Simplesmente Coringa!

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Finalmente consegui um tempinho para assistir ao tão esperado filme “Coringa”, e sem mais delongas, posso lhes garantir que ele vai ganhar pelo menos os prêmios de melhor roteiro e melhor ator em todos os festivais de cinema em que participar!

Postei a afirmação acima em minha página no Facebook, e quase que imediatamente meu querido primo Bruno Tomé Fonseca saiu, muito pertinentemente, em defesa, da impecável direção de arte e da cenografia do filme, fato do qual ninguém pode discordar.

Realmente, os trabalhos de ambientação, cenários e figurinos que colocam “Coringa” nos tempestuosos anos 80, numa Gothan City, irmã gêmea de Nova York, estão muito bem executados neste filme. Porém, os trabalhos mais técnicos no caso desta obra são menos importantes, se comparados à riqueza multifacetada do enredo, à escolha da abordagem, que, diga-se de passagem, é apenas uma entre diversas que o autor poderia ter escolhido, e principalmente do trabalho de interpretação deste pedaço de argila em forma de homem, chamado Joaquin Phoenix.

O fato é que não vi este ano nenhum filme mais instigante que este!… Na verdade, faz muito tempo que não vejo nada parecido. Pensando bem, nem sei se já vi algo semelhante, uma vez que se trata de um personagem secundário, de uma franquia que tem mais tempo de vida que mais de 90% da população mundial!

Quando eu era criança, o Batman era Adam West, ator fraquinho que cumpria à risca o que seus diretores mandavam. Já naquele tempo o Homem-Morcego era menos importante do que os vilões que infernizavam a vida das pessoas na cidade do Chefe Gordon, uma vez que o Pinguim era interpretado pelo genial ator Burgess Meredith, o Charada era o elétrico Frank Gorshin, o Cabeça de Ovo era simplesmente o estupendo Vincent Price, a Mulher Gato era a bela Julie Newmar e o Coringa, ninguém menos que o já então grisalho latin lover, César Romero.

De lá para cá tivemos alguns bons Batmans, mas como que, por uma sina, os vilões, notadamente o Coringa, sempre foi interpretado por atores acima da média, como Jack Nicholson e Heath Ledger, sendo que este último parecia que entraria para a história do cinema como o ator que melhor interpretou esse personagem. Esse fato agora provou-se superado, não sei se feliz ou infelizmente.

Digo isso porque o que Joaquin Pheonix faz com o seu corpo na interpretação desse Coringa, é algo surpreendente e extraordinário, comparado apenas com as interpretações fisiológicas de Robert de Niro, em O Touro Indomável, Matthew McConaughey em Clube de Compras Dallas e Crinstian Bale em O Lutador. Saliento que quando digo “comparado”, me refiro ao mero trabalho físico, fisiológico… Bengala que os atores usam para apoiar suas interpretações.

Mas neste caso meu homônimo vai mais longe que os atores que citei, todos ganhadores de Oscars, por aqueles filmes. Ele desenha como poucos o personagem que interpreta, dando a ele uma profundidade extraordinária. O esculpe em camadas, fazendo com que o espectador veja e sinta em detalhes o que se passa com ele, mesmo que a história, pela sua própria natureza, se anuncie momentos antes para nós, atentos a tudo, na sala escura.

O trabalho do diretor é extraordinário, principalmente pelo fato dele não se permitir ser a estrela do filme e deixar a história e o ator brilharem em seus lugares. O diretor se coloca na função de mero condutor do trem… Melhor seria eu dizer, condutor de uma sinfonia, que mesmo estando, como maestro, postado na frente da orquestra, com a batuta em punho, a usa como um simples lápis, para apenas sugerir e esboçar os tons e os sentimentos de cada nota que devem lançar mão seu extraordinário grupo de músicos.

O diretor Todd Phillips, que também assina o roteiro, com Scott Silver, tem na simplicidade e na discrição suas maiores e mais relevantes qualidades.

Resumindo, Coringa se anuncia como o melhor filme do ano!

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