LISIANE, MINHA IRMÃ

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Lisiane, a segunda filha de Deonila e Abdala Buzar, nasceu em Itapecuru-Mirim a 20 de fevereiro. À sua frente, apenas eu. Depois dela, mais seis, pela ordem de nascimento, Raimundo, João Batista (já falecido), Maria Célia, Jorge, Amélia e Lélia.

Eu e ela, por sermos os primeiros de um batalhão de oito irmãos, usufruímos um privilégio que os nascidos depois de nós não tiveram.

A partir dos primeiros dias de vida, eu, por ser o primeiro da fila, vi-me envolvido pelos afagos de Rafiza e João Buzar,  os avós paternos. Tudo fizeram por mim e sem esconder de ninguém. Como neto preferido, tive o direito de receber carinho, benesses e bens patrimoniais, alguns, transferidos ainda em vida para o meu nome.

Lise, a segunda da fila, também, foi alvo de desvelo e da preferência de avós maternos, Neuza e José Paulo Pinheiro Bogéa. Encantaram-se de tal modo por ela, que fizeram questão de levá-la para o convívio deles.

Lise, portanto, foi uma criança criada à parte e de modo diferente dos irmãos. Ainda que a gente morasse na mesma cidade e fosse da mesma família, a criação dela foi marcada por uma linha bem distinta. Seus gostos e vontades nunca deixaram de ser atendidos.

No tocante à educação, por exemplo, ela começou a estudar em São Luis antes de todos nós. No internato do Colégio de Santa Tereza, época em que o estabelecimento era privativo de gente rica, passou bons anos. Ao sair do internato, morou na casa do tio e médico Paulo Bogéa, que dava a ela e à filha, Maria Paulo, severa orientação moral, espiritual e educacional.

Lise, na infância e boa parte da adolescência, por viver mais em São Luis do que em Itapecuru, teve pouca convivência com os irmãos e os pais verdadeiros. Essa situação perdurou até quando a avó, Neuza, veio a falecer, vítima de ataque cardíaco. A neta sofreu como nunca.

A morte inesperada da avó, que chamava de mãe, e com quem aprendeu prendas domésticas e a cozinhar divinamente, alterou completamente a sua vida. Depois de muita relutância, o avô paterno, afinal, concordou entregá-la aos pais, Deonilla e Abdala, que a receberam de braços abertos e efusivamente. Com os irmãos, relacionou-se rapidamente e sem constrangimento. Na nova família só estranhou a falta de certas bonomias, que só avô e avó são capazes de oferecer.

Não lembro o ano de seu retorno ao nosso convívio, mas sei que ocorreu sem traumas, o que facilitou a sua adaptação ao novo lar. O sangue dela era igual ao nosso, por isso, a nossa reaproximação foi integral e em harmonia.

Na sua volta, identificou-se imediatamente com o espírito festeiro e alegre do nosso pai, Abdala. Era a primeira a se apresentar para acompanhá-lo nas brincadeiras de carnaval de rua, quando ele se fantasiava para jogar talco nas pessoas.

Esse seu lado festeiro, dava ensejo aos organizadores da Festa do Divino Espírito Santo a convidá-la, todos os anos, para encarnar a figura da Imperatriz. Ao lado do Imperador, ambos vestidos a caráter, saiam pelas ruas da cidade, acompanhados de orquestra e das caixeiras, à cata de donativos e jóias para os leilões noturnos.

Lise só começa mudar a rotina de menina-moça quando encontra um namorado que pensa ser o homem ideal de sua vida e com o qual noiva, casa e tem três filhos, Evandro, Marcus Aurélius e Neusa. Depois de certo tempo de casada, a união entra em crise e ingressa numa fase que só a separação dos corpos resolve o problema do casal.

Solteira, com o passar dos anos, torna-se funcionária da Secretaria de Educação Municipal e depois de longo e exaustivo trabalho, aposenta-se. Pela dedicação à atividade, retorna ao lugar de origem, onde fica até adoecer. Nesse tempo, trava conhecimento com uma pessoa generosa e retilínea, chamada Orlando, do qual se torna companheiro durante 30 anos.

Novamente casada, surge o inesperado. Ela, que era uma fortaleza de saúde, sem aviso prévio, é atacada por um câncer de forma traiçoeira. Mas não se deixa abater, vai à luta e consegue, após penoso tratamento, dar a volta por cima, mercê de sua pertinácia e coragem.

O seu sorriso largo, depois de derrotar o câncer, localizado na região intestinal, volta a espargir-se pelo seu rosto, na suposição de que nunca mais seria molestada pela insidiosa doença.

Ledo engano. Nos primeiros meses de 2015, os sintomas da perigosa doença ameaçam novamente atacá-la, a despeito dos cuidados e das alertas. Tentamos reanimá-la e a persuadi-la de que o infame câncer já fora consumido pelo tempo. Médicos são procurados e exames são realizados, com vistas ao encontro do diagnóstico.

Lamentavelmente, o diagnóstico foi implacável. Após nove anos, a doença retorna e com mais crueldade. Viaja para São Paulo, onde o filho, Marcus Aurelius, comandante da TAM, a interna no Hospital Sírio-Libanês para os procedimentos de rotina. O resultado não discrepa do obtido em São Luis e a recomendação médica era uma só e urgente: submeter-se-ia às sessões quinzenais de quimioterapia, desta feita, mais rigorosa, porque o carcinoma avançara de forma avassaladora.

Em São Luis, Lise suporta apenas duas aplicações de quimioterapia, ambas violentas, no Hospital Aldenora Belo, que lhe empresta toda a assistência médica e hospitalar possível, mas, infelizmente, sem sucesso, haja vista a deflagração de uma infecção generalizada, cientificamente chamada sepsemia.

Foram dias terríveis e dramáticos para ela e para nós. Indefesa e só com as armas da fé ela lutava na crença de que os médicos e enfermeiros, que a acompanhavam dia e noite, pudessem livrá-la daquele deplorável quadro de desespero e de aflição

Com o passar dos dias, as esperanças foram se diluindo, pois nada dava certo para reabilitá-la.  Seu definhamento era visível e não deixava margem de que o pior estava por vir. A sua via crucis acaba depois de 14 dias de internação. Às 15 horas e 15 minutos, de 22 de agosto de 2015, aquela brava mulher chegava ao fim da vida, ela, que passou por vários reveses, mas sem nunca perder a alegria, sua inseparável marca registrada.

Lise partiu para a eternidade, mas ao longo de seu padecimento, sempre contou com a solidariedade, o carinho, o afeto e a assistência do esposo,  filhos, irmãos, netos,  bisnetos, sobrinhos, cunhados e  amigos, que, jamais vão esquecê-la, sobretudo da alegria de sua alma, que se estampava no seu rosto pelo imenso sorriso, que emanava de um coração tão ardente quanto bondoso.

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QUASE VEXAME

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O fato é verídico, há testemunha e aconteceu na recente visita da presidente Dilma Roussef em São Luís.

Após a inauguração do terminal de grãos, o secretário de Agricultura, Márcio Honaiser, talvez, por ser neófito, entrou num carro a ele não  reservado.

OS seguranças perceberam a gafe do secretário e tentaram persuadi-lo a passar para o carro a ele destinado.

Em vão. O titular da Agricultura, irredutível, não aceitava as ponderações  dos seguranças, estes já exasperados e perto da explosão.

Só com a chegada de outras pessoas da comitiva, o secretário convenceu-se do erro e curvou-se aos ditames da ordem.

DISPOSIÇÃO DE CASTELO

Se alguém pensa que o deputado João Castelo hesita ser candidato á prefeitura de São Luis, deve mudar de opinião.

Ele está convencido do que mais uma vez um cavalo selado passa na sua porta e, por isso, nele montará de qualquer jeito.

