50 ANOS DO GOLPE QUE ME EXPULSOU DA VIDA PÚBLICA

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Neste começo de abril, vou participar como convidado de vários eventos para debater o movimento militar, começado a 31 de março de 1964 e findo em 15 de março de 1985, quando o maranhense José Sarney, eleito vice-presidente da República, por voto indireto do colégio eleitoral, assumiu o comando do País, ante a impossibilidade do presidente eleito, Tancredo Neves, por motivo de saúde, achar-se hospitalizado, em Brasília.

A minha presença nesses eventos, sem dúvida alguma, deve-se precipuamente ao fato de ser um protagonista, no Maranhão, de um lamentável episódio histórico, em que o movimento militar, a pretexto de combater a subversão e a corrupção, praticou atos e injustiças escabrosas contra homens e mulheres, que lutavam por um País melhor, onde o desenvolvimento sócio-econômico e a democracia fossem prioridades de governo.

Participei daquele lamentável episódio, por me encontrar no exercício do mandato de deputado estadual, eleito no pleito de outubro de 1962, como integrante do Partido Social Progressista e inserido no grupo político das Oposições Coligadas.

Elegi-me, à época, com pouco mais de dois mil votos, quase todos obtidos na cidade em que nasci: Itapecuru-Mirim. Enquanto a bancada governista, era composta de 27 parlamentares, a oposicionista tinha apenas 13.  Pela expressiva vantagem numérica da bancada do governo, que obedecia cegamente ao governador Newton de Barros Bello, ver-se-á as dificuldades dos oposicionistas para suplantarem e combaterem os situacionistas.

A despeito de sermos significativamente minoritários, o bloco oposicionista não se submetia ou ficava retraído diante do chamado rolo compressor palaciano, que funcionava para aprovar tudo do interesse do Executivo, qualquer que fosse a matéria.

Dizia-se á época, e os jornais estão aí para comprovar, que a bancada oposicionista, correspondente à legislatura 1962 a 1966, era aguerrida e combativa, porque nela figuravam três jovens parlamentares: Sálvio Dino, Benedito Buzar e Ricardo Bogéa, este, suplente do PDC, mas sempre convocado para atuar no plenário. A imprensa também dizia que os jovens deputados, além do sistemático combate ao governo vitorinista, fazia a diferença por conta dos pronunciamentos e das propostas apresentadas, sempre ditadas através de linguagem renovadora, dinâmica e recheada de conteúdo compatível com os tempos que o Brasil vivia e exigia mudanças e reformas em suas estruturas políticas, sociais e econômicas.

Com esse desiderato e atuando sem temer as represálias governistas, que passamos a incomodar a chamada maciça palaciana, que a todo custo procurava perturbar os nossos protestos e impedir que as iniciativas por nós apresentadas fossem discutidas ou aprovadas, especialmente com respeito às reformas de base estavam na ordem do dia.

Durante todo o mês de março de 1964, quando as forças pró e contra as medidas reformistas propostas pelo presidente João Goulart, no Congresso Nacional, estavam em discussão e comentadas pela mídia, nós, também transformamos a Assembleia Legislativa num fórum de debates, focando matérias consideradas importantes e inadiáveis ao crescimento do País.

As discussões em torno dessa problemática conduziram a nação brasileira ao estágio de uma terrível agitação e radicalização, que desaguou na divisão da sociedade e das forças políticas, disso resultando a destituição do presidente João Goulart e a tomada do poder pelos militares, para evitar que o Brasil “seguisse os passos de Cuba e se tornasse comunista”, segundo a concepção dos segmentos reacionários.

O desfecho da crise foi o desencadeamento no País de uma miríade de atos arbitrários e de medidas ditatoriais, que redundaram no esmagamento das liberdades democráticas, na supressão das garantias individuais e revogação do estado de direito.

No Maranhão, tão logo essas medidas foram decretadas no plano federal, os militares aqui sediados, coadjuvadas pela Polícia Militar, começaram a caçar os suspeitos de apoiar o governo deposto. Assim, sindicatos e entidades estudantis foram invadidos e fechados, bem como numerosas prisões se efetuaram, sendo os presos conduzidos para o quartel do 24º Batalhão de Caçadores e submetidos a interrogatórios e inquéritos, todavia, sem o emprego da violência ou da tortura.

Foi nesse cenário de terror e de vingança que as autoridades estaduais se aproveitaram para se livrar daqueles jovens deputados que os atormentavam.  Com a cassação dos mandatos de deputados federais e de senadores, os palacianos passaram a conceber uma fórmula para nos expurgar do plenário da Assembleia.

Por um lado, pediam aos comandos militares os nomes dos deputados estaduais que deveriam ser cassados, pela prática de atividades extremistas. Por outro, através de seus sicários, preparavam um projeto de resolução ilegal e afrontoso ao regimento da Assembleia Legislativa e à Constituição.

