Loucuras de amor são subjetivas – DQ 197

0comentário

 

Trilha: 

Outro dia, estava assistindo a um filme em que o casal fazia loucuras de amor, como prova de seu sentimento. Eles buscavam sempre a surpresa, e parecia uma competição de quem era mais louco. A loucura era uma espécie de termômetro do sentimento. Quanto mais louco, maior o sentimento. No filme, funciona bem. Os atores nos arrancam gargalhadas, e a gente torce sempre por uma loucura maior. Mas e na vida? Será que a loucura prova algo? Loucura é tudo aquilo que não é comum. Ser louco é tão subjetivo que mal dá pra saber quando a sanidade vira sandices.

Há até um filme que fala que: de médico e louco, todos temos um pouco. —Talvez baseado no yin e yang que equilibra o universo— A verdade é que loucura e sanidade parecem se confundir e se completar em cada casal. É tudo tão peculiar, tão particular que o que era “loucura com fulana” é completamente normal “com ciclana”. Assim, a gente vai oscilando entre altos e baixos, feios e bonitos, médicos e loucos. Deve ser por isso que podemos ir aos mesmos lugares, assistir aos mesmos filmes, dizer eu te amo da mesma forma e fazer as mesmas promessas de amores eternos. Podemos fazer tudo isso que ainda acharemos, pelo menos, naquele momento, que é único.

Dessa forma, a conclusão indene é que loucura não é loucura quando é compartilhada. É o acordo tácito que nos permite baixar as cercas e caminhar por terrenos antes desconhecidos. São as permissões concedidas arbitrariamente. Quem nunca se pegou perguntando, ou pior, sendo questionado— pra não dizer inquirido— por alguém que lhe coloca contra a parede, por você não fazer algo que já fez com um ex? “Mas com fulana, você fazia”.

Sei lá, por que fazia.

Não há lógica na loucura alheia.

#DQ197 #espalheamorporaí <3

 

 

sem comentário »

Os cinco sentido do amor| DQ 196

0comentário

 

Trilha:

 

Você vai gostar de um beijo mais do que outro, de um toque mais que outro, de um cheiro mais que outro, de um olhar mais que outro e uma voz mais que outra. Mas, um dia, se der sorte, vai conhecer alguém que vai lhe trazer as cinco melhores sensações possíveis em um só corpo. Será um só toque. Um só gosto. Um só cheiro. Uma só voz. Um só olhar. E, a partir daí, entenderá que o amor é a plenitude, não só dos sentimentos, mas dos sentidos.

É através do tato que se consegue perceber a maioria das sensações e por que não distinguir quando é amor? É no toque que o corpo sente o arrepio que vai até à alma. É nele que os poros se ouriçam em tom suave, e a pele se derrete. É em forma de transpiração que o amor se apresenta ao tato. Ele cresce em forma de calor e transborda em forma de suor, como um rio que lava não só a pele, mas a alma.

Haverá um timbre – que vai além da sedução do grave ou da calmaria de um soprano, que vai atingir o tom certo do seu coração. Ele vai sussurrar palavras num ritmo conhecido, só para parecer familiar, mas, de repente, ele mudará o sentido e trará uma nova canção. Vai embalá-lo como o melhor refrão daquela música que você nunca se cansará de ouvir.

O paladar trará um beijo, com gosto de eternidade. Um beijo que parece se reinventar todo dia, sempre com um frescor de novidade. Pode até ser que, no começo, não seja tão bom, mas, com o passar do tempo, ele, assim como o vinho, ficará irresistível. Não importa se está salgado ou doce, molhado ou seco, são os variados sabores que o farão ser tão especial. Aproveite os nuances que essa multiplicidade pode oferecer. 

Há quem diga que a paixão vem do olfato, como se tivéssemos um filtro no subconsciente sobre qual cheiro vai nos apetecer ou não. O fato é que quando é amor, o cheiro é um bálsamo instigante que vai exalar e despertar nossos instintos mais primitivos e sacanas. Ele vai envolvê-lo como uma áurea e o protegerá como uma manta. É nesse cheiro que envolve que o amor cresce, tal como um coquetel instigante: um vício que entorpece.

