AS FRAUDES QUE MILLET ACABOU

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Com as eleições marcadas para o próximo domingo, os maranhenses, especialmente os que viveram as décadas de 1950 e de 1960, devem ainda reter na memória aquele período nefasto, em que a fraude eleitoral grassava no Maranhão sem dó e piedade.

Foi uma época em que o país inteiro voltava as suas vistas para o nosso estado, então conhecido e cognominado de “Universidade da Fraude”, em que as eleições eram literalmente distorcidas pelos detentores do poder, que em conluio com os magistrados, usavam e abusavam das filigranas da legislação eleitoral, para eleger os que rezavam na cartilha governista e impedir os oposicionistas de enfrentá-los em igualdade de condições.

Eram tempos do chamado mapismo, expediente em que os candidatos dormiam eleitos e acordavam derrotados, pela ação criminosa dos fraudadores que tornavam as eleições viciadas do alistamento à apuração dos votos.

A última eleição no Maranhão em que o mapismo correu solto foi a de 1960, na qual o deputado Clodomir Millet, então candidato das Oposições Coligadas, sofreu esmagadora derrota e imposta por Newton Bello, candidato do PSD, chefiado pelo senador Vitorino Freire.

Clodomir Millet, médico, deputado federal do PSP, era que, em nome das Oposições Coligadas, questionava juridicamente no TRE e no TSE as eleições que conduziram Sebastião Archer da Silva, Eugênio Barros, Matos Carvalho e Newton Bello à chefia do governo do Estado. Ao longo desse tempo, ele acumulou conhecimento da legislação eleitoral e apoderou-se de farta documentação sobre as fraudes, seus promotores e executores.

Tudo começou quando os militares chegaram ao poder e Millet recebeu convite do presidente da República, Castelo Branco para tomar parte num grupo de trabalho para propor modificações na legislação eleitoral e adequá-la à nova realidade brasileira.

Além de contribuir significativamente para a melhoria da legislação eleitoral, o parlamentar maranhense aproveitou a oportunidade para convencer o presidente da República de quanto sofria o Maranhão por conta das fraudes e da imperiosa necessidade de uma revisão eleitoral, para banir das folhas de votação dos municípios as aberrações nelas embutidas pelos políticos do PSD e com o beneplácito de juízes.

Castelo Branco, um udenista de carteirinha, empenhado em expurgar do poder os pessedistas, que os militares responsabilizavam pelos males que o país padecia, ouviu e acatou imediatamente as ponderações de Millet.

Como o país vivia sob o regime de exceção, do Palácio do Planalto foram expedidas na direção do Tribunal Superior Eleitoral recomendações expressas no sentido de ser feito um urgente saneamento eleitoral no Maranhão, de modo a que as eleições de outubro de 1965 ocorressem limpas e sem a distorção da vontade do eleitor.

Em sessão histórica, a 28 de julho de 1964, o TSE, por unanimidade, decidiu dar provimento aos recursos relativos às eleições majoritárias de 1962, contestadas por MIllet, e ainda mandou abrir inquérito para apurar as fraudes praticadas no alistamento eleitoral, na votação e na apuração dos votos.

A 11 de outubro, o Tribunal Regional Eleitoral instala a Comissão de Inquérito e convoca juízes implicados e comprometidos com a fraude. Os depoimentos dos magistrados, no tocante às irregularidades eleitorais, foram tão grosseiros que deixaram tonto o procurador-geral do TSE.

Quatro meses depois, em fevereiro de 1965, o TRE anunciava as irregularidades mais gritantes e apuradas pela Comissão de Inquérito: coincidência de assinaturas no alistamento e nas folhas de votação; eleitores inscritos várias vezes em seções diferentes; eleitores com duplo ou triplo domicílio eleitoral; eleitores mortos ainda nas folhas de votação; menores de idade portando títulos de eleitor.

Realizada a revisão eleitoral em 15 zonas eleitorais, estavam habilitados a participar do pleito de 1965,  291.230 votantes. Dos 497.463 eleitores que votaram em 1962, foram anulados mais de 200 mil votos fantasmas, o que significava uma redução do eleitorado em torno de 58 por cento.

Com esse novo quadro eleitoral, tão esperado e sonhado pelas Oposições, abriram-se as perspectivas para destronar do poder o vitorinismo, que desde a redemocratização do país, elegia os governadores do estado.

E assim aconteceu na sucessão do governador Newton Bello, em outubro de 1965, em que disputaram o pleito os candidatos José Sarney, pelas Oposições, Costa Rodrigues, pelo PDC, com o apoio do governador, e Renato Archer, pelo PTB.

Ao final das apurações, a vitória incontestável de José Sarney, que sem a fraude eleitoral e as propostas de mudança do candidato, que empolgaram o eleitorado, obteve 120.810 votos, enquanto os seus opositores conseguiram 67.971 e 35.840 sufrágios, respectivamente.

 

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BATINA PRETA

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Um padre jovem está chamando as atenções da sociedade de São Luis nos dias atuais.

Não porque venha praticando algum deslize contra a moral e os bons costumes ou infringindo os princípios religiosos que abraçou.

Nada disso. Ele tem atraído os olhares das pessoas que o vêem nas ruas da cidade por um motivo que os sacerdotes aboliram de uns tempos para cá: o uso da batina preta.

Trata-se do padre João Dias Rezende Filho, que não dispensa a batina preta até mesmo nos dias mais ensolarados e quentes.

REI DE FRANÇA

Poe falar no padre João Rezende Filho, ele acaba de lançar um livro em comemoração aos 402 anos de São Luis.

É uma obra pequena, mas importante pelo seu conteúdo e pela biografia de São Luis, Rei de França.

No livro, o padre João revela um fato praticamente desconhecido dos historiadores maranhenses: Nossa Senhora da Vitória é a padroeira da Paróquia da Sé, e São Luis, Rei de França é o padroeiro da cidade e da Arquidiocese de São Luis do Maranhão.

ARTISTA DA TV GLOBO

O fato aconteceu numa cidade do interior do estado e há testemunhas.

Num comício em prol da candidatura de Fábio Gondim a deputado federal, um cabo eleitoral anunciou em palanque um modo inusitado para ele ser votado pelo eleitorado.

Disse em alto e bom som: – Se vocês não votarem no Gondim, ele não se elege e a TV Globo certamente o contratará para trabalhar em novela.

