A DESCENTRALIZAÇÃO DO CARNAVAL DE SÃO LUIS

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Até antes de Epitácio Cafeteira assumir o cargo de prefeito de São Luis – final de 1965 – a interferência do Poder Público nas festas carnavalescas era desprezível.

Cabia à Polícia o disciplinamento das festas carnavalescas, que por meio de portaria, emitia e divulgava as normas relacionadas ao uso de fantasias, funcionamento de bailes e consumo de bebidas alcoólicas.

Por ato do novo prefeito, a população toma conhecimento de que a partir de 1966, os chamado bailes de máscaras – as atrações do carnaval maranhense – não seriam mais realizados na cidade, sob a justificativa de que alimentavam a prostituição e afrontavam a moral pública.

A população, excetuando-se setores ligados à igreja católica, reage ao inesperado decreto e exige do Governo do Estado posicionamento contra a intromissão da administração municipal em assunto que não lhe dizia respeito.

Através de duas frentes o Governo estadual age. Politicamente, pela palavra do vice-governador Antônio Dino e do deputado Clodomir Millet, que, através dos meios de comunicação, repudiam o ato de Cafeteira, taxado de demagógico. Juridicamente, com o ingresso de mandado de segurança, no qual o Chefe de Polícia denúncia o prefeito de agir de maneira insólita e irresponsável e o acusa de imiscuir-se num caso fora da alçada municipal.

Cafeteira, por sua vez, defende-se e avoca para si o direito de assim proceder. Propositadamente a Justiça deixa o período carnavalesco extinguir-se e não define a questão. Resultado: os bailes de máscaras não acontecem, os foliões frustram-se e os promotores das festas tomam prejuízos incalculáveis, fatores que contribuem para o definhamento do carnaval de São Luis.

Essa situação de marasmo se altera com a eleição de Roseana a governadora. Carnavalesca assumida, no seu primeiro mandato, bota os blocos na rua, convoca os anestesiados foliões, arregimenta as brincadeiras de Momo, ornamenta a cidade, prepara as ruas e organiza uma programação bem elaborada.

O plano de Roseana deu certo, pois o povo retorna às ruas e se reencontra com as brincadeiras que animavam a cidade.  Essa virada de página repercute no espírito do folião e permanece até ela deixar o governo.

Esse quadro de apatia se modifica recentemente, não por iniciativa do governo municipal ou estadual, mas por setores sociais que moram nos bairros, que se juntam espontaneamente e movidos pela vontade de se divertir, promovem festas por conta própria e a céu aberto. Essa mudança do carnaval de São Luis, marcada pela descentralização e revitalização, decorre da troca, pelo folião, do cenário urbano pelo suburbano. Trata-se de um carnaval brincado em ambiente aberto e com a participação integral da comunidade. Por isso, não pode incomodar o Ministério Público, ao contrário, deve ser visto com bons olhos, estimulado e sem regras e normas para tolhê-lo.

KÁTIA GLOBAL

Na semana passada, a presidente do órgão responsável por preservar o patrimônio do país, Kátia Bogéa, mereceu a primeira página do Segundo Caderno do jornal O Globo.

Ela, pelos oitenta anos de criação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, foi homenageada e com direito a foto de corpo inteiro.

Na entrevista, Kátia falou, com a sua costumeira coragem e competência, sobre o trabalho do Iphan ao longo de oito décadas, instituição responsável pela saída de obras de arte do país, do licenciamento ambiental de obras e cuida de 450 mil imóveis em 87 sítios urbanos.

Pela primeira vez, ela comentou publicamente sobre a polêmica que culminou com a saída de dois ministros no Governo Temer.

ANA GRAZIELA

Poucos os profissionais tiveram uma ascendência tão rápida e fulgurante na vida pública como Ana Graziela.

Formada, optou pela atividade advocatícia, onde se projetou e recebeu convite da governadora Roseana Sarney para assumir o cargo de chefe da Casa Civil, onde mostrou capacidade e desembaraço, a despeito de marinheira de primeira viagem.