Castelo tem na ponta da língua uma frase pronta e acabada para dizer aos que duvidam de sua candidatura a prefeito: – Se eu for candidato, serei eleito; se eleito, tomarei posse; empossado, serei o melhor prefeito de São Luis.

MOVIMENTAÇÃO NA CULTURA

A nomeação de Felipe Camarão para o cargo de secretário de Cultura fez o órgão voltar à normalidade e funcionar a pleno vapor.

Funcionários, assessores e agentes culturais, estes, arredios e ausentes, voltaram a se movimentar e acreditar que o novo secretário saberá conduzir a cultura maranhense ao lugar que merece.

O prédio onde funciona a secretaria da Cultura, que se encontrava vazio e sem rota, recuperou a dinâmica depois que Felipe Camarão assumiu o seu comando.

LIVRO DE LURDINHA

Após a costumeira temporada no Canadá, em companhia do esposo Gilles Lacroix, a professora Lourdinha Lauande está de volta.

Chegou e entrou em ação com vistas ao lançamento de seu novo livro, sobre a história da medicina e dos médicos do Maranhão.

O lançamento da obra será dia 31 de agosto, às 19 horas, na sede do Conselho Regional de Medicina.

BONITINHA, MAS…

Uma das mais polêmicas obras teatrais do dramaturgo Nelson Rodrigues chama-se Bonitinha, mas ordinária.

Quem assistiu pela televisão, o programa  Bom Dia Brasil, da TV Globo, imediatamente se lembrará da figura central daquela matéria, a prefeita do município de Bom Jardim.

A peça de Nelson Rodrigues tem tudo a ver com a jovem, loura e graciosa gestora, que realiza uma administração que virou notícia nacional, não pelos feitos em favor da população, mas pela maneira irresponsável como revela o que faz na vida privada.

Evidentemente, não com o dinheiro dela, mas da prefeitura.

FEIRA DO LIVRO

A Fundação Municipal da Cultura anunciou onde, quando e os homenageados na 9ª Feira do Livro de São Luis.

Será naPraia Grande, de 2 a 11 de outubro. Homenageados:  professora Maria de Lourdes Lauande Lacroix, patrona, jornalista Alberico Carneiro, pesquisadora Mary Ferreira, e a poeta cordelista Raimunda Frazão.

O saudoso professor Mário Meireles, in memorian, pelo seu centenário de nascimento, será o homenageado especial.

BASQUETE MASTER

Na cidade americana de Orlando, na Flórida, mais um Campeonato Mundial de Basquetebol Feminino, categoria feminino.

A maranhense, médica e atleta Silvana Maria Costa Teixeira foi convocada pela Federação Brasileira de Basquetebol Master para participar do importante certame esportivo.

A convocação de Silvana prende-se ao fato de ser uma das mais extraordinárias atletas do basquete feminino e ainda atuando nas quadras com desenvoltura e técnica.

CADÊ O PADRE?

Monsenhor Hélio Maranhão é uma das figuras mais conhecidas e estimadas do clero maranhense.

De uns tempos para cá, não tem sido mais visto, nem na Academia Maranhense de Letras, da qual é membro, e nem na Capelania da Polícia Militar, da qual é o mais antigo representante da Igreja Católica.

Os imortais da Academia, como não sabem de seu paradeiro, vão fazer um esforço concentrado para achá-lo. E com saúde.

RECUPERAÇÃO DOMÉSTICA

Os amigos e familiares do advogado Clóvis Viana estão felizes e alegres, pelo seu retorno ao lar.

Os médicos do Hospital São Domingos, que o assistiam, deram-lhe a esperada e ansiosa alta, no entendimento de que no convívio doméstico a sua recuperação será mais rápida.

Durante o tempo em que esteve hospitalizado, Clóvis foi alvo de visitas diárias e de amigos de todas as gerações.

ORÁCULO POLÍTICO

O ex-deputado Jayme Santana é quem o deputado José Reinaldo Tavares mais conversa e ouve quando o assunto em pauta é a danada da política.

Essa interlocução é tão forte que Jayme foi a pessoa de São Luis a receber convite de Zé Reinaldo para ocupar um cargo no seu gabinete, em Brasília.

Com toda essa aproximação e amizade a Jayme, Zé Reinaldo a ele não pediu qualquer opinião ou sugestão sobre o Pacto de Solidariedade pelo Maranhão, anunciado recentemente, mas que fez água precocemente.

SESSENTA ANOS

Amigos do saudoso desembargador Leomar Amorim estão mobilizados para homenageá-lo no dia 24 de outubro.

Em 1955, nesse dia, ele nascia em Itapecuru, filho de Maria do Rosário e Leonel Amorim

Este ano, Leomar completaria 60 anos. Um vídeo com depoimentos de familiares e amigos vai mostrar a sua trajetória de vida, em que foi um modelo de filho, marido, pai, professor e magistrado.

FLÁVIO PRESTIGIOU

Quando menos se esperava, o governador Flávio Dino chegou à Academia Maranhense de Letras, na noite de quinta-feira.

Mesmo atrasado, fez questão de prestigiar o lançamento do livro “Menino Passarinheiro”, do desembargador João Santana.

Por chegar fora da hora, o governador perdeu a oportunidade de se avistar com a magistratura maranhense que estava em peso no evento.

ZÉ MÁRIO PARTIU

O Maranhão acaba de perder mais um José Mário. O primeiro de sobrenome Santos. Agora, o de sobrenome Bittencourt. Eram figuras humanas marcantes, corretas e conceituadas.

José Mário Bittencourt, funcionário do Banco da Amazônia, do qual foi gerente e diretor, ocupou cargos importantes na administração pública, destacando-se o de secretário da Fazenda Municipal, na gestão de João Castelo.

Faleceu no Rio de Janeiro, depois de longo padecimento. Seu corpo foi cremado, mas as cinzas serão trazidas para São Luis, pela idolatrada esposa, Sílvia.

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AS CARTAS NÃO MENTEM JAMAIS

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O prazer de fazer cartas, dirigidas a correligionários e a adversários, marcou acentuadamente a geração política do século passado.

As epístolas, para os políticos de outrora, foram instrumentos de comunicação de imensa serventia. Serviam-se delas para tudo e para qualquer tipo de manifestação de sua conveniência. Não importa que fosse inimigo ou amigo.

Para quem contrariasse os interesses ou batessem de frente contra as vontades ou orientações, as cartas eram amargas e quase sempre no tom da rispidez e do baixo calão. Mas aos que rezavam nas cartilhas, cumprissem a fidelidade e os acompanhassem nas caminhadas políticas, as missivas eram cândidas, ricas de afagos e com explícitas revelações de amizade.

Pelo fato de não serem contemporâneos dos avanços tecnológicos ocorridos no campo da comunicação social, as cartas foram as ferramentas que, à época, os políticos, contaram para extravasar os sentimentos de amor ou de ódio. De amor, aos que mereciam ser reconhecidos como sinceros e leais. De ódio, aos que cultivavam a traição e a felonia.

A troca de cartas políticas, naquele tumultuado tempo, transparecia com maior visibilidade no calor das campanhas eleitorais, quando se aguçavam e vinham à tona as incompatibilidades e as desavenças entre partidos e candidatos. Não foram poucas as lutas corporais travadas em plena via pública por causa de cartas atrevidas ou de ameaças à integridade moral e física.  Às vezes, não se satisfaziam apenas em remetê-las aos destinatários. Chegavam ao extremo de publicá-las nos principais jornais da cidade para conhecimento da opinião pública, que se deliciava com as suas leituras.