DOUTOR EM GASTÃO

NO comício realizado na semana passada na cidade de Vitorino Freire, o engenheiro Aparício Bandeira, ex-prefeito do município, fez um pronunciamento que deixou Gastão Vieira feliz e empolgado.

Fluentemente, Aparício deu um show ao falar sobre a personalidade do candidato do PMDB ao Senado, ressaltando suas virtudes morais e seu preparo técnico e intelectual.

Ao término do pronunciamento, Aparício recebeu de Gastão um agradecimento especial pelos conhecimentos sobre a sua vida pública e política, que nem o próprio candidato sabia.

VACA CEGA

O eleitorado do Rio de Janeiro e de São Paulo gostam de eleger figuras folclóricas e de nomes extravagantes para cargos eletivos.

É uma maneira de protestar contra os partidos políticos que apresentam nas eleições figuras inexpressivas e caricatas.

Quem assiste aos programas da propaganda eleitoral, sabe quanto é numerosa a presença de candidatos com nomes e apelidos que beiram ao ridículo.

Em São Luis, de todos os que apareceram na televisão nenhum se iguala, em matéria de acinte à seriedade, a um candidato com o apelido de Vaca Cega.

DESFILE DE NULIDADES

Por falar em Vaca Cega, não é possível que alguém esteja satisfeito com o horário eleitoral gratuito, que duas vezes ao dia invade os lares do eleitorado.

Um inconfundível desfile de nulidades se apresenta para ver quem mente mais, fala mais besteira ou faz palhaçada.

Os partidos políticos, a bem da democracia, deveriam exigir dos candidatos no ato de filiação, o mínimo de conhecimento, escolaridade e outros requisitos indispensáveis aos cargos que pretendem desempenhar.

Se essas exigências são feitas para quem deseja um emprego público ou privado, por que não são estendidas aos que desejam ser representantes do povo?

GASTÃO NO LUCRO

AO final da campanha eleitoral, o deputado Gastão Vieira ganhou um  presente de ouro.

A mudança do primeiro suplente de sua chapa ao Senado. A troca de um candidato ficha suja por um jovem de boa índole e sem nódoa política, ajudará o candidato do PMDB a crescer mais ainda junto ao eleitorado maranhense.

José Antônio Heluy para ser um homem público sério e ilibado basta mirar-se no espelho da mãe, a ex-deputada Helena Heluy.

NO MELHOR ESTILO

Ninguém brilhou mais no encontro político do vice-presidente da República, Michel Tamer, com as lideranças que apóiam Lobão Filho, do que o ex-presidente José Sarney.

Do auge de seus 84 anos, Sarney ao pegar o microfone e como o povo à sua frente, retornou aos bons tempos em que comandava a política maranhense com garra e altivez.

Os que o ouviram, na tarde-noite de terça-feira, no Batuque, saíram dali convencidos de que Sarney deveria marcar presença nos comícios que Lobão Filho vem fazendo no interior.

FILHOTISMO

Jamais, em tempo algum, se viu tanto filho de político candidato a deputado federal e estadual como nestas eleições.

Se parte deles se eleger para a Assembleia Legislativa, o tratamento protocolar no plenário, certamente mudará.

Em vez de serem conhecidos pelos nomes, serão chamados de deputados filhos de fulano, sicrano e beltrano.

ANA DO GÁS EM SÃO LUIS

EU não desejava mais falar na candidata Ana do Gás, que, pelo visto será a mais votada, pelo dinheiro que tem derramado na campanha eleitoral.

Na semana passada, a cidade inteira viu como Ana do Gás está com tudo e não está prosa.

Pela carreata que patrocinou em São Luis, com centenas de carros adesivados e o som nas alturas, está investindo alto e que sair daqui bem votada.

BATEU LEVOU

Em pouco tempo usando o twitter como ferramenta de comunicação, o escritor Joaquim Haickel tem mostrado que é um grande esgrimista.

Ultimamente, através das redes sociais, ele bate de frente ao mesmo tempo com vários contendores, usando como arma apenas a palavra, que a emprega de maneira adequada e correta.

Joaquim Haickell, que gosta de polemizar, está sempre pronto a enfrentar, por meio das redes sociais ou da imprensa, com bom senso e coerência, os que pensam intimidá-lo a deixar de defender as posições que assume, nem sempre agradando dento e fora do grupo político a que pertence.

SEM VICE

São poucos os filiados ao Partido da Pátria Livre, razão pela qual o candidato a governador Zé Luiz Lago não encontrou ninguém para ser seu companheiro de chapa.

Resultado: vai concorrer ao pleito sem candidato a vice-governador.

Se for eleito, governará o Maranhão sem a presença, muitas vezes indesejável, do vice.

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OS GOVERNADORES E O SENADO

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Ao longo do governo imperial, os políticos que conquistavam o cargo de senador exerciam-no de modo vitalício. Com a Proclamação da República, os senadores vitalícios deixaram de existir e os mandatos passaram a ser de oito anos, sendo três os representantes por estado, eleitos pelo sufrágio universal direto e secreto.

Mesmo não sendo norma constitucional, virou tradição no país, mercê do fecundo poder imaginativo dos políticos brasileiros, os governadores serem premiados com cargos no Senado da República.

No Maranhão, no período da Velha República, de 1889 a 1930, Benedito Leite, o grande nome da política maranhense, que brilhou no começo da República, foi o único que fez este caminho em sentido inverso: primeiro foi senador e depois governador (1906 a 1910), mas sem cumprir o mandato integralmente, pois faleceu em 1908, vítima de grave enfermidade em Paris.

Depois de Benedito Leite, o almirante Manuel Inácio Belfort Vieira, nomeado várias vezes governador, nos primórdios do regime republicano, chegou Senado e exerceu o mandato de 1908 a 1909.

Outro político maranhense, que se tornou figura de realce no cenário nacional, Urbano Santos, a ponto de ser ministro da Justiça, vice- presidente da República, e duas vezes governador, representou o Maranhão no Senado no período de 1906 a 1914.

Alexandre Colares Moreira Junior, presidente da Câmara, prefeito de São Luis, governador de 1902 a 1906, elegeu-se senador em 1909, na vaga de Gomes de Castro, que falecera. Renunciou ao mandato em 1910.

