DILMA RESSUCITA FÓRMULA VITORINISTA

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O noticiário político nacional registrou, dias atrás e com grande estardalhaço, um episódio ocorrido no centro do poder, em Brasília: a eleição do novo líder do PMDB na Câmara de Deputados, cargo disputado por dois parlamentares, um apoiado pelo Palácio do Planalto, outro de posição contrária ao governo. Naquela eleição, os aliados da presidente da República teriam usado expedientes nada convencionais e que levaram o candidato governista, deputado Leonardo Picciani, à vitória.

Dentre os expedientes manipulados pelos dilmistas, um chamou a atenção da mídia, tanto que a ele atribuiu-se a condição de “fato inédito”. Na realidade, o que aconteceu em Brasília não foi nada inédito ou excepcional, pois em São Luis do Maranhão, há sessenta anos, fórmula semelhante, produzida pelo laboratório vitorinista e aplicada no momento certo, impediu o PSD de perder o poder para os combativos oposicionistas.

Aqui, a fórmula vitorinista veio à tona a 31 de janeiro de 1956, data marcada para o governador Eugênio Barros passar o governo ao sucessor, José de Matos Carvalho, mas impedido de assumir  porque as Oposições Coligadas impugnaram as eleições majoritárias de 1955.

Por esse motivo, Eugênio, em obediência à Constituição estadual, transfere o governo ao presidente da Assembléia, o deputado caxiense Alderico Machado, destituído do cargo por manobra das Oposições e com apoio do grupo dissidente do PSD, liderado pelo vice-governador Alexandre Costa.

Por conta dessa conspiração oposicionista, a presidência do Legislativo do Estado caiu nas mãos do deputado Costa Fernandes, que, também, não se empossa em função das ações arrojadas e impetradas pelos governistas.

Com o malogro dessas iniciativas, os governistas, mediante acordos e conchavos, elegem na marra o noviço deputado Eurico Ribeiro para presidir o Legislativo, no exercício do qual assumiu interinamente o Executivo estadual.

Para continuar à frente do Governo, no dia 2 de maio de 1956, Eurico precisava ser reconduzido à presidência da Assembleia. Horas antes da eleição, os vitorinistas descobrem que ele poderia perder pelo voto do suplente de deputado, Euzébio Trinta, que apoiava o candidato oposicionista.

Para evitar isso, a pesada artilharia palaciana entra em ação e encontra a fórmula capaz de manter Eurico na presidência do Legislativo e continuar como governador interino.

A fórmula não era de fácil execução, mas a única que daria ao governo um resultado feliz.  Para isso, Eurico, sem alarde, deixou o Palácio dos Leões e tomou o destino da Assembléia, onde com a cobertura dos colegas, investiu-se no mandato popular e habilitou-se ao direito de votar nele mesmo, ato que o reconduziria ao posto de presidente do Legislativo e se garantiria no cargo de governador interino.

A presença inesperada de Eurico no plenário gera um gigantesco tumulto. Enquanto os oposicionistas tentam impedi-lo de votar porque não estava no pleno exercício do mandato, os governistas, na base da intimidação e do grito, lutam para garantir a ele o direito de participar do processo de votação da Mesa Diretora.

Sem que ninguém se entendesse no plenário da Assembleia, por causa da confusão reinante, Eurico consegue votar e imediatamente retornar ao Palácio dos Leões, que se encontrava acéfalo.

Sem condições de reverter politicamente a situação, os oposicionistas tomam duas providências: protestam e entram com recurso na Justiça para anular a sessão, no que são frustrados pelo Judiciário, que continuava sob o controle do Palácio dos Leões.

De São Luis, em 1956, vamos para Brasília, no ano corrente de 2016. Mirando-se no caso maranhense, os aliados de Dilma, para não perderem a eleição para o candidato do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, resolvem sacrificar momentaneamente o ministro da Saúde, Marcelo Castro, que se vê transformado em arma secreta. Exonerado do cargo que ocupava, conferiu-se a ele a tarefa importante e vital para o governo: retornar ao Parlamento, reassumir o mandato e participar da votação do líder de seu partido.

