Festival de Cinema Francês em São Luís

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São Luís recebe edição do Festival Varilux de Cinema Francês. O evento nacional terá 15 filmes exibidos no Cine Lume, de 10 a 17 de junho.

Filme Samba no cast do Festival Varilux, em São Luís. Divulgação

Filme Samba no cast do Festival Varilux, em São Luís. Divulgação

Maior mostra de filmes franceses realizada no Brasil, o Festival Varilux de Cinema Francês 2015, que ocorrerá de 10 a 17 de junho, confirmou a participação do Cine Lume em sua programação. Esta será a primeira vez que o cinema, de cunho e independente, participa do festival.

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Nóis de Teatro do CE nas ruas da Fé em Deus, em SLZ

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A Associação Artística Nóis de Teatro, com o patrocínio da Petrobras, apresenta a intervenção urbana “O JARDIM DAS FLORES DE PLÁSTICO- ATO 3: POR BAIXO DO SACO PRETO” pela periferia de São Luis- MA. Neste sábado, 30 de maio, a partir das 18 horas, o Nóis de Teatro vai percorrer as ruas da comunidade Fé em Deus, com a intervenção urbana que foi vencedora do 3º Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro Brasileiras (realizado pela CADON em parceria com a PETROBRAS).

O Nóis de Teatro é um grupo de teatro de rua existente desde 2002 na periferia de Fortaleza - Ceará. Vai percorrer as ruas da Fé em Deus, em São Luis, a partir das 18h deste sábado, dia 30/5.

O Nóis de Teatro é um grupo de teatro de rua existente desde 2002 na periferia de Fortaleza – Ceará. Vai percorrer as ruas da Fé em Deus, em São Luis, a partir das 18h deste sábado, dia 30/5.

O terceiro ato da intervenção urbana “O Jardim das Flores de Plástico” saúda a rua num grande cortejo cênico, investigando e dialogando com e na periferia. Marcados pelo ritmo dolente do maracatu cearense, o “Jardim” vai tomando as ruas com sua espetacularização do cotidiano. Como nas intervenções anteriores, a dor, o confronto e o conflito se estabelecem dentro de relações bem mais complexas daquilo que se vê, se sente, se reflete.

Assim como no carnaval, os cortejos seguem pelas ruas do bairro, fazendo paradas, pequenas estações até seu ponto final. Rostos com negrume marcam a curiosidade de quem vê a morte como show, veiculado na TV ou em
celulares. Misturando cenas caóticas, parecendo propagandas de TV e cenas de realidade/ sonho/ pesadelo, marcamos com nossa arte cada estação encenada. Pernas de pau dão a grandeza alegórica da nossa história, de nossa periferia. A mãe, a fofoqueira, os curiosos por mais uma morte, tudo vem para mostrar aquilo que temos, aquilo que somos ou poderemos ser. O Homem de Branco é nosso inimigo. O Homem de Branco é nosso inimigo?

Histórico

O Nóis de Teatro é um grupo de teatro de rua existente desde 2002 na periferia de Fortaleza – Ceará. Nesses 13 anos, o grupo resiste em sua comunidade desenvolvendo projetos culturais no Território de Paz do Grande Bom Jardim tornando-se referência nacional de trabalho artístico desenvolvido em periferia.

Composto por artistas e ativistas em sua maioria negros, o Nóis carrega ampla experiência estética de luta social onde, a partir do olhar sobre a periferia da cidade, constrói uma relevante ação cultural no estado. A pesquisa estética do grupo tem como matriz um olhar político sobre a sociedade, apoiando-se na poética democrática dos espaços públicos como lugar de encenação e descobertas. As vertentes do Teatro do Oprimido e do Teatro Épico Dialético e suas interfaces com a performance do ator de rua tem sido o mote para a sua
construção poética, refletida no seu atual repertório de espetáculos: “A Granja”, “Sertão.doc”, “Quase Nada”, “Todo Camburão Tem Um Pouco de Navio Negreiro”, além das performances anuais da sua intervenção urbana “O Jardim das Flores de Plástico”.

Para a montagem do ato 3: “Por Baixo do Saco Preto”, o Nóis contou também com a participação especial de artistas integrantes dos grupos Teruá e Coletivo de Culturas Juvenis, ambos também atuantes nas periferias da cidade.

