{"id":462,"date":"2009-10-07T09:40:29","date_gmt":"2009-10-07T12:40:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogsoestado.com\/joaquimhaickel\/?p=462"},"modified":"2009-10-07T09:40:29","modified_gmt":"2009-10-07T12:40:29","slug":"discurso-de-posse-de-joaquim-haickel-na-academia-maranhense-de-letras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogsoestado.com\/joaquimhaickel\/2009\/10\/07\/discurso-de-posse-de-joaquim-haickel-na-academia-maranhense-de-letras\/","title":{"rendered":"DISCURSO DE POSSE DE JOAQUIM HAICKEL NA ACADEMIA MARANHENSE DE LETRAS"},"content":{"rendered":"<p><strong>EM 02.10.2009<\/strong><\/p>\n<p>Meu nome \u00e9 Joaquim. Mas eu tamb\u00e9m me chamo Nagib, e \u00e9 o meu duplo &#8211; ou antes, \u00e9 aquele de quem sou duplo &#8211; \u00e9 o meu pai Nagib Haickel a quem primeiro contemplo neste sal\u00e3o, esperando por mim, sentado ali, na fila da frente, entre aquelas duas mulheres maravilhosas: minha m\u00e3e, Clarice, e minha filha Laila. O presidente desta cerim\u00f4nia autoriza meu discurso de posse na Academia Maranhense de Letras. Eu me levanto. Meu pai n\u00e3o se cont\u00e9m: antes que eu chegue \u00e0 tribuna, ele j\u00e1 est\u00e1 de p\u00e9, aqui, diante de mim. Eu ainda n\u00e3o come\u00e7o a falar, e o velho me arrebata a palavra, dedo em riste, enchendo o mundo com o seu vozeir\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">&#8211; S\u00f3 porque tu escreves umas coisinhas por a\u00ed tu acha que \u00e9 escritor, \u00e9? Tu acha que \u00e9 poeta? Poeta coisa nenhuma! Tu nem bebe! Poeta \u00e9 Z\u00e9 Chagas, poeta \u00e9 Nauro, que metem grogue. Escritor \u00e9 Jomar, que aprecia as cervejas louras e as mulheres morenas. Tu nem sabe o que \u00e9 bebida, rapaz! Como \u00e9 que tu pretende saber o que \u00e9 poesia?<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">Neste recinto solene, senhores acad\u00eamicos, minhas senhoras e meus senhoras, aquele que orgulhosamente se intitulava um &#8220;caboclo do Pindar\u00e9, acostumado a comer tapiaca e mandub\u00e9&#8221; repete uma repreens\u00e3o das mais severas que dele recebi. O caso foi h\u00e1 muito tempo: eram os idos de 1984. Ele andava aborrecido com o fato de eu preferir ficar fazendo a revista <em>Guarnic\u00ea<\/em>, ao inv\u00e9s de tomar conta dos neg\u00f3cios da fam\u00edlia. Sua f\u00faria transbordou, quando eu e Paulinho Coelho nos esquecemos de fechar o registro geral da \u00e1gua, no velho dep\u00f3sito de cimento que Nagib Haickel tinha pelas bandas do Desterro. Dep\u00f3sito inundado, cimento molhado, preju\u00edzo contabilizado.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">Como todo mundo sabe, meu pai n\u00e3o fazia por menos em termos de emo\u00e7\u00e3o e muitas vezes se obrigava ao papel de ator em lances cheios de dramaticidade. Na verdade, por\u00e9m, ele estaria felic\u00edssimo neste momento, rindo em seu pr\u00f3prio \u00edntimo, com o bom humor que lhe fez a fama, e saboreando dentro de si o contentamento de perder a parada para o filho:<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\"><strong> <\/strong>&#8211; Esse menino chegou mais longe do que eu podia imaginar. Para quem tinha extrema dificuldade em ler, para quem n\u00e3o sossegava um s\u00f3 instante, o lucro foi grande. Pois n\u00e3o \u00e9 que ele conseguiu enganar a todos esses acad\u00eamicos, gente culta e instru\u00edda?<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">Era assim que meu pai fingia que pensava, mas n\u00e3o era assim que ele pensava, de fato. O seu orgulho s\u00f3 encontraria repique no j\u00fabilo deste seu duplo, aceito membro da Academia Maranhense de Letras, acolhido por figuras da envergadura do Presidente Jos\u00e9 Sarney, amigos dele que foram professores de seu filho, como Jos\u00e9 Maria Ramos Martins, Alberto Tavares, Jos\u00e9 Joaquim Ramos Filgueiras, Jos\u00e9 Carlos Sousa Silva e Sebasti\u00e3o Moreira Duarte. Ele tamb\u00e9m se sentiria em casa, ao contabilizar o n\u00famero de velhos amigos seus da Assembl\u00e9ia Legislativa e da C\u00e2mara dos Deputados, com quem seu filho ir\u00e1 conviver, como Benedito Buzar, S\u00e1lvio Dino, Evandro Sarney, Joaquim Itapary, Neiva Moreira e Edison Vidigal. Com toda certeza, Nagib Haickel brincaria com seu querido amigo Milson Coutinho e com o tamb\u00e9m desembargador Lourival Serejo, recomendando-lhes que tomem conta desse &#8220;menino&#8221;, sentindo-se tamb\u00e9m envaidecido de ver seu filho compartilhar a mesa com amigos dele como Ubiratan Teixeira, Carlos Gaspar, H\u00e9lio Maranh\u00e3o, Mont&#8217;Alverne Frota, Carlos de Lima, Am\u00e9rico Azevedo, Ivan Sarney, Waldemiro Viana, Laura Am\u00e9lia e Manuel Lopes. N\u00e3o sei ao certo se ele teve o prazer de conhecer Jos\u00e9 Louzeiro, Lino Moreira, S\u00f4nia Almeida, Joaquim Campelo, Ant\u00f4nio Martins, Cl\u00f3vis Sena, Ceres e Ronaldo Costa Fernandes, Alex Brasil, Magson da Silva, Jos\u00e9 Ewerton e Ney Bello Filho, uns porque cedo foram morar fora do Maranh\u00e3o, outros porque, sendo de outra gera\u00e7\u00e3o e de outro meio, n\u00e3o tiveram contato com ele. Em especial, quando visse aqui Jos\u00e9 Chagas e Jomar Moraes, contra os quais me comparou em total desvantagem minha, Nagib\u00e3o sorriria desconcertado, franziria a testa, morderia os l\u00e1bios, choraria miudinho e escondido: tamanha \u00e9 a gl\u00f3ria desses nomes, que dela, por simples cont\u00e1gio, algum tanto sobrar\u00e1 para seu filho.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">Minhas senhoras e senhores:<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">A Cadeira que, a partir de hoje, chamarei minha na Academia Maranhense de Letras \u00e9 de In\u00e1cio Xavier de Carvalho e Ribamar Pereira, e pertenceu sucessivamente a Luiz Viana, Amaral Raposo e Nascimento Morais Filho.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">In\u00e1cio Xavier de Carvalho, nascido em 1871, deixa d\u00favida se era apenas uma pessoa. Nesta Casa foi fundador e \u00e9 patrono. Ao mesmo tempo e por igual, \u00e9 do Maranh\u00e3o, \u00e9 do Amazonas e \u00e9 do Par\u00e1. Andou ainda por Minas Gerais, e encontrou, por fim, a imortalidade no Rio de Janeiro, em 1944, pr\u00f3ximo de completar 73 anos de idade. Formado em Direito pelo Recife, em 1893, exerceu-se como magistrado, jornalista, poeta, professor de Literatura. Pelo que, de sua lavra, se sabe esparso em peri\u00f3dicos e publica\u00e7\u00f5es circunstanciais, ser\u00e1 correta a conjectura de que ainda falta reunir escritos seus deixados nesta sua cidade natal, assim como em Manaus, onde se demorou pouco, e em Bel\u00e9m, onde permaneceu por mais tempo.