Explicando aspectos GRAMATICAIS

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1)
ERRADO
Ele chegou À São Paulo.

CERTO
Ele chegou A São Paulo.

Explicando…
O caso mais comum de crase é a fusão da preposição “a” com o artigo definido feminino “a”. Quando isso ocorre (= crase), colocamos o acento grave (`) indicativo da crase sobre a vogal “a” (= à). No caso do verbo CHEGAR, não há dúvida quanto à presença da preposição “a”, pois quem CHEGA sempre CHEGA “a” algum lugar. A dúvida é o segundo “a”: se existe ou não o artigo “a”.

A dificuldade é saber se o nome do lugar (= país, Estado, cidade etc.) é usado com ou sem artigo. Por exemplo: nós falamos “São Paulo” (= sem artigo), o “Rio de Janeiro” (= com artigo masculino) “o”) e “a Bahia” (= com artigo feminino “a”). Isso significa que “nós chegamos AO Rio de Janeiro” (“ao” = preposição “a” + artigo masculino “o”) e “nós chegamos à Bahia” (= com acento indicativo da crase, porque existe o artigo “a” antes de Bahia).

Atenção!!!
O emprego do artigo antes de nomes de Estados, de países ou mesmo de cidades é vinculado ao uso tradicionalmente estabelecido. Não existem regras de natureza lógica que regulem isso com precisão, como, aliás, ocorre em muitos outros usos idiomáticos.

Sabemos que países como Portugal, Israel, Angola, Cabo Verde, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor não admitem a anteposição dos artigos, diferentemente dos demais.

Os nomes das cidades, com raras exceções, não são antecedidos de artigo. Assim: “Viajou a Milão”, “Veio de Paris”, “Nunca esteve em Lisboa” etc. São exceções consagradas as cidades do Porto (Portugal), do Cairo (Egito), do Rio de Janeiro e do Recife (esta aparece das duas formas, com e sem o artigo).

Já os Estados brasileiros, em sua maioria, são antecedidos de artigo, mas há alguns que repelem o determinante. São eles: Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.

Antes dos nomes dos Estados de Alagoas e de Minas Gerais também não se usa o artigo na maior parte das vezes – em algumas situações, normalmente de uso afetivo, esses nomes aparecem determinados por artigos: as Minas Gerais e as Alagoas.

Dica!!!
Em caso de dúvida, se há ou não o artigo “a”, podemos usar o seguinte “macete”:
1) Se você “volta da” (= preposição “de” + artigo “a”), é porque existe o artigo. Isso significa que você “vai à”;

2) Se você “volta de” (= só preposição “de”), é porque não existe o artigo antes do nome do lugar.

Testando…
1) Você volta DA Bahia, então “vai À Bahia”;

2) Você volta de Brasília, então “vai a Brasília”.

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Como se escreve… no CARNAVAL

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1) ABRE-ALAS
Dicionário “Houaiss”
n substantivo masculino de dois números
Regionalismo: Brasil.
1) adereço, adorno, dístico ou carro alegórico que, durante desfile, movimenta-se à frente de uma entidade carnavalesca (bloco, escola de samba etc.) 2) Derivação: por metonímia. grupo de pessoas que conduz esse abre-alas ou que abre o desfile da entidade carnavalesca.

2) SAMBA-ENREDO
Dicionário “Aurélio”
Substantivo masculino.
1. Bras. Samba de enredo. [Pl.: sambas-enredos e sambas-enredo.]

3) POT-POURRI
Dicionário “Aurélio”
pot-pourri[popuÈÒi] [Fr.]
Substantivo masculino.
1. Mús. Miscelânea de trechos tirados de diversas canções ou outras peças musicais. [Sin. (ingl.): medley.] 2. Mistura de coisas heterogêneas.

4) TAMBOR DE CRIOULA
Dicionário “Aurélio”
Substantivo masculino.
1. Bras. MA Folcl. V. punga2. [Pl.: tambores de crioula.]

5) VELHA-GUARDA
Dicionário “Caldas Aulete”
sf.
1 Grupo dos componentes mais antigos de uma escola de samba (velha-guarda da Mangueira) 2 Grupo de representantes mais antigos em qualquer área de atividade [Pl.: velhas-guardas.]