No dia 25 de abril de 1964, com o teatro das operações no ponto de nos expulsar da vida pública, os deputados estaduais, intimidados e pressionados, votaram o famigerado projeto de resolução, tomando por base um radiograma do IV Exército que apontava como comunistas: eu, Sálvio Dino e os suplentes José Bento Neves, Vera Cruz Marques, Joaquim Mochel, Bandeira Tribuzi e William Moreira Lima

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50 ANOS DO GOLPE QUE ME EXPULSOU DA VIDA PÚBLICA

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50 ANOS DO GOLPE QUE EXPULSOU DA VIDA PÚBLICA

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NÃO HÁ MAIS DOIDO COMO ANTIGAMENTE

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“Um fato inusitado chamou a atenção dos passageiros que estavam no aeroporto marechal Hugo da Cunha Machado, em São Luis, na tarde ontem. Segundo a Polícia Federal, um homem de cidadania croata surtou e acabou sendo detido após tirar a roupa em uma área reservada para embarque dos passageiros”.

Esta notícia, publicada quinta-feira em O Estado do Maranhão, deu margem a que desusados comentários aflorassem na cidade. Depois de lida, uma reflexão e uma pergunta logo se impuseram: por que um ato, até pouco tempo recorrente em São Luis, causou tanta celeuma a ponto de ser imediatamente postada nas redes sociais e alvo de fantasiosas elucubrações?

Abstraindo as divagações médicas a respeito do surto que se apoderou do croata, no aeroporto do Tirirical, levo a crer que a notícia repercutiu por um simples motivo: São Luis está carente de doidos. Atualmente, não são mais vistas aquelas figuras portadoras de doenças mentais, que viviam dia e noite perambulando pelas ruas da cidade, praticando insanidades, antigamente chamadas maluquices e doidices, diagnósticos que a medicina tratou de expurgar de seu glossário, mas deu-lhe um nome mais sofisticado: surto psicótico.

Registra a história que os problemas das doenças mentais, em São Luis, vieram à tona, como assunto de saúde pública, a partir do primeiro quartel do século XX, quando a imprensa começou a exigir que os governos construíssem um hospital para alienados. O governador Godofredo Viana (1922-1926) chegou a adquirir o sítio Liberdade, no Cutim, para construir uma colônia para psicopatas. A obra, contudo, não foi adiante.

Na verdade, a construção do hospital destinado aos doentes mentais ocorreu na gestão do interventor Paulo Ramos, que o inaugurou em março de 1941. Com seis pavilhões e bem equipado, instalou-o em terreno pertencente ao sítio Dois Leões, no antigo Caminho Grande, com o nome de Hospital-Colônia Nina Rodrigues, para o qual foram transferidos os infelizes insanos, alguns internados nas prisões como criminosos, outros albergados em verdadeiras “casas de mortos’, vivendo na mais triste miséria e em nociva promiscuidade.

Recuo aos meus idos de jovem e lembro como era expressiva a quantidade de doentes mentais existente em São Luis e encontrada diariamente em locais movimentados e ruas do centro da cidade. Havia doido de variados tipos e para todos os gostos: alegres, brincalhões, tristes, pacíficos, inofensivos, agressivos, atrevidos, falastrões, calados, maltrapilhos, arrumadinhos, grosseiros, calmos, inteligentes e rudes.

Alguns, paradoxalmente, até alegravam a população pelo modo como falavam e contavam histórias, quase sempre fantasiosas, a respeito de suas vidas. Outros, contudo, mostravam-se arredios, intolerantes e sem nenhuma censura quando chamados por apelidos. O mais popular deles, Humberto Coelho, conhecido por Vassoura, não perdoava quem assim o chamasse. De sua boca saiam os palavrões mais pesados e terríveis, que abalavam a sociedade, numa época em que o vocábulo sacanagem agredia os bons costume e a moral. O insano João Pessoa também ficava extremamente irritado quando a molecada dizia que ele não casaria. Batia o pé, soltava impropérios e garantia não ficar solteiro.

O saudoso compositor e poeta popular Lopes Bogéa escreveu um livro interessante a respeito dessas figuras humanas que percorriam a cidade e sempre tinham algo a dizer aos que os ouviam pacientemente ou lhes dedicassem certa atenção. Em “Pedras de Rua”, publicado em 1988, ele, biografou 135 insanos, maranhenses e de outras terras, que aqui viviam por conta da solidariedade humana ou ao deus dará.

Da relação pesquisada por Lopes Bogéa, ainda guardo na memória mais de 20: Bota Pra Moer, Só Bogre, Chibé, Domingos Pé Gordo, João Pessoa, Moreno Borges, Mete a Vara, Mocó, Míster, Maria Preá, Mamífero, Pirão Cru, Sopa Fria, Periquito, Pedro Peru, Pato D´água, Rodó, Rei dos Homens, Rafael Canindé e Vassoura.