Como mandava o roteiro governamental, o deputado piauiense cumpriu à risca o que a ele foi repassado. No dia seguinte, fez o caminho inverso: desvinculou-se do mandato de deputado e reassumiu o cargo de ministro da Saúde.

Ressalvando-se as circunstâncias momentâneas e minimizando as situações criadas e levadas a cabo pelos atores políticos, as operações realizadas em São Luis e Brasília, com base no cardápio vitorinista, atingiram os objetivos colimados. Apenas num aspecto a operação brasiliense se diferenciou da maranhense. Se nesta, o ator principal foi um jovem deputado estadual, naquela, um veterano parlamentar federal mostrou ainda ter fôlego para atuar em cênicas de risco.

 

FILHOS DE AMIGOS

 

Fico possuído de incontida alegria com os êxitos profissionais e/ou pelos feitos bem-sucedidos de filhos de amigos meus.

Na semana passada, por exemplo, vibrei e emocionei-me ao saber que Alim Maluf Neto, filho de Amélia e Alim Maluf elegeu-se presidente da Organização Pan-americana de Desportos Universitários.

Conheço os filhos de Amélia e Alim desde que nasceram e sei da boa educação que receberam dos pais, sempre vigilantes e atentos no tocante à educação. Por isso, não me surpreendo quando os vejo guindados a postos de responsabilidade de entidades de reputação internacional.

 

ÍCONES E EXEMPLOS

 

Sabe-se que os líderes e os governantes caem nas graças do povo quando se fazem dignos do respeito e da veneração dos contemporâneos.

No Maranhão, poucos foram os homens públicos que conseguiram  se transformar em ícones e exemplos às novas gerações.

No passado, Benedito Leite, Urbano Santos e Lino Machado, pelo que fizeram na vida pública, chegaram a ser idolatrados pelo povo.

Depois deles, só Sarney conseguiu essa proeza.

 

O EDITOR GASPAR

 

Carlos Gaspar é um intelectual multifacetado. Escritor reconhecidamente talentoso, com vários livros publicados, faz questão de neles imprimir a sua marca de editor.

Os livros de sua lavra trazem a grife de sua produção editorial, sendo a obra “O Senhor Antônio Lobo”, publicado em 2009, a de maior expressão.

Na terça-feira, 8 de março, às 19 horas, na Academia Maranhense de Letras, Gaspar vai mostrar o quanto a sua criatividade editorial cresceu em quantidade e qualidade, com o lançamento de três excelentes obras – todas inéditas – do professor Mário Meireles: “Efemérides Maranhenses”; “Com a palavra Mário Meireles” e “Correspondência”.

 

LOURIVAL EM ALTA

 

Nunca na história do Tribunal Regional Eleitoral, um presidente, em curto tempo, alcançou unanimidade tão expressiva quanto o desembargador Lourival Serejo.

Ao assumir a presidência do TRE, de imediato mostrou que  competência, seriedade e cordialidade não lhe faltam para comandar um órgão de tamanha importância na vida democrática do país.

Pela maneira como o magistrado age e se comporta ninguém duvida sobre o acerto de suas decisões, sejam elas internas ou externas.

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EU SOU DO TEMPO EM QUE…

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Na semana passada, mudei de idade. Sou um setentão assumido e bem conservado, daí porque não me queixo da vida. Ao chegar aonde cheguei, devo dizer que ora caminhei por estradas pedregosas, ora por vias bem pavimentadas, estas, felizmente, bem mais numerosas do que as outras. Também passei por dissabores, que os considero insignificantes e desprezíveis quando os comparo e os contabilizo com as venturas, os sucessos e as alegrias acumuladas e vividas, sem esquecer a família que construí e os amigos que me cercam.

