DEZ ANOS SEM RENATOARCHER

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No dia 20 de junho de 1996, o Maranhão amanheceu triste e lamentando a morte de um de seus mais qualificados filhos, do ponto de vista intelectual e político: Renato Archer, de 73 anos. O óbito deu-se no Instituto do Coração de São Paulo, em decorrência de problemas respiratórios depois de ter sofrido uma cirurgia cardíaca.

Nascido em São Luis, a 10 de julho de 1922, filho de Maria José e Sebastião Archer da Silva. Fez o primário em São Luis e continuou os estudos no Rio de Janeiro, preparando-se para ingressar na carreira militar, na Escola Naval, da qual saiu em fevereiro de 1945, no posto de segundo-tenente da Marinha.

Sua carreira militar foi meteórica, pois, em 1946, dava os primeiros passos na política, participando da campanha do pai e ex-prefeito de Codó, Sebastião Archer, candidato ao Governo do Maranhão, pelo Partido Proletário do Brasil, que Vitorino Freire alugou pela perda da legenda do PSD para Genésio Rego.

No governo do pai, exerceu o cargo de oficial de gabinete, de onde alçou vôo para disputar a vice-governança, nas eleições de 1950, na chapa encabeçada pelo ex-prefeito de Caxias, Eugênio Barros, que, eleito, não deu a oportunidade a Renato de participar da administração estadual.

Em 1954, candidata-se a deputado federal pelo PSD, que Vitorino reconquistara, sendo um dos mais votados. Na Câmara Federal, com os jovens parlamentares, Ulisses Guimarães, Nestor Jost, Cid Carvalho, Vieira de Melo, José Jofilly e Oliveira Brito, forma a Ala Moça do PSD.

Partiu desse grupo renovador, o lançamento da candidatura de Juscelino Kubitscheck à Presidência da República, que, eleito, deflagra um processo de reformas no País, sofrendo, por isso, a tentativa de deposição por um grupo de oficiais da Aeronáutica. Renato reage a essa conspiração, que visava instalar um regime de exceção e entregar as nossas riquezas naturais aos americanos e acabar o programa de pesquisas de energia nuclear, que o deputado maranhense, autoridade no assunto, denuncia no Congresso Nacional.

Pelo convincente desempenho, reelege-se deputado em 1958.  Em 1961, a renúncia do presidente Jânio Quadros leva o País a uma crise institucional, cujo desfecho é a posse do vice-presidente João Goulart, com o regime presidencialista transformado em parlamentarista. Nesse Governo, Renato assume o cargo de Subsecretário do Ministério das Relações Exteriores, a convite do ministro Santiago Dantas.

Em 1962, se elege pela terceira vez deputado federal. Assume a vice-liderança do PSD e trabalha obstinadamente pela volta de JK à Presidência da República, projeto interrompido pelo movimento militar de abril de 1964, que detona João Goulart e instala uma explícita ditadura.

Mesmo sob o regime de exceção, em 1965, Renato lança-se candidato à sucessão do governador Newton Bello, tendo o deputado José Sarney como principal opositor e apoiado pelo regime militar, que realiza no Maranhão uma avassaladora revisão eleitoral.

Para defenestrar Renato do páreo sucessório, o Presidente Castelo Branco exige do governador Newton Bello a degola de seu candidato. O parlamentar repudia o veto militar, mas não consegue derrubá-lo. Resultado: troca o PSD pelo PTB, participa do pleito, mas sem o respaldo das tradicionais forças políticas, não se elege.

Com a extinção do multipartidarismo, surgem a Arena e o MDB. Por este partido, Renato, nas eleições de 1966, conquista o seu quarto mandato, no exercício do qual articula a Frente Ampla, com a participação de Carlos Lacerda, JK e Jango.

O Governo, por meio do Ato Institucional nº 5, suspende as atividades políticas da Frente Ampla, cassa mandatos e suspende por dez anos os direitos políticos de Renato, sendo, ademais, perseguido e preso.