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São Luís vai sediar Encontro de Cidades Patrimônio

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Por intermédio da Secretaria de Estado de Turismo, o Maranhão vai sediar o Encontro Nacional das Cidades Patrimônio Mundial da Unesco.

Praia Grande. Arquivo

Praia Grande. Arquivo

O evento será realizado em São Luís nos dias 19, 20 e 21 de agosto para avaliar como os investimentos do PAC Cidades Históricas contribuirão com o desenvolvimento dos municípios beneficiados.

Estarão presentes representantes dos governos municipais, estaduais e federais.

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I Jahman está na Ilha. O show é sexta, dia 29/5

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I Jahman já está na ilha. O músico jamaicano faz show nesta sexta-feira, dia 29/5, no Cais da Alegria (Anel Viário). Ele conversou com o radialista Valdiney, no programa Reggae Point, na Mirante FM, onde se justificou sobre o adiamento do show em São Luís, que aconteceria na última sexta-feira (dia 22).

Músico I Jahman conversando com o radialista Waldney, no Reggae Point, acompanhado de Dinamarck e Nelson, organizadores do evento.

Músico I Jahman conversando com o radialista Waldney, no Reggae Point, acompanhado de Dinamarck e Nelson, organizadores do evento.

O motivo, segundo o artista, foi a preocupação com a saúde da filha que passa por uma recuperação e não pode acompanhá-lo juntamente com a esposa na viagem. Com os pensamentos focados nesta situação (que convenhamos é delicada) acabou por perder o voo. Além disso, soma-se a demora e dificuldade em remarcar uma nova passagem aérea. Assim, I Jahman chegou aos solos brasileiros um dia depois do esperado, onde fez show no último sábado (23/5), em Teresina (23/05), capital piauiense. Depois veio direto para São Luís.

O show de I Jahman está sendo aguardado com expectativa pelos fãs. Durante o programa Reggae Point, I Jahman também falou da sua trajetória musical, da amizade que teve com Bob Marley, sobre o repertório que irá apresentar e outros detalhes relativos ao show. Tudo esclarecido, o que resta é aguardar o Dia D com o jamaicano.

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Bate-papo: Valeu molecada !

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O homem necessita comunicar para progredir, quanto mais avançada for a capacidade de comunicação de um conjunto de indivíduos mais rápida será a sua progressão. Foi o que aconteceu na manhã dessa terça-feira (26/5), no Centro Educacional Anexo do Jardim São Cristóvão. Procuramos em quase uma hora e meia, partilhar, trocar ideias, enfim democratizar a informação.

Auditório do CE Anexo Jardim São Cristóvão lotado.

Auditório do CE Anexo Jardim São Cristóvão lotado.

Intercâmbio

Uma experiência valiosa. Assim defino o contato com estudantes do Centro Educacional Anexo Jardim São Cristóvão, escola pública estadual, o qual fui convidado pela direção da escola para conversar com os alunos sobre “O que é Jornalismo e a Função Social do Jornalista”. O bate-papo faz parte de um projeto desenvolvido na escola. Profissionais de diversas áreas falam de suas experiências, servindo como um estimulante para os jovens estudantes, que ainda não sabem ou estão em dúvida qual a trajetória profissional a seguir depois de encerrar o Ensino Médio.

Incertezas

O que fazer no primeiro ano depois do fim do Ensino Médio ? Parece que a trajetória já está traçada: o jovem termina o Ensino Médio, presta o vestibular, ingressa na universidade, procura um estágio e pronto – foi dada a largada para a sua vida profissional. Mas esse passo a passo aparentemente óbvio nem sempre é o ideal. É preciso avaliar caso a caso: pode ser que o adolescente se beneficie de um intervalo entre a escola e o curso superior ou, dependendo da situação familiar, que a entrada para o mercado de trabalho seja a melhor opção no momento.

O importante, porém, é que esse rito de passagem não passe em branco – mesmo que não mude de cidade para estudar ou estreie a carteira profissional, o jovem deve ganhar mais deveres. A maioridade, afinal, traz responsabilidades.

Muitos pais costumam proteger os adolescentes da parte chata da vida, por isso eles acabam ficando infantilizados. E faz parte da adolescência só querer a parte boa: a liberdade trazida pela idade, mas não as obrigações.

E quais seriam essas obrigações? Usar o carro para fazer um favor para os pais e não só para passear com os amigos é um exemplo. Ajudar na arrumação da casa é outro. Mas, certamente, o maior de todos – e mais assustador – não dá para driblar: a escolha da profissão.

