MEIO SÉCULO DE FORMATURA

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No dia 22 de dezembro de 1966, há 50 anos, em solenidade realizada no auditório da Associação Comercial do Maranhão, eu colava grau em Ciências Jurídicas e Sociais, pela antiga Faculdade de Direito de São Luis, estabelecida e funcionando na Rua do Sol, onde ingressei em 1962, época em que existiam apenas as Faculdades de Direito, Farmácia e Odontologia, mantidas pelo Governo Federal, a Escola de Enfermagem São Francisco de Assis, a Faculdade de Serviço Social e a Faculdade de Ciências Médicas, integrantes da SOMACS ,– Sociedade Maranhense de Curso Superior, criada por Dom José de Medeiros Delgado, que originou mais tarde a Fundação Universidade do Maranhão até transformar-se em 1967 em Universidade Federal do Maranhão.

Em 1962, com 22 anos, obtive duas brilhantes vitórias. A primeira, resultado do exame vestibular ao curso de Direito, com provas escrita e oral, sendo sabatinado pelos temidos professores Fernando Perdigão e Pedro Neiva de Santana. A segunda, decorrente do teste das urnas, eleito deputado estadual à Assembleia Legislativa, pelo Partido Social Progressista.

Da turma que colocou grau junto comigo, lembro de Ana Maria Jorge, Antônio Carlos Neves, Eulina Maranhão, Ilná Vasconcelos, Jorge Gonzalez, José de Arimatea Fonseca, Caldas Góis, José Francisco Lobato, Guilherme Fecury, José Orlando Lima, Maria de Jesus Sousa, Maria de Jesus Nogueira, Murilo Messeder, Nelson Reis, Petrônio Sá, Reinaldo Carneiro, Sidney Ramos, Walter Castro, Wilmar Sá e Yolanda Neves.

Alguns, como Antônio Carlos Neves, José de Arimatea Fonseca, Guilherme Fecury, José Orlando, Petrônio Sá e Sidney Ramos já partiram para a eternidade; outros, contudo, não sei o que fazem e por onde andam. Dos que exercem a profissão de advogado, restam José Francisco Lobato e José Caldas Góis, este, chegou à presidência da Ordem dos Advogados do Brasil, no Maranhão.

De minha parte, confesso o arrependimento de não ter militado na advocacia, mas conforto-me e orgulho-me de ostentar na minha biografia o título de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais. Quem sabe se tivesse optado pela profissão, não seria hoje um desembargador ou um promotor aposentado.

Se não cheguei a ser um profissional da advocacia, não foi por deficiência do curso ou incompetência dos professores da Faculdade de Direito. Nada disso. O curso, além de bem estruturado e com disciplinas ajustadas à realidade jurídica brasileira, era ministrado por um elenco de mestres em sua grande maioria preparados e capazes intelectualmente de atuar na docência de grau superior.

Não posso esquecer e até hoje guardo na memória o nome de professores daquela magnífica Congregação, que ajudaram, pela sua grandeza moral e intelectual, a iluminar o meu caminho e de outros bacharéis, com ensinamentos que nortearam as nossas vidas para o Direito se impor como Ciência.

Para homenageá-los, com respeito e admiração, os nominarei individualmente: Fernando Perdigão, Pedro Neiva de Santana, Antenor Bogéa, Doroteu Soares Ribeiro, Mário Santos, Domingos Vieira Filho, José Joaquim da Serra Costa, José Maria Ramos Martins, Clodoaldo Cardoso, Tácito Caldas, Orlando Leite, Wady Sauaia e Helena Caldas.

Coincidentemente, em 1966, Maria Célia, minha irmã, também colou grau pela Faculdade de Ciências Médicas do Maranhão. Quem conheceu o meu pai, Abdala Buzar, sabe que ele era um tremendo festeiro. Para comemorar aquela dupla formatura familiar, ele promoveu uma festa de arromba em Itapecuru, no dia 25 de dezembro de 1966.

CODINOMES

Quando a Odebrechet publicou o nome dos políticos que teriam recebido propina do petrolão, não deixou por menos: os registrou com os respectivos codinomes.