Concordo com o escritor mineiro Pedro Nava quando disse que a vida é um carro andando numa estrada com as luzes traseiras ligadas. Assim é a minha vida. As luzes que a iluminam estão sempre bem acesas para que a escuridão não atropele os meus passos, que embora curtos e modestos, sempre me levaram ao caminho do bem.

Nesse percurso em busca da felicidade e de fazer o bem, não esqueço o meu passado, do qual, sem ser saudosista, tenho saudade de tantas coisas boas que presenciei e desfrutei, que recordo,lembro e não saem da minha memória,  e agora recorro para vangloriar-me de que eu sou do tempo em que…

Só se sabia o sexo da criança depois do parto, quase sempre realizado em casa, mas sob a assistência das benditas parteiras. A minha chamava-se Agostinha

Chupeta se chamava pipo e tênis (calçado) tinha o engraçado nome de chulipa.

Filho não sentava à mesa antes dos pais, cujas refeições diárias eram  preparadas em fogões movidos a lenha ou em fogareiro e carvão. Aos domingos, não se dispensava o almoço-ajantarado.

Meninos e meninas dormiam de chambre e não se deitavam sem antes rezar e serem abençoados pelos pais. Para o descanso noturno, não se dispensava a rede, debaixo da qual não podia faltar o penico ou urinol.

O local onde se fazia as necessidades fisiológicas chamava-se sentina, instalada estrategicamente no fundo do quintal da casa.

As mulheres usavam peças íntimas chamadas sunga, corpete e anágua e os homens ceroulas e cuecas samba-canção.

No verão, um calçado de madeira era usado em larga escala por homens e mulheres: tamanco ou chamató. No inverno, as galochas, produtos de borracha, protegiam os pés e sapatos.

As roupas masculinas eram feitas por alfaiates e as femininas por costureiras.

Caligrafia e tabuada eram livros obrigatórios no curso primário e os professores dos cursos secundários davam aulas de terno e gravata.

As famílias sentavam nas portas das casas para as habituais conversas de finais de tardes.

O castigo físico era um procedimento natural para corrigir filhos, sendo a palmatória o instrumento preferido para fazê-los entrar na linha.

Gripe se chamava constipação e curava-se com remédio caseiro à base de agrião e mel, sob a forma de xarope.

Carne, peixe e frango se compravam em mercados; gêneros de primeira necessidade em mercearias e quitandas.

As fardas colegiais eram feitas de tecidos grossos, do tipo cáqui ou brim.

Os homens só cortavam cabelo com barbeiros e as mulheres gostavam de um penteado chamado permanente.

Festas dançantes, em clubes, eram animadas por orquestras. Em residências particulares, por radiolas ou toca-discos, que funcionavam à base de discos vinil.

Defuntos eram velados em residências e a roupa preta era sinal de luto.

Calcigenol, Biotônico Fontoura, Emulsão de Scott, Melhoral, Pomada Minâncora, Anaseptil, Phimatosan, Elixir Xavier, Bicabornato de Sódio, Pílulas de Vida do Dr. Ross, Bromil, Leite de Magnésia Philips, Elixir de Inhame Goulart, Ozonil, Cibazol e Coramina eram remédios mais procurados nas farmácias.

Sabonetes Phebo, Eucalol e Lever; pasta dental Kolinos e Philips; óleo de cabelo Glostora; talco Gessy, perfumes Regina, desodorantes Leite de Rosas ou Leite de Colônia, eram produtos de uso pessoais mais consumidos.

Padres usavam batina preta, celebravam os ofícios religiosos em latim e de costas para os fiéis. Ninguém comungava sem antes confessar os pecados aos padres.

Jogo de futebol era chamado match. Quem jogava no gol era keeper; na defesa, back; na intermediária, half; centro avante,  center ford ward. Juiz da partida, referee.

Automóveis de passageiros eram conhecidos por carros de praça e o ato de levá-los para algum lugar chamava-se corrida.

Wisky era bebida de rico. Cerveja, cinzano, vermute e conhaque, da classe média; cachaça, dos menos aquinhoados.

