A ESTÁTUA DE GONÇALVES DIAS

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Como acontece anualmente, a Academia Maranhense de Letras, promove um evento a 10 de agosto, dia do nascimento do poeta Gonçalves Dias, patrono da AML, cuja fundação ocorre nessa data.

A dupla efeméride, sempre comemorada na praça onde edificou-se a estátua em homenagem ao maior poeta brasileiro, é abrilhantada com a presença dos membros das Academias de Letras, de intelectuais, professores e alunos da rede pública de São Luís.

No recente evento, em homenagem a Gonçalves Dias, eu tomei a iniciativa de ler um texto da autoria do saudoso escritor Josué Montello, publicado no livro “Janela de Mirante”, intitulado “As vicissitudes da estátua”, que conta a história relativa à construção do monumento à glorificação do poeta.

Para minha surpresa, o assunto focado por Josué Montello, era desconhecido por boa parte dos presentes ao evento, razão pela qual resolvi publicá-lo nesta coluna, para o conhecimento dos meus leitores.

Ei-lo: “Ao Dr. Antônio Henriques Leal deve o Maranhão dois monumentos à memória de Gonçalves Dias: a grande biografia do poeta, publicada em 1874, em Lisboa, e a estátua do Cantor dos Timbiras, erguida entre as palmeiras, no Largo dos Remédios”.

“Foram tais os óbices levantados no seu caminho, no correr de quase dez anos de obstinada luta, que outro qualquer, sem a sua teimosia irredutível, teria mudado de ideia, deixando que outra geração se desincumbisse da homenagem ao mestre da Canção do Exílio”.

“Assim que teve notícia do naufrágio do Ville de Boulogne, em cujo bordo viajava Gonçalves Dias, Henriques Leal fez o que pôde para encontrar o corpo do poeta. Nada conseguindo, reuniu na sua casa um grupo de amigos, aos quais comunicou o seu propósito de erguer uma estátua ao grande poeta, que, pela sua significação na cultura brasileira, não deveria ficar restrita à contribuição dos maranhenses, daí a ideia de uma subscrição nacional, que Sotero dos Reis, velho mestre do Liceu Maranhense, ficou encarregado de redigir o apelo aos brasileiros”.

“Por intermédio de um outro amigo, Joaquim Serra, apelou o Dr. Leal para a Assembleia Provincial do Maranhão, solicitando-lhe uma ajuda de 10 contos de reis, mas só conseguiu dois, e a duras penas. Nisto, adoece gravemente, e tem de ir para Lisboa, onde permanece durante quatro anos, mas de lá escreve para o amigo Luís Antônio Vieira da Silva, pedindo-lhe que obtenha da Assembleia Geral Legislativa a autorização de duas loterias, pelo plano da Santa Casa de Misericórdia da Corte, ambas em favor da estátua de Gonçalves Dias e ambas malogradas, mas que não o fizeram desistir na sua infatigável coleta, ora pedindo um donativo a este, ora àquele, como se os insucessos só tivessem mesmo o dom de acirrar-lhe a vontade inquebrantável”.

“A despeito de não ter ainda o dinheiro para a estátua, o obstinado sonhador dirigiu-se a dois estuários europeus: um, em Roma, outro em Paris, para saber quanto sairia a obra. Levou um susto, pois o que tinha no banco estava muito longe do que teria de pagar. Como não desistiu do projeto, em Lisboa, encontrou quem lhe fizesse o monumento por um preço mais em conta: o Sr. Germano José de Sales, mas antes de autorizar a execução dos trabalhos, achou de bom conselho ouvir a opinião de Manuel Araújo Porto Alegre, poeta e amigo de Gonçalves Dias, sobre o desenho que idealizara, com a estátua do conterrâneo sobre uma coluna coríntia, que Porto Alegre sugeriu trocar por um estipe mais adequado, com a colocação nas quatro faces do plinto, dos medalhões de Gomes de Sousa, João Francisco Lisboa, Sotero dos Reis e Odorico Mendes”.

“Foi quanto bastou para que os maranhenses o fustigassem pela imprensa. Como era isso? O poeta ficaria lá em cima e os quatro cá em baixo? Henriques Leal teve de vir a público para defender-se. Encomendada a estátua, tratou de obter-lhe o logradouro público adequado e fixou-se no Largo dos Remédios, de cuja rampa se descortina a baía de São Marcos. A 10 de agosto de 1872, data do aniversário de nascimento do poeta, conseguiu afinal assentar a primeira pedra do monumento, numa solenidade assistida pelo Presidente da Província e na qual tomou parte, recitando versos, o jovem Artur Azevedo”, o qual, por meio de seu jornal O Domingo, entrou na polêmica, reinante em São Luís, se a estátua deveria ficar voltada para a terra ou para o mar, dúvida que acaba com este parecer do poeta Araújo Porto Alegre: “ A estátua do nosso querido Gonçalves Dias deve olhar para o mar”.

