OS BISPOS NA POLÍTICA MARANHENSE

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De 1922, quando a Diocese de São Luís foi elevada à Arquidiocese, aos dias correntes, sete prelados,  incluindo o atual,  chefiaram o arcebispado maranhense.  O último, Dom José Belisário, até agora, tem se mantido equidistante dos problemas políticos  do Maranhão. Nem mesmo com o atual governador, um assumido membro do Partido Comunista,  nada aconteceu que viesse arranhar  a boa convivência entre o Poder Político e o Poder Eclesiástico.

Tomando por base  a Bula do Papa Pio XI, o primeiro arcebispo da Arquidiocese de São Luís do Maranhão  chamava-se Dom Otaviano Pereira de Albuquerque, na gestão do qual(1922 a 1935), veio à tona um complicado problema causado pelo padre Astolfo Serra, que pela ativa participação na Revolução de Trinta, foi nomeado pelo presidente Getúlio Vargas, interventor federal no Maranhão, com a concordância do novo prelado.  O padre, contudo, não se comportou, politicamente e moralmente, como devia no cargo que ocupava, fazendo o chefe da Nação exonerá-lo  da interventoria, ato que tentou resistir, mas em vão, até porque Dom Otaviano o suspendeu do exercício sacerdotal, pois na cidade corria à boca pequena que teve no Palácio dos Leões um caso de amor com uma mulher, com quem  teve um filho, batizado com o nome de Lenine.

A Dom Otaviano, também,  foi dada a importante missão de no Maranhão organizar a LEC- Liga Eleitoral Católica, constituída por figuras influentes da sociedade maranhense, que deveriam concorrer às eleições de maio de 1933 e outubro de 1934, cujos eleitos  se encarregariam de elaborar, respectivamente, as novas  Constituições do Brasil e do  Maranhão.

O segundo prelado nomeado  pelo Vaticano para gerir os destinos do arcebispado maranhense foi Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota, no período de 1935 a 1944. Em 1940, quando a Ordem dos Advogados do Brasil encaminhou ao presidente Getúlio Vargas, para submeter à votação no Congresso Nacional, o projeto do divórcio no Brasil, Dom Carmelo dirigiu-se ao Chefe da Nação protestando contra a proposta da OAB, que “se convertido em lei, pela sua iniquidade do ponto de vista jurídico e social, causaria a destruição da família brasileira e a destruição da Pátria ”.

Antes das eleições de janeiro de 1947, em que seriam eleitos os novos governantes do Maranhão, Dom Carlos tomou uma atitude audaciosa: endereçou aos partidos políticos que participariam do pleito, um documento “a fim de saber se os mesmos teriam realizado acordo com o Partido Comunista”. A resposta de todos foi negativa. Outra iniciativa do arcebispo: louvou o deputado Fernando Viana, autor do projeto que mandava colocar no plenário da Assembleia Legislativa, a imagem de Jesus Cristo.

O sucessor de Dom Carlos Carmelo, o alagoano Dom Adalberto Accioli Sobral (1947 a 1951), ao assumir as funções episcopais, tomou uma atitude corajosa e inédita relacionada ao clero. Em novembro de 1947, divulga um documento incisivo contra a participação de sacerdotes na atividade política, do qual extraio este trecho: “Fiel ao nosso sistema de governo, não permitiremos padres da nossa amada Arquidiocese exercendo cargos, direta ou indiretamente ligados à atividade política”.  E arrematou: “Os padres perderão imediatamente  as suas paróquias, desde que fiquem comprovadas tais atividades, sem prejuízo de outras penas canônicas em que possam incorrer, conforme a gravidade de cada caso em particular”.

Comenta-se que por causa desse documento o padre Joel Barbosa Ribeiro, eleito deputado estadual nas eleições de janeiro de 1947, teria abandonado a batina.

Em setembro de 1950, um mês antes das eleições majoritárias de presidente da República e de governador do Maranhão,  Dom Adalberto Sobral lança um “Comunicado” ao povo católico maranhense, ao qual recomenda as candidaturas à Presidência da República de Cristiano Machado, PSD, Eduardo Gomes, UDN, e Getúlio Vargas, PTB, mas veta o candidato a vice-presidente, João Café Filho, e os candidatos do Partido Socialista Brasileiro, o primeiro pelo “seu passado hostil à Igreja” e os socialistas por “não  incluíram no seu programa as reivindicações católicas”. Essa nota de Dom Adalberto repercutiu com tamanha força na opinião pública nacional que fez o candidato Café Filho vir a São Luís para um entendimento com o chefe do clero maranhense.

Em março de 1951, o nosso arcebispo encontrava-se em Maceió, sua terra natal, recuperando-se de um problema de saúde, mas preocupado com os movimentos de insubordinação política, reinantes em São Luís, contra a posse do governador Eugênio Barros, enviou às lideranças oposicionistas e governistas a seguinte Mensagem Paternal: “Que o espírito ordeiro e a bondade inata do povo maranhense encontrem  a solução para o caso político num ambiente de caridade e fraternidade, mesmo a custa dos maiores sacrifícios particulares”.