 

Celebração com corpo docente e discente da escola.

Celebração com corpo docente e discente da escola.

Sabatina

Quando sabatinado pelos alunos sobre a escolha em ser jornalista ? Se o Jornalismo é uma profissão que dá dinheiro ? Se foi por influência de família ? Quais as conquistas e os desafios enfrentados na profissão ? E o que o jornalismo representava para mim ? Procurei de maneira simples e direta responder a todos os questionamentos. Resolvi pontuar e enumerar alguns tópicos do que foi conversado no auditório da escola e acrescentar mais algumas palavras, ideias, nesta quarta-feira (27/5), data em que se festeja o Dia Mundial dos Meios de Comunicação.

1). Escolhi fazer jornalismo porque sempre gostei de rádio. E na época em que fiz vestibular e fui aprovado na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), onde não existia a Habilitação em Rádio. Portanto, optei pelo Jornalismo que me abriu um leque maior. E nessa trajetória com a comunicação tenho o rádio como a referência, a minha grande cachaça, mas procurei convergir com o impresso redigindo para o Jornal e Portal.

2). Destaquei que em qualquer profissão se você não tiver conhecimento aprofundado de causa e não for articulado não será reconhecido, e logo não será um profissional bem remunerado. Defendo a tese que o profissional dos dias atuais deve ser multifacetado, exercer outras atividades, o que na comunicação é chamado, de “multimídia”, por convergir com os diversos veículos de comunicação simultaneamente. Agora, é necessário que haja aptidão com essas atividades, que elas se correlacionem, tenham afinidades, em que uma seja extensão da outra, e que cada uma delas sejam bem executadas. E mais, não se deve apenas desenvolver funções diversas, mas buscar a valorização recebendo por cada uma das atividades exercidas. Deixei bem claro que informação se vende, não como “Jabá” (jargão muito usado no rádio para quem vende o trabalho barganhando coisas), ou por meio de interesses inescrupulosos, mas, sim, pela força de um trabalho honesto, ético e feito com responsabilidade.

3). A família para mim é algo muito importante. É a célula, matriz, de todo o desenrolar da vida. Mas, no meu caso sempre convivi em um seio familiar em que as opiniões são discutidas de forma coletiva, integradas, mas a decisão é pessoal. Sugestões boas, sempre, são dadas, mas o livre arbítrio é o que prevalece. A chamada liberdade de expressão, o efeito democrático, das diferenças ideológicas que devem ser respeitadas, em que todo o processo deve começar no lar. Pois bem, quanto a escolha pelo curso de jornalismo surgiu em minha vida como vocação. Tentei ser médico, não porque Medicina dá status ou se ganha muito dinheiro, mas porque era uma profissão que me despertava interesse por cuidar e salvar vidas.

Enfim, acabou se tornando uma segunda opção. Adotei o jornalismo, pois ouvia rádio em São Luís desde a adolescência, e sempre achei interessante a arte de comunicar para as pessoas. Era daqueles que acreditava no imaginário popular do rádio, e visualizava que haviam pessoas dentro daquele objeto. Enfim, acabei descobrindo ser o rádio um veículo formidável, que aproxima o emissor do receptor pela instantaneidade, a clareza e a interação.

4). Eu costumo dizer que trabalhando no rádio eu mais ganhei do que perdi. Nessa trajetória com o veículo eu sempre procurei me reinventar para enfrentar os desafios de um mundo que gira, a linguagem se transforma e uma tecnologia que se renova a todo instante. E já que o tempo é implacável, aderi a máxima que: “o meu tempo é o hoje”. Essa é a sacada que o profissional da comunicação, oude qualquer outra profissão, deve absorver para se manter vivo em um mercado que tem data de validade, para os que ficam em zona de conforto, deitado em berço esplêndido, esperando o jacaré de boca aberta. Agora, para que isso aconteça é necessário que voce se permita as mudanças, que saiba aceitar o novo. Quem segue essa corrente, acredito, que tenha uma vida mais longa na profissão.

5). Sempre procurei entender que o jornalista também é um Educador, assim como o professor em sala de aula. Formamos opinião. Naturalmente, existem os bons e maus profissionais. O jornalista notável é aquele adota uma receita simples para viver com dignidade e ter credibilidade junto à legião de pessoas que o acompanha, diariamente, no exercício da profissão: seriedade, compromisso com a verdade e responsabilidade social. O bom jornalista tem que perceber que ele é um soldado da informação e está no mundo não a passeio, mas sim a serviço.