Mulheres do baixo meretrício, respondiam pelos nomes de prostitutas, raparigas, mariposas, gatos. Homem que não pagava mulher depois do ato sexual chamava-se xexeiro.

Zica era uma famosa dona de pensão de raparigas da Rua 28 de Julho.

SAIDEIRA E LAVA PRATO

Os cariocas resolveram adiar o carnaval por mais um dia. No Rio de Janeiro, quarta-feira de cinzas agora é prolongamento da temporada carnavalesca. A essa novidade deram o nome de Saideira.

No Maranhão e na Bahia, o prolongamento do carnaval não é novidade. É uma tradição que se arrasta ao longo do tempo. Em Salvador, a folia continua e só acaba na noite de quarta-feira de cinzas.

No Maranhão, o carnaval também é prolongado. Em vez de São Luis, a folia é São José de Ribamar, no domingo seguinte à brincadeira de Momo.

DENGUE E GRIPE

O clamor popular, em torno da dengue e da zica, é quase uma repetição do que aconteceu a 50 anos em São Luis.

O Maranhão era governado por José Sarney, quando a população foi atacada de modo avassalador por uma gripe chamada “Hong-Kong”.

O vírus causador do surto gripal, enquanto não identificado, causou pânico, mas foi vencido pela ação rápida e eficiente do governador Sarney e do secretário de Saúde, José Murad, que conseguiram debelá-lo por meio de vacinas.

MAGNO POR EINSTEIN

O troca-troca de nome de escolas estaduais, executado pelo governo do Maranhão, um ganhou destaque e motivo de especulação.

O realizado na cidade de Coelho Neto, em que o Centro de Ensino Médio Magno Bacelar passou a se chamar Albert Einstein.

Das 37 mudanças, a do Centro de Ensino de Coelho Neto foi a que não chocou a opinião pública, pois entre Albert Einsten e o resto dos  indicados, a diferença é gritante.

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MÁRIO FLEXA: O ÚLTIMO VITORINISTA

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Daquela safra de políticos, que participou ativamente do período em que o senador Vitorino Freire mandou no Maranhão ( 1946-1965),  o  que restava vivo, acaba de nos deixar: Mário Flexa Ribeiro, um paraense que chegou a São Luis em 1948, com a missão de reestruturar o IBGE.

Em 1950, cumprida a tarefa, recebe ordem para retornar a Belém, mas não a cumpre até porque havia casado com Helena, com quem teve dois filhos, e construído uma miríade de amigos, a maioria políticos governistas. Nesse ano, ocorreram as eleições ao governo do Maranhão e Mário Flexa nelas atuou com desenvoltura em favor do candidato Eugênio Barros, cuja diplomação e posse as Oposições Coligadas contestavam na Justiça Eleitoral.

Foi nessa oportunidade que ele começou a mostrar serviços ao vitorinismo, ao ser convocado pelo governador para dirigir a Imprensa Oficial e executar uma verdadeira operação de guerra: a publicação dos atos indispensáveis à legalização da investidura de Eugênio no governo, que os oposicionistas, entrincheirados na porta do órgão, não deixavam funcionar.

Com 70 homens armados, partiu nas caladas da noite do Palácio dos Leões para a Imprensa Oficial. Bastou que os primeiros tiros fossem para o ar para a operação ser bem-sucedida e o órgão voltasse a funcionar e publicar tudo de interesse dos governistas.

O destemido gesto de Mário Flexa o credenciou como homem de confiança e leal, características que o levaram a ser nomeado servidor público do Estado pelo governador Eugênio Barros, e convidado em seguida para comandar o Departamento Estadual de Estatística.

Em 1954, quando se dariam novas eleições majoritárias e proporcionais, o médico Mattos Carvalho, candidato à sucessão de Eugênio Barros, realizou o sonho de Mário Flexa: o indicou para figurar na chapa do PSD à Assembleia Legislativa. As urnas corresponderam às suas expectativas, elegendo-o com boa votação e bem sufragado pelo eleitorado de São Luis, à época visceralmente oposicionista.