6) PORTA-BANDEIRA
Dicionário “Aurélio”
Substantivo masculino.
1. Oficial que conduz a bandeira do regimento. [Sin. (ant.), nesta acepç.: alferes.]

Substantivo de dois gêneros.
2. Pessoa que leva uma bandeira em solenidade ou desfile. 3. Porta-estandarte (2): “Procura a porta-bandeira / E põe a turma em fileira” (Herivelto Martins, no samba Laurindo). [Pl.: porta-bandeiras.]

7) MESTRE-SALA
Dicionário “Caldas Aulete”
sm.
1 Mestre de cerimônias. 2 Bras. Destaque de escola de samba que faz par com a porta-bandeira. 3 Ant. Oficial encarregado da etiqueta nas recepções do paço. 4 Ant. Indivíduo encarregado da direção de bailes públicos. [Pl.: mestres-salas.]

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Evitando erros GRAMATICAIS

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1)
ERRADO
Eles não COMPORAM o samba deste ano.

CERTO
Eles não COMPUSERAM o samba deste ano.

EXPLICANDO…
O verbo COMPOR é derivado do verbo PÔR. Os verbos derivados devem seguir os verbos primitivos. Assim sendo, se o verbo PÔR é irregular, todos os derivados (COMPOR, EXPOR, DISPOR, REPOR, ANTEPOR, CONTRAPOR etc.) deverão apresentar as mesmas irregularidades do verbo primitivo. Se a primeira pessoa do singular do presente do indicativo do verbo PÔR é “eu PONHO”, os derivados ficarão: eu COMPONHO, EXPONHO, DISPONHO, REPONHO, ANTEPONHO, CONTRAPONHO etc. Se o verbo PÔR, na terceira pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo, fica “eles PUSERAM”, o certo será: eles COMPUSERAM, EXPUSERAM, REPUSERAM…

ATENÇÃO!!!
O verbo REQUERER parece ser derivado do verbo QUERER, mas não é. REQUERER não é “querer de novo”. Nos tempos do pretérito, o verbo REQUERER é regular. Não segue, portanto, as irregularidades do verbo QUERER. O pretérito perfeito do indicativo do verbo QUERER é: eu QUIS, tu QUISESTE, ele QUIS, nós QUISEMOS, vós QUISESTES e eles QUISERAM. O verbo REQUERER, por ser regular, fica: eu REQUERI, tu REQUERESTE, ele REQUEREU, nós REQUEREMOS, vós REQUERESTES e eles REQUERERAM. Isso significa que, na frase “o aluno REQUIS isenção de matrícula”, o verbo está mal empregado. O certo é “o aluno REQUEREU isenção de matrícula”.

2)
ERRADO
As lentes dos seus óculos eram VERDES-ESCURAS.

CERTO
As lentes dos seus óculos eram VERDE-ESCURAS.

EXPLICANDO…
Quando o adjetivo é composto, somente o último elemento se flexiona (= vai para o feminino e para o plural): São questões TÉCNICO-CIENTÍFICAS; Literatura LUSO-BRASILEIRA; Problemas SOCIOPOLÍTICO-ECONÔMICOS; Candidatos SOCIAL-DEMOCRATAS; Cultura GRECO-LATINA; Blusas AZUL-CLARAS…

ATENÇÃO!!!
As cores compostas só fazem plural quando o segundo elemento é CLARO ou ESCURO: Lentes VERDE-ESCURAS; Blusas AZUL-CLARAS. Quando o segundo elemento for um substantivo exercendo a função de um adjetivo, a palavra torna-se invariável, ou seja, não apresenta flexão nem de gênero nem de número: Calças VERDE-GARRAFA, VERDE-OLIVA, VERDE-MUSGO; Camisas AZUL-PISCINA, AZUL-CÉU, AZUL-MAR; Blusas AMARELO-OURO, VERMELHO-SANGUE, ROSA-CHOQUE, MARROM-BOMBOM…

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Alguns enganos GRAMATICAIS

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1)
ERRADO
Fui eu que FEZ o trabalho.

CERTO
Fui eu que FIZ o trabalho.

Explicação…
Quando o sujeito for o pronome relativo QUE, o verbo deve concordar com o antecedente:
Fui eu que FIZ; Foste tu que FIZESTE; Foi ele que FEZ; Fomos nós que FIZEMOS; Foram eles que FIZERAM; Este são os empregados que FIZERAM o trabalho.