Deixei a visão, por último. Dizem que é através dos olhos que o amor entra. Eles, que são a janela da alma, vão convidá-lo para morar dentro de alguém. Eles vão invadi-lo e descobrirão seus segredos mais ocultos. Aquele olhar dividirá a sua existência. Que olhar! Esse que antecede o beijo. Esse que convida ao toque. Esse que vai chamá-lo ao mergulho e, no mais profundo, ver o resto da sua vida inteira. Afinal, quando o olhar for mais forte que o toque, pode agradecer: é amor para vida inteira.

#DQ196 #espalheamorporaí <3

sem comentário »

O mito da monogamia | DQ 195

0comentário

Trilha: 

Você vai conhecer alguém que vai fazê-lo não querer mais ninguém. Você vai acordar e dormir pensando nessa pessoa. Toda vez que ela chegar perto de você, seu peito entrará num frenesi cardíaco que fará inveja à bateria da escola de samba Beija-flor. Você conversará o dia todo e, ainda sim, faltará tempo e sobrará conversa para o dia seguinte. Tudo isso é verdade. Quem sou eu pra discordar disso? Mas o que a gente esquece é que a paixão é monogâmica por natureza. O amor, não. Calma. Não quero dizer que o amor é bi, tri ou “zilhogâmico”. A questão é que a paixão por natureza tem esse gosto insaciável. Já o amor traz, em seu bojo, a maturidade e a constância. Ninguém vai se engasgar bebendo amor. Já a paixão, isso é quase uma regra.

A paixão decide por você. O amor, com você. A paixão pensa por você. O amor, em você. É preciso admitir que não fomos feitos em pares. E, por mais bonito que isso pareça na poesia, na realidade, isso é apenas o reflexo de nossa ilusão. Nós não somos monogâmicos. Sentimos ou sentiremos desejo por outra pessoa, de possuir outros corpos e descobrir novas sensações. Há um espírito aventureiro em todos nós. Descobrir terras além-mar não foi suficiente. Hoje, mesmo após conquistar os quatro cantos do mundo, o homem se lança ao espaço em busca não só das descobertas, mas das experiências que, com certeza, trarão.

É preciso desconstruir o mito criado em torno da monogamia, bem como o de achar que amar alguém nos fará imunes a desejar outras pessoas. Isso não é e nunca será um estímulo nato. É, sim, uma decisão diária e com doses cavalares de renúncias. Toda traição põe em xeque o sentimento alheio, como se ela fosse uma prova cabal de que não há amor. Talvez haja sim, mas faltam caráter, domínio próprio e todos os outros ingredientes que compõem a fidelidade e a monogamia. Quando você admitir que somente o sentimento seja suficiente e partir para um exercício de sacrifício e altruísmo, vai descobrir que não há no mundo uma alma gêmea sequer. Se você é do time dos românticos, vai lutar contra isso. – Mas, calma! Isso é maravilhoso! Afinal, há, no mínimo, mais de uma chance de ser feliz.

#DQ195 #espalheamorporaí

sem comentário »

Crônica do perdão | DQ 194

0comentário

Trilha: 

A Língua Portuguesa até tentou classificar o perdão. Colocou  “perdoar” como um verbo transitivo direto e indireto, ou seja, há objetos diretos e indiretos concomitantemente. A bitransitividade do verbo realça o que todo mundo já sabe epistemologicamente: o perdão foi feito para perdoar – salva quem pede, salva quem dá. Algumas pessoas julgam-se incapazes de perdoar, talvez por tentarem mimetizar o perdão divino. Aqui, uma ressalva: ele tem a proeza de concede-lo dar o perdão de forma plena, gratuita e ainda jogar num tal mar de esquecimento. Mas nós, meros mortais, não temos essa capacidade. Se não temos, não podemos condicionar o perdão à nossa capacidade de esquecer. Nem esperar que ele cresça de forma involuntária, como se fosse algo inato.