Afastado coercitivamente da vida pública, a ela só retorna em 1979, engajado ao PMDB, pelo qual disputa o pleito de governador do Maranhão, enfrentando o deputado Luiz Rocha (PDS), que o vence inapelavelmente. Isto, contudo, não retira dele a vontade férrea de livrar o Brasil do draconiano regime. Ao lado de Ulisses Guimarães, percorre o País de ponta a ponta, pregando o retorno das eleições diretas. Enquanto isso não ocorre, as forças democráticas criam a Aliança Democrática e derrotam no Colégio Eleitoral os candidatos do Governo. Eleitos para Presidente e vice da República, Tancredo Neves e José Sarney, convocam Archer para chefiar o Ministério da Ciência e Tecnologia. Com a reforma ministerial, Sarney o nomeia ministro da Previdência Social, onde fica até o rompimento do PMDB com o Chefe da Nação.

Em 1986, tenta recuperar o mandato de deputado federal, no Maranhão, mas, desta feita, as urnas não se mostram a ele favoráveis. Decepcionado, transfere o domicílio eleitoral para o Rio de Janeiro, onde é insistentemente convidado a se candidatar, mas prefere presidir a Embratel, no governo do Presidente Itamar Franco e mantido na gestão de Fernando Henrique. Depois, preside o Comitê Rio 2004, para a Cidade Maravilhosa ser a sede dos Jogos Olímpicos de 2016.  Esta, a última função que exerceu ao longo de sua brilhante trajetória pública.

SOLIDARIEDADE A SARNEY

O advogado Fernando Belfort, em louvável gesto, recolhe assinaturas de advogados para a formalização de um documento cujo destino é Brasília.

O documento tem duplo objetivo: Primeiro, prestar solidariedade a José Sarney por ser desabridamente atacado por um “monstro moral”.

Segundo, revelar ao povo brasileiro que o Maranhão jurídico repudia aquela sórdida delação premiada, com o sentido de macular a honra e a vida pública de um homem que prestou relevantes serviços ao País.

NADA DE CELULAR

Para evitar complicações políticas, o Palácio dos Leões, estaria estudando um meio de evitar a presença de aparelhos celulares nas audiências do governador.

Como a medida é delicada e precisa ser analisada sob diversos ângulos, ainda não tem prazo para ser adotada.

Ao ser informado dessa novidade, Flávio Dino não a viu com bons olhos.

GREVE DE 1951

Mais uma produção cinematográfica sobre um episódio histórico ocorrido no Maranhão está em processo de realização pelo cineasta Joaquim Haickel.

Trata-se da Greve de 1951, movimento político desencadeado em São Luis contra a posse do governador Eugênio Barros.

As filmagens já se iniciaram com as entrevistas de Benedito Buzar, Reginaldo e Maria Lúcia Teles, Joaquim Itapary e Sebastião Jorge.

FENÔMENO POLÍTICO

Eu ouvi da boca de Ricardo Murad a afirmação de se não aparecer um fenômeno político em São Luis a futura prefeita será Eliziane Gama.

Pelo que as recentes pesquisaram mostraram, a profecia de Ricardo pode virar realidade, pois o deputado Wellington do Curso promete ser o fenômeno das eleições de 2016.

DEVOLVER MANDATO

O deputado Waldir Maranhão acertou com a direção da Universidade Estadual do Maranhão o plano para devolver, mensalmente, o dinheiro que indevidamente lhe foi pago.

Falta agora Waldir acertar com o povo a devolução do mandato que lhe foi outorgado, mas que não soube cumprir.

CAMISA DE VARA

O deputado Hildo Rocha pode vestir camisa de vara por conta da denúncia na Câmara Federal de que congressistas estão extorquindo empresários, para não serem convocados a depor na CPI.

Até agora Hildo não revelou o nome desses parlamentares, mas a pressão já é grande para abrir a boca. Será que resiste?

A cidade de Cantanhede, principal reduto do deputado maranhense, está apreensiva.

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O SETENTÃO GASTÃO

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Não foram poucas as vezes que o aniversariante de hoje recebeu de mim o testemunho da forte amizade que lhe dedico e de que sempre estou presente nas ferrenhas lutas travadas contra as incompreensões, as conspirações, as invejas dos que se acham donos da verdade e querem destruí-lo ou jogá-lo no ostracismo porque pratica a política com P maiúscula e não a usa para fins ilícitos.

Em momentos dramáticos, Gastão teve de minha parte a demonstração viva da amizade, a manifestação da solidariedade e o intransigente apoio, que sempre fiz questão de expressar pública e particularmente.