Nas páginas de O Imparcial, O Pacotilha, O Combate, Jornal do Povo e Diário de São Luis, da metade da década de 1940 aos meados da década de 1960, as cartas abundavam e tinham como protagonistas, de um lado, Vitorino Freire, que usava a sua terrível catilinária epistolar para revidar os que o hostilizavam sem dó e piedade; de outro, Clodomir Cardoso, Genésio Rego, Lino Machado, Colares Moreira e Neiva Moreira, que, no mesmo diapasão, arremessavam pesados petardos contra os vitorinistas. As cartas de Vitorino a Collares Moreira são antológicas em matéria de agressividade. Tenho todas, mas não penso divulgá-las em respeito à memória dos missivistas.

A prova cabal de que o senador Vitorino Freire era um político que adorava fazer cartas, veio a público, recentemente, pela palavra de Luis Fernando Freire, que, após o falecimento do pai, contratou um especialista para juntar, arrumar e colecionar as centenas de correspondências trocadas entre Vitorino e políticos maranhenses. Este farto e rico material se acha devidamente guardado, no Rio de Janeiro, e à disposição de estudiosos e pesquisadores. Pela vontade de Luis Fernando, as cartas enviadas e recebidas pelo pai, poderão ser conhecidas pela leitura de um livro a ser lançado brevemente.

Mas nem todos, procediam como o senador Vitorino Freire, que tinha a coragem de escrevê-las, remetê-las e, se fosse o caso, torná-las públicas. Alguns, mas contidos, as faziam, mandavam aos interessados, mas com o cuidado de guardá-las como jóias preciosas ou armas indispensáveis para uso em momentos oportunos.

A precaução de mantê-las em lugar seguro e de difícil acesso era tanta, que até hoje não se sabe onde estão. O deputado Ivar Saldanha, por exemplo, tinha em sua casa, em Rosário, um relicário fantástico de cartas. Costumava dizer-me que um dia elas chegariam às minhas mãos. Como faleceu tragicamente em desastre rodoviário, sua promessa foi para o túmulo com ele.

Anos depois do falecimento do senador Clodomir Millet, a viúva, Dona Simone, sabendo da minha amizade com o marido, proporcionou-me grande alegria. No Rio de Janeiro, entregou-me espontaneamente robusta documentação que a ele pertencia e sobre os mais variados assuntos. São cartas, telegramas, ofícios, fotografias, discursos, recortes de jornais, projetos e propostas apresentadas no Congresso Nacional.

Com tais documentos, prometi à viúva fazer um livro (ainda em fase de gestação), pois as novas gerações precisam conhecer e saber o que o saudoso senador fez ao longo de sua carreira pública, especialmente, no tocante à luta para extirpar a fraude eleitoral do Maranhão, tão devastadora quanto solerte.

No elenco das cartas de Millet, avultam as endereçadas a Antônio Dino, Pedro Neiva de Santana e José Sarney. Nelas, os relatos dos problemas políticos, administrativas e da área militar, ressaltando-se a tumultuada eleição do deputado Magno Bacelar a presidente da Assembleia Legislativa, que renunciou ao cargo pressionado pelos milicos. As atitudes extravagantes de Cafeteira na prefeitura de São Luis, que batiam de frente contra o governador Sarney e as investidas de setores militares a Sarney, que não o perdoavam pela nomeação de Bandeira Tribuzi, Joaquim Itapary, Mário Leal, Sálvio Dino e deste escriba para postos do governo estadual, também existem.

Não podem ser descartadas, as publicadas nos jornais de São Luis, de Millet contra Sarney e vice-versa, geradas por ocasião sucessão ao governo em 1960, em que Newton Bello recebeu o apoio da UDN e de Sarney. São cartas violentas e constrangedoras. Lidas, hoje, longe imaginar que nas eleições de 1965, os dois esqueceram as mágoas e fumaram o cachimbo da paz.

 

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MANDATO DE SENADOR

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Não é nada boa a situação do senador Roberto Rocha na esfera da Justiça Eleitoral.

Há quem diga que poderá perder o mandato no julgamento que brevemente acontecerá no Tribunal Regional Eleitoral, diante das numerosas e escandalosas irregularidades na prestação de contas  relativas às eleições de 2014.

Se o julgamento do TRE for pela perda do mandato de Rocha, não se sabe o que virá depois: se o segundo colocado no pleito, o candidato Gastão Vieira, se investirá no cargo, ou se o Tribunal opinará pela realização de nova eleição.

MARAJÁ DO SENA

O Maranhão, no que diz respeito ao desvio de recursos públicos, é o estado de maior referência nessa prática de crime.

Por isso, as cidades maranhenses em que os gestores municipais se esmeram na arte de se apropriar das verbas federais, são as preferidas pela TV Globo para figurar em seus programas jornalísticos.

A mais recente cidade maranhense escolhida para cenário do programa “Profissão Repórter”, foi Marajá do Sena, onde um prefeito inescrupuloso e odiado pela população mostrou ao país a sua irresponsabilidade pelas mazelas encontradas no infeliz município.

MICROSCÓPIO DO MÉDICO

O neto do saudoso médico, Alfredo Duailibe, vai dar ao curso de Medicina do Ceuma um equipamento valioso.

Trata-se de um microscópio, doado pelo avô ao advogado Alfredinho Duailibe, que fará questão de presenteá-lo a uma instituição de ensino superior, que prepara hoje os melhores profissionais de medicina do Maranhão.

O microscópio, pelo seu valor estimativo, será recebido pela direção do Ceuma em solenidade especial, para o Maranhão inteiro tomar conhecimento do gesto do advogado, diga-se de passagem, nobre e generoso.

CHORO DO GOVERNADOR

A presidente Dilma Roussef sabia que na sua recente visita a São Luis receberia do governador Flávio Dino palavras de solidariedade ao seu governo e de repúdio às tentativas de desestabilizá-la do cargo que ocupa.

O que não sabia e a deixou surpreendida e emocionada foi o choro do governador em plena solenidade pública.

A presidente ficou tão desvanecida com o gesto de Flávio que, na viagem de volta a Brasília, comentou o assunto, repetidas vezes, com a comitiva que a acompanhava.

INTERVENÇÕES CIRÚRGICAS

A crise é grave, chegou aos hospitais e os médicos começaram a ser atingidos por ela.

No Maranhão, os impactos dessa situação  incidiram principalmente nos trabalhos dos cirurgiões que fazem intervenções eletivas, ou seja, aquelas que não são emergenciais.

Os pacientes, sobretudo sujeitos às intervenções cirúrgicas, tipo bariátricas e plásticas, resolveram suspendê-las, adiá-las e esperar que os tempos de bonança voltem.

ALEGRIA E TRISTEZA

Observação pertinente do jornalista Benedito Buzar no velório de Marcelo Matos, que perdeu a vida precocemente.

Marcelo, pelo seu temperamento descontraído, não merecia ter o fim de vida que teve.

“Ele, conhecido por Alegria, teve um enterro completamente dominado pela tristeza”, completou Buzar.

CONDOMÍNIO DE POLÍTICOS

Um edifício na Ponta D’Areia se diferencia de todos os existentes na cidade de São Luis.

A diferenciação reside no expressivo número de políticos que ali mora e que, nas reuniões do condomínio, deita e rola.

Dos dez moradores do Edifício Carara, nada menos do que sete são proprietários de apartamentos e foram ou são políticos: Jurandir Leite, José Reinaldo Tavares, Tatá Milhomen, Jura Filho, César Pires, Soliney Silva e Arnaldo Melo.

ACADEMIA E CEMAR

Pela primeira vez, na história de vida da Cemar e da Academia Maranhense de Letras, as suas diretorias se reuniram para tratar de assuntos de interesse da cultura.

No encontro, ocorrido na semana passada, não houve assinatura de protocolo ou de convênio, mas foram vistos e discutidos assuntos que vão contribuir para o engrandecimento da cultura maranhense.

Ficou acertado que, de agora por diante, a AML e a Cemar poderão fazer programações juntas, com vistas a incentivar trabalhos e produções que dizem respeito à arte e à literatura.