Bota Pra Moer ficou famoso pela sua atuação na greve contra a posse do governador Eugênio Barros. Numa das tentativas de invasão do Palácio dos Leões a ele entregaram a Bandeira Nacional e comandar a massa. Ao chegar à Avenida Pedro II e avistar os policiais de arma em punho, entregou a bandeira ao primeiro que apareceu e afirmou: – Até aqui eu vim, mas daqui pra frente arranjem outro mais doido do que eu.

Outro personagem citado no livro Pedras de Rua: Mamífero, mais folclórico do que doido. Conta-se que resolveu entrar na política, em 1948, candidatando-se a vereador de São Luis pelo PDC, do austero professor Antenor Bogéa. Num comício, no João Paulo, Mamífero, no auge de seu discurso, disse essa pérola: – Se eleito vou acabar com esse terrível vexame de as mulheres ricas dormirem em colchões de molas e as pobres, coitadas, dormirem em pau duro.

Um dos últimos doentes mentais a circular na Praça João Lisboa, foi Rei dos Homens, que costumava assinar o ponto junto às bancas do Mondego e do João. Toda vez que me via pedia dinheiro e roupa. Um dia, disse-lhe: – Rei, tu vais ser meu dependente na declaração do imposto de renda. Numa prova de ser mais inteligente do que alienado, falou: – Esse negócio de imposto de renda é coisa inventada pelo FMI.

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ONU E PEDRINHAS

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Entidades brasileiras e internacionais pediram à Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas a presença urgente do  relator da ONU no Brasil.

Querem que ele venha ao Maranhão para ver o problema de Pedrinhas de perto.

As entidades esperam que o representante da ONU possa em São Luis observar as más condições em que vivem os sentenciados e colher mais informações sobre as mortes de prisioneiros na Penitenciária de Pedrinhas.

ASSESSOR DE CANDIDATO

O ex-governador José Reinaldo Tavares é um dos mais influentes políticos de apoio à candidatura de Flávio Dino a governador do Maranhão.

Está encarregado de arregimentar técnicos e políticos para compor o grupo que dará assessoria ao candidato do PC do B na próxima campanha eleitoral.

Por indicação de Zé Reinaldo, o ex-deputado federal Jaime Tavares, com vasta experiência em eleições no Maranhão, já integra o time de Flávio.

UNIVERSIDADES CLANDESTINAS

O Ministério Público federal está investigando a existência de universidades clandestinas e que funcionam sem a autorização do Ministério da Educação.

Essas falsas universidades abrem escancaradamente cursos de graduação e pós-graduação, principalmente em cidades do interior do Brasil, onde a população desconhece as regras que as credenciam a se instalar, funcionar e oferecer ensino de péssima qualidade.

O interior do Maranhão está cheio desse tipo de universidade, sobretudo de origem religiosa. Os cursos são montados sem os mínimos requisitos legais.

MÉDICOS CUBANOS

Os médicos de Cuba que vieram para o Maranhão trabalham em povoados e pequenas cidades do interior estão abafando.

Até agora a Secretaria de Saúde e o Conselho Regional de Medicina não receberam qualquer denúncia ou manifestação contrária à presença deles nos lugares onde estão atuando profissionalmente.

Pelo que estão fazendo em favor da saúde pública, os cubanos recebem presentes da comunidade e os tratam como salvadores da pobreza.

Os solteiros estão namorando a valer, mesmo sabendo que não poderão casar com as maranhenses.

HOMENAGEM A LEOMAR

Neste sábado, na cidade de Itapecuru, a Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes vai se reunir em caráter especial.

Finalidade: prestar significativa homenagem a Leomar Amorim de Sousa, recentemente falecido.

Ele era membro da instituição e ocupava a cadeira cujo patrono é o pai, Leonel Amorim.

SECRETÁRIA-ADJUNTA

A poetisa Laura Amélia Damous, que prestava serviços no gabinete da governadora Roseana Sarney, foi nomeada para uma função talhada para a sua pessoa.

O Diário Oficial já publicou o ato de sua nomeação para o cargo de secretária-adjunta para fomento à economia criativa.

No final deste mês, Laura Amélia fará na Academia Maranhense de Letras, da qual faz parte, uma palestra sobre “As mulheres da Academia”, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.

 

MULHERES NO CONVENTO

Ana Graziela, presidente da Fundação da Memória Republicana Brasileira, realizou no Convento das Mercês um evento maravilhoso em pleno final de tarde da última segunda-feira.

O auditório da instituição estava lotado de jovens e mulheres.

Todos compareceram para ver a exposição sobre as treze mulheres que marcaram suas vidas no Maranhão por feitos e realizações positivas.

O sucesso do evento foi tão auspicioso que Ana Graziela prometeu ano que vem promover outra mostra com o mesmo tema, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.

GASTÃO GOSTOU

Afinal, a presidente Dilma Roussef encontrou um nome para substituir o maranhense Gastão Vieira no Ministério do Turismo.

