ÊXODO DO OLHO D’ÁGUA

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Os que se derem ao trabalho de visitar o bairro do Olho D’Água, não terão dificuldade de ver a imensa quantidade de gente que ali mora há anos, mas deseja transferir-se para outros lugares da cidade.

Nas ruas do bairro, as placas postadas nas residências são visíveis e não escondem a vontade dos proprietários de vender os imóveis a qualquer preço e urgente.

Esse é o estado de espírito reinante num bairro que outrora foi o preferido da elite maranhense, que para ali acorria atrás de tranqüilidade e do prazer de viver bem.

A insegurança que de uns tempos para cá domina o Olho D’Água, onde a criminalidade impera sem dó e piedade, é a causa principal do êxodo rumo à cidade.

OUTROS ASSALTOS

O assalto de que foi vítima a família da escritora Ceres Costa Fernandes não é um fato isolado.

Pelo menos três famílias que moram nas proximidades da casa de Ceres já viveram idênticas agruras e perigos.

Marialva Frota, Núbia Bonfim e Edite Andrade tiveram suas casas invadidas e ficaram sob o domínio dos assaltantes, que se apoderaram dos bens e praticaram o pavor.

Felizmente, as vítimas tiveram paciência e calma para impedir os criminosos de usarem a violência física.

Pelo tipo de ação e pelas características dos facínoras não há nenhuma dúvida de que são os mesmos.

VIOLÊNCIA EM ANAPURUS

O episódio ocorrido na cidade de Anapurus, em que a câmara de filmagem de um repórter da TV Globo foi roubada, ainda vai dar panos prá muitas mangas.

A TV Globo, pelo poder que tem, não vai deixar o caso impune e nem o assunto ficar na geladeira.

Não é preciso ser detetive para saber de quem partiu a ordem para a prática daquela ação estúpida.

Ainda sobre o assunto: o fato que deu origem à reportagem não é exclusividade de Anapurus. Em qualquer município do Maranhão e do Brasil, salvo poucas e honrosas exceções, a prática de adulterar documentos e desviar recursos públicos é comum e aumenta assustadoramente por conta da impunidade.

CANDIDATURA DE TURÍBIO

Embora Turíbio Rocha Santos tenha manifestado o desejo de ingressar na Academia Maranhense de Letras, só na semana passada chegou às mãos do presidente Benedito Buzar o ato que formaliza a sua inscrição à vaga do saudoso poeta José Chagas.

Cumprida essa exigência estatutária, ele, agora está habilitado a participar do processo eleitoral, que deverá acontecer em outubro.

Por falar no extraordinário músico maranhense, que mora no Rio de Janeiro, lançou sexta-feira no Festival do Vale do Café, na cidade de Vassouras, o livro de sua autoria “Caminhos, encruzilhadas e mistérios”.

BIBLIOTECA DE CABRAL

Um ato do professor José Maria Cabral Marques deixou o engenheiro Mauro Fecury emocionado.

Como grande parte da vida de Cabral foi vivida no UniCeuma, da qual foi reitor, fez questão de doar ao estabelecimento dos Fecury a sua biblioteca particular.

Com mais de seis mil títulos e com obras valiosas, a biblioteca do ex-reitor será colocada em lugar de destaque da instituição.

AJUDA DE JAIME

Um dos maiores amigos do ex-deputado Jaime Santana é candidato a retornar à Câmara de Deputados.

Saulo Queiroz, ex-deputado do DEM e do PSDB, agora candidato pelo PSD de Mato Grosso do Sul.

Quando Jaime Santana candidatou-se a prefeito de São Luis, Saulo, seu companheiro de bancada, participou da campanha eleitoral, que teve como vencedora a candidata Gardênia Gonçalves.

FARDÃO DE ODILO

Os filhos do poeta Odilo Costa, filho vão doar à Academia Maranhense de Letras o fardão, o colar, a espada e o chapéu, aparatos com os quais tomou posse na Academia Brasileira de Letras.

O ato de doação será na solenidade em que a AML realizará em homenagem ao seu centenário de nascimento, dia 14 de dezembro.

O acadêmico José Sarney aceitou o convite do presidente Benedito Buzar para discursar em memória a Odilo.

CANDIDATURA DO EX-DESEMBARGADOR

O ex-desembargador Mário Lima Reis após deixar a magistratura, tentará ingressar na vida política.

Será um dos candidatos do Partido da República à Assembleia Legislativa nas eleições deste ano.

O seu partido integra a coligação Prá Frente Maranhão que apóia as candidaturas de Edinho Lobão a governador e de Gastão Vieira a senador.

VISITAS DE SARNEY

Livre das obrigações de candidato a cargo político, o senador José Sarney retoma em São Luis uma atividade que tem o prazer de fazer.

Visitar amigos e comparecer a eventos sociais.

No final da semana passada, compareceu à cerimônia em que Francisco e Sônia Batista comemoram as bodas de ouro de casamento, em companhia da filha Roseana e do genro Jorge Murad.

No domingo, ao lado de Benedito Buzar, fez duas visitas. A primeira, para Antônio Carlos e Ceres Costa Fernandes. A segunda, a amiga Maria Teresa Neves.

GASPAR CONVIDADO

O intelectual Carlos Gaspar recebeu convite para proferir palestra em Setubal.

Na cidade portuguesa discorrerá sobre as atividades de Fran Pacheco, em São Luis, como homem de letras.

O convite foi feito pela neta de Fran Pacheco.

LIVROS DE ITAPARY

O escritor Joaquim Itapary está com livro novo e lançou quinta-feira em São Bento em evento promovido pela Academia Sambentuense.

São crônicas publicadas no período de 2000 a 2007, com o título de “Onde andará Willy Ronis?”

Itapary, ainda este ano, publicará mais um livro, pois a Fapema aprovou o projeto para financiar a impressão da obra.

CARTAZES DE HOLANDÃO

OS cartazes de Edivaldo Holanda, pai do prefeito de São Luis, já estão nas ruas.

A candidatura de Holandão a deputado estadual será o maior teste que o filho enfrentará desde que assumiu o cargo de prefeito.

Se o pai se eleger, tudo bem, mas se não conseguir o drama será grande para o filho.

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OCTOGENÁRIOS DA POLÍTICA MARANHENSE

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Ser octogenário não desqualifica ninguém e nem deve ser visto como o fim de uma jornada de vida. A respeito disso, nunca esqueci um episódio nos meus anos da juventude, quando a minha geração freqüentava a famosa ZBM – Zona do Baixo Meretrício.