DIA DOS PAIS

Em São Luis, para o comércio lojista, o Dia dos Pais foi igual ao das Mães ou dos Namorados.

O faturamento foi baixo e revelador da grave situação pela qual vem sofrendo o país, nos últimos meses.

Se até o final do ano, a economia do país não mudar de rota, as compras em comemoração ao Natal e ao Ano Novo, poderão, também, ficar aquém das expectativas dos lojistas e levar alguns ao encerramento de suas atividades comerciais.

VIAGEM INTERNACIONAL

Waldemiro e Iara Viana gostam de viajar e por isso conhecem muitas cidades brasileiras.

Esta semana, o casal partiu para uma nova empreitada turística, desta feita, rumo ao exterior.

Os Viana estão no Chile, onde cumprem uma agenda de visitas a várias cidades andinas.

SECRETÁRIO NA AML

A Academia Maranhense de Letras assistiu um fato inédito na sua vida centenária.

O interesse manifestado pelo novo secretário de Cultura de participar de uma reunião acadêmica.

O gesto do jovem Felipe Camarão foi aplaudido pelos membros da AML que o receberam, quinta-feira passada, e deles ouviu sugestões sobre os problemas da cultura maranhense, que o presidente Buzar prometeu encaminhá-las por meio de documento.

DE CARIOCA A TIMBIRA

Foi preciso que um deputado estadual apresentasse um projeto de lei, concedendo ao jovem advogado Eduardo Moreira o título de cidadão maranhense, para se saber que ele nasceu no Rio de Janeiro.

Na semana passada, a Assembleia Legislativa conferiu a Eduardo, de maneira merecida, um precioso documento que ele ostentará e mostrará com a maior felicidade e alegria, pois agora é um maranhense pleno e completo.

A biografia de Eduardo, já rica e gloriosa, enriquece-se mais ainda com a cidadania maranhense, honraria que já deveria ter sido a ele conferida há mais tempo, pois quem o conhece sabe que de carioca não tem nada, mas de timbira, tem de tudo e mais alguma coisa.

SETENTA ANOS

Amanhã, às 10 horas, o desembargador Lourival Serejo profere palestra na Câmara Municipal de São Luis.

Tema da palestra: Setenta anos da reinstalação da Justiça Eleitoral no Brasil.

Em função de um Decreto-Lei, assinado em 1932 por Getúlio Vargas, nasceu a Justiça Eleitoral. Mas ela teve vida curta, pois o Estado Novo a suprimiu da vida nacional. Voltou à cena em 1945, quando o país ajustava-se a conviver com a democracia.

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VISITAS PRESIDENCIAIS AO MARANHÃO

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Ao longo da vida republicana foi marcante a presença de presidentes da República no Maranhão. Quase todos os que ocuparam o cargo mais alto do país foram aqui recebidos como visitantes ilustres e para inaugurar obras realizadas com recursos federais.

A maioria veio apenas uma vez; alguns mais de uma vez; outros, porém, passaram ao largo como se o Maranhão não fizesse parte do sistema federativo brasileiro.

No período da Velha República, que começa com a Proclamação e estende-se à Revolução de 1930, apenas um presidente nos visitou: Afonso Pena. Veio em função da amizade devotada ao senador Benedito Leite, que o convenceu a viajar de vapor, pelo Rio Itapicuru, e ver a necessidade da construção urgente da ferrovia São Luis-Teresina, tendo em vista que a navegação fluvial não mais atendia aos interesses do setor produtivo maranhense e das cidades que margeavam o rio. A viagem demorou quase uma semana, porque Afonso Pena escalou em Rosário, Itapicuru-Mirim, Coroatá, Codó, Caxias e Timon, cidades em que ele e a sua comitiva receberam homenagens das autoridades e do povo ribeirinho.

Na fase histórica que vai do movimento de 1930 à vigência do Estado Novo, sob o comando ditatorial de Getúlio Vargas, o Maranhão ficou 15 anos sem ver o chefe de governo, que usava o interventor Paulo Ramos para representá-lo em eventos e solenidades que exigiam a sua presença.

Depois que o Brasil se livrou da ditadura de Vargas e passou por um processo de constitucionalização, recebemos festivamente o presidente, general Eurico Gaspar Dutra, em março de 1948, que cumpriu uma vasta programação de três dias, sendo alvo de homenagens de entidades privadas e do governo Archer da Silva. A presença de Dutra em São Luis deveu-se a amizade dedicada ao senador Vitorino Freire, este, com cadeira cativa no Palácio do Catete.

Se na fase ditatorial, Getúlio Vargas não veio ao Maranhão, no regime democrático, como sucessor de Dutra, aqui, também, não deu as caras. Por viver a maior parte do seu governo às voltas com crises políticas, que o levaram ao suicídio, em agosto de 1954, não encontrou tempo para visitar os estados federativos.

A partir de Juscelino Kubitscheck, os presidentes passam a dispor de maiores condições para visitar os estados. O processo de desenvolvimento sócio-econômico deflagrado no país possibilita a melhoria dos setores de comunicação e transporte, que, por sua vez, proporcionam mais facilidades à realização de viagens por terra, mar e ar.

Quando estava no comando da nação, JK visitou o Maranhão em janeiro de 1958, para inaugurar o Hospital Presidente Dutra e proferir a aula inaugural na Faculdade de Medicina, que ainda fazia parte da Universidade Católica.

O sucessor de Juscelino, Jânio Quadros, fica pouco tempo no Palácio do Planalto. Antes de renunciar ao mandato, em agosto de 1961, esteve em São Luis, onde, nos dias 27 e 28 de julho, participa de reuniões produtivas com os governadores do Maranhão e do Piauí. Newton Bello, o governador, apresenta-lhe o primeiro Plano de Governo do Maranhão, com a previsão de obras e de recursos federais para executá-las.

De Jânio o poder foi para as mãos do vice, João Goulart, que assume o governo após o regime presidencialista virar parlamentarista. Tempos complicados e de crise não deram condições a Jango de governar plenamente o país e nem sair de Brasília.

O Maranhão, na vigência do regime militar, torna-se alvo de visitas dos presidentes que galgaram o poder por via indireta. Castelo Branco, no governo de José Sarney, veio duas vezes. Em março de 1966, recebe o titulo de Doutor Honoris Causa da Universidade do Maranhão. Meses depois, encontra-se novamente com Sarney, em Caxias, onde inaugura obras realizadas pelo prefeito, Aluízio Lobo.

Costa e Silva, antes de Sarney deixar o governo, inaugura em Timon uma ponte férrea ligando o Maranhão ao Piauí. Costa e Silva, que por motivo de grave enfermidade, não cumpre o mandato até fim, tem como substituto o general Garrastazu Médici, que, em abril de 1970, inaugura com Sarney, a Hidrelétrica de Boa Esperança. Convidado pelo governador Pedro Neiva, Garrastazu vem a São Luis e inaugura o Museu Histórico, oportunidade em que, para tristeza dos paraenses e alegria dos maranhenses, anuncia o Porto do Itaqui  para exportar os minérios da serra de Carajás. O general Ernesto Geisel foi o único a não visitar o Maranhão por causa das desavenças políticas entre Sarney e Vitorino.  João Figueiredo viria presidir a inauguração da Ponte Bandeira Tribuzi, mas o SNI cancela a viagem, por considerar a obra uma homenagem ao poeta e não a revolução de 1964.

Com o fim do regime militar, a Aliança Democrática elege, ainda por via indireta, Tancredo Neves, presidente, e José Sarney, vice. Este, face à trágica morte de Tancredo, assume definitivamente o poder e faz a transição da ditadura para a democracia. Sendo maranhense, Sarney, em diversas oportunidades, visita a terra natal, onde participa de solenidades e eventos oficiais, destacando-se o I Encontro de Chefes de Estado dos Países de Língua Portuguesa, realizado em São Luis, e a instalação do Centro de Lançamento de Foguetes, de Alcântara.

