Cai hábito de jogar futebol

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O brasileiro ama o futebol, mas o número de pessoas praticando este esporte como lazer caiu.
 
De 2006 a 2012, o percentual foi de 9,1% para 7,2%, uma redução de 20% em sete anos.
 
O futebol foi ultrapassado pela musculação/ginástica (aumento de 7,9% para 11,2%) e se tornou a terceira atividade física mais praticada nas horas de folga dos brasileiros.

Brasileiro menos futebol

Foto produzida por Marcos Santos / USP Imagens

Em primeiro está caminhada (em torno de 18% entre 2006 e 2012).

Os estudos são do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens), da Faculdade de Saúde Pública (FSP), da Universidade de São Paulo (USP).

A pesquisa tem como base dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas (Vigitel).

O inquérito é produzido anualmente pelo Ministério da Saúde por meio de entrevistas por telefone com 54 mil pessoas, a partir dos 18 anos, nas capitais brasileiras e Distrito Federal.

Uma das hipóteses para a queda é a diminuição de espaços para o jogo de bola, como em terrenos baldios.

Academias

O crescimento dos praticantes de ginástica/musculação – passou de 7,9% em 2006 para 11,2% em 2012 e pode estar relacionado ao aumento da oferta de espaços para a prática.

Com dados da Agência de Notícias da USP
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Rato no ciclo da esquistossomose no MA

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Estudo realizados no Laboratório de Parasitologia Humana da Universidade Estadual do Maranhão (Uema) descobriu a presença de ratos no ciclo de contaminação da esquistossomose  no Maranhão.

A pesquisa, coordenada pelo professor Nêuton Silva-Souza, têm apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema).

Foto 1 Uema - laboratório de parasitologia

Professor da Uema, Nêuton Silva-Souza

 

No Maranhão

Nêuton Silva-Souza explica que a esquistossomose se manifesta de um modo peculiar no Maranhão, se comparada a outras regiões do país.

Em outros estados, o ciclo da doença ocorre entre o homem e o caramujo do gênero Biomphalaria.

No Maranhão, a doença tem mais um hospedeiro definitivo, o roedor silvestre do gênero Holochilus.

Rato no ciclo

O professor Nêuton Silva-Souza informou que o ciclo de contágio mais conhecido da doença envolve homem-caramujo e caramujo-homem.

No entanto, durante as pesquisas, foi verificada a existência de outro ciclo envolvendo rato-caramujo e caramujo-rato.

Se o homem for contagiado pela doença, por meio do rato que vive na Baixada Maranhense, principalmente na cidade de São Bento, a manifestação torna-se mais agressiva.

Após a descoberta, os pesquisadores passaram a classificar a doença como humana e silvestre, esta última definição por causa do contágio por meio do roedor.

Foto 2 Uema - laboratório de parasitologia

Ratos participam do ciclo da Esquistossomose na Baixada Maranhese

 

Baixada Maranhense

A área onde facilmente pode ser encontrada esta forma de manifestação da endemia é na Baixada Maranhense.

Geralmente, as pessoas portadoras da doença vivem em locais sem saneamento básico ou residem próximo de rios, córregos e outros ambientes com água doce.

É uma população de nível de escolaridade baixo e dificuldade de fazer exames para detecção da doença, enquanto ainda está em estágio inicial.

Esquistossomose

A esquistossomose, conhecida como Barriga d’água é disseminada quando indivíduos contaminados liberam ovos do parasito em suas fezes e urina nos rios, córregos ou outros ambientes de águas doces.

Na água, as larvas, chamadas de miracídios, procuram hospedeiros intermediários que, geralmente, são caramujos do gênero Biomphalaria para se alojarem.

Após esta fase, as larvas, que agora são denominadas cercárias, são liberadas na água e penetram na pele ou mucosa humana (hospedeiro definitivo) quando entram em contato com elas. Isto causa inflamação, coceira e vermelhidão nas áreas de contato. Depois disso, as cercárias se desenvolvem e eliminam ovos pelas veias do fígado e intestino, prejudicando-as.

Sintomas

Os sintomas, que podem aparecer cinco semanas após o contato com as larvas, são: vermelhidão e coceira cutâneas, febre, fraqueza, náusea, vômito, constipações intestinais e diarreias. Na fase crônica, o fígado e o baço podem aumentar de tamanho, também ocorrem hemorragias, com liberação de sangue em vômitos e fezes.

Exames

O exame de fezes é o mais simples para descobrir a doença na fase inicial, também pode ser feito exame da mucosa do intestino ou de sangue. Caso a pessoa esteja doente, é receitado medicamento parasitário, em geral, em dose única.