Tomando o secretariado do governador Flávio Dino por referência, seus componentes poderiam ser identificados com esses codinomes e compatíveis com as funções exercidas pelos mesmos.

Felipe Camarão, secretário de Educação, Polivalente; Diego Galdino, secretário de Cultura, Noviço Rebelde; Márcio Jerry, secretário de Articulação Política, Alter ego;  Marcellus Ribeiro, secretário da Fazenda, Joga a pedra, esconde a mão; Simplício Araújo, secretário de Indústria e Comércio, Metido a sabido;  Márcio Honaise, secretário de Agricultura, Importado; Marcelo Tavares, Chefe da Casa Civil, Fala Manso;  Robson Paz, secretário de Comunicação, Sem vez e voz; Neto Evangelista, secretário de Desenvolvimento Social,  Arrumadinho; Rodrigo Maia, Procurador Geral do Estado, Trato fino; Jeferson Portela, secretário de Segurança,  Sai de baixo; Francisco Gonçalves, secretário de Direitos Humanos, Pomba da paz; Carlos Lula, secretário de Saúde, Devagar, de vagarinho; Murilo Andrade, secretário de Administração Penitenciária, Prisioneiro; Márcio Jardim, secretário de  Esporte, Peladeiro; Julião Amin, secretário de Trabalho,  Velha guarda; Clayron Noleto, secretário de Infraestrutura, Só pensa naquilo( prefeitura de Imperatriz).

CONCITA QUADROS

Quando estudei no Liceu Maranhense, onde fiz o curso científico, tive a alegria e a felicidade de contar com um elenco de professores do mais elevado nível ético e profissional.

Eram mestres que valiam a pena vê-los e ouvi-los em sala de aula, transmitindo lições e ensinamentos que repercutiram em nossa formação humana e profissional.

Tive o raro privilégio de ser aluno de professores do porte de Rubem Almeida, Mata Roma, Maria de Jesus Carvalho, Maria Freitas, Maria José Serrão, Pedro Santos, José Lopes, Vicente Maia, José Silva e José Braga e Concita Quadros.

Com tristeza soube do recente falecimento de Concita Quadros, minha professora de Espanhol, que quando ingressava em sala de aula se impunha pela capacidade e pela elegância. Ela era a última sobrevivente de um primoroso quadro de inesquecíveis e gabaritados professores.

PROTESTO EMPRESARIAL

No Maranhão, houve um tempo – quando o Brasil vivia sob o tacão da ditadura getuliana – em que os interventores federais tinham o costume de bater de frente com as chamadas forças produtivas.

Bastava o governante fazer alguma coisa para tolher ou prejudicar o trabalho da iniciativa privada, para a Associação Comercial botar o bloco na rua e partir para o ataque ao Governo.

Eu pensava que essa fase estava sepultada no Maranhão. Ledo engano. Na semana passada, os jornais da cidade divulgaram manifestos das classes representativas do setor produtivo, insurgindo-se contra uma lei oriunda do Poder Executivo estadual, que a Assembleia Legislativa votou e alterou as alíquotas do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Se o Maranhão retroagiu ao passado, não custa lembrar que os interventores Seroa da Mota e Martins de Almeida e o prefeito de São Luis, engenheiro José Otacylio Saboya, caíram em desgraça por desafiarem o empresariado.

EXEMPLO DE ALBERIQUINHO

Antes de assumir o mandato de prefeito de Barreirinhas, Alberiquinho Ferreira, mostra e ensina aos eleitos na recente eleição municipal, a receita de como se administrar em momento de crise.

Sem alarde, reduziu significativamente a máquina administrativa do município, que vai gerir a partir de 1º de janeiro vindouro, eliminando secretárias inúteis e extinguindo cargos comissionados que oneravam a folha de pessoal da prefeitura.

Com uma estrutura enxuta e sem gordura, Alberiquinho tem tudo para fazer uma administração saudável em Barreirinhas, pois contará apenas com órgãos indispensáveis ao bom funcionamento dos serviços municipais e sem a presença de secretários ociosos e criadores de problemas políticos.