Numa dessas noitadas na ZBM, um colega apresentou aos companheiros de mesa, uma mulher, por sinal, jovem e bonita, com a qual tinha um chamego: – Eis aqui a minha octogenária. Mais que depressa, a mulher retrucou com o ar de alegria e felicidade: – Quem sou eu para merecer todo esse elogio.

O caso acima serve para ilustrar o meu comentário de hoje, sobre os políticos maranhenses que, por conta da longevidade, deixarão a vida pública, onde atuam como representantes do povo maranhense no exercício de cargos executivos e legislativos: José Sarney, Epitácio Cafeteira e Pedro Novais.

Conquanto situados na mesma faixa de idade, sairão da cena política por motivos específicos e diferenciados. O senador José Sarney não mais concorrerá a cargo eletivo, depois de sessenta anos de intensa e profícua atuação, por razões familiares e intelectuais. Ao findar o seu mandato no Senado, quer dar mais assistência à esposa Marly e dedicar-se com mais vigor às suas atividades intelectuais, pois precisa concluir alguns projetos, os quais, por causa de sua permanente ação política, foram colocados à margem.

Sarney, nestas seis décadas de presença no Congresso Nacional, como deputado federal e senador, bem como à frente do governo do Maranhão e na presidência da República, teve desempenho exemplar e marcou o seu nome pela maneira como se comportou nos cargos exercidos.

Epitácio Cafeteira, à beira dos noventa anos, achou por bem não se submeter ao julgamento popular por razões de saúde. A última eleição que participou foi em 2006, elegendo-se senador graças ao apoio do grupo Sarney. Nos últimos anos de mandato, devido ao seu precário estado de saúde, freqüentava as sessões com ajuda de cadeira de rodas.

Antes de ser senador, Cafeteira elegeu-se prefeito de São Luis, em 1965, em função de uma emenda constitucional por ele apresentada no Congresso Nacional, que acabava a nomeação de prefeitos da Capital pelos governadores e dava ao povo o direito de elegê-los pelas urnas.

Ao deixar a prefeitura de São Luis, elegeu-se deputado federal por três vezes consecutivas (1975 a 1987).  Com Sarney na presidência da República, em 1985, um acordo político levou Cafeteira ao governo do Estado, cargo que exerceu de março de 1986 a abril de 1990.  Renunciou ao governo para disputar a eleição de senador, para o mandato de 1991 a 1999.

Mais recentemente, o eleitorado maranhense foi surpreendido com a divulgação, emitida pelo próprio deputado e octogenário Pedro Novais, de que ao cabo de seu mandato em 31 de janeiro de 2015, não mais concorrerá ao pleito de outubro deste ano.

Pedro Novais era um ilustre desconhecido no Maranhão até a posse do governador Nunes Freire, em março de 1975. Nascido na cidade de Coelho Neto, mudou-se jovem para o Rio de Janeiro, onde estudou e diplomou-se em Direito. Ingressou, por concurso no Ministério da Fazenda, impondo-se como Auditor Fiscal do Tesouro Nacional. Dalí, Nunes Freire o trouxe para o Maranhão, nomeando-o para o cargo de secretário da Fazenda, onde brilhou pela criatividade e competência.

Com o término do governo, Pedro Novais ingressa na vida parlamentar, elege-se deputado estadual pela Arena, para o mandato 1979 a 1983. Só cumpre um mandato na Assembleia Legislativa, pois no pleito de 1982, candidata-se a deputado federal. Não se elege, mas como suplente, assume o mandato de setembro de 1983 a janeiro de 1984.

No exercício de seu quinto mandato parlamentar, o PMDB o indicou para ministro do Turismo no governo da presidente Dilma Roussef. Sua passagem pelo ministério não foi das mais felizes. A imprensa pegou no seu pé por causa de um problema mal explicado acontecido em São Luis, fato que o levou a exonerar-se do cargo de ministro, cumprido de fevereiro a setembro de 2011.

Na Câmara dos Deputados sempre foi respeitado pelos seus conhecimentos técnicos. Não à toa, presidiu várias vezes a Comissão de Finanças e Tributação. O seu grande momento no Congresso Nacional deu-se ao ser escolhido relator da Lei de Responsabilidade Fiscal, no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, aprovada e que se constitui numa das leis mais proveitosas no combate da corrupção no Brasil.

Ainda não se sabe ao certo os motivos que levaram o deputado Pedro Novais a desistir das eleições de outubro vindouro, quando conquistaria o seu sexto mandato. Há quem atribua ao constrangimento pelo qual passou no ministério do Turismo.

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PÂNICO NO OLHO D’ÁGUA

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OS moradores do Olho D’Água, até pouco tempo um dos locais mais privilegiados de São Luis, vive hoje sob o completo domínio dos assaltantes, que ali montaram seu quartel-general e onde praticam  crimes diariamente, sob o olhar complacente da Polícia.

A mais recente vítima dessa macabra situação foi Ceres Costa Fernandes, o marido Antônio Carlos e a filha Carla.

Os assaltantes usaram a filha de Ceres como refém e entraram na residência do casal onde fizeram um estrago. Roubaram o que puderam, agrediram Antônio Carlos, que tentou reagir ao assalto, e ainda deixaram a escritora em estado de choque, fato que a levou a hospitalizar-se e a fazer um procedimento cardiológico com a colocação de três stentes.

Os criminosos, graças aos apelos de Ceres, não molestaram a sua mãe, dona Isabel, por conta da idade avançada e de sua enfermidade.

MAURO DIVIDIDO

O engenheiro Mauro Fecury, nas eleições deste ano, estará com as atenções voltadas para o Maranhão e Brasília.

No Maranhão, torce e apóia irrestritamente a candidatura de Edinho Lobão a governador.

Em Brasília, espera ser vitorioso pleito o candidato José Roberto Arruda, que considera o melhor governador que a capital da República já teve em todos os tempos.

MURO DAS LAMENTAÇÕES

O senador José Sarney não concorrerá mais a qualquer cargo eletivo, após 60 anos de intensa e vigorosa vida pública.

Mesmo assim, não deixa de ser procurado pelos políticos e candidatos que participarão das eleições deste ano.

Alguns vão pedir conselhos e orientações, outros, porém, querem coisas absurdas a e fora de seu alcance.

Como ele próprio diz, transformou-se no Muro das Lamentações.