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">Sua obra comp\u00f5e-se de apenas tr\u00eas t\u00edtulos, que a poucas p\u00e1ginas se estendem: <em>Frutos selvagens, Missas negras <\/em>e <em>Par\u00e1bolas para bolas.<\/em> <em>Frutos selvagens <\/em>\u00e9 de S\u00e3o Lu\u00eds, <em>Missas negras<\/em> \u00e9 de Manaus, <em>Par\u00e1bolas para bolas<\/em> \u00e9 de Bel\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\"><em>Frutos selvagens <\/em>\u00e9 de S\u00e3o Lu\u00eds, 1894: &#8220;um dos poucos resultados positivos da \u00e9poca de efervesc\u00eancia vivida [<em>aqui<\/em>] entre fins do s\u00e9culo XIX e princ\u00edpios do s\u00e9culo seguinte&#8221; &#8211; segundo avalia\u00e7\u00e3o de Jomar Moraes.<a name=\"1242f007d1594d61_124262e84ab80f3f__ednref1\" href=\"http:\/\/mail.google.com\/mail\/?ui=2&amp;view=js&amp;name=js&amp;ver=hgq10Fi6xGU.pt_BR.&amp;am=%21H1n0yYGL207pRe_j2fA3Qv_PNQsdDKvDd4ZnISYs#_edn1\" target=\"_blank\">[1]<\/a><\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\"><em>Par\u00e1bolas para bolas<\/em> \u00e9 do Par\u00e1, 1919, e \u00e9 logo aqui arrolado, por suas caracter\u00edsticas, que n\u00e3o nos ocupam em maior an\u00e1lise. N\u00e3o se trata de livro em sentido pr\u00f3prio: \u00e9 apenas um folheto de 32 p\u00e1ginas, composto de seis pequenas narrativas aleg\u00f3ricas, cinco sonetos e uma ode a Rui Barbosa (recitada pelo autor, num com\u00edcio em Bel\u00e9m, por ocasi\u00e3o da campanha civilista daquele candidato \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica), textos a que s\u00f3 a ironia e o desapontamento com a pol\u00edtica conferem sentido de unidade.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\"><em>Missas negras<\/em> \u00e9 de Manaus, 1902, e constitui, desta vez, n\u00e3o apenas o que de melhor escreveu o poeta In\u00e1cio Xavier de Carvalho, mas tamb\u00e9m uma fotografia das mais vivas de uma \u00e9poca em transi\u00e7\u00e3o, de interval\u00eancia e sobreposi\u00e7\u00e3o de est\u00e9ticas, de esgotamento e \u00e2nsia sem rumos, tempo de mar\u00e9 vazante, \u00e0 espera da sig\u00edzia que, entre n\u00f3s, por amor de nosso isolamento, tardaria por bem ainda meio s\u00e9culo, at\u00e9 a gera\u00e7\u00e3o de Tribuzi e Gullar. Xavier de Carvalho realiza obra de mimetismo tardio, n\u00e3o s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s matrizes francesas em que se inspira, mas em face ao simbolismo retardat\u00e1rio de portugueses e brasileiros. Os 37 poemas que fazem as suas &#8220;Missas Negras sem h\u00f3stias e sem vinho&#8221; povoam-se de Revoltas Supremas, Cren\u00e7as Apagadas, Risos Pretos, Pecados Brancos, Alvas Grinaldas, M\u00e1goas, Quimeras, Desventuras, &#8220;bando esquel\u00e9tico de Cren\u00e7as&#8221;, &#8220;Sonho nu de Descrente&#8221;, Estranhas Rotas, M\u00e1sculas Derrotas &#8211; substantivos e adjetivos todos em mai\u00fasculas, conforme exigia o tributo da importa\u00e7\u00e3o provinciana a que o Poeta se obrigava. O t\u00edtulo <em>Missas negras<\/em> lembra o de <em>Missal<\/em>, de Cruz e Sousa, poema (em prosa) de nove anos antes, e aparece quando j\u00e1 mortos o pr\u00f3prio Cruz e Sousa, Mallarm\u00e9, Ant\u00f4nio Nobre e Verlaine. Mas, em que pese a essa nota de rebate epig\u00f4nico, nem por isso deixou In\u00e1cio Xavier de Carvalho de pagar sua conta pela luz com que pretendeu iluminar a &#8220;trist\u00edssima e caliginosa noite&#8221; &#8211; como lhe chamou Ant\u00f4nio Lobo &#8211; na qual &#8220;o Maranh\u00e3o ressonava [&#8230;] num fundo sono, pr\u00f3ximo da morte&#8221;, conforme o viu e sentiu Humberto de Campos. At\u00e9 a mais afinada intelig\u00eancia que por ent\u00e3o nos restava, o mesmo Ant\u00f4nio Lobo, n\u00e3o o compreendeu, tanto quanto \u00e9 verdade que a intelig\u00eancia brasileira &#8211; Machado de Assis inclu\u00eddo &#8211; n\u00e3o fez boa recep\u00e7\u00e3o \u00e0 literatura representada pela aluvi\u00e3o finissecular de nossos p\u00f3s-rom\u00e2nticos, simbolistas, impressionistas, decadentistas. Em carta escrita, em 1908, ao jornalista Sebasti\u00e3o Sampaio e a qual deu muito o que falar, eis em que termos o Mestre maranhense exara a sua cr\u00edtica a <em>Missas negras: <\/em>&#8220;[&#8230;] livro filiado \u00e0 corrente simbolista, tal como andou em geral compreendida e praticada no Brasil, isto \u00e9: consistindo quase que essencialmente no culto exagerado do disparate, na id\u00e9ia e na forma. E foi exatamente essa preocupa\u00e7\u00e3o de escola que, a meu ver, prejudicou sensivelmente o trabalho do poeta, sem d\u00favida alguma, de produzir obra muito mais valiosa, se em tempo se houvesse libertado dos esterilizantes empecilhos que tal preocupa\u00e7\u00e3o irresistivelmente lhe op\u00f4s \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o est\u00e9tica&#8221;.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">A bem de Ant\u00f4nio Lobo, o mais vigilante e atualizado de nossos intelectuais, diga-se que sua percep\u00e7\u00e3o de literatura pautava-se, como a de qualquer um naqueles tempos, pelo figurino franc\u00eas, mas n\u00e3o absorvia os padr\u00f5es renovadores sugeridos, da mesma Fran\u00e7a, j\u00e1 desde as <em>Flores do mal,<\/em> de Baudelaire. A mal de seu temperamento enfermi\u00e7o, para quem a pol\u00eamica constitu\u00eda uma esp\u00e9cie de compuls\u00e3o er\u00f3gena, leve-se em conta que sua aprecia\u00e7\u00e3o sobre In\u00e1cio Xavier de Carvalho se faz em clima de m\u00fatua desaven\u00e7a, veiculada pelos jornais <em>Pacotilha, O Maranh\u00e3o<\/em> e <em>Di\u00e1rio do Maranh\u00e3o, <\/em>da capital maranhense, e engatilhada pela <em>Folha do Norte<\/em>, de Bel\u00e9m do Par\u00e1, conforme nos diz Carlos Gaspar em trabalho rec\u00e9m-publicado sobre Ant\u00f4nio Lobo.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">A contenda ocorreu no ano de 1907 e teve como causa imediata a chegada, a S\u00e3o Lu\u00eds, do jornalista fluminense Rafael Pinheiro, vindo do Par\u00e1 para aqui fazer confer\u00eancias sobre assuntos variados. Antecipou-o, no entanto, a not\u00edcia de seus desentendimentos com homens de letras do Estado vizinho, fato bastante para deixar de sobreaviso os intelectuais desta terra, e mais ainda, na percep\u00e7\u00e3o de alguns, porque seria Ant\u00f4nio Lobo quem lhe daria as boas-vindas e o apresentaria aos maranhenses. Sobre uma confer\u00eancia, programada com pompa e circunst\u00e2ncia para ser pronunciada no Teatro local, com a presen\u00e7a do governador Benedito Leite, Agostinho Reis, redator da <em>Pacotilha<\/em>, informa ao jornal de Bel\u00e9m que alguns bilhetes de entrada haviam sido distribu\u00eddos gratuitamente, com a finalidade de preencher cadeiras vazias no sal\u00e3o do evento.