Não somos capazes de liberar o perdão instantaneamente. Afinal, perdão não é simplesmente doado, é liberado. Com isso, a mágoa que existe dentro de você é mitigada. Esse exercício é, para alguns, menos dispendioso. Para outros, um calvário. O nível de envolvimento, ou melhor, de comprometimento em uma relação pode, e geralmente afeta, a capacidade de perdoar. A dificuldade em perdoar não obedece a uma razão entre ter ou não um bom coração. Na verdade, o perdão não obedece a nenhuma regra. É uma espécie de alter ego altruísta se voltando contra o ego egoísta. É um exercício contrário à nossa natureza. Por isso, temos tanta dificuldade em perdoar.

Outra questão que deve ser comentada é a que diz respeito ao poder. O homem sempre teve um fascínio por ele. Há uma concepção errônea do perdão. Há quem ache que quem perdoa está algum grau acima daquele que o recebe. Não, absolutamente. O perdão é o espelho que reflete desculpa como cura, tanto do culpado como de quem culpa. Assim, temos incólume ao perdão um bálsamo que banha ambos. Muito diferente do lavar de mãos de Pilatos. Se Pilatos tivesse perdoado, não lavaria as mãos. Por isso, libere o perdão: pelo outro e, principalmente, por você.

#Espalheamorporaí #DQ194

sem comentário »

Quem é você na travessia? |DQ 193

0comentário

 

Trilha: 

Você precisa atravessar para o outro lado, mas o gelo é fino demais. O que fazer? Nunca fui bom de Física, mas me lembro de quando o professor perguntou isso em sala, e um amigo disse: “eu passaria o mais lento possível, assim, qualquer estalo eu poderia voltar”. O professor replicou: “se o estalo acontecer exatamente na metade do caminho, fica difícil saber se é melhor voltar ou prosseguir. Concorda?”. Fez-se um silêncio na sala durante alguns minutos, até outro aluno vir com uma segunda teoria: “professor, devemos ver a coloração que o gelo tem e só assim atravessar”. – Ótima análise – disse ele – percebo que você gosta do Discovery Channel. Mas você sabe distinguir as cores? O aluno balançou a cabeça negativamente. Mais um aluno lançou uma teoria: “o segredo está na velocidade. Quando se está sobre uma superfície frágil, devemos atravessá-la o mais depressa possível”. Imediatamente, outro aluno replicou a teoria de seu colega: “atravessar deitado, arrastando-se, é a melhor opção. Quanto maior a área de contato, menor a pressão”.  Mais uma vez, o silêncio tomou conta da turma, e o professor passou a mão no queixo, como que preparando uma resposta que extrapolaria a Física. Parecia vir dali uma lição de vida: “as diferentes respostas compreendem mais que sua interpretação da Física. Todos nós temos nossas teorias sobre como enfrentar situações adversas”, ele afirmou. A primeira teoria diz respeito àqueles que ficarão tão atemorizados com a possibilidade de afundar que, ao primeiro estalo, correrão para a margem. Essas pessoas estão sempre inventando desculpas para se negar a travessia. Usam como subterfúgio o excesso de cuidado, porém nada mais é do que um eufemismo para covardia. São bons amantes, podem topar uma travessia e correr riscos controlados, mas, ao som do primeiro estalo, abandonarão a travessia e voltarão para seu estado inerte.

A segunda teoria pertence aos metódicos. Eles farão a boa e velha balança dos prós e contras ou, pelo menos, acham que estão fazendo isso. Essas pessoas têm a necessidade de calcular até mesmo o imponderável. Seus referenciais chegam a ser tão rasos quanto a espessura do gelo. Não sabem distinguir qual coloração é a ideal. Não sabem o que realmente precisa ser analisado e, geralmente, afundam em suas próprias convicções. De que vale a análise se não se entende os parâmetros? Ora desistem, ora afundam, dependendo mais da sorte do que da lógica, que tanto se gabam. A terceira teoria nada mais é do que o reflexo de um grupo de pessoas que assume riscos desnecessários. Em contraponto ao primeiro, que a qualquer estalo se volta para a margem, esses estão tão preocupados em concluir a missão que esquecem que o maior desafio não está na chegada, e sim no caminho. Adoram atalhos e costumam se perder do caminho.