Pela destacada atuação no espinhoso cargo foi convocada pelo senador José Sarney para presidir a Fundação da Memória Republicana Brasileira, onde realizou bom trabalho, interrompido com a chegada ao poder do governador Flávio Dino.

Integrando um grupo selecionado que assessora a ex-governadora Roseana Sarney, por esta foi indicada para a Superintendência da Empresa Brasileira de Comunicação e nomeada pelo presidente Temer.

NEIVA MOREIRA E JOSUÉ MONTELLO

Este ano, duas das maiores expressões da intelectualidade maranhense, Neiva Moreira e Josué Montello, completariam cem anos de vida.

O primeiro foi destaque no jornalismo; o segundo, na ficção, como romancista.

Um e outro se projetaram no Rio de Janeiro. Josué Montello, na Cidade Maravilhosa, foi crítico de teatro do jornal Vanguarda, emprego conseguido por Neiva Moreira, à época, diretor do periódico carioca.

SETENTA ANOS DO TRIBUNAL DE CONTAS

No ano passado, o conselheiro Washington Oliveira movimentou-se para comemorar em 2017 os setenta anos de criação do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão.

O órgão, instalado a 2 de janeiro de 1947, pelo  interventor Saturnino Bello, que nomeou para integrá-lo  Humberto Pinho, Cícero Neiva, Celso Aguiar e Joaquim Sales Itapary, este, presidente.

Ao longo do tempo, o Tribunal de Contas teve 24 presidentes, alguns com mais de uma passagem no seu comando, a exemplo de José Evandro Barros, Newton Bello Filho, Nonato Lago e João Jorge Pavão.

Quem o preside atualmente é o conselheiro José de Ribamar Caldas Furtado.

FÓRMULA AMERICANA

Com as maluquices do novo presidente dos Estados Unidos, Ronald Trump há quem diga que não chegará ao fim do mandato.

Se isso acontecer não será afastado por meio de impeachement, mas mediante fórmula que os americanos conhecem muito bem e já aplicaram para banir da vida pública quatro presidentes da República: Abraham Lincoln, James A. Garfield, William Mackinley e John F. Kennedy.

No Brasil, até hoje, não tivemos nenhum presidente assassinado. Dois morreram após o cumprimento do mandato, mas em decorrência de desastres: Humberto Castelo Branco, em 1967, em Fortaleza. Voava num avião que se chocou com outro da FAB. Juscelino Kubitscheck faleceu em 1976, em acidente na estrada Rio-São Paulo.

No Maranhão, nenhum governador perdeu a vida por assassinato ou desastre. Lembro apenas de José Reinaldo Tavares, que escapou numa viagem de helicóptero ao interior do Estado. A aeronave caiu, mas os passageiros nada sofreram, além do susto.

POLÍTICO NOVO E VELHO

Apareceu um político novo no Maranhão, mas com nome de político velho: Américo de Sousa.

O novo é o prefeito eleito do município de Coelho Neto.

O velho foi deputado federal pelo Rio Grande do Norte e pelo Maranhão. Como suplente de senador, assumiu o mandato com a posse de José Sarney na presidência da República.

REDUÇÃO DE GASTOS

O prefeito Edivaldo Holanda Junior anuncia o plano para este ano reduzir as despesas da prefeitura de São Luis.

Citou alguns itens, mas esqueceu o principal,  o que infalivelmente derrubaria a gastança municipal: o enxugamento da máquina administrativa e a extinção de cargos comissionados.

Não se pode fazer economia com um primeiro escalão de mais de trinta secretários.

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O CRIME DA BARONESA NA VERSÃO DE JOSUÉ MONTELLO

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Neste ano, em que a Academia Maranhense de Letras comemora de modo ressoante o centenário de nascimento do escritor Josué Montello (21 de agosto de 1917), nada mais significativo do que lembrá-lo, trazendo a lume passagens de sua vida, registradas em seus livros de memória, cuja leitura enternece pela leveza da escrita, tornadas públicas em seus Diários da Manhã, da Tarde, do Entardecer e da Noite Iluminada.

