{"id":464,"date":"2009-10-11T10:23:24","date_gmt":"2009-10-11T13:23:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogsoestado.com\/joaquimhaickel\/?p=464"},"modified":"2009-10-11T10:23:24","modified_gmt":"2009-10-11T13:23:24","slug":"discurso-de-jose-louzeiro-lido-por-sebastiao-moreira-duarte-em-recepcao-a-joaquim-haickel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogsoestado.com\/joaquimhaickel\/2009\/10\/11\/discurso-de-jose-louzeiro-lido-por-sebastiao-moreira-duarte-em-recepcao-a-joaquim-haickel\/","title":{"rendered":"DISCURSO DE JOS\u00c9 LOUZEIRO (LIDO POR SEBASTI\u00c3O MOREIRA DUARTE) EM RECEP\u00c7\u00c3O A JOAQUIM HAICKEL"},"content":{"rendered":"<p><strong>EM 02.10.2009<br \/>\n<\/strong>\u00a0<br \/>\n\u00a0<br \/>\nSenhoras, Senhores,<br \/>\nCaros amigos, ilustres confrades desta nossa t\u00e3o querida Academia Maranhense de Letras, sabiamente conduzida por Lino Moreira, sucessor dos valorosos intelectuais Joaquim Itapary e Jomar Moraes, que tantos e importantes trabalhos j\u00e1 desenvolveram em benef\u00edcio desta Casa:<\/p>\n<p>Este dia 2 de outubro de 2009 passa a ser, para mim, um dia de extrema import\u00e2ncia, pois aqui estou para recepcionar o querido amigo e agora confrade Joaquim Elias Nagib Pinto Haickel, a quem conhe\u00e7o desde os tempos da revista Guarnic\u00ea, aventura bem sucedida de criar em nossa terra, no come\u00e7o dos anos 80, uma revista que falava de arte, literatura, cinema e cultura, de modo geral.<\/p>\n<p>Mas, antes disso, gostaria de poder dizer-lhes das recorda\u00e7\u00f5es que tenho deste lugar.\u00a0 Neste mesmo pr\u00e9dio centen\u00e1rio funcionou a Biblioteca P\u00fablica do Estado, e era para c\u00e1 que eu vinha, aluno do Col\u00e9gio S\u00e3o Lu\u00eds, do professor Luiz Rego, fazer minhas pesquisas e exerc\u00edcios de Geografia, que a professora Maria Freitas passava e a que exigia aplica\u00e7\u00e3o.\u00a0 Aqui chegando, neste casar\u00e3o cheio de livros, passei a contar com a ajuda de um funcion\u00e1rio da Casa, que era o poeta Corr\u00eaa da Silva, membro desta Academia, e com quem muito aprendi.\u00a0 Ele era filho de dona Seluta, pessoa admir\u00e1vel, que vivia seus dias a lavar e engomar, mas tirava um deles por semana para fazer as entregas nas casas da sua clientela.\u00a0 Meu pai lavava suas camisas de punhos duplos com ela.\u00a0 Era parte de sua indument\u00e1ria de di\u00e1cono da Igreja Presbiteriana, ali na Pra\u00e7a da Alegria, cujo pastor titular era Benedito Aguiar.<\/p>\n<p>Ao voltar a esta Academia, senhor presidente, meus ilustres confrades, minhas senhoras e meus senhores, sinto-me tomado pela emo\u00e7\u00e3o.\u00a0 \u00c9 como se estivesse retornando \u00e0 minha pr\u00f3pria casa, que ficava na Camboa do Mato, onde havia uma f\u00e1brica de fia\u00e7\u00e3o e tecelagem, que empregava quase todas as pessoas da regi\u00e3o, principalmente as mulheres.<\/p>\n<p>Mas hoje minha fun\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 falar de mim, nem do passado desta cidade que tanto amo, e, sim, receber para nosso conv\u00edvio um jovem admir\u00e1vel por seu talento, por seu car\u00e1ter, por seu temperamento franco e alegre.