A DEMOLIÇÃO DA CASA DE SÃO MARCOS

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Até agora, os pré-candidatos á sucessão da governadora Roseana Sarney, parece que estão mais preocupados em destruir do que construir. Há poucos dias, o Edinho Lobão, tão logo se tornou o pré-candidato do grupo Sarney, disse que, se eleito, implodirá a Penitenciária de Pedrinhas. Em seguida, o pré-candidato oposicionista, Flávio Dino, em alto e bom som, falou que se vencer a eleição demolirá a Casa de Veraneio de São Marcos.

Há pouco tempo, informações do Palácio dos Leões davam conta de que o governo do Estado estaria negociando a área da Casa de São Marcos com empresas construtoras, para que os recursos provenientes dessa operação financeira seriam aplicados em obras de recuperação do Centro Histórico de São Luís. A notícia virou factóide.

A construção da Casa de São Marcos remonta ao final da década de 1920, na gestão do governador Magalhães de Almeida, destinada a proporcionar lazer e descanso aos governantes estaduais.

Para construí-la, o governador ressaltou ao Congresso do Estado do Maranhão que usou saldos de verbas orçamentárias de 1928 e que a obra seria “uma elegante residência de verão do presidente do Estado, que despendeu muito esforço em vista da distância da cidade e das dificuldades de transporte, sendo executada em três meses e 17 dias”.

Segundo o governante maranhense, “a planta da casa é da autoria do distinto engenheiro Teixeira Brandão e as obras foram executadas por soldados da Força Pública, presos da Penitenciária e alguns operários civis, sob a imediata fiscalização do 1º tenente Carlos Moscoso e superintendidas por mim diretamente”.

Com respeito à necessidade da obra, relata que: “Foi efetuada para suprir uma lacuna há muito sentida pelos meus antecessores, que, por motivo de saúde, eram obrigados a deixar o palácio para veranear, sujeitando-se a aceitar casas de particulares graciosamente oferecidas ou alugadas, mas que não tinham o conforto nem o decoro necessários para habitação, embora provisória, do chefe do Estado”.

Sobre o custo da construção, arrematou: “A Casa de S. Marcos está inteiramente aparelhada, possuindo mobiliário próprio e tudo quanto a uma moradia é necessária para ser habitada confortavelmente. Com essa construção gastou o governo pouco mais de cem contos de réis, quantia insignificante relativamente ao vulto da obra, que assim foi conseguida somente em vista dos pequenos salários pagos aos soldados e presos, que fizeram a maior e mais difícil parte do serviço, isto é, o preparo do terreno”.

Depois de Magalhães de Almeida, a Casa de São Marcos passou por várias reforma. A primeira, na época do interventor Paulo Ramos, o qual, em exposição ao povo maranhense, publicada no Diário Oficial de 19 de agosto de 1938 disse: “Nada justificava o abandono completo e absoluto em que se encontrava o prédio estadual. Era uma tapera, atestando um descaso inqualificável. A propriedade está completamente restaurada”.  Revelou ainda que, além da restauração do imóvel, “a Diretoria de Obras Públicas fez uma casa para o vigia e uma ótima via de rodagem para São Marcos”.

A construção da estrada, com acessibilidade fácil e mais rápida, permitiu a Paulo Ramos freqüentá-la periodicamente. Sempre que o interventor se deslocava para a residência praiana, o seu gabinete, em nota oficial, como esta do dia 10 de dezembro de 1941, esclarecia: “S.Excia, o Sr. Interventor Paulo Ramos e  Exma. família transporta-se-ão amanhã, 11, para o Palácio de São Marcos, onde farão uma estação de veraneio e repouso”.

E advertia aos incautos: “Durante sua permanência ali, S. Excia. não receberá pessoas que desejam tratar sobre assuntos relativos ao serviço público, para o que reserva os dias que vier a esta Capital”.

Na realidade, os governadores maranhenses só começaram a usufruir mais intensamente da Casa de Veraneio de São Marcos após a presença de José Sarney no governo. Primeiro, com a abertura de uma estrada que começava no Turu e alcançava a aprazível praia. Depois, mercê da construção da Ponte do São Francisco, que acabou com o isolamento das praias Ponta D’Areia, São Marcos, Marcela e outras, só visitadas com auxílio de embarcações.

Os governadores, que vieram depois de Sarney, alguns mais, outros menos, ocuparam a Casa de São Marcos, para descanso nos finais de semana, caso de Pedro Neiva de Santana e Nunes Freire. O governador Edison Lobão praticamente ali morou por quase todo mandato.

A governadora Roseana Sarney e o sucessor José Reinaldo Tavares também realizaram reformas na Casa de Veraneio. Nela introduziram nova concepção arquitetônica e deram-lhe modernidade. Roseana só praticamente a usou para a comemoração de eventos ou solenidades festivas. José Reinaldo chegou a passar ali fins de semana ou curtas temporadas de lazer.

Mas, de uns tempos para cá, em decorrência do boom imobiliário, instalado em São Luís, as áreas em torno da Casa de Veraneio, consideradas nobres, foram literalmente compradas por empresas construtoras que ali projetaram e construíram edifícios de apartamentos, que se tornaram produtos de consumo para os emergentes setores sociais e dotados de alto poder aquisitivo.

A construção desses prédios, dentre os quais um hotel de categoria internacional, devassou a Casa de São Marcos, fazendo-a perder a finalidade, utilidade e privacidade tão desejada pelos governantes, que, como mortais, merecem descansos e repousos à custa dos contribuintes.

 

 

 

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