Alguns enganos GRAMATICAIS

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1)
ERRADO
Fui eu que FEZ o trabalho.

CERTO
Fui eu que FIZ o trabalho.

Explicação…
Quando o sujeito for o pronome relativo QUE, o verbo deve concordar com o antecedente:
Fui eu que FIZ; Foste tu que FIZESTE; Foi ele que FEZ; Fomos nós que FIZEMOS; Foram eles que FIZERAM; Este são os empregados que FIZERAM o trabalho.

Atenção!!!
Com o pronome relativo QUEM, temos duas opções: Fui eu quem FIZ o trabalho ou Fui quem FEZ o trabalho. O verbo pode concordar com o antecedente (EU quem FIZ) ou flexionar na terceira pessoa do singular, concordando com o pronome QUEM (eu QUEM FEZ).

2)
ERRADO
Eu fiquei fora de SI.

CERTO
Eu fiquei fora de MIM.

Explicação…
O pronome reflexivo SI (sujeito pratica e sofre a ação verbal = ideia de A SI MESMO) é de terceira pessoa: ELE ficou fora de SI; ELA feriu A SI MESMA; VOCÊ iludiu A SI MESMO; ELES ficaram fora de SI; ELAS feriram A SI PRÓPRIAS. Na primeira pessoa do singular, devemos usar o pronome MIM: EU fiquei fora de MIM; EU feri A MIM MESMO. Pior é o famoso “NÓS SE ferimos”. O sujeito (= NÓS) está na primeira pessoa do plural e o pronome SE É de terceira pessoa. O certo é: NÓS NOS ferimos e ELE SE feriu.

Atenção!!!
Quando devemos usar ENTRE SI ou ENTRE ELES?
A diferença é a seguinte:
a) devemos usar ENTRE SI somente quando o sujeito pratica a ação verbal: Os lutadores brigavam ENTRE SI (“os lutadores” é o termo que exerce a função de sujeito da oração = pratica e recebe a ação de “brigar”);

b) usamos ENTRE ELES quando o sujeito é um e o complemento é outro: Nada existe ENTRE ELES (= o sujeito é “nada”, e o complemento é “entre eles”).
Outros exemplos:
Os políticos discutiam ENTRE SI; Eles repartiram o prêmio ENTRE SI MESMOS; O prêmio foi repartido ENTRE ELES.

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Como se escreve… ANO-NOVO ≠ ANO NOVO

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Ano-Novo ou ano-novo refere-se à virada do ano, à festa de entrada. Ano novo é o novo ano, refere-se à totalidade do ano novo: “Feliz Ano-Novo e próspero ano novo”.

Ano-novo
Você sabia que a palavra Ano-novo pode significar duas coisas: a primeira delas é que pode ser sinônima de “Réveillon”, ou seja, o primeiro dia do ano. Para esse caso, escreve-se com hífen “Ano-novo”. O segundo significado é novo ano, ou seja, o ano que será transcorrido após o “Réveillon”. Para esse caso, escreve-se sem hífen!

“REDAÇÃO FORENSE E ELEMENTOS DA GRAMÁTICA” de Eduardo de Moraes Sabbag
Ele agiu com sangue-frio no ano-novo.
Devemos tomar cautela com vocábulos que comportam duplo sentido: um sentido real (sem hífen) e um sentido figurado (com hífen). Se queremos afirmar que o sangue está frio, usaremos “sangue frio”, sem hífen. No entanto, se pretendemos nos referir à calma, utilizaremos o termo “sangue-frio”, com hífen.
Da mesma forma, distinga-se “cachorro-quente” (sanduíche) de “cachorro quente” (= animal aquecido); entre outras expressões. Nesse rumo, é imperioso ressaltar que a expressão designativa da meia-noite do dia 31 de dezembro, isto é, do ano entrante é o substantivo masculino “Ano-novo”, com hífen. Tal ortografia recebe a chancela de bons dicionários e do próprio Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp 2009). Portanto, podemos falar à vontade: “Feliz Natal e próspero Ano-novo!”. Plural: anos-novos.