Algumas vezes, culpa da velocidade. Outras, culpa dos próprios atalhos. Essas pessoas têm um instinto natural em superar desafios, são ótimas competidoras e se dão melhor com pessoas iguais. Estão sempre motivando seus parceiros a correr riscos, vivem de uma vez a adrenalina de toda uma travessia. Sempre precisam de mais, desconhecem o que é satisfação e precisam estar sempre diante de novas travessias. A quarta teoria é bem interessante, pois, ao contrário da segunda, sabe o que está analisando. Realmente, há uma lógica bem mais coerente, se aumentar a área de contato quando o objetivo é diminuir a pressão. Mais interessante ainda é que, apesar da variabilidade das teorias aqui levantadas, todas têm um ponto em comum: não param para pensar no problema. A segunda até tenta entender, mas não se relaciona com ele. Parte por não querer, parte por não entender. Por muitas vezes, adiamos soluções por estarmos muito fechados em nossas convicções. Afinal, entender o mundo alheio é um importante ponto de vista. A quarta teoria não só tenta entender, como, literalmente, ABRAÇA o problema. Sente o frio dele cortar a pele, mas, dessa forma, consegue aliviar a pressão.  E chegar ao outro lado da margem, agora, é apenas uma questão de tempo.

 

 

#DQ193

#espalheamorporaí <3

 

sem comentário »

Se eu conseguisse escrever – DQ 192

0comentário

Trilha: 

 

Se eu conseguisse escrever o que sinto por ti, seria um dos maiores fracassos da história da Literatura. Afinal, o amor que as pessoas compram é clichê, e o meu… ah, o meu é aquele absurdo que todo mundo confunde, até eu mesmo, com obsessão. Não dessas que matam e ferem. Mas dessas que deixam marca na alma, como se fossem um hematoma perpétuo. O que sinto não causa frio na barriga— é uma úlcera que morde as paredes do meu intestino e corrói todas as minhas entranhas. O meu é tipo fome, mas não dessas que se sentem entre uma refeição e outra. Meu amor é fome que mendiga migalhas, sorrisos, beijos e se alimenta morbidamente de tudo que cai do teu prato.

Muito já se falou sobre amor e amar. Sobre os vários tipos e formas de gostar. Eu mesmo já quis colocar todo meu talento à prova em versos que te provem, pelo menos por alguns segundos, tudo que sinto. Eu já busquei inspiração em coisas, lugares e até livros. Já me fiz sacana em versos indecentes que te fizessem suar, assim, de repente, como um suor flambado em desejo e regado ao vício que, pra mim, é teu cheiro. Já banquei o ultrarromântico em poesias que te fizessem chorar, como se o choro fosse uma prova de algo, desculpas. Já quis empenhar toda minha alma numa frase, mas ela caberia numa linha, se o texto quisesse mesmo traduzir a imensidão de te amar.

Convencido de minha missão inglória, eu te dedico meu lamento e uma ou outra dose de analgésicos. Há meses, escrevo, tento rimar com algo que preste. Faço um verso e apago, começo a olhar tua foto e divago. Voo pra uma ilha que deve ser cenário de filme. Confundo as personagens e coloco nós dois num cenário paradisíaco. Ah, se minha pena conseguisse escrever como meu coração sente! Imagina só, ler meus sentimentos e minha devoção? Mas vou continuar tentando. Quem sabe, um dia, eu desafio as leis da escrita e escrevo, de um jeito perfeito, toda nossa vida

 

#DQ192 #espalheamorporaí <3

sem comentário »

A autenticidade do perdão | DQ 191

0comentário

Trilha: 

 

Talvez o perdão seja a maior demonstração de amor que conhecemos. Mais que flores inesperadas, declarações públicas ou a permissão para o outro para dormir do lado da parede. Essa última, tecnicamente empatada, perde no limite da margem de erro. O perdão vence, porque ele é o orgasmo de um sentimento nada impulsivo, chamado amor. Toda vez que o amor perdoa, ele goza. Perdoar é extravasar bem na cara do outro a abnegação do ego. É colocar acima do nosso desejo nato de vingança, que chamamos de justiça— para não parecermos cruéis— uma segunda chance ao outro.