MARRECA CANDIDATO

Neste sábado, o candidato a deputado federal, Júnior Marreca, pretende sacudir a cidade de Itapecuru.

Depois de administrar o município duas vezes, acha que pode sair de lá com uma votação espetacular, razão pela qual fará de Itapecuru sua principal base eleitoral.

No evento bombástico do lançamento de sua candidatura, contará com a presença do seu amigo, o itapecuruense Benedito Buzar.

RETRATO DO PAPA

O Tribunal Superior Eleitoral, responsável pela divulgação das candidaturas em todo o Brasil, cometeu uma gafe imperdoável na semana passada.

No site do TSE, o registro de que o deputado estadual Raimundo Louro  não pode disputar a reeleição por ser considerado ficha-suja pelo Tribunal de Contas da União.

Só que a foto postada não era do deputado Raimundo Louro, mas do papa Francisco.

GULLAR CONSULTADO

AO confirmar sua candidatura à Academia Brasileira de Letras, o poeta Ferreira Gullar recebeu um telefonema de São Luis.

O vate maranhense foi consultado se aceitaria ser também lançado à Academia Maranhense de Letras para ocupar o lugar do poeta José Chagas.

Gullar respondeu negativamente. Motivo: não pretende mais vir ao Maranhão por medo de viajar de avião.

ALEMÃO ASSEDIADO

Por ocasião da Copa do Mundo, sobretudo depois que o time da Alemanha ganhou o Brasil e disputou a final com a Argentina, um maranhense perdeu o sossego.

Cláudio Vaz dos Santos, conhecido por Alemão, passou a ser procurado insistentemente por jornalistas e blogueiros de todas as partes do país.

O assédio era para saber se, como oriundo da Alemanha, por que morava em São Luis e seu palpite no jogo da Alemanha contra a Argentina.

DE FATO E DE DIREITO

Há duas coordenações prestando serviços à campanha do candidato a governador, Edinho Lobão.

Uma de direito, formada por Márcio Coutinho, Iêdo Lobão e Gilson Barros.

Outra de fato, constituída por Fernando Sarney, Joaquim Haickell e João Abreu.

LUIS FERNANDO

Luis Fernando Silva, pelo fasto de não ter sido candidato a governador, não está afastado do grupo político que o apoiava e nem do candidato que o substituiu.

Foi ele que preparou o plano de governo para Edinho Lobão apresentar ao Tribunal Regional Eleitoral por ocasião do registro de sua candidatura a governador do Maranhão.

Edinho agora quer convencer Luis Fernando a participar ativamente de sua campanha, viajando em sua companhia para o interior do estado.

PROPOSTAS EDUCACIONAIS

A educação será a meta prioritária de Edinho Lobão se for eleito governador.

Ao longo da campanha eleitoral falará sobre o que pretende fazer para mudar o quadro educacional do Maranhão, um dos piores do país.

Para conseguir esse objetivo, Edinho conta com a colaboração preciosa de Gastão Vieira, candidato a senador e um dos mais atuantes parlamentares do Congresso Nacional na área educacional.

Nesse sentido, Gastão trará a São Luis, ainda no correr da campanha, um das maiores autoridades em educação no Brasil, o professor João Batista Oliveira, criador do vitorioso programa Alfa Beta.

TEMPORADA DE CAÇA

Depois do registro dos candidatos às eleições majoritárias e proporcionais, começou a temporada de caça ao empresariado maranhense.

Os que já foram procurados se mostraram arredios e nada receptivos às cantadas dos postulantes aos cargos eletivos.

Os empresários tentam convencer os candidatos que a realidade do Brasil hoje é outra, os recursos são escassos e a legislação que trata das doações às campanhas é rigorosa e pouco permissiva.

EXEMPLO JAPONÊS

Os japoneses que vieram ao Brasil assistir a Copa do Mundo deixaram um bom exemplo quanto à limpeza pública.

Não saiam dos estádios sem antes limpar os lugares por eles ocupados.

A prefeitura de São Luis quer fazer uma campanha pública com base no procedimento dos nipônicos, por sinal, elogiado por gregos e troianos.

LIÇÃO ALEMÃ

O deputado federal Sétimo Waquim, candidato à reeleição pelo PMDB, já escolheu o slogan, que adotará nessa campanha eleitoral.

“Faça como a Alemanha, coloque o Sétimo na urna”.

Sem trocadilho, bem bolada.

NA REUNIÃO DA ACADEMIA

O jornalista Antônio Carlos, assessor do ministro Edison Lobão, no Ministério de Minas e Energia, tem mostrado ser um bom acadêmico.

Todas as vezes que vem de Brasília para São Luis, cumpre rigorosamente o seu dever de membro da Academia Maranhense de Letras.

Na última quinta-feira, além de participar ativamente da reunião, trouxe uma boa notícia para a Casa de Antônio Lobo.

 

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A VILA DE ITAPICURU-MIRIM NA BALAIADA

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A minha cidade, completa, amanhã, 144 anos de criação, ato ocorrido em 21 de julho de 1870. Por isso, permitam os leitores que eu a homenageie com este relato sintético sobre um acontecimento histórico transcorrido naquela vila, na primeira metade do século XIX, que fez parte da chamada Guerra da Balaiada, no curso da qual foram intensas e cruentas as lutas entre rebeldes e forças legalistas.

Sob o rescaldo dos ressentimentos decorrentes das lutas entre brasileiros e portugueses e dos desmandos dos presidentes do Maranhão, movimentos de rebeldia rebentaram no interior da província, onde vivia a população menos assistida.

O estopim da revolta deu-se a 13 de dezembro de 1836. O vaqueiro, Raimundo Gomes, para vingar a prisão de um irmão, invade a cadeia da vila de Manga, hoje a cidade de Nina Rodrigues, para soltar os prisioneiros ali detidos.

Dali, Raimundo Gomes, o Cara Preta, e seus asseclas partiram para conquistar e dominar o interior do Maranhão. A rebelião, vista como iniciativa de bandidos e marginais toma corpo com a adesão de camadas mais sofridas do campo e da cidade, desejosas de banirem do poder os tiranetes que dirigiam a província.

À proporção que o movimento crescia e impunha vantagem nas refregas contra as forças governistas, os rebeldes, insuflados pelos jornalistas Estevam Rafael de Carvalho, José Cândido de Moraes e Silva e João Lisboa, arrebanhavam numerosos contingentes humanos, sob o comando de outras lideranças, dentre as quais Manoel Francisco dos Anjos Ferreira, o Balaio, e Cosme Bento das Chagas, o Negro Cosme, este, chefe das legiões de quilombolas.