Seu desempenho parlamentar não surpreendeu a cúpula vitorinista, pois votava sem pestanejar nas propostas do governo e repudiava as apresentadas pelas Oposições. Resultado: ganhou lugar cativo nas chapas do PSD nas eleições de 1958 e 1962, obtendo votações suficientes para ser um deputado de tempo integral e dedicação exclusiva à causa situacionista e à família Caldas, fazendo dobradinha com Líster, candidato a deputado federal.

No meu livro “Vitorinistas e Oposicionistas”, editado em 2001, Mário Flexa foi um dos atores políticos biografados. Ao narrar a sua trajetória no PSD e no grupo vitorinista, não mostrou constrangimento ou coisa que o valha ao lembrar as peripécias e as astúcias que costumava fazer antes, durante e após a realização dos pleitos, em benefício próprio ou dos companheiros de partido.

Das inúmeras relatadas, destaco estas. Não foram poucas as entrevistas dadas por ele às emissoras de rádio como se fosse Vitorino Freire. O timbre de voz de ambos era tão semelhante que Mário se dava ao luxo, como se fosse o senador, de ordenar os chefes políticos do interior a votarem nele. 2) Numa eleição em São Luis, ao se aproximar de uma seção eleitoral, recebeu três tiros de Erasmo Dias, mas não foi atingido por nenhum. Por conta disso, virou vítima e ganhou votos. 3) Tinha fama de fraudador e tudo fazia para merecê-la. Em Tutóia, enquanto os adversários preparavam transporte para levar os eleitores para votar, ele, nas caladas da madrugada, dinamita a ponte que ligava o povoado à cidade. Resultado: nenhum eleitor compareceu à cabine eleitoral, mas todos votaram graças às ações maquiavélicas de Mário.

Segundo Mário, o PSD foi imbatível no Maranhão porque “Tinha dinheiro à vontade, sabia usar a máquina administrativa, e possuía cargos públicos e vantagens materiais para comprar eleitores, fiscais, mesários e juízes.”

MARQUÊS DE SAPUCAÍ

A figura humana, que deu nome ao sambódromo do Rio de Janeiro, teve papel destacado no Maranhão após as lutas pela independência do Brasil.

O Marquês de Sapucaí, registrado com o nome de Cândido José de Araújo Viana e preparado política e intelectualmente, foi o quarto presidente da província do Maranhão, no primeiro reinado, de janeiro de 1829 a outubro de 1832.

Ele mandou libertar o jornalista José Cândido de Morais e Silva, que lutava pelas causas do povo maranhense, por isso, o Marquês de Sapucaí caiu nas graças da população.

AUSENÇA E PRESENÇA

O carnaval de São Luis deste ano foi igual ao de 2015, ou seja, marcado pela ausência do povo e presença de policiais nas ruas.

Coincidentemente, o governo de Flávio repetiu o de Jackson, no que diz respeito à folia.

Queiram ou não, nos últimos tempos, só Roseana conseguiu remover das cinzas o carnaval de São Luis.

JOÃOSINHO TRINTA

Neste carnaval, nunca o axioma “rei morto, rei posto” foi tão verdadeiro.

Nos desfiles das escolas de samba, no Rio de Janeiro, nos quais o maranhense Joãosinho Trinta brilhou anos a fio, graças à criatividade e ao luxo que introduziu no sambódromo, foi literalmente esquecido.

Não recebeu homenagem de nenhuma escola e nem lembrado pela equipe da TV Globo.

UM PREFEITO ALOPRADO

Não entro no mérito se houve ou não estupro. Limito-me estritamente ao assédio ensandecido e aviltante, praticado por um homem público e médico, em pleno século XXI, com a liberação sexual incrivelmente escancarada.