UNIVERSIDADE DO LESTE

Em Caxias, o assunto dominante é a criação da Universidade do Leste Maranhense.

Essa nova instituição universitária nasceria nos moldes da Universidade do Sul do Maranhão, com sede em Imperatriz, e abortada da estrutura da Universidade Estadual do Maranhão.

A Universidade do Leste Maranhense teria sede em Caxias, onde a Uema  mantém vários cursos e conta com  expressiva quantidade de professores e alunos, grande parte egressa do Estado do Piauí.

A  criação da Universidade Leste do Maranhão tem o apoio da classe política caxiense e já ecoou no Palácio dos Leões, mas, até agora, sem o endosso do governador Flávio Dino.

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AMIGOS DE CALÇAS CURTAS

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Concluído o curso primário no Grupo Escolar Gomes de Souza, em Itapeecuru, vim estudar em São Luis, no Colégio dos Irmãos Maristas, que começava a funcionar em novas instalações, na Rua Oswaldo Cruz.

Naquele elitizado estabelecimento de ensino, cheguei em 1950, onde conheci João Castelo Ribeiro Gonçalves, à época, eu e ele, de calças curtas. Lembro-me que era um garoto gordinho e bem aplicado, mas sem figurar entre os mais estudiosos da classe. Eu, também, fazia parte desse time.

Nos três anos de estudo nos Maristas, eu e Castelo sempre fomos da mesma turma. A partir de 1953, troquei os Maristas pelo Liceu Maranhense, ano em que perdi Castelo de vista. Só voltei a revê-lo no final dos anos 1960, ele em atividade profissional no Banco da Amazônia, cujo corpo funcional era constituído da fina flor da juventude maranhense. Como bancário, teve trajetória fulgurante. Ocupou o cargo de gerente do BASA em Coroatá, Codó e São Luis e chega a presidi-lo.

Na agência da capital maranhense, Castelo multiplica o seu capital profissional e diversifica o círculo de amizade, especialmente com  empresários e políticos. Da convivência com políticos, aproxima-se do senador José Sarney, com o qual formaliza uma estreita relação de amizade, a ponto de se tornarem compadres.

Pelas mãos de Sarney, Castelo ingressa na atividade política, concorrendo às eleições de 1970 ao cargo de deputado federal, pela Arena, elegendo-se com expressiva votação. Reelege-se em 1974, mandato no qual é convocado para ocupar o cargo mais importante de sua trajetória política.

CASTELO NO GOVERNO DO ESTADO

Por imposição do regime militar, as eleições aos governos estaduais, a partir de 1970, passaram a ser indiretas. O primeiro governador eleito indiretamente pela Assembleia Legislativa foi Pedro Neiva, cuja sucessão é tumultuada face ao rompimento do governador com o senador José Sarney e da volta à cena política do ex-senador Vitorino Freire, que cria embaraços na indicação de nomes para governar o Estado. Resultado: o poder acaba no colo do deputado Nunes Freire, que, também, termina o mandato rompido com Sarney, este, o mais cotado para substituí-lo, mas fica fora do páreo pela forte influência de Vitorino no Palácio do Planalto. Mesmo alijado do governo, Sarney tem cacife para indicar o sucessor de Nunes Freire, o fiel escudeiro, deputado João Castelo Ribeiro Gonçalves.

A GESTÃO CASTELISTA

À frente da administração estadual, Castelo não esconde o desejo de fazer um governo como o de Sarney, isto é, voltado para o planejamento e o desenvolvimento do Estado. Não à toa, adota o slogan de  “Um grande Maranhão para todos” a sombra do qual  forma um bom secretariado, com técnicos do Banco da Amazônia e de instituições governamentais. Na Agricultura, Luis Varela, Administração,  Antônio Fernando Carvalho, Planejamento, João Rebelo, Educação, Antônio Carlos Beckman, Fazenda, Antônio José Brito, Indústria e Comércio, Roberto Macieira, Trabalho, Fernando Castro, Saúde, José Rodrigues Lopes, Justiça, Roque Macatrão, Segurança, Raimundo Marques, Meio Ambiente, Darson  Duarte, Transportes, João Rodolfo, Interior, Wilson Neiva, Cultura, Arlete Machado, Desportos e Lazer, Elir Gomes, tendo o capacitado José Burnett, como Chefe da Casa Civil.