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">Os efeitos da not\u00edcia, desfavor\u00e1veis ao visitante e a seu anfitri\u00e3o, foram glosados por In\u00e1cio Xavier de Carvalho, editorialista d&#8217;<em>O Maranh\u00e3o<\/em> e propiciam fazer-se um <em>close<\/em> sobre o cotidiano das duas figuras envolvidas na querela, de seus pequenos interesses e da vida pequena de S\u00e3o Lu\u00eds, naquela primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo XX, e bem assim sobre o que, de literatura, se criava nesta Prov\u00edncia naqueles tempos.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">O autor das <em>Missas negras &#8211; <\/em>diz Ant\u00f4nio Lobo<em> &#8211; <\/em>&#8220;tem um talento especial para tro\u00e7ar e descompor em verso. Mas tamb\u00e9m \u00e9 s\u00f3: tirando isso, o rapazinho [<em>o tal &#8220;rapazinho&#8221; contava j\u00e1 36 anos de idade<\/em>] \u00e9 de uma imper\u00edcia de fazer d\u00f3, quer se exprima em linguagem m\u00e9trica, quer n\u00e3o. [&#8230;] Na prosa \u00e9 o mesmo descalabro e a mesma l\u00e1stima. Se o mo\u00e7o se quer exprimir em linguagem sem metro e sem rima, ou \u00e9 para se dar ao desfrute ou para dizer tolices. [&#8230;].<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">&#8220;Ora, Sr. Ant\u00f4nio Lobo! Que pretens\u00e3o a sua!&#8221; &#8211; a de um &#8220;esp\u00edrito nulo e acanhado&#8221;, [&#8230;] &#8220;cor\u00e9ico ou paran\u00f3ico, [&#8230;] um doente f\u00edsico, [&#8230;], o quanto basta para torn\u00e1-lo irrespons\u00e1vel pelo que diz e escreve&#8221;. Xavier de Carvalho nega a cr\u00edtica de seu oponente, lembrando que Guerra Junqueiro o saudou como &#8220;camarada liter\u00e1rio&#8221; e que sua poesia foi recebida amigavelmente no mundo das letras por Jos\u00e9 Ver\u00edssimo, Artur Azevedo, Medeiros Albuquerque, etc.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">Interessante para bem retratar o esp\u00edrito da \u00e9poca \u00e9 perderem ambos tempo e papel em agress\u00e3o rec\u00edproca, a prop\u00f3sito de um terceto de <em>Missas negras<\/em>, em que o verbo <em>ladrar<\/em> \u00e9 usado como transitivo direto:<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt 3cm;text-align: justify\">E em complemento ap\u00f3s da Gl\u00f3ria Tua<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt 3cm;text-align: justify\">Ficar\u00e1s l\u00e1 por cima como a Lua<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt 3cm;text-align: justify\">E eles embaixo como o c\u00e3o que a Ladra!<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">Ant\u00f4nio Lobo, escritor da velha cepa, n\u00e3o percebeu que a transgress\u00e3o \u00e0 reg\u00eancia verbal \u00e9 o que enriquece e d\u00e1 for\u00e7a ao verso de seu advers\u00e1rio. Dois anos depois dessa pol\u00eamica, ele ainda reafirma a mesma incompreens\u00e3o da est\u00e9tica simbolista e, sobre a poesia de In\u00e1cio Xavier de Carvalho, emite a mesma opini\u00e3o expressa a Sebasti\u00e3o Sampaio: &#8220;I. Xavier de Carvalho&#8221; &#8211; s\u00e3o suas palavras<em> <\/em>em<em> Os novos atenienses<\/em> &#8211; &#8220;\u00e9, incontestavelmente, uma organiza\u00e7\u00e3o po\u00e9tica de primeira ordem. De um alto poder de idealiza\u00e7\u00e3o e de express\u00e3o est\u00e9tica, sabe, aos seus temas emotivos, aplicar com maestria todos os recursos t\u00e9cnicos da sua arte. A \u00fanica falha que ter\u00edamos a lamentar na sua obra, se acaso aqui tent\u00e1ssemos exercer a cr\u00edtica, seria exatamente o malbarato de t\u00e3o belos requisitos art\u00edsticos, no cultivo do verso simbolista, tal como andou compreendido pelos sibilinos e intraduz\u00edveis decadistas franceses e pelos seus dignos imitadores brasileiros&#8221;. (p. 60).<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">Na verdade, o que h\u00e1 para se lamentar em Xavier de Carvalho \u00e9 que ele tenha chegado tarde e repetitivo, o que, s\u00f3 por isso, n\u00e3o implica em inferioridade liter\u00e1ria. Sonetista ex\u00edmio, algumas de suas cria\u00e7\u00f5es mereceriam acolhida franca em qualquer antologia da l\u00edngua vern\u00e1cula. Sua poesia revela uma tentativa de introspec\u00e7\u00e3o que transcende ao seu pr\u00f3prio eu, para desvelar a alma humana em ang\u00fastia universal. Os tempos que se anunciam ser\u00e3o de Freud, Joyce, Pound, Proust. In\u00e1cio Xavier de Carvalho tem o pressentimento da mudan\u00e7a. Poderemos dizer n\u00e3o apenas que sua obra, m\u00ednima, ficou pelo meio do caminho, mas que ele \u00e9 todo um meio de caminho. Ep\u00edgono por um lado, \u00e9 mal e mal percebido como o pr\u00f3gono que poderia ter sido: culpa da Prov\u00edncia que tardou tanto em abrir os sentidos para os paradigmas da modernidade.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">De fundador da Academia e titular da Cadeira n\u00ba 9, In\u00e1cio Xavier de Carvalho foi transformado em patrono da Cadeira n\u00ba 37, fundada por Jos\u00e9 de Ribamar dos Santos Pereira.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">N\u00e3o podendo encarnar-me na voz do bar\u00edtono que foi Ribamar Pereira, para aqui solfejar as 217 poesias que, segundo M\u00e1rio Meireles, deixou musicadas o primeiro ocupante da Cadeira 37 &#8211; algumas inclusive traduzidas para o franc\u00eas, o espanhol e o italiano &#8211; eu me desculparei por lhe fazer apenas r\u00e1pido aceno biobibliogr\u00e1fico:<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">Nascido em S\u00e3o Lu\u00eds em 17 de setembro de 1898, estudou primeiras letras no famoso Instituto Rosa Nina. Poeta, jornalista, teatr\u00f3logo, orador. Bacharel em Direito pelo Par\u00e1, foi assistente judici\u00e1rio do Proletariado e 1\u00ba promotor P\u00fablico da Capital, no Maranh\u00e3o; consultor jur\u00eddico da Caixa de Aposentadorias e Pens\u00f5es de Servi\u00e7os P\u00fablicos dos Estados do Piau\u00ed e Maranh\u00e3o. Representante, no Maranh\u00e3o, da Casa dos Artistas, da Associa\u00e7\u00e3o do Teatro Nacional e da Associa\u00e7\u00e3o de Cronistas de Arte. Colaborou assiduamente na imprensa de S\u00e3o Lu\u00eds e do Acre, Bel\u00e9m (<em>Folha do Norte<\/em>), Fortaleza, Recife (<em>Jornal Pequeno<\/em>), Bahia (<em>A Tarde<\/em>), S\u00e3o Paulo, Amazonas e Rio de Janeiro. Foi professor Catedr\u00e1tico da Academia de Com\u00e9rcio do Maranh\u00e3o, da Escola de Agronomia do Maranh\u00e3o, da Faculdade de Direito do Maranh\u00e3o e de outros estabelecimentos secund\u00e1rios em S\u00e3o Lu\u00eds. Membro, tamb\u00e9m, do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Maranh\u00e3o. Faleceu a 23 de abril de 1959.