PREFEITOS ELEITOS DE SÃO LUIS

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PREFEITOS ELEITOS DE SÃO LUIS

Na fase imperial eram as Câmaras Municipais que administravam as cidades brasileiras.

Proclamada a República, com a Constituição de 1891, os municípios ganharam autonomia e passaram a ser dirigidos por intendentes eleitos e com mandato de três anos.

O primeiro intendente eleito para dirigir os destinos de São Luis, Alexandre Collares Moreira Junior, cumpriu o mandato de 1897 a 1900. Sua administração foi marcada pela reconstrução do Palacete Municipal, da Praça do Mercado, das Fontes das Pedras e do Apicum e colocação de paralelepípedos nas ruas da cidade.

O segundo intendente, Nuno Álvares de Pinho, exerceu o cargo de 1901 a 1905. Administrador dinâmico realizou melhoramentos na cidade, com a construção da Avenida Silva Maia e remodelação de várias praças, destacando-se o Desterro. Tentou construir uma avenida ligando o Largo do Carmo ao Largo do Quartel, mas não consegue.

No pleito de dezembro de 1904, Afonso Henrique de Pinho elege-se intendente. No exercício do mandato, de 1902 a 1906, inaugura o busto de Odorico Mendes e dá à Avenida Maranhense, hoje, Pedro II, nova configuração, com a construção de passeios e canteiros.

Sucede Afonso Henrique de Pinho, Alexandre Collares Moreira Junior, que, pela segunda vez, se elege intendente da Capital, para o mandato de 1907 a 1910. Em 1909, renuncia ao cargo para assumir o mandato de senador. Quem o substitui é o presidente da Câmara Municipal, vereador Afonso Giffening de Matos, que, por sua vez, transmite o cargo para Raul da Cunha Machado, que permanece no comando da administração municipal até a eleição do novo intendente, Mariano Martins Lisboa Neto, para cumprir o mandato de 1910 a 1913. Como estava no exercício do cargo de governador, Mariano Lisboa transmite o posto ao subintendente, Augusto Franco de Sá. Nessa gestão, a Praça Gonçalves Dias é concluída e erigida a estátua em homenagem a Benedito Leite.

Depois de cumprir o mandato de senador, elege-se pela terceira vez intendente de São Luis, Alexandre Collares Moreira Junior, para o exercício de 1913 a 1915. Nessa gestão, assina contrato para as obras de saneamento de São Luis.

Nas eleições de 30 de outubro de 1915, Clodomir Cardoso vence o pleito, contra o opositor Raul da Cunha Machado. Jurista e membro do Congresso Legislativo do Estado, realizou mudanças significativas na estrutura urbanística de São Luis, ressaltando-se a inauguração da iluminação elétrica, construção de mercado e matadouro, criação da Guarda Municipal e o monumento em homenagem a João Lisboa.

A sucessão de Clodomir Cardoso foi intensamente disputada, com a participação de cinco candidatos. O vencedor, Luso Torres, oficial do Exército, exerce o mandato de 1919 a 1922. Sua gestão foi marcada pelo saneamento das finanças, impulso à educação com a instalação de numerosas escolas, inauguração da vila do Anil, aquisição de caminhões para a limpeza pública e montagem do sistema de captação e distribuição de água.

REFORMA DA CONSTITUIÇÃO ACABA ELEIÇÃO DE INTENDENTES

A 24 de fevereiro de 1919, os deputados estaduais aprovam uma ampla reforma na Constituição do Estado do Maranhão. Pela nova Carta, a Intendência passa a denominar-se Prefeitura e seus ocupantes – os prefeitos – não seriam mais eleitos, mas nomeados pelo Presidente do Estado.

Ao findar o mandato de Luso Torres, o cargo é transferido ao capitão Raimundo Gonçalves da Silva, a 1º de janeiro de 1922, nomeado pelo presidente do Estado, Urbano Santos.