Com esse time de boa qualidade técnica e política, Castelo realiza bom trabalho e faz obras de significativa relevância, a exemplo do Italuis, Hospital Carlos Macieira, Universidade Estadual do Maranhão, Casa do Trabalhador, Ponte Bandeira Tribuzi, Cidade Operária, Programa Bom Preço e o Estádio Castelão.

Mas um deslize o conduziu ao pelourinho: em setembro de 1979, os estudantes foram às ruas reivindicar o cumprimento de antiga lei municipal, que garantia o direito da meia-passagem à juventude. O movimento, repelido violentamente pela Polícia, fato que impede Castelo de abrir as negociações com os estudantes e abafar o movimento no nascedouro, pelo diálogo. Quando isso acontece, o desgaste do governador já estava nas alturas.

CASTELO EMPAREDA SARNEY

 

Antes de findar o mandato de governador, Castelo surpreende o Maranhão com uma jogada política que deixa o senador José Sarney em complicada situação. Com a morte do vice-governador Artur Carvalho, o substituto hierárquico de Castelo era o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Albérico Ferreira, tio de Sarney.

Nas eleições majoritárias de 1982, o projeto de Castelo era deixar o Governo e se candidatar ao Senado. Mas não deseja transferir o poder estadual a Albérico por entender que este no Governo criaria embaraços à sua eleição de senador. A Sarney diz que só deixará o Palácio dos Leões se Albérico renunciar à presidência da Assembleia Legislativa, ensejando a ascensão ao cargo do 1º vice-presidente, Ivar Saldanha, deputado de sua confiança.

Sarney fica numa saia justa, pois o tio repele a proposta de Castelo com ferocidade. Só depois de muita conversa, Albérico atende aos apelos do sobrinho, renunciando a presidência do Legislativo e ao mandato de deputado estadual. Só assim, Castelo se desincompatibiliza do cargo  e permite  Ivar Saldanha assumir à presidência da Assembleia e, como tal, ser o novo comandante do Poder Executivo.

DESENTENDIMENTO DE CASTELO COM LUIZ ROCHA

Outra artimanha política de Castelo teve por alvo o deputado Luiz Rocha. Com o retorno das eleições diretas, o deputado Luiz Rocha se lança candidato a governador, sem o apoio de Castelo, que faz de tudo para Sarney não endossar aquela candidatura.

Luiz Rocha, duro na queda, impõe-se candidato e vence as eleições, mesmo enfrentando a ira do governador. Ao assumir o cargo, vai às forras e desencadeia contra o antecessor represálias de todos os tipos. Era o que faltava para desabrochar uma luta ferrenha entre o atual e o ex- governador, que se não fosse imediatamente estancada poderia implodir o PDS.

Para intimidar Luiz Rocha, Castelo dar o troco merecido. Com a maioria dos deputados sob seu comando, usa-os para torpedear as mensagens, projetos e propostas emanadas do Palácio dos Leões, especialmente a Lei Delegada, pois com ela Luiz Rocha desejava fazer alterações na burocracia estadual.

Durante semanas, o Maranhão assiste estupefato à gigantesca luta entre duas figuras políticas do mesmo grupo, cada qual esgrimindo as armas disponíveis para ver quem ficava com o troféu da insensatez.

Com estava escrito nas estrelas, a contenda só acaba com a presença de Sarney, que vem de Brasília e coloca, com a sua competência política, água num caldeirão cheio de brasa, para desativá-lo e não comprometer a sua liderança. O armistício é declarado, mas a inimizade entre Castelo e Rocha não cessa, ao contrário, incrementa-se e com novos desdobramentos.