Atenção!!!
Com o pronome relativo QUEM, temos duas opções: Fui eu quem FIZ o trabalho ou Fui quem FEZ o trabalho. O verbo pode concordar com o antecedente (EU quem FIZ) ou flexionar na terceira pessoa do singular, concordando com o pronome QUEM (eu QUEM FEZ).

2)
ERRADO
Eu fiquei fora de SI.

CERTO
Eu fiquei fora de MIM.

Explicação…
O pronome reflexivo SI (sujeito pratica e sofre a ação verbal = ideia de A SI MESMO) é de terceira pessoa: ELE ficou fora de SI; ELA feriu A SI MESMA; VOCÊ iludiu A SI MESMO; ELES ficaram fora de SI; ELAS feriram A SI PRÓPRIAS. Na primeira pessoa do singular, devemos usar o pronome MIM: EU fiquei fora de MIM; EU feri A MIM MESMO. Pior é o famoso “NÓS SE ferimos”. O sujeito (= NÓS) está na primeira pessoa do plural e o pronome SE É de terceira pessoa. O certo é: NÓS NOS ferimos e ELE SE feriu.

Atenção!!!
Quando devemos usar ENTRE SI ou ENTRE ELES?
A diferença é a seguinte:
a) devemos usar ENTRE SI somente quando o sujeito pratica a ação verbal: Os lutadores brigavam ENTRE SI (“os lutadores” é o termo que exerce a função de sujeito da oração = pratica e recebe a ação de “brigar”);

b) usamos ENTRE ELES quando o sujeito é um e o complemento é outro: Nada existe ENTRE ELES (= o sujeito é “nada”, e o complemento é “entre eles”).
Outros exemplos:
Os políticos discutiam ENTRE SI; Eles repartiram o prêmio ENTRE SI MESMOS; O prêmio foi repartido ENTRE ELES.

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Como se escreve… ANO-NOVO ≠ ANO NOVO

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Ano-Novo ou ano-novo refere-se à virada do ano, à festa de entrada. Ano novo é o novo ano, refere-se à totalidade do ano novo: “Feliz Ano-Novo e próspero ano novo”.

Ano-novo
Você sabia que a palavra Ano-novo pode significar duas coisas: a primeira delas é que pode ser sinônima de “Réveillon”, ou seja, o primeiro dia do ano. Para esse caso, escreve-se com hífen “Ano-novo”. O segundo significado é novo ano, ou seja, o ano que será transcorrido após o “Réveillon”. Para esse caso, escreve-se sem hífen!

“REDAÇÃO FORENSE E ELEMENTOS DA GRAMÁTICA” de Eduardo de Moraes Sabbag
Ele agiu com sangue-frio no ano-novo.
Devemos tomar cautela com vocábulos que comportam duplo sentido: um sentido real (sem hífen) e um sentido figurado (com hífen). Se queremos afirmar que o sangue está frio, usaremos “sangue frio”, sem hífen. No entanto, se pretendemos nos referir à calma, utilizaremos o termo “sangue-frio”, com hífen.
Da mesma forma, distinga-se “cachorro-quente” (sanduíche) de “cachorro quente” (= animal aquecido); entre outras expressões. Nesse rumo, é imperioso ressaltar que a expressão designativa da meia-noite do dia 31 de dezembro, isto é, do ano entrante é o substantivo masculino “Ano-novo”, com hífen. Tal ortografia recebe a chancela de bons dicionários e do próprio Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp 2009). Portanto, podemos falar à vontade: “Feliz Natal e próspero Ano-novo!”. Plural: anos-novos.

DICIONÁRIO “AURÉLIO”
ano-novo
Substantivo masculino.
1. O próximo ano; o ano entrante: “Estamos com sono, vamos dormir. Damos boa noite, bom ano-novo, eu abraço meu tio.” (Ricardo Ramos, Matar um Homem, p. 168.) 2. A meia-noite do dia 31 de dezembro; ano-bom. 3. O dia primeiro de janeiro; ano-bom. [Pl.: anos-novos.]

DICIONÁRIO “CALDAS AULETE”
ano-novo (a.no-no.vo) [ô]
sm.
1 Ano que começa 2 Dia 1º de janeiro ; ANO-BOM. [Pl.: anos-novos [ó].]