DICIONÁRIO “AURÉLIO”
ano-novo
Substantivo masculino.
1. O próximo ano; o ano entrante: “Estamos com sono, vamos dormir. Damos boa noite, bom ano-novo, eu abraço meu tio.” (Ricardo Ramos, Matar um Homem, p. 168.) 2. A meia-noite do dia 31 de dezembro; ano-bom. 3. O dia primeiro de janeiro; ano-bom. [Pl.: anos-novos.]

DICIONÁRIO “CALDAS AULETE”
ano-novo (a.no-no.vo) [ô]
sm.
1 Ano que começa 2 Dia 1º de janeiro ; ANO-BOM. [Pl.: anos-novos [ó].]

DICIONÁRIO “HOUAISS”
ano-novo
Acepções
■ substantivo masculino
1 ano entrante 2 meia-noite do dia 31 de dezembro; ano-bom 3 dia primeiro de janeiro; ano-bom

Gramática
pl.: anos-novos

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REFLETINDO… FELIZ NATAL!!!

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Natal: tempo de brincar com a caixa*

O tempo atual é de crise. A incerteza quanto ao futuro pesa sobre os ombros de todos com a ameaça de menor atividade econômica e desemprego. Mas o tempo é também de festa, uma festa cristã há muito associada a dar e receber presentes: o Natal. Podemos, portanto, usar a oportunidade da atual crise para repensar o papel do Natal, uma festa que passou a ser uma celebração do consumo, muitas vezes de excessos e desperdícios.

Esta talvez seja uma hora propícia para considerar como seria um Natal, uma festa em família ou entre amigos em que os desejos de consumo ficassem em segundo plano. Uma boa hora para refletir como seria o encontro com as pessoas que amamos se não houvesse a intermediação dos objetos, das coisas, dos presentes materiais. Refletir sobre o desafio de usar a imaginação e a criatividade para criar momentos felizes tendo como principais valores a simplicidade, os sentimentos e a descoberta do que é realmente importante na vida.

Aliás, como fazem as crianças, especialmente as muito pequenas. Ao ganharem um brinquedo, divertem-se muito mais brincando com a caixa do que com o próprio brinquedo. Que tal se você parasse para pensar em qual seria “a caixa” e seu Natal? Algo de valor simbólico que lhe fizesse lembrar deste Natal como uma festa especial, guardada para sempre em sua memória.

Lembro-me de um Natal com meus pais em que pedi a cada um dos membros da família que trouxesse um texto para ler na ceia, um texto próprio ou escrito por um terceiro, e que tivesse um significado especial. Nunca me esqueci daquele Natal, dos textos emocionados que cada um trouxe e que se tornaram a atração principal, muito mais do que os presentes. Lembro-me dos textos. Não lembro quais foram os presentes.

Os presentes têm o papel de traduzir o afeto que sentimos pelos outros. Por isso mesmo, na hora de presentear, por que não pensar em algo que de fato reflita o que sentimos pelo outro? Em vez de recorrer aos produtos padronizados disponíveis nos shoppings, por que não pensar em presentear a quem amamos com algo feito por nós mesmos? Ou com algo que mostre que pensamos naquela pessoa de um modo especial?

Tenho um amigo, por exemplo, que gosta muito de goiabada com queijo. Tenho certeza de que se eu o convidasse para uma ceia de Natal em que houvesse uma boa goiabada com um ótimo queijo minas ele jamais esqueceria esse fato, pensado com carinho exclusivamente para ele. Será que o que vale ser vivido não é aquilo que será lembrado?

Talvez possamos, neste Natal, iniciar uma nova forma de pensar o consumo, a forma que deverá ser a
predominante no futuro, em que substituiremos, cada vez mais, o consumo material pelo consumo imaterial, intangível, simbólico.

Uma mudança necessária, dado que, já hoje, a humanidade consome 30% a mais do que o planeta é capaz de renovar.

O mundo só será sustentável no momento em que repensarmos o estilo de vida atual, com excesso de consumo, que usa recursos naturais finitos como se infinitos fossem.