O problema é que o perdão é um sentimento tão nobre que, paradoxalmente, pode nos deixar assoberbado. Eu sei, é loucura, mas a vaidade é tão traiçoeira que pode aparecer até no exercício do perdão. Já vi diversas pessoas se vangloriando por serem humildes. A questão é que a altivez que o perdão pode provocar cria uma condicionante para a concessão do perdão. Admitimos liberar o perdão, se e somente se, não houver reincidência. E para não haver reincidência, precisamos fiscalizar. Daí, auditamos cada passo do outro. Viramos não mais perdoadores, e sim carcereiros. Aprisionamos o outro, legitimados pela suposta benesse que o perdão nos dá.

Fiscalizar quem errou satisfaz nossa sede de vingança (lê-se: justiça). Estabelece no outro o sentimento de dívida e aprisionamento. Nasce uma pressão tão intensa e pesada que provoca a rebeldia. A rebeldia, uma vez instaurada, pede a contravenção e é legitimada pela sede de vingança que, claro, não também existe em quem buscará o perdão inicialmente, —que, nesse momento, sequer lembra que errou: está tomado pela revanche. Ou seja, essa confusão toda, simplesmente porque o perdão virou moeda de troca. A gratuidade do perdão não é só sua forma mais autêntica, mas sim sua única forma. Talvez por isso seja tão difícil perdoar e, mais ainda, ser perdoado.

 

#DQ191 #espalheamorporaí <3

sem comentário »

Mas você a deixou ir? | DQ 190

0comentário

Trillha: 

 

É, eu sei que, no começo, você pensou que seria fácil. Afinal, você nem gostava mais como antes, né? Você, que contava os minutos para vê-la, passou a inverter prioridades e dar importância para o que sempre foi secundário. Estava constantemente dando motivos para que ela o deixasse – e olha que você vinha se esforçando, viu? Como assim levar para comer camarão? Ela é alérgica, cabeção, se liga! Mostrou uma coleira engraçada para o cachorro dela? Que legal! Pena que ele morreu faz uns três meses, né?

Mancadas atrás de mancadas, você parecia estar testando a paciência dela. Mas ela é dessas que prefere consertar coisas a trocar. Algo raro em um mundo em que até os sentimentos são descartáveis. Ela é daquelas que acha que amor é decisão e que nem sempre haverá dias em que você vai se sentir flutuando. Há dias de sorrir e para chorar também. Ela é daquelas que sabe a hora de calar para não prolongar uma conversa que, no fundo, você sabe que vai machucar os dois. Aqui cabe um adendo: você vem fazendo dela uma especialista nesse assunto. Ela é daquelas que você sempre espera o melhor e, ainda sim, ela consegue surpreender.

Ela é o que seus amigos dizem que “você tem que casar”. E, olha, que eles não sabem que ela não é só para casar, como para QUALQUER coisa. Ela topa qualquer parada – desde que seja com você (até assistir UFC! Só que três lutas é o limite dela, viu?). Ela se viu lutando, apanhando e tentando ficar em pé, sempre salva pelos intervalos de cada assalto. Intervalos que davam tempo só para recuperar o fôlego, fazer uns curativos rápidos e voltar para o massacre. – Mas para quê? O que mais ela podia esperar do final dessa luta, a não ser uma coleção de hematomas? Ela decidiu, por sua vez, bater no chão, mesmo que o gosto da desistência pudesse ser amargo e, assim, saiu de cabeça erguida por ter dado o seu melhor.

Então, você vence. Comemora a vitória com uma bela noitada. Curtindo agora publicamente o que já fazia há meses escondido. Já ela? Ela, agora, se recupera da surra e, apesar da derrota, existe um sentimento de recomeço. O tempo passa e você sofre sua primeira grande derrota. Engraçado que só agora percebeu que ela era o que ela sempre foi, e você lembra-se do bom e velho ditado que só se “dá valor depois que perde”. É um clichê barato, eu sei, mas é uma verdade de alto preço para você, que não sabia que, assim como o tempo traz, o tempo também leva. E bons ventos nem sempre voltam a soprar.

