BOLIVIANOS E COMUNISTAS

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Durante anos, o silêncio sepultou os motivos que levaram a Bolívia a indicar um cidadão para exercer as funções de cônsul em São Luis, cidade despovoada de grupos ou famílias bolivianas, que justificassem a presença de um representante do corpo diplomático, para tratar de assuntos de interesse daquele país no Maranhão.

Foi nesse vácuo, que veio à tona uma informação sem caráter oficial ou oficioso, de autoria ignorada e de origem desconhecida, que circulou em São Luis, sob a forma de lenda, e como tal, pode ou não ser verdadeira.

Como lenda, conta-se que no final dos anos 1950, o embaixador da Bolívia, no Brasil, ouvia o seu rádio, no Rio de Janeiro, então capital da República, quando, por acaso, sintoniza uma emissora de São Luis, e ouve um entusiasmado locutor esportivo, transmitindo uma partida de futebol, no estádio Santa Isabel.

Já ia mudar de estação, eis que é tomado de súbita e brutal surpresa. O locutor, em altos brados, dizia: – Mais de cinco mil bolivianos ruidosamente comemoram a sensacional vitória do Sampaio Correia sobre o seu maior adversário, o Moto Clube.

Foi o bastante para, no dia seguinte, o diplomata boliviano fazer uma exposição de motivos ao ministro das Relações Exteriores e pedir a nomeação de um patrício para cônsul da Bolívia em São Luis.

De acordo ainda com a lenda, o governo da Bolívia imediatamente atendeu ao pedido do embaixador. O cônsul, uma figura humana afável e simpática, enfronhou-se facilmente na sociedade, casou-se com uma maranhense e construiu uma família sólida. Aqui permaneceu até o seu falecimento.

O episódio boliviano remete a um fato bem atual. Após a posse do governador Flávio Dino, uma fabulosa corrida de vereadores e prefeitos municipais para o PC do B, o que significa dizer que o interior do Maranhão virou um antro de comunistas.

Se a Rússia fosse hoje um país dominado pelos “vermelhos”, certamente a diplomacia soviética já teria feito o que os bolivianos fizeram anos atrás: nomeado e mandado para o Maranhão um cônsul russo.

AS ESCOLAS DE TAIPA

Em 1966, quando o governador José Sarney assumiu o governo do Maranhão, deparou-se com grave problema educacional: a falta de escolas na zona rural. Para vencer essa etapa de atraso, foi concebido o projeto “João de Barro”, através do qual um processo de educação integral, em nível elementar (leia-se alfabetização), o homem rural seria inserido no meio sócio-econômico.

Para suprir a falta de escolas, projetaram-se construções de baixo custo, feitas em mutirão e não estranhas ao meio rural. Os prédios escolares seriam de taipas e palha e piso de chão batido, como as moradias locais. Para a ativação do processo ensino-aprendizagem, selecionaram-se pessoas da própria comunidade, com capacidade de liderança e de realizar atividades de ensinar, ler e escrever.

Como se observa, há cinqüenta anos, a preocupação do governo Sarney era construir escolas de taipa, para possibilitar ao homem da zona rural condições de enfrentar as vicissitudes da vida.

No governo Flávio Dino, o Maranhão vive uma situação bem diferente. As escolas de taipa que o governador encontrou, certamente não são mais as do projeto “João de Barro”, que chamavam a atenção dos educadores nacionais e estrangeiros, que vinham ao Maranhão para ver como elas funcionavam e os resultados obtidos no processo de alfabetização de adultos e crianças.

As de hoje são produtos da inércia e da incúria dos prefeitos municipais e objetos de comentários depreciativos dos principais meios de comunicação do país.

A RESSURREIÇÃO DE VIDIGAL

Quem viu o jornalista Edson Vidigal mais recentemente não faz segredo do momento em que ele vive.

Conquanto não esteja bem de saúde, pois luta contra um câncer de próstata, o seu humor voltou aos tempos de outrora.

Deve esse estado de espírito – de descontração e tranqüilidade -, ao reencontro com o ex-presidente José Sarney, do qual espera nunca mais afastar-se.

POSIÇÃO DE OPOSIÇÃO

O jornalista Ribamar Corrêa está coberto de razão quando disse na sua coluna eletrônica que a grandeza política de José Sarney não tem limite.

Quando Sarney disse que “O povo nos colocou na oposição”, é porque entendeu corretamente a lição das urnas, nas eleições de 2014, de que uma derrota traz mais sabedoria política do que uma eventual vitória.

A VOLTA DE ALESSANDRO

A virada de mesa de Alessandro Martins, depois de anos de ausência de São Luis, representa o triunfo de um homem ambicioso, com uma preocupação na vida: ganhar dinheiro, mas nem sempre de acordo com as regras impostas pela lei.

Ele volta ao mercado de venda de carros, para tentar, como outrora, ultrapassar os concorrentes. Chega com um largo sorriso e lembrando a composição musical de Adelino Moreira, que o cantor Nelson Gonçalves, nos anos 1950, transformou em grande sucesso:

Boemia, aqui me tem de regresso

E suplicante te peço a minha nova inscrição

Voltei para rever os amigos que um dia

Eu deixei a chorar de alegria

Boemia, sabendo que andei distante

Sei que essa gente falante vai agora ironizar

Ele voltou, o boêmio voltou novamente

Partiu daqui tão contente

Por que razão quer voltar?

MORREU FRUSTRADO

Monsenhor Hélio Maranhão, em seus sermões, sempre foi claro: no seu enterro, em vez de tristeza, queria alegria, música, bebida e foguete.

O que pediu insistentemente não aconteceu: foi enterrado como qualquer mortal. Sem lenço e sem documento. Mas no andar de cima, ao chegar, foi recebido como gostaria.

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