Como li todos os Diários de Josué, recentemente lancei mão do Diário do Entardecer para deleitar-me e ajuizar-me de como ele, na condição de romancista e memoralista, via e sentia as coisas de seu tempo, que giravam em seu redor, especialmente com respeito ao Maranhão, abordados e descritos com extrema lucidez e riqueza de detalhes.

Nas páginas 480 e 483, por exemplo, dou de cara com um episódio, ocorrido em São Luis, tendo como protagonista principal uma mulher da alta sociedade maranhense e casada com um homem que exercia grande influência política, até porque como vice-governador da Província, encontrava-se no exercício do poder.

O referido episódio, pela repercussão na sociedade, mereceu do romancista maranhense uma narrativa toda especial, a ponto de ser incluída no antológico livro “Os tambores de São Luis”, no qual a saga da escravidão no Maranhão é mostrada em toda magnitude.

A obra de Montello traz informações sobre o crime praticado pela Baronesa de Grajaú, Ana Rosa Viana Ribeiro, mulher de índole perversa, que tratava seus escravos com extrema desumanidade e que matou dois escravos adolescentes, no seu sobrado da Rua de São João.

O ato criminoso levou o jovem advogado Celso Magalhães, de 26 anos, recém-chegado de Recife, onde se formara, e nomeado promotor em São Luis, a processar a Baronesa, a despeito de sua posição social e política. Mais ainda: “prendeu-a no quarto da guarnição local, e a levou a júri”.

Por causa dessa atuação desassombrada e do estrito cumprimento do dever, o jovem promotor pagou um preço alto: após o julgamento, com a absolvição da Baronesa, dado à influência política do marido, Celso Magalhães foi exonerado do cargo que ocupava pelo Barão de Grajaú, Carlos Fernandes Ribeiro, ato que obrigou o advogado a mudar-se para o Rio de Janeiro, onde faleceu pouco depois.

Quem ajudou Josué Montello a se inteirar desse crime hediondo, que abalou o Império, foi o conterrâneo José Sarney, que tomando conhecimento do interesse do romancista pelo caso da Baronesa de Grajaú, teve com ele uma oportuna conversa: “Você está interessado neste processo? E é para o romance dos negros no Maranhão? Então, espere um momento”, disse Sarney, que, com uma volumosa papelada em mãos, adiantou: “Sabe o que é isto? É o processo da Baronesa. Um dia, ao entrar no Tribunal de Justiça, vi uma fogueira no pátio. Estavam queimando processos antigos que atravancavam as prateleiras do arquivo. Curioso, segurei este. Vi logo do que se tratava e o trouxe comigo”.  E arrematou: “Agora, sei que estão em boas mãos”.

SEGURANÇA PÚBLICA

Nesses primeiros dias de 2017, face ao clima de insegurança reinante no país, decorrente dos massacres nas penitenciárias estaduais, um movimento veio a lume no Congresso Nacional, com vistas à criação do Ministério da Segurança Pública.

Quem lidera o movimento é a Frente Parlamentar da Segurança Pública, conhecida como “bancada da bala”, da qual faz parte o deputado Aluísio Mendes.

Por dever de justiça, devo dizer que a proposta da criação do Ministério da Justiça Pública não é de agora. Na legislatura passada, o então deputado federal, Lourival Mendes, da bancada maranhense, a apresentou e foi motivo de comentários ruidosos no Congresso Nacional e na mídia impressa e eletrônica.

Lourival,  delegado de profissão, apresentou o projeto no momento igual ao que o país vive, como alternativa para o tratamento adequado das questões da violência e da criminalidade e levando em conta que os estados e municípios não dispõem de recursos suficientes para combater o crime organizado.

BEM, CEMAR E CAEMA

Em tempo não tão distante, o Banco do Estado do Maranhão e as Centrais Elétricas do Maranhão saíram da esfera pública e passaram para o domínio privado.