Comungando com o Corpo Docente do CE Anexo Jardim São Cristóvão.

Comungando com o Corpo Docente do CE Anexo Jardim São Cristóvão.

Uma Luz no Fim do Túnel

E pra fechar o bate-papo, uma das alunas perguntou qual o recado que deixaria a eles como jovens, cheio de sonhos e em busca de uma realização profissional. Fui categórico em afirmar que um bom aluno para se tornar um excelente profissional têm que absorver bons valôres. Portanto, é essencial valorizar a família, a escola e buscar conhecimento, que é tatuagem da alma. Eu fechei fazendo com que eles refletissem que na educação existem três requisitos: a curiosidade, a necessidade, a Oportunidade.

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Carnaval de São Luís em debate

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O Carnaval de Passarela de São Luís em debate nesta quarta-feira, dia 27/5. O Seminário de Avaliação do Carnaval 2015 ocorre durante o dia no hotel Abeville, localizado na avenida Marechal Castelo Branco, no São Francisco.

Passarela do Samba, no Anel Viário/Arquivo

Passarela do Samba, no Anel Viário/Arquivo

 

Entre os palestrantes o diretor de evento da Riotur, Luiz Gustavo Mostof. Ele vai apresentar o case de sucesso do carnaval carioca. O professor doutor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), também, carnavalesco, Eugênio Araújo, participa do debate.

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Visões de um Poema Sujo em cartaz a partir desta 5ª

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A exposição “Visões de um Poema Sujo”, do fotógrafo Márcio Vasconcelos, entra em cartaz nesta quinta-feira (28/5), a partir das 19h, no Museu de Artes Visuais (Praia Grande). A mostra tem texto de apresentação do poeta Celso Borges, que também dirige a performance dos atores Áurea Maranhão e Cláudio Marconcine. A discotecagem fica por conta de Jorge Choairy.

Foto: Márcio Vasconcelos/Visões de um Poema Sujo.

Foto: Márcio Vasconcelos/Visões de um Poema Sujo.

O trabalho descobre e recria uma São Luís, a partir do poema inspirado escrito há 40 anos. Estarão expostas 60 fotografias inspiradas no “Poema Sujo”, a obra-prima escrita pelo poeta maranhense, radicado no Rio de Janeiro, escrita em Buenos Aires, Argentina, quando Gullar esteve exilado em 1975, publicada no ano seguinte.

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Clipe do Criolina: “Latinoamericano”

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Lançado no último dia 21/5, quinta-feira, em noite concorrida no Barulhinho Bom, na Praia Grande, o EP e o clipe de Latinoamericano, da dupla Criolina, leia-se Alê Muniz e Luciana Simões.

Alê Muniz e Luciana Simões (Criolina)

Alê Muniz e Luciana Simões (Criolina)

 

O EP Latinoamericano é uma amostra do que virá no terceiro CD do casal, previsto para sair até o fim de 2015. O trabalho possui quatro faixas inéditas. São elas: “Pra Ver Se Ela Gosta”, “Latinoamericano”, além das releituras de “Garçom”, de Reginaldo Rossi e a clássica “Quizás, Quizás, Quizás”.

Enfim, “Latinoamericano” se projeta como uma afirmação do Criolina com os ritmos brasileiros e que vêm do Caribe, entre os quais, a salsa, o reggae, o ska, além da influência visceral do rock´n´roll.

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Ingressos para a FLIP disponíveis a partir de 1º/6

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Os ingressos para a Flip 2015 estarão disponíveis a partir de 1º de junho de 2015, pelo site da Tickets for Fun (www.ticketsforfun.com.br), em seus pontos de venda credenciados, pelo telefone 4003-5588 e nas bilheterias do Citibank Hall de São Paulo e do Rio de Janeiro. Os ingressos estarão disponíveis para venda até 30 de junho. Durante a Flip, de 1º a 5 de julho, a venda será realizada só em Paraty, na bilheteria oficial da festa. Por conta da alta procura por ingressos, a organização recomenda cadastro prévio no site da Tickets for Fun para quem for adquirir os ingressos.

poeta Mário de Andrade

poeta Mário de Andrade

O poeta modernista Mário de Andrade, agitador cultural e literário que buscou interpretar o Brasil de diferentes ângulos, será o homenageado na Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), entre os dias 1º e 5 de julho, no município de Paraty, no Rio de Janeiro.