Ao ser anunciado que o seu substituto, um técnico do Sebrae, do qual foi gerente da área de turismo, será Vinicius Nobre Lajes,  Gastão pulou de contentamento.

O novo ministro conhece a realidade cultural do país e tem tudo para continuar o excelente trabalho que Gastão executou no Ministério do Turismo, onde durante dois anos dirigiu o órgão sem praticar qualquer deslize.

RABO DE FOGUETE

O poeta maranhense Ferreira Gullar não gosta de viajar de avião.

Mas no próximo mês terá de vencer essa fobia e marcar presença em Estocolmo, onde o seu livro Rabo de Foguete será lançado em sueco.

A obra é autobiográfica, em que ele narra o período de exílio, especialmente o vivido na Rússia, onde teve de usar o nome falso de José Salgueiro.

CALADO E MUDO

O presidente do PMDB maranhense, Remi Ribeiro, mora em aprazível  chácara, localizada em Itapiracó.

Foi ali, na última quinta-feira, que ofereceu um supimpa almoço, à base de capão a molho pardo e carne sol, a um grupo de amigos – coronel Vieira, Joaquim Haickel, Benedito Buzar, José Jorge Leite, Aparício Bandeira, Eliezer Moreira, Francisco Leda, Nan Sousa e Fabiano Vieira da Silva.

No almoço foram passados em revista vários assuntos, mas a política correu solta e girou em torno do artigo de Joaquim Haickel, cuja temática era o problema da sucessão ao governo do Maranhão.

À exceção do coronel Vieira, chefe do gabinete militar do governo, que entrou calado e saiu mudo, os outros participaram do debate, mas não chegaram a uma conclusão sobre o problema sucessório.

DONA CLARICE

Os irmãos Joaquim e Nagib Haickel passaram por um sufoco no período carnavalesco.

Tiveram de viajar às pressas a São Paulo para onde levaram a idolatrada mãe, Dona Clarice, a fim de submetê-la a urgente tratamento cardiológico.

Felizmente ela chegou a tempo e deu tudo certo. Dona Clarice está de volta a São Luis, em plena recuperação e livre do problema de saúde a que foi acometida.

SÃO LUIS-BRASÍLIA

Dona Marly Sarney passará dois meses em São Luis para se recuperar plenamente de uma cirurgia, realizada com sucesso em São Paulo.

Nesse tempo, o marido, senador José Sarney, ficará voando no eixo São Luis-Brasília.

De sexta à segunda-feira, estará ao lado da esposa; de terça à quinta-feira, participa dos trabalhos do Senado.

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A UNANIMIDADE CHAMADA LEOMAR

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Eu e meus conterrâneos de Itapecuru ainda estávamos abalados com a perda de Nonato Buzar, cantor e compositor de renome nacional, quando outra notícia também pesarosa e inexorável deixa a nossa terra triste e mais pobre: o falecimento prematuro de Leomar de Sousa Amorim, um de seus filhos mais cultos e honrados.

Prematuro porque era ele um magistrado de 58 anos, que morreu sem cumprir totalmente a missão que a vida lhe destinara e legada pelo saudoso pai, Leonel Amorim, e a dedicada mãe, Maria do Rosário.

Os horizontes que se abriam a Leomar, no exercício de uma profissão da qual era um abnegado cultor, só teriam limite quando chegasse ao cume da magistratura e assumisse o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal, que sem dúvida alcançaria por mérito, competência, honradez e probidade.

Além dessas quatro qualidades, Leomar, ao final da vida, acrescentou mais uma à sua altiva personalidade: a de intrépido e valente guerreiro. Durante quase oito anos lutou brava e estoicamente para vencer a terrível enfermidade que o atormentava ao completar meio século de vida. Como se fosse uma figura bíblica do porte de Davi, mesmo sabendo que estava enfrentando um terrível Golias, jamais se abateu ou se desesperou diante de algo inevitável e implacável. Morreu com o troféu de vencedor nas mãos, pois, na medicina, poucos são os casos em que os atacados por câncer de pâncreas conseguem ter uma sobrevida igual à dele.

Em sou de uma geração à frente de Leomar, fato que me dá autoridade para falar sobre ele, que conheci nos idos da infância, quando morávamos na mesma rua e na mesma cidade. Seus pais vieram do Piauí nos meados da década de 1950 e instalaram-se em Itapecuru, onde criaram raízes e construíram uma família conceituada e respeitada. O pai era agrimensor, advogado provisionado e professor. A mãe, professora. Tiveram dez filhos, todos nascidos naquela cidade e receberam nomes começados com a letra L. O quarto da prole batizou-se com o nome de Leomar.