Após o mandato de Sarney, o Brasil volta a ser presidido por candidatos eleitos em pleitos diretos: Fernando Collor de Melo, Fernando Henrique Cardoso, Lula da Silva e Dilma Roussef. Antes de perder o mandato, em dezembro de 1992, Fernando Collor, esteve na cidade de Açailândia, sendo recebido pelo presidente do Poder Legislativo, deputado Antônio Carlos Braid, pois o governador João Alberto ausentara do Estado para não recepcioná-lo. Itamar Franco, que substituiu Collor na presidência da República, não agendou visita ao Maranhão.

Fernando Henrique Cardoso, sucessor de Itamar Franco, a convite da governadora Roseana Sarney, em 1997. Na capital, inaugura as novas instalações do aeroporto do Tirirical; em Rosário, assiste ao funcionamento de um empreendimento industrial, com a participação técnica e financeira da China, que não produziu nada e fechou as portas.

Lula e Dilma, presidentes petistas, também, não deixaram de passar algumas horas no Maranhão. Lula, em 2009, de avião, olha os municípios que estavam debaixo d’água. Em 2010, participa na cidade de Bacabeira de um fantasioso evento comemorativo de início das obras da Refinaria Premium, projeto patrocinado pela Petrobrás.   No tocante à Dilma, no seu primeiro mandato, aqui apareceu ligeiramente e para inaugurar algo no Porto do Itaqui. No segundo mandato, veio inaugura um terminal de grãos, entregar unidades residenciais do programa “Minha Casa, Minha Vida”, e ouvir o governador Flávio Dino hipotecar solidariedade ao seu governo, que vive uma crise sem precedentes no país.

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EM NOME DOS FILHOS, OS PAIS NOSSOS DE CADA DIA

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Moradores da Rua Governador Matos Carvalho, no Olho D’água, estão revoltados e prometem reagir contra um fato de extrema audácia perpetrado contra o homenageado.

De repente, desapareceram as placas das ruas que há anos identificavam aquela rua com o nome do ex-governador.

Mas não ficou só nisso. Nas caladas da noite, deram outro nome à rua e sem consultar os que ali residem.

Um abaixo-assinado com assinaturas dos moradores do bairro do Olho D’Água encontra-se em fase de processamento e encaminhamento à Prefeitura e à Câmara Municipal de São Luis, de protesto e de exigência para o nome do governador Matos Carvalho voltar ao lugar de origem.

TV UFMA

O reitor Natalino Salgado encontra-se em estado de graça.

Motivo: está no ar em fase de ajuste o sinal da emissora de televisão da Universidade Federal do Maranhão.

Os equipamentos da estação são de última geração e produzidos pela mais alta tecnologia no ramo.

Quem quiser testar a mais nova estação de televisão do Maranhão, basta acessar o canal 54.1.

Pelas estimativas do reitor, a TV UFMA será inaugurada no final de outubro e no dia em que ele passar o cargo à reitora Nair Coutinho.

BELFORT E STENTS

O coração do advogado Fernando Belfort acaba de pedir reforço para continuar batendo como sempre: forte e no compasso da emoção.

Significa dizer que o aparelho coronário de Belfort precisará de stents para que ele continuar a ter uma vida saudável, alegre e feliz.

O procedimento para a colocação dos stentes estará a cargo do competente cardiologista maranhense Raimundo Furtado, profissional respeitado a nível nacional pela contribuição dada ao aperfeiçoamento desse dispositivo médico.

PDT DE JACKSON

O PDT maranhense, após o falecimento de Jackson Lago, viveu momentos de incerteza e desagregação.

Uma luta entre os herdeiros políticos de Jackson por pouco não leva o partido brizolista a desaparecer da cena maranhense.

Depois de um tempo de indefinição e desentendimento quanto ao futuro do PDT no Maranhão, a situação mudou completamente.

Os que assumiram a direção do partido o revigoraram e o fizeram reencontrar-se com a pujança que Jackson Lago emprestou-lhe em vida.

GERAÇÃO DE SARNEY

Os amigos de geração de José Sarney estão com as vidas passadas a limpo.

A trajetória de duas importantes personalidades, que tiveram presenças marcantes na cena política brasileira recente, acaba de ser escrita e lançada em livro.

Um retrata a carreira brilhante jornalista Carlos Castelo Branco; o outro, narra a vida do ex-deputado e ex-governador de Brasília, José Aparecido de Oliveira.

Os dois, como também Sarney, participaram ativamente do governo do ex-presidente Jânio Quadros, que renunciou o cargo em agosto de 1961.

NAURO E GULLAR

Os dois maiores poetas vivos do Maranhão, Ferreira Gullar e Nauro Machado, na semana passada, pontificaram nos meios de comunicação do país.

Gullar, do alto de seus 85 anos, que continua produzindo literariamente, foi exaltado pela revista Veja em duas páginas, por conta da nova edição da sua poesia completa que o coloca, como poeta, no panteão das letras nacionais.

Nauro Machado, festivamente homenageado em São Luis, pelos seus 80 anos, é um poeta do mesmo patamar intelectual de Gullar. Ainda não figura no panteão das letras nacionais, pela timidez e não querer sair de sua terra natal, que lhe serve de inspiração poética.

SALDANHA NA SUIÇA

O compositor e músico Chico Saldanha está de viagem marcada para a Suíça.

Lá, passará alguns meses, tempo em que prestará ajuda paternal a uma filha que vai lhe dar mais um neto.

Os partos da filha de Saldanha, realizados na Suíça, foram todos assistidos por ele, que não abre mão de acompanhá-la e de dar a ela a merecida assistência em momentos tão importantes da vida e da família.

CRISE NA RUA GRANDE

A Rua Osvaldo Cruz, mais conhecida por Rua Grande, começa a ser palco da crise que ora invade o país.

Ali, onde a maior concentração lojista da cidade sentou praça, os consumidores se surpreenderam com o desaparecimento de um famoso estabelecimento comercial.

A crise levou de roldão a loja By Express, especializada em roupas para homens e mulheres de todas as idades.  Dizem que outras, do porte dela, estão na fila para dar adeus à Rua Grande.

DOM DE  PROFETA

Joaquim Haickel, figura polivalente da cidade, é admirado por um somatório de virtudes, com destaque para o dom profético.

Ele estava na Europa, onde recebia prêmios pela sua atuação de cineasta, mas encontrou tempo para num artigo, publicado em O Estado do Maranhão, anunciar o que iria acontecer na secretaria da Cultura.

No seu trabalho jornalístico, Joaquim despediu-se, sem mágoa, de Ester Marques, certo de que seria exonerada do cargo pelo governador que a nomeou.

MARANEHENSES NA EUROPA

Sem alarde e usando apenas o boca-a-boca, a Agetur vai levar, até agora, setenta maranhenses para a Europa.

A viagem será em outubro próximo, terá como ponto de partida a Espanha e uma excursão de navio pelo Mediterrâneo levará o grupo ao delírio.

Os herdeiros do saudoso Glacimar Marques, um dos agentes de viagem mais bem-sucedidos de São Luis, aprenderam a trabalhar como o pai: silenciosa e eficientemente.

CASA DE VERANEIO

Em São Luis, a implosão da Casa de Veraneio de São Marcos é assunto morto.

Mas para a imprensa carioca, não. Tanto que o jornal O Globo, de semana passada, resolveu ressuscitá-lo.

Requentou a matéria apenas para dizer que o governo do Estado não tem nenhum plano destinado à Casa de Veraneio, que continua imponente, mas abandonada, até agora, pelos novos ocupantes do poder maranhense.