Recordo-me do artigo “Ter um amigo como Gastão”, veiculado, neste espaço jornalístico, na hora em que uma tempestade política desejava arrastá-lo para “mares nunca dantes navegáveis”, como dizia o poeta. Sem pestanejar parti para defendê-lo, confortá-lo moralmente, e proclamar em alto e bom som que, por acompanhar de perto a sua atuação pública, de técnico e político, testemunho o rigor com que a cumpre com lisura, responsabilidade e sem arredar dos princípios éticos que o levaram à conquista do respeito da sociedade pelas causas defendidas, algumas vezes, obrigando-se a pagar um preço alto.

No mesmo artigo, também, revelei a satisfação e o orgulho de tê-lo visto em ação ao longo do tempo, com exemplar desempenho, no governo Pedro Neiva de Santana, de onde saiu para trabalhar no Conselho de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e depois no Projeto Carajás, em Brasília, migrando em seguida para a política, elegendo-se deputado estadual à Assembleia Legislativa pelo PMDB por dois mandatos, brilhando, especialmente, na elaboração da nova Constituição do Maranhão, em 1989.

Devido à sua extraordinária atuação parlamentar, chegou à Câmara Federal, cumprindo quatro mandatos, no exercício dos quais respondeu pela vice-liderança do PMDB e pela presidência da Comissão Nacional de Educação.

Essa atuação parlamentar interrompeu-se nos Governo Edison Lobão e Roseana Sarney, chamado para ocupar os cargos de secretário de Planejamento e da Educação, notabilizando-se pelo trabalho executado. Anos depois, teve o reconhecimento público nacional pela presidente Dilma Roussef, que o nomeou ministro do Turismo, no momento em que o órgão estava desacreditado e ele, com a sua indiscutível inteligência, recuperou o prestígio do Ministério dentro e fora do país.

Em outro momento da vida pública de Gastão, não recuei da batalha na qual se viu envolvido, em meio às dificuldades e adversidades, como  candidato ao Senado da República e ocupar a vaga de Epitácio Cafeteira, cuja vida política, felizmente, chegava ao fim. Naquela tumultuada ocasião, por meio do artigo “Hora e vez de Gastão”, insurgir-me de público contra a implosão de uma candidatura que o Maranhão reclamava, mas que a mesquinharia e a politicalha ameaçavam pulverizá-la através de manobras sórdidas, mas sustadas diante da reação e da permanente vigília dos familiares e amigos.

A luta travada por Gastão para disputar aquela eleição majoritária tinha um precedente nada edificante. Bastava lembrar o pleito de 2004, em que concorreu ao cargo de prefeito de São Luis e ficou perdido no meio do caminho sem lenço e sem documento, como diria Caetano Veloso, ele, o candidato mais preparado para gerir os negócios da prefeitura e dono do melhor discurso na campanha.

Inobstante às cautelas tomadas, infelizmente, a campanha de 2014, mutatis mutandis, assemelhou-se à de 2004.  A sua candidatura chegou tardiamente às ruas e às cidades do interior e não contou com os instrumentos necessários para levar de roldão o seu opositor. Mesmo assim, teve fôlego para suportar as adversidades e só perdeu por força de um pesado rolo compressor do candidato adversário.

Quando vejo a luta de Gastão para conquistar um lugar ao sol nesse intrincado cenário político maranhense, não compreendo como isso acontece com um dos melhores quadros da nossa vida pública, ele, dotado de valiosas qualidades morais e intelectuais, aprovado como político e técnico, pronto e no ponto de ser um excelente governador do Maranhão, pois preparo e conhecimento tem de sobra.

Se isso acontece no plano local, o mesmo não ocorre no plano nacional, onde Gastão, por mérito e justiça, foi convocado para ocupar lugares de relevo, como ministro do Turismo, no primeiro governo de Dilma, e recentemente, nomeado, no segundo governo Dilma, para presidir o FNDE, o órgão mais importante do Ministério da Educação, que o presidente Michel Temer deseja mantê-lo, por conta da sua vida limpa e honrada e pelos serviços relevantes prestados ao Maranhão e ao Brasil.

FEIRA DO LIVRO

O prefeito Edivaldo Holanda Júnior, a despeito das dificuldades financeiras da prefeitura, bateu o martelo.

A Feira do Livro de São Luis será realizada chova ou faça sol, na Praia Grande, mas em menos dias do que as anteriores. Em vez de dez dias, apenas uma semana.

O prefeito decidiu fazê-la para que a sua gestão não seja responsabilizada pelo fim de um evento cultural tão importante para a cidade.