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O que são conferências TED?

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Quando alguém abre um vídeo no You Tube e olha, ao lado, a sigla TED pode não saber o que é.

 

Marca TED

 

É uma marca cada vez mais consolidada, em todo o mundo, e muito usada por pesquisadores.

Technology, Entertainment, Design (TED) que em português é Tecnologia, Entretenimento, Design.

É uma fundação, sem fins lucrativos, dos Estados Unidos, que oferece conferência. “Ideias que merecem ser disseminadas”, define a fundação.

É escolhido um pesquisador, que expõe sua ideia em, no máximo 18 minutos. Em geral, as conferências duram menos de 10 minutos.

Na verdade, nem são o que burocraticamente se entende como conferência e como palestra. Estão chamando de TED mesmo: expor uma boa ideia em pouco tempo.

Funciona desde os anos 1990.

Entre os palestrantes, ganhadores de Prêmio Nobel, pesquisadores e celebridades como Bill Clinton e Bill Gates e personagens controversos como Edward Snowden.

Edward Snowden

TED com Edward Snowden

 

Vamos disponibilizar algumas conferências TED neste blog.

A primeira será de uma médica brasileira que critica os efeitos do ‘cientificismo’ na medicina. Devo publicar hoje à noite.

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Uema na Revista Guia do Estudante

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A partir de 10 de outubro, a Universidade Estadual do Maranhão (Uema) estará nas páginas da revista Guia do Estudante (GE), da Abril Cultural

A presença acontece porque a Uema teve cursos que obtiveram avaliação 3 estrelas, em uma escala de 1 a 5.

Cursos da Uema conceituados com nota 3 

Campus São Luís

Administração

Engenharia Agronômica

Arquitetura e Urbanismo

Centro de Estudos Superiores de Bacabal (Cesb)

Administração

Enfermagem

Pedagogia

Centro de Estudos Superiores de Caxias (Cesc)

Enfermagem

Centro de Estudos Superiores de Imperatriz (Cesi)

Administração

Pedagogia

Centro de Estudos Superiores de Timon (Cesti)

Pedagogia

Os Conceitos são

5 estrelas (excelente)

4 estrelas (muito bom)

­ 3 estrelas (bom)

­ 2 estrelas (regular)

­ 1 estrela (ruim)

­  “prefiro não opinar”.

Também é considerada a própria avaliação do GE nos 5 últimos anos.

Seleção

A avaliação envolve uma equipe de profissionais do GE, professores e coordenadores das faculdades selecionadas que atribuem conceitos aos cursos avaliados com base em questionários.

Cada avaliador pode analisar até 35 cursos diferentes, desde que não trabalhem nas universidades analisadas.

Critérios para participar da avaliação

Ser curso de bacharelado ou bacharelado e licenciatura (exceto Pedagogia e Educação Física (licenciaturas)

Ter turma formada há pelo menos um ano

Ter cursos presenciais

Ter turmas em andamento e continuidade de processos seletivos para formação de outras.

 

 

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inventor arrependido de criar o pop-up

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O programador Ethan Zuckerman afirmou estar arrependido de ter criado a tecnologia pop-up.

A princípio, o por up seria uma ferramenta para proporcionar mais visibilidade a uma informação extra dentro de um portal.

Ethan Zuckerman

Programador Ethan Zuckerman

O problema é que Ethan Zuckerman viu sua criação ser usada para fins que ele não concorda.

O pop-up, atualmente, é conhecida como uma ‘janela extra’ que aparece sem ser solicitada quando alguém abre uma página da internet.

O pop-up virou um intruso indesejado que invade as páginas da internet com propagandas insistentes. Está quase associada a vírus.

Algumas empresas tiveram de desenvolver softwares para bloquear pop-ups. Entre as empresas, os sites de busca Google, Yahoo e MSN.

Ethan Zuckerman diz que não sabia o que estava trazendo para o mundo quando escreveu o código para o primeiro anúncio pop-up, nos anos 90, quando trabalhava para o Tripod.com.

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Ed Wilson é premiado pela Intercom

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O jornalista maranhense e professor do curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão (Ufma), Ed Wilson Araújo, foi um dos 3 finalistas do Prêmio Freitas Nobre (Doutorado) concedido pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom).

A Intercom é uma das mais importantes instituições de fomento a pesquisa entre jornalistas atuantes no mercado.  Concede prêmios anuais na área de jornalismo.

Ed Wilson foi um dos finalistas, em 2013/2014, na categoria doutorado. Os finalistas foram anunciados no Congresso Nacional da Intercom, dia 3 deste mês, em Foz do Iguaçu.