O movimento recrudesce mais ainda por culpa dos presidentes da Província, Pires de Camargo e o sucessor Manuel Felizardo de Sousa, que se mostram incompetentes para enfrentar os rebeldes, sobretudo após a invasão e a dominação de Caxias, em que exigiram para a cessação dos combates, a revogação da lei dos prefeitos, anistia para os revoltosos, dinheiro para o pagamento das tropas rebeldes, expulsão dos portugueses do Maranhão.

Depois de um ano de renhidas refregas, do indiscutível despreparo dos administradores maranhenses e do incremento da insurreição, que extrapolara para estados vizinhos, o governo Central nomeia o coronel Luiz Alves de Lima e Silva para presidente da Província e comandante das Armas.

A 7 de fevereiro de 1840 investe-se nos cargos e após lançar um manifesto ao povo maranhense, monta estratégias para sufocar os amotinados e restaurar a tranqüilidade no território maranhense. As forças sob seu comando, intituladas de Divisão Pacificadora do Norte, são distribuídas em três colunas e com ações e operações bem estruturadas e articuladas, os revoltosos vão sendo esmagados por ataques rápidos e fulminantes, cedendo espaços conquistados e desertando do campo da luta.

Para acelerar o processo de desintegração da rebelião, o comandante das Armas, no dia 7 de março de 1840 inicia uma excursão às vilas conflagradas. Em Itapicuru-Mirim, instala um entrincheirado depósito de munições e víveres, e um improvisado um hospital, para socorrer os mais necessitados.

No dia 14 de junho, ele é surpreendido com a notícia de que a guarnição da vila de Itapicuru sublevara-se por falta de pagamento de soldos aos subordinados. O movimento cresce com a prisão, altas horas da noite, da oficialidade.

Imediatamente uma operação foi acionada, com a ordem para as forças circunvizinhas se deslocarem para aquela vila e atacar os insubordinados. De São Luís, também foi expedido um destacamento a bordo do vapor Fluminense.

Os líderes do movimento, os sargentos João do Rego Barros, Antônio Ciríaco dos Passos e Ezequiel Luiz da França, além de incitarem os soldados, prenderam , desarmaram os oficiais e expediram mensageiros para Bela Água em busca de Raimundo Gomes e de reforços. Simultaneamente, deram um ultimato ao comandante da vila, consubstanciado no imediato pagamento de soldos. Para não comprometer a vida dos moradores da vila e salvaguardar o depósito de munição e de víveres, o presidente da província consegue junto aos habitantes um empréstimo para o pagamento devido à guarnição. Nem assim os sublevados depuseram as armas.

À noite, por um vacilo dos rebelados, os oficiais evadiram-se da prisão e se juntaram às tropas de outras localidades para atacá-los. No rio Munim, os reforços solicitados a Raimundo Gomes foram inapelavelmente massacrados pelas tropas legalistas, após um combate de 18 horas, ao final do qual morreram 10 rebeldes e muitos ficaram feridos.

Depois disso, o presidente Lima e Silva, que se achava em Itapicuru-Mirim, além de castigar os revoltosos, submeteu ao conselho de investigação os chefes do movimento, guarneceu a vila com novas tropas e montou nova operação, desta feita, na ribeira do Itapicuru, onde se concentrava grande parte da população escrava do Maranhão, liderada pelo negro Cosme, que se auto-proclamava  Tutor e Imperador das Liberdades Bem-Te-Vis, assustava os fazendeiros e as forças governistas, por achar-se à frente de três mil quilombolas.

Nos meados de 1840, a “guerra civil do Maranhão”, mostrava que as forças legalistas, em superioridade, já exerciam forte domínio sobre os rebeldes, aos quais impunham perseguições intensas e consistentes, recuos, deposições de armas, prisões e mortes, afora as retomadas de vilas.

Contra as principais cabeças da revolta, deflagraram-se ataques implacáveis que visavam à rendição ou capitulação de Raimundo Gomes, do Balaio e de Cosme Bento das Chagas. O primeiro a deixar o campo da luta foi o Balaio, morto em conseqüência dos ferimentos recebidos em combate.

A prisão do negro Cosme, que à frente de centenas de escravos, resistia ao cerco das forças governistas, deu-se no lugar chamado Calabouço, no Mearim, em janeiro de 1841, após contundentes combates, em que morreram 50 quilombolas e mais de 100 foram capturados. Depois de cair nas mãos dos legalistas, Cosme foi removido, sob forte escolta para São Luís, onde, por medida de segurança, permaneceu até a conclusão do processo pela prática de crimes, a maioria na ribeira do Itapecuru, fato determinante para ser julgado naquela comarca.

Em 6 de abril de 1842, o prefeito de Itapicuru-Mirim, Joaquim José Gonçalves, informava ao presidente da província, João Antônio de Miranda, que Cosme Bento das Chagas fora submetido a julgamento e sentenciado à pena de morte.

No dia 8 de agosto de 1842, o ministro da Justiça, Paulino José Soares de Sousa, com base na sentença que condenou Cosme à pena de morte, e do relatório do juiz de Direito, anunciava que o Imperador autorizara a execução do réu “por não ser digno da graça do Poder Moderador à vista de tais papéis”.

A 9 de setembro, Francisco de Serra Carneiro, Juiz Municipal e de Órfãos de Itapicuru-Mirim  manda executar o negro numa  forca colocada no lugar mais público da vila, em frente ao prédio da Cadeia e da Câmara Municipal, hoje, sede da Casa da Cultura do município.

 

 

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A PEDRA E A PALAVRA

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Compromissos assumidos, especialmente relacionados à coordenação da campanha do candidato Edinho Lobão a governador do Estado, impedem o acadêmico e cineasta Joaquim Haickel de participar de um evento de grande significação pessoal e cultural.

Trata-se do Festival de Cinema de Avanca, em Portugal, onde será exibido, em estréia mundial, o filme “A Pedra e a Palavra”, produzido por Haickel.

No longa metragem, os maiores conhecedores da vida e da obra do padre Antônio Vieira, depõem sobre um homem de atuação ativa na história de Portugal e do Brasil.

No filme, será também destacada a atuação de Vieira no Maranhão, no período de 1651 a 1660, em que lutou pela liberdade dos indígenas.