JOVENS DEPUTADOS

Lamentavelmente, os deputados federais da bancada maranhense, que se posicionaram ao lado do deputado Eduardo Cunha, são os mais jovens.

Fufuquinha e Alberto Filho sucumbiram diante das promessas e das conversas mirabolantes do deputado Eduardo Cunha e votaram contra o relatório que manda cassar o seu mandato parlamentar.

Vão ficar marcados pelo resto da vida.

CIDADANIA MINEIRA

O advogado Carlos de Araújo Cateb, meu amigo e colega de turma, na Faculdade de Direito de São Luis, recebeu na semana passada o título de Cidadão Honorário de Belo Horizonte.

A outorga da honraria foi conferida ao nosso conterrâneo pela Câmara Municipal da capital de Minas Gerais.

Motivo: há quarenta anos ele preside a Associação Profissionalizante do Menor de Belo Horizonte, que cuida de preparar os adolescentes e os jovens pobres para uma vida mais digna e menos sofrida.

NOTA DE HAICKEL

Na última edição do Festival Guarnicê de Cinema, promovido pela Universidade Federal do Maranhão, 16 filmes foram selecionados para a competição de curtas metragens.

Quatro deles foram realizados por maranhenses, sendo três produzidos pelo cineasta Joaquim Haickell e meritoriamente premiados.

Foram também premiados O Assalto, de Arturo Saboia, e Signo das Tetas, de Fred Machado.

STALIN OU KRUSCHEV?

Um blogueiro, que não gosta do governador Flávio Dino e muito menos de seu governo, resolveu compará-lo a um estadista russo, razão pela qual passou a chamá-lo de “Stalin do Maranhão”.

Muita gente não concorda com essa comparação e acha que

Flávio está mais para Kruschev do que para Stalin.

FILHO DE CERVERÓ

O ex-presidente José Sarney escapou das investidas feitas por Bernardo Cerveró, que desejava entrevistá-lo.

O filho do ex-diretor da Petrobrás, Nestor Cerveró, tentou várias vezes encontrar-se com Sarney, em Brasília.

Mas o ex-presidente desconfiou daquela entrevista inusitada e tirou o corpo fora.

Bernardo foi o mesmo que gravou conversas com o senador cassado Delcídio Amaral.

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O ORGULHO DE VIVER EM SÃO LUIS

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Dias atrás, li, achei interessante e guardei um artigo da deputada Eliziane Gama, intitulado “São Luis acima de tudo”, em que mostra o sentimento que devota à urbe “linda e cheia de encantos (…) de cultura pujante e diversa que nos honra e nos orgulha.”

Guardei o texto de Eliziane, e caso se eleja prefeita de São Luis, para lembrar e cobrar o compromisso que assumiu publicamente de trabalhar pela “cidade tão bela e querida, mas tratada com tanta falta de zelo.”

Ao me deter no artigo da candidata, o meu pensamento foi direto para São Luís da época em que o coletivo falava mais alto do que o individualismo pernicioso de hoje.  Nisso, a meu ver, reside a diferença entre a cidade do passado e do presente. Naquela, a marcante força do coletivo. Nesta, o predomínio do individualismo. Por conta disso, a São Luis de ontem era mais humanizada e civilizada que a de hoje.

Rever São Luis com os olhos de ontem, faz bem e me deixa em estado de êxtase, pois a relembro com a sua modesta configuração espacial e populacional, e sem os problemas sociais que hoje as administrações enfrentam. Nada mais prazeroso do que recordar a cidade com o seu ritmo de vida polarizado em torno do centro urbano, onde a classe média alta e a elite moravam e trabalhavam em casarões coloniais, bem arejados e tratados com esmero e cuidado.

Era naquele pedaço de chão, o mais valorizado da capital maranhense, que os comerciantes tinham seus negócios. Na Rua Grande, pontificavam os lojistas, varejistas e retalhistas; na Paria Grande, os importadores de produtos manufaturados, e os exportadores de matéria prima e de gêneros alimentícios para o estrangeiro ou sul do país.

Fora do centro urbano, gravitavam os principais bairros da urbe ludovicense: Areal (hoje, Monte Castelo), Jordoa, João Paulo e Anil, considerados suburbanos, onde o operariado e as classes menos favorecidas viviam, mas sem os estigmas da miséria social. Do Anil em diante, uma minoria burguesa se privilegiava das chácaras para usufruir temporadas e férias.

