores beneficiados, este ano produziu resultados auspiciosos, aprovando valiosos projetos às áreas destinadas.
Com o mesmo objetivo do meu confrade tomei a iniciativa, como ocupante do cargo de secretário de Cultura, no final de 1990, de apresentar ao então governador João Alberto uma lei com o propósito de criar mecanismos fiscais para a promoção de projetos, não aquinhoados com recursos do minguado orçamento estadual.
Entre o meu projeto e o de Joaquim HaicKel, salvo melhor juízo, existem certamente diferenças. Sem maiores delongas, o dele tem maior abrangência, pois enquanto o de Joaquim beneficia os setores da cultura e do esporte, o nosso só visava o meio cultural.
Quando submeti o projeto de lei à consideração do governador João Alberto, este, tão empolgado ficou que imediatamente o encaminhou à Assembleia Legislativa. Mas como o recesso parlamentar se aproximava, por ordem de não sei quem, os deputados não apreciaram o projeto sob a justificativa de que a matéria, pela sua implicação na área financeira estadual, deveria ser retirada de pauta e submetida ao crivo da assessoria do governador eleito Edison Lobão, que estava se preparando para assumir o governo.
Após essa determinação, a Assembleia só voltou a funcionar plenamente depois que o governador João Alberto transmitiu a chefia do Governo para Edison Lobão, em 15 de março de 1991. Durante os quatro anos do mandato de Lobão esperei ansiosamente que o projeto, pela sua importância e oportunidade, com ou sem alterações, merecesse as atenções do novo governo, até porque o setor cultural do país, à época, só falava nos benefícios da Lei Rouanet, que substituiu a Lei Sarney, que, a nível nacional, legou eloquentes vantagens aos intelectuais e artistas de todos os matizes.
A lei de nossa autoria tinha a mesma finalidade da apresentada por Haickel: melhorar a triste realidade cultural do Maranhão, que necessitava de um mecanismo eficiente para atender satisfatoriamente aos interesses dos agentes e produtores culturais. Através de uma política de incentivos e estímulos financeiros do setor público e privado, a secretaria da Cultura passaria, como agora, a não depender apenas dos recursos orçamentários, estes, limitados e insuficientes para a criação, promoção e difusão dos trabalhos de nossos artistas e intelectuais.
Para a formulação da Lei de Benefícios Fiscais, contei com ajuda da assessoria técnica da secretária da Cultura, do Conselho Estadual de Cultura, destacando-se o saudoso conselheiro Luiz Carlos Bello Parga, e de Juraci Homem do Brasil, técnico da secretaria de Fazenda.
Partindo do princípio de que ao Estado cabe basicamente dar condições para a cultura se desenvolver, a lei criava instrumentos para a iniciativa privada participar do processo cultural, financiando projetos e eventos nas áreas de literatura, artes plásticas, música, dança, teatro, cinema, televisão, vídeo, fotografia, folclore, artesanato, arquivo, biblioteca, museu, patrimônio histórico, artístico e paisagístico, pesquisa histórica e edição de obras da literatura maranhense.
De acordo com o projeto, o contribuinte do ICMS poderia reduzir até cinco por cento do imposto a ser recolhido em cada período de apuração, com a exigência de que estivesse em dia com as obrigações tributárias.
A lei também estabelecia as competências das secretarias da Cultura e da Fazenda. À Cultura caberia, entre outras atribuições, examinar, aprovar e encaminhar os projetos à secretaria da Fazenda, para efeito de liberação de recursos provenientes da dedução fiscal; fornecer aos produtores culturais certificados de aprovação dos projetos; acompanhar, fiscalizar a execução e emitir parecer sobre a prestação de contas dos projetos. Quanto à secretária da Fazenda, entre outras tarefas, deveria verificar a idoneidade física das empresas; liberar os recursos financeiros; emitir certificado de quitação dos recursos deduzidos; aplicar sanções aos infratores da lei.
Para concluir: não tive a sorte de ver a nossa lei aprovada, mas sinto-me profundamente feliz com aprovação da proposta do meu confrade, que, mutatis mutandis, trouxe no seu bojo vantagens, benefícios e resultados para o engrandecimento e fortalecimento do esporte da cultura maranhense.

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