ABATIDO EM PLENO VOO

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ABATIDO EM PLENO VÔO

Nas eleições de 2014, o candidato do sarneísmo para disputar a sucessão de Roseana Sarney era Luis Fernando Silva, que se concorresse ao cargo de governador, tenho minhas dúvidas se Flávio Dino seria o vencedor.

Com a desistência de Luis Fernando, desencadeou-se uma operação de guerra  para achar um substituto para disputar a eleição em igualdade de condições com o adversário,  àquela altura dos acontecimentos, em nítida vantagem na corrida da sucessão.

Muita gente achava que o senador João Alberto seria convocado para ocupar o lugar de Luis Fernando, mas não o foi. Diz-se que ele teria sido sondado para cumprir a espinhosa missão, mas descartada por se encontrar empenhado na eleição do filho, João Marcelo, a deputado federal.

Na verdade, se João Alberto desistiu de concorrer ao pleito de 2014, perdeu a grande oportunidade de, quem sabe, ser o sucessor de Roseana Sarney, ele, dotado de tradição política e conhecido pela impetuosidade como se devota às causas que abraça.

Afastada a candidatura de João Alberto, descobre-se que estava em São Paulo, hospitalizado e recuperando-se uma cirurgia ortopédica, o nome para enfrentar Flávio Dino: o suplente de senador, Edinho Lobão, que depois de pensar e repensar, aceita o desafio de participar de uma batalha eleitoral complicada, daí a sua derrota nas urnas.

Com o término do mandato de Roseana, a deserção de Luis Fernando e o fracasso de Edinho, o espaço político do sarneísmo fica acéfalo e na expectativa do surgimento de uma figura política, com capacidade de articular e juntar os sobreviventes, que estão à deriva.

JOÃO ALBERTO OCUPA O VÁCUO

Para ocupar o vácuo político e juntar os cacos do que sobrou da eleição de 2014, aparece o senador João Alberto, com a responsabilidade de realizar duas importantes tarefas. 1) mobilizar as forças que se antepõem ao governo Flávio Dino,  que se acham desagregadas e sem rumo, para lutar e reconquistar o poder. 2) preparar um candidato, que poderia ser o próprio João Alberto, para disputar a sucessão de 2018.

Mas por que João Alberto? Pela legitimidade de combativo político, pelos cargos eletivos disputados. Proporcionais (deputado estadual e federal) e majoritários (prefeito municipal de Bacabal, senador da República e vice-governador), desempenhados com seriedade e competência.

Mais ainda: na função de vice, chegou ao Governo do Estado, exercendo-o de abril de 1990 a março de 1991, em substituição ao governador Epitácio Cafeteira, que renunciara ao cargo para concorrer às eleições de senador da República. Naqueles onze meses de gestão, João Alberto deu um show de eficiência no comando da máquina administrativa e soube ser um governador atento e presente nas ações e iniciativas que demandavam a sua firme e inabalável decisão. Não à toa o povo lhe conferiu o apelido de Carcará, com o qual conquistou a admiração da opinião pública. Ao terminar o seu breve período de governo, a voz das ruas era uma só: vê-lo no exercício do poder para cumprir o mandato de quatro anos.

JOÃO ALBERTO SAI DE CENA

Quando se imaginava que João Alberto, por tudo que fez e realizou, seria o homem certo para promover ações e buscar alternativas políticas, com vistas às eleições de 2018, eis que se anuncia a defecção de Carcará de uma empreitada nada fácil de conduzir, mas que poderia ser bem-sucedida se contasse com a adesão e o apoio de tripulantes e passageiros, a bordo de um avião em plena turbulência e precisando de um comandante firme e determinado.

Sem isso, não sobra ninguém para contar a história de um grupo político que se não correr o bicho pega e se ficar o bicho come.  Esse bicho chama-se Flávio Dino.