Aquelas mudanças – basta ver os jornais da época – foram polêmicas e combatidas por setores de oposição à governadora Roseana Sarney, no entendimento de que o Estado do Maranhão não deveria abrir mão de dois bens patrimoniais, que embora não funcionassem satisfatoriamente, mas pertenciam ao povo maranhense.

O Banco do Estado do Maranhão foi o primeiro a se desligar da ação pública estadual, iniciado com o processo de intervenção federal, e concluído com a venda ao Bradesco, em fevereiro de 2004.

Em seguida, deu-se a privatização da Cemar, em agosto de 2004, que possibilitou à empresa empreender um processo de reestruturação financeira e operacional.

Depois do BEM e da Cemar, a bola da vez seria Caema, companhia ineficiente e altamente deficitária. Mas o movimento contra a sua privatização foi muito forte, fazendo o governo recuar.

Nos dias correntes, a privatização da Caema volta ao debate, e como dantes, não é bem vista pelos atuais detentores do poder, receosos de tomar uma decisão que poderia bater de frente com a ideologia de uma esquerda superada no tempo e nos espaço.

ACORDO  DE CANDIDATOS

No aniversário de Mauro Fecury, comemorado, semana passada, no Rio de Janeiro, chamou a atenção dos convidados a longa conversa entre o ministro Sarney Filho e o deputado José Reinaldo Tavares.

Um atento curioso captou a parte mais importante da inesperada conversa, mas altamente positiva a ambos.

Um acordo apalavrado foi firmado entre o ministro e o deputado, no sentido de que se desdobrarão com afinco e trabalharão juntos para se candidatarem às vagas de senador pelo Maranhão, nas eleições de outubro de 2018.

CANDIDATO A CORRUPTO

Tomaram posse no dia 1º de janeiro de 2017, mais de 200 prefeitos no Maranhão.

Poucos reeleitos e muitos eleitos, mas todos concorrem a um título bastante cobiçado: o de prefeito mais corrupto.

A esse respeito, o grande jornalista João Lisboa dizia e com muita propriedade: – No Maranhão, os homens públicos roubam em todos os tempos e modos.

JOVEM, PORÉM…

Mais um maranhense vem de assumir um cargo importante na administração federal.

Quem o conhece, diz ser um empavonado jovem e não qualificado para o exercício da tarefa a ele confiada.

Anotem, para conferir depois: não ficará muito tempo no cargo para o qual foi nomeado.

HAY PREFEITO?

Daqui a uma semana, completa um mês da posse do prefeito Edivaldo Holanda, reeleito para mais um mandato na prefeitura de São Luis.

Da sua investidura (1º de janeiro de 2017) aos dias correntes, a opinião pública não sabe se ele está em São Luis ou em vilegiatura.

O sumiço de Edivaldo mostra que a cidade, com todos os problemas que  enfrenta, pode perfeitamente sobreviver sem prefeito.

Quem transita pela Avenida Pedro II, onde está instalada a sede do Poder Executivo de São Luis, verá o prédio literalmente fechado. Dia e noite.

Na gestão passada, o Palácio La Ravardiére foi o local menos freqüentado pelo prefeito. Eu sou do tempo, em que o gestor da Capital despachava diariamente, em tempo integral e dedicação exclusiva, no imóvel da Pedro II.

Por isso, em São Luis, aquela máxima de “Hay prefeito? Se hay, soy contra”, é verdadeira e atual.

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JOÃO DORIA E LUIS FERNANDO

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Em inicio de ano, geralmente o noticiário político perde força, porque o Congresso Nacional, onde os assuntos do País são debatidos e discutidos, se acha em recesso, não funciona e a mídia, com isso, reduz bastante a sua capacidade de informar.