Será que este cara, que tão péssimo exemplo deu à comunidade que o elegeu, que legou à posteridade uma estúpida lição de comportamento moral, que infligiu a todas as regras da convivência social, pode continuar à frente dos destinos de uma cidade?

Repondo com letras maiúsculas: NÃO. Se ele tiver vergonha, renuncia ao mandato. Se assim não proceder, o povo e as autoridades se obrigarão, com as armas da lei, a expurgá-lo do cargo.

UM GOVERNO ICONOCLASTA

Só faltava essa: o Maranhão voltou aos tempos do movimento de contestação à veneração de ícones de qualquer natureza. A iconoclastia surgiu no século VII e os elementos que dela faziam parte cultivavam a destruição das crenças e das tradições.

Com base num decreto, assinado no limiar do carnaval, o chefe do Executivo, mudou a denominação de 37 estabelecimentos escolares. Os homenageados vivos foram substituídos por gente morta.

Salvo melhor juízo, as escolas passaram a ter patronos desconhecidos e ignorados quanto aos benefícios prestados à educação maranhense.

 

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50 ANOS DA MORTE DO BAILE DE MÁSCARA

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A população de São Luis foi tomada por desagradável surpresa no dia 2 de janeiro de 1966, quando os jornais publicaram o decreto do prefeito Epitácio Cafeteira, que proibia taxativamente a realização de bailes populares ou de máscaras.

O ato, inesperado e demagógico, veio à tona, segundo o prefeito, porque o poder público precisava agir em defesa dos costumes sadios e da moralidade da comunidade, bem como erradicar as licenciosidades praticadas nos bailes populares, estes, acusados de focos de corrupção sexual.

O decreto de Cafeteira, de imediato, causou polêmica, debate e discussão na cidade. Se alguns setores sociais o aplaudiram, por vê-lo como instrumento de proteção das mulheres, especialmente da periferia, explorada pelos donos dos bailes, que as usavam inescrupulosamente, outros, contudo, o condenaram pelo fato de acabar com um evento específico de São Luis, que se melhor trabalhado e  organizado e mais policiado, para evitar abusos, poderia ser fonte de receita e atrativo turístico.

A primeira reação contra a atitude do prefeito veio dos promotores dos bailes de máscaras, que haviam contraídos empréstimos e assumidos compromissos para fazer face às múltiplas despesas requeridas pelos eventos. Apavorados com os iminentes prejuízos, contrataram advogados para pleitear na Justiça a ilegalidade de tão impensado ato.

A segunda reação surge nos escaninhos dos partidos políticos que apoiavam o governador José Sarney, que ainda não haviam deglutido a vitória de Cafeteira sobre o candidato do PSP, Ivar Saldanha, nas eleições de outubro de 1965.

Sintonizados com o sentimento popular – na sua grande maioria repudiava a atitude do gestor -, o vice-governador Antônio Dino e o deputado Clodomir Millet, por meio dos meios de comunicação, contestaram o decreto, sustentados na tese de que baile de carnaval não é assunto da competência da prefeitura, mas da Secretaria de Segurança, a quem cabe zelar pelos costumes e fiscalizar as diversões públicas.

Com base nos argumentos de Dino e Millet o coronel Antônio Medeiros, convoca a imprensa para anunciar a competência da Secretaria de Segurança com respeito aos bailes e autorizar o funcionamento dos mesmos, segundo a portaria já assinada.

A interferência do governo do Estado no problema, em vez de arrefecer a crise, ao contrário, elevou-a. Manifestações contra e favor do decreto incendiaram a questão, que foi parar na Justiça, onde Cafeteira impetra recurso para tornar sem efeito o ato do coronel Medeiros. Como se não bastasse, o prefeito ainda contrata blocos, escolas de samba e outras brincadeiras momescas, para nas ruas protestarem contra a portaria da secretaria de Segurança.

Tais manifestações repercutiram imediatamente no Palácio dos Leões, fazendo o governador José Sarney solicitar ao comando da Guarnição Federal a instauração de inquérito policial-militar para apurar e investigar ato que pregava publicamente a desobediência coletiva ao cumprimento da lei.