Daí por diante, ou seja, de 1922 a 1965, São Luis esteve sob a gestão de prefeitos da confiança do chefe do Poder Executivo do Maranhão, que os nomeava e demitia, em função de interesses políticos. Nesse período, mais de trinta personalidades (alguns mais de uma vez), ocuparam o cargo de gestor: Antônio Brício de Araújo, Jayme Tavares, Zenóbio da Costa, Basílio Torreão Franco de Sá, Lino Machado, Antônio Carlos Teixeira Leite, Carlos Macieira, João Manuel Tinoco, Raimundo Frazão Cantanhede, João Inácio Martins, Demerval Rosa, Alcides Jansen Pereira, Pedro Oliveira, Antônio Alexandre Bayma, Manoel Vieira de Azevedo, José Otacílio Saboya Ribeiro, Clodoaldo Cardoso, Pedro Neiva de Santana, Tancredo Matos, Edson Teixeira, Antônio Pires Ferreira, Antônio Costa Rodrigues, Alexandre Costa, Edson Brandão, Wilson Rabelo, Otávio Passos, Eduardo Viana Pereira, CarIos Vasconcelos, José Ribamar Waquim, Ivar Saldanha, José Burnett, Emiliano Macieira e Ruy Mesquita.

A VOLTA DO PREFEITO ELEITO

De 1966 a 1969, houve uma interrupção nesse processo. Em vez de nomeação, procedeu-se uma eleição, resultado da Emenda à Constituição, proposta apresentada pelo deputado Epitácio Cafeteira, aprovada pelo Congresso Nacional. O parlamentar aproveitou-se da PEC para se eleger prefeito de São Luis, numa disputa com os candidatos Ivar Saldanha, José Mário de Araújo Carvalho e Ivaldo Perdigão Freire.

Na gestão de Cafeteira, São Luis viveu intensos momentos de turbulência política, ressaltando-se a crise entre o prefeito e o governador José Sarney, iniciada com o infeliz decreto que proibia a realização dos bailes de máscaras, no período carnavalesco, fato que por pouco não gera uma intervenção do Governo do Estado na Prefeitura. Depois desse episódio, nova crise política veio a lume, desta feita, com a Câmara Municipal, causada pela não observância do prefeito com relação à prestação de contas, que quase o leva à perda do mandato.

REGIME MILITAR MUDA A REGRA DO JOGO

Mas o Ato Institucional nº-3, decretado pelo regime militar, muda novamente a regra do jogo e o prefeito da capital do Maranhão volta a ser nomeado.  De 1969, quando acaba o mandato de Cafeteira, a 1986, com o advento da Nova República, São Luis fica sob o comando de nove gestores nomeados: Vicente Fialho, José Ateniense Libério, Haroldo Tavares, Edmilson Duarte, Antônio Bayma Junior, Ivar Saldanha, Lereno Nunes, Mauro Fecury e Roberto Macieira.

A NOVA REPÚBLICA RESTAURA A ELEIÇÃO DE PREFEITO

A partir de 1986, com a Nova República, os prefeitos das capitais dos Estados, sem exceção, passam a ser novamente eleitos diretamente pelo povo. A iniciativa do presidente da República, José Sarney, acaba aquela norma que vigia desde 1919, pela qual os intendentes seriam nomeados pelos presidentes do Estado, interrompida em 1965 por conta da Emenda Cafeteira.

Essa nova fase é inaugurada com a eleição e posse de Gardênia Gonçalves (1986 a 1988), sucedida por Jackson Lago (1989 a 1992), Conceição Andrade (1993 a 1996), Jackson Lago (1997 a 2000), Tadeu Palácio (2000 a 2007), João Castelo (2008 a 2011) e Edivaldo Holanda (2012 a 2016).

Neste domingo, o povo ludovicense comparece às urnas para eleger o prefeito, que poderá ser Edivaldo Holanda Junior, para continuar à frente do Palácio La Ravardière, ou Eduardo Braid, o novo fenômeno eleitoral de São Luis, que começou do zero e surpreendeu de forma sensacional as previsões dos analistas políticos, que jamais imaginavam ser o vitorioso no primeiro turno e concorrer com um candidato que se julgava o favorito na corrida à prefeitura da Capital maranhense.