CONGRESSO INTERNACIONAL

O escritor Joaquim Itapary  se programou para estar no Rio de Janeiro, no período de 18 a 20 de agosto vindouro.

Vai  marcar presença no Congresso Internacional, promovido pelo Centro Cultural Celso Furtado, que contará com renomados professores e especialistas do mundo acadêmico.

Convém lembrar que Itapary foi grande amigo de Celso Furtado e com ele trabalhou na Sudene, em Recife, como seu chefe de gabinete, e em Brasília, anos depois, como ministro adjunto da Cultura.

MOSTRA DE LITERATURA

Pela segunda vez, em São Luis, no Centro de Criatividade Odilo Costa, filho, será realizada a Mostra Estadual de Literatura.

O evento, promovido pela Secretaria da Cultura e Associação das Academias de Letras do Maranhão, acontecerá de 16 a 19 deste mês.

A coordenação da II Mostra de Literatura tem à frente a escritora Ceres Costa Fernandes, que, este ano, preparou uma programação bem esmerada e eclética.

PALESTRAS E LANÇAMENTOS

De acordo com a programação da II Mostra Estadual de Literatura,            intelectuais de São Luis e do interior do Maranhão marcarão presença e farão palestras sobre temas que dizem respeito à cultura.

Ao longo do evento, serão lançados livros, dentre os quais “O dia a dia da história do Itapecuru-Mirim”, da autoria de Benedito Buzar, e “Onde andará Willy Ronis”, crônicas produzidas por Joaquim Itapary, no período de 2000 a 2007.

APOSTANDO NA VICE

O candidato a governador, Zé Luis Lago, pelo Partido da Pátria Livre, aposta em dois pressupostos para ter um bom desempenho na campanha eleitoral deste ano.

Primeiro, a mensagem nova e de renovação que levará ao eleitorado, mesmo sabendo que o seu tempo nos meios de comunicação é bem reduzido.

Segundo, a presença feminina na sua chapa: a figura charmosa, inteligente e simpática da candidata a vice, a advogada Cristina Jansen.

SLOGANS DIFERENTES

Quando o senador Edison Lobão candidatou em 1990 e ganhou as eleições ao governo estadual, adotou este slogan na sua campanha eleitoral: “O povo é vencedor”

Jornalistas e blogueiros chegaram a divulgar que Edinho usaria o mesmo slogan do pai na campanha deste ano, levando em conta o sucesso obtido por Edison Lobão na sua corrida ao Palácio dos Leões.

Ledo engano. Ao Edinho, os marqueteiros apresentaram vários slogans. Depois de muita reflexão, optou pelo “Pra frente Maranhão”.

SUPLENTE DE GASTÃO

As lideranças políticas que apóiam a candidatura do deputado Gastão Vieira a senador, não podem levar com a barriga um assunto que se não for resolvido urgentemente e sem traumas, poderá acarretar problemas sérios e incontornáveis com a Justiça Eleitoral.

Trata-se da inclusão do nome do petista Raimundo Monteiro na chapa de Gastão, a suplente de senador.

Deus e o mundo sabem que Monteiro encontra-se na listagem dos inelegíveis, que o Tribunal de Contas da União encaminhou ao Tribunal Regional Eleitoral.

Mantê-lo candidato é um risco, que tende a comprometer a chapa senatorial.

GULLAR NA ABL

Após a morte do poeta Ivan Junqueira, a imprensa carioca noticiou fartamente o possível lançamento da candidatura do poeta maranhense Ferreira Gullar à Academia Brasileira de Letras.

Como, sistematicamente, ele recusava-se a entrar na Casa de Machado de Assis, julgava-se que, novamente, desmentisse a informação.

Para saber se Gullar seria ou não candidato à vaga de Ivan Junqueira, Arlete Machado, por telefone, ouviu o próprio poeta maranhense dizer que sua candidatura à Academia Brasileira de Letras é pura realidade.

Em tempo: Arlete e Nauro Machado eram amigos do peito do falecido poeta Ivan Junqueira, o qual, em vida, dizia, em alto e bom som, que Nauro é o maior poeta brasileiro da atualidade.

PALESTRA NA ACM

A diretoria da Associação Comercial do Maranhão, em comemoração aos 160 anos da instituição, organizou uma programação bem caprichada.

De 6 a 21 de agosto, serão realizados vários eventos, destacando-se as sessões solenes na Assembleia Legislativa e na Câmara de Vereadores, a entrega da Medalha do Mérito a personalidades maranhenses e a conferência, na abertura das comemorações, do jornalista Benedito Buzar  sobre os 160 anos a ACM.

Num gesto de elegância, a presidente Luzia Rezende e outros membros da diretoria da Associação Comercial do Maranhão, compareceram à Academia Maranhense de Letras, para convidar Buzar a fazer a palestra de abertura nas comemorações da centenária instituição.

BODAS DE OURO

Mais um casal da sociedade maranhense comemora 50 anos de intensa harmonia conjugal: Sonia Tereza e Francisco de Salles (Chico Baptista Ferreira).

Como o casal desfruta de grande conceito e possui grande quantidade de amigos em São Luis, a cerimônia das Bodas de Ouro será na sede da AMPEM, na rua Turiaçu, Quintas do Calhau, dia 18 de julho, nesta sexta-feira.

Às 20 horas, se realizará a missa em ação de graças, após a qual o casal recepcionará os convidados.

O MAIS VOTADO

EM todas as listas de avaliação dos candidatos mais bem votados nas eleições proporcionais deste ano, um nome desponta como favorito.

O do ex-prefeito de Cantanhede, Hildo Rocha.

Ele, pela primeira vez, disputa uma eleição para deputado federal e deverá ser votado em 84 municípios do Maranhão, sendo 43 deles dirigidos por prefeitos.

Hildo Rocha conquistou todo esse invejável patrimônio eleitoral pela maneira competente como administrou a Secretária de Cidades e Desenvolvimento Regional.

REMI DE VOLTA

No primeiro mandato do senador Edson Lobão, seu segundo suplente foi o ex-deputado estadual Remi Ribeiro.

Chegou a assumir por um tempo o mandato no Senado, onde comparecia elegantemente às sessões e chamava a atenção de seus pares.

Por consenso, todos os partidos que formam a coligação com o PMDB, indicaram Remi para o segundo suplente na chapa encabeçada por Gastão Vieira.

ALEMANHA MARANHENSE

Numa das ruas do bairro Alemanha, em São Luis, uma vistosa faixa manifestava o contentamento de seus moradores de ver o time alemão disputando hoje a final da Copa do Mundo com a Argentina.