Com a portaria da Secretaria de Segurança em vigência, mas sub-judice, a temporada momesca chega ao final sem o funcionamento dos bailes populares. Só quatro meses depois do carnaval, ou seja, em 16 de junho de 1966, por cinco a três, o Tribunal de Justiça, profere uma sentença salomônica: acha perfeito e revestido das formalidades legais o ato da Secretaria de Segurança, mas considera líquido e certo o direito de Cafeteira de contestá-la.

Resumo da opereta: 1) no ano seguinte nenhum promotor de festa carnavalesca quis correr o risco de realizá-la; 2) Cafeteira fica com a glória de ser o coveiro  dos bailes de máscaras de São Luis.

 

BREVES RECORDAÇÕES DO CARNAVAL DE SÃO LUIS

Em 1950, deixei Itapecuru para estudar em São Luis. Ao chegar aqui não imaginava que o carnaval fosse um evento popular tão empolgante e com capacidade de mobilizar toda comunidade.  Era garoto, mas lembro das chamadas brincadeiras de Momo, que, à época, se concentravam na Praça Deodoro e nas Avenidas Silva Maia e Gomes de Castro. A partir das 16 horas, nesse perímetro urbano, literalmente decorado com alegorias carnavalescas, desfilavam as figuras que marcavam a folia: palhaços, odaliscas, pierrôs, arlequins, dominós, colombinas e fofões.

O carnaval parava a cidade e o poder público praticamente não interferia nas brincadeiras de rua. Tudo funcionava espontaneamente e na base da descontração e da alegria.  Até o entrudo, brincadeira que consistia em jogar água, pó, farinha e tintas nas pessoas, era aceita e tolerada. Quem não gostava do entrudo, vibrava com os corsos, ranchos, blocos, batucadas e turmas de samba.

Os corsos apresentavam-se em carros enfeitados, com moças e roupas coloridas, que jogavam confetes e serpentinas e tocavam pandeiros e tamborins. Outras brincadeiras também saiam às ruas para brindar o público, como Baralhos, Fidalgas, Cordões de Ursos, Fofões, Casinha da Roça, esta, até hoje, mantém a tradição de desfilar e encantar a cidade. Os blocos, não sofisticados como agora, mas bem organizados, estilizados e cadenciados, a exemplo dos Fuzileiros da Fuzarca, Cadetes do Samba, Vira-Latas, Sentenciados, Bando da Lua, Turma de Mangueira, do João Paulo, Turma do Quinto, da Madre de Deus, e Tribos.

Quem tinha fôlego de sobra, além de brincar na rua, ainda participava das noitadas carnavalescas, em bailes de segunda, promovidos em casas particulares e familiares, de classe média; em assaltos, que aconteciam em domicílios particulares, cujos donos só tomavam conhecimento da festa quando os brincantes chegavam e acompanhados de orquestra e bebidas; em clubes da alta sociedade – Casino Maranhense, Grêmio Lítero Recreativo Português e Jaguarema, neste, o baile da segunda-feira de carnaval, tendo como ponto alto o desfile de fantasia, com prêmios compensadores para os vencedores.

Houve tempo, em que o Teatro Artur Azevedo serviu de palco para a realização de festas carnavalescas, destinadas à alta sociedade e promovidas por entidades beneficentes. Exigência para participar do baile: fantasia de luxo ou traje a rigor.

Não podem ser esquecidos os bailes populares ou de máscaras, famosos e conhecidos por Gruta de Satã, Berimbau, Cantareira, Vassourinha, Bigorrilho, Inferno Verde e tantos outros. As mulheres não pagavam, mas só tinham acesso se mascaradas, fetiche para atrair os homens.  O mais famoso deles – o do Moisés, caprichosamente decorado, animado pelas melhores orquestras e com um batalhão de mulheres sedutoras, que deixavam os políticos e empresários embasbacados.

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