\u00a0 Por sua literatura leve, coloquial e cinematogr\u00e1fica.\u00a0 Homem conhecido por n\u00e3o fugir das pol\u00eamicas, por defender suas id\u00e9ias com unhas e dentes, e por sempre colocar a arte e a cultura de nossa terra em primeiro lugar.\u00a0 Falo de Joaquim Elias Nagib Pinto Haickel.<\/p>\n<p>Quero primeiramente agradecer ao Joaquim por ele ter me distinguido dentre tantos confrades para saud\u00e1-lo neste dia t\u00e3o importante.\u00a0 Penso que ele fez isso n\u00e3o apenas por sermos bons amigos, mas tamb\u00e9m como gesto simb\u00f3lico, para distinguir especificamente o segmento art\u00edstico e liter\u00e1rio a que tanto ele quanto eu estamos mais ligados: a literatura voltada para o audiovisual, para a televis\u00e3o, para o cinema documental e ficcional.<br \/>\nJoaquim Haickel deve ser exaltado por seu talento liter\u00e1rio multifacetado, ora como contista, ora como poeta, ora como articulista, e agora, mais recentemente, tamb\u00e9m como cineasta premiado dentro e fora de nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00a0Joaquim se destaca em um cen\u00e1rio no qual figuram personagens marcantes de nossas letras e de nossa cultura.\u00a0 Nomes como os de bons cronistas, renomados poetas e pesquisadores obstinados, como \u00e9 o caso de companheiro Ubiratan Teixeira que, sozinho, fez um dicion\u00e1rio de teatro e de suas personalidades, coisa essa que no Rio seria obra de uma numerosa equipe.\u00a0 E o que \u00e9 melhor: a edi\u00e7\u00e3o \u00e9 primorosa, do Instituto GEIA que tem publicado obras da maior relev\u00e2ncia e alta qualidade gr\u00e1fica, e conta com a supervis\u00e3o do nosso tamb\u00e9m confrade Sebasti\u00e3o Moreira Duarte.<\/p>\n<p>Entre os poetas, que por aqui desenvolvem seus trabalhos, eu ouso mencionar alguns que s\u00e3o de alt\u00edssima relev\u00e2ncia, como Laura Am\u00e9lia Damos e Arlete Nogueira da Cruz, Ceres Fernandes, Alex Brasil e mestre Nauro Machado.\u00a0 H\u00e1 o fertil\u00edssimo Lu\u00eds Augusto Cassas, Salgado Maranh\u00e3o, o saudoso Bandeira Tribuzi e o cl\u00e1ssico Jos\u00e9 Chagas, sem nos esquecermos de Roberto Kenard e Celso Borges, parceiros de Joaquim na revista Guarnic\u00ea.<\/p>\n<p>Entre os ficcionistas de primeira linha est\u00e3o Jos\u00e9 Sarney, com sua obra-prima, Saraminda, Ivan Sarney, com o inesquec\u00edvel Chap\u00e9u de couro e palha, e o jovem Jos\u00e9 Ewerton Neto, conquistador de pr\u00eamios.\u00a0 Entre os pesquisadores temos que lembrar Jomar Moraes e Lino Raposo Moreira, respons\u00e1veis pela bem cuidada 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Dicion\u00e1rio hist\u00f3rico-geogr\u00e1fico da Prov\u00edncia do Maranh\u00e3o, de C\u00e9sar Augusto Marques.\u00a0 Jomar elaborou o trabalho cr\u00edtico, numa bel\u00edssima edi\u00e7\u00e3o, Lino incumbiu-se do \u00edndice remissivo da importante obra.<\/p>\n<p>Outros renomados estudiosos da nossa Hist\u00f3ria s\u00e3o Carlos Gaspar, M\u00edlson Coutinho e o admir\u00e1vel historiador que \u00e9 Carlos de Lima.