Para o deslocamento da população urbana e suburbana, os meios de transporte em voga eram os bondes, que se encarregavam de conduzir os passageiros, moradores ou não no centro da cidade. Havia bondes que circulavam apenas no perímetro urbano – São Pantaleão, Estrada de Ferro e Gonçalves Dias – e os que serviam aos bairros Areal, João Paulo e Anil, estes, com reboques e destinados ao transporte de gêneros alimentícios produzidos no interior da Ilha.

Não é absurdo pensar numa cidade com poucos meios de diversão, lazer e desprovida de boates, barzinhos, casas de shows, restaurantes refinados. A despeito disso, a sociedade contentava-se e divertia-se, principalmente nas temporadas carnavalesca e junina, nos clubes sociais – Cassino Maranhense, Grêmio Lítero Recreativo Português e Clube Jaguarema, que organizavam programações festivas, animadas por orquestras e conjuntos musicais do porte do Jazz Alcino Bílio, Jazz Vianense, Nonato e seu Conjunto.

À falta da televisão, restava alternativa de ver filmes nos cines Eden, Roxy, Rialto, Rival, com os grandes astros e estrelas do cinema americano – Gary Cooper, Clarck Gable, Gregory Peck, Alan Ladd, Tony Curtis, Doraty Lamour, Elizabeth Taylor, Ava Gardner, Mitzy Gaynor, Jeniffer Jones, Bete Davis, ou, então assistir, periodicamente, peças teatrais no Teatro Artur Azevedo, encenadas por companhias do sul do país ou de artistas locais. As emissoras de rádios da cidade – Timbira e Ribamar, com grande audiência, ofereciam programas bem imaginados e com boas atrações artísticas. Os jornais – O Imparcial, O Combate, Jornal do Povo, Diário de São Luis – circulavam pela manhã. Uns atacavam, outros defendiam o governo, sendo, por isso, bastante lidos e vendidos por jornaleiros.

Nada melhor do que sonhar com uma cidade que acordava sob o estridente apito das fábricas que circundavam a cidade – Santa Isabel, Santa Amélia, Fabril, Cânhamo, São Luis, Martins Irmãos, Camboa, Rio Anil, entre outras, que produziam tecidos, sabões, óleos comestíveis, lonas, fios, sacos, algodão hidrófilo, ou então por homens que batiam cedo às portas das casas para entregar pães e leites ou vender legumes, verduras, camarão fresco, gelo e outros produtos domésticos, ao som de pregões ritmados e divertidos.

Como o espaço do jornal não permite avançar mais, fico por aqui, sem antes asseverar ser assim a São Luis que conheci e por ela me encantei. Foram anos inesquecíveis que só através do sonho posso revê-la e senti-la. Como retroagir ao passado é inviável, sirvo-me das palavras para amenizar a saudade daquela urbe provinciana, que continua inapagável em minha memória, bem como de algumas pessoas que nela viveram e já partiram para a eternidade, as quais, pela identidade com a cidade, serão sempre perenizadas e exaltadas, a exemplo dos ex-prefeitos Haroldo Tavares e Rui Mesquita, que pensaram fazer de São Luis uma cidade digna e para todos, mas morreram frustrados e incompreendidos.

PAI INÁCIO

Durante algum tempo, dizia-se, com foros de verdade, que Bita do Barão, famoso babalorixá de Codó, era o oráculo espiritual e político da família Sarney.

Nos tempos atuais, surge repentinamente na cidade a figura do Pai Inácio, que dá nome a uma ponte recentemente construída pelo prefeito Edivaldo Holanda Júnior.

Há quem diga que Pai Inácio virou o protetor político e espiritual dos atuais ocupantes do Palácio dos Leões e La Ravardiére.

SOLIDARIEDADE AO GOVERNADOR

O governador Sálvio Dino ficou impressionado com o sentimento de solidariedade do povo de São Luis com relação a um problema familiar pelo qual viveu recentemente.

Ele recebeu, até mesmo de pessoas politicamente adversas, demonstrações de apoio e de fé, pelo restabelecimento da saúde do filho,  que chegou a correr risco de vida.

Graças a essa corrente de solidariedade e dos competentes médicos que prestaram assistência ao recém nascido, Davi, a crise foi superada.

MÃO DE LUVA

Kátia Bogéa, cuja atuação à frente da Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Maranhão, foi exemplar e intocável, deixou o cargo por conta de uma estúpida exoneração.

