O DIA EM QUE NOVA IORQUE SUMIU DO MAPA

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No Maranhão, os políticos só sabem desmembrar e criar municípios. A última vez que isso ocorreu, em 1989, por ocasião da elaboração da nova Carta Magna do Estado. Sem dó e piedade, os constituintes maranhenses criaram 83 municípios, a grande maioria sem condições de se gerir administrativamente.

Mas a 8 de março de 1969, há 48 anos, um fato ocorre no interior do Maranhão,que vira notícia internacional. Em vez da criação de um novo município, veio a lume uma operação de governo, e de grande monta, com o sentido de desaparecer do mapa do Estado uma cidade secular e curiosamente chamada Nova Iorque.

Aquela operação, que levaria Nova Iorque a ser tragada pelas águas do rio Parnaíba, não partiu da cabeça de nenhum desastrado político, mas veio no bojo de um projeto de poder que visava alavancar uma região carente de desenvolvimento e de progresso.

Para tal fim, a população de Nova Iorque foi devidamente preparada e conscientizada da imperiosidade da erradicação da cidade, no lugar da qual surgiria uma obra que representava a redenção de uma grande área  dos Estados do Maranhão e do Piauí.

Era a construção da Hidrelétrica de Boa Esperança, com mais de mil quilômetros de linhas de transmissão, fornecendo na fase inicial a 76 municípios – 53 do Maranhão e 25 do Piauí – 108 mil quilowatts de energia.

Projetada para beneficiar o Nordeste Ocidental, a usina exigia a formação de um lago artificial de 200 quilômetros de extensão que cobria, além de Nova Iorque, as cidades de Guadalupe, Benedito Leite e Uruçui.

O processo de avanço das águas foi lento: cerca de 30 centímetros por dia, que começou em janeiro de 1969, quando o Rio Parnaíba foi represado.

A população da antiga cidade foi transferida para uma nova área, distante cinco quilômetros da inundada, especificamente preparada para os ocupantes terem melhores perspectivas de vida.

Nova Iorque foi assim batizada em homenagem ao norte-americano Edward Burnett, que a fundou. Em maio de 1886 foi desmembrada do município de Pastos Bons e elevada à categoria de vila. Anos depois, conquistou autonomia político-administrativa, transformando-se em  município.

Na história do Maranhão, Nova Iorque serviu de palco para três importantes episódios: em 1838, travaram-se candentes lutas entre os balaios e as forças legalistas; em 1926, os adeptos da Coluna Prestes por lá passaram, arrombaram lojas  comerciais e queimaram arquivos da Coletoria e do Cartório;  no mesmo ano, uma avassaladora enchente do Rio Parnaíba destruiu parte da cidade e deixou a população em estado de flagelo.

Politicamente, o município esteve sob o domínio da família Neiva. O ex-deputado federal José Guimarães Neiva Moreira ali nasceu em 10 de outubro de 1917. Este ano, a Academia Maranhense de Letras comemorará o seu centenário de nascimento.

ATOS E FATOS DO CARNAVAL DE SÃO LUIS QUE NÃO VIRARAM CINZAS

O poeta Vinicius de Moraes fez a letra e o compositor Carlos Lira a música  de um das mais belas canções da Música Popular Brasileira: a  “Marcha da Quarta-Feira de Cinzas”, que começa assim:

Acabou o nosso carnaval ninguém ouve cantar canções

Ninguém passa mais brincando feliz

E nas canções saudades e cinzas foi o que restou.

Valho-me desses versos musicais para contar alguns fatos do carnaval de São Luis, que ainda não viraram cinzas.

1 – Começo com o prefeito Edivaldo Holanda, que não foi visto em lugar nenhum desta cidade, o que se deve à sua formação evangélica. Mas o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, também evangélico, participou de alguns eventos tradicionais do carnaval, a exemplo da entrega da chave da cidade ao Rei Momo.