CASTELO E AML

Se há um governador com prestígio na Academia Maranhense de Letras, chama-se João Castelo, a quem é devido o envio de mensagem à Assembleia Legislativa, da qual resultou na Lei 4.350, por ele sancionada em 31 de outubro de 1985, autorizando o Poder Executivo a pagar mensalmente à AML subvenção especial correspondente a 10 salários-mínimos.

Por conta disso, Castelo sempre recebeu da Casa de Antônio Lobo as merecidas homenagens e reconhecido como um dos grandes beneméritos da Instituição.

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ESCOLAS DE TAIPA E PALHA

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No discurso proferido na reunião com os prefeitos recentemente eleitos, o governador Flávio Dino revelou os programas que  vem realizando no Maranhão, destacando a recuperação e construção de escolas e a substituição de unidades de taipa e palha por construções de alvenaria.

Muito louvável a iniciativa do atual governo de, com essa providência, proporcionar ao aluno do interior do Estado, melhores condições de conforto e de ensino. Mas será que só isso basta para o ensino no Maranhão melhorar e sair da triste situação em que se encontra?

Com essa pergunta no ar, direciono o meu pensamento para a época em que José Sarney assumiu o governo do Estado e a realidade educacional, em todos os níveis de escolaridade, era tão degradante, que deixava o Maranhão numa vergonhosa situação.

Diante de tão calamitoso quadro, Sarney mobiliza o governo para desencadear uma operação de guerra contra o analfabetismo reinante no interior, deflagrada com a contratação dos técnicos do Movimento de Educação de Base, que trabalhavam na Arquidiocese do Maranhão, com a metodologia do professor Paulo Freire, combatida pelo regime militar.

Da junção dos técnicos do MEB com o grupo criado pelo secretário de Educação, Cabral Marques, surge o projeto João-de-Barro, para levar a educação democrática às populações rurais, constituídas de analfabetos, visando despertá-las da condição de subdesenvolvimento e conscientizando-as de suas reais possibilidades, para através de um esforço comum e inteligente, mudar esse estado de coisas.

A viabilização do projeto João-de-Barro se dá por meio de três requisitos indispensáveis: levantamento dos diversos aspectos da realidade; motivação para o trabalho; e seleção dos povoados e de pessoal das comunidades.

O projeto se sustentava em dois pressupostos: 1) nas pessoas selecionadas para monitores, com alguma capacidade de liderança, capazes de provocar e dirigir os trabalhos comunitários, e realizar atividades diferentes das de ensinar a ler e a escrever; 2) nas escolas construídas com os próprios recursos da comunidade e padronizadas, segundo o  modelo de barracões cobertos de palha, com meias parede de taipas e chão batido. O mobiliário era o mínimo possível: alguns bancos compridos, um pequeno quadro de giz e uma carteira para o monitor.

Com esse tipo de escola, sem alvenaria, o projeto se disseminou no interior do Maranhão, fez mudar a realidade rural e baixar sensivelmente as taxas de analfabetismo. O sucesso do João-de-Barro  foi de tal modo espetacular que repercutiu  no Brasil e no exterior, a ponto da revista americana, TIME, dedicar-lhe reportagem de capa.

EVANGÉLICOS E CATÓLICOS

Houve época em que as eleições municipais no Maranhão eram disputadas apenas e exclusivamente por católicos.

Os evangélicos, como seita religiosa, ainda não tinham expressão, por isso não participavam do processo eleitoral.

De uns tempos para cá, contudo, esse quadro se inverte por conta da presença em larga escala dos evangélicos no meio urbano e rural do país.

Em curto período, os evangélicos ocuparam  os espaços dos católicos, transformando-se de minoria em maioria política e com atuação desenvolta na cena partidária.

Este ano, no Maranhão,  a presença de evangélicos na disputa por cargos de prefeito e de vereador foi gritantemente espantosa. Em algumas cidades, a luta eleitoral travou-se entre os próprios evangélicos.

PRÉDIOS DO CENTRO HISTÓRICO

Em tempos não tão longínquos, se algum comerciante da Praia Grande entrava em apuros financeiros, usava-se uma fórmula para socorrê-lo da quebradeira.