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">Sobre Luiz Viana, muito n\u00e3o direi, para n\u00e3o me arriscar a cometer erros perante familiares e parentes seus, que ainda agora nos circundam. Nascido a 29 de setembro de 1889, duas ilustres casas de S\u00e3o Bento entroncam-se em seu nome: a dos Lobatos e a dos Vianas. De r\u00e1pidos apontamentos biogr\u00e1ficos que dele colhemos, entende-se que foi excelente em tudo: como estudante, professor, m\u00e9dico, jornalista, educador, homem de letras, cientista, administrador p\u00fablico. A esse respeito, fa\u00e7amos leitura das palavras de quem o conheceu e sucedeu nesta Casa: &#8220;Se quisermos definir, com justi\u00e7a e justeza, a vida cient\u00edfica, a vida liter\u00e1ria de Luiz Viana&#8221; &#8211; fala Amaral Raposo &#8211; &#8220;cumpre-nos afirmar haver sido ele um p\u00eandulo de ouro, oscilando sem hiatos e sem pausas, durante mais de meio s\u00e9culo, entre a paix\u00e3o absorvente do estudo e o fanatismo incessante do ensino.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">&#8220;Mais do que tudo, ele foi mestre. Mestre consumado em nossa l\u00edngua, foi, igualmente, em italiano, em franc\u00eas, em ingl\u00eas e alem\u00e3o, tal como atestam quantos mais \u00edntima e frequentemente o conheceram.&#8221;<a name=\"1242f007d1594d61_124262e84ab80f3f__ednref2\" href=\"http:\/\/mail.google.com\/mail\/?ui=2&amp;view=js&amp;name=js&amp;ver=hgq10Fi6xGU.pt_BR.&amp;am=%21H1n0yYGL207pRe_j2fA3Qv_PNQsdDKvDd4ZnISYs#_edn2\" target=\"_blank\">[2]<\/a><\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">Quanto ao perfil humano daquele meu antecessor, nada melhor que recolher o testemunho de quem faz, na vida acad\u00eamica, a sequ\u00eancia da linhagem humana e intelectual de Luiz Viana: &#8220;De tio Lu\u00eds &#8211; diz o romancista Waldemiro Viana &#8211; me fica na mem\u00f3ria um retrato paradoxal: enquanto meu pai e seu irm\u00e3o mais novo, Fernando Viana, me falava do seu extremo rigor (ao ajudar meu av\u00f4 na educa\u00e7\u00e3o dos cinco irm\u00e3os), na condi\u00e7\u00e3o de primog\u00eanito, a calar os mais novos ante um simples franzir de cenho, eu, que j\u00e1 o conheci no ocaso de sua vida, guardo dele a lembran\u00e7a de um doce velhinho, extremamente culto, a dar-nos, bonach\u00e3o, qualquer explica\u00e7\u00e3o sobre qualquer assunto, cuja dificuldade desaparecia face \u00e0 aula ministrada.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">&#8220;As disciplinas de sua predile\u00e7\u00e3o eram Portugu\u00eas e Hist\u00f3ria Natural. A esse respeito, por sinal, lembro de uma entrevista que concedeu \u00e0 TV Difusora (a \u00fanica, \u00e0quela \u00e9poca), por ocasi\u00e3o de sua posse na Cadeira 37 da Academia Maranhense de Letras. Perguntado sobre o porqu\u00ea dessa prefer\u00eancia, respondeu, orgulhoso: &#8220;<em>Hist\u00f3ria Natural, por natural propens\u00e3o; Portugu\u00eas, por ser maranhense<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">&#8220;Iniciou suas atividades liter\u00e1rias com o livro de cr\u00f4nicas lan\u00e7ado no Rio, <em>O Dia<\/em>, do qual n\u00e3o tenho quaisquer not\u00edcias. Foi articulista de v\u00e1rios peri\u00f3dicos maranhenses, em destaque o jornal <em>Pacotilha<\/em>, do qual chegou mesmo \u00e0 dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">&#8220;Poeta esparso, deixou uns quantos sonetos, de lavra rebuscada e m\u00e9trica perfeita. Tive oportunidade de ler-lhe uns contos er\u00f3ticos, ainda na flor da idade, aos doze, treze anos, que me serviram como incremento para fantasias de toalete.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">Sucedeu-o Amaral Raposo, &#8220;um dos \u00faltimos abencerragens que enfrentam com denodo os sarrabulheiros do idioma [&#8230;]. <em>Enfant terrible&#8230;<\/em> garoto levado da breca&#8230; Fascinado, desde jovem, pela grandeza do estilo ruibarboseano, tudo o que lhe tem sa\u00eddo da pena irrequieta e candente reflete, tem refletido sempre a influ\u00eancia do grande baiano&#8221; &#8211; \u00e9 o que dele afirma Fernando Viana, que lhe deu as boas-vindas na Cadeira 37 desta Casa.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">E \u00e9, outra vez, ao filho de Fernando Viana, a quem mais uma vez invoco, para falar da figura humana que fez companhia inesquec\u00edvel a muitos dos presentes, mas a quem, por um lapso de gera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o cheguei a conhecer:<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">Dep\u00f5e Waldemiro Viana: &#8220;A desenxabida revista de origem americana <em>Sele\u00e7\u00f5es do Reader&#8217;s Digest<\/em>, de leitura quase obrigat\u00f3ria em certa fase da vida de todos n\u00f3s, sessent\u00f5es, trazia um quadro fixo intitulado Meu Tipo Inesquec\u00edvel, onde um escritor qualquer escrevia sobre algu\u00e9m que o impressionara sobremaneira.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">&#8220;Se eu tivesse que escrever nessa se\u00e7\u00e3o, o meu tipo inesquec\u00edvel certamente seria o genial jornalista, poeta, articulista e &#8211; sobretudo &#8211; <em>irasc\u00edvel<\/em> gozador Amaral Raposo.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">&#8220;Tenho-lhe, viva, na retina a imagem: meia altura, f\u00edsico de antiatleta, era meio barrigudo, bra\u00e7os finos, amareloso, olhos esbugalhados, bei\u00e7ola deca\u00edda a sibilar assobios completamente desafinados, cabeleira rareando e em perp\u00e9tuo desalinho. Tinha por caracter\u00edstica o h\u00e1bito de emitir, ap\u00f3s a ingest\u00e3o da dose de conhaque usual, uma esp\u00e9cie de gorgolejo esquisito, que o identificava \u00e0 dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">&#8220;Humor c\u00e1ustico, para cada situa\u00e7\u00e3o tinha uma contundente cr\u00edtica. Recordo-me de uma situa\u00e7\u00e3o constrangedora por que passei, quando, aluno do 3\u00ba Cient\u00edfico do Col\u00e9gio S\u00e3o Lu\u00eds, fiquei entre dois fogos, por ocasi\u00e3o do lan\u00e7amento de um livro did\u00e1tico pertinente \u00e0 mat\u00e9ria, do meu professor de Portugu\u00eas de ent\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">&#8220;Na apresenta\u00e7\u00e3o da obra, esse professor cometeu a infelicidade de inici\u00e1-la com a express\u00e3o: <em>&#8220;Dos <\/em>teclados<em> de minha m\u00e1quina&#8230;<\/em>&#8221; Foi o quanto bastou para Amaral Raposo, impiedoso, num artigo de jornal, massacrar o pobre coitado, naquele seu humor ferino, a indagar <em>quantos teclados ter\u00e1 a m\u00e1quina desse mentecapto? <\/em>E a dar-se ao trabalho de ler detidamente a obra, somente para criticar-lhe os erros gramaticais.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">&#8220;E eu \u00e9 que, em classe, suportava as diatribes do mestre, que tinha pleno conhecimento da minha amizade com o seu implac\u00e1vel cr\u00edtico.