COMEMORAÇÃO EM CAXIAS

OS intelectuais de Caxias vão comemorar, neste sábado, uma data importante: a maioridade da Academia Caxiense de Letras.

Os 18 anos de vida da instituição gonçalvina serão intensamente festejados e culminados com o lançamento da obra “Cartografias Invisíveis-Saberes e Sentires de Caxias”.

NOVO SECRETÁRIO

O novo secretário de Cultura, Felipe Camarão, é adepto da canção “Caminhando”, do compositor Geraldo Vandré. Segundo ele,“quem sabe faz a hora não espera acontecer”.

Não esperou que a Academia Maranhense de Letras fosse ao seu encontro.

Mandou avisar ao presidente, Benedito Buzar, que, nesta quinta-feira,  participará da reunião da Casa de Antônio Lobo.

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EM NOME DOS FILHOS, OS PAIS NOSSOS DE CADA DIA

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Em Itapecuru, 15 de novembro era dia de São Abdala Buzar. Nessa data, o meu saudoso pai aniversariava, ocasião em que recebia as homenagens a que tinha direito. Óbvio que nós, familiares, participávamos das festividades, a ele tributadas pelo povo itapecuruense, que começavam, invariavelmente, ao raiar da madrugada, sob o som de uma alvorada musical e de um intenso foguetório, que acordava toda cidade. Por volta do meio-dia, um almoço, farto de comida e de bebida, servia-se aos convidados e penetras. A culminância da efeméride ocorria à noite, com a realização de três animados bailes: o de primeira, para a elite branca; o de segunda, para a elite negra, e o de terceira, aos adeptos da raparigagem.(Naqueles tempos, a odienta discriminação racial ainda vigia)

Mas por que o meu pai um homem festeiro, generoso e bom, só era homenageado no dia de seu aniversário?  Resposta: porque naqueles idos, os meios de comunicação e o marketing empresarial ainda não haviam inventado o Dia dos Pais, das Mães, das Crianças, dos Avós e de outras figuras humanas, usados para incrementar o do faturamento do comércio e da indústria.

Quarenta anos depois da sua partida para a eternidade, hoje, quero homenageá-lo e também os pais dos amigos que Deus me deu. Pela impossibilidade de reverenciar todos nesta página, espero que se considerem homenageados nas figuras humanas e paternas de Antônio Fecury, Pedro Neiva de Santana, Carlos Tjara, Antônio Costa Santos, José Vieira, Arthur Almada Lima, Joaquim Salles de Oliveira Itapary, Eliezer Moreira e Nicolau Dino, que legaram à sociedade filhos maravilhosos e de valor intelectual e moral da estirpe de Mauro Fecury, Jayme Santana,  Aziz Tajra, Claúdio Vaz dos Santos (Alemão), Gastão Vieira, Nelson Almada Lima, Joaquim Itapary Filho, Eliezer Moreira Filho e Sálvio Dino.

Para homenageá-los, como jornalista, optei pelo que sei e gosto de fazer: a síntese biográfica de cada um.  Do meu pai, ABDALA BUZAR NETO, digo que nasceu a 15 de novembro de 1911, filho dos libaneses Rafiza e João Buzar, que se radicaram em Itapecuru, no começo do século XX, vindos do mundo árabe. Ali foi alfabetizado, fez o primário e desde garoto ajudou os pais nas tarefas comerciais e com eles prosperou no meio empresarial. Pela competência e liderança na cidade, ingressou na política partidária. Nomeado prefeito, no Estado Novo. No regime democrático, elegeu-se vereador e cumpriu dois mandatos. Presidiu a Câmara Municipal, e, como tal, ocupou interinamente o cargo de prefeito. Nas eleições de 1960, elegeu-se prefeito. Deixou o cargo, permaneceu na política, sempre indicando e elegendo os candidatos à prefeitura. Também exerceu os cargos de delegado de polícia e suplente de juiz e promotor. Fundou e presidiu a Associação Comercial e Industrial e o Clube Recreativo e Cultural de Itapecuru. Católico praticante sempre foi ligado à igreja. Festeiro de primeira linha e inveterado carnavalesco. Em maio de 1937, casou-se com Deonila Bogéa, com quem teve oito filhos. Faleceu em 27 de março de 1975.

ANTÔNIO FECURY, pai de Mauro Fecury, nasceu em Manaus, a 25 de fevereiro de 1909. Descendente de libaneses que chegaram ao Acre nos primeiros anos do século passado. Do genitor herdou o gosto pela atividade comercial. Influenciado por um tio, em 1953, mudou-se com a família para São Luis e fez-se dono de uma das principais farmácias da cidade, localizada na Praça João Lisboa. Por meio dela amealhou recursos que o levaram ampliar os negócios, a exemplo da usina de pilar arroz, da loja de ferragem e de representante comercial da poderosa empresa americana Sidney Ross.  Quando morava no Acre, casou-se com a cearense Araripina, que lhe deu três filhos. Faleceu em São Luis em 1986.

PEDRO NEIVA DE SANTANA, pai de Jayme Santana, nasceu em Nova Iorque (MA) a 27 de setembro de 1907. Fez o primário em Floriano, estudou no Liceu Maranhense  e diplomou-se médico pela Faculdade Nacional de Medicina, no Rio de Janeiro. Começou a vida profissional na chefia de postos de higiene, no interior do Maranhão. Projetou-se como médico, homem de cultura e prefeito da capital de 1937 a 1945, nomeado pelo interventor Paulo Ramos. Sua biografia é marcada pelo exercício de cargos importantes, como chefe do Instituto Médico-Legal do Maranhão e da Legião Brasileira de Assistência, provedor da Santa Casa de Misericórdia, professor e diretor das Faculdades de Direito e de Ciências Médicas, reitor da Universidade Federal do Maranhão e membro da Academia Maranhense de Letras. Em 1966, o governador José Sarney o nomeou secretário de Fazenda do Estado, cargo que o habilitou a governar o Maranhão, de 1971 a 1975. Casou-se com Eney Tavares, com quem teve um filho.

CARLOS TAJRA, pai de Aziz Tajra Neto. Nasceu em São Luis, de família síria. O pai, bastardo empresário, propiciou-lhe uma infância e uma juventude bem saudáveis. Pensando num futuro auspicioso ao filho, o encaminhou para a Escola Militar de Realengo, no Rio Janeiro, mas, no meio do curso, desistiu da carreira militar. De volta a São Luis, dedica-se à prática esportiva, priorizando o futebol, primeiro, como atleta, depois, como dirigente do FAC, clube da primeira divisão. Era um homem polivalente, tanto que, na maturidade, não se acomodou e marcou presença em diversas atividades profissionais, nas quais se empenhou com seriedade e lisura. Faleceu em São Luis.

ANTÔNIO RODRIGUES DA COSTA SANTOS, pai de Cláudio Vaz dos Santos (Alemão). Nasceu em São Luis, onde recebeu na infância, educação esmerada. Na juventude, estudou em Lisboa e no que a cidade tinha de melhor em matéria de educação. Qualificado profissionalmente, retorna a São Luis e recebe convite para ocupar cargos na administração pública. No governo de Paulo Ramos, chefia o Departamento Estadual de Estatística. Teve atuação tão exemplar que, no governo de Sebastião Archer da Silva, foi mantido à frente de um órgão que coletava informações e dados sobre as entidades que atuavam na área social e econômica. A atividade privada também o atraiu, especialmente o ramo farmacêutico, sendo sócio de renomadas farmácias de São Luis.