 

ASSASINATOS QUE CHOCARAM A CIDADE

O recente crime que teve São Luis por palco, envolvendo jovens conhecidos e integrantes de famílias conceituadas, como não poderia deixar de ser, chocou a população e ainda continua na ordem do dia.

Outros crimes, iguais ou gritantes como este, protagonizados por figuras de nosso meio social, também, ganharam destaque, foram vivamente discutidos na imprensa e analisados pela Policia, à época, desprovida de aparatos tecnológicos modernos, mas com profissionais esforçados que se empenhavam para desvendar crimes hediondos e passionais.

No século XIX, dois hediondos crimes deixaram São Luis em polvorosa. Em agosto de 1873, o velho desembargador Pontes Visgueiro, apaixonou-se pela empregada e fez dela sua amante. Por ciúme, já que o traia descaradamente, deu cabo à vida dela, enterrando-a no jardim de sua casa dentro de um grande caixão.

Três anos depois, ou seja, em 1876, a poderosa Baronesa de Grajaú, Ana Rosa Ribeiro Viana, mulher do chefe do Partido Liberal, Carlos Fernando Ribeiro, ex-presidente da Província, mata, com absoluta crueldade, o escravo Inocêncio, de apenas oito anos.

No século XX, outros berrantes crimes abalaram a capital maranhense, com destaque para os assassinatos de Heitor Helluy, Othelino Nova Alves, Vilela de Abreu, capitão da PM, Antônio dos Reis Fonseca, tenente do Exército, Marinho Rodrigues, delegado Stênio Mendonça, jornalista Décio Sá, praticados em plena via pública, e, por isso, ocuparam espaço nos jornais locais, que acompanhavam de perto o trabalho da Polícia e produziam edições extras para satisfazer a curiosidade popular, ansiosa de saber o andamento das averiguações e investigações.

MULHERES ESQUECIDAS

O pesquisador Luiz de Mello revela um fato que pouca gente no Maranhão sabe e ele só soube ao pesquisar a coleção de O Imparcial, que, na edição de 9 de maio de 1942, publicou esta nota: “Passa hoje o aniversário da Dra. Nair Lobo Perdigão, conceituada médica patrícia e esposa de nosso conterrâneo e confrade José Maria Reis Perdigão, ex-cônsul do Brasil em Gênova, na Itália.”

O pesquisador espantou-se com a notícia porque jamais soube que Reis Perdigão casou duas vezes e sobre a primeira esposa, Nair, manteve absoluto silêncio.

Não é a primeira vez que fato dessa natureza ocorre com figuras de renome na vida cultural do Maranhão. O escritor Josué Montello casou duas vezes. De sua primeira esposa, da família Moreira Lima, fazia questão de apagá-la de sua vida, a ponto de seus livros de memória só se referirem à segunda esposa, Ivonne.

KÁTIA NO MEIO DO TIROTEIO

Quem diria que a nossa ex-superintendente do IPHAN no Maranhão, Kátia Bogéa, agora na direção do IPHAN nacional, fosse pivô da exoneração do Ministro da Cultura, Marcelo Calero,  que bateu de frente com o ministro da Presidência da República, Gedel Vieira?

Mas a posição de Kátia Bogéa no episódio, que gerou uma crise política, foi, como, sempre correta e no cumprimento de sua função profissional.

Ela, além de não atender às exigências de Gedel Vieira, mostrou solidariedade ao ministro exonerado, o que comprova o seu bom caráter.

A CARA DO PT

Quem lê esta coluna, sabe que ela é destemidamente crítica do deputado  Waldir Maranhão.

Mas, quero aplaudir o parlamentar pela intenção de filiar-se ao PT. Nada mais parecido com Waldir do que o partido de Lula.

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A FEIRA DO LIVRO NA GESTÃO DE TADEU PALÁCIO

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A FEIRA DO LIVRO NA GESTÃO DE TADEU PALÁCIO

A Feira do Livro, criada na gestão do prefeito Tadeu Palácio, foi o evento mais marcante de sua administração e realizada com êxito no segundo semestre de 2006 e repetida com o mesmo empenho em 2007 e 2008.

