A CULTURA POSTA EM QUESTÃO

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O Maranhão, nos séculos XVIII e XIX, conquistou o reconhecimento nacional, pela riqueza de talentos intelectuais.

Não por acaso, pelo expressivo número de escritores que oferecemos ao Brasil – João Lisboa, Gonçalves Dias, Odorico Mendes, Sotero dos Reis, Gomes de Sousa, José Cândido de Morais e Silva, Sousândrade, Antônio Henriques Leal, César Marques, Cândido Mendes de Almeida, Luís Antônio Vieira da Silva, Joaquim Serra, Adelino Fontoura, Celso Magalhães, Coelho Neto, Raimundo Correia, Graça Aranha, Artur e Aluísio Azevedo, Raimundo Lopes, conquistamos o meritório título de Atenas Brasileira.

Alguns desses renomados homens de letras, se projetaram com tamanha força na vida literária brasileira, que trocaram o Maranhão pelo Rio de Janeiro, o mais importante centro político e cultural do país.

A dimensão intelectual de nossos conterrâneos era de tal modo marcante na cena nacional, que ao se fundar a Academia Brasileira de Letras nada menos do que cinco escritores maranhenses dela fizeram parte: Artur Azevedo, Aluísio Azevedo, Coelho Neto, Raimundo Correia e Graça Aranha, façanha que nenhum outro estado da Federação brasileira realizou.      

Esse quadro de brilhantes intelectuais, que despontou no Maranhão e deixou o Brasil encantado, aflorou numa época em que aqui não contava com nenhum órgão público, dedicado a ajudar ou promover escritores e artistas, os quais, para tornarem as suas produções conhecidas, valiam-se do talento intelectual e da coragem pessoal, ou então do empurrão de um amigo, geralmente da área literária, que os conduziam a penetrar num espaço incógnito e competitivo, como o Rio de Janeiro.

O introito acima, conduz e sugere uma discussão oportuna sobre os motivos pelos quais o Maranhão, naqueles idos, mesmo sem a presença de nenhum órgão estatal, teve notável representatividade no cenário nacional.

Visto isso, cotejar aquele tempo com outro momento da vida cultural maranhense, a partir do qual criaram-se instrumentos governamentais, para a promoção de valores intelectuais e incremento da produção cultural nativa, mas que funcionaram timidamente. Essa situação só melhora quando a Lei de Incentivos Fiscais entra em ação, mesmo sendo desvirtuada pelo próprio Governo.

 A título de informação, adianto que foi a partir dos anos 1960 que o Poder Público começou a fazer incursões no campo cultural, por iniciativa do governador Newton Belo ao criar o Departamento de Assuntos Culturais, substituído nos anos 1970, pela Fundação Cultural do Maranhão, criada pelo governador Pedro Neiva, e transformada em Secretaria da Cultura, nos anos 1980, pelo governador João Castelo.

Agora, uma pergunta impõe-se inevitavelmente: por que com toda essa estrutura, o Poder Público até hoje não teve condições de criar uma positiva e elevada política estadual de cultura? A resposta é simples: porque à SECMA destinou-se no Orçamento do Estado uma dotação ridícula e irrisória que não é suficiente para manter nem a pesada carga de organismos que giram em torno dela, a exemplo da Biblioteca, Arquivo, Casa da Cultura, Teatros, Museus, Escolas de Música, de Artes Plásticas e de Dança.

Dessa acanhada dotação orçamentária, o que sobra, convém salientar, é praticamente impossível a SECMA promover ações para estimular, promover e divulgar publicações de livros de autores maranhenses, realizar exposições pictóricas, montar shows musicais e teatrais com os artistas da terra, fazer exposições fotográficas e outras atividades afins.

Nesses quase sessenta anos de presença do DAC, FUNC e SECMA na vida cultural do Maranhão, vinte agentes públicos foram seus titulares: Governo Newton Bello- José Martins Bello; Governo José Sarney – Domingos Vieira Filho; Governo Pedro Neiva – José Martins Belo; Governo Nunes Freire – Jomar Moraes; Governo João Castelo, Bernardo Almeida e Arlete Nogueira Machado; Governo Luiz Rocha- Joaquim Itapary e Jomar Moraes; Governo Cafeteira- Laura Amélia e Américo Azevedo Neto; Governo João Alberto- Benedito Buzar; Governo Edison Lobão- Nerine Lobão e Luis Phelipe; Governos Roseana Sarney- Eliézer Moreira, Luís Bulcão e Olga Simão; Governo José Reinaldo-Antônio Padilha; Governo Jackson Lago- Joãozinho Ribeiro; Governo Flávio Dino, Diego Galdino e Anderson Lindoso.