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">&#8220;Tocava um viol\u00e3o divino, mas uma execu\u00e7\u00e3o sua geralmente gerava pol\u00eamica e descontentamento. Isso porque, perfeccionista, n\u00e3o admitia qualquer ru\u00eddo externo, quando da execu\u00e7\u00e3o de seus solos.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">&#8220;Dispersivo, muito pouco ficou da obra do genial poeta de <em>S\u00f3<\/em>. Somente as piadas, blagues, observa\u00e7\u00f5es c\u00e1usticas que o notabilizaram, e respostas prontas, que confundiam (ou desmoralizavam) o inquiridor&#8230; como, por exemplo, aquela dada a uma senhora, j\u00e1 um pouco al\u00e9m de balzaquiana, que o atormentava com insistentes elogios (o poeta era avesso a eles) e que, a certa altura, perguntou-lhe, coquete:<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">&#8220;- Quantos anos o senhor me d\u00e1, poeta?<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">&#8220;A resposta seca e um tanto r\u00edspida:<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">&#8220;- Nenhum, dona: a senhora j\u00e1 tem muitos!&#8221;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 10pt;text-align: justify\">\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">Volto-me, por fim, a desdizer o que disse Afr\u00e2nio Peixoto e repetiu Jos\u00e9 Sarney, que um acad\u00eamico s\u00e3o dois discursos, o segundo dos quais ele n\u00e3o poder\u00e1 mais ouvir. Jos\u00e9 do Nascimento Morais Filho marcou de tal modo a sua passagem pelo cen\u00e1rio maranhense da segunda metade do s\u00e9culo XX, que \u00e9 dif\u00edcil o imaginarmos desaparecido, sem mais nem menos, de nosso conv\u00edvio, sendo bom examinarmos se ele n\u00e3o se acha camuflado em meio a esta audi\u00eancia, prestando aten\u00e7\u00e3o a este segundo discurso a seu respeito, conferindo palavra por palavra de seu sucessor na Casa \u00e0 qual um dia ele voltou as costas para sempre.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">A seu modo, ele tamb\u00e9m ter\u00e1 sido &#8220;um garoto levado da breca&#8221;, podendo intuir-se, quase, venha esse timbre a firmar-se como identidade da Cadeira 37 neste carrancudo Cen\u00e1culo da Intelig\u00eancia Maranhense. Um &#8220;aloprado&#8221;, n\u00e3o tivesse essa palavra sofrido a deforma\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica causada pela apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita de sentido que dela fez o presidente da Rep\u00fablica. Se n\u00e3o &#8211; com a \u00fanica exce\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7a Aranha, no famoso epis\u00f3dio de sua confer\u00eancia na Academia Brasileira, em 1924 -, de qual outro &#8220;aloprado&#8221; h\u00e1 not\u00edcia de rompimento com uma Institui\u00e7\u00e3o que, para n\u00e3o poucos, \u00e9 a capa, ou a carapa\u00e7a, com que se cobrem e se escondem em sua espera e passagem para os umbrais da imortalidade?<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">Na Igreja do velho regime, o gesto supremo de coragem para o sacerdote era atirar a batina \u00e0s urtigas, abandonar as obriga\u00e7\u00f5es sagradas do culto. \u00c0 moda antiga, o homem de Deus tornado aos h\u00e1bitos de simples cidad\u00e3o era apontado como ap\u00f3stata, palavr\u00e3o mais pesado que o de herege ou cism\u00e1tico, den\u00fancia de infidelidade p\u00fablica e permanente, defec\u00e7\u00e3o imperdo\u00e1vel, tipo especial de sacril\u00e9gio equivalente \u00e0 morte em vida, e o qual dificultava por demais &#8211; se n\u00e3o mesmo impossibilitava de todo &#8211; os atos e pr\u00e1ticas da vida comum: contrair matrim\u00f4nio, exercer uma profiss\u00e3o, ser aceito em sociedade.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">De que outra imagem poderemos nos valer para, em compara\u00e7\u00e3o, pesar e medir a &#8220;aloprada&#8221; coragem de Nascimento Morais Filho, quando se arrebatou do prop\u00f3sito de largar para sempre a companhia de seus pares na Academia Maranhense de Letras? A apostasia era um absurdo na teologia do catolicismo. A ren\u00fancia continua sendo um absurdo na metaf\u00edsica das academias. Ainda hoje diz o Regimento desta Casa, em seu art. 46: &#8220;\u00c9 perp\u00e9tuo o t\u00edtulo de acad\u00eamico.&#8221; E mesmo com a vig\u00eancia da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, cuja garantia de liberdade associativa obrigou a reescrever-se a norma interna acad\u00eamica, eis o que foi acrescentado ao <em>caput<\/em> de referido artigo:<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">&#8220;\u00a7 2\u00ba O acad\u00eamico que renunciar [&#8230;] ter\u00e1 seu nome exclu\u00eddo de todos os registros da Academia, passando a figurar como per\u00edodo de vac\u00e2ncia aquele em que pertenceu \u00e0 Institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">&#8220;\u00a7 3\u00ba Verificada a hip\u00f3tese prevista neste artigo, ser\u00e1 considerado antecessor do novo acad\u00eamico eleito o antecessor imediato do que houver renunciado.&#8221;<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">Decreta-se nesses par\u00e1grafos a senten\u00e7a de morte do acad\u00eamico, medida decerto copiada dos regulamentos militares, pois s\u00f3 nos quart\u00e9is se encontrar\u00e1 paralelo a tamanho rigor, quando algu\u00e9m \u00e9 expulso de suas fileiras.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">Observe-se que, para melhor an\u00e1lise, estamos distinguindo e separando os atos do fato: a ren\u00fancia e a causa da ren\u00fancia. A ren\u00fancia foi uma demonstra\u00e7\u00e3o livre, consciente e volunt\u00e1ria de estoicismo suicida. Mas, para Nascimento Morais Filho, foi a pena de pris\u00e3o perp\u00e9tua para garantir a pr\u00f3pria liberdade. Essa, a causa remota de sua dr\u00e1stica decis\u00e3o. Ele disse em um de seus livros:<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt 70.9pt;text-align: justify\">liberdade<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt 70.9pt;text-align: justify\">foi o que a natureza programou para o meu ser:<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt 70.9pt;text-align: justify\">&#8211; a ordem<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt 70.9pt;text-align: justify\">a que obedecem as minhas c\u00e9lulas.<a name=\"1242f007d1594d61_124262e84ab80f3f__ednref3\" href=\"http:\/\/mail.google.com\/mail\/?ui=2&amp;view=js&amp;name=js&amp;ver=hgq10Fi6xGU.pt_BR.