FRANKLIN DE OLIVEIRA: UM NOME NACIONAL

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No dia 31 de março de 1938, o Franklin de Oliveira, com 22 anos, decidiu mudar de residência. Trocou São Luis pelo Rio de Janeiro, a então capital da República.
Nessa época, o Brasil vivia sob o domínio da ditadura de Getúlio Vargas, mas o jovem jornalista já estava com a cabeça politicamente organizada pelo convívio com militantes políticos e revolucionários, que atuavam na imprensa maranhense, a exemplo de José Maria dos Reis Perdigão. Com este trabalhou nos jornais A Pacotilha e Diário da Tarde e participou de embates ideológicos em favor dos trabalhadores.
Seu primeiro emprego no Rio de Janeiro foi no jornal A Notícia, na função de redator. Com o decorrer dos anos, passou a desenvolver intensa atividade política e literária, colaborando em diversos jornais e revistas de circulação nacional, ressaltando-se a revista O Cruzeiro, onde ele criou a coluna Sete Dias, uma página de lirismo e voltada para assuntos do cotidiano.
Em 1945, com o fim da II Guerra Mundial e do Estado Novo, restabeleceu-se no país o regime democrático, que trouxe no seu bojo as eleições diretas, para os cargos majoritários e proporcionais.
Franklin de Oliveira, pelo seu destacado desempenho na imprensa carioca, recebeu convite dos partidos de esquerda para ser candidato a deputado federal. Desejava atuar na cena política, mas não mostrou interesse em disputar cargo eletivo no Rio de Janeiro.
O seu objetivo era participar da vida pública do seu estado de origem. Por isso, quando os partidos e os políticos começaram a desenvolver ações com vistas às eleições de 1950, Franklin de Oliveira veio a São Luís conversar com as lideranças partidárias e sondar o quadro político maranhense.
Em vez de procurar os partidos oposicionistas, o jornalista de O Cruzeiro bateu nas portas do Palácio dos Leões, onde teve uma conversa amistosa com o senador Vitorino Freire, do qual recebeu convite para filiar-se ao Partido Social Trabalhista.
Pela legenda que Vitorino criara – o PST, Franklin de Oliveira concorreu às eleições de 1950, para conquistar uma cadeira no Congresso Nacional.
Como estava distanciado do Maranhão há bom tempo, ele tomou algumas iniciativas para tornar-se conhecido e conquistar o eleitorado maranhense. Duas merecem destaque. Primeira, convocou os novos intelectuais para se integrarem à sua campanha eleitoral. O estudante José Sarney Costa foi um dos que participou ativamente do processo eleitoral, na capital e no interior do Estado. Segunda, trouxe do Rio de Janeiro para o Maranhão uma gigantesca estrutura publicitária e um grupo de marqueteiros políticos, deixando os concorrentes perplexos e intimidados.
Com recursos abundantes, instalou em São Luis e nas principais cidades, onde pontuava o eleitorado mais esclarecido, poderosos comitês políticos, dotados de modernos equipamentos de comunicação social, através dos quais os marqueteiros produziam e veiculavam peças publicitárias de bom gosto e de forte apelo popular.
Nenhum candidato a qualquer cargo eletivo no Maranhão, até então, tivera a competência, a ousadia e o dinheiro para se apresentar ao eleitorado como o fizera Franklin de Oliveira. Cartazes de todos os tipos e tamanhos, coloridos ou em preto e branco, foram usados em profusão em jornais e colocados em pontos estratégicos da cidade.
O que mais chamou a atenção do eleitorado foram os discos em vinil, com a música que funcionava como carro-chefe de sua campanha política. Como não havia ainda legislação restritiva à propaganda eleitoral, nada impedia o candidato de usar e abusar dos meios de comunicação.
Em São Luis, ao longo do dia, só se ouvia o disco de Franklin de Oliveira, que tocava insistentemente em emissoras de rádio, serviços de alto-falantes e carros de som, novidades tecnológicas, que percorriam as ruas e os bairros, divulgando o nome do candidato e conclamando o povo a votar. A música, aliás, de boa qualidade, caiu de tal modo no gosto do povo, que passou a ser cantada por todos, fossem ou não seus eleitores. Quem lembrar a música, que solte a voz:
“Eis aí um nome nacional
Sempre a serviço do Maranhão
Franklin de Oliveira cristaliza um ideal
De manter viva essa terra-tradição
Jornalista e escritor, homem capaz, trabalhador
Indicado pela cidade de Caxias
Faz jus à glória de Gonçalves Dias
Nós e também você
Votaremos no PST
Para eleger Franklin de Oliveira
Que tudo fará pela Atenas brasileira
Como deputado federal ”.
Mesmo com todo o aparato publicitário, de fazer inveja a qualquer candidato, Franklin de Oliveira não se deu bem nas eleições de outubro de l950. O seu marketing político, ainda que inovador, não funcionou. Resultado: sofreu impiedosa derrota, que pode ser atribuída a três fatores. 1) recebeu intensa e aguerrida campanha dos oposicionistas, que não o perdoaram pelo fato de, como escritor de esquerda, aderir ao grupo vitorinista, pelo qual sua candidatura foi homologada. 2) seu nome não foi priorizado e nem assimilado pelo esquema palaciano para ser um dos eleitos. Dos noves candidatos eleitos para a Câmara dos Deputados, cinco formavam no time dos governistas e quatro pertenciam aos quadros das Oposições Coligadas. Ele ficou numa suplência e sem nenhuma chance de ser convocado para assumir o mandato. 3) as eleições de 1950, tanto para os cargos majoritários como para os proporcionais, foram realizadas sob o beneplácito de escandalosa fraude eleitoral. O escritor maranhense não se beneficiou dos votos fraudulentos e muito menos dos votos válidos. Um final melancólico para quem lutou bravamente e empenhou-se, física e financeiramente, para ser um dos representantes do povo maranhense no Congresso Nacional.
Se, por um lado, a música que Franklin de Oliveira usou na campanha eleitoral virou um tremendo sucesso popular, pois até hoje é lembrada e cantada por gerações que viveram aqueles tempos, por outro lado, proporcionou ao candidato do PST uma terrível herança política: o apelido de “Nome Nacional”, epíteto que virou galhofa popular e chegou até mesmo a irritá-lo. Nem depois de morto, conseguiu livrar-se dessa alcunha.