Nos três anos da gestão de Tadeu, o palco da Feira foi a Praça Maria Aragão, onde tudo funcionou maravilhosamente, graças a uma coordenação que organizou e executou caprichosamente o evento, fazendo-o ganhar repercussão dentre e fora do Maranhão.

Os convidados – escritores nacionais de vulto e os estaduais de reconhecido valor- se encarregaram de mobilizar as atenções da sociedade maranhense, que marcou presença nas palestras, conferências, mesas redondas, noites de autógrafos e lançamentos de livros.

Pela abrangência e localização da Praça Maria Aragão, o público se movimentou com facilidade, os veículos puderam estacionar à vontade, sempre protegidos por um eficiente esquema de segurança, garantindo assim a presença de um grande número de pessoas, inclusive do prefeito Tadeu, que, às noites, ali, dava expediente e acompanhava o desenrolar da programação.

O êxito da Feira do Livro, nos anos de 2006, 2007 e 2008, repercutiu local e nacionalmente, tornando-a uma iniciativa irreversível no calendário cultural da cidade, fato que levou o substituto de Tadeu, João Castelo, a assumir o compromisso público de promovê-la no seu mandato.

A FEIRA DO LIVRO NO MANDATO DE CASTELO

O novo prefeito da cidade, tomando por base o notável feito da administração de Tadeu, disse que daria prioridade ao evento para fazê-lo igual ou melhor do que o anterior, razão pela qual criou um grupo de trabalho especialmente para cuidar do assunto.

A coordenação, nomeada pelo novo gestor da Capital, se teve o discernimento de manter a Feira na Praça Maria Aragão, pois circulava a notícia de possível transferência para outra área da cidade, não a teve para assegurar recursos no orçamento do município, fato que quase compromete a montagem dos stands, o pagamento de cachês aos escritores e outras atividades inerentes à promoção cultural.

Mesmo com as dificuldades operacionais e os problemas financeiros, aos trancos e barrancos, o evento aconteceu no mandato de Castelo, mas aquém da gestão de Tadeu Palácio, especialmente pela ocorrência de imperdoáveis falhas e reiteradas improvisações.

Lembro que no último ano, por coincidir com o processo da sucessão à prefeitura, a Feira por pouco não caiu no poço.

A FEIRA DO LIVRO NA ERA EDIVALDO

Antes de assumir o comando da prefeitura de São Luis, Edivaldo Holanda Júnior, manifestou apoio irrestrito à Feira do Livro, por considerá-la imprescindível à cultura da cidade.

Mas ao tomar posse no cargo, não se empenhou para dar à Fundação Municipal da Cultura condições operacionais e orçamentárias para o evento chegar a bom termo.

Como primeiro impasse, um espaço adequado para instalação da Feira, já que a Praça Maria Aragão estava literalmente interditada. Depois de buscas pela cidade,  a Praia Grande aparece como solução, mesmo com os problemas nela encontrados, a exemplo, da precariedade de ambientes propícios às conferências e mesas redondas, realizadas em prédios distantes um do outro.

Como se isso não bastasse, eclode o veto do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, através da superintendente, Kátia Bogéa, não permitindo a montagem dos stands na Rua Portugal, para não afetar o cenário do centro histórico.

Depois de controvérsias e desencontros entre as partes, as arestas são parcialmente removidas, a Feira consegue sinal verde para instalar-se, àquela altura dos acontecimentos, sob o pessimismo de livreiros, escritores e do público.

No ano seguinte, em 2014, para evitar problemas do ano passado, a Fundação Municipal de Cultura descarta sumariamente a Praia Grande para palco da VIII Feira do Livro e acerta com a Fundação da Memória Republicana a cessão das instalações do Convento das Mercês.

Imaginava-se que naquele espaço, o evento se reencontrasse com as suas origens. Ledo engano. Do primeiro ao último dia, notou-se a ausência de público, sob alegação da insegurança no bairro do Desterro e do precário estacionamento. Nem com o reforço da mídia, o evento melhorou.