JOSÉ DIAS VIEIRA, pai de Gastão Vieira. Nasceu em Guimarães, onde fez o primário. Em São Luis, estudou no Colégio Viveiros. Dotado de privilegiada inteligência e amante de livros, teve militância na imprensa maranhense, nos 1930, como redator do jornal O Combate, dos irmãos Machado. Sua vida profissional inicia na firma Travassos Irmãos. Desta, migrou para o setor público, como datilógrafo do gabinete do secretário de Fazenda do Estado. Neste órgão, pela dedicação e capacidade de trabalho, foi longe: chefe da seção da Contadoria, contador, diretor do Departamento de Serviço Público, diretor do Tesouro, secretário interino e depois titular da Fazenda e Produção, no governo Eugênio Barros. Também dirigiu a Companhia Maranhense de Abastecimento e Preços. Casou-se com Belinha Serra Vieira, com quem teve sete filhos. Faleceu em São Luís em janeiro de 1972.

ARTHUR ALMADA LIMA, pai de Nelson Almada Lima. Veio ao mundo em Caxias, onde fez o primário. No Rio de Janeiro, o curso de Humanidades e bacharelou-se em Direito. De volta ao Maranhão, em 1917, foi nomeado promotor de Picos, hoje Colinas. Transferido para Caxias, ocupou o mesmo cargo. Em 1933, é nomeado juiz de direito da comarca de Viana, aposentando-se em 1941, por divergências políticas com o interventor Paulo Ramos. Retorna a Caxias e trabalha como advogado. Em 1946, o novo interventor, Eleazar Campos, o designa juiz da comarca, sendo transferido para São Luis em 1957 para integrar o Tribunal Regional Eleitoral. Em 1963, por concurso, ingressa no magistério superior, na condição de professor de Direito Comercial da Faculdade de Direito. No ano seguinte é alçado ao cargo de desembargador e depois presidente do Tribunal de Justiça. Aposenta-se em 1967, após o que preside a Junta Comercial do Maranhão.   A Caxias, sua terra natal, prestou relevantes serviços e contribuiu para dotá-la de instituições culturais e educacionais. Homem culto, correto e íntegro. Casou com Etelvina Brandão da Silva Lima, com quem teve dez filhos. Faleceu em 1975 e é patrono da Academia Caxiense de Letras.

JOAQUIM SALLES DE OLIVEIRA, pai de Joaquim Itapary Filho. Nasceu em São Luis a 18 de setembro de 1897 e filho do Barão e da Baronesa de Itapary. Cursou Direito e diplomou-se pela Faculdade de Recife, em 1922. De volta ao Maranhão, foi nomeado juiz e depois promotor. Pelas mãos do interventor Paulo Ramos, chegou à chefia de Polícia, em 1941. Na transição da ditadura para a democracia, a convite do interventor Saturnino Bello, integra o recém-criado Tribunal de Contas do Estado do Maranhão, do qual foi o primeiro presidente. Casado com Georgina Boabaid e com ela teve cinco filhos. Faleceu em São Luis, a 19 de julho de 1959.

ELIÉZER RODRIGUES MOREIRA, pai de Eliézer Moreira Filho. Nasceu em Santa Quitéria, a 22 de fevereiro de 1898. Estudou agronomia em Piracicaba, mas concluiu o curso na Escola Superior de Agronomia, no Rio de Janeiro. Formado, assumiu a diretoria do Aprendizado Agrícola Cristino Cruz, em São Luis. Em 1930, foi nomeado diretor do Serviço Experimental do Algodão do Piauí. Convidado por Juarez Távora, então ministro da Agricultura, organiza a Superintendência do Algodão do Estado do Maranhão. Ingressa na política e elege-se deputado à Câmara Federal pelo Partido Republicano, para o mandato de 1935 a 1939. Na condição de agrônomo e do quadro efetivo do Ministério da Agricultura, neste, exerce várias atividades e preside a Sociedade Nacional de Agronomia, instala e dirige a Colônia Agrícola de Barra do Corda,  de 1942 a 1956. Foi um dos fundadores do Clube de Engenharia do Maranhão. Aposentou-se em 1956, mas não deixou de trabalhar e de prestar serviços a entidades privadas e públicas vinculadas ao setor agrícola do país, destacando-se o Conselho Nacional de Obras e Saneamento, Associação Rural Brasileira, Associação Brasileira de Agronomia, Confederação Nacional da Agricultura. Casou-se com a cearense, Eudes Hohmann Albuquerque Moreira, com a qual teve um casal de filhos. Faleceu no Rio de Janeiro, em 1972.

NICOLAU DINO DE CASTRO E COSTA, pai de Sálvio Dino. Nasceu no Estado do Amazonas, em 16 de maio de 1900. Estudou em Belém, onde se diplomou bacharel em Direito, em dezembro de 1920. Na capital do Pará, teve forte militância na imprensa, como redator do jornal Folha do Norte.

De muda para São Luis foi nomeado promotor público e depois juiz da  comarca de Grajaú, onde pontifica de 1926 a 1943. Em 1948, chega ao juizado da Capital. Dois anos depois é nomeado desembargador do Tribunal de Justiça, empossado em junho de 1950. No Poder Judiciário foi corregedor, vice-presidente e presidente. Também atuou como membro e dirigente do Tribunal Regional Eleitoral. Fez parte do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão. Autor de livros importantes, destacando-se O Visconde Vieira da Silva, Magistrados Poetas e da Inseminação Artificial Humana. Casado com Maria José de Castro e Costa, com quem teve três filhos. Seu falecimento ocorre em São Luis em 1976.

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TURMA HÍDRICA

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O deputado federal Hildo Rocha não está preocupado com o fato de ser um parlamentar neófito para ter um bom desempenho no Congresso Nacional.

Desde que chegou a Brasília e assumiu o mandato de deputado federal parece um veterano. Atua com desembaraço e desfruta de enorme prestígio junto ao presidente da Casa, deputado Eduardo Cunha.

Se Hildo Rocha merece elogio pela sua destacada ação parlamentar, não pode ser poupado de crítica pela iniciativa de propor que um grupo de deputados, custeados com recursos públicos, viaje para Hong Kong para conhecer um modelo de conservação hídrica, que nada tem a ver com a realidade brasileira.

SEGURANÇA DA SEGURANÇA

Os jornais paulistas não poupam o governador Flávio Dino pelo fato de o seu governo contratar uma empresa de segurança privada para proteger alguns órgãos da administração estadual.

A empresa que assinou contrato com o governo do PC do B é a Potencial Segurança e Vigilância.

O governo justifica a contratação para que os órgãos dedicados à segurança dos cidadãos e o policiamento das cidades possam ter mais tempo para cumprir as suas funções constitucionais.

TEMPO DE ALÍVIO

Alguns membros do primeiro escalão do governo, que estavam com a corda no pescoço, respiraram aliviados com a manifestação do governador Flávio Dino de que só depois de fevereiro de 2016 fará alterações na máquina administrativa estadual.

Se até lá não mostrarem serviços podem dançar.

Alguns pendurados começaram a mudar a rotina de trabalho e marcar presença nos órgãos que dirigem

RESISTÊNCIA FAMILIAR

Pessoalmente o deputado João Castelo pensa e admite concorrer às eleições de 2016 à prefeitura de São Luis.

Mas dentro de seu lar uma forte barreira age em sentido contrário.

A esposa, Gardênia, e a filha, Gardeninha, rezam e fazem promessa para Castelo não disputar o pleito, no entendimento de que, ainda que de bem nas pesquisas, a sua cota de trabalho por São Luis já se encerrou.

VOLTA DOS AMIGOS

Três casais amigos, que passaram temporada no Rio de Janeiro, estão de volta.

Edna e Joaquim Itapary, Ana Lúcia e Mauro Fecury e Lourdes e Eliezer Moreira.

Depois de um mês em plagas cariocas, retornam às origens para alegria dos familiares e amigos.

LAVA-JATO

Se há um negócio que, nos últimos tempos, prospera assustadoramente em São Luis é lavagem de carros.

Pelo visto, parece ser uma atividade econômica bem rendosa e de retorno financeiro imediato.

