DE QUE VALE O PARAÍSO? | DQ 203

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Trilha: 

A vida a dois pode ser um paraíso, mas acredite: abandonar o paraíso é a melhor forma de manter a relação viva. É humanamente impossível viver num paraíso pra sempre. Não estamos preparados — isso sem levar em conta que sequer merecemos isso. A vida no paraíso é perfeita e há, na plenitude da perfeição, a ausência de evolução. Evoluir pra quê? —ou melhor— pra onde? O paraíso é um pequeno oásis que avistamos em meio a alguns desertos que uma relação a dois nos obriga a passar.

O paraíso é paz perene e alegria constante. Imaginemos nós, perdendo a possibilidade de nos ofender e nos perdoar? Imagine só a falta que nos faria ter uma guerra por findar e corpos dispostos a devorar o outro em sinônimo de devoção e arrependimento? Imagine a calmaria que seria nossos beijos na madrugada, tipo esses de bom dia, que se dá sem tanto vigor. Imagine só perder o furor, a adrenalina, o suor, a serotonina, a mão que aperta às costas e toda a impulsividade que é peculiar aos mortais? Imagine perder horas a fio em busca de uma reconciliação perfeita? Imagine os filmes românticos sem o drama da separação? Imagine a gente num paraíso sem cair em tentação?

Que o paraíso seja um lugar de férias. Desses que a gente vai todo o ano pra descansar. Que o sol que mora lá seque nosso suor mortal e expurgue nossos piores pecados, mas que voltemos a errar e ser perdoados. Que possamos nos sujar na lama das discussões fúteis e brindar com copos descartáveis a futilidade nossa de cada dia. A MORTALIDADE É TANTO PASSAGEM QUANTO BENÇÃO. Sentiremos saudades dos tempos bélicos e de toda nossa humanidade aflorada num beijo visceral. Sentiremos saudades de sermos bichos, de sermos gente, de ser a gente.

O paraíso há de chegar, mas enquanto não chega… me ama errado mesmo, vem cá. 

#DQ203

#espalheamorporaí <3

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