A programação principal da Flip 2015 conta com 39 autores, que se dividem em 23 mesas literárias. Entre os diversos recortes da programação estão a poesia, sexo e erotismo na literatura, ciência, representações literárias da família e da vida afetiva, romance policial, questões de política internacional, literatura de viagem, música, arquitetura, políticas culturais e os rumos da sociedade brasileira. O curador da Flip 2015 é o editor Paulo Werneck, responsável também pela curadoria de 2014.

Dentre as novidades deste ano, está a Oficina de Design de Livros – no lugar da tradicional Oficina Literária. A holandesa Irma Boom, destaque do mercado editorial internacional, e a brasileira Elaine Ramos, diretora de arte da Cosac Naify, vão ministrar o curso durante a Flip, apresentando duas abordagens distintas do livro como objeto artístico, tanto em seus aspectos industriais quanto artesanais.Saiba mais aqui.

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Cultura de Paz, por favor, e urgente !

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Sobre as expressões que atravessam as gerações, passando de pai para filho e o pensamento ignorante que elas geram

Por Ramon Kayo

Espectro político trata fundamentalmente de economia. Você acha que a propriedade privada é a raíz de todo o mal? Vá para a esquerda. Você acha que a propriedade privada pode resolver problemas? Vá para a direita.

Agora, deixe isso de lado. Não me importa, porque o ponto que quero discutir neste texto é comum a todos.

Algumas expressões vem se propagando por gerações. Como uma espécie de roteador que só replica o sinal, a nova geração repete os discursos da geração anterior. Me assusta ver que jovens, como eu, que tiveram acesso a boas escolas, conteúdos e discussões, estejam dando continuidade às falácias mal estruturadas dos mais velhos.

“Bandido bom é bandido morto.”

“Tem idade para matar, mas não tem idade para ir preso.”

“Direitos Humanos só serve para bandido.”

“Esse povinho defensor de bandido… quero ver quando for assaltado.”

Olha só: ninguém é a favor de bandido. Ninguém mesmo. Muito menos os direitos humanos. Ninguém quer que assalto, assassinato, furto e outros crimes sejam perdoados ou descriminalizados.

Você é que entendeu errado.

Por que alguém, em sã consciência, seria a favor de assaltos, homícidios, latrocínios e furtos? Você não deveria sair gritando palavras de ódio sem entender o argumento do qual discorda — a não ser que você se aceite como ignorante, isto é, que ignora parte dos fatos para manter-se na inércia do conforto.

Depois que este texto terminar, você pode continuar discordando, mas espero que desta vez com outros argumentos, argumentos fundamentados.

Antes de mais nada, o que você prefere?

Gostaria de propor dois cenários e que você escolhesse o que mais te agrada.

I) Uma sociedade onde há muitos criminosos, logo há muitos assaltos, latrocínios e homícidios. Entretanto, nesta sociedade, 99% dos crimes são resolvidos e os indivíduos são presos. Após voltarem as ruas, tornam-se reincidentes, ou seja, cometem novamente um crime. Mas nesta sociedade, este criminoso é pego novamente em 99% das vezes. Há pena de morte.

II) Uma sociedade onde quase não há criminosos. Os poucos criminosos que existem, quando pegos, são presos. Além de punidos com tempo de reclusão, os criminosos também são reabilitados (as maneiras são indiferentes, se com cursos profissionalizantes, tratamento psicológico, ambos ou outros) para que possam tentar uma nova vida. Não há pena de morte.

Qual você prefere?

Nenhum destes casos é o do Brasil. No nosso país e em muitos outros, temos altos índices de criminalidade, poucos programas de reabilitação e o senso comum vingativo de que o Lex Talionis desenvolvido há cerca de 4.000 anos ainda serve como solução. Todavia, há países parecidos com os dois casos propostos, o que torna tangível a estrutura. Mas e para o Brasil? Qual dessas você preferiria para o nosso país?

Posso te ajudar neste raciocínio com alguns pontos:

– No primeiro caso, apesar de quase todos os criminosos serem pegos, o sofrimento das vítimas permanece. Como só se prende depois do crime, os lesados nunca terão a vida de um ente querido de volta, por exemplo.

