A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA NO MARANHÃO

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Na última sexta-feira, 15 de novembro, foi o marco da queda da Monarquia e do advento da República no Brasil. Em São Luis ou em qualquer lugar do território nacional, como sempre, não houve nenhuma solenidade em homenagem ao evento cívico ou a alguém que tenha participado de ato tão importante.
A propósito: na introdução do livro de sua autoria, 1889, recentemente lançado, o renomado historiador Laurentino Gomes afirma que “O quinze de novembro é uma data sem prestígio no calendário cívico brasileiro. Ao contrário do Sete de Setembro, Dia da Independência, comemorado em todo o país com desfiles escolares e militares, o feriado da Proclamação da República é uma festa tímida, geralmente ignorada pela maioria das pessoas”.
Em outro trecho, revela o escritor: “Personagens republicanos como Benjamin Constant, Quintino Bocaiúva, Rui Barbosa, Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto são nomes onipresentes em praças e ruas das cidades brasileiras, mas pergunte a qualquer estudante do ensino médio quem foram esses homens e a resposta certamente demorará a vir”. Em conclusão, diz categoricamente: “A julgar pela maneira cívica nacional, o Brasil tem uma República mal-amada”.
Sobre tão importante assunto, nada mais instigante do que perguntar: o que aconteceu no Maranhão e como a elite e os políticos se comportaram com relação ao movimento republicano que teve o Rio de Janeiro por palco, levando de roldão a Monarquia que dominava o Brasil há 67 anos?
Pelo que narram os historiadores, no Maranhão, as ações voltadas para a instalação do novo regime foram inexpressivas e desarticuladas. Das cidades maranhenses identificadas com a mudança da forma de governo, apenas Barra do Corda se empolgou e fundou um Clube Republicano, em 1888, tendo como figuras destacadas o juiz municipal, Isaac Martins, o promotor público João Dunshee de Abranches, Frederico Figueira e Antônio Rocha Lima, este, dono do jornal O Norte, que fazia propaganda republicana.
Em São Luis, os ideais republicanos custaram a encontrar adeptos que se preocupassem com a veiculação por meio dos jornais das ações ocorridas na capital do país, com vistas à mudança de regime.
Só nas proximidades do fim do reinado de Pedro II é que apareceram alguns poucos e apáticos republicanos, que se juntaram para fundar um clube, de cuja organização faziam parte o jornalista Paula Duarte e Casemiro Dias Vieira Júnior, este, dono do jornal O Globo, que se tornou o porta-voz do movimento para instalação da República no país.
O jornalista Paula Duarte, o principal agitador da causa republicana em São Luis, quando a Republica foi proclamada no Rio de Janeiro, estava em Recife e foi para ele que chegou a primeira notícia, a 16 de novembro, dando conta de que o marechal Deodoro da Fonseca, no dia anterior, havia decretado o fim da Monarquia no Brasil.
A notícia não era oficial, por isso, não foi levada a sério pela opinião pública, que começou a ser abastecida de informações falsas e contraditórias. Os boatos eram tantos que os escravos libertos logo imaginaram que a República fora proclamada para tornar sem efeito a Lei Áurea, razão pela qual ganharam as ruas da cidade na tentativa de invadir o jornal O Globo e depredá-lo. Não fora a intervenção policial, os escravos teriam concretizado o seu intento.
Só três dias após o ato do marechal Deodoro, o comandante do Exército em São Luis, o coronel João Luis Tavares, resolveu agir, já que o presidente do Maranhão, Tito Augusto Pereira de Matos, por acomodação ou medo, não sabia o que fazer. O militar, no dia 18 de novembro, para manter a tranqüilidade social e restabelecer a governabilidade, reuniu a tropa, nas primeiras horas da manhã, declarando a Adesão do Maranhão à República. Em seguida, em cumprimento às ordens recebidas do Rio de Janeiro, nomeou a Junta Provisória Governativa para responder não mais pelos destinos da Província, mas de um dos vinte Estados Unidos da República do Brasil.
Mais tarde, às 11 horas, em solenidade simples, rápida e sem a presença do povo, que assistia passivamente e sem entender o que acontecia no palácio, onde a Junta Governativa, presidida pelo coronel João Luis Tavares, tomava posse.
Como tudo aqui continuava a ocorrer com atraso, só a 22 de novembro uma passeata de estudantes desfilou pela cidade em regozijo ao novo regime. Posteriormente, no dia 30, as ruas de São Luis também assistiram manifestações populares, organizadas pelo poeta Joaquim Sousândrade, que endereçou uma mensagem de saudação ao marechal Deodoro com estas singelas palavras: “Paus d’arco em flor. Viva a República”.
Como todo governo que toma conta do poder, os republicanos que assumiram o comando do Maranhão deflagraram diversas medidas de caráter vingativo, ressaltando-se a destruição de materiais e símbolos do antigo regime – bandeiras, insígnias, brasões e retratos do ex-imperador -, demissões de funcionários públicos, extinção de instituições, como a Escola de Aprendizes Artífices, prisões dos considerados inimigos ou adversários do regime implantado, e castigos aos negros que idolatravam a Princesa Isabel, que lhes outorgara o direito à liberdade.
Esse legado de represálias que a República trouxe no seu bojo, perdura até hoje no Maranhão, a despeito dos avanços democráticos conquistados pelo povo brasileiro. Se há algo que os detentores do poder aprenderam com o regime instalado em 1889, são as práticas consubstanciadas nas perseguições e nos revanchismos contra os eventuais opositores e adversários.

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