O eleito, portanto, será o décimo a ocupar o cargo de gestor nessa fase em que o povo, pela sua livre e espontânea vontade, escolhe o que regerá os destinos de uma cidade ainda carente de comando competente, altivo e empreendedor.

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A INTEGRAÇÃO, FEDERALIZAÇÃO E DIVISÃO DA UEMA

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A INTEGRAÇÃO, FEDERALIZAÇÃO E DIVISÃO DA UEMA

O governador Flávio Dino enviou à apreciação da Assembleia Legislativa o projeto de lei que cria a Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão-Uemasul.

Pelo que está no bojo do projeto governamental, certamente demandará  polêmica junto à comunidade universitária maranhense, pois, se por um lado, contenta sobremodo uma região liderada pelo município de Imperatriz, que há anos a reivindica, por outro, descontenta e bate de frente com os interesses dos corpos docente, discente e administrativo da Universidade Estadual do Maranhão, no disposto de ser esvaziada nos seus objetivos acadêmicos, especialmente no comprometimento das dotações financeiras e dos recursos provenientes de convênios e parcerias com instituições nacionais e estrangeiras.

A mensagem do governador Dino, no sentido de alterar a estrutura da Universidade Estadual do Maranhão, não é algo novo e inédito no meio universitário. Os ex-governadores Nunes Freire e Luiz Rocha ousaram nesse desiderato, mas não foram bem-sucedidos. Resultado: tudo ficou como dantes no quartel de Abrantes.

Mas entre a proposta de Flávio Dino e as de Nunes Freire e de Luiz Rocha, há gritantes diferenças.  As dos ex-governadores foram exaustivamente submetidas à discussão e ao debate. A do atual governador, considerada inesperada, unilateral e monocrática, desencadeou generalizada revolta nos escalões da Universidade Estadual do Maranhão, que imaginavam estar ela devidamente consolidada e invulnerável a qualquer operação para alvejá-la e minimizá-la, como aconteceu no século passado, com as propostas de integração e de federalização.

A INTEGRAÇÃO NO GOVERNO NUNES FREIRE

Em 1974, no governo Nunes Freire, a Fundação Universidade do Maranhão (antecessora da Universidade Federal do Maranhão) preocupada com a instalação da Usina Siderúrgica do Itaqui, apresenta proposta à Siderbrás( órgão do Governo federal) para um estudo de viabilidade do empreendimento, que demandaria mão de obra de nível superior em escala significativa, especialmente na área de engenheiros, administradores e técnicos para a primeira etapa de funcionamento da usina, com uma produção de 4.000.000 toneladas/ano, a partir de 1980.

Com vistas ao estudo de viabilidade, cria-se um grupo de trabalho com representantes da FUM-Fundação Universidade do Maranhão, FESM-Federação das Escolas Superiores do Maranhão (antecessora da Uema), da Secretaria de Educação do Estado, do Departamento de Assuntos Universitários do Ministério da Educação e da Siderbrás.

Desse grupo de trabalho, veio a lume um documento que, para o indispensável o apoio do MEC ao projeto da Usina Siderúrgica do Itaqui, seria necessária a integração da Federação das Escolas Superiores do Maranhão à Fundação Universidade do Maranhão, para evitar a duplicidade de ações e proporcionar melhor aproveitamento dos recursos humanos, materiais e financeiros.

Quando se imaginava que a integração da FESM à FUM se materializasse, até porque recebeu o endosso do MEC, vieram à tona os primeiros sinais de intolerância no sentido da implosão do que se pensava ser o desejo dos maranhenses. Obstáculos e dificuldades de ambas as partes afloraram para o coroamento das negociações, baseados em pretextos inadequados e incompatíveis com os objetivos colimados.