Em 2017, contudo, o noticiário político começou aquecido por causa da posse dos novos prefeitos. Como moramos em cidades e estas são administradas por gestores municipais, as atenções da população se voltaram para a investidura dos eleitos no pleito de outubro do ano passado, que receberam dos antecessores uma herança maldita, caracterizada por um quadro de cofre vazio, máquina administrativa emperrada, dívidas gritantes, salários atrasados e compromissos financeiros não cumpridos.

De todas as urbes brasileiras, que ganharam novos administradores, duas brilharam pelas luzes da manchete: São Paulo e São José de Ribamar, graças a iniciativas curiosas e nada triviais.

Na contra mão do que aconteceu no Brasil inteiro, os prefeitos João Doria e Luis Fernando Silva, sem se conhecerem pessoalmente e sem combinarem, praticaram um ato inédito, que deu a eles projeção e suscitou muita controvérsia: após a solenidade de investidura nos cargos para os quais se elegeram, trocaram as festividades comemorativas ao evento político pelas ruas, nas quais protagonizaram cenas indescritíveis.

Acompanhados de auxiliares e servidores municipais, os dois gestores, iniciaram uma simbólica jornada de trabalho, voltada para a limpeza pública, a fim de mostrar que, nas suas administrações, estarão permanentemente nas vias públicas e fiscalizando os serviços reclamados pelas comunidades.

A mídia, de lá como de cá, deu ao ato e aos que a protagonizaram, um destaque altamente estrondoso, a ponto de obscurecer tudo o que aconteceu no Brasil afora, num dia marcado por milhares de posses, em cidades de todos os portes.

A repercussão do gesto de João Doria e de Luis Fernando foi de tal modo gritante que, além de virar assunto do cotidiano, deu margem a comentários variados.  Se em São Paulo, o gesto de João Doria foi criticado e taxado de demagógico, pelo fato de ele apresentar-se devidamente paramentado de gari, no Maranhão, a atitude de Luis Fernando foi elogiada e vista como algo novo e alentador, porque praticada com a indômita vontade de recuperar o tempo perdido em que Ribamar esteve  sob uma infeliz gestão.

Resta saber quem foi o primeiro a anunciar tão ousada iniciativa. Pelas minhas contas, Luis Fernando, com bastante antecedência, divulgou o propósito de realizá-la. Antes do pleito, ele, convicto da vitória nas urnas, convocava a população ribamarense para uma empreitada, pensada sem objetivos demagógicos.

Há quem sonhe num futuro encontro de João Doria com Luis Fernando, para se conhecerem e discutirem os projetos que pensam executar em São Paulo e São José de Ribamar, urbes com realidades diferentes, mas que podem crescer desde que sejam bem conduzidas, a despeito da crise que assola o país.

Nesse sentido, um fato une as duas cidades: são protegidas por santos, mas quanto às potencialidades, se distanciam bastante. São Paulo é poderoso, rico e sem devoto; São José é pobre, milagreiro e com devoto de sobra.

TREMOR DE TERRAS

Na semana passada, moradores de São Luis e de algumas cidades do interior maranhense, viveram momentos de tensão, por causa do tremor de terras, fenômeno sísmico, tendo Belágua como epicentro.

O terremoto repercutiu, também, em São Luis, Itapecuru e Vargem Grande, assustando os moradores não acostumados com os fenômenos atípicos da natureza.

Não é a primeira vez que tremor de terra aparece no Maranhão.  O professor César Marques, no seu primoroso Dicionário Histórico-Geográfico da Província do Maranhão, afirma que “na noite de 25 para 26 de dezembro de 1864, pelas duas horas da manhã, ouviu-se na capital um som surdo como de um trovão ao longe, sentindo-se ao mesmo tempo um ligeiro tremor nas casas. Nenhum desastre, porém, se deu, pois tudo passou rapidamente”.

O mesmo professor, também, informa que no dia 8 de abril de 1871, em Itapecuru Mirim, ocorreu fenômeno semelhante: “A uma e meia hora da madrugada do dia 5 do corrente houve nesta cidade um tremor de terra precedido de um forte estampido ouvido muito longe; o tremor durou por espaço de alguns segundos e, tão forte que abalou camas, redes e mais móveis das casas, despertando quem dormia; em casa do padre Cabral houve pessoas que caíram por terra; os animais que andam soltos correram espavoridos; foi um sucesso novo para esta cidade e por isso mesmo muito pavoroso”.