Esses dois fatores assustaram a população, que, sem a sua presença, fez o evento perder força, cair no marasmo, e comprometer a comercialização e lançamento de livros, as palestras dos escritores e as mesas redondas, algumas até canceladas.

Para não repetir o quadro de frustração de 2014, a coordenação da Feira de 2015 pensava descobrir outro espaço, de modo a reabilitá-la e dar-lhe a credibilidade de outrora.

Embalde. À falta de alternativa, a Praia Grande é mais uma vez escolhida para cenário do evento, que se auspiciava mais revigorado pela ajuda financeira do governador Flávio Dino, mas, por ser limitada, não conseguiu levantá-la e fazê-la renascer das cinzas.

Resultado: novamente o evento deixa a desejar e as esperanças se projetam para 2016, que, por ser um ano eleitoral, com o prefeito Edivaldo candidato à reeleição, a X Feira do Livro transformar-se-ia numa vitrine, capaz de catalisar votos para mantê-lo no cargo.

Quem sonhou com isso, caiu da cama, pois à medida que se aproximava a realização da Feira, a vulnerabilidade financeira da prefeitura era patente e mostrava-se impotente para bancá-la, fato que a mídia diariamente explorava e cobrava, mas sem resposta.

Por conta desse transtorno financeiro e da irresponsabilidade das autoridades municipais, a Feira engessou-se. Quando tudo levava a crer que nada aconteceria para alavancá-la, uma empresa comercial de São Luis, como patrocinadora de última hora, aparece no horizonte da incredulidade, estende a mão à prefeitura e evita um vexame maior.

Com aquela receita inesperada, mas o suficiente para a Feira não ser vergonhosamente sustada, foi montada às pressas, mas sofrendo corte na sua estrutura física, na duração do evento – de dez para seis dias – e na redução e participação de livreiros e escritores. Não à toa,  o evento deste ano foi considerado o mais fraco dos dez anos de vida da Feira.

RECEITA PARA A FEIRA NÃO TER UM TRISTE FIM.

Para não se dizer que só  critiquei, apresento esta singela sugestão para tentar reerguer a Feira do Livro: em vez de anual, transformá-la em bienal, como nas principais cidades brasileiras.

Rio de Janeiro e São Paulo, os dois maiores mercados editoriais do país, com dezenas de livrarias e milhões de leitores, não se dão ao luxo de fazer Feiras anuais. São realizadas de dois em dois anos, tempo suficiente para avaliações e planejamentos.

Comenta-se que a Feira de São Luis é anual por causa da lei que a criou.  Pura falácia. Alterar uma lei ordinária (no bom sentido da palavra) é algo fácil e sem trauma. Se o prefeito e os vereadores quiserem ela muda rapidamente.

UM ELOGIO MERECIDO.

Não posso terminar esta coluna sem esquecer o trabalho insano de Rita de Oliveira, coordenadora do evento. Trata-se de uma mulher de fibra e de coragem que em momento desistiu ou deu demonstração de vencida. Lutou desesperadamente e ultrapassou as vicissitudes que se antepunham à realização da X Feira do Livro. Palmas, pois, para Rita de Oliveira, pela obstinação e força de vontade.

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A HERANÇA MALDITA DA CRIAÇÃO DE MUNICÍPIOS

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A HERANÇA MALDITA DA  CRIAÇÃO DE MUNICÍPIOS

Na semana passada, o jornal Folha de São Paulo publicou um suelto intitulado A César o que é de César, de críticas à situação de numerosos municípios do Maranhão, que conquistaram autonomia político-administrativa, mas até hoje não conseguiram viver com as próprias pernas.

Um dos piores municípios, apontado pelo jornal paulista, chama-se Presidente Sarney, de 20 mil habitantes, classificado em último lugar, pelo Índice de Bem-Estar Urbano, pela ausência de saneamento, mobilidade, habitação e infraestrutura.

