Seagro ignora risco de novo surto

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de beribéri e descarta troca de arroz

A Secretaria de Estado da Agricultura (Seagro) considerou desnecessária a substituição do estoque de arroz com risco de estar contaminado por beribéri armazenado por pequenos produtores e beneficiadores do Maranhão. A troca do produto foi proposta pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que demonstrou preocupação com a possível ocorrência de outro surto da doença no estado, como o que matou 38 pessoas na Região Tocantina, em 2006.

A Seagro externou sua posição de não concordar com a substituição do arroz em reunião realizada no último dia 28 entre representantes do órgão e o gerente Social de Abastecimento da Conab, Augusto Lustosa, que veio de Brasília exclusivamente para tratar o assunto. Também participaram da audiência diretores do escritório regional do Ministério da Agricultura, da Agência Estadual de Defesa Agropecuária (Aged) e da Superintendência Estadual de Vigilância Sanitária.

Augusto Lustosa informou a O Estado que, na reunião, representantes da Seagro alegaram que o arroz com suspeita de contaminação não está mais em poder de pequenos produtores e beneficiadores maranhenses que o cultivaram e que por isso não há mais como substituir o produto.

Ainda de acordo com membros da secretaria, agricultores e empresas de beneficiamento já estariam à espera da próxima safra, cuja produção estaria livre do fungo causador da doença. Estranhamente, não foi publicada nenhuma matéria sobre tão importante encontro na página do Governo do Estado na internet ou em qualquer outro veículo de comunicação. “A Seagro precisa externar a posição manifestada na reunião por escrito, por meio de uma ata, que será enviada ao ministro da Agricultura”, observou Lustosa.

Mesmo tendo descartado sumariamente a substituição do arroz, a Seagro terá que produzir, em 15 dias, um relatório cujo resultado deverá afastar definitivamente o risco de o arroz estar impróprio ao consumo humano por carência de vitamina B1, que deixa o ser humano vulnerável a contrair beribéri. Para isso, uma equipe da Vigilância Sanitária terá que fazer uma incursão por municípios onde foram registrados casos da doença para analisar amostras de arroz armazenado em pequenas propriedades rurais e em usinas de beneficiamento.

ESTOQUE – A Conab dispõe de um estoque de 700 toneladas de arroz com casca para repassar a pequenos produtores e beneficiadores maranhenses. O alimento, produzido por lavradores incluídos em projetos de agricultura familiar, está armazenado em celeiros de propriedade do órgão federal em Imperatriz e Balsas. Esse estoque também passará por análise, na qual deverá ser constatado se o produto está próprio para consumo.

Entenda o caso

Em junho de 2006, um surto de uma doença inicialmente desconhecida atingiu 231 pessoas no sudoeste do Maranhão, causando 38 mortes. Os municípios de João Lisboa e São João do Paraíso foram considerados em situação mais crítica;

Após dezenas de mortes, a doença misteriosa foi diagnosticada como beribéri por pesquisadores do Ministério da Saúde da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa);

Nos municípios onde houve notificação de casos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) identificou 96 espécies de fungos, entre eles o Penicilium citreonigrum, causador do beribéri. Esse microorganismo libera uma microtoxina chamada citreoviridina, que no organismo humano inibe a absorção de vitamina B1 (tiamina);

Técnicos agropecuários da área atestaram que o armazenamento e o beneficiamento do arroz, principal alimento de subsistência da região, eram feitos de maneira precária, o que favorecia a proliferação de fungos como o causador da beribéri;

Preocupada com a possível ocorrência de um novo surto no Maranhão, dirigentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) se reuniram, em Brasília, com representantes de vários ministérios para discutir políticas de combate ao problema. Uma das propostas levantadas foi a substituição do arroz com risco de contaminação por outro de boa qualidade.

O que é o beribéri?

É uma doença causada pela carência de vitamina B1 no organismo. A manifestação neurológica da falta desse nutriente caracteriza-se por neurites periféricas, distúrbios da sensibilidade com zonas de anestesia ou de hiperestesia e perda de força até a paralisia de membros. No cérebro, pode haver depressão, perda de energia, falta de memória, até síndromes de demência, como a psicose de Korsakoff e a encefalopatia de Wernicke. As manifestações cardíacas se manifestam por meio de falta de ar, aumento do coração, palpitações, taquicardia, alterações do eletrocardiograma, inclusive insuficiência cardíaca do tipo débito elevado.

2 comentários para "Seagro ignora risco de novo surto"


  1. Anônimo

    Caro Daniel,

    O Beriberi é uma doença provocada pela falta de vitamina B1 no organismo humano. Não é provocada por nenhum fungo. Na verdade existe um tipo de fungo que contamina o arroz e que inibe a absorção da B1 no organismo humano.Portanto o beriberi aparece no homem pela falta de B1.

    Resposta: Sei disso. Se houve confusão no que escrevi, vou fazer o reparo.

  2. Anônimo

    PorErvilhas, feijão, pão integral, fiambre, arroz integral, cereais integrais, nozes, fígado, rins, carne de porco, peixes, amendoins, verduras amargas e gema de ovo.

    Ervilhas, feijão, pão integral, fiambre, arroz integral, cereais integrais, nozes, fígado, rins, carne de porco, peixes, amendoins, verduras amargas e gema de ovo.

    Entenda-se: Falta de alimentação correta! Este Estado há décadas produz miséria meu caro!

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