Godofredo Viana, deputado federal e governador de 1922 a 1926, ao deixar o governo foi para o Senado, mas teve o mandato interrompido pela Revolução de 1930.

José Maria Magalhães de Almeida, substituto do governador Godofredo Viana, também se elegeu senador. Seu mandato foi extinto pela Revolução de outubro de 1930.

O vice-governador Antônio Brício Araújo, irmão de Urbano Santos, ocupou interinamente o governo, ganhou o cargo de senador, mas renunciou para possibilitar a eleição do comandante Magalhães de Almeida.

Com a Revolução de 1930, Getúlio Vargas instalou um regime ditatorial, com a duração de 15 anos, tempo em que o país ficou sem Poder Legislativo. Após a restauração da democracia em 1945, o Brasil voltou a contar com os três poderes constitucionais.

Nessa nova fase institucional do país, o primeiro governador a ser eleito para representar o Estado no Senado da República, foi Sebastião Archer da Silva. O Maranhão, sob o domínio do vitorinismo e a égide do PSD, deu ao industrial de Codó dois mandatos de senador: de 1954 a 1962 e de 1963 a 1971.

Depois de Archer da Silva, o governador que o sucedeu, Eugênio Barros, também se elegeu senador. Cumpriu o mandato de 1959 a 1967. Nas eleições de 1966, já na era sarneísta, tentou a reeleição ao Senado, mas sem sucesso. Perdeu para o deputado Clodomir Millet.

Ainda na fase vitorinista, depois de Eugênio Barros, assumiram o governo Matos Carvalho e Newton Bello. Por cumprirem o mandato até o final do exercício, não se candidataram ao Senado.

O governador que sucedeu a Newton Bello, José Sarney, renunciou ao governo para ser candidato a senador em outubro de 1970.  Pelo Maranhão, Sarney cumpriu dois mandatos no Senado. No exercício do segundo mandato, candidatou-se a vice-presidente da República, vindo a assumir a Presidência após a morte de Tancredo Neves, em 21 de abril de 1985.

Com a deposição do presidente João Goulart, em março de 1964, os militares assumem ao poder e introduzem uma série de atos institucionais, com vistas à instalação no país de um regime ditatorial. O AI-3, baixado a 5 de fevereiro de 1963, determina que as eleições seriam  indiretas e os governadores eleitos pela maioria dos membros das assembléias legislativas dos estados.

Dos três governadores, eleitos por via indireta, Pedro Neiva de Santana, Nunes Freire e João Castelo, só o último candidatou-se a senador, elegendo-se para o mandato de 1983 a 1991.

Na volta das eleições diretas de governadores, dentro do processo da distensão lenta e gradual do regime militar, Luiz Rocha elege-se em 1982 pelo PDS, mas como fica no governo até o fim do mandato, desiste da candidatura ao Senado.

Quem o sucede é o ex-prefeito de São Luis, Epitácio Cafeteira. Em 1986, é eleito governador pelo PMDB, com o apoio de José Sarney. Cafeteira renuncia ao governo em 1990, candidata-se a senador e elege-se para o mandato de 1991 a 1999. O sucessor de Cafeteira, o vice, João Alberto, nas eleições majoritárias de 1998, disputa o cargo de senador, ganha e exerce o mandato de 1999 a 2007.

No pleito de 1990, Edison Lobão elege-se governador, mas em 1994 afasta-se do governo e se elege ao Senado.  Para o lugar de Lobão, Roseana Sarney é eleita governadora em 1994 e reeleita em 1998. Em 2002, desincompatibiliza-se do cargo e elege-se senadora para o mandato de 2003 a 2010, mas renuncia em 2009 para assumir novamente o cargo de governadora, face à cassação do mandato de Jackson Lago.

O ex-governador José Reinaldo Tavares disputa em 2010 as eleições para o Senado, mas foi derrotado.

Este ano, como a governadora Roseana Sarney desistiu de concorrer ao Senado, disputam o cargo de senador os candidatos Gastão Vieira e Roberto Rocha, sem que tenham governado o Maranhão. Estou absolutamente convicto de que o vitorioso é Gastão Vieira, o melhor quadro político que temos atualmente no estado.  Não sou profeta, mas Gastão seguirá os passos de Benedito Leite: antes de ser governador, elegeu-se senador. Como dizia Líster Caldas: Quem viver verá.

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CANDIDATO DO PV

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Analistas políticos, que avaliam o desempenho dos candidatos às eleições presidenciais, dizem que o candidato do PV, Eduardo Jorge, é o que melhor tem se apresentado nos programas eleitorais.

No Maranhão, contudo, a excelente performance do candidato,  tem passado batida pelo PV.

Os verdes maranhenses sabem que Eduardo Jorge não tem chance de se eleger, por isso o deixaram de lado e correm atrás dos candidatos presidenciais com possibilidade de ganhar.

CANDIDATO MARANHENSE

Há um maranhense disputando no Rio de Janeiro as eleições deste ano.

O advogado Wady Damous, filho de tradicional família de Cururupu.

Ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil é candidato a deputado federal e com boa possibilidade de se eleger.

ASSEMBLEIA DE DEUS

No Maranhão, nunca se viu tanto pastor evangélico disputar cargo político como este ano.

Em todos os partidos existem dois ou mais candidatos a deputado estadual.

Se a metade deles se eleger, a Assembleia Legislativa se transformará em Assembleia de Deus.

EXIGÊNCIA DE GULLAR

O poeta Ferreira Gullar já concordou tomar posse na Academia Brasileira de Letras com o tradicional fardão.

Mas para os convidados que vão assistir a sua posse ele fez uma exigência e a Casa de Machado de Assis já aquiesceu.

Em vez do tradicional smoking, poderão assistir a solenidade de terno completo.

JÚLIO IGLESIAS EM BRASÍLIA

As fãs maranhenses do cantor Júlio Iglésias não se conformam que esta seja a última vez que cantará no Brasil.

Sempre que o artista espanhol se apresenta no Brasil, elas, comandadas por Amélia Buzar, viajam para ouvi-lo e aplaudi-lo

Este ano, além de assistirem ao show do cantor em Brasília, entregarão a ele uma carta em que pedem para vir a São Luis, onde nunca se apresentou.

POETA CASSAS

Os meios intelectuais de São Luis estão sem ver o poeta Luiz Augusto Cassas há algum tempo.