A faixa dizia o seguinte: “Sejam bem-vindos. A Alemanha é aqui”.

 

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CENTENÁRIO DE REMY ARCHER

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Como não temos memória política, passou batido o centenário de nascimento de Remy Bayma Archer da Silva, ocorrido em São Luis, a 5 de julho de 1914.

Dos cinco filhos do industrial e ex-governador Sebastião Archer da Silva, quatro com a primeira esposa, Maria José, e um com a segunda, Maria Gertrudes, apenas dois optaram pelo exercício da política: Remy e Renato.

Enquanto Renato trilhou na estrada do legislativo, Remy peregrinou pelas veredas do executivo, a princípio ocupando cargos relevantes na administração pública federal, posteriormente dedicando-se a negócios privados.

Remy fez o curso primário na Escola-Modelo Benedito Leite, o secundário no Colégio Antônio Vieira, na Bahia, e o curso superior na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, graduando-se engenheiro, em 1938, e especializando-se na área da construção civil.

Diplomado, veio para o Maranhão e suas primeiras iniciativas profissionais foram na fábrica de tecidos de propriedade do pai, a Companhia Manufatureira e Agrícola de Codó.

Em 1942, interrompeu as atividades empresariais, como um dos diretores da empresa, para atender ao convite do ministro da Viação e Obras Públicas, general João de Mendonça Lima, do qual Vitorino Freire era oficial de gabinete, para dirigir a Estrada de Ferro Central do Piauí. Um ano depois, assumiria a direção da Estrada de Ferro São Luís-Teresina, tendo ocupado, concomitantemente, os dois cargos até 1945.

Em 1946, com o general Eurico Dutra na Presidência da República, foi nomeado diretor da Estrada de Ferro Bragança e, em seguida, da Viação Férrea Leste Brasileiro. Em 1947, recebeu nova incumbência do chefe da Nação: presidiu o Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários, cargo que exerceu até 1951. No Maranhão, o IAPC, na gestão de Remy, construiu o conjunto residencial do Filipinho e o Hospital Presidente Dutra.

 

Remy sempre foi ligado à corrente política liderada pelo senador Vitorino Freire. Era filiado ao Partido Social Democrático, mas o rompimento de Vitorino com Genésio Rego e Clodomir Cardoso fez com que ingressasse no Partido Proletário Brasileiro e depois no Partido Social Trabalhista, legenda fundada por Vitorino, e por este comandada até 1954, quando, através de hábil negociação, reconquistou o PSD.

Por essa agremiação partidária, no pleito de outubro de 1954, elegeu-se suplente de senador do pai, Sebastião Archer da Silva. Em decorrência da licença do titular, algumas vezes, assumiu o mandato de senador, sendo membro das Comissões de Serviço Público, de Economia, de Legislação Social, de Relações Exteriores, de Redação e de Reforma Administrativa. Foi o autor do substitutivo sobre a transformação das estradas de ferro da União em sociedades anônimas, aprovada pelo Congresso.

Era suplente de senador e recém-empossado na presidência do Banco da Amazônia, quando aconteceu um episódio que marcou a sua vida pública: o seqüestro do avião, um Constellation da Panair do Brasil, como parte de uma conspiração militar, objetivando a deposição do presidente da República, Juscelino Kubitscheck.

 

A insurreição começou por volta das 7 horas de 13 de dezembro de 1959. Para a rebelião ganhar repercussão política, os revoltosos seqüestraram uma aeronave comercial, que partira do Rio de Janeiro com destino a Belém. Com trinta e oito passageiros a bordo, além da tripulação, encontrava-se o suplente de senador e presidente do Banco da Amazônia, Remy Archer.

Sem que nenhum passageiro pressentisse algo de anormal dentro do avião, para espanto de todos, aterrissou num pequeno campo de pouso de Aragarças, no estado de Goiás.

As aeromoças, instruídas pelos seqüestradores, disseram aos passageiros que, por motivo de segurança, o avião pousaria naquela localidade. Ao descer, Remy Archer notou a presença de quatro aviões: três DC-3 e um de pequeno porte, todos da Força Aérea Brasileira. Também podiam ser vistos alguns militares da Aeronáutica e poucos civis, totalizando não mais do que dez amotinados.

Confinados num hotel, mas sem sofrerem qualquer violência física ou moral, os passageiros e a tripulação do “Constellation” ficaram sem saber por que ali se encontravam e qual o destino que lhes era reservado, uma vez que estavam sem comunicação. Por volta das 15 horas, Remy recebeu ordem para se dirigir à Base Aérea de Aragarças, onde se encontravam os rebeldes. Na base, tomou conhecimento de que estava preso. Em resposta à ordem de prisão, disse: “Não posso ser preso, pois na qualidade de senador estou acobertado pelo instituto da imunidade parlamentar.”

Depois disso, os revoltosos começaram a sentir que o propósito de sublevar o país tinha fracassado, pois, além de não receberem adesão de qualquer militar ou civil, perceberam que as providências do governo federal, para debelar a intentona, passaram a ser desencadeadas, com urgência e rigor.

Apreensivos com as articulações promovidas pelas autoridades da República, comandadas pelo ministro da Guerra, general Henrique Teixeira Lott, para a captura dos aviões e a prisão dos rebeldes, estes, imediatamente, transformaram Remy Archer em refém, como meio de impedir que as forças da legalidade acionassem seus dispositivos para prendê-los em território brasileiro.

Depois dos procedimentos para o abastecimento da aeronave, pilotada pelo comandante Mário Borges, decidiram voar rumo do Norte, em busca de Santarém e depois Cachimbo. Como não conseguiram pousar nas duas cidades, tomaram o destino de Buenos Aires, onde, após 11 horas de vôo, o avião aterrissou.

Na capital argentina, Remy recebeu a visita do embaixador brasileiro e um telefonema do próprio presidente da República, Juscelino Kubitscheck. No dia seguinte, retornou para o Rio de Janeiro, onde prestou depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito, instalada no Senado.

 

 

Antes de deixar a vida pública, Remy foi nomeado pelo presidente João Goulart para dirigir o Banco Nacional de Crédito Cooperativo. A nomeação correu por conta de um movimento de rebeldia de seis deputados federais do PSD contra o governador Newton Bello, em 1963.