FIM DA FICHA SUJA

Não se entende por que um ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, a quem cabe zelar pelo cumprimento das leis no país, tenta acabar com a legislação que impede corruptos de se candidatarem a cargos eletivos.

Na contra mão do movimento que levou a população brasileira a pedir ao Congresso Nacional a aprovação de uma legislação altamente útil e oportuna, para deixar os políticos desonestos e inidôneos  na rua da amargura, o ministro age em sentido contrário.

Na semana passada, deploravelmente, por meio de um despacho sumário, mandou a juíza de Bacabal diplomar e empossar no cargo de prefeito o candidato Zé Vieira, cuja vida pregressa, como político, é mais suja do que pau de galinheiro.

DE OLHO EM DUTRA

Se há um político no Maranhão alvo de intensa e cerrada marcação da população, chama-se Domingos Dutra.

Ao longo de sua vida pública, atuou como a mais severa palmatória do mundo. Quem fosse seu inimigo ou adversário político, não tinha direito de errar. Se assim procedesse, estava sujeito a ser enxovalhado e denunciado.

Como ele agora não é vidro, mas vidraça, pois exerce o cargo de prefeito do Paço Lumiar, as suas vítimas não o deixarão em paz. E já começou a sofrer com o ato de nomeação da esposa, a chefe de gabinete da prefeitura para a qual se elegeu.

ESTRANHA ESCOLHA

Por falar em Paço do Lumiar, não pode passar em branco uma pesquisa realizada e divulgada pela revista Veja sobre as melhores cidades para se viver no Brasil.

Paço Lumiar ficou em 15º lugar no ranking do Nordeste, à frente de cidades como Maceió, capital de Alagoas, e da próspera cidade paraibana, Campina Grande.

Sou um maranhense profissional, mas questiono, sob todos os aspectos, essa pesquisa. Quem conhece as três cidades, sabe que Paço do Lumiar, em matéria de condições de vida, está longe de Maceió e Campina Grande.

TROPICAL SHOPPING

Roosevelt Murad durante longo tempo negociou a saída do Supermercado Mateus do Tropical Shopping, de sua propriedade, a fim de expandi-lo, com a construção de uma torre residencial, tipo flat.

Como a operação custou a ser concluída, atrapalhou o projeto de expansão do Tropical Shopping, que seria iniciado com o mercado em aquecimento.

Mas enquanto a negociação rolava, o dono do Mateus comprou um terreno nas imediações do Shopping Tropical, onde construiu em tempo recorde um hipermercado bem localizado, moderno e amplo, que está bombando.

OUTRA ENCARNAÇÃO

A FIFA acaba de anunciar que a partir de 2026, a Copa do Mundo, em vez de 32, será disputada por 48 seleções.

Para mim, essa alteração não terá nenhuma vantagem, pois em 2026 eu já estarei longe do mundo dos terráqueos.

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O MARANHÃO EM 2017

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Demograficamente o Maranhão, há 100 anos, não tinha um milhão de habitantes. Sua população girava em torno de 800 mil pessoas, irregularmente distribuída nos 63 municípios. São Luis, com 52.920 habitantes, seguido de Caxias, Cururupu, Codó e Viana, respectivamente, com 52.316, 28. 190, 24.896, 23.931, eram as cidades mais populosas.

Em 1917, do ponto de vista econômico, o Maranhão não era o mesmo dos séculos XVIII e XIX, em que a sua elite social ostentava um padrão de vida semelhante a dos europeus, status perdido pela escassez de mão de obra resultante simultaneamente da abolição da escravatura e do declínio da lavoura do algodão.