Resumo da ópera: gerou-se o impasse entre as duas instituições, que se mostravam intransigentes na cessão de seus direitos e prerrogativas. Diante dessa obtusa incompreensão, o MEC tira o time de campo e a FUM e a FESM voltam a trilhar o mesmo caminho das dificuldades e na expectativa de outra oportunidade para tirá-las do limbo.

A FEDERALIZAÇÃO NO GOVERNO LUIZ ROCHA

Passaram-se dez anos para que as autoridades maranhenses tentassem levar adiante mais uma iniciativa para modificar a estrutura da antiga FESM, agora transformada em Universidade Estadual do Maranhão, pela Lei 4400, de 30 de dezembro de 1981.

Desta vez, não se pensava em integração, como em 1974, mas em federalização, fruto do vertiginoso crescimento da instituição, com a introdução de novos cursos, para atender uma maior quantidade de alunos, em São Luis e no interior do Estado, fazendo com que as suas despesas de pessoal e de custeio onerassem mais ainda o já sacrificado Tesouro estadual.

Pensando nessa situação, o governador Luiz Rocha, por sua conta e risco, encaminha ao Ministério da Educação uma exposição de motivos para mostrar a inviabilidade financeira de o Governo  manter a Universidade Estadual do Maranhão, razão pela qual deseja transferi-la para o domínio da União.

Mas o pedido do governador não é bem visto no Palácio do Planalto e no Ministério da Educação, à época, sob o comando da professora paulista Esther de Figueiredo Ferraz, até porque o Governo da República também enfrentava dificuldades financeiras para manter a pesada rede de ensino universitário, espalhada pelo País inteiro.

A proposta de Luiz Rocha não teve acústica em Brasília e muito menos receptividade nos meios políticos e universitários. Na Assembleia Legislativa, o deputado José Bento Neves, usou toda a sua inteligência para repudiar àquela intempestiva iniciativa, que, se concretizada, faria o Maranhão ter apenas uma universidade federal.

Nos setores acadêmicos, a resistência à precipitada proposta do Chefe do Executivo foi imediata e forte. Professores, alunos e administrativos se uniram e se movimentaram no sentido de bombardear tão inconseqüente exposição de motivos.

Por não obter aqui e em Brasília respaldo político ou de qualquer natureza, a proposta da federalização da Uema não passou de um sonho de uma noite de verão.

PAGOU PRA VER

Ninguém mais do que o próprio vereador Fábio Câmara foi mais avisado de que o seu projeto de ser prefeito de São Luis, concorrendo às eleições pelo PMDB, seria uma operação malfadada.

Eu mesmo, daqui desta coluna, mostrei algumas vezes o risco que ele correria de enfrentar uma ferrenha luta política por um partido já acostumado em outras eleições a deixar os seus candidatos na rua da amargura.

João Alberto, em 1992, e Gastão Vieira, em 2008, candidatos pelo PMDB à sucessão municipal, sabiam que a luta seria adversa, mas não ao ponto de lhes faltar o mínimo de solidariedade.

A LUTA JUSTA DO DESEMBARGADOR

Com o falecimento do desembargador Antônio Almeida e Silva, na semana passada, o momento é propício, ainda que tardiamente, de se fazer justiça à causa por ele defendida, com o objetivo de assegurar o seu direito e o respeito à Constituição, gesto mal interpretado pelos próprios contemporâneos da magistratura.

O  ato e o fato ocorreram quando da sucessão do governador João Castelo, que transmitiu o cargo ao vice-presidente da Assembleia, deputado Ivar Saldanha, em face da morte do vice, Artur Carvalho e da renúncia forçada do deputado Albérico Ferreira, da presidência do Poder Legislativo.

O desembargador Almeida e Silva, então presidente do Poder Judiciário, impetra mandado de segurança contra a Assembleia, que empossara Ivar na presidência, ato que quebrava a sucessão hierárquica.  O Tribunal nega-lhe o mandado de segurança.  O desembargador requer novo mandado de segurança, contra a Assembleia por prorrogar, através de emenda constitucional, o mandato de Ivar que havia expirado.  O desembargador Alcebíades Chaves, no exercício da presidência do TJ, concede-lhe medida liminar, mas Ivar requer ao Supremo Tribunal Federal anulação da medida e Almeida Silva, por não ver cumprida a liminar, pede ao STF a intervenção federal no Maranhão.

