CARNAVALESCO DESDE CRIANÇA

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Gosto e brinco carnaval desde a infância. Devo isso ao meu pai, Abdalla, um homem fascinado pela folia, que gostava de se divertir nas ruas de Itapecuru, sozinho ou em companhia dos filhos, todos pequenos.

Foi assim que eu e meus irmãos nos tornamos foliões e continuamos até hoje adeptos de Momo. Eu, por exemplo, guardo na memória as músicas dos carnavais passados, gravadas pelos consagrados cantores, que chegavam ao ouvido povo através das emissoras de rádio.

Não esqueço, também, das festas carnavalescas, realizadas na minha cidade e em São Luis, nas ruas, nos clubes elitizados e nos bailes populares, onde imperavam a alegria, a espontaneidade e a descontração.

No carnaval de rua, destaque para blocos, batucadas e turmas de samba, que desfilavam pela cidade sem a preocupação de cumprir roteiros  preparados por órgãos oficiais, bem como dos dispersos e alegres fofões, dos divertidos  mascarados, sem esquecer os ursos, corsos e o inigualável entrudo.

Nos clubes da alta sociedade, pontificavam as maravilhosas festas dançantes, nas quais associados e convidados compareciam fantasiados de pierrôs, colombinas e dominós. A animação corria por conta das afinadas orquestras, que, também, participavam dos tradicionais “assaltos carnavalescos”, em residências particulares, que se viam invadidas por foliões.

Nos clubes populares, marca singular do carnaval de São Luis, as mulheres só entravam mascaradas, assim elas atraiam os foliões para noitadas ousadas, mas arriscadas, em que adúlteras, solteironas, balzaqueanas, prostitutas, virgens e até homossexuais se misturavam indiscriminadamente.

Para  quem não conheceu o carnaval que se brincava em São Luis, nos anos 1950 e 1960, vale a pena descrever o cenário no qual a folia se realizava.

CLUBES SOCIAIS: Casino Maranhense, Grêmio Lítero Recreativo Português, Clube Jaguarema e Montese. O Teatro Artur Azevedo, algumas vezes, serviu de palco para os Bailes de Gala, uma espécie de avant premiére das festas promovidas anos depois por PH. O objetivo delas era angariar  renda em benefício de obras sociais.

CLUBES POPULARES: Bigorrilho, Globo da Folia, Night and Day, Gruta de Satã, Cantareira, Inferno Verde, Berimbau, Rasga Sunga, Cabana do Pai Tomás, Saravá, Lunáticos, Havaí. Só os homens pagavam para entrar.

PROMOTORES DE BAILES DE MÁSCARAS: Moisés Silva, Permínio Costa, José de Ribamar Dutra, Valmir, Pedro Veiga, Mundiquinho e Reinaldo Pinto.

ORQUESTRAS: Jazz Vianense, Jazz Alcino Bílio, Jazz Maranhense, Nonato e seu Conjunto.

FOLIÕES QUE MARCARAM ÉPOCA: Aldemir Silva, Inácio Braga, Bichat Caldas, Jesus e Elir Gomes, Chafi Saback, Biné Duailibe, Antônio Maria Carvalho, Antônio Carlos Saldanha e Cleon Furtado.

CARNVALESCOS DE RENOME: Carlos Lima, Vera Cruz Marques, João Mouchereck, Ruy Habibe,  Kleber Carneiro Pinto, Orlando Simões, Hermenegildo Tibúrcio da Silva( Tabaco)

REIS MOMO: Eurípedes Bezerra e Haroldo Rego.

BLOCOS CARNAVALESCOS: Vira-Lata,  Pif-Paf, Os Coringas, Os Legionários, Fuzileiros da Fuzarca, É Só Pra Olhar( de mulheres), Sentenciados, Baluartes do Samba, Os Califas, Pirata do Samba

BRINCADEIRAS DE RUA: Entrudo (jogar água, pó, farinha, tinta nas pessoas), Corso, Casinha da Roça, Fofões, Baralho, e Turmas de Sambas. A Mangueira, no João Paulo, Turma do Quinto, na Madre de Deus, e Turma da Flor do Samba, no Desterro. Os corsos trafegavam pelas Ruas Rio Branco, Paz e Sol e nas Praças Deodoro e Gonçalves Dias.

MÚSICAS TOCADAS E CANTADAS: Aurora, Jardineira, O teu cabelo não nega, Mamãe eu quero, Não me diga adeus, Nós, os carecas, A coroa do rei, Abre Alas, Touradas em Madri, Zé Marmita, Helena, Helena, Allah-la-ô, Chiquita Bacana, General da Banda, Tomara que chova, Confete, Sacarrolha, Sassaricando, Ressaca, Se eu morresse amanhã, Engole ele paletó, Pra seu governo, Nega maluca, Zum zum, Daqui não saio, Lata d’água na cabeça, Piada de salão, Se eu errei, Tem nego bebo aí, Madureira chorou, Balzaqueana, Meu brotinho, A fonte secou, Maria escandalosa, Retrato do velho, Está chegando a hora, Cachaça não é água, Cidade maravilhosa, Turma do funil, Vassourinha, Bandeira branca,  As pastorinhas, Me dá um dinheiro aí, Máscara negra, Quem sabe, sabe, índio quer apito, Se a canoa não virar,  e outras.

PORTARIAS POLICIAIS – Nas proximidades do carnaval, os Chefes de Polícia emitiam rigorosas Portarias, por meio das quais os foliões tomavam ciência das regras e das normas para que o carnaval se realizasse com segurança, ordem e tranqüilidade. Dentre as medidas rigorosas estabelecidas pela Chefatura de Polícias ganhavam relevo o “fechamento das pensões das meretrizes; policiamento nos bailes públicos, para evitar falta de compostura e excessos de libações; depois das 18 horas, proibição do uso de máscaras e de menores de ambos os sexos nos bailes, inclusive nas vesperais; proibição da venda de lança-perfumes nos bailes; pessoas presas só serão postas em liberdade depois das nove horas da manhã de quarta-feira de Cinzas.

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