Melhoria esperada

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Parquímetro foi abandonado na rua de Santaninha

A notícia publicada na presente edição de O Estado de que o sistema de estacionamento rotativo que opera no Centro de São Luís será ampliado das atuais 380 vagas para 1.014, a partir do próximo mês, gera expectativa quanto à melhoria do serviço. Disposta a arrecadar mais, a empresa contratada pela prefeitura para explorar a comercialização do espaço público informa que adotará um novo modelo, baseado em fiscalização mais rigorosa, com suporte das forças de segurança.

Em oito anos de funcionamento, o rotativo, em vez de dar maior dinâmica e ordenamento à ocupação do espaço nas vias estreitas do Centro, acabou se tornando mais um problema na área urbana mais movimentada da capital. O curioso é que a empresa concessionária atribui o fracasso do serviço à própria administração municipal, mais especificamente à Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT), que deixou de dar suporte às ações de fiscalização.

De fato, a prefeitura, desde gestões passadas, parece fazer pouco caso da desordem que sempre imperou no sistema de estacionamento do Centro. Desde a primeira experiência, o serviço não passou de um arremedo, marcado por todo tipo de aberração, desde a intimidação de fiscais credenciados por bandidos disfarçados de flanelinhas à vandalização de parquímetros, inviabilizando a cronometragem do tempo de permanência dos motoristas nas vagas.

A Polícia Civil exercerá papel fundamental na reformulação do sistema, conforme anunciou a própria empresa concessionária. A instituição, que recentemente promoveu um curso para qualificar centenas de guardadores de carro que atuam no Centro, terá também a atribuição de fiscalizar as vias onde o rotativo opera e coibir eventuais infrações. Resta saber se em meio à excruciante rotina de combate ao crime, os policiais terão energia e aparato suficientes para executar a tarefa extra a contento.

Para que o novo formato tenha êxito, o sensato seria a junção de esforços de todos os órgãos com atuação voltada à manutenção da ordem urbana, incluindo nesse conjunto todas as forças policiais, a Guarda Municipal, as secretarias municipais que atuam nas áreas de trânsito, transporte, urbanismo, além da propalada Blitz Urbana. Isso porque a ampliação do número de vagas tornará o sistema ainda mais complexo e mais sujeito a distorções. Diante desse cenário, espera-se, acima de tudo, que a prefeitura chame para si a responsabilidade, tamanho o prejuízo a ser gerado pela omissão.

A expansão do sistema de estacionamento rotativo é algo esperado há muito tempo. Se for bem conduzida, a ação se reverterá em um benefício incalculável aos milhares de motoristas que transitam no Centro, ambiente que se tornou foco de tensão em seguidos anos de negligência.

Editorial publicado nesta sexta-feira em O Estado do Maranhão

Foto: Flora Dolores/O Estado do Maranhão

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