A situação só volta à normalidade, a 2 de fevereiro de 1983, quando o desembargador Moacyr Sipaúba, relator do mandado de segurança, revoga a liminar concedida pelo desembargador Alcebíades Chaves.

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EU E JOÃO DORIA

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EU E JOÃO DORIA

No começo de 1985, no Governo Luiz Rocha, ocupava o cargo de secretário de Indústria, Comércio e Turismo do Maranhão, o economista, Roberto Macieira, do qual recebo convite especial, que me deixou deveras envaidecido.

Amigo de bons tempos no Rio de Janeiro, Roberto convida-me para presidir a Maratur- Empresa Maranhense de Turismo, vinculada à sua secretaria, submetida a uma intervenção, mas saneada administrativa e financeiramente, e pronta para funcionar, segundo a legislação que a criara.

Uma Junta Governativa, integrada por Paulo Abreu Filho, Haroldo Abreu e Kátia Lima, colocou a empresa nos eixos, reconquistou a credibilidade do trade turístico nacional e local, perdida por uma gestão altamente perniciosa e uma diretoria que não se entendia e a conduzia ao marasmo e à ruína.

Para a Maratur se reencontrar com as suas origens, disse-me Roberto, precisava de uma pessoa do meu perfil e com as minhas qualidades. Tentei recusar o convite, justificando minha incompatibilidade com o Governador Luiz Rocha, que poderia, por isso, vetar-me, o que não aconteceu pela habilidade e argúcia do secretário de Indústria, Comércio e Turismo.

Removidas as arestas com o governador, assumo a presidência da Maratur, até porque estava à toa na vida e sem lenço e sem documento, numa solenidade que Roberto fez questão de realizar pomposamente, com a presença de todo setor turístico de São Luis.

A diretoria eleita para gerir os negócios da empresa, além de mim, na presidência, contava com Haroldo Abreu, na diretoria-administrativa, e Kátia Lima, na diretoria técnica. Nós três, bem entrosados e com a cabeça no lugar, realizamos um trabalho construtivo e sem deslize de qualquer natureza.

No exercício da presidência da Empresa Maranhense de Turismo, conheci um jovem talentoso, articulado e sintonizado com as coisas de seu tempo, chamado João Doria, nomeado pelo presidente da República, José Sarney, para presidir o órgão mais importante do País na área turística: a Embratur- Empresa Brasileira de Turismo, a quem cabia fomentar e desenvolver a  “indústria sem chaminé”, que, bem administrada, gerava renda e criava emprego.

Pelo potencial artístico, cultural, físico, histórico, gastronômico e por ser José Sarney o Presidente da República, o Maranhão passou a ser visto por João Doria com olhos diferenciados. Para agradar Sarney, a Embratur  priorizou o Maranhão e por meio da  Maratur tratou de beneficiar São Luis com campanhas promocionais e  equipamentos turísticos, destacando-se a instalação de uma Pousada, na Rua da Palma, para hospedar jovens de outros estados, nas férias.

Não foram poucas as viagens de João Doria a São Luis. Uma delas para negociar um terreno na orla da praia, com vistas à construção de um hotel de categoria internacional, cujo  projeto não se viabilizou.

Por conta dessa aproximação e dos cargos que ocupávamos, fizemos boa amizade. Algumas vezes o encontrei em São Paulo e ele sempre fazia questão de me cumprimentar cordialmente como nos bons tempos da Embratur e da Maratur, quando a gente era feliz e não sabia.

Como conheço o estilo João Doria de administrar, tenho absoluta certeza de que será excelente prefeito de São Paulo.