<br \/>\nSe os nossos escritores s\u00e3o ignorados pelos cr\u00edticos do Sul do Pa\u00eds, azar deles, dos cr\u00edticos, pois isso significa, al\u00e9m de preconceito, limita\u00e7\u00e3o cultural e, por que n\u00e3o dizer, mental.<\/p>\n<p>Esta nossa cidade continua a ser um celeiro de pensadores e grandes mestres da arte de escrever.<\/p>\n<p>E entre os expoentes da nova gera\u00e7\u00e3o de intelectuais, \u00e9 para mim prazeroso aqui estar para falar de um dos mais expressivos deles: Joaquim Haickel, agora membro desta Academia.<\/p>\n<p>Conheci Joaquim Haickel na lide das letras e da cultura, na \u00e9poca do Guarnic\u00ea, mas foi Ivan Sarney quem nos aproximou ainda mais, atrav\u00e9s de nossa paix\u00e3o comum, o cinema.\u00a0 Quer\u00edamos implantar em S\u00e3o Lu\u00eds um p\u00f3lo de cinema, e reunidos, numa dessas noites agrad\u00e1veis, na casa de um amigo, lan\u00e7amos a id\u00e9ia, que n\u00e3o vingou.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Mas, sendo Joaquim Haickel um transformador de sonhos em realidade, jamais tirou de mira a inten\u00e7\u00e3o de criar um p\u00f3lo de cinema nesta nossa querida cidade.<\/p>\n<p>Eu vinha de maravilhosas experi\u00eancias no cinema. Havia feito os roteiros cinematogr\u00e1ficos de L\u00facio Fl\u00e1vio, o passageiro da agonia e Inf\u00e2ncia dos mortos, que resultou no filme Pixote, ambos baseados em romances de minha autoria e dirigidos no cinema pelo argentino Hector Babenco.<\/p>\n<p>Ivan j\u00e1 havia feito repetidas experi\u00eancias com o saudoso Super-8 e Haickel era apenas um cin\u00e9filo de primeira linha.\u00a0 J\u00e1 vira quase todos os filmes exibidos no Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Nosso novo confrade \u00e9 o primeiro filho de Clarice e Nagib Haickel e nasceu no dia 13 de dezembro de 1959.\u00a0 Sonhador, rom\u00e2ntico, aventureiro, apaixonado, corajoso, honrado.\u00a0 Devotado a dois verbos essenciais: pensar e fazer.\u00a0<\/p>\n<p>Joaquim nasceu em uma \u00e9poca de muita efervesc\u00eancia.\u00a0 Uma \u00e9poca que deu seus frutos no que viria a se constituir na maravilhosa gera\u00e7\u00e3o dos anos 60 e 70, com sua rebeldia, seu culto \u00e0 juventude, a op\u00e7\u00e3o pela imagem. Foi quando a televis\u00e3o, rec\u00e9m-chegada nesta capital, tomou de assalto os lares e as noites dos ludovicenses.\u00a0 Joaquim \u00e9, em sentido pr\u00f3prio, o primeiro daquela gera\u00e7\u00e3o a renovar as for\u00e7as criativas desta institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O novo acad\u00eamico estudou nos col\u00e9gios Pituchinha, Batista e Dom Bosco.\u00a0 Formou-se em Direito pela Universidade Federal do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>Seu primeiro livro, escrito entre 1975 e 76, s\u00f3 foi lan\u00e7ado em 1980. Intitula-se Confiss\u00f5es de uma caneta, contos premiados no Concurso Cidade de S\u00e3o Lu\u00eds.<\/p>\n<p>Em 1981, lan\u00e7ou O quinto cavaleiro, poemas.