A Folha de São Paulo comprovou a deplorável situação do município maranhense pela convivência da população com esgoto a céu aberto, lixo amontoado nas ruas, sem fossas sanitárias, dependente de repasses federais e sem arrecadação própria.

E, pateticamente, concluiu: “A miséria e a política se aliaram à realidade de Presidente Sarney, numa triste homenagem prestada ao mais nome renomado político maranhense”.

Municípios iguais a Presidente Sarney existem às dezenas no Maranhão e ganharam autonomia política e administrativa com o advento da Constituição da Republica Federativa do Brasil, de 1988, que no seu Artigo 18, parágrafo 4º, transferiu ao Legislativo estadual a competência da criação, incorporação, fusão e desmembramento de municípios.

Com base nesse preceito, a Constituição do Estado do Maranhão, de 1989, criou quase cem novos municípios, em obediência ao Artigo 48, das Disposições Constitucionais Transitórias.

Os constituintes maranhense, imbuídos do mais desenfreado sentimento  demagógico, decidiram, sem critério técnico e ao arrepio de qualquer planejamento, introduzir no mapa do Maranhão 83 novas cidades, quase todos sem condições mínimas de sustentação própria.

Os parlamentares estaduais, com o pensamento mais nas eleições do que nas gerações, irresponsavelmente incharam o Estado de cidades desprovidas de requisitos legais e indispensáveis – área, população e renda – para se sustentarem financeiramente.

Vinte e sete anos depois da promulgação da nova Carta Magna do Maranhão, até onde a vista alcança, pode-se afirmar, sem medo de errar, que poucos povoados se viabilizaram como unidades administrativas..

Não cresceram e nem progrediram. Criaram mais problemas e permitiram aos prefeitos a manipulação em proveito pessoal das verbas repassadas pela União e as provenientes de emendas parlamentares.

Tendo em vista que a grande maioria desses municípios não avançou do ponto de vista urbano e permanece no mesmo estágio de atraso e de abandono, seria de bom alvitre que a Assembleia Legislativa promovesse um simpósio, para que políticos e técnicos pudessem analisar e avaliar, de modo criterioso e responsável, a situação de cada um e o que fazer para tirá-los dessa vexatória posição, que tende a piorar nos próximos anos, com o corte de gastos e o rigor da política fiscal em andamento no país.

CAXIAS NO GOVERNO

Pela segunda vez, um representante caxiense na Assembleia Legislativa, assume o Governo do Estado do Maranhão em circunstância especial.

A primeira vez, no final da gestão do governo Newton Bello, para prestigiar o deputado  Aldenir Silva, presidente do Poder Legislativo, que se investiu interinamente no cargo de governador, de comum acordo com o titular e o vice, licenciados das atividades governamentais.

Aldenir Silva, com a faixa de governador no peito, viajou a Caxias, sendo ali alvo de grandes homenagens.

Meio século depois, o gesto se repete. O governador Flávio Dino e o vice, Carlos Brandão, licenciaram-se dos cargos para os quais se elegeram e deram vez ao presidente da Assembleia, deputado Humberto Coutinho, para, como governador em exercício, visitar Caxias, terra onde nasceu e faz política, a fim de receber homenagens dos conterrâneos.

A DOENÇA DE CASTELO

Há quem diga que o enfarto do miocárdio, sofrido pelo ex-prefeito João Castelo, foi rescaldo do debate, no segundo turno, entre os candidatos Edivaldo Holanda Júnior e Eduardo Braide, que o atacaram injustamente, diga-se de passagem.

Injustamente, por que Castelo só teve participação no primeiro turno, quando manifestou seu discreto apoio à candidata Elisiane Gama.

No segundo turno, cruzou os braços e, mesmo assim, apanhou feio dos dois candidatos, que se acusavam reciprocamente por um apoio que Castelo jamais lhes deu.