Os parlamentares rebelados, liderados pelo deputado Cid Carvalho, aderiram ao PTB, através do qual começaram a minar as bases do vitorinismo. Remy, mesmo sem mandato político, aderiu ao movimento contra o governador Newton Bello, em posição de confronto ao irmão Renato Archer, então candidato do PSD ao governo do Estado.

Ficou na presidência do Banco Nacional de Crédito Cooperativo até a eclosão do movimento militar, em abril de 1964.

Quando o presidente Castelo Branco vetou a candidatura de Renato a governador, que o levou ao rompimento com Newton Bello, Remy voltou a comungar politicamente com o irmão, chegando a apoiá-lo na sua pretensão de ocupar o Palácio dos Leões pela legenda do PTB, o que não veio a acontecer, pois, nas eleições de 1965, o vencedor foi José Sarney.

Desencantado com a política, mormente depois que os militares assumiram o poder, tomou a decisão de voltar às origens e dedicar-se novamente à iniciativa privada. Homem de visão instalou em São Luis a empresa Agrima, voltada para a extração de óleo de babaçu, mas com uma inovação tecnológica: extrair amêndoa de coco por um sistema mecanizado.

A crise que assolou a indústria oleaginosa no Maranhão, na década de oitenta, terminou levando a Agrima de roldão.

Atacado pela doença conhecida como Mal de Parkinson, Remy mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se submeteu a rigoroso acompanhamento médico.

Faleceu a 1º de junho de 1997, no mesmo mês em que há um ano (20 de junho de 1996) faleceu, em São Paulo, o irmão Renato, mais novo do que ele oito anos.

Casou-se com Léia de Castro Figueiredo Archer, e com ela teve três filhos, dentre os quais o ex-prefeito de Codó, Ricardo Archer.

 

 

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ESCOLHA DE ARNALDO

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Há muito tempo não se via um candidato a vice-governador ser tão elogiado como o deputado Arnaldo Melo.

Para companheiro de chapa, Edinho não acharia ninguém melhor do que o atual presidente da Assembleia Legislativa.

Trata-se de uma figura humana e política com trânsito em toda a sociedade, dotado de cacife eleitoral e, pela credibilidade, ajudará o candidato do PMDB a ser bem votado em todo o Maranhão.

A presença de Arnaldo na chapa de Edinho serve também para afastar as ameaças que pairavam de o Maranhão ter um vice-governador inabilitado e destituído de condições para o exercício de uma função tão importante.

O SUCESSO DA CONVENÇÃO

Ao ser procurado para a cessão do centro de convenções da Universidade Federal do Maranhão para a realização da convenção do PMDB, o reitor da Universidade Federal, antes de concordar ou não com o pedido, resguardou-se do ponto de vista legal.

Para não ser acusado de agir politicamente, Natalino Salgado pediu um parecer jurídico à sua assessoria e desta recebeu o sinal verde para ceder o espaço universitário sem risco de infringir a legislação federal.

Depois disso, o reitor cercou-se também de todas as precauções para no campus da Ufma não ocorrem fatos ou atos que comprometessem o evento político, que, pela primeira vez, no Maranhão, realizou-se num espaço não convencional.

BRILHOU NA CONVENÇÃO

Na convenção do PMDB, que homologou a candidatura de Edinho Lobão a governador do Maranhão, apenas um postulante às eleições proporcionais marcou presença no campus da Ufma.

O candidato a deputado federal, Fábio Gondim.

Inobstante ser um estreante na política, aparelhou-se de um aparato de propaganda tão espalhafatoso, que chamou a atenção dos convencionais.

FILHO DE ISAAC

O advogado Isaac Dias, filho do veterano político sambetuense Isaac Dias, não ingressou na política para ser igual ao pai, que militou na vida partidária por tanto tempo e não passou de prefeito e deputado estadual.

Isaac Filho, nas eleições passadas, elegeu-se vice-prefeito de São Bento, mas quer alçar vôos mais altos no pleito deste ano.

Não à toa, lançou o seu nome, como filiado ao PMDB, a suplente de senador.

A PREFERIDA

O deputado Gastão Vieira não vai interferir na indicação dos candidatos a suplente de senador.

Acha que isso não é um problema dele, mas dos partidos que o apóiam.

Mas se fosse chamado a opinar sobre o nome para figurar na primeira suplência de sua chapa, não teria a menor dúvida de apontar a ex-deputada Helena Heluy, do PT.

VAGAS NA ACADEMIA

As inscrições para as vagas ocupadas pelo poeta José Chagas e o cronista Ubiratan Teixeira na Academia Maranhense de Letras, estão abertas e só serão encerradas em agosto.

Para a vaga de José Chagas, o maranhense Turíbio Santos, que mora no Rio de Janeiro, já encaminhou o seu pedido de inscrição.

Para o lugar de Ubiratan, o escritor José Neres formalizou neste final de semana sua inscrição. Trata-se de um candidato bem cotado e com boa receptividade junto aos acadêmicos.

ARLETE E FRED

Além de um grupo de acadêmicos, duas pessoas lutaram incansavelmente para convencer o poeta Nauro Machado a concorrer à vaga de José Chagas à Academia Maranhense de Letras: Arlete e Fred.

A esposa e o filho fizeram de tudo para quebrar a resistência do poeta, mas ele não mudou de opinião e a sua posição foi acatada e respeitada por ambos.

Se Nauro e Arlete concorressem à Casa de Antônio Lobo, pela primeira vez a Academia elegeria a só tempo um casal bem representativo da intelectualidade maranhense.

VOTO DE CASTELO

Quem conhece de perto e desfruta da amizade do ex-prefeito João Castelo, afirma que nas eleições deste ano ele não fará campanha para governador e senador.

Lutará apenas para os pleitos federal e estadual, em que será candidato à Câmara de Deputados, e a filha, Gardeninha, à reeleição para a Assembleia Legislativa.

Para senador, mesmo sem fazer campanha, aos que pedirem sua opinião, recomendará o voto para Gastão Vieira.

MARQUETEIROS

Dois maranhenses e bem conhecidos fazem parte do grupo de marqueiteiros contratado para a campanha dos candidatos do PMDB às eleições de outubro.

São: Fábio Gomes e Arturo Sabóia Almada Lima.

O primeiro cuidará especialmente da campanha de Edinho Lobão. O segundo, da eleição de Gastão Vieira.

GANHOU PESO

Em época de campanha eleitoral, há candidatos que ganham e os que perdem peso.

A campanha ainda não pegou fogo, mas um já não tem mais o peso original.

