DE JOMAR E DE JOSUÉ

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Neste mês, duas datas marcam significativamente a Academia Maranhense de Letras: 16 de agosto de 2016, falecimento de Jomar Moraes; 21 de agosto de 1017, nascimento de Josué Montello.

São datas que trazem no seu bojo sentimentos diferenciados: tristeza pelo desaparecimento de Jomar; alegria pela chegada de Josué.

De Jomar Moraes, que nos deixou recentemente, vale dizer, sua presença ainda é muito forte em nosso meio, daí porque não conseguimos esquecer a sua figura humana e de intelectual, sempre a serviço da Casa de Antônio Lobo, pela qual devotava incomensurável paixão a partir de 10 de maio de 1969, ao nela ingressar pela vontade da maioria acadêmica, que, mais tarde, o conduziu à presidência da instituição.

No comando da AML, ao longo de 22 anos, entregou-se de corpo e alma e em tempo integral e dedicação exclusiva, a ponto de fazê-la renascer das cinzas, revigorando-a materialmente, de modo a impor-se na sociedade maranhense como o templo do saber e da cultura.

Concomitante ao trabalho em prol da Academia Maranhense de Letras, Jomar deixou o seu nome gravado no cenário cultural maranhense como pesquisador, ensaísta, cronista, historiador e editor. De sua vasta e rica bibliografia, destacam-se obras de grande repercussão nacional, que poderiam servir de passaporte para ingressar na Academia Brasileira de Letras, hipótese que jamais pensou, por pura modéstia.

A minha amizade com Jomar vem dos idos de 1968 e da redação do extinto Jornal do Dia, no qual, aos domingos, a gente publicava uma página literária, por meio da qual se lançou candidato à Academia Maranhense de Letras, para ocupar a cadeira 10, vaga com a morte de Henrique Costa Fernandes. Mesmo sabendo que enfrentaria o poeta Fernando Braga, apoiado pelo jornalista Erasmo Dias, partiu para a luta, à qual eu e a minha coluna Roda Viva, que escrevia diariamente no Jornal do Dia, nos engajamos. Lembro que no dia do pleito, um temporal desabou sobre a cidade, mas nem por isso deixamos de visitar os acadêmicos que participaram do processo eleitoral, que, ao final, apresentou o insofismável triunfo de Jomar.

Participei daquele embate acadêmico sem jamais pensar em recompensa. Por isso, num dia de abril de 1990, surpreendo-me com o convite de Jomar para candidatar-me à Academia Maranhense de Letras, à vaga do meu saudoso e querido professor Fernando dos Reis Perdigão, falecido no Rio de Janeiro.

Como a AML não estava em minhas cogitações, tentei recusar o convite, mas ele conseguiu quebrar a minha resistência e mudei de opinião.  Como estava escrito nas estrelas, a eleição foi tranquila, pois não tive competidor. A 2 de agosto de 1990 recebi 31 votos dos acadêmicos. Oito dias depois do pleito, a 10 de agosto, eu tomava posse na cadeira 13, patroneada por José Cândido de Moraes e Silva, sendo recepcionado por Milson Coutinho.

Quanto a Josué Montello, que seja, também, evocado e louvado neste mês, pelo seu nascimento, ocorrido no dia 21de agosto de 1017, em São Luís do Maranhão, cidade que  exaltou em prosa brilhante, pois sempre a usava para cenário de sua obra romanesca.

Antes de conhecê-lo pessoalmente, já tinha intimidade com os seus romances, que comecei a lê-los no Rio de Janeiro, quando fazia o curso de Agronomia, na Universidade Rural, onde costumava trocar as aulas enfadonhas pelas leituras de renomados autores da literatura brasileira e portuguesa.

Foi por obra do jornalismo que o meu relacionamento com Josué Montello corporificou-se. Sua nomeação para o cargo de reitor pro-tempore da Universidade Federal do Maranhão, em outubro de 1972, nos aproximou.  Muita gente, à época, pensava ser eu o seu assessor de imprensa, pois as informações mais preciosas da Universidade eram veiculadas através de Roda Viva, que ele fazia questão de dar em primeira mão.

Acompanhei de perto o seu trabalho na UFMA, bem como as desavenças verbais e explosivas que manteve com o ex-reitor, cônego Ribamar Carvalho, que repercutiram dentro e fora do campus universitário.