Sem responder aos ataques, Castelo recolheu-se ao silêncio e aí não há coração que resista.

EVANGÉLICOS NO PODER

Leio na coluna do bem informado jornalista Ribamar Corrêa, que a eleição de dez prefeitos no Maranhão pela legenda do PRB, causou euforia nas hostes evangélicas, que, sob o comando do novo prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Trivela, deseja construir no país um projeto de poder.

No Maranhão, diz o jornalista caxiense, o PRB, dirigido pelo deputado federal, Kleber Verde, empenha-se em viabilizar o projeto de Crivela, com o reforço de prefeitos recentemente eleitos, ressaltando-se o de Itapecuru, Miguel Lauande.

Quem conhece o prefeito Lauande, afirma categoricamente que é tão grande o seu fervor católico, que jamais endossará tão estapafúrdio projeto.

O OBSTINADO NATALINO

Pelo que fez à frente da reitoria da Universidade Federal do Maranhão, ninguém discute a competência e a capacidade de trabalho do professor Natalino Salgado.

Em dois mandatos, construiu uma nova Universidade Federal no Maranhão, fazendo-a renovar-se e ampliar-se dentro e fora de São Luis, com obras edificantes e imprescindíveis ao seu desenvolvimento técnico e científico, tudo realizado com invejável obstinação.

Após se eleger membro da Academia Maranhense de Letras, Natalino mirou a Academia Nacional de Medicina como novo alvo e correu atrás para alcançá-lo.

Durante três meses, visitou mais de 100 membros da ANM, em diversas cidades do país, aos quais se apresentou como candidato, mostrou seus trabalhos científicos, e discorreu sobre a sua bem-sucedida vida profissional.

Resultado: elegeu-se membro da Academia Nacional de Medicina e é o primeiro maranhense a dela fazer parte. Próximos passos de Natalino: tomar posse em março e presidir futuramente a Instituição.

SUMIÇO DO PREFEITO

Não lembro ter visto o prefeito Edivaldo Holanda Júnior em alguma Feira de Livro, no mandato próximo a acabar.

Aliás, em atos e eventos, oficiais ou não, o atual gestor de São Luis sempre brilha pela ausência. Só Freud explica isso.

Na segunda-feira, na abertura da 10ª Feira do Livro, sob os auspícios da prefeitura de São Luis, imaginava-se que Edivaldo Holanda aparecesse, depois de uma vitoriosa eleição.

Nada mais oportuno do que comparecer a um ambiente cultural, onde  certamente não seria hostilizado, ao contrário, receberia afagos e cumprimentos da assistência, constituída de funcionários da Prefeitura.

FRACASSO ADMINISTRATIVO

Gil Cutrim, como prefeito da cidade de Ribamar e presidente da Famem, não teve bom desempenho administrativo nos dois órgãos.

À frente da prefeitura ribamarense não deu continuidade ao bom trabalho do antecessor, Luis Fernando. No comando da Famem, fez os prefeitos sentirem saudade de Júnior Marreca.

DERROTADO EM RIBAMAR

Carlos Guterres entrou na política, elegendo-se vereador de São Luis, por vários mandatos.

Anos depois, representou o povo maranhense na Assembleia Legislativa, onde pontificou como bom parlamentar.

Da política saiu porque o povo não o reconduziu mais à Câmara Municipal e à Assembleia Legislativa.

Nas eleições deste ano, mudou o domicílio eleitoral para São José de Ribamar e candidatou-se a vereador, mas não conseguiu recuperar o mandato.

Líster Caldas tinha razão quando dizia que não é a gente que deixa a política, mas a política que deixa a gente.

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DEBATES, EMBATES E COMBATES NAS ELEIÇÕES DE 2016

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DEBATES, EMBATES, COMBATES NAS ELEIÇÕES DE 2016

Deixei baixar a poeira das eleições de 2016, para abordar um assunto que ainda está na ordem do dia: a disputa pelo cargo de prefeito de São Luis.