Procurava-se o governador do Estado que autorizava o Banco do Estado a liberar empréstimo ao desesperado comerciante, que apresentava como garantia o imóvel onde funcionava o seu negócio.

Geralmente, o comerciante não cumpria o compromisso bancário. Por conta disso, o imóvel objeto daquela operação passava para o patrimônio do Governo, que os destinava à máquina administrativa estadual, que, depois de alguns anos, pela má utilização e conservação, depreciava-se e ficava  no limbo do abandono.

ACIMA DO CHÃO

Em 1959, Ferreira Gullar, com 19 anos, lança em São Luis o seu primeiro livro de poemas, com o título “Um pouco acima do chão”, editado pelo Centro Cultural Gonçalves Dias, do qual era um dos expoentes.

Em 1999, Jomar Moraes, na presidência da Academia Maranhense de Letras, em comemoração ao cinqüentenário da estréia literária de Ferreira Gullar, reedita o livro.

Quando o poeta veio a São Luis, no governo Roseana Sarney, para inaugurar a avenida com o seu nome, Jomar o surpreende: entrega-lhe o livro de presente, recebido sem entusiasmo até porque não faz parte  de sua vasta bibliografia.

MARANHÃO MAIS POBRE

Os anos de 2015 e de 2016 não vão deixar saudade aos maranhenses.

No ano passado, perdemos dois intelectuais de peso: o poeta José Chagas e o cronista Ubiratan Teixeira.

No exercício de 2016, partiram de nosso convívio os poetas Nauro Machado,  Ferreira Gullar e o cronista e historiador Jomar Moraes.

São ausências que deixaram o Maranhão culturalmente mais pobre.

VEREADOR E DEPUTADO

Em discurso pronunciado na Assembleia, o deputado César Pires, disse em alto e bom som que a atual composição do Poder Legislativa do Maranhão é a pior das últimas legislaturas. Não foi contestado por nenhum colega do governo ou da oposição.

Na semana passada, um triste acontecimento deixou o Maranhão e o Brasil desolados: a morte de Ferreira Gullar. O país inteiro, excetuando-se a Assembleia Legislativa,  lamentou o falecimento do poeta.

Nesse aspecto, a Câmara Municipal de São Luis está a mil passos do Poder Legislativo do Estado. Pela voz do vereador Gutenberg Araújo, ouviu-se um  pronunciamento de louvor à figura poética de Ferreira Gullar e de lamento pela falta que fará à cultura nacional.

PRÊMIO INOVARE

Pela segunda vez, o Maranhão aparece com bom desempenho no Prêmio Inovare, criado pelo Conselho Nacional de Justiça, para estimular a criatividade no âmbito do Poder Judiciário.

A primeira vez, o Maranhão abiscoitou o Prêmio Inovare  em 2004, quando o juiz Marlon Reis apresentou a Lei da Ficha Limpa.

Este ano, a Defensoria Pública do Maranhão venceu o Prêmio Inovare, com um projeto que, por meio de uma força-tarefa, prioriza ações na área de saneamento básico, implantado em São Luis com retumbante êxito.

MUDANÇA DE COMANDO

O Maranhão começa o ano de 2017 com novo comando no 24º Batalhão de Infantaria Leve.

O tenente-coronel Carlos Frederico de Azevedo Pires, depois de dois anos à frente do Batalhão Barão de Caxias, onde se impôs pela liderança e competência, por determinação superior, trocará São Luis por Brasília.

A transferência de comando será dia 6 de janeiro vindouro, quando o tenente-coronel Carlos Frederico se despedirá de seus comandados e do povo maranhense.

O oficial que nos deixa tem um predicado: admira de tal modo  a cultura popular do Maranhão,  principalmente a música, que, para não esquecê-la, levará para Brasília uma discoteca de toadas do bumba boi.

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MARIA DE JESUS CARVALHO

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Lamentavelmente, não compareci ao lançamento do livro “Um minuto apenas”, da inesquecível professora, Maria de Jesus Carvalho, no Centro Espírita Jardim da Alma, ao qual, em vida, doou-se com abnegada paixão.