Ed Wilson foi o segundo colocado.

Ao todo, foram 37 trabalhos indicados pelos Grupos de Pesquisa após o término do Congresso Nacional da Intercom, em 2013, em Manaus (AM).

Ed Wilson em POA 3 -blog

Jornalista e Professor da Ufma, Ed Wilson

 

Pesquisa

A pesquisa de Ed Wilson, que vem sendo realizada há anos, é a base da tese de doutorado que ele está elaborando na Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre (PUC-RS).

A tese é sobre a “participação dos ouvintes nos programas jornalísticos de rádio AM, em São Luís”

É um estudo sobre a atuação da audiência na produção de conteúdo no rádio, com ênfase na corrente teórica dos Estudos Culturais.

No artigo premiado na Intercom, “Cultura Colaborativa: oralidade e redes sociais nos programas jornalísticos de rádio AM”, Ed Wilson explorou conceitos de ubiquidade, convergência, cibercultura, inteligência coletiva e cultura colaborativa, tendo como objeto de estudo a atuação dos ouvintes de rádio AM, em São Luís.

 

Prêmio

Foi anunciada em Foz do Iguaçu a lista dos três finalistas para cada uma das categorias dos Prêmios Estudantis promovidos pela Intercom.

Os prêmios são:

Vera Giangrande, de graduação;

Francisco Morel, de mestrado;

Freitas Nobre, de doutorado.

Os textos indicados foram enviados para um júri composto por 10 sócios de todas as regiões do Brasil.

Com dados do Portal da Intecom

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Curso de Ouvidoria pela OGU

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A Ouvidoria-Geral da União (OGU), em parceria com o Instituto Legislativo Brasileiro (ILB), abriu inscrições para o curso de ensino a distância “Ouvidoria na Administração Pública”.

O curso é gratuito, tem três módulos e carga horária total de 20 horas.

É oferecido no âmbito da Política de Formação Continuada em Ouvidorias (Profoco).

Objetivo

O curso tem como objetivo contribuir para a formação de profissionais da área e demais interessados quanto aos fundamentos da Ouvidoria Pública e aspectos básicos relacionados à sua atuação.

Matrícula

Antes de se matricular, é necessário fazer o cadastro na Profoco

http://www.cgu.gov.br/assuntos/ouvidoria/profoco/cadastro

Em seguida, realizar a inscrição pelo site do ILB.

http://saberes.senado.leg.br/login/index.php

Ouvidoria-Geral

A Ouvidoria-Geral da União é ligada à Controladoria-Geral da União (CGU).

É responsável por receber, examinar e encaminhar denúncias, reclamações, elogios, sugestões e pedidos de informação referentes a procedimentos e ações de agentes, órgãos e entidades do Poder Executivo Federal.

Coordena o segmento de Ouvidorias do Poder Executivo Federal.

 

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Cirurgiões estrangeiros no HU da UFMA

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O Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (Ufma) está recebendo, neste mês, 22 cirurgiões de vários países.

A iniciativa tem a participação da Cardiostart, entidade internacional formada por voluntários.

O grupo chegou ao Maranhão na última segunda feira (1º) e fica até dia 17.

cirurgia cardíaca no HU UFMA menor

Cirurgiões de vários países que estão no Maranhão

 

A missão estrangeira, também, fará uma viagem de quatro dias ao município de Pinheiro, na Baixada Maranhense, onde a Ufma instalou, no início do ano, um curso de Medicina.

Os cirurgiões são dos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Itália e Japão. Desde sua criação, o Cardiostart já realizou 55 missões em 27 países, como Albânia, Bolívia, Croácia, República Dominicana, Egito, El Salvador, entre outros.

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Modelagem Molecular na Uema

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O pesquisador David Lima Azevedo, da Universidade de Brasília (UnB), ministrou a palestra  “Tendências e Perspectivas da Física no Século XXI”, nesta quarta-feira (3), durante a III Semana de Física da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), em São Luís

A modelagem molecular é um tema muito recorrente no ramo da Física. Pode ser aplicada ao planejamento de fármacos de modo direto ou indireto.

 

Foto 1 Uema - modelagem molecular

pesquisador David Lima Azevedo, da UnB

 

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Greve na educação é eficaz?

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A greve dos professores e funcionários da Universidade de São Paulo (USP) completa 100 dias nesta quinta-feira (4).

É a mais longa paralisação da USP.

A USP é a mais importante universidade da América Latina.