– No primeiro caso, além de muitos crimes, os criminosos ainda tem maior probabilidade de reincidir, ou seja, de cometer um crime por mais de uma vez.

– Como são muitos criminosos, a economia do país perde força produtiva. Pessoas que poderiam estar trabalhando, pesquisando, empreendendo, estão no crime.

– No primeiro caso, como são muitos casos a serem avaliados, o sistema jurídico pode vir a se tornar lento e ineficaz.

OBS: Em nenhum momento quero impor uma falácia de falsa dicotomia. Existem infinitas possibilidades de combinações aqui. Entretanto, este é apenas um exercício que facilita o entendimento do argumento.

A pessoa nasce bandida ou torna-se bandida? 

Pergunta importante: você acha que as pessoas já nascem bandidas? O bebê — sim, aquele de colo — já é um bandido?

Prefiro pensar que ninguém acredita que as pessoas já nascem criminosas. É um pouco lunática a visão de um mundo Minority Report, onde o bebê será preso ali mesmo, nos primeiros momentos de vida. Mesmo para quem acredita neste mundo, o próprio filme trata do problema que isso poderia causar.

Partindo da pressuposição de que ninguém nasce bandido, vou utilizar um personagem fictício como exemplo: João, o bebê. Imagine o bebê da maneira como quiser, isso pouco importa, a única certeza que temos sobre João, o bebê, é que ele não nasceu bandido. É uma criança como qualquer outra, ainda dependente dos pais, que pouco faz da vida além de dormir e chorar. Mas neste mundo fictício, o tempo passou, e João cresceu. Aos 16 anos cometeu um latrocínio. Se João não nasceu bandido, então tornou-se bandido. A palavra “tornou-se” implica transformação e esse é o X da questão.

Os seres humanos se constroem com as experiências e aprendizados, portanto o meio em que se vive tem grande influência sobre ele. Sabendo disso, temos a visão clara de que algo acontece na sociedade que transforma as pessoas em marginais. (E se você acha que não, talvez seja curioso saber que a taxa de homícidios no Brasil em 2008 era de 26,4 a cada 100.000 habitantes, enquanto que na Islândia o índice não passou de 1,8 a cada 100.000 no mesmo ano.)

O fato é:

há algo na sociedade (que não será discutido neste texto) que leva as pessoas a cometerem crimes.

Quando você diz que reduzir a maioridade penal é uma boa ideia, você não está focando na raíz do problema, está apenas sugerindo uma maneira de remediar. E como veremos a frente, dado o nosso sistema, isto só aumenta a chance de criar um deliquente reincidente. Então note, pouco importa se a maioridade penal é de 16, 18 ou 21 anos se o país continua a formar criminosos. Devemos pensar em maneiras de diminuir a criminalidade, no processo que transforma as pessoas em transgressoras da lei, ou logo teremos mais presídios do que universidades e mais marginais do que cidadãos comuns.

Construir mais penitenciárias e prender mais gente diminui a criminalidade?

O olhar crítico que às vezes não permeia a cabeça das pessoas é que prender as pessoas não faz com que menos pessoas se transformem em criminosas. Penitenciando apenas, você não resolve o problema, apenas posterga enquanto gasta o dinheiro público.

Assim como todo fumante sabe dos males do cigarro, todos que entram para o mundo do crime sabem o risco envolvido. Todo dia no noticiário vemos corpos estirados ao chão, seja do cidadão, do criminoso ou do policial. Não adianta termos penas mais severas: o brasileiro que se torna assaltante já não tem nada a perder, sabe que tem grandes chances de morrer de forma cruel.

Os criminosos brasileiros, depois de presos, ficam ainda mais propensos a perpetuar sua vida marginal. São três os principais motivos: (I) poucas empresas se propõem a contratar ex-presidiários, (II) o trauma vivido dentro da cadeia — como ela é aqui no Brasil — agrava as problemáticas psicológicas do indivíduo e, por fim, (III) não há um programa grande e estruturado de reabilitação de criminosos para que deixem a vida do crime.

Ninguém quer que criminosos não sejam punidos¹. Eles devem pagar suas penas conforme previsto em lei. O único problema é que a pessoa só vai presa depois de cometer o crime, isto é, depois que alguém já foi lesado. Não seria muito melhor se ao invés de precisar prender as pessoas depois do crime consumado, houvesse menos bandidos? Não seria melhor se os criminosos, após cumprirem suas penas, se reintegrassem a sociedade como parte da massa trabalhadora?

