CENTENÁRIO DE MIGUEL BAHURY

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No dia 26 de dezembro de 1912, ainda sob o fervor das festas de Natal, a população de São Luis, que se aproximava de 50 mil habitantes, tomava conhecimento do nascimento de mais um filho de libaneses. Era o menino Miguel Antônio, produto da união de Carmen Aboud Bahury com Antônio João Bahury.
A infância e a adolescência de Miguel ocorreram em São Luís, onde os pais trataram de prepará-lo para ser um vitorioso na vida. Nos colégios, onde cursou o primário e o secundário, impunha-se pela capacidade de liderança e talento para vencer obstáculos.
Concluído o curso ginasial, ainda bem jovem, não pensa em diploma de nível superior. Sua meta era o trabalho, por isso, ingressa na atividade comercial, aproveitando a oportunidade que se lhe oferece a firma Bessa e Companhia, à época, uma das mais sólidas do Maranhão, com atuação nos negócios de importação e exportação.
Depois de prestar serviços à Bessa e Companhia, primeiro, como empregado, depois, como sócio-gerente. Com o irmão, José de Ribamar Marão, funda em São Luis a firma Indústria e Comércio Vitória Ltda, para fabricação de redes de algodão.
Em 1945, Miguel Bahury decide mudar-se para o Rio de Janeiro, em busca de melhor sorte. A princípio, trabalha como corretor de planos de capitalização. Em seguida, instala, por conta própria, uma bem equipada lavanderia e tinturaria, no bairro de Botafogo.
Mais tarde, quando o general Eurico Dutra assume a Presidência da República, por influência do senador Vitorino Freire, do qual se torna amigo, foi indicado para dirigir a Indústria Química Bayer.
Na cena política do Maranhão, ingressa a convite do amigo e empresário, Saturnino Belo, como ele filiado à Associação Comercial Trabalhista, entidade criada pelos comerciantes para participar das eleições de 14 de outubro de 1934, marcadas pela nova Constituição do Brasil, para eleger os representantes maranhenses na Câmara Federal e Assembleia Legislativa.
Não se elege deputado estadual, mas mesmo sem mandato político, luta ao lado de seus companheiros da Associação Comercial do Maranhão, contra o interventor Martins de Almeida, que prende os diretores da entidade pela decretação de uma greve, que só finda com a exoneração do governante maranhense pelo presidente Getúlio Vargas.
Embora haja ingressado na política pelas mãos de Saturnino Belo, deste se afasta ao romper com Vitorino Freire, em 1949. Polemiza com o empresário através da imprensa, com artigos ácidos e atrevidos, pois não aceita sua candidatura ao Governo do Estado, pelas Oposições Coligadas, nas eleições de 1950.
Distanciando-se de Saturnino Belo, aproxima-se de Vitorino Freire, a convite do qual se filia ao PSD e concorre às eleições de 1958 a deputado federal. Eleito, integra as Comissões de Orçamento e de Segurança Nacional e destaca-se no plenário por defender a adoção no país do regime parlamentarista.
No tumultuado episódio da renúncia do presidente Jânio Quadros, em agosto de 1961, Miguel Bahury teve importante atuação. Foi de sua autoria o requerimento solicitando a presença do governador Carlos Lacerda, e do ministro da Justiça, Pedroso Horta, na Câmara dos Deputados, para prestarem esclarecimentos a respeito de um golpe de Estado que estaria sendo tramado pelo chefe da Nação, segundo denúncia do governador do Rio de Janeiro.
No exercício do mandato parlamentar, atrita-se com o governador Newton Bello, que passa a denunciar na Câmara Federal, pela prática de abusivas irregularidades administrativas. Esses desentendimentos resultam no rompimento de relações políticas e pessoais do deputado com o governador.
Sem espaço e condições para desenvolver suas ações no PSD, partido do governador, transfere-se para as hostes das Oposições Coligadas, filiando-se ao Partido Social Progressista, onde pontificavam os deputados Clodomir Millet, Neiva Moreira e Henrique de La Rocque Almeida.
Pelo PSP, concorre às eleições de 1962. Bem votado, reelege-se à Câmara dos Deputados. No começo da legislatura, lança-se candidato à sucessão do governador Newton Bello, projeto, lamentavelmente, interrompido a 3 de maio de 1963, pois veio falecer, vítima de desastre aéreo na rota São Paulo e Rio de Janeiro.
Neste segundo mandato, desenvolve vigorosa atividade na Comissão Parlamentar de Inquérito, da qual era presidente, instalada no Congresso Nacional, para apurar a segurança dos vôos no Brasil.
Miguel Bahury foi casado em primeiras núpcias com Angelita Meneses, com quem teve três filhos. Em segundas núpcias, com Maria de Lurdes Meneses, falecida em desastre de avião, dois anos antes do esposo, e com a qual teve dois filhos.

1 comentário para "CENTENÁRIO DE MIGUEL BAHURY"


  1. Adamastor Cruz

    Eita meu querido padrinho, o sr. foi longe. Um abração e parabens pelos comentários.

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