MAJOR JENILSON E CAPITÃO GONDIM

O filme da prisão do major Jenilson, em Imperatriz, por não votar na candidata do Governo a prefeita do município, não é inédito no Maranhão.

Em maio de 1956, portanto, há sessenta anos, cena semelhante à de Imperatriz, ocorreu em São Luis, protagonizada pelo saudoso capitão, Antônio Alves Gondim, que vestia a farda da Polícia Militar do Estado, a mesma do major Jenilson.

Se o major foi preso por motivação política, o capitão Alves também o foi e em circunstância de maior gravidade.

O ato do major foi isolado. O do capitão teve envolvimento coletivo, com a sublevação da tropa para expulsar ou assassinar o Governador interino, Eurico Ribeiro, e o senador Vitorino Freire, que se encontravam no Palácio dos Leões, alvos principais daquela insubordinação militar.

Resumo da ópera: a bravata de Gondim deu a ele embasamento político e liderança popular em São Luis, que lhe valeram dois seguidos mandatos de deputado à Assembleia Legislativa, pelas Oposições Coligadas.

PREFEITO PELA TERCEIRA VEZ

O médico Miguel Lauande se candidatou quatro vezes a prefeito de minha terra, Itapecuru. Ganhou três e perdeu uma.

Eleito a primeira vez nas eleições de outubro de 1996, reelege-se para o mandato seguinte de 2001 a 2005. Em 2012, candidata-se pela terceira vez, mas perde para o noviço evangélico Magno Amorim, que, no exercício do cargo de prefeito, decepciona o povo itapecuruense, e faz Miguel disputar pela quarta vez as eleições de outubro de 2016.

Somente nas eleições de 2012, não o apoiei, mas não foi essa a causa de sua derrota. No pleito deste ano, dos oito candidatos à prefeitura de Itapecuru, Miguel indiscutivelmente era o melhor, por isso, não vacilei: hipotequei imediata solidariedade à sua candidatura, dispondo-me a participar de atos públicos que o levassem à vitória nas urnas e mandasse os concorrentes cantar em outra freguesia.

Além de participar de comícios e caminhadas na cidade, aos amigos e conterrâneos pedi votos a Miguel, que, após uma luta política intensa e adversa, elegeu-se prefeito da minha terra e espero que ela seja olhada com os olhos de bom itapecuruense e realize uma administração profícua, para não decepcionar o povo que fez de tudo para vê-lo a partir de 1º de janeiro de 2017 no comando da prefeitura.

GELATECA DA CEMAR

A diretoria da Cemar, com sensibilidade para as coisas nobres do Maranhão, introduziu em alguns pontos mais movimentados da cidade, um produto cultural que pode melhorar o nível intelectual de nosso povo.

O produto, ainda em fase de experiência, mas com repercussão social, chama-se Geloteca.

O que é a Geloteca? São simples carcaças de geladeiras, com prateleiras e capacidade de suportar livros, usados ou novos, de autores nacionais e estrangeiros, de todos os gêneros literários.

O interessado na leitura de qualquer livro poderá usá-lo e até ficar com o mesmo, desde que reponha outro no lugar.

A diretoria da Academia Maranhense de Letras, a convite da Cemar, viu e aprovou o projeto.

POUCOS XARÁS

Em São Luis, poucas as pessoas com nomes dos candidatos a prefeito.

Com o nome de Edivaldo, o atual gestor dos negócios da prefeitura, só o pai, deputado à Assembleia Legislativa.

Eduardo,também,não é um nome comum, por isso, contam-se nos dedos os conhecidos.  Que eu me lembre: Eduardo Moreira, Eduardo Lago, Eduardo Moloni, Eduardo Rodrigues e meu sobrinho, Eduardo Buzar, comandante da TAM.

EXPECTATIVA DO DEBATE

Conheço muita gente que votou em Eduardo Braid, no primeiro turno, pelo seu bom desempenho nos debates das emissoras de rádio e televisão.

A estas pessoas, perguntei se, no segundo turno, vão repetir o voto no candidato do PMN.