&amp;am=%21H1n0yYGL207pRe_j2fA3Qv_PNQsdDKvDd4ZnISYs#_edn3\" target=\"_blank\">[3]<\/a><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt 70.9pt;text-align: justify\">\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">E mais adiante:<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt 70.9pt;text-align: justify\">limpei com o povo<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt 70.9pt;text-align: justify\">a minha consci\u00eancia!<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt 70.9pt;text-align: justify\">com o povo<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt 70.9pt;text-align: justify\">tonifiquei meu ser!<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt 70.9pt;text-align: justify\">agora, canto:<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt 70.9pt;text-align: justify\">&#8211; liberdade! liberdade! liberdade!<a name=\"1242f007d1594d61_124262e84ab80f3f__ednref4\" href=\"http:\/\/mail.google.com\/mail\/?ui=2&amp;view=js&amp;name=js&amp;ver=hgq10Fi6xGU.pt_BR.&amp;am=%21H1n0yYGL207pRe_j2fA3Qv_PNQsdDKvDd4ZnISYs#_edn4\" target=\"_blank\">[4]<\/a><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt 70.9pt;text-align: justify\">\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">N\u00e3o importando esmiu\u00e7ar-se nenhuma causa remota da ruptura de meu antecessor com a Academia, transpare\u00e7a, ao inv\u00e9s, a motiva\u00e7\u00e3o imediata que lhe acendeu raz\u00f5es para isso: o capricho por assegurar \u00e0 velha Confraria a ess\u00eancia de sua pureza gen\u00e9tica. Que o sacrif\u00edcio de Jos\u00e9 do Nascimento Morais Filho assim seja visto e assim se guarde como li\u00e7\u00e3o pelos tempos a vir. A esta centen\u00e1ria Oficina convergem homens e mulheres que, bem ou mal, forcejam, sobre tudo e primeiro que tudo, pela express\u00e3o art\u00edstica atrav\u00e9s da escritura. Mais que simples diferen\u00e7a espec\u00edfica no quadro gen\u00e9rico dos que malham a palavra na forja de seu labor cotidiano, \u00e9 esse o seu apan\u00e1gio supremo. Elevando-se a tal plano a vigil\u00e2ncia dos guardi\u00e3es desse templo, n\u00e3o h\u00e1 confundir-se zelo com prurido, ou escr\u00fapulo com teimosia. A pedagogia dessa cl\u00e1usula p\u00e9trea foi legado e \u00e9 cobran\u00e7a deixada pelos Doze Fundadores, conforme deduzimos pelo exemplo de Ant\u00f4nio Lobo, no relato de Carlos Gaspar, j\u00e1 mencionado.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">Mas n\u00e3o foi sem exercita\u00e7\u00f5es antecedentes que a trajet\u00f3ria de Nascimento Morais Filho culminou com a sua morte neossocr\u00e1tico-acad\u00eamica nesta outra velha Atenas. &#8220;Eu sou um lutador&#8221;. A frase tantas vezes repetida por seu ilustre pai e que at\u00e9 ontem l\u00edamos colada ao busto daquele grande jornalista, na Pra\u00e7a do Panteon, a seu filho tamb\u00e9m \u00e9 repassada, atrav\u00e9s da bagagem cromoss\u00f4mica, como s\u00famula de sua agitada biografia.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">Jos\u00e9 do Nascimento Morais Filho nasceu em S\u00e3o Lu\u00eds, a 15 de julho de 1922. &#8220;Sua forte voca\u00e7\u00e3o de agitador de id\u00e9ias&#8221; &#8211; eu repito palavras de seu primo Jomar Moraes &#8211; &#8220;revelou-se muito cedo, quando, na lideran\u00e7a de um grupo de jovens e com a participa\u00e7\u00e3o de figuras consagradas da cultura maranhense, fundou e dirigiu a Centro Cultural Gon\u00e7alves Dias, sem d\u00favida o mais importante movimento cultural de S\u00e3o Lu\u00eds na d\u00e9cada de 40&#8221;,<a name=\"1242f007d1594d61_124262e84ab80f3f__ednref5\" href=\"http:\/\/mail.google.com\/mail\/?ui=2&amp;view=js&amp;name=js&amp;ver=hgq10Fi6xGU.pt_BR.&amp;am=%21H1n0yYGL207pRe_j2fA3Qv_PNQsdDKvDd4ZnISYs#_edn5\" target=\"_blank\">[5]<\/a> de que fizeram parte Ferreira Gullar, Bandeira Tribuzi, Lago Burnett, Dagmar Desterro, Vera Cruz Santana, Jos\u00e9 Filgueiras, Jos\u00e9 Bento Nogueira Neves e outros mais.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">Fala um de seus colegas daquelas priscas horas, Lago Burnett: &#8220;Sempre considerei Z\u00e9 Morais e Bandeira Tribuzi os polos fundamentais de nossa gera\u00e7\u00e3o. Morais nos ensinou a cultivar os cl\u00e1ssicos; Tribuzi, sem desprez\u00e1-los, nos acenou com a viabilidade de novos rumos. Mas ambos tinham, e ainda t\u00eam, a vis\u00e3o social do caso liter\u00e1rio. Ambos sabiam e sabem que n\u00e3o se faz literatura sem povo, porque, em \u00faltima inst\u00e2ncia, \u00e9 para o povo que a arte se destina e \u00e9 do povo que ela nos chega, em estado bruto.&#8221;<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">A forma\u00e7\u00e3o desse l\u00edder haver\u00e1 de ter sucedido de forma tumultu\u00e1ria como o correr de seus dias. A exuber\u00e2ncia de seu esp\u00edrito n\u00e3o lhe ter\u00e1 deixado tempo e paci\u00eancia para a realiza\u00e7\u00e3o de estudos intensivos, sistem\u00e1ticos e aprofundados em qualquer campo de saber. Em mais de um de seus livros, ele mesmo deixa esculpido o pr\u00f3prio perfil intelectual: &#8220;Por natureza, forma\u00e7\u00e3o e tradi\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia: poeta, prosador e professor. \/ Por acaso: Fiscal de Rendas do Estado do Maranh\u00e3o &#8211; fun\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m, \u2018por acaso&#8217; f\u00ea-lo encontrar e conhecer o outro Nascimento Morais Filho: o folquelorista&#8221; [<em>sic, sistematicamente<\/em>].<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">Sua obra versificada compreende: <em>Clamor da hora presente,<\/em> que, da estr\u00e9ia em 1955, chegou a quatro edi\u00e7\u00f5es, at\u00e9 1992; <em>Azulejos,<\/em> de 1963; e <em>Esfinge do azul,<\/em> de 1972 e 1996, t\u00edtulos todos extra\u00eddos na capital maranhense. Considerada sob a mira da eternidade, como o dever\u00e1 ser a partir de agora, e vista em conjunto, ser\u00e1 produ\u00e7\u00e3o que n\u00e3o convida a uma aposta de perman\u00eancia: \u00e9 obra de leitor de poesia, cria\u00e7\u00e3o ao r\u00e9s da palavra, palavra ao r\u00e9s do ch\u00e3o, ademais de tribut\u00e1ria de inten\u00e7\u00f5es que suplantam a realiza\u00e7\u00e3o po\u00e9tica, tais como a ret\u00f3rica do libelo pol\u00edtico e a den\u00fancia engajada. Sabe-se o quanto \u00e9 dif\u00edcil escapar a esse ardil, sobretudo nos tempos de juventude, e quando se luta e se labuta em esquinas miser\u00e1veis do Planeta, onde muitas vezes se pratica a literatura com inten\u00e7\u00e3o de tocar fogo no mundo. Mas tamb\u00e9m \u00e9 sabido que a poesia comprometida &#8211; particularmente a poesia de partido &#8211; exige uma sobrecarga inventiva apenas alcan\u00e7ada por raros poetas de alto n\u00edvel: Castro Alves, Maiakowski, Neruda, Gullar. Pois n\u00e3o basta a emo\u00e7\u00e3o: \u00e9 necess\u00e1rio que a emo\u00e7\u00e3o seja recolhida em sil\u00eancio &#8211; lembra-nos h\u00e1 quase dois s\u00e9culos o cr\u00edtico ingl\u00eas.