VOZ DE TABOCA

Com aquela voz de taboca, que Deus lhe deu, no dia em que o deputado Josimar de Maranhãozinho usar a tribuna da Câmara Federal para fazer alguma comunicação, não vai ficar ninguém no plenário.

CONSELHO FECAL

O Presidente da República, Jair Bolsonaro está aconselhando os brasileiros a fazerem cocô um dia sim, outro não, para salvar o meio ambiente do País.

Se depender de mim, como não posso contrariar o meu sistema fisiológico, o meio ambiente brasileiro não terá salvação.

IMPOSTOS EXTRAS 

O povo brasileiro é mundialmente conhecido como um dos mais sacrificados em matéria de tributos, pois são numerosos, escorchantes e injustos.

Se não bastassem os que depositamos nos cofres municipais, estaduais e federais, via de regra desviados para finalidades espúrias, ainda somos compelidos ao longo do dia a remunerar flanelinhas, vigias de carros, artistas circenses e estudantes aprovados em vestibulares, sem esquecer os desaforos e as ameaças a que somos obrigados a ouvir quando não os atendemos.

PREFEITO DE ARAME

Quem apostou no fim da carreira política do engenheiro Pedro Fernandes, que não disputou a eleição de deputado federal, para dar vez ao filho Pedro Lucas, caiu do cavalo.

Pedro está se preparando para concorrer às eleições de 2020 à prefeitura de Arame, que se o povo do município tiver juízo, não pode perder essa oportunidade de ouro de ter no comando da prefeitura um cara de boa índole e de virtudes técnicas excepcionais.    

Em tempo: Pedro Lucas, como o pai, tem sido um bom representante do povo maranhense no Congresso Nacional.       

 NOVENTA ANOS DE SARNEY

Amigos de José Sarney se mobilizam com vistas aos eventos que deverão se realizar em abril do ano vindouro, quando completa noventa anos.

Fernando Sarney, José Jorge, Joaquim Haickel, Benedito Buzar e Felix Alberto se juntaram para organizar uma programação marcante, com o propósito de mostrar objetivamente a trajetória de vida do aniversariante, como ser humano, amigo, pai de família, político e intelectual.        

CASAS DO BOLO

Em qualquer cidade brasileira, seja pequena, mediana ou grande, o que não falta são casas de bolo.

Em São Luís, em locais urbanos ou periféricos, são visíveis os estabelecimentos comerciais que vendem bolos de boa qualidade e de variados sabores.

Se as casas de bolo já dominavam as cidades, imagine-se agora com a veiculação da novela “A dona do pedaço”, cuja proprietária ficou rica às custas de um produto caseiro, atualmente fabricado em escala industrial.

DE NADA PARA TUDO

O saudoso jornalista Stanislau Ponte Preta dizia que vice é aquele que acorda mais cedo, para ficar mais tempo sem fazer nada.

Nos tempos de hoje, no Maranhão, o vice-governador deixou de se enquadrar na definição do Stanislau, principalmente depois que o Presidente Jair Bolsonaro deu um grande empurrão na candidatura de Flávio Dino ao Palácio do Planalto.

Como o nosso governador encontra-se em campanha eleitoral, o vice, Carlos Brandão, deixou de fazer nada e passou a fazer tudo. 

EVENTOS CULTURAIS

Na semana entrante, três importantes eventos culturais se realizarão em São Luís.

Quarta-feira, dia 21, às 18 horas, na Academia Maranhense de Letras, os escritores Lourival Serejo, José Neres e Yuri Costa vão discutir sobre o papel de Celso Magalhães na literatura maranhense.

Quinta-feira, dia 22, às 11 horas, a escritora Luiza Lobo, do quadro de membros correspondentes da Academia Maranhense de Letras, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e estudiosa da vida e da obra de Sousândrade, receberá o título de cidadã maranhense, na Assembleia Legislativa do Estado.

No mesmo dia, às 18 horas, na Academia Maranhense de Letras, o escritor Ronaldo Costa Fernandes, conterrâneo e residente em Brasília, lançará o seu mais recente romance: Vieira na ilha do Maranhão.

 SUGESTÃO AO GOVERNADOR

Que seja dado a duas obras, construídas pela sua administração em São Luís, os nomes de dois ludovicenses ilustres e honrados, José Mário Santos e Ricardo Bogéa, falecidos prematuramente, ambos pertencentes à geração de seu genitor e de seu padrinho.      

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