Inúmeros professores da UFMA, UEMA, UNICEUMA etc. foram pós-graduados, gratuitamente, pela USP. Há doutores e mestres de áreas como Administração, Comunicação Social, as agrárias, as engenharias e as artes que estudaram nessa instituição paulista.

Muitos médicos do Maranhão, e professores dos cursos de Medicina, fizeram residência, mestrado e doutorado na USP.

O mesmo acontece em outros estados. Então, é uma greve de ressonância nacional, dentro do meio acadêmico .

Situação financeira

A situação financeira da USP está complicada. Há um déficit em suas contas.

A greve chega a um momento crítico. Alguns grupos de professores são contra e há aluno a favor, bloqueando o acesso de docentes a salas de aula.

As reivindicações são contra contenção de gastos, como o congelamento dos salários de professores e funcionários

Lucidez e filosofia

Uma das posições mais lúcidas, nesta greve, é a de professores de Filosofia.

Eles estão aproveitando a situação para discutir, de forma coerente, a ‘situação de greve’ e a própria identidade da USP.

Questionam se círculos frequentes de greve é a saída para resolver os problemas da instituição.

Crise de identidade

Os professores de filosofia reconhecem a importância das reivindicações, mas perguntam se greve é uma estratégia eficiente.
No manifesto que lançaram, eles falam em ‘crise de identidade’ da USP. “Estamos sob o sério risco de não mais sabermos o que somos e para que existimos”, diz o documento.

É interessante ler o manifesto e pensar a educação de hoje no Brasil.

Vejam o manifesto dos filósofos e quem assinou

” Se não formos capazes de aceitar que certos valores universitários devem ser preservados do conflito político e que esse mesmo conflito deve sempre mantê-los em seu horizonte, teremos então chegado ao esgotamento da ideia de universidade que esta Faculdade sempre disseminou, segundo a qual se defende a possibilidade de um saber livre das amarras tanto do pragmatismo do mercado quanto do aparelhamento  político-partidário

MANIFESTAÇÃO DE PROFESSORES DO DEPARTAMENTO DE FILOSOFIA À COMUNIDADE UNIVERSITÁRIA – MAIS ESPECIFICAMENTE À FFLCHOs professores do Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas vem a público se manifestar a respeito dos preocupantes acontecimentos a que estamos submetidos, neste momento, na Universidade de São Paulo.Sabemos todos que a USP atravessa um período muito difícil, certamente um dos piores de sua notável história. Uma profunda crise financeira, gerada pela irresponsabilidade da última gestão reitoral, nos coloca em face de um quadro alarmante, com indesejadas medidas de cortes orçamentários. Por isso, não é senão natural que, nessas circunstâncias, se deflagre uma greve, por aqueles que veem seus salários desvalorizados. Também se compreende que tal mobilização abarque respeitável contingente de servidores não-docentes e servidores docentes, e que receba o apoio de parte dos estudantes. Nada disso, em princípio, deve ser tomado como algo estranho à vida universitária, onde vigoram os direitos trabalhistas básicos presentes em todos os segmentos da sociedade.No entanto, particularmente no caso da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, é preciso olhar para esse cenário com alguma cautela. Este Departamento de Filosofia, até mesmo em virtude de sua vocação para a análise crítica – vocação que decerto se exercita em todos os Cursos desta Faculdade -, considera absolutamente inadiável e urgente que se procure olhar para esses acontecimentos como parte de um arco histórico mais extenso, que remonta pelo menos há uma década, e não como um episódio isolado. E nos parece difícil, com base nessa visada mais ampla, escapar de um triste diagnóstico: os movimentos de paralisação das atividades normais a que assistimos quase que anualmente têm produzido o indesejado efeito da degradação da qualidade de nosso trabalho, especialmente em sua parte mais importante e sensível, a docência em nível de graduação, além de conduzirem a um crescente esgarçamento das relações entre as pessoas, em franca oposição àquilo que se espera de um ambiente universitário.

Greves são instrumentos legítimos de pressão e luta. Para que surtam efeito, devem criar uma situação indesejada de anormalidade que obrigue as partes em conflito a uma negociação que permita o retorno à normalidade suspensa. Greves são, pois, instrumentos fortes, que devem ser utilizados com a prudência e o senso de oportunidade que se espera de agentes políticos conscientes.

Ora, no caso desta Faculdade, observa-se um processo de introdução das greves na rotina acadêmica e, consequentemente, de sua banalização. Embora seja preciso reconhecer que algumas delas foram movidas por razões justas e que obtiveram resultados importantes e benéficos, é necessário também admitir que, quando se fazem greves com tamanha frequência, seu caráter extraordinário, condição necessária para sua força, se perde, e o resultado é a inevitável diminuição do poder persuasivo e da credibilidade dos que as promovem.

