Nas locadoras: “A Conspiração”

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A Conspiração (Brake) – Direção: Gabe Torres.

Um homem acorda preso dentro de um compartimento de vidro no porta-malas de um carro sem saber como foi parar lá e precisa bolar um jeito de sair dessa armadilha antes que algo muito sério aconteça. A partir dessa premissa simples e claustrofóbica, chupada do eficiente Enterrado Vivo, o diretor Gabe Torres constrói uma narrativa eletrizante a partir das tentativas do agente do serviço secreto Jeremy Reins (Stephen Dorff) de descobrir porque foi sequestrado e o que está acontecendo exatamente no mundo lá fora.

Para fazê-lo, ele conta com um rádio de frequência curta, deixado pelos sequestrados e através do qual se comunica com outra pessoa presa na mesma situação. Além disso, as situações externas contribuem para aumentar o estresse da narrativa: ouvem-se sirenes de polícia e um breve tiroteio; o carro em que se encontra realiza manobras arriscadas durante uma fuga; o rádio do carro noticia uma transmissão desalentadora sobre um ataque terrorista generalizado; por um celular, ele descobre que a sua ex-esposa também está sendo ameaçada pelos sequestradores. Para piorar a situação, um relógio digital encontra-se em contagem regressiva, e todos sabem como isso costuma terminar.

Assim, durante cerca de 1 hora e 15 minutos, A Conspiração é ótimo mesmo que algumas sequências pareçam exageradas demais e que o protagonista não demonstre a inteligência e sagacidade esperadas de um agente do serviço secreto (embora o seu compromisso com o juramento seja inabalável). Mas restando 10 minutos, o filme desmorona completamente, algo que há muito tempo eu não via acontecer.

A primeira reviravolta (relaxem, não vou contar!) é muito tola e mesmo que funcione na cabeça de alguns, ela começa a deixar muitas perguntas sem respostas e compromete consideravelmente a qualidade da narrativa até então.

Já a segunda reviravolta, esta sim é uma tragédia, forçando o espectador a reconsiderar tudo o que ele tinha visto e absorvido e depois repensado e desfeito. Ficou confuso? A intenção é justamente essa.

Se a intenção foi criar um final surpreendente, parabéns ao roteirista Timothy Mannion que se superou na tarefa. Agora, quem foi que disse que um final surpreendente necessariamente é um bom final? A considerar por esta enorme oportunidade perdida, é melhor começar a rever os seus conceitos. Enquanto isso, vou tentando editar o final na cabeça, cortar os 10 minutos restantes e pensar na primeira coisa que aconteceria depois que uma contagem regressiva chegasse ao zero. Quem sabe assim eu aprenda a gostar mais desse filme!

1 comentário para "Nas locadoras: “A Conspiração”"


  1. jorge

    márcio,diz pra mim o que você acha de somewhere que também tem stephen dorff no cast.

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