Como costumava fazer num passado não tão distante, quando militava diariamente na imprensa maranhense, após o encerramento dos pleitos, tecia breves comentários sobre o comportamento dos candidatos e a postura do eleitorado.

Ontem, como hoje, são anotações captadas ao longo da campanha política, que chamaram a minha atenção. As eleições, realizadas na semana passada, a despeito das alterações nela processadas, visando torná-la mais limpas e verdadeiras, não atingiram os objetivos colimados, pois apresentaram vulnerabilidade e vícios de outrora.

Mesmo sem o financiamento privado, algumas ferramentas do passado, como o uso da máquina pública e a compra de votos, continuaram em voga e manipuladas por agentes políticos.   Mas isso é assunto para outro momento. A conversa de hoje gira em torno de atos e fatos que levaram o pleito municipal de São Luis a ser realizado em dois turnos.

NOS DEBATES, SURPRESAS E DECEPÇÕES

O primeiro debate teve a participação de cinco candidatos: Edivaldo Holanda, Eliziane Gama, Wellington do Curso, Fábio Câmara e Eduardo Braid, este, depois de espernear juridicamente. A grande sensação do confronto foi o candidato do PMN, que, de maneira sensacional e surpreendente, despontou no cenário político, saindo do anonimato e impondo-se como o melhor do programa televisivo, tanto que tirou o candidato Wellington do páreo, e, por várias vezes, deixou o prefeito em situação desconfortável, face às fulminantes perguntas sobre a sua gestão.

Por conta do bom desempenho, Braide conquistou a classe média de São Luis, que nele votou em massa no primeiro turno, assegurando-lhe o direito de participar do segundo confronto, contra o prefeito, considerado favorito.

Mas quem o viu no primeiro debate, batendo forte nos adversários, especialmente no candidato do PDT, não o reconheceu no confronto seguinte. Em certos momentos, sobretudo quando o problema de Anajatuba veio à tona, mostrou-se descontrolado e em dificuldade para recuperar o ímpeto de bom lutador.

No primeiro, deu show e brilhou intensamente; no segundo, decepcionou e não repetiu a façanha anterior, mas a sua atuação foi superior à do adversário, que só se defendeu, sem convencer.

Se o candidato do PMN tivesse apresentado o desempenho igual nos dois programas, teria conseguido uma votação mais expressiva, que, talvez, ultrapassasse a vantagem abocanha pelo prefeito na zona rural.

NO EMBATE, A MÁQUINA PÚBLICA FUNCIONOU

Depois do debate, o embate propriamente dito. Foi aí que Braide perdeu a definitivamente a eleição, por conta do despudorado uso da máquina pública estadual e municipal, em favor do prefeito, fato comprovado pelos meios de comunicação e assistido candidamente pelas autoridades da Justiça Eleitoral, que não moveram uma palha para coibir ou intimidar os que a utilizaram como estratégia de luta para reeleger Edivaldo.

Nos quinze dias antes do pleito, o festival de gastança em favor do candidato do PDT, para ficar mais quatro anos no comando da prefeitura de São Luis, foi algo espantoso. Uma operação de guerra deflagrou-se em toda cidade, com o objetivo de reverter a posição que Braide  alcançara em curto espaço de tempo e que ameaçava o favoritismo de Holandinha.

No centro urbano e na parte litorânea (São Francisco e adjacências), habitada pela classe média e mais elitizada, onde Braide conquistara adeptos e simpatizantes, o rolo compressor se fez presente ao longo do dia. Para execução dessa operação, um programa foi cumprido à risca e montado através de estratégias compactas e simultâneas, visando massificar e popularizar o nome e o número do prefeito.