É preciso iniciar um novo tempo, com novos Natais, em que iremos presentear as pessoas não com objetos, mas com experiências: um bilhete de ônibus para um passeio ao centro da cidade, um ingresso para uma bela exposição em um museu, um texto que nos emocionou, uma palavra sincera de carinho pensada especialmente para cada pessoa. Natais em que o único consumo exagerado será o de coisas que, como por milagre, quanto mais consumimos, mais se multiplicam: amor, beleza, alegria, carinho e amizade.
Dessa forma, o presente para o outro se transforma em presente para nós mesmos, pela alegria de nos expressarmos e de compartilharmos nosso carinho e querer bem.

O Natal, assim, celebraria de fato o nascimento de algo novo, de uma nova proposta para a vida.
E não é esse, afinal, o verdadeiro significado do Natal?
(* “Folha de S. Paulo”, 19/12/2008 – HÉLIO MATTAR)

Bem… FELIZ NATAL!!!

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Evitando erros GRAMATICAIS

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AMPLIAR
É pleonástica a forma AMPLIADO POR MAIS UM MÊS, porque o verbo já tem o sentido de AUMENTAR. Portanto, em vez de O PRAZO FOI AMPLIADO POR MAIS UM MÊS, usa-se O PRAZO FOI AMPLIADO EM UM MÊS.

JUNTO AO
Embora usual, é impróprio o emprego da expressão JUNTO A(O) em frases como “O processo deu entrada JUNTO AO tribunal”. Fica melhor dizer “O processo deu entrada NO tribunal. Da mesma forma, “O Vasco conseguiu contratar Douglas do Grêmio (não: JUNTO AO Grêmio); A imagem da Petrobras precisa ser melhorada entre os cidadãos (não: JUNTO AOS cidadãos); A reclamação foi apresentada ao Procon (não: JUNTO AO Procon).

PERDA / PERCA
PERDA é substantivo: Houve uma PERDA irreparável. PERCA é verbo: É preciso que você PERCA dois quilos.

SOB / SOBRE
SOB significa “debaixo de”. SOBRE quer dizer “em cima de” ou “a respeito de”. Assim, são incorretas as frases “Ficou SOBRE a mira do assaltante”. / SOBRE esse ponto de vista, você está certo (o certo é SOB a mira e SOB esse ponto de vista).

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Erros GRAMATICAIS

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1)
ERRADO
Não há PORQUE IMPEDÍ-LO.

CERTO
Não há POR QUE IMPEDI-LO.

São dois erros. Sempre que houver a palavra “motivo” antes depois da palavra PORQUE, ou mesmo subentendida, devemos escrever POR QUE (separado): Desconheço o motivo POR QUE ele desistiu. / Não sei POR QUE motivo ele viajou. / Não há (motivo) POR QUE impedi-lo.

O outro erro é o acento agudo de IMPEDÍ-LO. Não acentuamos, graficamente, as palavras oxítonas terminadas em “i”: Parati, aqui, eu parti, adquiri-lo, servi-lo…

Atenção!!!
Devemos usar acento agudo sobre a vogal “i”, se ocorrer um hiato com a vogal anterior: Icaraí, eu saí, destruí, atraí-lo…

2)
ERRADO
A filha CASOU com um rico empresário maranhense.

CERTO
A filha CASOU-SE com um rico empresário maranhense.

O verbo CASAR-SE é pronominal, ou seja, deve estar sempre acompanhado do pronome: eu ME CASEI, tu TE CASASTE, ele SE CASOU, nós NOS CASAMOS, vós VOS CASASTES e eles SE CASARAM.

Atenção!!!
Se quiser, você pode SENTAR NA MESA, mas… O que você pode fazer é SENTAR-SE À MESA. Temos, portanto, dois problemas. O primeiro é o uso errado do verbo SENTAR, que, no sentido de TOMAR ASSENTO, é pronominal. Portanto, eu ME SENTEI, ele SE SENTOU.

3)
ERRADO
Eis as cláusulas que FALTAVAM incluir no contrato.

CERTO
Eis as cláusulas que FALTAVA incluir no contrato.

O verbo FALTAR deve ficar no singular para concordar com o seu sujeito (= incluir no contrato). O que FALTAVA era “incluir as cláusulas no contrato” e não “as cláusulas”.