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">Ou\u00e7amos, a prop\u00f3sito, uma voz que veio de longe, na qual palavras de entusiasmo e est\u00edmulo entremeiam-se \u00e0 percep\u00e7\u00e3o sincera &#8211; sempre respeitosa e amig\u00e1vel &#8211; sobre os versos de meu antecessor: &#8220;Acabo de receber o seu livro <em>Clamor da hora presente <\/em>e muito agrade\u00e7o ao amigo&#8221; &#8211; escreve-lhe da B\u00e9lgica Gaston-Henry Aufr\u00e8re (Carta de 1.10.1955). &#8211; &#8220;Li os seus poemas com muito prazer, porque eu [<em>tamb\u00e9m<\/em>] sou poeta <em>d&#8217;avant-garde<\/em> que n\u00e3o fica indiferente ao andar das castas laboriosas do mundo. Sa\u00fado no meu amigo um jovem poeta do povo, um desta falange dos escritores progressistas que tem a coragem de suas id\u00e9ias e escreve a sua mensagem em nome do povo e dos trabalhadores, espoliados pelos capitalistas. [&#8230;] Talvez a poesia de meu amigo n\u00e3o tenha sempre o v\u00f4o sublime que conv\u00e9m. N\u00e3o importa! O que conta \u00e9 a id\u00e9ia!&#8221; E noutro lugar, depois de afirmar que o nosso Z\u00e9 Morais levanta o seu <em>Clamor<\/em> &#8220;em trombeta \u00e9pica&#8221;: &#8220;Quando a poesia de Morais Filho estiver purificada de algumas banalidades e lugares comuns, haver\u00e1 de estar no n\u00edvel da de um Maiakowski e de um Ritsos, e o Brasil ter\u00e1 um grande poeta.&#8221; <a name=\"1242f007d1594d61_124262e84ab80f3f__ednref6\" href=\"http:\/\/mail.google.com\/mail\/?ui=2&amp;view=js&amp;name=js&amp;ver=hgq10Fi6xGU.pt_BR.&amp;am=%21H1n0yYGL207pRe_j2fA3Qv_PNQsdDKvDd4ZnISYs#_edn6\" target=\"_blank\">[6]<\/a><\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">Podemos adivinhar o que responderia o destinat\u00e1rio de tal mensagem a seu correspondente e a todos os demais leitores: &#8220;Prefiro ser o \u00faltimo, sendo eu, a querer ser o primeiro, sendo outro&#8221; &#8211; \u00e9 esse um de seus Pensamentos, colhido em lista do livro <em>Esfinge do azul<\/em>.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">Versos de Nascimento Morais Filho serviram de letra para a m\u00fasica de compositores como Ribamar Fiquene, Ant\u00f4nio Vieira, Lopes Bog\u00e9a e Jos\u00e9 de Ribamar Passos (Chamin\u00e9), mistura intersemi\u00f3tica que certifica, de per si, seu desejo de ser simples e direto, no intuito de alcan\u00e7ar o ouvinte comum, deixando \u00e0 vista o quanto seus escritos se entendem com a linha da oralidade.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">E foi essa preocupa\u00e7\u00e3o com a oralidade, com auscultar o cora\u00e7\u00e3o de sua gente e com ele sintonizar-se, que o levou \u00e0 cultura popular. S\u00e3o de sua lavra neste campo: <em>P\u00e9 de conversa,<\/em> de 1957, <em>O que \u00e9 o que \u00e9?,<\/em> de 1972, e <em>Cancioneiro geral do Maranh\u00e3o, <\/em>1\u00ba v., 1976. Seu entusiasmo pelo folclore o fez conceber projetos grandiosos, n\u00e3o realizados: uma Enciclop\u00e9dia do Folquelore [<em>sic, sistematicamente<\/em>] Maranhense, um <em>Cancioneiro geral do Maranh\u00e3o<\/em>, de que saiu, em 1\u00ba volume, uma colet\u00e2nea de nossas quadras po\u00e9ticas tradicionais, apanhadas de antigos peri\u00f3dicos e da voz do povo, trabalhos que, no tocante \u00e0 sua terra, ele pretendia corressem em paralelo ao empreendimento de C\u00e2mara Cascudo para todo o Brasil.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">Sua atividade multif\u00e1ria o fez pesquisador muito a seu modo, sem maiores desvelos met\u00f3dicos e com a indisciplina pr\u00f3pria de seu temperamento. Por seu esfor\u00e7o em procura de pap\u00e9is velhos do passado maranhense, fez reeditar o livro <em>A metaf\u00edsica da contabilidade comercial<\/em> (1986), de Est\u00eav\u00e3o Rafael de Carvalho, e o jornal <em>O Bentevi<\/em> (1986), indispens\u00e1vel para quem se dedique a rastrear a hist\u00f3ria da Balaiada. Muito especialmente, o Maranh\u00e3o e o Brasil lhe ficar\u00e3o para sempre devedores por ele haver ressuscitado o nome de Maria Firmina dos Reis, promovendo-lhe a edi\u00e7\u00e3o fac-similar do romance <em>\u00darsula<\/em> e fragmentos de outros escritos da not\u00e1vel escritora conterr\u00e2nea. Como acontece, compreensivelmente at\u00e9, com muitos estudiosos que exageram na paix\u00e3o por seus achados, Nascimento Morais Filho sobrevalorizou o pr\u00f3prio feito. Por sua singularidade e seu pioneirismo, Maria Firmina dos Reis h\u00e1 de constar necessariamente na hist\u00f3ria da <em>cultura<\/em> maranhense, na sociologia de nossas id\u00e9ias, de nossas pr\u00e1ticas sociais, e n\u00e3o bem de nossa <em>literatura<\/em>. &#8220;Poetisa med\u00edocre e ficcionista desimportante&#8221; &#8211; a avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 de Jomar Moraes &#8211; &#8220;Maria Firmina ds Reis n\u00e3o tem, mesmo nos limites da literatura maranhense, a significa\u00e7\u00e3o que recentemente pretenderam atribuir-lhe&#8221;.<a name=\"1242f007d1594d61_124262e84ab80f3f__ednref7\" href=\"http:\/\/mail.google.com\/mail\/?ui=2&amp;view=js&amp;name=js&amp;ver=hgq10Fi6xGU.pt_BR.&amp;am=%21H1n0yYGL207pRe_j2fA3Qv_PNQsdDKvDd4ZnISYs#_edn7\" target=\"_blank\">[7]<\/a><\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">Mas quem, tendo vivido no Maranh\u00e3o da d\u00e9cada dos 80, desconhece o movimento insistente, resistente e renitente, que foi o Comit\u00ea de Defesa da Ilha de S\u00e3o Lu\u00eds? Dif\u00edcil inventar iniciativa mais ao gosto de Jos\u00e9 do Nascimento Morais Filho, de sua op\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, pela qual ele cresceu, sobrepujou-se de suas humanas propor\u00e7\u00f5es, agigantou-se como paladino da causa ecol\u00f3gica, da qual, \u00e0queles tempos, mal se tinha not\u00edcia. O gigante assim constitu\u00eddo vestiu-se em pele de le\u00e3o e deitou a sua ira sobre o deserto de nossa indiferen\u00e7a. O poeta arrebatou-se em f\u00faria de profeta, passou a alimentar-se de gafanhotos, voltou-se furibundo contra uma poderosa multinacional e contra o governo que lhe fazia concess\u00f5es, no m\u00ednimo, desnecess\u00e1rias e descabidas. E n\u00e3o esque\u00e7amos que ainda andava em vig\u00eancia o governo fechado do Regime Militar. Nada o intimidava. Ele soube arregimentar adeptos, sobretudo entre os mais jovens, atacou, foi contratacado, fez com\u00edcios, passeatas, manifestos, bradou aos quatro ventos, bateu \u00e0s portas dos tribunais, e, perdendo, sagrou-se campe\u00e3o. N\u00e3o importa se quase tr\u00eas d\u00e9cadas depois, parecem demasiadas ou infundadas as suas invectivas, se a ind\u00fastria pesada que ela pesadamente acusava tem ganho at\u00e9 pr\u00eamios internacionais por seu cuidado no manejo ambiental em S\u00e3o Lu\u00eds. Perguntemos: como seriam as coisas, se t\u00e3o veemente n\u00e3o houvesse sido o seu protesto? Chuvas de \u00e1cido sulf\u00farico n\u00e3o ca\u00edram ainda sobre a velha Upaon-A\u00e7u, gra\u00e7as a Deus. Mas o que poderia ter feito uma grande empresa cujo objetivo maior e primeiro que todos \u00e9 o lucro, e a qual demos tudo ou quase tudo, se o brado de Nascimento Morais Filho n\u00e3o se cristalizasse no tempo e no espa\u00e7o, levado em eco pela vira\u00e7\u00e3o que sopra nesta Ilha sobre nossas cabe\u00e7as e nossas consci\u00eancias, advertindo-nos que, tamb\u00e9m no plano ecol\u00f3gico, o pre\u00e7o da liberdade \u00e9 a eterna vigil\u00e2ncia?