Ele e todos os irmãos estudaram na escola criada pelo pai, em fevereiro de 1957, a Escola Regional Gomes de Sousa. Em seguida, veio para São Luis, onde fez o curso secundário e ingressou no curso de Direito da Universidade Federal do Maranhão, por influência do genitor, com quem aprendeu as primeiras noções da profissão que abraçou e se tornou figura de realce. Diplomou-se bacharel em 1978.    Antes de ingressar no mundo da magistratura, submeteu-se a concurso para o corpo jurídico do Banco da Amazônia, onde se projetou como advogado.

Depois, tivemos um convívio diário, por conta de seu futuro sogro, Luis Alfredo Neto Guterres, da diretoria da Federação da Indústria do Maranhão, onde eu era assessor, que o indicou ao presidente da entidade, Alberto Abdala, para prestar serviços na assessoria jurídica.

Embora prestando bons serviços no Banco da Amazônia e na Federação das Indústrias, Leomar deixou as duas entidades por um motivo mais do que auspicioso: aprovado em recente concurso foi chamado pelo Tribunal de Justiça para tomar posse no cargo de juiz de Direito na comarca de Barra do Corda.

À frente daquela circunscrição jurisdicional, também, ficou pouco tempo haja vista a série de concursos aos quais se submeteu, sendo aprovado em todos, com destaque para o juizado federal e o magistério da Universidade Federal do Maranhão.

Daí por diante, ninguém mais o segurou. Impôs-se como magistrado e professor, sobretudo depois que o seu currículo foi enriquecido com o mestrado em Ciências Jurídicas e Políticas na Universidade de Lisboa, em Portugal, habilitando-se a integrar o corpo docente da Universidade de Brasília e membro do Conselho Nacional de Justiça.

Em dois momentos, passei a ter por ele mais admiração e figurar na relação das pessoas do meu bem querer. Primeiro, quando publicou em O Estado do Maranhão, em fevereiro de 2008, um artigo de sua autoria sobre o meu pai, Abdala Buzar, amigo e correligionário político de seu genitor.

Tratava-se do perfil irretocável de papai, mostrando o seu significado como homem público e empresário de Itapecuru. Ao final do artigo, revelou: “Abdala deixou uma grande prole, da qual o mais ilustre descendente é o meu amigo Benedito Buzar, ex-deputado, advogado, jornalista consagrado e membro da Academia Maranhense de Letras. Como bom filho, honra o pai e as tradições de cultura da cidade de Itapecuru”.

Segundo, quando eu estava empenhado em fundar a Academia Itapecucuruense de Ciências, Letras e Artes. Ajudou-me, incentivou-me e fez o que estava ao seu alcance para a instituição ganhar corpo e vida. Por isso, fez parte da AICLA. Estava feliz na noite de sua posse, sobretudo porque ocupou a cadeira patroneada pelo pai, Leonel Amorim de Sousa.

De Leomar, sempre guardarei esta particularidade: nunca cortou o cordão umbilical com a terra em que nasceu.