Segundo o professor Jerônimo de Viveiros, “a liberdade dos escravos e o advento da República, uma desorganizando o trabalho agrícola e outro criando novas obrigações para o Estado, determinaram no Maranhão uma tremenda crise econômica, que se prolongou por um quarto de século”.

Essa terrível situação altera-se com a deflagração da I Guerra Mundial (1914-1918), com os produtos primários, principalmente o algodão, que voltam a ter boa cotação no mercado internacional.

Em 1917, o Maranhão beneficia-se dessa circunstância bélica, ganha alma nova e a economia incrementa-se. Esse ciclo de revitalização, afirma Tribuzi, foi suficiente para reequilibrar as finanças empresariais e públicas, fazendo o Estado viver alguns anos de otimismo, com a  instalação de um parque industrial têxtil bem significativo.

Sob o aspecto político, indiscutivelmente, o Maranhão em 1917 não podia se envergonhar de sua representação no Executivo e no Legislativo, que tinham em seus quadros políticos intelectualizados e moralmente burilados. Como representantes do povo, participavam das lutas pelo poder com ardor e determinação, mas evitavam cair na vala comum da corrupção. Comparar Godofredo Viana, Luiz Domingues, Herculano Parga, Urbano Santos, Manoel Inácio Dias Vieira, Afonso Geffining de Matos, Clodomir Cardoso, Artur Colares Moreira, José Eusébio de Carvalho, José Barreto Costa Rodrigues e outros com os néscios que atualmente nos representam, é um exercício nada prazeroso.

 

OS NOSSOS GOVERNANTES

A figura humana e política que ocupava o cargo de governador do Estado do Maranhão em 1917 era o brilhante advogado Herculano Nina Parga. De acordo com o professor Mário Meireles, realizou um bom governo porque “soube tirar proveito das circunstâncias que no campo econômico sobrevieram da Primeira Guerra Mundial, sendo zelosamente honesto na aplicação dos dinheiros públicos, com vistas ao reequilíbrio das finanças estaduais.” Renunciou ao cargo em 3 de novembro,  para concorrer às eleições de deputado federal, sendo substituído pelo vice-governador, Antônio Brício de Araújo.

Na sua gestão, fatos importantes vieram à tona. A 15 de março, a instalação na Rua do Trapiche, da primeira agência do Banco do Brasil em São Luis; a 1º de abril, a fundação da Liga Maranhense de Futebol, com a participação das  agremiações Fabril Atlético Clube, Onze Maranhense, Esporte Clube Luso-Brasileiro, Bragança Esporte Clube e Santiago Futebol Clube. Sancionou leis de alta relevância, como a que criava o município de Axixá; isentou de impostos os interessados na instalação de fábricas de sal e na industrialização de peixes, mariscos e óleos em frigoríficos; autorizou a construção da estrada de ferro São Luis a São José de Ribamar. A propósito: o prefeito Luis Fernando Silva, bem que poderia agarrar essa proposta e reativá-la na sua gestão.

Um evento assaz relevante para São Luis: a 4 de outubro de 1917, a empresa Cinematográfica Maranhense inicia a construção do Cine-Teatro Eden, na Rua Oswaldo Cruz, onde funcionava  o Cine São Luis, destruído pelo fogo. O engenheiro italiano, Gaspare Connazoni construiu a obra e inaugurada com a exibição do filme Chispa de Fogo.

A NOSSA REPRESENTAÇÃO PARLAMENTAR

O ano de 1917 não foi só de conquistas e sucessos. Flagelos também afloraram como as inclementes enchentes que transformaram nossos rios em mares de água doce, a devastar plantações, vilas e povoados. Os prejuízos causados pela cheia foram incalculáveis, preocupando as autoridades estaduais, que se juntaram para minorar o sofrimento das populações ribeirinhas.  Nesse particular, o Governo solicitou ao Congresso Estadual (assim era chamada a Assembleia) autorização para contratar recursos, destinados às vítimas das enchentes dos rios Itapecuru e Mearim.