Espero tê-lo sob minhas mãos brevemente para recordar com imensa emoção os pensamentos e sentimentos, emitidos por ela no programa “Um minuto apenas”, veiculado pela TV Difusora, nas noites de sábado.

O programa, de curta duração, mas impregnado de tamanha força espiritual e indiscutível autenticidade, que compelia o telespectador, qualquer que fosse a religião, a assisti-lo embevecidamente.

Por Maria de Jesus Carvalho, tinha dupla admiração. Do ponto de vista espiritual, pela sua entrega à maravilhosa causa de confortar os necessitados e carentes com palavras de fé e esperança.

Do ponto de vista educacional, pelas magníficas aulas de História e Geografia, ministradas no Liceu Maranhense aos alunos do curso científico, na década de 1950, aulas que não consigo esquecer, pelo conteúdo e pela didática inerentes à saudosa Mestra, que entrava em sala de aula sóbria e sem impostura,  mas recebida respeitosamente em  absoluto silêncio.

Depois que deixei o Liceu, alguns anos transcorreram sem vê-la. Em 1980, eu ocupava o cargo de secretário de Educação e Cultura, da Prefeitura de São Luis, na gestão do prefeito Mauro Fecury. Sem aviso prévio, Maria de Jesus Carvalho, já apresentando visíveis sinais da maturidade, mas esbanjando a mesma doçura pessoal e igual disposição para servir o próximo, visita-me como dirigente do Centro Espírita Jardim da Alma, para  pedir ajuda aos estudantes do colégio mantido pela instituição, localizado no Anil, precisados, por serem carentes, de merenda escolar. Mas impôs uma condição para o que pedia: visitar o colégio para ver como funcionava e o tipo de aluno nele matriculado.

Dias depois da minha visita ao Centro Espírita, ela aparece para agradecer o que atendi sem pestanejar, fornecendo-lhe, também, material que o Ministério da Educação mandava para as escolas da rede escolar municipal.

Por conta dessa ajuda, ela, a título de gratidão, semanalmente, passava no meu gabinete para entregar as mensagens espiritualistas do filósofo Emanoel.

FIDEL CASTRO: ANTES E DEPOIS

Qual o jovem, nos anos 1960, não admirava a Fidel Castro?  Ele, destemido revolucionário, com apoio popular, destituiu o ditador de Cuba, Fulgêncio Batista, empolgou a minha geração, que via no seu gesto  um exemplo para tirar os países da América Latina do atraso e da obscuridade social.

Eu, na flor da mocidade, como a grande maioria da juventude brasileira, reverenciava Fidel Castro, pela ousada luta de implantar em Cuba programas assistencialistas, notadamente voltadas para a erradicação do analfabetismo e acessibilidade à saúde.

Essa admiração, contudo, com o correr do tempo, esvaiu-se diante da entrega de Fidel à União Soviética e da instalação em Cuba de um regime discricionário e de exceção, em que o famigerado “paredão” substituía a lei.

FIDEL E OS MARANHENSES

Durante o seu reinando em Cuba, Fidel Castro manteve com alguns maranhenses relacionamentos estritamente formais ou protocolares.

Com Eduardo Lago, em 1961, quando este prestava serviços diplomáticos à Embaixada do Brasil em Havana. No banquete em homenagem ao presidente Jânio Quadros, com as presenças de Fidel Castro e Che Guevara, desapareceu misteriosamente a arma, de origem russa, do comandante cubano.  O constrangimento foi grande e só não gerou um problema diplomático porque Eduardo entrou em ação e descobriu o autor e o local onde a arma fora escondida, mas imediatamente devolvida  ao dono.

Com o ex-deputado Neiva Moreira, nos meados da década de 1960,  representante de Leonel Brizola, que tratou com Fidel Castro apoio financeiro e treinamento para guerrilheiros brasileiros, tomarem o poder dos militares e instalar no Brasil um regime socialista.

