MOVIMENTOS POPULARES NO MARANHÃO

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Os movimentos de rua que sacodem o Brasil também invadiram o Maranhão. Em São Luis e outras cidades do interior, as manifestações de protesto contra o aumento da tarifas de transporte urbano que explodiram em São Paulo chegaram até nós através dos meios de comunicação e da internet.
No Maranhão, ao contrário de São Paulo, as manifestações não se deram por conta de aumento de tarifas de transporte. Enquanto as realizadas na capital paulista foram movidas por interesses locais, e com repercussão direta na sua população, daí serem legitimas e pertinentes, as que ora vemos nas ruas de São Luís parecem ser ilegítimas e impertinentes, pois aqui não houve aumento de tarifa de transporte urbano que justificasse a presença de centenas de jovens nas ruas da cidade.
Em São Luis, portanto, não houve qualquer ocorrência ou episódio que originasse ou desse pretexto para o desencadeamento de movimentos que conduzissem os jovens às ruas com o propósito de protestarem. Outros motivos para protestos aqui existem e são muitos, mas nunca por causa de aumento de tarifas de transporte. Até mesmo a aprovação do Estatuto do Magistério foi tranqüila e aplaudida pelos professores.
Quem compilar qualquer livro de História do Maranhão certamente não deve encontrar, em qualquer tempo, motivos que não os estritamente locais para a deflagração de movimentos populares. Todos, invariavelmente, foram ancorados em causas sociais ou políticas e protagonizados por nossa gente. Nenhum foi importado ou desencadeado por inspirações ou influências que fugissem aos interesses puramente nativos
Ao longo da fase colonial, passando pela imperial até chegar ao regime republicano, se aqui aconteceu algum movimento popular que não tivesse conotação regional, ficou sem registro histórico.
Como são numerosos, limito-me, por falta de espaço maior, a pontuar apenas quatro ações populares que vieram a lume no Maranhão em períodos históricos distintos.
Na fase colonial, um episódio que passou para a História com o nome de Revolta de Beckman. Para solucionar o problema entre os senhores de engenho e os jesuítas, o governo de Portugal criou em 1682 a Companhia Geral de Comércio do Estado do Maranhão, esta, com o objetivo de trazer todas as mercadorias de que o povo tivesse necessidade e levar daqui para Portugal tudo que a terra produzisse. Contra esse monopólio, que tanto explorava o povo, insurgiram-se Manuel Beckman e Jorge Sampaio, que levaram a população maranhense à sublevação. Em fevereiro de 1684, os sublevados depuseram o governador Francisco de Sá Menezes, extinguiram a Companhia de Comércio, invadiram o convento de Santo Antônio e expulsaram os jesuítas.
A resposta de Portugal foi terrível. Manuel Beckman e Jorge Sampaio, traídos por Lázaro de Melo, pagaram um preço alto: foram enforcados e decapitados.
Na fase imperial, outro movimento popular de grande vulto foi a Balaiada, assim chamado por causa de um de seus chefes, Manuel Francisco dos Anjos, que tinha o apelido de balaio, o vaqueiro Raimundo Gomes, que iniciou o movimento na vila da Manga, e o chefe de escravos, Cosme Bento das Chagas, que se intitulava Tutor e Imperador das Liberdades Bem-te-vis. A revolta teve também como alvo o governo cabano, que aprovou a lei dos prefeitos. A Balaiada espalhou-se por quase todo o interior do Maranhão e os balaios chegaram a ser mais de 10 mil. A luta demorou mais de três anos e os revoltosos chegaram a ocupar cidades importantes como Caxias. Para acabar a revolta, o governo imperial trouxe tropas de várias províncias e nomeou o coronel Luiz Alves de Lima e Silva para comandante das Armas e governador do Maranhão.
No período republicano, dois eventos abalaram a cidade. Em 1951, contra o governador Eugênio Barros, quando os partidos de oposição moveram vigorosa campanha para que não fosse empossado no cargo. A população de São Luis foi às ruas, enfrentou a Polícia Militar e dessa luta resultaram mortos e feridos. Durante mais de trinta dias a cidade parou e suas atividades públicas e privadas deixaram de funcionar. A população ficou em permanente estado de greve e instalou no Largo do Carmo o seu quartel general. O governo federal, enquanto as forças políticas pró e contra Eugênio, aguardavam o julgamento dos processos contra a eleição do governador, colocou no centro da cidade as tropas do Exército. Em setembro, o TSE julgou os processos e mandou Eugênio tomar posse. Na sua chegada do Rio de Janeiro, a população voltou às ruas e novos confrontos ocorreram. O presidente da República, Getúlio Vargas por pouco não decretou a intervenção federal no Maranhão.
Em 1979, um movimento pela meia-passagem eclodiu em São Luis, com os estudantes pedindo um desconto de 50 por cento no valor das passagens de ônibus. A partir daí os estudantes secundários e universitários mobilizaram-se e foram às ruas. Após protestarem contra o aumento das passagens na frente do Palácio e da Prefeitura, dirigiram-se em passeata para a Praça João Lisboa, onde fortes contingentes da Polícia Militar os esperavam e sendo recebidos com cassetetes, jatos de água, gás lacrimogêneo. Em represália, os estudantes, em torno de 15 mil, iniciaram a operação quebra-quebra, por meio da qual destruíram alguns prédios públicos e ônibus. A cidade, durante alguns dias, paralisou suas atividades rotineiras. A paz só se restabeleceu após as negociações dos estudantes com as autoridades públicas e empresários.

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