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UM NOVELEIRO ASSUMIDO

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Sabe-se que grande parte da programação das emissoras de televisão do Brasil pauta-se na exibição de novelas. Só a TV Globo manda ao ar diariamente no mínimo cinco e cada uma delas dirigida para um público específico. Produzidas com esmero, primorosa qualidade técnica e interpretada por artistas de primeira linha, são campeãs de audiência e dominam a programação da empresa dos Marinho.
Vistas por milhões de brasileiros e estrangeiros, de todas as classes sociais, ainda assim há gente que fala mal ou diz bobagens a respeito das telenovelas, como se fossem responsáveis pelo subdesenvolvimento cultural do País.
Por conta desse preconceito, os que se julgam acima do bem e do mal, escondem ou dizem que não as assistem por receio de ser taxadas de atrasadas intelectualmente ou “coisas que tais”, diria o saudoso jornalista, Vitor Gonçalves Neto. Nesse sentido, eu procedo de maneira inversa. Não nego e nem tenho o menor constrangimento de dizer, em alto e bom som, em qualquer lugar e na presença de quem quer que seja que sou um noveleiro assumido. Mais ainda: se tempo tivesse, assistiria as produzidas e veiculadas (sem exceção) pela TV Globo.
Já que o tempo e os afazeres não mo permitem, optei por ver apenas uma: a do horário nobre. Em São Luis ou onde haja sinal da televisão, de tudo faço para não perder um capítulo. Caso não assista, por algum compromisso social ou cultural, mando gravá-la.
Mas de onde vem essa atração por novelas? Respondo com prazer: remonta aos tempos de minha adolescência e morava em Itapecuru. A minha avó materna, Neusa, era viciada em ouvir a Rádio Nacional, que o ditador Getúlio Vargas criara em setembro de 1936, para fazer propaganda de seu governo e do Estado Novo. Em 1951, ela sintonizava a Nacional para ouvir, às 20,30 horas, a rádionovela “O direito de nascer”, da autoria do escritor cubano Felix Caignet.
Como ela sabia que eu gostava de rádio, à época, movido a bateria, chamava-me para juntos ouvirmos as peripécias de “O direito de nascer”, estrondoso sucesso em todo o território nacional e que contava a história de uma jovem (Maria Helena) que engravidou e diante da recusa do namorado (Alfredo) em assumir o filho (Alberto Limonta), teve o parto e entregou a criança à empregada, a negra Dolores, para evitar que o avô (Dom Rafael) matasse o rebento. A mãe virou freira e a criança, educada por Dolores, formou-se em medicina, apaixonou-se pela prima (Isabel Cristina) e salvou a vida do avô odiento. Essa narrativa folhetinesca, em 314 capítulos, ficou no ar quase três anos.
Feita essa digressão, retorno ao assunto da telenovela. A televisão foi inaugurada em São Luis em novembro de 1963. Mas só em julho de 1966, através do sistema “vídeo-tape” os programas produzidos pelas televisões do Rio e São Paulo – novelas, shows, noticiários jornalísticos, transmissões esportivas e outras atrações, passaram a ser veiculados pela TV Difusora, fato que aumentou sensivelmente a audiência da emissora e o comércio da cidade vender um absurdo de aparelhos televisivos.
Salvo melhor juízo, a primeira novela exibida pela TV Difusora foi “Redenção”, produzida pela extinta TV Excelsior. Ficou mais de dois no ar e nela Francisco Cuoco surgiu como galã. Era um médico que chega à cidade de Redenção e desperta a paixão de três mulheres. O grande sucesso do folhetim era a velha Marocas, que falava mal da vida alheia. A personagem foi tão marcante que virou verbo: marocar.
A partir, portanto, de “Redenção”, ainda sem o padrão global, que as novelas vincularam-se ao meu cotidiano noturno. Nessa época, eu namorava Solange e juntos, em sua casa, na Rua de Santana, passamos a ter o hábito de assistir, até hoje, as criações dos dramaturgos brasileiros, que os fabulosos diretores e os extraordinários atores da TV Globo transformam em produções de alto nível artístico.
Meu irmão, Raimundo, que há anos mora em São Paulo e não gosta de novelas, censura-me porque sou um noveleiro assumido. Não admite que um intelectual e membro da Academia Maranhense de Letras seja um fervoroso fã de novela. Replico: reconheço que as novelas não são construtivas do ponto de vista cultural, mas podem ser vistas, principalmente as da TV Globo, não apenas pelos enredos, não raro fúteis e às vezes até perniciosos, mas refletem, quase sempre, a vida e o cotidiano do brasileiro. Quem as assiste há que vê-las num amplo contexto que envolve toda produção novelesca, como texto, diálogos, atuação de atores, técnica, direção, trilha musical, figurino, fotografia, cenário, som, iluminação e outros penduricalhos.

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MARANHENSES NO RIO

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Este ano não foi nada igual aos passados, com respeito à presença de maranhenses no carnaval da Cidade Maravilhosa.
Até o ano passado, a quantidade de gente de São Luis que embarcava nos aviões de carreira com destino ao Rio de Janeiro, para participar ou assistir a folia carioca, era impressionante.
Em 2014, contudo, diminuiu consideravelmente essa participação, que pode ser atribuída a estes fatores.
O alto custo de vida, o excessivo calor, a onda de assaltos e medo dos black blocks.
OS FECURY NO SAMBÓDROMO
Pela terceira vez, os Fecury trocaram o carnaval de São Luis pelo do Rio de Janeiro.
Foram para a Cidade Maravilhosa, nesta temporada de Momo, por causa de dois eventos: as escolas de samba no Sambódromo e a Feijoada do Amaral.
Mauro e Ana Lúcia depois que viram, em 2012, o desfile na Marquês de Sapucaí, ficaram de tal modo impressionados, que não querem mais perdê-lo.
CARNAVAL EM DUBAI
A família Andrade aproveitou a temporada de carnaval para viajar e conhecer outras terras e novos costumes.
A cidade escolhida: Dubai.
Com esse desiderato, os Andrades, dentre as quais a matriarca Edith, os filhos Euller e Fernanda, os netos Eullinho, Gabriel, Isadora e Maria Eduarda, a nora Cristiane e o genro Kenard, estão em uma das cidades mais importantes do turismo internacional.
MARATONA DE GASTÃO
Quem ocupa cargo de ministro de Turismo paga um preço alto em época carnavalesca.
Que o diga o ministro Gastão Vieira. Ontem, ele esteve em São Luis, onde participou alegre e descontraidamente do bloco “Amigos do Agenor”, em que desfila todos os anos.
Hoje, por força do ofício, estará no Sambódromo, no Rio de Janeiro, para ver o desfile das escolas de samba.
Amanhã, segunda-feira, voa para Salvador, para assistir, como convidado oficial, o carnaval baiano.
Na terça-feira, retorna a São Luis para, como folião, brincar no carnaval de rua.
Toda essa maratona em avião de carreira. Haja fôlego!
CAMAROTE DE SARNEY
O senador José Sarney e Dona Marly não dispensam São Luís na temporada carnavalesca.
Todos os anos, o casal vem de Brasília para ver os blocos e as brincadeiras que passam pela Rua do Passeio.
O camarote de Sarney é a janela da casa de seu saudoso sogro, Dr. Carlos Macieira. Ele só deixa o seu privilegiado camarote depois de ver a Casinha da Roça.
OLGA E FOFÃO
Os fofões voltaram a ser usados de maneira fantástica no carnaval de São Luis.
No passado foram grandes atrações na folia de rua e de clubes, mas, por encanto, sumiram e deixaram uma lacuna.
Mas desde que assumiu a Secretaria da Cultura do Estado, Olga Simão não tem medido esforços para os fofões voltarem a ocupar o lugar de destaque no carnaval maranhense.
Este ano ela promete fazer a mesma coisa que fez em 2013: nos três dias de carnaval a sua indumentária será exclusivamente à base de fofão.
LULA E SILAS
O ex-presidente Lula carregou o ex-ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, para a viagem a Cuba.
Lula está em Havana a convite do governo de Fidel Castro para conhecer o Porto de Mariel, construído e financiado pelo governo brasileiro, cujas tratativas começaram na sua gestão.
Na capital cubana, o técnico maranhense Silas Rondeau fará palestra sobre assuntos de energia.