Resposta: Só se o seu desempenho na TV for igual ou melhor do que o do primeiro turno.

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O FENÔMENO EDUARDO BRAID

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O FENÔMENO E A CLASSE MÉDIA

Inacreditável, surpreendente e impressionante. São as palavras que cabem para qualificar o desempenho do jovem deputado Eduardo Braid, nas eleições de domingo passado, em São Luis.

Na política do Maranhão não há registro de uma reviravolta tão espetacular quanto à protagonizada pelo parlamentar do PMN, numa disputa à sucessão municipal, que, no começo, nada lhe favorecia do ponto de vista político e financeiro.

Mesmo assim não se intimida e resoluto espera a oportunidade de mostrar ao eleitorado que estava habilitado e tinha potencial para enfrentar adversários cujas candidaturas foram colocadas na rua com bastante antecedência, mas sem apelo popular e vazias.

A oportunidade aparece quando as emissoras de rádio e televisão anunciam a realização de debates com os candidatos.

Logo no primeiro, transmitido pela TV Guará, Braid é o candidato que melhor se apresenta. Com desembaraço e intervenções incisivas e pertinentes, nocauteou os concorrentes ao longo do programa, iniciativa que lhe deu notoriedade e aplausos.

No segundo debate, na TV Mirante, emissora com maior audiência na sociedade, consegue por via jurídica participar do programa e impor-se com tamanha desenvoltura e competência, que deixa para trás os adversários.  Com desempenho positivo, do começo ao fim, não titubeou nas perguntas e não vacilou nas respostas, mirando sempre os candidatos que precisava desmontá-los.

Resultado: ele, que já vinha em ascensão, aproxima-se do pelotão de frente ao disparar pesada munição contra os melhores colocados: o prefeito Edivaldo Holanda Júnior, não resiste às suas interpelações, e o candidato Wellington do Curso, à falta de conhecimentos abalizados sobre a cidade e inexpressiva densidade cultural, é abatido em pleno vôo, perdendo de imediato o espaço que ocupava.

Depois dos debates, Braid, que não tinha marqueteiro e contava com poucos adeptos, agiganta-se a ponto de sensibilizar a classe média, que estava à procura de um candidato para substituir Eliziane e Wellington.

No primeiro momento, abraça e encanta-se com a candidatura de Eliziane Gama, mas, frustra-se e decepciona-se claramente pela maneira equivocada da candidata do PPS se conduzir no processo eleitoral.

No segundo momento, desiludida com Eliziane, afaga o candidato Wellington do Curso, que despontava como alternativa para enfrentar Edivaldo, mas logo se desencanta, pois não era o candidato de seus sonhos, que se apresentava com um discurso vazio e à base de chavões.

O terceiro momento ocorre nos estertores da campanha eleitoral, quando uma luz surge no fundo do túnel e incide na figura humana e política do jovem deputado Eduardo Braid, que com um discurso arrebatado, atrai a classe média para as suas hostes.

De modo convincente, o candidato do PMN mostra a um desorientado segmento social que, além da eloqüência e da simpatia, é capaz, corajoso e habilitado a ocupar o lugar de Eliziane e de Wellington, que desperdiçaram a oportunidade ímpar de comandar os destinos de São Luis, por uma série de erros e equívocos praticados numa corrida eleitoral, que Braid soube explorar nos debates veiculados pelas emissoras de rádio e televisão, que lhe valeram chegar triunfalmente ao segundo turno.

ELEITORADO SEM DONO

O ex-deputado Gastão Vieira, que participou ativamente da campanha eleitoral deste ano, pois é candidato a deputado federal em 2018, sempre que chegava do interior do Estado, dava-me preciosas informações sobre o quadro político e eleitoral.

Por conta de seu conhecimento e sensibilidade política, afirmava que as eleições de 2016 seriam completamente diferentes de todas as acontecidas no Maranhão, com relação à independência do eleitorado.