\u00a0 Em 1982, premiado no Concurso Secma\/Sioge\/Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, lan\u00e7ou o livro de contos Garrafa de ilus\u00f5es. Tamb\u00e9m em 82, Joaquim Haickel e Celso Borges, c\u00f4adjuvados por Roberto Kenard, Ivan Sarney, Ronaldo Braga e pelo irm\u00e3o ca\u00e7ula de Joaquim, Nagibinho, produziram e apresentaram o programa Em tempo de Guarnic\u00ea, levado ao ar todas as ter\u00e7as-feiras pela ent\u00e3o jovem Mirante FM. Foi um programa pioneiro e de sucesso que falava de literatura, arte, cultura e tocava a m\u00fasica feita, com muita compet\u00eancia, no Maranh\u00e3o. Esse programa de r\u00e1dio foi o embri\u00e3o do que viria ser, logo em seguida, a mais importante revista cultural Maranhense daquele tempo.<\/p>\n<p>Manuscritos, seu segundo livro de poemas, quarto at\u00e9 ent\u00e3o, foi lan\u00e7ado em 1983, quando tamb\u00e9m ele come\u00e7ou a editar a revista Guarnic\u00ea, que foi publicada at\u00e9 1986.<\/p>\n<p>Gostaria de ler para voc\u00eas quatro dos poemas feitos por Joaquim nessa \u00e9poca, textos que, para alguns, s\u00e3o na verdade mini contos, e que acredito estarem entre os melhores, n\u00e3o s\u00f3 entre os de sua lavra, mas de seu tempo:<br \/>\n\u00a0<br \/>\nCARRARA<br \/>\n\u00a0<br \/>\nQuando se tira<br \/>\nmais do que se p\u00f5e<br \/>\no poema vira escultura;\u00a0\u00a0<br \/>\n\u00a0<br \/>\n\u00a0<br \/>\nSER MENINO<br \/>\n\u00a0<br \/>\nArriar o cal\u00e7\u00e3o<br \/>\ne mijar o mundo.<br \/>\n\u00a0<br \/>\nPADRE-NOSSO<br \/>\n\u00a0<br \/>\nNo lugar onde nasci, o padre, tr\u00eas horinhas,<br \/>\nSa\u00eda pela sacristia e cruzava a Pra\u00e7a Cursino<br \/>\nRabelo &#8211; nome do av\u00f4 do ex-prefeito.<br \/>\nToalha branca no pesco\u00e7o, saboneteira na m\u00e3o,<br \/>\nquixotesco, ia banhar-se na casa da vi\u00fava Sib\u00e1<br \/>\n&#8211; dona da padaria.<br \/>\nSeis horas, j\u00e1 banhado e paramentado, rezava a Missa: Em nome do pai, do filho e do esp\u00edrito santo&#8230;<br \/>\n&#8220;amante&#8221;.<br \/>\n\u00a0<br \/>\nAMBULANTE<br \/>\n\u00a0<br \/>\nMaria Rita armava barraca na mureta da<br \/>\nPra\u00e7a Benedito Leite e vendia: Dois-t\u00e3o de<br \/>\npernas grossas; duas coxas macias, ancas<br \/>\ngraciosas e luzidias como as da \u00e9gua Esmeralda, caso de amor de &#8220;seu&#8221; Dico.<br \/>\nCintura de umbigo tufado &#8211; culpa da parteira &#8220;Dona&#8221; Maria Jos\u00e9 do Bom Parto.<br \/>\nPeitos ainda durinhos, mas j\u00e1 querendo<br \/>\nmurchar de tanto fregu\u00eas apalpar.<br \/>\nPesco\u00e7o de bailarina, cabelos de espanhola, olhos de mo\u00e7a-virgem e andar de brincar<br \/>\nganzola.<br \/>\nMaria Rita armava barraca e vendia&#8230;<br \/>\n\u00a0<br \/>\nEm 1984, Joaquim e seus comparsas lan\u00e7aram a Antologia po\u00e9tica Guarnic\u00ea. Em 1985, a Antologia er\u00f3tica Guarnic\u00ea. Em 86, o livro de contos Clara cor de rosa. Depois de uma pausa editorial, em 89, ele re\u00fane poemas em Salt\u00e9rio de tr\u00eas cordas, juntamente com Rossine Correa e Pedro Braga.<\/p>\n<p>Mas foi s\u00f3 em 1990, segundo o pr\u00f3prio Haickel, que amadureceu o seu primeiro livro (&#8220;os outros haviam sido apenas ensaios do que viria&#8221;): colet\u00e2nea de contos lan\u00e7ada pela Editora Global, A ponte foi bem recebida por Artur da T\u00e1vola e Nelson Werneck Sodr\u00e9, a quem presenteei um exemplar do livro de Joaquim.