Ele resolveu este ano passar uma temporada em São Paulo, para cuidar da saúde.

Só no começo de 2015, Cassas pretende voltar a São Luis, mas plenamente reabilitado e pronto para dar continuidade a sua extraordinária produção poética.

O ACADÊMICO HAIKEL

O acadêmico Joaquim Haickel presta grande colaboração ao candidato Lobão Filho nessa fase pré-eleitoral.

Desde que começou a campanha, dá tempo integral no escritório do candidato do PMDB.

Só uma tarde Haickel deixa Lobão Filho na mão: às quintas-feiras, para participar religiosamente das reuniões da Academia Maranhense de Letras.

VENDA DE VOTOS

No programa Fantástico de domingo passado, novamente o Maranhão foi citado como mau exemplo.

Desta feita, sobre a compra de votos em Codó e Bom Jesus das Selvas.

A reportagem mostrou explicitamente os prefeitos daqueles municípios realizando a abominável comercialização do voto, processo que a lei pune de modo rigoroso, mas, no Maranhão, continua em uso por candidatos inescrupulosos.

MUSEU SACRO

A igreja da Sé é um dos monumentos mais procurados pelos turistas que visitam São Luis.

Com a reforma nela executada, e a inauguração do Museu de Arte Sacra, os turistas terão agora a oportunidade de ver um dos mais belos acervos religiosos do passado e abrigado no Maranhão.

No Museu de Arte Sacra, instalado num ambiente adequado, estão expostas as belas e ricas peças de grande valor artístico que a igreja católica acumulou ao longo do tempo.

O Maranhão que já deve muito a Kátia Bogéa, superintendente do Instituto Histórico e Artístico Nacional, com a inauguração do Museu de Arte Sacra, ficou mais endividado, pelo que ela vem fazendo pela recuperação de nosso patrimônio cultural.

CARA DE PAU

Só no Maranhão acontecem fatos dessa natureza.

Um candidato a deputado federal exerceu tempos atrás o cargo de secretário de Esportes e na sua gestão, irresponsavelmente, demoliu literalmente o Ginásio Costa Rodrigues. E o mais grave, recebeu de uma vez só o dinheiro para reconstruí-lo e não fez nada nesse sentido.

Pois não é que agora nos programas de propaganda eleitoral, com a maior cara de pau, ele diz que vai construir no interior do estado várias quadras esportivas.

Se for com o dinheiro que ele recebeu e não aplicou, o povo agradece.

DESEMBARGADOR NA TV

A sentença do desembargador Lourival Serejo, reconhecendo o direito da amante de receber parte da herança do marido, continua repercutindo no Brasil afora.

Na semana passada, ele apareceu no programa “Encontro”, da apresentadora Fátima Bernardes, falando sobre o controvertido assunto.

Pelos numerosos telefonemas e e-mails recebidos, Serejo entrou em contato com a apresentadora da TV Globo, para agradecer e dizer que a audiência do seu programa em todo o país é fantástica.

EMPRESARIADO E CANDIDATOS

O encontro dos empresários maranhenses com os candidatos Lobão Filho e Flávio Dino, realizado na Federação das Indústrias do Maranhão, foi diferente de todos os outros.

O deste ano foi marcado pela firmeza do empresariado com relação a uma questão que vem se arrastando ao longo do tempo.

O presidente da Fiema, Edilson Baldez, disse aos candidatos, com clareza e sem hesitação, que as forças produtivas do Maranhão não aceitarão mais os procedimentos do passado, em que os eleitos deixam de ouvi-los ou de chamá-los a opinar a respeito de assuntos que dizem aos problemas econômicos do estado.

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A POETISA DA MINHA TERRA

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No dia de hoje, há 54 anos, morria na minha cidade, a poetisa Marina Luz, morte que até hoje o Itapecuru lamenta e chora.

Sua importância intelectual e educacional sempre será lembrada, ainda que em vida não tenha sido compreendida, especialmente pelas autoridades municipais, que não lhe dispensaram um tratamento à altura da obra que construiu no campo da poesia e do ensino.

Esse tratamento, indiscutivelmente discriminatório, deve-se ao fato de ter sido uma mulher de origem humilde, pobre, descendente de escravos e feia.

Por incrível que pareça, Mariana Luz ou Siá Nica, como era chamada, só começou a ser olhada de outra maneira quando a cidade foi administrada por um prefeito não itapecuruense: Bernardo Tiago de Matos, nomeado pelo interventor Paulo Ramos, na época do Estado Novo, para comandar os destinos da terra de Gomes de Sousa, no período de 1943 a 1945.

Foi esse prefeito que ao ver a situação de penúria em que vivia a poetisa e das condições desumanas em que morava – um casebre sem as mínimas condições de habitação – decidiu mobilizar a população e com os parcos recursos da prefeitura, deu a ela uma casa para viver os anos que lhe restavam, de modo mais saudável e digno.

A nova casa de Mariana Luz, construída na Rua Caiena, que, em função da urbanização da cidade, transformou-se na moderna Avenida Brasil, após a morte da poetisa, teve um destino que ela jamais poderia imaginar. Sendo visceralmente religiosa e devota de Nossa Senhora das Dores, deixou registrada em cartório a transferência da casa para o patrimônio da igreja, após o seu falecimento.

Todos os padres que passaram pela paróquia de Itapecuru, respeitaram a vontade da poetisa, à exceção de um dos últimos, o trêfego Raimundo Baiano, que não tinha pelos afazeres sacerdotais o mesmo desvelo que dedicava ao dinheiro. Foi ele que, à revelia do bispo da diocese, a quem devia subordinação hierárquica, vendeu a casa para um empresário da cidade, que a derrubou e a trans formou num imóvel comercial. Pena que o prefeito da época, Miguel Lauande, não tenha tido a coragem de desapropriá-la antes que fosse destruída.

Boa parte da vida de Mariana Luz foi voltada para a publicação de um pequeno, mais valioso livro, sobre suas produções literárias. As autoridades municipais e estaduais sempre fizeram ouvido de mercador aos seus apelos. Até ao governador de São Paulo, Ademar Barros, ela, em outubro de 1953, mandou uma carta nesse sentido. Também em vão. O governador paulista respondeu-lhe que não poderia atendê-la por conta dos compromissos assumidos com os agentes culturais de sua terra.

