Blog do Laércio

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Dissertação sobre/no Youtube

O Juliano Spyer é autor de “Conectado, o que a Internet fez com você e o que você pode fazer com ela” (Zahar, 2007), primeiro livro brasileiro sobre mídia social; do manual Tudo o que Você Precisa Saber sobre Twitter (2009) e organizador da coletânea Para Entender a Internet (2009). Os dois últimos de acesso livre – basta baixar.

Defendeu – com louvor! – o mestrado em Antropologia Digital na Universidade de Londres, com uma dissertação sobre a aprendizagem digital no Youtube (baixe-a aqui). Inconformado com o destino prateleira da maioria das dissertações revolveu passar o trabalho para o Youtube, em videolog. Mais: partiu para a coleta de recursos para viabilizar o projeto através do Catarse, que recolhe contribuições a partir de 10 reais e só entrega ao autor do projeto se ele ficar pronto. Em não ficando o dinheiro é devolvido.

Comece assistindo aos vídeos, simples e eficientes, que valem como uma aula dos cursos sobre vídeologs que ele costuma ministrar.

Precisamos prestar atenção nesses vetores de tecnologia como o Juliano.

O esqui do Listello

Meus amigos Leopoldo , Lino e Jãofreire sempre me cobram as histórias do Prof Auguste Listello por escrito. Tive a sorte de conviver com o mestre em algumas oportunidades e mantive o contato com muitas cartas e, quando o telefone não esteve arisco, no dia do professor e conversas de feliz-ano-novo, durante boas décadas.

Em algum tempo ou lugar, provavelmente por falta de jeito e excesso de preguiça ou indisciplina, perdi o rumo da minha determinação dos tempos de criança de ser jogador de futebol, bombeiro ou escritor. Daí as dificuldades e procrastinações para me livrar do peso de escrever as histórias cobradas por meus amigos.

No começo eu achava que dava pra escrever de uma vez só, como fazia o Gianfrancesco Guarnieri com o seu teatro primoroso, feito sem anotaçõe ou rascunhos, como o LOR com seus cartuns feitos diretos a caneta, ou as partituras do Mozart do filme Amadeus. Sem a habilidade desses artistas adotei o pior jeito. Tomo nota em incontáveis papeis soltos, cadernos e guardanapos. O texto quase sempre já fica incompleto e pronto. Daí, quando vou escrever mesmo para publicar/me livrar, não acho os rascunhos e escrevo tudo de novo. Tiro o peso mas fica o desconforto de achar que um dos escritos perdidos estava muito melhor.

Vou publicar aqui as histórias enfeixadas com o título “O Esqui do Listello” em homenagem a um dos meus ídolos na divulgação científica, Carl Sagan, que escreveu “O cérebro de Broca“, sobre a experiência que ele teve ao observar a Região de Broca no próprio cérebro do autor da teoria, nas prateleiras do Museu do Homem. No esqui de madeira da parede do quartinho do fundo da casa do professor (no sul da França e que tinha no muro da frente a inscrição “Vila Brasil”), como um quadro importante, estava a representação do próprio Listello. Na visita ele explicou: “Antigamente os esquis eram grandes assim, pesados, de madeira. São diferentes dos de hoje, leves, de material sintético”. Ele descreveu outras características que eu não lembro. Daí fez uma pausa e armou o sorriso para uma piada marota, em que incluiu uma explicação anatômica digna de um estudante aplicado com a tenacidade de um legionário (ele foi da Legião Estrangeira): “Os esquis antigos estragavam os tornozelos e os modernos detonam os joelhos”. Rimos. O velho esqui não era motivo para nostalgias, mas serviam para uma boa conversa, para degustar conhecimento e viver a vida. Era assim.

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