Pelo seu desempenho, essencialmente técnico, teve, agora, o reconhecimento das autoridades federais que o convidaram  para comandar o IPHAN nacional.

Com mão de luva, ela retribuiu o que os desclassificados fizeram com as mãos sujas e poluídas.

SORTE BOLIVIANA

Na última eleição de deputado estadual, a votação de Sérgio Frota foi expressivamente grande em São Luis, dada a excelente campanha do Sampaio Correia no Campeonato Nacional.

Se houvesse eleição este ano, o presidente do Sampaio não repetiria o desempenho de 2014, face aos reveses da Bolívia Querida no Brasileirão.

A sorte de Sérgio é que as eleições para a Assembleia Legislativa serão em 2018 e até lá o Sampaio passará por completa mudança e dará a volta por cima.

BUTECO DO GASTÃO

Equivocados quem acha que o ex-deputado Gastão Vieira deixou a presidência do FNDE para ser dono de buteco.

Nada disso, Gastão continua firme no FNDE e vai comemorar seus setenta anos no Buffet Villa Reale, que as suas filhas vão transformar num autêntico buteco.

O forrobodó será no próximo sábado.

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HAROLDO TAVARES, O PREFEITO INESQUECÍVEL

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O excelente documentário sobre a atuação e o trabalho do engenheiro Haroldo Tavares, na Secretaria de Viação e Obras Públicas, no Governo José Sarney, e na Prefeitura de São Luis, na gestão do Governador Pedro Neiva de Santana, produzido e dirigido talentosamente pelo cineasta Joaquim Haickel, oportunizou aos que o assistiram, na semana passada, momentos de alegria e de saudade.

Alegria, pelo desempenho de um jovem técnico maranhense, recém-formado que se entregou de corpo e alma a um trabalho extraordinário em favor da cidade, não acostumada com iniciativas inovadoras e ações nada politiqueiras e imediatistas.

Saudade, porque depois de Haroldo Tavares, São Luis nunca mais contou com um gestor de sua envergadura, que alavancava obras não por impulso ou improvisação, mas sob o critério do planejamento e do ordenamento urbanístico.

Bons tempos aqueles em que um gestor administrava sem se preocupar com as eleições, mas com as gerações, e, como se bastasse, pensava, agia e trabalhava para São Luis progredir e se desenvolver em consonância com as diretrizes da técnica e da racionalidade.

Como foi bom ver e ouvir do próprio engenheiro o seu encontro com o governador José Sarney, jovem e idealista como ele, que o convidou a participar de sua equipe administrativa e ocupar o cargo de secretário de Viação e Obras Públicas, que jamais pensou exercê-lo, pois acabara de chegar da Europa onde se especializara em assuntos de natureza científica.

Aceitou o desafio e, mesmo com o pouco conhecimento das pessoas e da cidade, montou uma boa equipe, que o ajudou a construir obras estruturantes e realizar projetos audaciosos, que mudaram a fisionomia da capital e do interior do Maranhão.

Pelo documentário, quem não sabia ficou sabendo que, da iluminada cabeça de Haroldo, surgiram projetos audaciosos que os adversários de Sarney apelidaram de mirabolantes e fantasiosos, mas que produziram resultados satisfatórios na mobilidade urbana de São Luis, sem afetar ou comprometer a arquitetura e a paisagem histórica da cidade.

Dessa forja de obras de vulto, planejadas por Haroldo e aprovadas por Sarney, vieram à tona a Barragem do Bacanga, que fez São Luis espraiar-se para área do futuro Porto do Itaqui; a instalação do bairro Anjo da Guarda, para receber novos fluxos migratórios; a Ponte de São Francisco, para ligar o Centro Histórico à orla praiana, onde nasceram numerosos conjuntos habitacionais; a criação das Faculdades de Engenharia, Administração e Agronomia, para a preparação de mão de obra de nível superior; a fundação do Centro Maranhense de Televisão Educativa, para fornecer ensino a distância; a construção da Ponte do Caratatiua; a pavimentação da Estrada São Luis-Teresina, a construção da Hidrelétrica de Boa Esperança, a instalação de novos conjuntos habitacionais, com recursos do BNH, a implantação do Distrito Industrial, e outros empreendimentos.