Só nos meados dos anos 1950, depois de sua eleição para a Academia Maranhense de Letras, viu transformado em realidade seu tão sonhado desejo. A iniciativa da publicação do livro “Murmúrios” partiu do Centro Acadêmico Clodomir Cardoso, da Faculdade de Direito de São Luis, e do Orbis Clube de São Luis, atendendo a um apelo do escritor Bernardo Coelho de Almeida.

Em 1990, eu encontrava-me à frente da Secretaria da Cultura do Estado do Maranhão quando soube que o livro de Mariana Luz estava esgotado. Após muita procura, achei um exemplar em Itapecuru. Imediatamente providenciei a reedição da obra.

Ao reeditar “Murmúrios”, tratei de homenagear a minha terra, mas principalmente à inesquecível poetisa e professora, da qual tive a ventura de ser aluno numa das fases mais importantes da vida – a infância- quando fui por ela alfabetizado.

Dela guardo indeléveis recordações, sobretudo quanto à maneira de ensinar e tomar as lições dos alunos. Sentava-se à cabeceira de uma comprida mesa, onde, compenetrada e plena de autoridade, avaliava rigorosamente o desempenho de cada discípulo.

Naquela época, dado à minha pouca idade, não tinha a menor idéia de quem era aquela mulher, que se escondia por trás de uma incrível modéstia. Só anos mais tarde, no fulgor da juventude, pude realmente compreender e ter a dimensão verdadeira do seu valor intelectual e do que representava no cenário cultural do Maranhão.

Por conta de sua extraordinária bagagem literária, que levou o escritor Coelho Neto, em 1899, a visitar a Itapecuru só para conhecê-la pessoalmente, a Academia Maranhense de Letras, por iniciativa do intelectual Sousa Bispo, elegeu-a para integrar a instituição.

A solenidade de posse realizou-se a 10 de maio de 1949, com a presença do governador Sebastião Archer da Silva, sendo saudada pelo acadêmico Mário Meireles.

Em homenagem à insigne poetisa, quando da fundação da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes, em 7 de dezembro de 1911, como presidente da instituição, fiz questão de o seu o nome  ser glorificado à condição de patrona.

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FERIADOS INCONSTITUCIONAIS

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Duas leis, uma votada pela Câmara Municipal de São Luis, outra aprovada pela Assembleia Leguislativa, estão atravessadas na garganta do empresariado de São Luis. A aprovada pelos vereadores, que instituiu 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, como feriado municipal, a Associação Comercial do Maranhão questionou e derrubou na Justiça, por considerá-la inconstitucional e matéria de competência da União. A votada pela Assembleia Legislativa, que considera feriado bancário o dia 28 de agosto, também deve ser questionada pela ACM na Justiça, no suposto de ser também inconstitucional.

REI MIDAS O empresário Ilson Mateus está sendo considerado como o novo Rei Midas do Maranhão. Ao inaugurar o mais novo empreendimento empresarial do grupo que comanda na Rua das Cajazeiras, que de uns tempos para cá deixara de abrigar lojas de grande monta, Ilson Mateus mostra que é um predestinado para o sucesso. A construção de um supermercado numa rua esquecida e sem atrativo comercial, que vem atraindo consumidores de todas as partes da cidade, comprova que onde Ilson coloca o dedo o negócio vira ouro.

INAUGURAÇÃO DA FÁBRICA A Superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Maranhão, Kátia Bogéa, e o reitor da Universidade Federal do Maranhão, Natalino Salgado, chegaram a um consenso quanto à inauguração da Fábrica Santa Amélia: dezembro deste ano. Os procedimentos técnicos foram definidos e garantidos os recursos financeiros para a conclusão da recuperação de um dos imóveis mais bonitos de São Luis. Depois de pronta, a Fábrica Santa Amélia se constituirá numa das atrações turísticas de cidade e a UFMA a destinará ao preparo dos profissionais de hotelaria e turismo.

TREM PAGADOR Em política, chama-se trem pagador o candidato que derrama dinheiro à vontade com o intuito de se eleger a qualquer custo. Na campanha eleitoral deste ano dois candidatos estão inflacionando o processo eleitoral e levando o preço do voto às alturas: Ana do Gás Josimar do Maranhãozinho. Pelo que se sabe, para se elegerem deputados estaduais não medem sacrifícios e não querem saber o preço do voto

. OS LAGOS NA ELEIÇÃO A família Lago não está unida em torno de um só candidato, mas quer eleger um de seus membros e tê-lo como representante na política maranhense. Nada menos do que cinco Lagos concorrem aos cargos eletivos no pleito deste ano. Zé Luis, irmão de Jackson, quer ser governador; Igor, filho, e Luiza, sobrinha de Jackson, desejam o cargo de deputados federais; e Marcos e Ricardo Lago, primos de Jackson, aspiram ser deputados estaduais.  ADESÕES A GASTÃO No Maranhão inteiro o crescimento da candidatura de Gastão Vieira a senador cresce a olhos vistos. Em São Luis, então, o fato é espantoso. Dificilmente algum eleitor deixará de votar nele, por reconhecê-lo como um candidato preparado, experiente e testado pela competência e seriedade. Mas não é apenas em São Luis que Gastão conquistará uma votação extraordinária. No interior do estado, também, a sua vertiginosa subida nas pesquisas é incontestável. Não será surpresa se ele não for o candidato ao Senado mais votado em Imperatriz, reduto reconhecidamente oposicionista.

CANDIDATOS Á ACADEMIA Na semana passada, a Academia Maranhense de Letras deu por encerrado o prazo de inscrição às cadeiras que tiveram como últimos ocupantes os intelectuais José Chagas e Ubiratan Teixeira. Três candidatos inscreveram-se. Para a vaga de José Chagas, o erudito músico Turíbio Santos. Para a vaga de Ubiratan Teixeira, o escritor José Neres e o historiador João Renor. O presidente da AML, Benedito Buzar nomeou a comissão composta dos acadêmicos, Luis Phelipe Andrés, José Carlos Silva e José Ewerton, para oferecer parecer sobre os candidatos inscritos, no prazo de trinta dias.