À LA CLARA
Na festa carnavalesca, de sábado passado, realizada no Hotel Pestana, Roseana Sarney chamou a atenção dos foliões pelo seu novo visual.
Naquela noite, pela primeira vez, Roseana apareceu publicamente de pastinha, lembrando a atriz, Giovana Antonelli, que na novela “Em família” interpreta o papel de Clara.
Na última semana, a governadora esteve em algumas cidades do interior e o sussurro era um só: o seu novo e bonito look.
PALAVRA DE NILSON
NA sua palestra, na semana passada, na Federação das Indústrias do Maranhão, Nilson Ferraz deixou o empresariado feliz e otimista quanto ao futuro.
Ele garantiu que a Alumar não tem nenhum projeto de fechar as portas em São Luis e muito menos de produzir menos alumina e diminuir as exportações aos mercados internacionais.
Outra notícia vocalizada por Nilson que fez o empresariado rir com as paredes: a cada ano a empresa que comanda consome mais serviços e produtos no comércio local.
MULHERES NO CONVENTO
No dia 10 de março, a Fundação da Memória Republicana homenageará as mulheres maranhenses no Dia Internacional da Mulher.
Treze figuras femininas e expressivas serão lembradas e homenageadas: Lilah Lisboa de Araújo, Maria Firmina dos Reis, Apolônia Pinto, Rosa Waquim, Maria Aragão, Laura Rosa, Maria Dalva Bacelar, Noca Santos, Judith Pacheco, Lia Varela e Rosa Mochel.
Será também realizada uma palestra sobre “A contribuição da professora Lilah Lisboa de Araújo à vida intelectual de São Luis”.
CONTRIBUIÇÃO FINANCEIRA
O ex-deputado Roberto Jefferson, delator do mensalão, agora preso, vai pedir a contribuição de amigos e correligionários para pagar a multa devida e estabelecida pelo Supremo Tribunal Federal.
Ele tem um grande amigo no Maranhão, que já se comprometeu a ajudá-lo: o deputado federal, Pedro Fernandes.
A amizade construída entre Jefferson e Pedro vem das lutas políticas em favor do crescimento do partido a que ambos fazem parte: o PTB.
ELIR NA GLOBO NEWS
Está marcada a entrevista que Elir Gomes vai conceder a Globo News.
Foi acertado que uma equipe de jornalismo da televisão virá a São Luis após o carnaval para ouvi-lo sobre o refrigerante criado pelo industrial maranhense, Jesus Gomes.
Trata-se do famoso e inigualável Guaraná Jesus, que até hoje faz sucesso em cidades do Nordeste brasileiro.