Para agitar mais a cidade, em pontos de maior movimentação, a numerosa presença de gente contratada para balançar as bandeiras vermelhas do candidato do Governo. Para atrair as atenções dos moradores dos edifícios residenciais, centenas de carros de som infernizaram os ouvidos dos incautos com mensagens publicitárias e músicas que ressaltavam o número do candidato numa repetição sem fim do é 12, é 12, é 12, é 12, é 12, até o saco encher. Com vistas a tornar o número do candidato mais palatável, introduziram-se cartazes no frontispício dos prédios residenciais e adesivos nos carros particulares.

Na periferia da cidade e na zona rural, o esquema era outro, mas tão pesado e influente quanto ao aplicado no meio urbano. Naqueles redutos, o dinheiro correu solto e o voto funcionou como moeda de troca.

Enquanto a campanha de Edivaldo massacrava urbi et orbi, a de Braid brilhava pela ausência. Sem recursos, sem marqueteiro, sem apelo publicitário, sem carro de som e outros produtos do marketing,  ao candidato do PMN restou a alternativa de sair com alguns abnegados amigos pelas ruas dos bairros e da periferia em busca de votos, usando para isso a persuasão,  vocalizada pelo jovem deputado, que lembrava a luta de Davi contra o poderoso Golias.

Para culminar, a sua infeliz manifestação de não aceitar apoios de determinados grupos políticos, a exemplo, dos sarneístas. Nesse capítulo, Braide mostrou infantilidade e esqueceu a máxima de que em eleição o feio é perder.

NO COMBATE, PROJETOS E PROPOSTAS FARAÔNICOS

Ao longo do debate pela televisão, um pecado capital foi cometido pelos dois candidatos: a apresentação de propostas faraônicas e promessas irresponsáveis, para transformar São Luis numa Dysneylândia, tantos os sonhos demagógicos de ambos.

Fariam isso e aquilo, mas não explicavam o principal: com que recursos contariam para a realização de tantas obras e serviços. Por esperteza ou desconhecimento, omitiam a fonte de onde extrairiam verbas para emoldurar a cidade, como se fosse um sonho de uma noite de verão.

Qualquer pessoa mais ou menos bem informada sabe que há anos as receitas da Prefeitura são insuficientes para fazer face às despesas contraídas pela burocracia  municipal. Não fossem as transferências federais, o caos já teria implodido o Palácio La Ravardière.

Algumas obras que a gestão de Edivaldo Holanda alavancou nos bairros foram com recursos repassados pelo governador Flávio Dino, que se empenhou a fundo para dar uma sobrevida ao atual prefeito e reelegê-lo para mais quatro anos.

A CRISE FISCAL E OS DESAFIOS DA CIDADE

Mas tudo leva a crer que no novo mandato, o gestor da capital maranhense não contará com os recursos do Governo do Estado, haja vista a política fiscal em andamento no país, com reflexos diretos nos cofres do Tesouro.

Está escrito nas estrelas que os prefeitos eleitos enfrentarão a mais difícil conjuntura de toda a sua vida pública, pois a mais grave crise fiscal que se tem registro na história do Brasil, explodirá com mais intensidade nas prefeituras, a unidade administrativa mais próxima das pessoas. O quadro municipal é o mais negativo, porque a grande maioria dos municípios não consegue pagar as contas com o dinheiro da arrecadação própria. A prefeitura de São Luis não foge a essa regra.

Nesses quatro anos de gestão, o prefeito Edvaldo Holanda Junior, com a ajuda do Governo do Estado, cuidou praticamente de questões pontuais da cidade: pavimentação de ruas, reforma das escolas e postos de saúde, construção de praças públicas e melhoramentos urbanísticos.

Mas do centro histórico, com o seu patrimônio arquitetônico e artístico, necessitado de reformas e de atenções especiais, não se ouviu uma palavra nessa campanha eleitoral. Esquecido pela atual administração, nada de positivo fez-se para recuperá-lo e torná-lo um dos pontos de atração turística de São Luis.

Por fim, que o primeiro ato do prefeito seja montar um secretariado de menor porte e  estritamente técnico, evitando o loteamento da máquina pública municipal entre políticos fichas-sujas, evangélicos e carreiristas.

 

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