PERFIS ACADÊMICOS Nos últimos anos, quem sempre cuidou de preparar e editar os “Perfis Acadêmicos” da Academia Maranhense de Letras foi o escritor Jomar Moraes. Para a alegria dos membros da Casa de Antônio Lobo acaba de sair a quinta edição dos Perfis Acadêmicos, caprichosamente organizada pelo competente Jomar. Nesta nova edição, uma novidade: a relação, ilustrada com fotos, dos patronos e membros correspondentes da AML.

REITOR DA UEMA A governadora Roseana Sarney, em respeito à maioria da comunidade acadêmica da Universidade Estadual do Maranhão, nomeou os professores Gustavo Costa e Walter Canales reitor e vice-reitor, para o mandato de 2015 a 2018. A governadora, sintonizada com os 74 por cento da preferência acadêmica, não vacilou na nomeação dos novos dirigentes da Uema, que deverão continuar o trabalho profícuo do professor José Augusto Oliveira, que a conduzia em harmonia com os novos tempos em que vive o Maranhão. O professor Gustavo Costa, um dos melhores quadros da instituição, terá oportunidade de à frente da reitoria da Universidade Estadual do Maranhão, de dar a ela os instrumentos que ainda carecem para torná-la mais presente e forte na formação das novas gerações.

PALESTRA NA CNI O presidente da Federação das Indústrias do Maranhão, Edilson Baldez, participou em Belo Horizonte da reunião da Confederação Nacional da Indústria, que teve como ponto alto a presença da presidente Dilma Roussef. Na reunião, Dilma falou sobre o seu governo e as mudanças que fará na política econômica do país, caso se reeleja. Na reunião do dia 10, na Fiema, Baldez, que será o anfitrião do encontro com os candidatos a governador, Lobão Filho e Flávio Dino, levará ao conhecimento do empresariado maranhense sobre o que ouviu na reunião de Belo Horizonte.

SOM DE MARINA Nesta última semana, os primeiros carros de som dos candidatos à presidência da República ganharam as ruas de São Luis. A candidata Marina inaugurou essa peregrinação para conquistar o eleitorado maranhense. Os que apóiam a sua candidatura querem divulgar o seu nome em todas as cidades do Maranhão. A partir desta semana, devem também aparecer nas ruas de São Luis carros de som dos candidatos Dilma Roussef e Aécio Neves, na tentativa de neutralizarem o que tem se visto em outros estados brasileiros, onde a candidatura de Marina Silva ganhou rápida musculatura.

LIVRO DE ELIÉZER Um novo livro do intelectual Eliezer Moreira circula na cidade: “Memória da Família”. No livro, o autor relata a genealogia familiar dos ramos que compreendem os ascendentes, descendentes e colaterais seus e das mulheres que conviveu conjugalmente. No prefácio, Eliézer diz que fez o livro para atender a curiosidade das filhas em saber sobre laços de parentesco existentes com personagens de nomes familiares ou assemelhados.

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DO PAI E DO FILHO

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Ao contrário de muita gente, que não gosta dos programas da Justiça Eleitoral e por isso desliga o aparelho de televisão, assisto-os diariamente e mantenho-me atento ao que os candidatos expõem a respeito de suas vidas e de seus projetos políticos.

Mesmo achando-os despreparados e sem mensagem política, salvo poucas e honrosas exceções, dedico bom tempo a ouvi-los para saber o que pretendem fazer caso se elejam e obtenham o mandato popular.

Como acompanho a vida política do Maranhão há alguns anos e conheço as origens dos candidatos (nem todos, é claro) que concorrem às eleições deste ano, julgo-me capaz e apto a fazer comentários e ilações a respeito do que falam e de suas apreciações sobre a política maranhense, sobretudo quando se referem a um passado não tão remoto e ainda presente na memória de grande parte do eleitorado.

Na semana passada, por exemplo, ouvi atentamente o vice-prefeito de São Luis, Roberto Rocha, que já cumpriu alguns mandatos de deputado estadual e federal, deblaterar a triste situação em que vive o Maranhão, segundo ele, sob o domínio de uma oligarquia que há anos maltrata o povo e que o conduziu à miséria e ao abandono social.

Roberto Rocha fez tal afirmação num programa de rádio e televisão, sendo ouvido e visto por numerosos eleitores que ainda lembram e sabem que o seu saudoso pai, Luiz Rocha, teve participação ativa e efetiva numa “oligarquia”, que o filho abomina e censura.

Foi nessa “oligarquia” que Luiz Rocha começou a sua vida pública e obteve o seu primeiro mandato de vereador à Câmara Municipal de São Luis, pela UDN, partido presidido por José Sarney. Pela sua vibrante atuação parlamentar, por pouco não foi cassado pelo movimento militar de 1964. Quem o livrou de perder o mandato foi Sarney, graças ao prestígio e as amizades que desfrutava em Brasília.

Após cumprir o mandato de vereador, Sarney, já então governador, fez de Luiz Rocha deputado estadual, pela Arena, mandato que desempenhou em duas legislaturas na Assembleia Legislativa, onde se destacou pela bravura e defesa dos interesses políticos de seu ídolo e líder. Da Assembleia Legislativa, foi alçado à Câmara dos Deputados, sempre pelas mãos de Sarney, e eleito com votações consagradoras para os mandatos de 1974-1978 e 1978-1982. No Congresso Nacional, também por indicação do amigo e protetor foi vice-líder do Governo.

No segundo mandato de deputado federal começou a construir a sua caminhada de candidato a governador do Estado. Sarney deu-lhe liberdade para viabilizar sua candidatura às eleições de 1982, à sucessão do governador João Castelo, o qual, direta e frontalmente se opunha à pretensão de Luiz Rocha, por achá-lo despreparado para o exercício do cargo. (Os jornais da época estão aí para comprovar).

Como bom sertanejo, Luiz Rocha passou por cima de tudo e tendo, ademais, como aliado Dona Marly Sarney, conseguiu consolidar-se candidato a governador pelo PDS, numa eleição que voltara a ser direta e enfrentando Renato Archer, indicado pelo PMDB.

Eleito, antes de assumir, mobilizou a sociedade maranhense com vistas à elaboração do seu Plano de Governo, iniciativa louvada e realizada por meio de seminários e abarcando os diversos setores públicos e privados, para o atendimento de suas postulações e reivindicações.