Importante: nove desses nomes, fazem parte da Academia Maranhense de Letras: Domingos Vieira Filho, Bernardo Almeida, Joaquim Itapary, Jomar Moraes, Laura Amélia, Américo Azevedo Neto, Benedito Buzar, Luís Phelipe e Eliézer Moreira.

O governador Flávio Dino foi o único que nomeou para a SECMA nomes sem nenhuma vinculação com os meios culturais: Diego Galdino e Anderson Lindoso.

BUMBA-MEU- BÚFALO

Não dá para esquecer o ex-deputado Bayma Serra nessa época junina, quando produziu uma de suas mais interessantes pérolas.

Foi no tempo do governo Pedro Neiva, quando o secretário de Agricultura, Lourenço Tavares quis introduzir na baixada maranhense a criação de búfalos.

Bayma Serra logo anunciou a apresentação de um projeto na Assembleia, para, no Maranhão, o Bumba-Meu-Boi ser Bumba-Meu-Búfalo.           

AVENIDA PAULISTA E COPACABANA.

Em vez da Secretaria de Turismo, como faz todos os anos, apresentar as brincadeiras do Bumba-Boi em eventos da Associação Brasileira de Agentes de Viagens, deve fazer algo mais positivo e promissor ao turismo maranhense.

Exibir os Bumbas-Bois e outras atividades folclóricas, aos domingos, ao longo da Avenida Paulista e da Praia de Copacabana.

 Garanto que no ano seguinte, São Paulo e o Rio de Janeiro mandariam legiões de turistas para São Luís.

OCUPAÇÕES DE CASARÕES

Acho extremamente importante essa ação do Governo do Estado de revitalizar alguns casarões do centro da cidade e transformá-los em moradias.

Mas há um porém: se o projeto for destinado aos moradores da classe média, na sua grande maioria proprietária de automóveis, os casarões reformados precisam ter garagem coletiva e subterrânea.

SERÁ MULHER?

O governador Flávio Dino tem dito em seus recentes pronunciamentos que “espera do próximo governador ou governadora realizar o que deixou de fazer”.

Se o aviso for para os homens, a fila é grande. Mas se for para as mulheres, a fila é pequena e formada por Roseana Sarney (quem,sabe?), Eliziane Gama, Maura Jorge, Kátia Bogéa e Cleide Coutinho.

REFORMA DA ACADEMIA

Quando se fala em reforma do Centro Histórico, omite-se o trabalho a ser feito na Academia Maranhense de Letras, a ser restaurado por iniciativa do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

A obra de restauração da AML, será licitada ainda este mês, com recursos conseguidos pelo presidente Benedito Buzar junto à presidente e ao superintendente do IPHAN, Kátia Bogéa e Maurício Itapary.

NUNES O POLIVALENTE

Em todo o Governo há uma figura, que por ser ligada e da confiança do governador, assume o papel de polivalente.

No governo de Flávio Dino, até agora, quem tem sido o seu polivalente é o advogado Antônio Nunes.

Começou o governo no cargo de diretor-geral do Detran, depois foi remanejado para a secretaria de Governo e agora aportou numa tal Empresa Maranhense de Parceria.

Alguém pode me dizer o que faz essa Empresa Maranhense de Parceria?

EU E JOÃO GILBERTO

Uma das maiores glórias e alegrias que tive na vida foi o de ver o grande e inesquecível João Gilberto cantar e tocar violão numa apresentação especial, no Rio de Janeiro, no Teatro Municipal.

Isso aconteceu no começo dos anos 1960, quando ele começava a se tornar conhecido por introduzir na música popular brasileira o toque da bossa nova, que a transformou em coqueluche mundial. 

Quem dividiu comigo toda aquela emoção foi o grande e inseparável amigo, José Mário Machado Santos.

FAMA DO MARANHÃO

Não é de hoje que os políticos e os partidos maranhenses não são bem vistos por personalidades de realce, que deixaram, pelas suas ações e atuações, marcas indeléveis na vida brasileira.

Uma dessas personalidades foi Duque de Caxias que ao chegar ao Maranhão em 1838, para combater os revoltosos da Balaiada, na sua primeira proclamação ao povo maranhense, disse em alto e bom som: “Mais militar do que político, eu quero ignorar os nomes dos partidos que por desgraça entre nós existem”. 

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