Ainda sobre o MAVAM

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Fiz grande esforço para não tocar neste assunto, mas não aguentei e sucumbi!

A Fundação Nagib Haickel fez circular um documento comunicando que a partir de 1º de julho, o MAVAM – Museu da Memória Audiovisual do Maranhão suspenderá suas atividades, por não mais estar conseguindo manter satisfatoriamente em funcionamento este serviço, prestado gratuitamente à comunidade maranhense.

Depois de publicado o comunicado começaram a chover telefonemas, postagens nas redes sociais, mensagens de diversas formas e provenientes de diversos remetentes, todas de surpresa, mas principalmente de apoio, solidariedade e esperança de que em breve o MAVAM volte a funcionar regularmente.

O secretário geral da Academia Maranhense de Letras, Sebastião Moreira Duarte, publicou na semana passada um maravilhoso artigo tratando deste assunto, porém ressalto que outras tantas mensagens foram também muito significativas para nós.

Recebi um e-mail da ex-primeira dama do Maranhão, dona Eline Murad, onde ela dizia estar penalizada com o acontecido e nos oferecia sua solidariedade. Fiquei muito sensibilizado por ser a remetente uma pessoa tão respeitada e querida por todos.

Vi também o comentário de Kassandra Benevides, na página do MAVAM no Facebook, que dizia o seguinte: “Amo este lugar com todas as minhas forças!”. Amei essa declaração de Kassandra!

O colecionador e membro do IHGM, Antonio Guimarães, publicou em sua página no Facebook um belo texto que bem retrata essa situação, vista pelo prisma de alguém que vive neste segmento cultural.

Não foi surpresa saber dos bons sentimentos de Adson Carvalho, um dos voluntários no MAVAM. Surpresa foi ler o belo e emocionante relato dele, um rapaz tímido e recatado, falando numa rede social sobre sua experiência no tratamento de nossos acervos fotográficos: “Faz pouco mais de três anos que eu venho colaborando como voluntário, com o MAVAM… Tenho executado ações de conservação, limpeza, reprodução, digitalização, guarda e catalogação de fotografias… Tenho me dedicado a cuidar de três coleções… Que já serviram de auxílio para conclusão ou complementação de monografias, dissertações, teses e até mesmo trabalhos pessoais de diversas pessoas que procuram nossa instituição, buscando apoio nas imagens de seus acervos… Enfim, esta instituição tem um papel primordial para preservação da história e da memória maranhense e nacional…”

Outro que se manifestou, desta vez em mensagem pessoal diretamente para mim, foi Ângelo Guimarães Rosa, que durante algum tempo, antes de se transferir para Curitiba, foi um dos que voluntariamente ajudaram o MAVAM:“Não é fácil ver algo tão bonito não florescer da forma que merece… A grandeza dos projetos que participei não era medida pelo montante da verba ou equipamentos empregados, mas sim pelo sonho em fazer parte de um momento único… O MAVAM significou esse sonho, estávamos construindo o retrato da história passada em nosso presente e isso era o que nos motivava ainda mais a participar deste projeto… A força motriz da nossa inspiração era sem dúvida a sua audácia e comprometimento… Por vezes eu vi você bancar um projeto e seguir até o fim com ele sem medir consequências, tudo em prol da realização do objetivo maior do ideal… Por fim, queria deixar claro o meu agradecimento por todas as realizações que fizemos juntos, e as oportunidades que o MAVAM me proporcionou…”.

O comentário no Facebook, de um experiente e calejado produtor audiovisual, Joan Carlos Santos, resume tudo: “Amigos, estou aqui pensando no MAVAM e comecei a contabilizar mentalmente a quantidade de material que existe lá. Acervos fotográficos de Edgar Rocha, Antonio Guimarães, Ribamar Alves, milhares de outras fotos das mais variadas procedências; O acervo do escultor Celso Antonio; Acervo de áudio de Talvane Lucato; Acervos de vídeos de Lindberg Leite, da VCR, da Phocus, de diversos cineastas; A produção de filmes próprios e com diversos parceiros, isso sem contar com o apoio que o MAVAM sempre deu a TODOS que o procuram! Imagino que por baixo, exista lá algo em torno de 100.000 fotografias em diversos formatos e mídias, umas 500 horas de acervos de áudio, umas 4.000 horas de vídeos não editados ou tratados e umas 200 horas de material finalizado”.

A mim só resta agradecer a todos que se solidarizaram conosco, nas pessoas de Sebastião, Dona Eline, Kassandra, Guimarães, Adson, Ângelo e Joan.

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