Para Gastão, o eleitor do interior já não tem mais dono. Vota no candidato que achar melhor para a sua cidade. A figura do chefe político é coisa do passado. E profetizava: quando as urnas abrirem, os grandes caciques serão quase todos derrotados.

Basta olhar o resultado das eleições, para dar a mão à palmatória a Gastão. Nunca o eleitorado maranhense foi tão iconoclasta como agora.

PRESENÇA DO CRIME ORGANIZADO.

Outro assunto referente às eleições deste ano: a presença acentuada do crime organizado no interior e atuando sem camuflagem em favor de certos candidatos.

Em várias cidades, o crime organizado supriu os agiotas e os financiadores de campanha e não agiam clandestinamente. Fazia questão de marcar presença e até de intimidar os candidatos contrários ao seu interesse político.

Em algumas regiões do Estado, os criminosos funcionavam como se fossem partido político, tamanha a sua participação nos rumos da eleição.

CORIOLANO SOBROU

Essas eleições foram tão surpreendentes e diferentes que até um dos mais antigos militantes políticos do Maranhão rolou por águas abaixo.

Trata-se do veterano Coroliano Almeida, que há quarenta anos dominava a política do município de São Bernardo.

Note-se: ele era o candidato a prefeito, mas não resistiu ao vendaval político que sacudiu o Maranhão de ponta a ponta. Assim como o pai, o filho, não se reelege prefeito de Santana do Maranhão.

NAS GRANDES CIDADES

Em sete grandes municípios, tradicionais lideranças políticas, que há anos não perdiam eleições, foram surpreendidas pelos ventos de um pleito atípico para os padrões maranhenses.

Em Balsas, Chico Coelho, em Pinheiro, Filuca Mendes, em Coroatá, Ricardo Murad, em Caxias, Humberto Coutinho, em Imperatriz, Ildo Marques, em Barra do Corda, Nenzin, em Araioses, Manin, perderam as prefeituras.

Em outras cidades, contudo, quatro veteranos voltaram ao poder da municipalidade: Zé da Folha, em São Domingo do Maranhão, Miguel Lauande, em Itapecuru Mirim, Mercial Arruda, em Grajaú, João Dominice, em São João Batista.

DA VELHA GUARDA

Dos 31 vereadores eleitos à Câmara Municipal de São Luis, cinco fazem parte da velha guarda e se reelegeram.

Astro de Ogum, Pavão Filho, Pereirinha, Dr. Gutemberg e Chico Carvalho.

O decano, o médico Sebastião Albuquerque, que concorria à sétima eleição, perdeu-se no caminho da volta.

Este ano, houve boa renovação, mas os eleitos são quase desconhecidos.  A maioria é representante de bairros.

MARX E MAX

Os cinco partidos políticos que mais elegeram prefeitos no Maranhão foram: PC do B, 43, PSDB, 33, PDT, 31, PMDB, 21, PP, 15.

Só a China ganha o Maranhão em matéria de representação comunista.

A um prefeito eleito nas eleições de 2016, perguntaram se ele sabia quem era Karl Marx. Resposta: – Não, mas conheço é o deputado estadual Max Barros.

ABUZADAS

– Como prêmio de consolação pela derrota do filho, Pintinho, à Câmara de Vereadores, o pai, Pinto do Itamaraty, vai passar uma temporada no Senado Federal.

– Gastão Vieira ficou satisfeito com o desempenho de seu partido – o PROS, nas eleições recentes. Elegeu os prefeitos de Parnarama e  Marajá do Sena. Em São Luis, o vereador Beto Castro e mais de sessenta no interior do Estado.

– Mais uma vez, Helena Duailibe, mostra força política em São Luis, ajudando eleger o marido Afonso Manoel a vereador.

– Quem sabe dizer a votação da jogadora de basquete, Iziane, candidata à Câmara Municipal de São Luis?

– Desembargador Lourival Serejo, presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão, teve atuação exemplar nas eleições deste ano, impondo o lema que consagrou Che Guevara: firme, mas sem perder a ternura.

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