DICIONÁRIO “HOUAISS”
ano-novo
Acepções
■ substantivo masculino
1 ano entrante 2 meia-noite do dia 31 de dezembro; ano-bom 3 dia primeiro de janeiro; ano-bom

Gramática
pl.: anos-novos

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REFLETINDO… FELIZ NATAL!!!

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Natal: tempo de brincar com a caixa*

O tempo atual é de crise. A incerteza quanto ao futuro pesa sobre os ombros de todos com a ameaça de menor atividade econômica e desemprego. Mas o tempo é também de festa, uma festa cristã há muito associada a dar e receber presentes: o Natal. Podemos, portanto, usar a oportunidade da atual crise para repensar o papel do Natal, uma festa que passou a ser uma celebração do consumo, muitas vezes de excessos e desperdícios.

Esta talvez seja uma hora propícia para considerar como seria um Natal, uma festa em família ou entre amigos em que os desejos de consumo ficassem em segundo plano. Uma boa hora para refletir como seria o encontro com as pessoas que amamos se não houvesse a intermediação dos objetos, das coisas, dos presentes materiais. Refletir sobre o desafio de usar a imaginação e a criatividade para criar momentos felizes tendo como principais valores a simplicidade, os sentimentos e a descoberta do que é realmente importante na vida.

Aliás, como fazem as crianças, especialmente as muito pequenas. Ao ganharem um brinquedo, divertem-se muito mais brincando com a caixa do que com o próprio brinquedo. Que tal se você parasse para pensar em qual seria “a caixa” e seu Natal? Algo de valor simbólico que lhe fizesse lembrar deste Natal como uma festa especial, guardada para sempre em sua memória.

Lembro-me de um Natal com meus pais em que pedi a cada um dos membros da família que trouxesse um texto para ler na ceia, um texto próprio ou escrito por um terceiro, e que tivesse um significado especial. Nunca me esqueci daquele Natal, dos textos emocionados que cada um trouxe e que se tornaram a atração principal, muito mais do que os presentes. Lembro-me dos textos. Não lembro quais foram os presentes.

Os presentes têm o papel de traduzir o afeto que sentimos pelos outros. Por isso mesmo, na hora de presentear, por que não pensar em algo que de fato reflita o que sentimos pelo outro? Em vez de recorrer aos produtos padronizados disponíveis nos shoppings, por que não pensar em presentear a quem amamos com algo feito por nós mesmos? Ou com algo que mostre que pensamos naquela pessoa de um modo especial?

Tenho um amigo, por exemplo, que gosta muito de goiabada com queijo. Tenho certeza de que se eu o convidasse para uma ceia de Natal em que houvesse uma boa goiabada com um ótimo queijo minas ele jamais esqueceria esse fato, pensado com carinho exclusivamente para ele. Será que o que vale ser vivido não é aquilo que será lembrado?

Talvez possamos, neste Natal, iniciar uma nova forma de pensar o consumo, a forma que deverá ser a
predominante no futuro, em que substituiremos, cada vez mais, o consumo material pelo consumo imaterial, intangível, simbólico.

Uma mudança necessária, dado que, já hoje, a humanidade consome 30% a mais do que o planeta é capaz de renovar.

O mundo só será sustentável no momento em que repensarmos o estilo de vida atual, com excesso de consumo, que usa recursos naturais finitos como se infinitos fossem.

É preciso iniciar um novo tempo, com novos Natais, em que iremos presentear as pessoas não com objetos, mas com experiências: um bilhete de ônibus para um passeio ao centro da cidade, um ingresso para uma bela exposição em um museu, um texto que nos emocionou, uma palavra sincera de carinho pensada especialmente para cada pessoa. Natais em que o único consumo exagerado será o de coisas que, como por milagre, quanto mais consumimos, mais se multiplicam: amor, beleza, alegria, carinho e amizade.
Dessa forma, o presente para o outro se transforma em presente para nós mesmos, pela alegria de nos expressarmos e de compartilharmos nosso carinho e querer bem.

O Natal, assim, celebraria de fato o nascimento de algo novo, de uma nova proposta para a vida.
E não é esse, afinal, o verdadeiro significado do Natal?
(* “Folha de S. Paulo”, 19/12/2008 – HÉLIO MATTAR)

Bem… FELIZ NATAL!!!