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RECORDAÇÕES CARNAVALESCAS

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Confesso sem medo de ser feliz: desde criança o carnaval faz parte de mim. Ainda que a idade não me ofereça mais fôlego e resistência para participar da folia, como nos tempos de juventude, continuo gostando das festas dedicadas a Momo.
Quem me fez gostar de carnaval foi meu pai, Abdala Buzar. Ele, em Itapecuru, um carnavalesco de primeira linha, tomou a iniciativa de fazer com que eu e meus irmãos, desde pequenos, nos tornássemos adeptos da folia momesca. Ao seu lado, fizemos as primeiras incursões no mundo das brincadeiras carnavalescas, que nos contaminaram na infância, continuaram na adolescência e permaneceram na vida adulta.
Lembro-me ainda, e com imensa saudade, dos tempos em que ele saía nas ruas, e, com a sua irradiante descontração, alegrava a população itapecuruense, que ansiosamente desejava vê-lo maquiado, com roupa de mulher e jogando talco ou atirando rodó nas pessoas que dele se aproximavam. Uma de suas vítimas era o pároco José Albino Campos, seu dileto amigo, que se acostumara a recebê-lo na casa paroquial, onde era literalmente coberto de pó. Até o arcebispo, Dom José Delgado, certa vez, não escapou de um banho de talco, fazendo a sua batina preta virar branca.
Concluída a fase da infância, vivida em minha querida terra, vim para São Luis continuar os estudos. Aqui, a partir do final dos anos de 1950, já mais taludo e arguto, passei a integrar-me à vida mundana desta cidade, com direito a freqüentar o Jaguarema, o Lítero e o Cassino Maranhense, sem esquecer os chamados clubes populares ou bailes de máscaras.
Com o sangue carnavalesco correndo nas veias, não houve qualquer em aderir às brincadeiras momescas de São Luis, à época, por serem singulares e diversificadas, deram à capital maranhense a fama de terceiro carnaval do Brasil, só perdendo para o Rio de Janeiro e Recife.
Enturmado com colegas do Liceu e fazendo da Praça João Lisboa o nosso ponto de encontro, então, o maior centro de convergência da cidade, entrei de cabeça no carnaval da cidade, onde se brincava de forma alegre, descontraída e despojada, cuja temporada começava na festa de reveillon.
A partir, portanto, da primeira semana do ano novo, São Luís era só carnaval. Nos clubes da chamada elite social, que funcionavam no centro da cidade, pontuavam as festas para os associados e convidados. Nos seus salões, as presenças de colombinas, pierrôs, dominós e fofões.
Só quando a cidade começa a espraiar-se e contar com novos bairros, as novas sedes dos clubes Jagurema e Lítero são deslocadas para o Anil, que passam a servir de palco para a temporada momesca. As festas eram monumentais e os que a elas compareciam apresentavam-se com fantasias luxuosas e de bom gosto, pois assim poderiam participar de desfiles em que os vencedores recebiam prêmios valiosos.
Se isso acontecia nos clubes sociais, não era diferente o que ocorria nos clubes populares ou bailes de máscaras, que, também, iniciavam as programações carnavalescas em 31 de dezembro e acabavam na madrugada da quarta-feira de cinzas. Esses clubes, por só funcionarem no período do carnaval, realizavam as noitadas festivas em casas alugadas no centro da cidade e ornamentavam-se feericamente para receber homens e mulheres, estas, não podiam entrar no salão de dança de cara limpa. Vestidas de fofões, rostos cobertos por máscaras e mãos enluvadas, esse o traje exigido para evitar que elas fossem identificadas. As mascaradas tinham acesso livre e entre elas encontravam-se adúlteras, virgens, desvirginadas, balzaquianas, solteironas em final de carreira, prostitutas da Zona do Meretrício e de outras paragens. Nem os qualhiras eram discriminados. Os que existiam na cidade e reprimidos pelo forte preconceito, aproveitavam o carnaval para se liberar e tirar sarros nos incautos.
Os proprietários dos bailes, pessoas bem conhecidas na cidade, dentre os quais Moisés Silva e Reinaldo Pinto, contratavam ônibus para trazer as mulheres da periferia. Umas vinham apenas para se divertir; outras, contudo, visavam melhorar as receitas domésticas, usando a atividade sexual.
Dentre os clubes populares que marcaram época no carnaval de São Luis destacavam-se O Bigorrilho e a Gruta de Satã, em cujos salões os foliões dançavam ao som de orquestras de bom nível. O cardápio musical era à base de sambas e marchinhas carnavalescas. Mas o ritmo mudava, para delírio da galera, com a execução do Mambo Jambo, música caribenha de muito sucesso por aqui.
E as brincadeiras de rua como eram, onde se realizavam e quem delas participava? Os corsos dominavam o cenário carnavalesco da cidade, sendo os mais aplaudidos pela população. Mulheres com fantasias vistosas e simples e pandeiros nas mãos cantavam e dançavam nas carrocerias de caminhões. Constituíam também atrações a casinha da roça, fofões, mascarados solitários ou em grupos, baralhos, blocos, turmas de sambas e batucadas, estas, substituídas pelas escolas de samba à moda carioca, que nada têm a ver com a nossa cultura e nossa tradição.
Por falar em tradição, convém ressaltar os “assaltos carnavalescos”, bastante apreciados e praticados. Homens e mulheres da alta sociedade, acompanhados de orquestras, invadiam as casas de pessoas conhecidas e nelas realizavam divertidas e surpreendentes festas dançantes.
Nessa resumida retrospectiva do carnaval de São Luis, uma conclusão é clara como a luz do dia: não dá para comparar a folia do passado com a dos dias correntes. Se aquela era espontânea, original e sem aparatos, a vigente é formal, maqueada e onerosa.

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