Mas se Luiz Rocha teve habilidade e competência para fazer-se candidato a governador, o mesmo não se pode dizer ao assumir o governo do Estado. Em pouco tempo no cargo, passou a cuidar mais de seus interesses particulares do que do povo que o elegeu. Ficava mais tempo em suas fazendas em Balsas do que no Palácio dos Leões.

Resultado: a máquina administrativa ficou à deriva e o seu Plano de Governo, feito com a participação da sociedade, foi colocado de lado e desperdiçado, pois não aproveitou o grande momento vivido pelo Brasil, que saíra do regime militar e reconquistara a democracia, no bojo da qual a Nova República veio à tona, com José Sarney no comando, oportunidade ímpar para o Maranhão dar a volta por cima e ele, Luiz Rocha, deixar o governo com enorme popularidade e pronto para cumprir outras jornadas políticas.

Luiz Rocha acabou o seu mandato melancolicamente. Não rompeu com Sarney e nem se candidatou ao Senado, como fizeram seus antecessores. Por não concordar com a candidatura de Cafeteira à sua sucessão, cruzou os braços e não moveu uma palha. Pagou um preço alto por isso. Cafeteira humilhou-o no momento de receber o cargo. Exigiu a sua saída do Palácio dos Leões antes de ser empossado governador.

É uma pena que Roberto Rocha tenha chegado à maturidade e pleiteando um cargo de alta envergadura política, sem conhecer a trajetória pública do pai, que começou e terminou ao lado de Sarney, ao qual sempre prestou lealdade e fidelidade política.

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BALLET RUSSO

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Uma das mais tradicionais companhias de dança do mundo, o Ballet Nacional da Rússia, desembarca em setembro para fazer duas apresentações em São Luis.

Os espetáculos serão encenados no Teatro Artur Azevedo dias 20 e 21 do mês entrante.

O Ballet Nacional da Rússia trará a São Luis 40 solistas e apresentará o Lago dos Cisnes completo.

ENCONTRO DE CANDIDATOS

O empresariado maranhense não pretende fazer debate com os candidatos ao cargo de governador.

Em lugar de debate, os candidatos Edson Lobão Filho e Flávio Dino foram convidados a participar de um encontro na Federação das Indústrias do Maranhão, no dia 10 de setembro.

Os empresários não desejam apenas ouvi-los. Querem também interrogá-los sobre os principais problemas econômicos do estado e como pretendem enfrentá-los em suas gestões.

HISTÓRIA DO COMÉRCIO

Por ocasião da celebração dos 160 anos da Associação Comercial do Maranhão, o reitor da Universidade Federal, Natalino Salgado, foi o grande homenageado do evento ao receber a maior comenda da entidade.

Na noite da homenagem o reitor proporcionou grande alegria à diretoria da ACM, ao anunciar que autorizara a gráfica da Ufma a reeditar os quatro volumes da História do Comércio do Maranhão.

Os três primeiros volumes foram escritos pelo professor Jerônimo Viveiros e o quatro pelo professor Mário Meireles.

VITORINISMO E GEIA

O lançamento da reedição de “O Vitorinismo”, livro da autoria do jornalista Benedito Buzar, estava previsto para o Festival Geia de Literatura, realizado neste final de semana em São José de Ribamar.

Problemas técnicos impediram o lançamento da obra no evento ribamarense.

Tudo indica que no começo de outubro, o livro de Buzar, reeditado pelo Instituto Geia, estará pronto e no ponto de ser adquirido pelos pesquisadores e estudiosos da vida política do Maranhão.

FILHOS DE POLÍTICOS

Nas eleições deste ano, há que registrar um significativo número de candidatos jovens.

São filhos de ex-prefeitos e de ex-deputados, que abandonaram a vida pública, mas querem passar o bastão aos herdeiros.

Não se sabe se esses jovens estão preparados para o exercício do mandato popular. Dizem que alguns querem efetivamente prestar serviços ao povo; outros, contudo, só pensam nas maracutaias.

PALESTRA SOBRE ODILO

Nesta quinta-feira, às 18 horas, as portas da Academia Maranhense de Letras estarão abertas para receber os admiradores do acadêmico e professor Antônio Martins Araújo.

Ele profere palestra sobre o poeta e escritor maranhense Odilo Costa, filho, que este ano completa centenário de nascimento.

Martins de Araújo mostrará a grande contribuição de Odilo à literatura nacional.

CANDIDATOS FOLCLÓRICOS

Como acontece em todas as eleições, a deste ano não foge à regra.

Bastou que os programas da Justiça Eleitoral, através das emissoras de rádio e televisão, fossem ao ar para o eleitorado maranhense ver a grande quantidade de candidatos folclóricos que disputa o pleito.

Grande parte é conhecida, pois fazem da galeria dos derrotados em eleições passadas.

São candidatos apenas para aparecer na televisão e para fazer graça. Na relação dos folclóricos, estão Feliciano do Bombom, Teresinha do Guaraná, Gato Felix, Maria da Fita, Feio, Junior da Caçamba, Augustin Karrara, Luis Karabina, Pirrita, Romualdo das Loterias, Foca e Ivan do Saborear.

PEDIDO DE ELEITOR

O deputado Sarney Filho em campanha no interior do estado ouviu este ano um pedido singular.

Um eleitor, que se fazia acompanhar da filha, ainda bem jovem, disse-lhe: – Deputado, eu voto no senhor se realizar um sonho meu.

Sarney Filho, para não perder o voto, perguntou ao eleitor qual era o seu sonho. Resposta: – Que o seu pai aprove a minha filha no vestibular de medicina.

RECUPERAÇÃO DA SÉ

Arquitetos americanos e brasileiros vieram a São Luis ver o andamento das obras de recuperação da Igreja da Sé, obra a cargo da Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico no Maranhão.

Saíram daqui impressionados com o trabalho de recuperação feito em tempo recorde e elevado nível técnico, e com a mão de obra contratada pelo Iphan, a grande maioria da cidade de Barra do Corda, considerada de primeira qualidade.

A inauguração da recuperação da Igreja da Sé deve ocorrer no dia 10 de setembro.

LIVROS DE SARNEY

Acabam de ter suas reedições dois livros da autoria do escritor José Sarney, que estavam esgotados.

Os romances Saraminda e O Dono do Mar, que podem ser encontrados na livraria da Academia Maranhense de Letras.

O livro da escritora Regina Echeverria, que trata da biografia de Sarney, também se encontra disponível na AML.