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Evitando erros GRAMATICAIS

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AMPLIAR
É pleonástica a forma AMPLIADO POR MAIS UM MÊS, porque o verbo já tem o sentido de AUMENTAR. Portanto, em vez de O PRAZO FOI AMPLIADO POR MAIS UM MÊS, usa-se O PRAZO FOI AMPLIADO EM UM MÊS.

JUNTO AO
Embora usual, é impróprio o emprego da expressão JUNTO A(O) em frases como “O processo deu entrada JUNTO AO tribunal”. Fica melhor dizer “O processo deu entrada NO tribunal. Da mesma forma, “O Vasco conseguiu contratar Douglas do Grêmio (não: JUNTO AO Grêmio); A imagem da Petrobras precisa ser melhorada entre os cidadãos (não: JUNTO AOS cidadãos); A reclamação foi apresentada ao Procon (não: JUNTO AO Procon).

PERDA / PERCA
PERDA é substantivo: Houve uma PERDA irreparável. PERCA é verbo: É preciso que você PERCA dois quilos.

SOB / SOBRE
SOB significa “debaixo de”. SOBRE quer dizer “em cima de” ou “a respeito de”. Assim, são incorretas as frases “Ficou SOBRE a mira do assaltante”. / SOBRE esse ponto de vista, você está certo (o certo é SOB a mira e SOB esse ponto de vista).

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Erros GRAMATICAIS

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1)
ERRADO
Não há PORQUE IMPEDÍ-LO.

CERTO
Não há POR QUE IMPEDI-LO.

São dois erros. Sempre que houver a palavra “motivo” antes depois da palavra PORQUE, ou mesmo subentendida, devemos escrever POR QUE (separado): Desconheço o motivo POR QUE ele desistiu. / Não sei POR QUE motivo ele viajou. / Não há (motivo) POR QUE impedi-lo.

O outro erro é o acento agudo de IMPEDÍ-LO. Não acentuamos, graficamente, as palavras oxítonas terminadas em “i”: Parati, aqui, eu parti, adquiri-lo, servi-lo…

Atenção!!!
Devemos usar acento agudo sobre a vogal “i”, se ocorrer um hiato com a vogal anterior: Icaraí, eu saí, destruí, atraí-lo…

2)
ERRADO
A filha CASOU com um rico empresário maranhense.

CERTO
A filha CASOU-SE com um rico empresário maranhense.

O verbo CASAR-SE é pronominal, ou seja, deve estar sempre acompanhado do pronome: eu ME CASEI, tu TE CASASTE, ele SE CASOU, nós NOS CASAMOS, vós VOS CASASTES e eles SE CASARAM.

Atenção!!!
Se quiser, você pode SENTAR NA MESA, mas… O que você pode fazer é SENTAR-SE À MESA. Temos, portanto, dois problemas. O primeiro é o uso errado do verbo SENTAR, que, no sentido de TOMAR ASSENTO, é pronominal. Portanto, eu ME SENTEI, ele SE SENTOU.

3)
ERRADO
Eis as cláusulas que FALTAVAM incluir no contrato.

CERTO
Eis as cláusulas que FALTAVA incluir no contrato.

O verbo FALTAR deve ficar no singular para concordar com o seu sujeito (= incluir no contrato). O que FALTAVA era “incluir as cláusulas no contrato” e não “as cláusulas”.

Atenção!!!
FALTA ou FALTAM cinco minutos para acabar o jogo? Embora muitos digam “FALTA cinco”, o certo é FALTAM cinco minutos. O verbo FALTAR deve ir para o plural para concordar com o seu sujeito plural (= cinco minutos). Não podemos confundir os casos. Em “Falta resolver cinco questões”, o verbo FALTAR deve ficar no singular porque o seu sujeito é “resolver cinco questões”. Não são “cinco questões” que faltam. O que falta é resolver as cinco questões. Para ficar mais claro: FALTAM cinco questões e FALTA resolver cinco questões.

