AS ELEIÇÕES NO MARANHÃO-SEBASTIÃO ARCHER DA SILVA (1)

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Com a aproximação das eleições à sucessão da governadora Roseana Sarney, nada mais interessante do que abordar as tratativas, articulações e acordos políticos, que resultaram nas eleições dos governadores que ocuparam o Palácio dos Leões, da redemocratização do País, em 1946, aos dias de hoje.

Para iniciar a série, que se remonte aos idos pós-Estado Novo, quando os políticos maranhenses começaram a se preparar para o Maranhão não ser mais dirigido por interventores federais, mas por governadores eleitos pelo sufrágio universal, direto e secreto, como mandava a nova Carta Magna do Brasil.

O primeiro passo nesse sentido foi a reorganização dos partidos políticos. Com a eleição do general Eurico Dutra, pelo PSD, à Presidência da República, o pernambucano Vitorino Freire, que se afastara do Maranhão, por ocasião da nomeação do interventor Paulo Ramos, retornou e com a intenção de participar ativamente da vida política, haja vista a amizade que o ligava a Dutra.

Em São Luis, aliou-se a Genésio Rego e a Clodomir Cardoso para a reestruturação do Partido Social Democrático. Essa aliança durou pouco, pois logo pipocaram as divergências entre as três lideranças do PSD, decorrentes especialmente do lançamento da candidatura de Genésio Rego ao governo do estado, marcada para 17 de janeiro de 1947.

Com trânsito fácil no Palácio do Catete, Victorino passou a minar a candidatura de Genésio e tomar dele o PSD, contando para isso com o apoio do interventor Saturnino Bello.

Dessa luta travada pelo domínio do partido, o PSD acabou dividido. Uma parte ficou com Victorino e a outra permaneceu com Genésio Rego e Clodomir Cardoso.  Se em São Luis os partidários das duas facções se duelavam, sobretudo através da imprensa, no Rio de Janeiro, o embate chegava ao Palácio do Catete, na expectativa de o presidente da República decidir a sorte do partido no Maranhão.

Como Dutra esquivava-se a intrometer-se na briga pessedista, o partido não se reunia e nem deliberava. Indefinida a situação, as duas correntes políticas encaminham o problema à Comissão Diretora Nacional do PSD, que reconhece o direito do partido ficar sob o controle de Victorino. Inconformados, os genesistas recorrem ao Tribunal Superior Eleitoral contra aquela decisão e acabam ganhando a parada.

Victorino perde momentaneamente a luta, não entrega os pontos e nem aceita a apoiar a candidatura de Genésio. Graças ao seu poder de fogo e de articulação, negocia e aluga a legenda do PPB – Partido Proletário Brasileiro, que imediatamente é organizado para homologar o seu candidato ao governo do Maranhão.

O candidato de Victorino era Saturnino Bello, o qual ficou inelegível ao pleito por ocupar o cargo de interventor. Para substituí-lo, Victorino trouxe o industrial e ex-prefeito de Codó, Sebastião Archer da Silva, que, a 29 de dezembro de 1946, em convenção realizada no Teatro Artur Azevedo, é lançado e aclamado por unanimidade candidato ao governo do Maranhão pelo PPB e PTB.

Os partidos oposicionistas também se organizaram para concorrer ao pleito de governador.  Enquanto o PSD homologa a candidatura de Genésio Rego, o Partido Republicano, dos irmãos Machado, lança o general Lino Machado, e a União Democrática Nacional indica Raimundo Públio Bandeira de Melo.

As eleições realizam-se a 19 de janeiro de 1947, sem haver praticamente campanha eleitoral. Cerca de 130 mil eleitores participaram do processo eleitoral em todo o estado.

Concluídas as apurações, as urnas apresentaram o seguinte resultado: Sebastião Archer da Silva, o vencedor, 36.532 votos; Lino Machado,  23.181; Genésio Rego, 13.448,  e Raimundo Públio Bandeira de Melo, 2.659 sufrágios.

O pleito foi questionado pelos partidos oposicionistas, sob o argumento de que em alguns municípios praticaram-se ilicitudes e fraudes, pois as urnas ficaram sob a guarda e responsabilidade dos Correios e Telégrafos, repartições chefiadas pelos prepostos de Victorino Freire. Alguns recursos foram julgados pelo Tribunal Regional Eleitoral, outros pelo Tribunal Superior Eleitoral. Mas, à falta de maiores comprovações, as duas instâncias não deram provimento aos processos.

Limpada a pauta, o presidente do TRE, desembargador Henrique Costa Fernandes, a 21de março de 1847, anunciou o resultado oficial das eleições, nas quais o candidato do PPB, Sebastião Archer da Silva esmagou os adversários, impondo-lhes retumbante derrota. A 10 de abril de 1947, deu-se a solenidade de posse do novo governador, iniciando-se, assim, a era vitorinista no Maranhão.

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