Ah, não dá? Dá sim. Na Suécia dá, por que aqui não daria? Vamos supor que você responda, de maneira óbvia, que é por causa da “cultura brasileira”. Eu devo concordar que, realmente, a cultura é diferente: aqui muita gente acredita que pena de morte resolve o problema enquanto lá eles fazem uso da reabilitação.

Deve ser por isso que aqui se constroem presídios e lá se fecham presídios.

Nils Öberg, responsável pelo sistema prisional da Suécia, disse sobre o fechamento presídios no país por falta de condenados:

“Nós certamente esperamos que nossos esforços em reabilitação e prevenção de reincidência tenham tido um impacto, mas nós achamos que isso sozinho não pode explicar a queda de 6%” — reafirmando que a Suécia precisa se esforçar ainda mais em reabilitar os prisioneiros para que eles possam retornar a sociedade.

¹ Existe uma corrente que acredita no chamado Abolicionismo Penal que não vê o sistema punitivista com estes olhos. Eu não conhecia esta ideia no momento em que escrevi o texto, mas um leitor me alertou pelo Twitter e por isso faço questão de incluir aqui.

Direitos Humanos para você também. 

O artigo 3 da Declaração Universal dos Direitos Humanos diz que:

“Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.”
O trecho “Toda pessoa (…)” do artigo 3 inclui você.

Ninguém quer que você seja vítima de um crime. Todas as leis do código penal são pensadas para tentar lhe garantir este e outros direitos comuns a todos os seres humanos. Ninguém quer que os bandidos sejam especiais: o que o “povinho dos Direitos Humanos” quer é que a sociedade não crie mais marginais e que a quantidade dos existentes diminua. E é aí que está: infringindo os direitos humanos, você não alcança este objetivo.

O trecho “Toda pessoa (…)” do artigo 3 também inclui o marginal.

É confuso que o cidadão que clama tanto por justiça, que a lei seja cumprida, fique ávido para descumpri-la: tortura, homicídio e ameaça são crimes, mesmo que sejam contra um condenado. Então, não, bandido não tem que morrer, porque isso te tornaria tão marginal quanto.

Se você quer uma sociedade com menos criminosos, conforme discutido no começo deste texto, entenda o papel dos Direitos Humanos.

O artigo 5 diz:

“Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.”

Ninguém lhe nega o direito a sentir dor, raiva e/ou tristeza após ter sido vítima de um crime. A culpa não é sua e isto nunca foi dito. Só quem é vítima sabe da própria dor. Mas o fato é que o olho por olho não te trará paz, não trará um ente querido de volta, não removerá seus traumas. O dente por dente só te levará para mais perto de uma sociedade violenta, onde o crime se perpetua e você pode ser vítima mais uma vez. Ninguém quer que você seja vítima outra vez.

A punição deve ser aplicada, sim. E com certeza será ainda melhor quando este indivíduo estiver apto a se tornar um cidadão comum, após cumprir sua pena, e nunca mais venha a causar problemas para a sociedade e para você. E é sobre isso que os Direitos Humanos falam.

Portanto entenda. 

Se você leu o texto um pouco mais exaltado, talvez tenha perdido algum trecho importante, portanto aqui vão alguns dos principais pontos:

1) Ninguém nasce bandido. A estrutura social, de alguma maneira, transforma as pessoas em criminosas.

2) Entender os motivos que levam a formação de criminosos e resolvê-los é mais importante do que puni-los com mais severidade.

3) Se não formarmos criminosos, as pessoas não precisam ser vítimas.

4) Todo crime deve ser devidamente punido, mas a maneira de punir pode influenciar na reincidência do criminoso, que fará novas vítimas.

5) Construir presídios, prender mais pessoas, não evita que mais pessoas se transformem em bandidos.

6) O que aprendemos com os países mais desenvolvidos é que reabilitar marginais colabora com a redução da criminalidade.

7) Infringir os Direitos Humanos de qualquer pessoa é atentar contra a vida e, no caso do marginal, vai na contramão da reabilitação.

E novamente:

Você tem o direito de ficar desolado e/ou enfurecido por ter sido vítima. Ninguém é a favor do crime. Você é que não tinha entendido antes.

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