PALETÓ E GRAVATA

O senador José Sarney, sempre que o tempo lhe sobra, acompanha os programas dos candidatos veiculados pela mídia eletrônica.

Ele tem gostado dos produzidos pelo jornalista Ronald Carvalho, que em São Luis cuida dos programas do candidato a senador, Gastão Vieira.

Sarney, como veterano político e representante do povo maranhense no Senado, acha que as aparições de Gastão no vídeo, em função do cargo o que disputa devem ser de paletó e gravata.

FEIRA DO LIVRO

Nesta quinta-feira, o coordenador da Feira do Livro, Celso Borges, participou da reunião da Academia Maranhense de Letras.

Por mais de uma hora, Celso falou sobre as alterações feitas no evento deste ano a ter lugar no Convento das Mercês.

Ao longo do encontro, o coordenador da Feira do Livro ouviu sugestões dos acadêmicos e que serão incluídas na programação do evento, que acontecerá na última semana de outubro.

DESEMBARGADORA NO COMANDO

É tido como certo o pedido de licença da governadora Roseana Sarney por quinze dias, a fim de participar direta e efetivamente da campanha do candidato Lobão Filho à sua sucessão.

Em isso acontecendo, quem assume o cargo é a presidente do Poder Judiciário, Cleonice Freire.

A última vez que um presidente do Tribunal de Justiça assumiu o cargo de governador, por licença do titular, deu-se em 1990, quando João Alberto licenciou-se e transferiu o governo para o desembargador Emésio Araújo.

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MOMENTOS DE VARGAS NO MARANHÃO

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Há 60 anos, na madrugada de 24 de agosto de 1954, uma tragédia abalou o Brasil inteiro: o presidente Getúlio Vargas surpreende com o gesto extremo do suicídio, ato praticado no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro.

Pela segunda vez, ele comandava a nação brasileira não em função de um movimento revolucionário como o de outubro de 1930, mas pela grande e esmagadora vontade popular que o elegeu em outubro de 1950.

Vargas suicida-se por não resistir à violenta campanha das forças políticas retrógadas, que não concordavam com um governo que empreendia ações em favor dos mais humildes e pela libertação econômica do Brasil.

Morto, legou ao povo brasileiro uma carta-testamento, na qual registrou explicitamente as razões que o levaram a deixar a vida para entrar na história.

Nos dois momentos em que governou o Brasil, Vargas teve participação ativa na vida política do Maranhão.

No período de 1930 a 1945, por conta dos poderes extraordinários que o movimento revolucionário colocou em suas mãos, a ele foi atribuída a faculdade de nomear os interventores estaduais. Para governar o Maranhão, Getúlio nomeou cinco interventores: Luso Torres, Reis Perdigão, Astolfo Serra, Seroa da Mota e Antônio Martins de Almeida.

Passada a fase dos interventores, o governo maranhense foi exercido pelo cientista Aquiles Lisboa, eleito indiretamente pela Assembleia Legislativa, com o apoio dos partidos locais.

Mas o novo governante, por lhe faltar habilidade política, acabou batendo de frente com os interesses dos chefes partidários, que passaram a mover contra ele ações visando desestabilizá-lo e a expurgá-lo do poder.  Resultado: a Assembleia Legislativa, que em 1935 preparava a nova Constituição do Estado do Maranhão, dividiu-se e o impasse político veio à tona, levando a questão a ser discutida no Tribunal de Justiça.

Depois de mais de um ano de turbulência política, em que recursos de todas as naturezas foram impetrados no Poder Judiciário, sem que o mesmo se manifestasse por estar dividido em torno do assunto, as forças empresariais solicitaram ao presidente Getúlio Vargas a decretação da intervenção federal no Maranhão, para a restauração da paz política e a reativação dos negócios produtivos, que ameaçavam prejudicar a vida da população.

No dia 14 de junho de 1936, desembarca em São Luis o major Carneiro de Mendonça, nomeado por Vargas ao cargo de interventor no Maranhão, antes que a Assembleia decretasse o impeachment do governador Aquiles Lisboa.

O oficial do Exército só deixou a interventoria em julho de 1936, após a restauração da ordem pública e da eleição pela Assembleia Legislativa do governador Paulo Ramos, maranhense e alto funcionário do ministério da Fazenda, escolhido por Getúlio e aceito pelas correntes políticas do Maranhão.

Com a instalação do Estado Novo, Vargas, com os poderes ditatoriais     em suas mãos, mantém Paulo Ramos à frente dos destinos do Maranhão, mas com as atribuições de interventor, que, como tal, exerce o poder até maio de 1945, quando renuncia ao cargo que ocupava desde 1936, ao longo do qual empreendeu obras importantes, especialmente em São Luis, urbanizando-a e modernizando-a, mas, também, agia com mão de ferro em casos em que o regime ditatorial exigia rigor e prepotência.

Outro momento importante em que Getúlio Vargas interferiu na vida política maranhense ocorreu em 1951, por ocasião do movimento popular de contestação à diplomação e posse do governador Eugênio Barros, do PSD.

Com as atividades públicas e privadas  paralisadas, em face do movimento grevista, que impedia o governador de tomar posse, direito que o Tribunal Superior Eleitoral assegurara por conta do julgamento dos processos da eleição de Eugênio Barros, considerados legítimos e legais e não resultado de fraude eleitoral, as Oposições Coligadas resolvem pedir insistentemente ao presidente da República a decretação de nova intervenção federal no estado.

Como Vargas em 1951 exercia o governo não de forma ditatorial, mas em harmonia com os ditames da Constituição promulgada em 1946, manda a São Luis o seu ministro da Justiça Negrão de Lima, para ver com os próprios olhos a situação que atravessava o Maranhão e sugerir medidas para o governo federal acabar com a crise política que ameaçava não ter fim.

Depois de conversar com lideranças políticas do governo e da oposição e setores representativos da sociedade, o ministro da Justiça retorna ao Rio de Janeiro e apresenta a Getúlio a fórmula da intervenção federal no Maranhão.

Para não correr riscos com um ato que poderia lhe trazer dissabores no Congresso Nacional, a quem caberia referendar ou não a sua decisão, Vargas  decide não fazer a intervenção federal e assegura a posse do governador Eugênio Barros no Poder Executivo do Estado.

 

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