Atenção!!!
FALTA ou FALTAM cinco minutos para acabar o jogo? Embora muitos digam “FALTA cinco”, o certo é FALTAM cinco minutos. O verbo FALTAR deve ir para o plural para concordar com o seu sujeito plural (= cinco minutos). Não podemos confundir os casos. Em “Falta resolver cinco questões”, o verbo FALTAR deve ficar no singular porque o seu sujeito é “resolver cinco questões”. Não são “cinco questões” que faltam. O que falta é resolver as cinco questões. Para ficar mais claro: FALTAM cinco questões e FALTA resolver cinco questões.

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Lembrando… PAULO NASCIMENTO MORAES

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UM EXEMPLO A SER SEGUIDO

Não é só ser eleito. Não é só receber a homenagem consagradora do eleitorado e dos amigos. Não é só fixar-se no centro das atenções. Não é só beneficiar-se da vitória, gabar-se dela. Não é só registrar as homenagens, ser alvo delas, banquetear-se, receber a valorização, do elogio, da apoteose dos seus admiradores, dos que ajudaram a “grande vitória”. Não. Isto é o menos. Mas o que vai valer mesmo é a conduta, a presença do homem no cargo. Sua posição de luta, de empreendimentos, de realizar, de impor, de ser útil. Não é chegar, ser empossado e pronto. É chegar, chegando com uma ordem ampla de serviço, chegar com um programa administrativo, chegar tomando conhecimento da situação que encontrou. E dela fazer a publicidade. Corrigir. Devassar tudo. Pôr as coisas nos seus lugares. Punir os faltosos. O povo tem que saber de tudo. O povo que ficou todo um tempo sabendo dos erros, das roubalheiras, das negociatas etc., tem o direito de ter conhecimento com o seu candidato encontrou a “coisa pública”. O cargo público que ele vai exercer. O bom senso indica isto. Não é chegar, empossar-se, dar início a um trabalho sem ter “arrumado” a carteira, sem ter olhado tudo, sem ter dito como achou o “cargo” e se havia ou não a distorção, a chantagem, a falcatrua, o roubo, a irregularidade, as prestações de conta fabulosa, enxertadas, emendadas, falseadas, desfiguradas etc.
E isto não é perseguir, não é odiar, não é ir à desforra. Não. É legalizar. É corrigir. E mais: ser honesto. É ser digno.
E o exemplo desta atitude, desta posição certa está com o prefeito de São José de Ribamar, o dr. José Silva. O novo prefeito chegou e foi olhar tudo. Foi arrumar a CASA e encontrou-a suja, desarrumada, com as portas frouxas, com as fechaduras viciadas, com um cofre vazio! E o prefeito tomou as providências sérias. Nomeou uma comissão especial para examinar tudo, dar um balanço em toda a escrita da Prefeitura de São José de Ribamar. Sabia-se cá fora que por lá havia muita coisa feia. Havia irregularidades, havia trapaça, chantagem, o diabo. E o dr. José Silva entrou “duro”, determinou a apuração. Sim, era preciso que se soubesse de tudo, que o povo soubesse de tudo. Era preciso. E a tal comissão especial composta pelos srs. Raimundo da Costa Silva, José Maciel de Matos e Raul Fabriciano, no fim de tudo, de ouvir uns e outros, de examinar toda a papelada, os documentos, chegou à conclusão de que tudo estava tremendamente errado. Tudo muito comprometedor. Os cruzeiros num desfile desordenado de curvas e quebradas! Uma ou umas prestações de conta com o registro de informações fantásticas. Pagamento que não foram feitos, mas que foram feitos, gente que recebeu o que não recebeu nada. Um quebra-cabeça complicadíssimo. Tem de tudo. Até as verbas de representação dos vereadores tidas como pagas foram contestadas por alguns membros deste Poder! Pagamentos que não foram feitos, mas que “foram feitos”. Verbas que desapareceram, saíram, tomaram outros endereços! Tudo assim, assim chocante, assim destroçado.
O sr. prefeito de Ribamar vai ou já mandou abrir inquéritos. Sim e que apareçam os “donos do bois”! Tem que aparecer o responsável pela “extravagância”. Tem que haver “claridade nesta escuridão” da Prefeitura de Ribamar. Tudo tem que ficar nitidamente esclarecido. Cadeia não foi feita só para o miserável que rouba sobre o cerco da fome, da sede, da miséria. Não. É preciso que haja, de fato, a punição, que tudo seja posto em “prato limpo”. E isto, repetimos, não é perseguir.
Com o dr. José Silva, o prefeito de São José de Ribamar, o exemplo a ser seguido.
(publicado no JORNAL DO DIA / 30 DE NOVEMBRO DE 1965)