Um assunto muito debatido nas sessões legislativas de 1917: a concessão sem ônus às empresas estrangeiras de terras devolutas para fomentar a cultura de produtos agrícolas e criação de gado.

Deputados estaduais que atuaram na Assembleia Legislativa em 1917:  Adolfo Medeiros, Afonso Geffining de Matos, Albérico Dias da Silva, Alcebíades Silva, Antônio de Azevedo Goulart, Antônio Pereira Rego, Antônio Soares da Silva, Aristides Rios, Artur Leão e Silva, Euclides Maranhão, Francisco Lisboa Filho, Georgiano Gonçalves, Heráclito Nina, Inácio do Lago Parga, Jorge Amorim, José Barreto da Costa Rodrigues, José Carneiro de Freitas, José do Rego Medeiros, Jorge Ferreira Pinto, José Joaquim Marques, Libânio Lobo, Luis do Lago Junior, Máximo Martins Ferreira, Nelson Serejo de Carvalho, Pedro Leão Viana,  Saul Nina Rodrigues, Tarquínio Lopes Filho e Tucídides Barbosa.

O cargo de presidente do Congresso Legislativo, naquele ano,  foi exercido pelo deputado Joaquim José Marques.

Na Câmara Federal, desempenhavam o mandato em 1917 os seguintes deputados: Henrique Maximiano Coelho Neto, Artur Quadros Colares Moreira, Francisco da Cunha Machado, João Dunshee de Abranches Moura, Luiz Antônio Domingues da Silva, Agripino Azevedo e Marcelino Rodrigues Machado.  Uma representação parlamentar para ninguém botar defeito.

O PODER JUDICIÁRIO EM 1917

As turbulências políticas, pipocadas com o advento da República,  repercutiram sobremodo nas Constituições Federal e Estadual, que  sofreram alterações de monta, com reflexos diretos no funcionamento do Poder Judiciário. No Maranhão, os magistrados começaram a vislumbrar melhores condições de trabalho e dispor de maior estabilidade funcional a partir de 1917, quando uma reforma judiciária modificou tudo quanto fora feito anteriormente. Quem contribuiu muito para isso foi o desembargador Lourenço Valente de Figueiredo, que, graças à sua competência e firmeza nas ações, manteve-se no cargo de presidente do Tribunal de 1913 a 1917.

A CIDADE DE SÃO LUIS EM 1917

Naquele tempo, não existia em São Luis a figura do prefeito. Quem a administrava era o intendente, que chegava ao posto não pelas mãos de governadores, mas pela vontade do povo que o elegeu para cumprir um mandato de três anos, começado a 1º de janeiro de 1916 e acabado a 31 de dezembro de 1918.

O intendente de São Luis era o brilhante advogado, Clodomir Cardoso, que promoveu mudanças significativas na estrutura urbanística da cidade. Por lei, obrigou os moradores ao uso de cimento na construção de calçadas. O ponto alto de sua administração: a inauguração da luz elétrica.

Naquele ano, a capital do Maranhão se diferenciava das demais brasileiras por uma singularidade: a marcante presença da cultura na sociedade, que se orgulhava de ser Atenas Brasileira, título conquistado a partir do século XVIII, pela excelente qualidade de seus poetas e prosadores.

Fervilhava na cidade um elenco de instituições culturais, capitaneada pela Academia Maranhense de Letras, que articulavam movimentos literários e eventos artísticos e culturais, ações essas que resultaram no despontar de intelectuais da estirpe de Antônio Lobo, Maranhão Sobrinho, Domingos Barbosa, Nascimento Moraes, Viriato Corrêa, Vespasiano Ramos, Corrêa de Araújo e Humberto de Campos, nomes de valor, que se projetaram no cenário nacional.

Em meio a essa formidável onda cultural, o Maranhão ganha em 1917 dois nomes que anos depois se transformam em ícones da intelectualidade brasileira. A 21 agosto, nasce em São Luis, Josué Montello;  a 10 de outubro, nasce em Nova York, Neiva Moreira.

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