Substituiu Dom Adalberto o paraibano  Dom José de Medeiros Delgado(1951 a 1963). No seu vicariato, notabilizou-se sobremodo por iniciativas no campo do empreendedorismo, com a criação em São Luís e no interior do Estado de órgãos voltados para melhorar  o nível educacional e gerar empregos ao povo de Deus, destacando-se  o Movimento de Educação de Base, a Universidade Católica do Maranhão, a União Agro-Pecuária Ltda., em Marianópolis, a Rádio Educadora, o Banco Rural, a Tipografia São José, bem como os programas  DURIL, para auxiliar os estudantes universitários, e a ASA, para promover obras assistenciais nos bairros, e as Dioceses de Viana, Brejo e Bacabal.

Na gestão de Dom Delgado, o bispo-auxiliar, Dom Antônio Fragoso era figura de proa e a ele foi atribuído o  papel de coordenador do MEB – Movimento de Educação de Base, com a finalidade promover a Educação Fundamental dos Cristãos Leigos, programa que sofreu retaliações dos militares e o levaram à extinção.

Para substituir Dom Delgado, transferido para a Arquidiocese de Fortaleza, veio o pernambucano  Dom João Mota e Albuquerque, que aqui ficou onze anos (1964 a 1984). Graças ao seu temperamento cordial e a maneira afetuosa como tratava católicos e não católicos, o prelado conseguiu atravessar os anos duros do regime militar sem maiores problemas e manteve com os segmentos políticos do Estado um relacionamento de fraterno entendimento. Soube conduzir diplomaticamente as questões que resultaram em prisões de alguns padres, que à frente de suas paróquias, insurgiram-se contra as medidas de força adotadas  pelo governo autoritário.

Depois de vinte anos  no Maranhão,  Dom Mota, por motivo de saúde, nos deixou. Para ocupar o seu lugar, chegou o cearense Dom Paulo  Eduardo Andrade Ponte, o prelado que mais tempo esteve à frente da Arquidiocese de São Luís: 21 anos, ao longo dos quais não se indispôs com qualquer  autoridade estadual. No problema gerado com a excomunhão do governador Luiz Rocha, limitou-se a prestar solidariedade ao bispo de Bacabal, Dom Pascácio Retler, assinando  o documento “Carta ao Povo de Deus”, em que onze bispos do Maranhão manifestaram repulsa ao gesto do governador maranhense por não tomar nenhum atitude  contra o assassinato de um lavrador de Lago do Junco, morto a mando de um fazendeiro da União Democrática Ruralista.

Ao final do mandato de Luiz Rocha, Dom Paulo, por sua livre e espontânea iniciativa,  convidou o governador para assistir uma cerimônia religiosa na Catedral Metropolitana, onde pessoalmente fez questão de lhe restituir o sacramento da comunhão.

Na gestão de Dom Paulo Ponte, outro bispo-auxiliar, também, destacou-se: Dom Edmilson Cruz. Na celebração de uma missa em ação de graças, sob os auspícios da oficialidade do 24º Batalhão de Caçadores, ele não poupou críticas aos generais que se encontravam no comando do país. Em protesto às palavras do prelado, os oficiais se retiraram da igreja.

AVENIDA FANTASMA

Todas as vias públicas de São Luís, que serviam de suporte aos estabelecimentos comerciais, estão vivendo um pavoroso processo de esvaziamento, por causa da crise.

Nenhuma delas sofreu mais do que a Avenida Castelo Branco,  que até antes da crise que assola a nossa economia, era uma das mais povoadas da cidade.

De um lado e de outro da avenida, poucas  as lojas abertas e em atividade. Ainda restam o Centro Elétrico, a Eletro Mateus e a Novo Mundo, mas, pelo andar da carruagem, podem desertar dali a qualquer momento.

SENADORES PREFERIDOS

Eu não perco tempo com pesquisas. As minhas avaliações, com  relação às eleições de outubro vindouro, emanam de confiáveis informações de amigos do interior do Estado, testemunhas vivas do andamento processo eleitoral.

Com base nessas insuspeitas informações, apenas três candidatos dominam a preferência do eleitor, com vistas ao Senado: Sarney Filho, Edison Lobão e José Reinaldo.

Para os três deverão migrar os votos do eleitorado maranhense.

O resto, diria o saudoso amigo, Benito Neiva, é abstracionismo.

O MELHOR E O PIOR

Pelo que se ouve das pessoas que acompanham os trabalhos da Assembleia Legislativa, o melhor parlamentar desta legislatura é Adriano Sarney, pelo preparo intelectual, serenidade e discurso.

Com relação ao pior deputado, a resposta é unanime: difícil apontar porque a fila é grande.

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