João Marcelo, filho do senador João Alberto e candidato a deputado federal: engordou seis quilos, mas não perdeu o pique.

CHICO COIMBRA

Todos os anos, em época junina, a cantora Alcione realiza no Rio de Janeiro, onde mora, uma grande festa em homenagem a São João e São Pedro.

A festa, da qual participam celebridades da vida artística nacional, tem por palco a sua bonita residência, na Barra da Tijuca, onde pontificam as brincadeiras juninas e a gastronomia maranhense.

Era o estilista Chico Coimbra que organizava a festa de Alcione, que fazia parte do calendário junino carioca.

Este ano, em homenagem à memória de Chico Coimbra, falecido recentemente, a cantora maranhense cancelou o evento festivo.

ESCRITOR NACIONAL

Os que pensam que Ubiratan Teixeira era um escritor simplesmente regionalista, se equivocaram.

Não à toa, o jornal Folha de São Paulo, dedicou ao cronista maranhense uma espaço destacado após o seu falecimento em São Luis.

Se Ubiratan não tivesse alcançado a dimensão nacional, será que algum jornal importante de São Paulo, faria algum comentário sobre a sua vida e o que ele produziu como cronista, novelista, romancista e teatrólogo?

Duvido muito.

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OS DEUSES NÃO ENVELHECEM E NEM SAEM DE CENA

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Até o final de seu mandato, dia 31 de janeiro de 2015, os holofotes da mídia eletrônica e impressa estarão direcionados para o senador José Sarney, um político incomum e que exerceu os mais importantes cargos públicos da República, todos eletivos: deputado federal, governador, senador, vice e presidente da República.

Ao longo desse tempo, o povo brasileiro ouvirá discursos de deputados e senadores, veiculados pelas emissoras de rádio e televisão, bem como verá nos jornais e revistas do país inteiro, artigos, comentários e opiniões sobre o político maranhense que decidiu não mais concorrer aos postos eletivos, ele que desde 1954, submeteu o seu nome ao sufrágio universal, direto e secreto, excetuando-se as eleições de presidente e vice da República, realizadas em 15 de março de 1985, ao ser eleito por um Colégio Eleitoral, composto de senadores, deputados federais e representantes das Assembleias Legislativas.

Por conta dessas manifestações parlamentares e midiáticas, a opinião pública será informada sobre a trajetória de um político que teve participação ativa nas esferas legislativa e executiva e atuação marcante em episódios da cena brasileira durante seis décadas.

Por todo esse tempo de atividade, Sarney, como qualquer ser humano, cometeu erros e falhas, mas são irrelevantes quando confrontadas com os atos e as ações positivas que realizou em favor do bem comum e do país.

Os não maranhenses não o perdoam pela projeção alcançada no plano nacional, como político e intelectual. São ataques descabidos e agressões irracionais movidas por paixões partidárias e regionais, emanadas de setores preconceituosos, que não admitem ver os nordestinos no exercício de espaços até então reservados aos privilegiados e da época “do café com leite”, em que o cargo de presidente e vice da República se destinava apenas aos políticos de Minas Gerais e São Paulo.

Chegar aos oitenta e quatro anos, amealhando mais vitórias do que derrotas, proeza conseguida por Sarney, realmente é um privilégio e provoca inveja a muita gente. Quem no Brasil, pergunto eu, atingiu essa idade com uma história de vida política tão rica e gloriosa, tendo o mais alto cargo da República como ápice?

Não é por outro motivo que passou a ser hostilizado e receptáculo de ofensas, até mesmo de maranhenses. Alguns por desconhecimento ou ignorância, outros por má-fé e inveja, que tratam de denegri-lo ou de demonizá-lo como se fosse o único responsável pelas mazelas sociais vividas pelo nosso povo.

Os que assim procedem, propositadamente ou não, ignoram o que era o Maranhão antes de Sarney assumir o governo do Estado em 1966, ao vencer uma eleição limpa, democrática e sem auxílio da fraude eleitoral, que campeava à vontade.

Se procurassem saber o que aqui ocorreu, com relação à mudança de mentalidade, modernização da gestão pública e transformação da estrutura sócio-econômica, deixariam de ser tão implacáveis e reconheceriam, como atesta a minha geração, o magnífico trabalho realizado na formatação do Maranhão Novo e notabilizado por obras e serviços do porte do asfaltamento da estrada São Luis-Teresina, da criação de ginásios Bandeirantes, escolas João de Barros, faculdades de Engenharia, Administração, Comunicação e Educação, Televisão Educativa, da construção da barragem do Bacanga, Vila Anjo da Guarda, ponte de São Francisco, porto do Itaqui, da instalação de novos eixos rodoviários, de novas linhas de transmissão de energia elétrica, Companhia de Telecomunicações, sistema de computação, e por aí vai.

Mas o que se vê e ouve é uma acusação sórdida, orquestrada pela mídia nacional, responsabilizando-o pela montagem no Maranhão de uma “oligarquia”, como se esse tipo de governo ainda tivesse lugar no mundo contemporâneo, e por ações praticadas por alguns governadores que o sucederam e não deram continuidade ao que fora implantado, fazendo, ao contrário, o Estado caminhar para trás.

A longevidade de Sarney na cena pública não deve ser creditada apenas à sua capacidade e competência política. Ele chegou a esse estágio de vida, indiscutivelmente, por ser dono de virtudes, qualidades e sentimentos, que o fizeram um homem fora do comum, generoso, amigo dos amigos, e cultor de uma arte que domina com propriedade: conquistar e cativar aliados.

Com tantos e tão valiosos predicados, adquiridos ao longo de sua existência e incorporados à sua personalidade, só poderia ser uma figura humana ímpar e singular. O Maranhão nunca teve um filho que se projetasse no cenário nacional como Sarney. Queiram ou não os seus inimigos e adversários, ele marcou a sua época e nenhum outro maranhense, até hoje, chegou aos seus pés. Pessoas do quilate dele só aparecem de cem em cem anos.

Para chegar aonde chegou e ser o que é, deve-se, sem dúvida, aos seus méritos pessoais e aos valores que abraçou. Seu nome não ficará registrado na história por conta de atos que os desafetos lhe imputam, mas pela visão de estadista, por ser um político competente, inteligente e sagaz, pelas obras que fez ou ajudou a fazer, pela quantidade imensa de amigos que conquistou no país e no mundo, pela generosidade, pelo amor aos livros, pela família que construiu e pela formação espiritual e religiosa.

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