Há quem diga que o crescimento desse negócio deve-se à propaganda que a televisão faz diariamente da Operação Lava-Jato.

MIAMI E LISBOA

Até recentemente, quando os Estados Unidos estavam em crise, alguns maranhenses compraram apartamentos em Miami.

Como a roda dos negócios gira rapidamente, quem agora oferece excelente oportunidade, no setor imobiliário, é a capital de Portugal.

Não à toa maranhenses, que andam atrás de bons negócios no exterior, onde o risco de perder o investimento é mínimo, estão trocando Miami por Lisboa.

SUCESSÃO NO TJ

Afinal, quem sucederá a desembargadora Cleonice Freire, cujo mandato na presidência do Tribunal de Justiça, se encerrará em dezembro deste ano?

Alguns dizem que a bola da vez é a desembargadora Nelma Sarney.

Outros, contudo, afirmam que é o desembargador Cleomenes Cunha.

HOMENAGEM A NAURO

Arlete, esposa de Nauro Machado, desejava realizar um evento com a grandeza que o marido merece, nos seus oitenta anos.

A festa deveria ocorrer na bonita residência da família Nogueira da Cruz, na Rua das Flores, que estava em reforma.

Hoje, dia do aniversário de Nauro, na casa restaurada, o poeta lançaria o seu mais novo livro.

NATALINO NÃO PARA

Para o reitor da Universidade Federal do Maranhão, Natalino Salgado, não existe o verbo descansar.

Na madrugada seguinte à morte e enterro do pai, o reitor já estava dentro de uma aeronave com destino a Brasília.

Do aeroporto rumou direto para o Ministério da Educação, onde o ministro o esperava e a quem mostrou a planilha das despesas a serem  pagas até o final de sua gestão.

Natalino quer passar o bastão para reitora eleita, professora Nair Coutinho, sem ônus financeiro.

ACADEMIA E CEMAR

O presidente da Academia Maranhense de Letras, Benedito Buzar, marcou audiência com o presidente da Cemar.

A diretoria da instituição quer saber o motivo pelo qual a Cemar, ao apagar das luzes, não liberou os recursos provenientes da Lei de Incentivos Fiscais, cujo projeto foi aprovado pela secretaria da Cultura.

Os acadêmicos estão em pé de guerra e exigem uma explicação da empresa pelo cometimento de um ato inesperado e impensado.

PÃO COM MANTEIGA

Nestes tempos de vacas magras, o pão com manteiga voltou com toda a força.

Com o dinheiro escasso, os bares e restaurantes introduziram novamente o pão com manteiga no cardápio e alternativa nutritiva e que enche a barriga de qualquer cristão.

O pão com manteiga, que teve seus dias de glória no passado, retorna para cumprir a missão que fez dele um complemento alimentar saudável e capaz de satisfazer o mais exigente paladar.

 

 

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PACTO DE SOLIDARIEDADE

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Pouca gente sabe que sou detentor de um expressivo arquivo político. Não conheço ninguém em São Luis que tenha documentos originais ou impressos de jornais, do passado e do presente, tanto quanto eu. Reconheço que não dou aos mesmos o tratamento técnico, como manda a ciência arquivística, mas faço o possível para manter essa farta e preciosa documentação em boas condições de uso.

Recentemente, encontrei uma boa alma que me convenceu a perenizar e a deixar à posteridade tantos e tão preciosos documentos: o meu querido amigo e confrade Joaquim Haickel. Por meio de uma parceria, começou a digitalizar toda documentação manuscrita, impressa e fotográfica, esta com mais mil imagens, que recolhi ao longo do tempo, especialmente com respeito à vida política maranhense e que guardo com carinho.

Digressões à parte, que venha o que interessa. Em São Luis, a ordem do dia gira em torno de pactos. Diante disso, nada melhor do que comentar e trazer a lume um documento com assinaturas de senadores e deputados do Maranhão, publicado em jornais da época em que foi produzido.

O documento registra o sentimento de contrariedade de um grupo político ao governador que então ocupava o Palácio dos Leões. Tudo aconteceu nos idos de 1984, portanto, há mais de trinta anos, com a divulgação  do Pacto de Solidariedade, que pregava a insurgência da representação do PDS do Maranhão no Congresso Nacional ao comando do governador Luiz Rocha, pelo modo como conduzia os destinos do Estado e tratava os companheiros de partido.

Esses desencontros do chefe do Executivo do Estado com a bancada federal já vinham ocorrendo, mas faziam parte da rotina política. Só chegaram ao domínio da opinião pública a 8 de janeiro de 1984, no momento em que a imprensa de São Luis divulgou com certo estardalhaço o Pacto de Solidariedade, tendo como signatários os senadores Alexandre Costa e João Castelo, o vice-governador João Rodolfo Ribeiro Gonçalves e os deputados federais Bayma Junior, Magno Bacelar, Eurico Ribeiro, Jayme Santana, José Burnett, José Ribamar Machado, João Rebelo, Edison Lobão e Nagib Haickel, todos do Partido Democrático Social.

O impacto que o documento causou na sociedade foi bombástico, até porque não se imaginava que com Luiz Rocha no governo, eleito pelo povo, depois de três governadores com mandatos indiretos – Pedro Neiva, Nunes Freire e João Castelo, os políticos maranhenses pudessem se estranhar e entrar em rota de colisão tão prematuramente.

Depois de algumas considerações para explicar e justificar o lançamento do pacto, os signatários alertaram que o documento não tinha o propósito de embargar a ação política ou administrativa do governador, de obstruir o seu caminho e nem estava contaminado de qualquer prevenção ou má vontade para o com o seu governo.

Em vez da desagregação, da divisão, do esfacelamento e da dissidência, o que desejavam era a união para “o Maranhão, onde a cada dia aumenta a miséria, avoluma-se a fome e cresce o desemprego, se reencontrar com os atos revestidos de grandeza, desprendimento e resignação”.

Ao final do documento, uma advertência foi endereçada a Luiz Rocha: “A partir desta data, nosso apoio passa a depender do respeito, da consideração e do tratamento dispensados aos que ora se unem em função dessas ideias e princípios”.

O governador, contudo, não engoliu a seco o pacto. Como bom sertanejo, deu o troco em entrevista à imprensa. Discordou do teor do documento assinado por dois senadores, o vice-governador e nove deputados federais do PDS, e ainda mandou este atrevido recado: “Para governar o Maranhão, dispensava do apoio dos signatários do Pacto de Solidariedade”.

Foi o bastante para o surgimento de uma tréplica e do lançamento de um “Manifesto ao povo maranhense” com oito itens, sendo os três primeiros duros e ríspidos contra Luiz Rocha.

No primeiro item, o governador é acusado “de praticar atos que desagregam o partido”; no segundo, mostram o desacordo “com a demissão de milhares de funcionários e pela via oblíqua de realizar um concurso inoportuno”; no terceiro, condenam “as perseguições feitas em todo o Estado, com demissões e remoções de companheiros que contribuíram para a eleição do próprio governador”.

Do quarto ao oitavo item, esclarecem que o manifesto será levado ao conhecimento do senador José Sarney, presidente nacional do PDS; que o senador Alexandre Costa e o deputado Jayme Santana seriam os interlocutores e coordenadores do grupo; que sem a bancada federal o governador não teria viabilizado o empréstimo externo no valor 25 milhões de dólares; e que esperam de Luiz Rocha sensatez e equilíbrio para a retomada do “diálogo com a classe política e governar em sintonia com os companheiros de partido e com o povo”.

Mas a paz entre Luiz Rocha e a bancada federal não demorou a ser restabelecida. Quem a promoveu foi o senador José Sarney que, com a autoridade de presidente nacional do PDS, fez uma reunião em Brasília, em que muita roupa suja foi lavada, após o que as desavenças e os mal-entendidos foram esquecidos.

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