<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">Grande Z\u00e9 Morais! Que responsabilidade a minha: refazer os la\u00e7os que rompeste com a tua Casa, Casa da fam\u00edlia Morais, de teu pai, de teu irm\u00e3o, de teu primo, reunir-te aos teus pares, que tanto ganhar\u00e3o por teu conv\u00edvio&#8230; Reavivar e reviver os teus ideais de liberdade, manter aclamada e acolhida a causa pela qual tanto te empenhaste. De onde estiveres, assiste-me, d\u00e1-me as for\u00e7as que tiveste, para que eu tamb\u00e9m me agigante a mim mesmo e seja fiel a teu compromisso.<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify\">Em minha toada de chegan\u00e7a a este recinto lembrei meu pai. Permitam-me agora que eu a encerre, prestando homenagem \u00e0 outra pessoa, uma das quais mais quero bem nesta vida. Dona Clarice Pinto Haickel, minha m\u00e3e que completa exatamente hoje 80 anos, &#8211; idade que n\u00e3o acredito poderei alcan\u00e7ar &#8211; e essa \u00e9 a raz\u00e3o de eu haver escolhido esta data para oficialmente ingressar neste templo sagrado.<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify\">A cerim\u00f4nia desta noite \u00e9 o presente que um filho deposita jubilosamente nas m\u00e3os de sua m\u00e3e, porque a ela lhe pertence, todo, inteiro.<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify\">M\u00e3e, meu presente para ti, nesse teu anivers\u00e1rio, \u00e9 a honra e o reconhecimento que homens e mulheres da Academia Maranhense de Letras demonstraram a teu Jotinha por eventuais m\u00e9ritos seus. M\u00e9ritos, se os tenho, devo-os ao Deus, que me ensinaste a honrar e respeitar, e depois dele, a ti, mais que a ningu\u00e9m, pois tudo que sou, tudo que alcancei nessa vida, devo a ti. Ao que me ensinaste, ao que me possibilitaste aprender, as cortinas e portas que abriste para que eu pudesse ir, sem jamais me distanciar de teu carinho e de teu amor.<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify\">Que presente poderia dar para algu\u00e9m que fez tudo por mim. Que al\u00e9m de me fazer por amor a um homem, me criou, quase que a sua imagem e semelhan\u00e7a?<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify\">Eu cresci, sou grande, mas todo esse meu tamanho \u00e9 pequeno para conter o amor e a gratid\u00e3o que tenho por te, pois de nada adiantaria as oportunidades que meu pai me proporcionou se n\u00e3o viesse junto com elas a tua do\u00e7ura e a tua bondade.<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify\">Poderia continuar aqui falando a noite toda, as mesmas mil e uma noites em que lias para mim, antes de dormir. Se mais n\u00e3o falo, \u00e9 porque a emo\u00e7\u00e3o n\u00e3o me deixa &#8211; e porque emo\u00e7\u00f5es oce\u00e2nicas n\u00e3o cabem no estreito estu\u00e1rio da palavra.<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify\">Por fim, mesmo incorrendo em blasf\u00eamia, tenho certeza que meu bom e misericordioso Deus me perdoar\u00e1 por mais isso &#8230; &#8220;a te, toda honra e toda a gloria, agora e para sempre&#8230;&#8221;<\/p>\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">\n<p style=\"margin: 5pt 0cm 0pt;text-align: justify\">\n<hr size=\"1\" \/>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\"><a name=\"1242f007d1594d61_124262e84ab80f3f__edn1\" href=\"http:\/\/mail.google.com\/mail\/?ui=2&amp;view=js&amp;name=js&amp;ver=hgq10Fi6xGU.pt_BR.&amp;am=%21H1n0yYGL207pRe_j2fA3Qv_PNQsdDKvDd4ZnISYs#_ednref1\" target=\"_blank\">[1]<\/a> Jomar Moraes, <em>Apontamentos de literatura maranhense,<\/em> p. 14.<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify\"><a name=\"1242f007d1594d61_124262e84ab80f3f__edn2\" href=\"http:\/\/mail.google.com\/mail\/?ui=2&amp;view=js&amp;name=js&amp;ver=hgq10Fi6xGU.pt_BR.&amp;am=%21H1n0yYGL207pRe_j2fA3Qv_PNQsdDKvDd4ZnISYs#_ednref2\" target=\"_blank\">[2]<\/a> Amaral Raposo, <em>Revista da AML, <\/em>ano 8, v. 19, jun-1998, p. 85.<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\"><a name=\"1242f007d1594d61_124262e84ab80f3f__edn3\" href=\"http:\/\/mail.google.com\/mail\/?ui=2&amp;view=js&amp;name=js&amp;ver=hgq10Fi6xGU.pt_BR.&amp;am=%21H1n0yYGL207pRe_j2fA3Qv_PNQsdDKvDd4ZnISYs#_ednref3\" target=\"_blank\">[3]<\/a> Nascimento Morais Filho, <em>Esfinge do azul,<\/em> p. 89.<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\"><a name=\"1242f007d1594d61_124262e84ab80f3f__edn4\" href=\"http:\/\/mail.google.com\/mail\/?ui=2&amp;view=js&amp;name=js&amp;ver=hgq10Fi6xGU.pt_BR.&amp;am=%21H1n0yYGL207pRe_j2fA3Qv_PNQsdDKvDd4ZnISYs#_ednref4\" target=\"_blank\">[4]<\/a> Idem, <em>ibidem<\/em>, p. 91.<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\"><a name=\"1242f007d1594d61_124262e84ab80f3f__edn5\" href=\"http:\/\/mail.google.com\/mail\/?ui=2&amp;view=js&amp;name=js&amp;ver=hgq10Fi6xGU.pt_BR.&amp;am=%21H1n0yYGL207pRe_j2fA3Qv_PNQsdDKvDd4ZnISYs#_ednref5\" target=\"_blank\">[5]<\/a> Jomar Moraes, <em>Perfis acad\u00eamicos<\/em>, 3\u00aa ed., p. 108.<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify\"><a name=\"1242f007d1594d61_124262e84ab80f3f__edn6\" href=\"http:\/\/mail.google.com\/mail\/?ui=2&amp;view=js&amp;name=js&amp;ver=hgq10Fi6xGU.pt_BR.&amp;am=%21H1n0yYGL207pRe_j2fA3Qv_PNQsdDKvDd4ZnISYs#_ednref6\" target=\"_blank\">[6]<\/a> Gaston-Henry Aufr\u00e8re, <em>Le Thyrse<\/em> &#8211; Revue d&#8217;Art e de Litt\u00e9rature &#8211; IV s\u00e9rie, mai 1956, n\u00ba 5, in <em>Esfinge do azul,<\/em> p. 18.<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\"><a name=\"1242f007d1594d61_124262e84ab80f3f__edn7\" href=\"http:\/\/mail.google.com\/mail\/?ui=2&amp;view=js&amp;name=js&amp;ver=hgq10Fi6xGU.pt_BR.&amp;am=%21H1n0yYGL207pRe_j2fA3Qv_PNQsdDKvDd4ZnISYs#_ednref7\" target=\"_blank\">[7]<\/a> Jomar Moraes, <em>Apontamentos,<\/em> cit., p. 136.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>EM 02.10.2009 Meu nome \u00e9 Joaquim. 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