 

#DQ190 #espalheamorporaí <3

 

sem comentário »

Eu, jogador? | #DQ189

0comentário

Trilha:

 

 

É, nunca foi meu forte essa coisa de jogar com sentimentos. Eu sempre perco o time e caio nas ciladas dos momentos. Eu até planejo o próximo passo, o que vou falar. Mas me sinto péssimo por isso e desisto na hora H. Eu deixo de tentar ser menos empolgado, menos sorridente, mais calado e menos contente. Acho terrível não poder ligar no dia depois do seguinte, novamente, e ficar nesse jogo de xadrez, esperando que você não tenha mais pra onde ir e chegue a minha vez. Se for pra ser assim, melhor nem começar. Eu quis você pra tanta coisa e nenhuma delas foi jogar.

Deveria ter uma regra, dessas que a gente só faz amor, e nunca guerra. Deveria ter um manifesto em favor dos afobados, dos intensos, dos amantes, dos imprudentes. A gente não tem colete à prova de balas, capacete, salva -vida. A gente não tem nada. A gente só sente as coisas e faz. E se isso é pecado, eu peco até demais. Peco, porque não me nego às palavras. Peco, porque não me nego aos olhares. Peco, porque não me nego ao fogo cruzado, ao beijo roubado e ao coração acelerado. Peco, porque, lá no alto, no auge do meu sentir, se você pedir pra eu pular, eu pulo. E se não pedir, eu pulo mesmo assim. Porque se você não tem coragem de pular, não merece a vista ao subir. Daqui, de cima, tudo é pequeno- inclusive o medo de não ter quem segure você quando cair. Eu sou -e parece que não deixarei de ser precipício- pressuposto, predição, suicida, falha geográfica, que relevo sem depressão.

Eu vou sentir mais que todo mundo sente. Vou mentir menos que todo mundo mente. Vou rezar mais que qualquer crente. E falhar mais que qualquer vidente. Eu vou ser um desastre sem culpa. Leve como vento. Denso como frio. Intenso. Credo. Crente. Crido. Criado órfão por pais ausente. Amado só por deuses, inexistentes. Cultivado nas incertezas dos desesperados, eu fui cilada, do meu próprio acaso.

 

#DQ189 #espalheamorporaí <3

 

sem comentário »

Então, vem e apaga luz | #DQ188

0comentário

Trilha:

 

Lembrei-me de teu sorriso, sorri. Dormi e acordei com uma saudade boa. Percebi que te amar em silêncio pode ser prudente, mas não é suficiente. Eu pensava que, calando esse sentimento, morreria de fome. Ledo engano. Meu amor por ti se alimenta justamente dessa ausência. Ele se nutre das memórias, músicas e lugares que eu sequer fui contigo, mas com os quais tanto sonhei, que chego até confundir com a realidade. Deve ser por isso que eu me apaixono mais a cada dia.

Eu me perco da rotina, lembrando-me de detalhes nossos, ou melhor, teus. É que os revivo tanto que eu chego a pensar que são meus. Hoje me lembrei de como tu seguras a xícara quente de café com as duas mãos. E, por alguns segundos, eu queria que, em vez da xícara, fosse meu coração. Eu sempre quis te dar meu coração porque, pensa bem: se uma xícara de café, tu seguras com as duas mãos, que dirá um coração? Pode parecer bobagem, mas, com o passar do tempo, tu valorizas mais o cuidado que qualquer outra coisa.

Estou ensaiando algumas formas mais brandas de dizer que te quero. Ensaiando uma forma de não parecer desesperado. Mas tudo que sinto é que eu estou tão atrasado que, se eu perder mais dois segundos, eu não suportaria. Então, vem. Apaga a luz desse quarto e me ama no mistério que só o escuro nos mostra. Traz esse colo disposto a me acomodar, sem me fazer dormir. Eu quero ficar são e alerta que é pra te curtir mais e mais entre essas cobertas. Esquece o mundo lá fora que gira. Gira e continua a girar em movimento aleatório. Corre pros meus braços que estão estendidos no tamanho exato que encaixa o teu abraço. Foge dessa vida cheia de coisas vazias e preenche esse espaço que eu guardei só pra ti. Não resistas, não me peças tempo, porque o que eu te proponho é uma vida toda sem olhar para o relógio. Corre o risco de te magoar e me dá a chance de te fazer feliz. Eu não prometo nada, porque promessa é dívida. E o que eu tenho pra ti é muito mais que um compromisso.

 

#DQ188 #espalheamorporaí

sem comentário »