Esse déficit de credibilidade e de poder persuasivo tem levado os movimentos grevistas, nos últimos anos, a recorrer a expedientes como piquetes, obstrução de salas de aula, cadeiraços etc. Eis aí o cenário que hoje predomina nos prédios da Faculdade: o deprimente esvaziamento, causado, sobretudo, pela deserção da grande maioria dos estudantes.

Muitos docentes deste Departamento fizeram, fazem ou farão greves, na Universidade ou fora dela. Em nenhum momento isso é aqui posto em questão. O que se quer destacar é que a banalização dessa forma de luta instalada na Faculdade conduz gradativamente ao esvaziamento do sentido da instituição e à perda do papel que se espera dela, porque seus fins se veem intensamente ameaçados. Sobretudo o prejuízo causado ao ensino é preocupante, pois as consequências são claras: aumento da evasão e do desinteresse, má formação dos estudantes, além da crescente dificuldade do diálogo e da comunicação. As sempre bem-intencionadas reposições pouco podem fazer para diminuir esses efeitos e, embora em alguns casos os diminuam, acabam, muitas vezes, contribuindo apenas para maquiá-los.

A ação já costumeira da obstrução de salas de aula, impedindo que se exerçam as atividades esperadas e desejadas pela Universidade e pela Faculdade, indicam, portanto, uma preocupante transformação: as finalidades da Universidade, tal como expressas em seus Estatutos, com o intuito de preservar o espírito mesmo que animara sua criação – a produção e transmissão do conhecimento, a aquisição do espírito crítico necessário à boa formação cidadã -, vão sendo destronadas, em benefício de novos fins, de novas práticas que não são minimamente compatíveis com valores que definem a própria ideia de Universidade que nos tem sido cara, como a liberdade de pensamento e expressão, o respeito à opinião divergente como estímulo ao saudável e necessário debate construtivo de ideias, além do direito ainda mais básico de ir e vir.

Cada sala de aula vazia por imposição de força aparece a este Departamento como a negação da Universidade e, mais especialmente, de uma Faculdade que, orgulhando-se de sua condição de célula-mater da Universidade, tem a responsabilidade de pensa-la, de refletir sobre ela, de apontar caminhos para sua preservação e aperfeiçoamento. E esse trabalho do pensamento, impondo-nos certo distanciamento crítico e cautela em face dos acontecimentos, não é plenamente compatível com o voluntarismo irrefletido que tem prevalecido.

Parece-nos, assim, urgente a aceitação de que nos encontramos, nesta Faculdade, diante de uma situação ainda mais crítica do que aquela que acomete a saúde financeira da Universidade. Vivemos, na verdade, uma crise de identidade. Estamos sob o sério risco de não mais sabermos o que somos e para que existimos. Se não formos capazes de aceitar que certos valores universitários devem ser preservados do conflito político e que esse mesmo conflito deve sempre mantê-los em seu horizonte, teremos então chegado ao esgotamento da ideia de universidade que esta Faculdade sempre disseminou, segundo a qual se defende a possibilidade de um saber livre das amarras tanto do pragmatismo do mercado quanto do aparelhamento político-partidário. Está em jogo, para além dos problemas pontuais que hoje nos assombram, a preservação de nossa relevância no interior da Universidade, relevância sempre contestada e por cujo reconhecimento a Faculdade luta desde que a USP é a USP. Cabe-nos reafirmá-la, mas para isso é preciso ter a honestidade intelectual de reconhecer nossos próprios problemas e limites.

Não há pensamento crítico sem autocrítica. Está mais do que na hora de fazê-la. Caso contrário, talvez o futuro nos reserve dias ainda piores.

Assinam este documento:

Alberto Ribeiro Gonçalves de Barros

Caetano Ernesto Plastino

Carlos Alberto Ribeiro de Moura

Carlos Eduardo de Oliveira

Edélcio Gonçalves de Souza

João Vergílio Gallerani Cuter

José Carlos Estêvão

Lorenzo Mammì

Luiz Sérgio Repa

Márcio Suzuki

Marco Antônio de Ávila Zingano

Marco Aurélio Werle

Marcus Sacrini Ayres Ferraz

Mário Miranda Filho

Mauricio Cardoso Keinert

Mauricio de Carvalho Ramos

Milton Meira do Nascimento

Moacyr Ayres Novaes Filho

Oliver Tolle

Pedro Paulo Garrido Pimenta

Ricardo Ribeiro Terra

Roberto Bolzani Filho

Sérgio Cardoso

Valter Alnis Bezerra

 

 

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