2- Já o governador Flávio Dino participou de alguns atos carnavalescos e brilhou ao ostentar no peito a estola do PC do B. O fato repercutiu no mundo inteiro pelo ineditismo e originalidade.

3- O ex-deputado Manoel Ribeiro, como vem fazendo ultimamente, passou o Carnaval no Rio de Janeiro, mas aquela música, carro-chefe do Bloco do Jegue, por ele criado e mantido, continua na boca e na coreografia dos foliões.

4- Outro maranhense que aprecia fervorosamente o carnaval do Rio de Janeiro, o engenheiro José Jorge Soares, fez sucesso nas ruas e bares cariocas, com a sua veterana burrinha, que ainda brilha nas festas carnavalescas e juninas.

5- O tradicional bloco do Agenor manteve a tradição de sair no sábado de carnaval. Louvável essa atitude. Este ano o bloco foi às ruas com uma fantasia branca e azul, em homenagem à tradicional rival da Flor do Samba, a Turma do Quinto.

6- O escritor e cineasta Joaquim Haickel também não ficou em São Luis. Optou pelo Rio de Janeiro, onde não teve sossego, pois o seu telefone tocou o tempo todo. Era gente querendo saber se falsa ou verdadeira a notícia de o seu candidato a senador ser Weverton Rocha.

7- Mauro Fecury, este ano, trocou o desfile das escolas de samba, do Rio de Janeiro, pela festa de PH.  No sábado de carnaval, deu uma volta no centro da cidade, mas ficou triste ao ver as ruas e praças da cidade mal iluminadas e mal tratadas.

8- Por falar em PH, as suas festas passadas primavam pela presença de figuras do poder e da política. Os do poder se ausentaram por questões óbvias. Da militância política só o deputado federal, João Marcelo, o estadual, Fábio Braga, a prefeita de Rosário, Irlaí, e o prefeito de Barreirinhas, Albérico Ferreira Filho.  Mas eles não sabem o que perderam.

9- Na sexta-feira, que antecedeu ao tríduo momesco, alguns imortais da Academia Maranhense de Letras, resolveram recordar o carnaval dos velhos tempos de São Luis: “assaltaram” a residência do confrade Lourival Serejo, que com a esposa Ana, forma um casal perfeito.

10- A cada ano o carnaval de São Luis cresce nos bairros, onde os bares e botecos aparecem como as grandes atrações. A migração da folia do centro da cidade para o subúrbio é um fato irreversível e visível. Na área do São Francisco dois bares brilharam pela animação e casa lotada: “Seu” Guma e o Mokai.

11- Os hotéis e as pousadas não podem se queixar. Este ano, com a crise a atormentar o turismo, todos estavam praticamente lotados. Imagine se o carnaval de São Luis ainda fosse o de outrora. Tenho a impressão de que vieram não em função de carnaval, mas de lazer.

12- Em Barreirinhas, a cidade lotou com gente daqui e de fora, a despeito do tempo gasto na viagem e dos riscos dela decorrentes.  A grande reclamação: o abandono da cidade, que se encontra suja, esburacada e  mal tratada.

13-  O economista Lino Moreira, que mora na Península da Ponta D’Areia, teve, ao contrário dos anos anteriores, um carnaval tranqüilo. As festas carnavalescas realizadas no Iate Clube cumpriram os horários programados e os foliões não praticaram excessos.

14-  A televisão mostrou o protesto político dos foliões contra a presença do presidente Michel Temer no Palácio do Planalto. A palavra de ordem criada pelo PT – Fora Temer- atormentou as ruas das cidades brasileiras, como um clamor público. Em São Luis, esse grito de guerra contra o Presidente da República não aconteceu.

15-  Os hospitais da cidade lotaram neste carnaval. Um surto gripal pegou a população desprevenida, que acabou em invasão hospitalar. O casal Lourdes e Eliézer Moreira, que se preparou para brincar o  carnaval,  teve de bater nas portas do Hospital UDI, para combater uma virose.

 

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