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Aniversário… PAULO NASCIMENTO MORAES

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NASCIMENTO DE PAULO NASCIMENTO
José Chagas

Paulo de Tarso Moraes, que organiza esta página comemorativa, é filho de Paulo Augusto Nascimento Moraes. Sou amigo do pai e do filho e vejo o cuidado e o carinho com que o filho procura tratar a memória do pai. Mas, pensando bem, podemos, antes de tudo, afirmar que ambos estão vivos, pois nenhum pai morre, se fica na lembrança de um filho, nem morre na recordação ou na saudade dos amigos. A data de hoje, 23 de novembro, é a de aniversário do pai, que completa noventa e um anos de nascido. Paulo Nascimento Moraes, como se vê, já traz o nascimento no próprio nome. Mas os que gostam de assassinar as pessoas, até no campo da memória, diriam logo: completaria noventa e um anos, “se vivo fosse”. E eu gostaria de perguntar a esses o que eles entendem por “estar vivo”. Eis uma questão aparentemente banal, mas de profunda motivação para os que têm uma idéia do que seja verdadeiramente viver.
Há pouco se lia e se ouvia, repetidamente, nos meios de comunicação, quando se comemorava o centenário de nascimento de Ary Barroso, que aquele compositor faria, agora em 2003, cem anos, se vivo fosse. Não é curioso que se demonstre todo o empenho de festejar o centenário de nascimento de uma pessoa, mas esclarecendo que ela só faria os cem anos, se estivesse viva? E qual a importância que tem o tempo, nesse caso? Ninguém vive tempo. Ora, estavam falando exatamente do que ele, por sinal, tem de mais vivo, de mais evidente em sua perenidade, que é seu espírito, sua capacidade criativa, expressa nas suas obras, comprovando que sua presença espiritual está agora não só no plano sobrenatural como definitivamente entre nós. Do contrário ninguém estaria sequer tendo lembrança dele. E, a essa altura, que sentido têm para nós os seus restos mortais, já transformados em pó, se podemos contar com a totalidade de sua vivência e com todo o brilho de seu talento, para sempre? Ele está mais vivo hoje do que muitos que o festejaram e que, a rigor, nem sabiam o que estavam festejando.
Entender que alguém só está vivo enquanto fisicamente presente, isto é, em corpo, em esqueleto, ou investido de uma carcaça destinada ao apodrecimento, convenhamos em que é coisa de uma burrice mortal. Não há estupidez maior do que imaginar que a vida consiste apenas na substância palpável do lixo ou do entulho que carregamos, durante nossa passagem na terra. A matéria existe, a matéria não vive. Há, porém, os que acham que sua vida é isso. Tanto que muitos nem percebem o paradoxo a que se expõem, sempre que falam de vida e morte. Quando empregam a expressão – se vivo fosse – em relação a uma pessoa fisicamente ausente e a quem se pretende homenagear, asseguram, com isso, que ela está morta. E o que é então que passam a homenagear? Já pensaram, por exemplo, no caso de um católico, desses bem fervorosos, dizendo, agora pelo Natal, que Cristo faria 2003 anos, se vivo fosse?
Bem, eu não estou aqui para falar de Ary Barroso nem de Cristo, mas do aniversário do meu amigo Paulo Nascimento Moraes, pai do meu também amigo Paulo de Tarso Moraes. O filho em nome do pai, o pai em nome do filho, vidas que se continuam, que se integram, que vão além da memória, com os sonhos de um a crescerem na lembrança do outro. E Paulo, o pai, é também presença em mim, como um parente legitimado pela amizade de longos anos. Um irmão de alma. Não é outra a razão por que o filho me procurou para comunicar o seu trabalho de pesquisa, no levantamento das atividades do pai, em livros, jornais, revistas e por meio de depoimentos de pessoas amigas.
Ele busca o pai professor, o pai jornalista, o pai poeta, o pai imortal, não apenas por haver pertencido à Academia de Letras, mas pela sua específica individualidade de senhor de si mesmo. Busca também o pai que figurou como um dos últimos componentes de uma geração de boêmios, mas de salutares boêmios que encheram a cidade de alegres histórias, que a povoaram de sonhos impossíveis e de uma leve poesia que estava mais nos gestos do que nas palavras. Em verdade, lembrar Paulo é lembrar muitas outras figuras de seu tempo e por conseqüência todo o patrimônio sentimental de uma São Luís, diluída já hoje na sua história e na sua geografia. Mas uma São Luis que renasce também, nesta data, por força do espírito de quem a amou, com a mais profunda ternura, e pela nossa memória estende o seu exemplo, como uma esteira de clara vivacidade humana, rastros que iluminam a caminhada do filho. Meus parabéns a ambos, tão vivo um quanto o outro.