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Viabilidade dos municípios

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VIABILIDADE DOS MUNICÍPIOS

A criação desordenada de municípios, a grande maioria sem viabilidade econômica e sustentada pelos cofres da União, gerou problemas à administração pública.

A presença dessa miríade de municípios na vida brasileira teve uma única finalidade: dar empregos desnecessários a prefeitos, vereadores e funcionários.

Para remediar essa situação, cresce em Brasília um movimento visando mudar esse terrível quadro. Com base em estudos criteriosos, já se pensa em reunificar os municípios inviáveis ou fazê-los desaparecer do mapa.

CANDIDATOS À ACADEMIA

Menos de quinze dias do anúncio da abertura de inscrição à vaga do saudoso jornalista Neiva Moreira, já é visível a corrida de candidatos à Cadeira nº 16.

Até agora, três potenciais candidatos estão em campo e atrás dos membros da Academia Maranhense de Letras na busca de apoio e de votos.

Bento Moreira Lima, Natalino Salgado e Paulo de Tarso Nascimento Moraes não escondem a vontade de ingressar na Casa de Antônio Lobo, fato que certamente transformará a eleição em acirrada disputa.

LIVRO DE ELIR

Em homenagem ao pai, o saudoso empresário Jesus Gomes, o filho Elir escreveu um opúsculo.

Ao livro, o autor deu o título de “Jesus Gomes: sua vida, seus sonhos”, fazendo questão de não vendê-lo, mas ofertá-lo aos amigos e familiares.

A poderosa Coca-Cola, que adquiriu a fórmula do saboroso e inigualável Guaraná Jesus, inventada pelo próspero industrial maranhense,  assumiu o compromisso de reeditar o livro.

Em setembro, em homenagem ao quarto centenário de São Luís, o livro estará nas mãos do público, revisto e ampliado.      

 A VOLTA DE FORTUNATO

O médico Fortunato Bandeira, seguindo a tradição da família, já se lançou candidato a cargo político, elegendo-se vice-prefeito do município de Raposa.

Pelos serviços que continua prestando àquela comunidade, foi novamente convocado a participar da próxima luta eleitoral.

Fortunato, filiado ao DEM, deve ser mais uma vez candidato a vice-prefeito de Raposa, na chapa encabeçada pelo candidato a prefeito, Felix Moreira, do PV.

CORDEIRINHO

O engenheiro maranhense, Antônio Cordeiro Filho, que vive a vida com sabedoria e tranqüilidade, trocou, anos atrás, São Luís pelo Rio de Janeiro, com moradia num belo apartamento em Ipanema, com vista para o mar.

Depois de um tempo na Cidade Maravilhosa, Cordeirinho passou boa temporada em Nova York.

Após curtir a Big Apple, com direito a desfrutar tudo de bom que a cidade tem e proporciona, mudou novamente de pouso: deixou Nova York pelo clima saudável e praiano de Miame, que considera “o Rio de Janeiro que deu certo”.

 JOÃOZINHO TRINTA

Não há nenhuma empresa privada e nem um órgão do governo do Maranhão entre os patrocinadores do filme “Trinta”, sobre o carnavalesco Joãozinho Trinta.

O apoio financeiro para a realização do filme vem da prefeitura de Paulínia, em São Paulo.

As filmagens já começaram e será rodado inteiramente no Rio de Janeiro, onde o carnavalesco projetou-se em 1974, vestindo a camisa do Salgueiro.

AMIGO FIEL

Este ano, a Escola de Samba Beija-Flor escolheu para enredo no desfile da passarela do samba, os quatrocentos anos de São Luís.

Como é sabido, o desfile não agradou aos jurados e a escola de Nilópolis desceu ladeira a baixo.

A Beija-Flor, na contramão de tudo e contrariando a todos, já escolheu o enredo para o carnaval de 2013: “Amigo fiel”, que vai falar de cavalos. 

MUSEÓLOGOS E ARQUEÓLOGOS

O prédio onde funcionava o Sioge foi cedido pelo Governo do Estado à Universidade Federal do Maranhão e à Petrobrás.

O antigo e amplo casarão, que se encontra em estado de completo abandono e ruína, será literalmente recuperado com recursos do governo federal.

No prédio, recuperado e adaptado, a Universidade Federal do Maranhão fará funcionar o Mestrado de História e a Petrobrás instalará o Museu de Arqueologia, que receberá as peças de valor artístico e cultural encontradas nas escavações realizadas na área da refinaria Premium.

O reitor da Ufma, Natalino Salgado, já pensando no futuro, projeta criar cursos de Arqueologia e Museologia, para atender à demanda de técnicos especializados nessas áreas.      

RETRATO FALADO

Depois de 38 dias do brutal assassinato do jornalista Décio Sá, finalmente, a Secretaria de Segurança divulgou o retrato falado do suspeito criminoso.

A semelhança física do retrato falado do suposto assassino com numerosos jovens de São Luís, em vez de ajudar a Polícia, poderá criar mais problemas na definição do crime.

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