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Lembrando… PAULO NASCIMENTO MORAES

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UM EXEMPLO A SER SEGUIDO

Não é só ser eleito. Não é só receber a homenagem consagradora do eleitorado e dos amigos. Não é só fixar-se no centro das atenções. Não é só beneficiar-se da vitória, gabar-se dela. Não é só registrar as homenagens, ser alvo delas, banquetear-se, receber a valorização, do elogio, da apoteose dos seus admiradores, dos que ajudaram a “grande vitória”. Não. Isto é o menos. Mas o que vai valer mesmo é a conduta, a presença do homem no cargo. Sua posição de luta, de empreendimentos, de realizar, de impor, de ser útil. Não é chegar, ser empossado e pronto. É chegar, chegando com uma ordem ampla de serviço, chegar com um programa administrativo, chegar tomando conhecimento da situação que encontrou. E dela fazer a publicidade. Corrigir. Devassar tudo. Pôr as coisas nos seus lugares. Punir os faltosos. O povo tem que saber de tudo. O povo que ficou todo um tempo sabendo dos erros, das roubalheiras, das negociatas etc., tem o direito de ter conhecimento com o seu candidato encontrou a “coisa pública”. O cargo público que ele vai exercer. O bom senso indica isto. Não é chegar, empossar-se, dar início a um trabalho sem ter “arrumado” a carteira, sem ter olhado tudo, sem ter dito como achou o “cargo” e se havia ou não a distorção, a chantagem, a falcatrua, o roubo, a irregularidade, as prestações de conta fabulosa, enxertadas, emendadas, falseadas, desfiguradas etc.
E isto não é perseguir, não é odiar, não é ir à desforra. Não. É legalizar. É corrigir. E mais: ser honesto. É ser digno.
E o exemplo desta atitude, desta posição certa está com o prefeito de São José de Ribamar, o dr. José Silva. O novo prefeito chegou e foi olhar tudo. Foi arrumar a CASA e encontrou-a suja, desarrumada, com as portas frouxas, com as fechaduras viciadas, com um cofre vazio! E o prefeito tomou as providências sérias. Nomeou uma comissão especial para examinar tudo, dar um balanço em toda a escrita da Prefeitura de São José de Ribamar. Sabia-se cá fora que por lá havia muita coisa feia. Havia irregularidades, havia trapaça, chantagem, o diabo. E o dr. José Silva entrou “duro”, determinou a apuração. Sim, era preciso que se soubesse de tudo, que o povo soubesse de tudo. Era preciso. E a tal comissão especial composta pelos srs. Raimundo da Costa Silva, José Maciel de Matos e Raul Fabriciano, no fim de tudo, de ouvir uns e outros, de examinar toda a papelada, os documentos, chegou à conclusão de que tudo estava tremendamente errado. Tudo muito comprometedor. Os cruzeiros num desfile desordenado de curvas e quebradas! Uma ou umas prestações de conta com o registro de informações fantásticas. Pagamento que não foram feitos, mas que foram feitos, gente que recebeu o que não recebeu nada. Um quebra-cabeça complicadíssimo. Tem de tudo. Até as verbas de representação dos vereadores tidas como pagas foram contestadas por alguns membros deste Poder! Pagamentos que não foram feitos, mas que “foram feitos”. Verbas que desapareceram, saíram, tomaram outros endereços! Tudo assim, assim chocante, assim destroçado.
O sr. prefeito de Ribamar vai ou já mandou abrir inquéritos. Sim e que apareçam os “donos do bois”! Tem que aparecer o responsável pela “extravagância”. Tem que haver “claridade nesta escuridão” da Prefeitura de Ribamar. Tudo tem que ficar nitidamente esclarecido. Cadeia não foi feita só para o miserável que rouba sobre o cerco da fome, da sede, da miséria. Não. É preciso que haja, de fato, a punição, que tudo seja posto em “prato limpo”. E isto, repetimos, não é perseguir.
Com o dr. José Silva, o prefeito de São José de Ribamar, o exemplo a ser seguido.
(publicado no JORNAL DO DIA / 30 DE NOVEMBRO DE 1965)

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Aniversário… PAULO NASCIMENTO MORAES

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NASCIMENTO DE PAULO NASCIMENTO
José Chagas