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Preocupações GRAMATICAIS

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1)
ERRADO
“É preciso que você REAVEJA os seus documentos”.

CERTO
“É preciso que você RECUPERE os seus documentos”.

Explicando…
O verbo REAVER não deriva do verbo VER, como parece. REAVER é “haver de novo”. Deriva, portanto, do verbo HAVER. E deve, por isso, seguir o verbo HAVER.
Acontece que o verbo REAVER só “existe” nas formas em que o verbo HAVER apresenta a letra “v”: HAVEMOS – REAVEMOS; HAVIA – REAVIA; HOUVE – REOUVE; HAVERÁ – REAVERÁ; HOUVER – REOUVER. No presente do indicativo, o verbo HAVER é: eu HEI, tu HÁS, ele HÁ, nós HAVEMOS, vós HAVEIS, eles HÃO. Assim sendo, o verbo REAVER só tem as primeira e segunda pessoas do plural: nós REAVEMOS e vós REAVEIS. Como o presente do subjuntivo é derivado da primeira pessoa do singular do presente do indicativo, a forma “que eu REAVEJA” não existe. Portanto, temos duas saídas: a) trocar o verbo REAVER por um sinônimo: “É preciso que você RECUPERE os seus documentos”; b) usar uma expressão equivalente: “É preciso que você CONSIGA REAVER os seus documentos”.

Atenção!!!
Outro verbo que merece atenção é PRECAVER-SE. Parece derivado de VER, mas não é. Além disso, é um verbo defectivo, ou seja, apresenta falhas nos tempos do presente, só tem a primeira pessoa do plural (nós nos PRECAVEMOS) e a segunda pessoa do plural (vós vos PRECAVEIS) do presente do indicativo. As formas rizotônicas (= primeira, segunda e terceira pessoas do singular e a terceira do plural) não existem. O presente do subjuntivo, por ser derivado da primeira pessoa do singular do presente do indicativo, não apresenta pessoa alguma. Assim, formas como “eu me PRECAVEJO” e “que ele se PRECAVENHA” não existem. Temos de usar um verbo sinônimo ou expressão equivalente: “eu tomo cuidado”, “que ele se PREVINA”.

2)
ERRADO
Falava-se da indicação de Tite COMO técnico da Seleção Brasileira.

CERTO
Falava-se da indicação de Tite PARA técnico da Seleção Brasileira.

Explicando…
O uso das preposições sempre exige uma atenção especial. Ninguém é indicado COMO. Toda indicação é PARA alguma coisa: O senador Lobão foi indicado para ministro das Minas e Energia.

Atenção!!!
Na frase “Foram iniciativas do poder local EM tentar solucionar o problema”, temos, mais uma vez, o mau uso das preposições. Alguns políticos acreditam que falar bem é “falar bonito”, ou pior, “falar difícil”. No exemplo, há uma ideia de finalidade. Isso significa que o correto é “Foram iniciativas do poder local PARA tentar solucionar o problema”.

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Evitar erros GRAMATICAIS

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1)
ERRADO
Os nossos fornecedores querem fazer uma reunião COM NÓS.

