A quem interessa boicotar o Shopping da Ilha?

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Novo acesso ao Shopping da Ilha é uma rua esburacada, início de um de um percurso onde também há risco de assalto

Buraqueira, ponto de ônibus distante, posto de táxi em local inseguro e mudança de trânsito que tornou o acesso muito mais difícil. Esses e outros obstáculos parecem fazer parte de um plano para afugentar o público do Shopping da Ilha, no Maranhão Novo, outrora um espaço onde se chegava e saía com facilidade. Mas, afinal, a quem interessa boicotar o empreendimento comercial, que gera centenas de empregos e que consolidou-se como uma das principais opções de compras e lazer para quem mora em bairros como Bequimão, Cohama, Vinhais e até mesmo em áreas mais distantes de São Luís?

À noite, escuridão torna percurso de carro até o Shopping da Ilha ainda mais perigoso para frequentadores

Não é possível afirmar que se trata de uma conspiração. Mas, os muitos problemas combinados e a falta de providências para solucioná-los levam a essa suspeita. Na verdade, parte dos transtornos foi criada pelo próprio poder público. Dois deles complicaram a ida e a volta dos frequentadores do shopping, seja de carro, seja a pé.

O primeiro foi a mudança de geometria de trânsito na Avenida Daniel de La Touche, que eliminou o antigo acesso e obrigou os motoristas a seguir por uma rua esburacada, sem iluminação e com risco de assalto em toda a sua extensão. O segundo foi o deslocamento de uma parada de ônibus do lado aposto da via para um ponto muito mais longe, após a entrada do Bequimão, o que aumentou a caminhada de quem vai e volta do Shopping da Ilha utilizando o transporte público.

Cratera

Buraco junto à calçada, na entrada do Shopping da Ilha, representa risco ao trânsito e a pedestres

Outro problema que salta aos olhos é um enorme buraco junto à calçada do shopping, a poucos metros da parada de ônibus. Por sua localização, a cratera representa grave risco de acidente, seja para passageiros de ônibus no momento do desembarque, seja para pedestres desatentos, que podem se machucar em caso de queda na cavidade no asfalto, cuja profundidade e diâmetro assustam. Em momentos de chuva, o perigo se agrava, pois o buraco fica coberto pela água e invisível aos olhos de motoristas e transeuntes.

Até taxistas estão sendo prejudicados pelo aparente boicote ao shopping. Os que ficam enfileirados em um posto na rua posterior, à espera de liberação de vagas na parte área interna, ficam expostos constantemente a ataques criminosos. Muitos reclamam da vulnerabilidade, temendo perder o carro e instrumento de trabalho e até mesmo a vida.

Taxistas de posto situado em rua isolada, por trás do shopping, temem assaltos e até mesmo a morte no local

O replanejamento das mudanças efetuadas pelo poder público no entorno do Shopping e a solução dos problemas de infraestrutura citados devolveria a boa acessibilidade que antes proporcionava ao público uma ida às compras e ao lazer sem sobressaltos. E, de quebra, afastaria a suspeita de que está em curso uma trama para inviabilizar o empreendimento.

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Ciops à míngua

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ciopsTeleatendentes do Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops), vinculados à empresa terceirizada Supritech, estão amargando uma série de dificuldades na atual gestão da Secretaria de Segurança Pública. Os problemas vão desde atraso e defasagem salarial às precárias condições de trabalho e até mesmo de higiene.

À míngua, os trabalhadores, que cumprem a importante missão de atender, fazer a triagem e encaminhar às viaturas nas ruas as denúncias feitas pela população à polícia, se dizem desvalorizados e desmotivados, o que compromete gravemente as atividades do Ciops, único canal de comunicação entre os cidadãos e o sistema de segurança.

Para se ter uma ideia do descaso ao qual estão submetidos os teleatendentes, o mês de junho já passou da metade e os salários de maio ainda não foram pagos. Nem mesmo o vale-alimentação foi repassado aos servidores. Para piorar, os atendimentos pelo plano de saúde passam a maior parte do tempo suspensos por falta de pagamento. Resultado: a queda de qualidade de um serviço essencial à sociedade, que se tornou ainda mais necessário nestes tempos de violência desenfreada.

As condições de trabalho são as piores possíveis. Os teleatendentes cumprem suas tarefas em um ambiente onde o calor é insuportável, já que apenas um dos aparelhos de ar condicionado da sala funciona. O banheiro é sujo, pois os agentes de limpeza contratados pela empresa Machro, outra terceirizada, não recebem salário há três meses. Até copos descartáveis que eram usados para beber água deixaram de ser fornecidos.

Os trabalhadores acusam o comando do Ciops e a cúpula de SSP de compactuarem com o descaso. Segundo eles, todos estão cientes do estado de abandono ao qual foi relegada a central, mas se mantêm omissos. Em resposta à insensibilidade, muitos passaram a faltar em peso aos plantões, deixando sem resposta grande parte das chamadas feitas ao número 190.

Como se não bastasse o avanço do crime e o consequente clima de terror imposto aos cidadãos de bem, é visível a negligência oficial com um dos principais mecanismos de enfrentamento à bandidagem. Ao esquivar-se de um problema tão grave, os atuais governantes conspiram contra o povo.

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Legitimidade ferida

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Manifestantes percorrem retorno do Tirical, onde o trânsito ficou totalmente parado

Manifestantes percorrem retorno do Tirical, onde o trânsito ficou totalmente parado pela manhã, gerando caos

Mobilizados desde as primeiras horas de hoje, cerca de cinco mil trabalhadores rurais bloquearam o KM-0 da BR-135, único acesso para entrada ou saída de São Luís por via rodoviária. Denominado de Grito da Terra, o protesto tem à frente entidades como a Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag) e a Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Maranhão (Fetaema).

Os manifestantes reivindicam reforma agrária no estado e o fim da violência no campo. Somente este ano, já foram contabilizadas oito mortes motivadas por conflitos por terra no Maranhão.

A causa é mais do que justa. A bandeira, portanto, deve ser empunhada com todo vigor, de modo a sensibilizar as autoridades para o grave problema.

Por outro lado, é inadmissível perder de vista os direitos dos cidadãos que vivem na área urbana, atormentados diariamente por mazelas tão graves quanto as que vitimam os cidadãos do campo e por outros transtornos impensáveis para quem mora no meio rural.

Lamentavelmente, o direito de ir e vir, uma das garantias constitucionais mais sagradas, foi violado até o último grau, convertendo em caos uma causa legítima.

Em romaria, trabalhadores rurais entram em São Luís, que teve a rotina alterada pelo protesto

Em romaria, milhares de trabalhadores rurais entram em São Luís, que teve rotina alterada pela manifestação

Fotos: Leandro Santos/O Estado do Maranhão

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