Ao término de sua gestão, retorna para o Rio de Janeiro, mas a nossa amizade permanece firme e forte. Com ele gostava de escrever cartas, não foram poucas as endereçadas à minha pessoa. Guardo-as todas com imenso carinho, uma delas com a revelação de um episódio, muito explorado politicamente, de um forte atrito dele com Nunes Freire, no Palácio dos Leões.

POSSES NO EXECUTIVO

Anotem, para conferir depois. Das novas regras eleitorais a serem votadas pelos deputados federais, só uma deverá ser aprovada.

A que estabelece novas datas para as posses dos eleitos para os cargos executivos: 6 de janeiro para governadores e prefeitos; 7 de janeiro para presidente da República e 1º de fevereiro para deputados e vereadores.

Afinal, 1º de janeiro volta a ser o que era: o dia da confraternização universal.

FÓRMULA VITORINISTA

O secretário de Esportes do Governo do Estado, Márcio Jardim, quer que o PT do Maranhão  convide a ex-presidente Dilma Roussef para se candidatar ao Senado  da República.

Essa fórmula teve seus dias de glória no Maranhão, quando o vitorinismo reinava de modo avassalador na política estadual.

Estribada nela, o PSD maranhense fez o senador Antônio Bayma e o suplente Newton Bello renunciarem aos cargos, para que o jornalista Assis Chateaubriand, o poderoso dono dos Diários Associados, derrotado na Paraíba, recuperasse o mandato de senador, num pleito intempestivo, realizado em março de 1955.

Nas eleições majoritárias de 1962, o próprio senador Vitorino Freire trouxe do Rio de Janeiro o empresário Miguel Lins para ser o seu companheiro de chapa.

ZÉ REINALDO EM CENA

O deputado José Reinaldo encontra-se em estado de graça.

No sábado passado, a convite do amigo Mauro Fecury, marcou presença, em companhia da namorada, na festa realizada no Espaço Renascença, em comemoração ao Dia dos Pais. Dançou e se divertiu como nos velhos tempos.

Dias depois, reencontrou-se com o governador Flávio Dino, do qual havia se afastado politicamente. Pelo que se sabe, a conversa entre os dois foi proveitosa e parece que assumiram um pacto para marcharem novamente juntos nas eleições do ano vindouro.

ENREDOS CARNAVALESCOS

As escolas de samba de São Luís resolveram imitar as escolas de samba do Rio de Janeiro, quanto à maneira de arrebanhar recursos para os desfiles carnavalescos.

Se as escolas de sambas cariocas se valem dos temas regionais para atrair a grana dos governadores e dos empresários, as escolas de samba da capital maranhense correm atrás dos prefeitos e dos homens de negócios do interior em busca de verbas para exaltá-los em seus enredos.

A Flor do Samba, por exemplo, já encontrou um empresário forte para bancar o seu carnaval em 2018: Ilson Mateus, que terá a sua vida e o seu empreendimento louvados e cantados em pleno desfile carnavalesco.

DEPUTADOS FOLCLÓRICOS

Dois deputados federais do Maranhão, nesta legislatura, chegaram a fazer parte da Mesa Diretora da Câmara.

Waldir Maranhão ocupou o cargo de 1º vice-presidente, no exercício do qual praticou os maiores vexames e envergonhou a nossa terra e a nossa gente.

Agora é o deputado André Fufuca, eleito 2º vice-presidente, que não chega a cometer as sandices de Waldir Maranhão, mas faz sucesso nas redes sociais por causa do cabelo e do sobrenome, razão pela qual é comparado à figura folclórica de Zacarias, de Os Trapalhões.

A FEIRINHA E AS IGREJAS

Desde a instalação da Feirinha na Praça Benedito Leite, os padres que celebram os ofícios religiosos nas igrejas de Nossa Senhora do Carmo, da Sé e de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, todas, no Centro da Cidade, passaram a viver dias de tranquilidade e de paz.

Os abusos, os roubos e assaltos, praticados à luz do dia, que espantavam os católicos dos atos litúrgicos, sumiram e as igrejas voltaram a ser frequentadas, pois sabem que um esquema de segurança ali marca presença nos finais de semana.

Se for pela vontade do clero e dos fiéis, nunca mais aquela Feirinha dali sairá.

 

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