CERTO
Os nossos fornecedores querem fazer uma reunião CONOSCO.

Explicando…
Na primeira pessoa do plural, o pronome pessoal oblíquo tônico é CONOSCO: Ele quer falar CONOSCO. Entretanto, devemos usar a forma COM NÓS antes de algumas palavras: Ele quer falar COM NÓS todos. / Ele deixou a decisão COM NÓS mesmos (= COM NÓS próprios). / Ele quer fazer uma reunião COM NÓS dois (= numerais). / Ele deixou a decisão COM NÓS que reclamamos da sua proposta.

Atenção!!!
No Brasil, em vez de CONOSCO, ouvimos o famoso COM A GENTE: Ele falou COM A GENTE; Ele saiu COM A GENTE. Entretanto, em textos formais que exijam uma linguagem mais cuidada, devemos usar CONOSCO.

2)
ERRADO
Falávamos HÁ CERCA DE suas ideias.

CERTO
Falávamos ACERCA DE suas ideias.

Explicando…
ACERCA DE significa SOBRE, A RESPEITO DE. Devemos usar HÁ CERCA DE em dois casos: Não nos vemos HÁ CERCA DE dois anos (= Faz CERCA DE dois anos = tempo decorrido); HÁ CERCA DE 20 mil pessoas no estádio (= Existem, aproximadamente, 20 mil pessoas no estádio).

Atenção!!!
Existe a expressão A CERCA DE, usada em três casos:
a) Só nos veremos daqui A CERCA DE 60 dias (= tempo futuro);
b) Estamos A CERCA DE 20 quilômetros da cidade (ideia de “distância”);
c) A CERCA de arame farpado foi trocada (CERCA = substantivo).

3)
ERRADO
Neste momento, VIEMOS informar-lhes as decisões da diretoria.

CERTO
Neste momento, VIMOS informar-lhes as decisões da diretoria.

Explicando…
“Neste momento” significa “agora”. Devemos, portanto, usar o verbo VIR no presente do indicativo, e não no pretérito perfeito. A forma VIEMOS é do pretérito perfeito do indicativo: eu VIM, tu VIESTE, ele VEIO, nós VIEMOS, vós VIESTES e ele VIERAM. O presente do indicativo do verbo VIR é: eu VENHO, tu VENS, ele VEM, nós VIMOS, vós VINDES e eles VÊM.

Atenção!!!
A forma VIMOS pode ser presente do indicativo do verbo VIR ou pretérito perfeito do verbo VER: VIMOS comunicar-lhes as alterações ocorridas no nosso calendário (VIMOS = presente do indicativo do verbo VIR); Ontem, nós VIMOS o jogo pela televisão (VIMOS = pretérito perfeito do indicativo do verbo VER).

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Enem: outras QUESTÕES

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1)
Os versos abaixo foram compostos por Caetano Veloso. Leia-os com atenção.
Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes
(na música Sampa, no site www.letras.terra.com.br/caetano-veloso/41670)

No quarto verso, a presença da preposição a
(a) é exigência dum verbo que a requer em qualquer situação.
(b) é facultativa.
(c) não tem justificativa sintática; trata-se, pois, de elementos de valor estilístico.
(d) decorre da transitividade da palavra velho
(e) evita que a sentença seja entendida de modo diverso do pretendido pelo autor.

2)
(FCC) “O melhor é recorrer ao bom senso”. A mesma regência exigida pelo verbo grifado está na frase:
(a) Estuda seus movimentos e pontos fracos.
(b) Não ostentar joias nem outros objetos de valor.
(c) que coisas ruins só acontecem com os outros.
(d) e andar com bolsas e sacolas junto ao corpo.
(e) A observação do movimento também ajuda.

3)
(FGV) Assinale a frase em que há ERRO no emprego de o ou lhe em relação à norma culta da língua.
(a) O cronista não lhe entregou o texto que prometera.
(b) A leitura daquela crônica decepcionou-lhe.
(c) O cronista o encontrou numa livraria.
(d) Eu o admiro como cronista há muito tempo.
(e) O conteúdo de suas crônicas o entristecia.

GABARITO:
1) E
2) C
3) B

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