A obra do cineasta Haickel, também, revelou que, com o término do mandato do Governador Sarney, assumiu a chefia do Poder Executivo do Estado, o professor Pedro Neiva de Santana, o qual, para comandar os destinos de São Luis, nomeou Haroldo Tavares.

Dentre as obras construídas na capital maranhense, sob a inspiração do jovem e dinâmico prefeito, duas ganharam relevo e até hoje são referências no desenvolvimento da cidade. Em primeiro plano, a construção do Anel Viário, de grande valia para a mobilidade urbana, por meio do qual se abriram novas alternativas para o transporte coletivo e particular, descomprimindo o centro da cidade e preservando a sua configuração original. Sem o Anel Viário, o tráfego hoje estaria literalmente estrangulado e mais caótico.

Em segundo plano, o projeto de recuperação das áreas palafitadas, sendo saneadas para ocupação de famílias de baixa renda, às quais a prefeitura outorgava lotes devidamente legalizados e no ponto de serem aproveitadas em moradias. Esse projeto, à época, pela sua magnitude social, recebeu das autoridades e dos técnicos de todo o País, os maiores elogios, por recuperar áreas abandonadas ou subutilizadas e transformadas em espaços úteis e legalizados.

Para coroar o gigantesco trabalho de Haroldo Tavares, que não se perca de vista a divulgação e a promoção de nossos valores – na música, na dança, nas artes plásticas e nas letras – que passaram a se apresentar não apenas em São Luis, mas em outras cidades brasileiras, que se encantaram com a riqueza cultural maranhense.

Ao final da exibição do filme, os espectadores, extasiados com o que acabaram de ver, buscavam uma resposta para uma inquietante pergunta: por que um homem do nível intelectual e técnico de Haroldo Tavares, com desempenho notável no Governo do Estado e na Prefeitura da Capital, ficou esquecido, viveu um impiedoso ostracismo e nunca foi lembrado ou indicado para governar o Maranhão?

Talvez, Freud explique.

 

DEPUTADO DORMINHOCO

A foto do deputado João Castelo, no plenário do Congresso Nacional,  dormindo escancaradamente e de boca aberta, foi exaustivamente postada na rede social.

Anos atrás, outro parlamentar maranhense, Cid Carvalho, no plenário da Câmara Federal, numa sessão noturna, também, foi flagrado, de boca aberta e dormindo a sono solto. A fotografia de Cid ganhou destaque na imprensa nacional e, durante bom tempo, os jornais de São Luis dela usaram e abusaram.

PALPITE DE RICARDO

Na opinião do ex-deputado Ricardo Murad a candidata Eliziane Gama tem tudo para ganhar a eleição de prefeito de São Luis.

Só há uma maneira dela não se eleger, diz Ricardo: Se aparecer um fenômeno político tipo Fernando Collor.

DISPUTA SEM BRIGA

O cargo de superintendente da Empresa Brasileira de Comunicação, em São Luis, é alvo de disputa entre a ex-governadora Roseana Sarney e o senador João Alberto.

Trata-se de uma luta sem vencido ou vencedor.

Enquanto Roseana luta pela nomeação da advogada Ana Graziela, João Alberto faz força por Assis.

NO CAMINHO DE GASTÃO

Quem tem competência se estabelece. Mesmo com pouco tempo à frente do FNDE, Gastão Vieira conquistou o apoio do corpo técnico e administrativo do órgão mais importante do Ministério da Educação.

O presidente Michel Temer e o ministro Mendonça Filho querem mantê-lo à frente do FNDE, pois sabe que Gastão é competente e probo.

Mas há uma pedra no caminho do maranhense: a bancada do PSDB paulista que não quer abrir mão do cargo.

CONVERSA ENTRE PRESIDENTES

Este jornalista e o dirigente do PMDB, Remy Ribeiro são testemunhas do telefonema trocado entre o presidente Michel Temer e o ex-presidente José Sarney.

A conversa, em tom de pura cordialidade, ocorreu na manhã de domingo passado. Temer estava em Brasília, Sarney em São Luis, mas delação premiada foi assunto descartado.

VIDA PREGRESSA

O jornal O Globo, do Rio de Janeiro, edição de domingo passado, dedicou três páginas ao deputado Waldir Maranhão.

Relatos e informações em abundância sobre a vida do maranhense, antes e depois de ingressar na política.

Pelo que o jornal mostrou, diria o saudoso Jânio Quadros, Waldir é irrecuperável para a democracia.

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