Paulo de Tarso Moraes, que organiza esta página comemorativa, é filho de Paulo Augusto Nascimento Moraes. Sou amigo do pai e do filho e vejo o cuidado e o carinho com que o filho procura tratar a memória do pai. Mas, pensando bem, podemos, antes de tudo, afirmar que ambos estão vivos, pois nenhum pai morre, se fica na lembrança de um filho, nem morre na recordação ou na saudade dos amigos. A data de hoje, 23 de novembro, é a de aniversário do pai, que completa noventa e um anos de nascido. Paulo Nascimento Moraes, como se vê, já traz o nascimento no próprio nome. Mas os que gostam de assassinar as pessoas, até no campo da memória, diriam logo: completaria noventa e um anos, “se vivo fosse”. E eu gostaria de perguntar a esses o que eles entendem por “estar vivo”. Eis uma questão aparentemente banal, mas de profunda motivação para os que têm uma idéia do que seja verdadeiramente viver.
Há pouco se lia e se ouvia, repetidamente, nos meios de comunicação, quando se comemorava o centenário de nascimento de Ary Barroso, que aquele compositor faria, agora em 2003, cem anos, se vivo fosse. Não é curioso que se demonstre todo o empenho de festejar o centenário de nascimento de uma pessoa, mas esclarecendo que ela só faria os cem anos, se estivesse viva? E qual a importância que tem o tempo, nesse caso? Ninguém vive tempo. Ora, estavam falando exatamente do que ele, por sinal, tem de mais vivo, de mais evidente em sua perenidade, que é seu espírito, sua capacidade criativa, expressa nas suas obras, comprovando que sua presença espiritual está agora não só no plano sobrenatural como definitivamente entre nós. Do contrário ninguém estaria sequer tendo lembrança dele. E, a essa altura, que sentido têm para nós os seus restos mortais, já transformados em pó, se podemos contar com a totalidade de sua vivência e com todo o brilho de seu talento, para sempre? Ele está mais vivo hoje do que muitos que o festejaram e que, a rigor, nem sabiam o que estavam festejando.
Entender que alguém só está vivo enquanto fisicamente presente, isto é, em corpo, em esqueleto, ou investido de uma carcaça destinada ao apodrecimento, convenhamos em que é coisa de uma burrice mortal. Não há estupidez maior do que imaginar que a vida consiste apenas na substância palpável do lixo ou do entulho que carregamos, durante nossa passagem na terra. A matéria existe, a matéria não vive. Há, porém, os que acham que sua vida é isso. Tanto que muitos nem percebem o paradoxo a que se expõem, sempre que falam de vida e morte. Quando empregam a expressão – se vivo fosse – em relação a uma pessoa fisicamente ausente e a quem se pretende homenagear, asseguram, com isso, que ela está morta. E o que é então que passam a homenagear? Já pensaram, por exemplo, no caso de um católico, desses bem fervorosos, dizendo, agora pelo Natal, que Cristo faria 2003 anos, se vivo fosse?
Bem, eu não estou aqui para falar de Ary Barroso nem de Cristo, mas do aniversário do meu amigo Paulo Nascimento Moraes, pai do meu também amigo Paulo de Tarso Moraes. O filho em nome do pai, o pai em nome do filho, vidas que se continuam, que se integram, que vão além da memória, com os sonhos de um a crescerem na lembrança do outro. E Paulo, o pai, é também presença em mim, como um parente legitimado pela amizade de longos anos. Um irmão de alma. Não é outra a razão por que o filho me procurou para comunicar o seu trabalho de pesquisa, no levantamento das atividades do pai, em livros, jornais, revistas e por meio de depoimentos de pessoas amigas.
Ele busca o pai professor, o pai jornalista, o pai poeta, o pai imortal, não apenas por haver pertencido à Academia de Letras, mas pela sua específica individualidade de senhor de si mesmo. Busca também o pai que figurou como um dos últimos componentes de uma geração de boêmios, mas de salutares boêmios que encheram a cidade de alegres histórias, que a povoaram de sonhos impossíveis e de uma leve poesia que estava mais nos gestos do que nas palavras. Em verdade, lembrar Paulo é lembrar muitas outras figuras de seu tempo e por conseqüência todo o patrimônio sentimental de uma São Luís, diluída já hoje na sua história e na sua geografia. Mas uma São Luis que renasce também, nesta data, por força do espírito de quem a amou, com a mais profunda ternura, e pela nossa memória estende o seu exemplo, como uma esteira de clara vivacidade humana, rastros que iluminam a caminhada do filho. Meus parabéns a ambos, tão vivo um quanto o outro.

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