Com o governador Jackson Lago, que se fazia acompanhar da esposa, Clay. Em 2008, o casal visitou Havana para rever o filho, que ali estudava medicina. Por interferência da Embaixada do Brasil, Fidel recebeu Jackson e esposa.

Com o ex-presidente José Sarney, que, no seu governo, em 1986, reatou as relações diplomáticas e comerciais com Cuba, interrompidas pelo regime militar. Antes de deixar o poder, Sarney propôs formalmente o retorno de Cuba à Organização dos Estados Americanos.

PARLAMENTARISMO TOCANTINO

O Brasil adota o modelo de governo presidencialista e praticado  em escala federal, estadual e municipal.

A partir de 2017, uma experiência parlamentarista será viabilizada em Imperatriz, no Maranhão. Se der certo, servirá de modelo para o nosso País.

O prefeito eleito, o ex-delegado Assis, convidou Remi Ribeiro, veterano político do PMDB, que conhece os caminhos das pedras, para participar de sua administração, num cargo que lhe dará poderes de primeiro- ministro.

NEM DILMA, NEM TEMER

Depois do expurgo da presidente Dilma Roussef, da chefia do País, por meio do impeachement, a fotografia da petista foi retirada do gabinete do governador Flávio Dino.

É normal que isso acontecesse, afinal, Dilma não tinha mais a titularidade de primeira mandatária da nação.

Mas, para o lugar destinado à fotografia oficial do Presidente da República, nada foi providenciado. Temer, pelo menos em retrato, continua ignorado pelo Palácio dos Leões.

PERSEGUIDO E INJUSTIÇADO

Na vida pública maranhense, não conheço um político mais perseguido e injustiçado do que Gastão Dias Vieira.

Essa perseguição não emana da Justiça, da Polícia Federal ou da Operação Lava-Jato. Quem desencadeia contra ele tão inominável campanha de desestabilização, de descrédito e de baixaria é o próprio segmento político, do qual Gastão, infelizmente, faz parte.

Onde atua, seja em cargo executivo ou em atividade legislativa, mantém o nome limpo e mostra competência técnica e política.

No momento em que Gastão ocupa a um dos cargos mais importantes do Ministério da Educação, de presidente do FNDE, onde executa um trabalho elogiado pelo ministro Mendonça Filho e pelo presidente Michel Temer, move-se contra ele um campanha sórdida por politiqueiros maranhenses, para desestabilizá-lo não porque se conduza mal, mas para atender a interesses mesquinhos, que querem o cargo para entregar a gente despreparada e comprometida com o que há de pior em matéria de seriedade.

POLITICOS DO PASSADO E DO PRESENTE

Quando a gente lembra e compara a representação política do Maranhão no Congresso Nacional, do passado com a do presente, a tristeza e a decepção falam mais alto.

Não é preciso citar todos os nomes de deputados federais e senadores que, em tempos não tão remotos, no Rio de Janeiro, representaram o povo maranhense e os que de uns tempos para cá, em Brasília, se dizem detentores do mandato popular.

Eis alguns nomes que, pela sua grandeza moral e intelectual, honraram o Maranhão no Congresso Nacional: Benedito Leite, Urbano Santos, Marcelino e Lino Machado, Clodomir Cardoso, Genésio Rego, Godofredo Viana, Herculano Parga, Magalhães de Almeida, Artur Quadros Collares Moreira, Raul da Cunha Machado, Clodomir Cardoso, Viriato Correia, Humberto de Campos, Cunha Machado, Coelho Neto, Manuel Bernardino Costa Rodrigues, Luiz Domingues, Luiz Carvalho, Antenor Bogéa, Alarico Pacheco, José Neiva de Sousa, Afonso Matos, Alfredo Duailibe, Paulo Ramos, Clodomir Millet, Henrique de La Rocque Almeida, Renato Archer, Pedro  Braga, Neiva Moreira, Cid Carvalho e Newton Bello.

Agora, comparem esse elenco de notáveis com Weverton Rocha e Waldir Maranhão.

 

 

 

 

 

 

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