\u00a0 Nelson reconheceu nele o talento inato dos bons contadores de hist\u00f3ria, como disse em carta endere\u00e7ada a Joaquim.\u00a0 A Artur, que seria colega de Joaquim na Assembl\u00e9ia Nacional Constituinte, em 1987, coube prefaciar A ponte.\u00a0 L\u00e1 ele diz: &#8220;Joaquim Haickel \u00e9 um facundo. Na vida como na literatura. Raros escritores s\u00e3o, na arte, o que na vida s\u00e3o.\u00a0 E sua fac\u00fandia existencial estica-se para a literatura.\u00a0 \u00c9 um c\u00e9lere, um devorador&#8230;\u00a0 A mistura de velho \u00e1rabe s\u00e1bio com garoto levado, que lhe marca a tipologia e o temperamento, aparece nos contos&#8230;\u00a0 Sua literatura imita-lhe a vida.\u00a0 E sua vida (ah! que al\u00edvio) \u00e9 venturosa.\u00a0 Sim, enfim, senhores, eis que surgiu algu\u00e9m naturalmente feliz e que do fundo da alegria de viver \u00e9 capaz de encontrar a tragicidade, o espanto, a parada sens\u00edvel.\u00a0 E assim como se atira a viver, sem tr\u00e9guas, lam\u00farias ou timidez, vai criando e devorando viv\u00eancias e personagens com apetite invej\u00e1vel.&#8221;\u00a0<\/p>\n<p>No p\u00f3sfacio de A ponte, Rossine Correa mostra mais uma vez o Joaquim inventor de realidades t\u00e3o veross\u00edmeis, que s\u00e3o capazes de enganar at\u00e9 os mais argutos: &#8220;Quanto a mim &#8211; diz Rossine &#8211; viciado em leitura a ponto de j\u00e1 haver sofrido a acusa\u00e7\u00e3o de gostar mais dos livros do que dos homens, nem sempre descobri o caminho da fonte, qui\u00e7\u00e1 por amor a muitos deles, chegando a ser logrado pelo autor de A ponte. Acontece que lera um conto sobre a Coluna Prestes, narrado por um certo T\u00e9rio Tino, testemunha ocular daquela aventura.\u00a0 Encontrando o escritor em uma manh\u00e3 de sol tropical, entre ladeiras e sobrados, lhe perguntei como e onde poderia entrevistar o tal personagem, que ele, em uma nota de p\u00e9 de p\u00e1gina, dissera estar vivo, com 70 anos, num asilo de mendicidade em S\u00e3o Lu\u00eds.\u00a0 Como eu poderia perder a oportunidade de conhecer um her\u00f3i popular, vivo e mendigo, relacionado \u00e0 Coluna Prestes?<\/p>\n<p>&#8220;Percebendo que eu, um historiador, confundira totalmente as fronteiras da verdade e da fantasia, Joaquim Haickel explodiu em uma gargalhada&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>\u00a0Passando ao campo da cinematografia, Joaquim produziu o filme &#8220;The Best Friend&#8221;, o Amig\u00e3o, que conquistou os pr\u00eamios de melhor filme do J\u00fari Popular, e melhor filme de cineasta maranhense do J\u00fari Oficial, no Festival Guarnic\u00ea de Cinema e V\u00eddeo, realizado pela Universidade Federal do Maranh\u00e3o em 1984.\u00a0 Naquele mesmo ano, participou de um concurso de roteiros para cinema, promovido pelo Departamento de Assuntos Culturais da UFMA, no qual mereceu men\u00e7\u00e3o honrosa.\u00a0 Mas, para ele, o mais importante daquele evento foi o coment\u00e1rio de um dos jurados, Jos\u00e9 Chagas, hoje seu confrade, que confessava n\u00e3o estar preparado para ler um roteiro apresentado da forma t\u00e9cnica como aquele fora apresentado.\u00a0 Chagas disse mais: tinha certeza que ali havia uma hist\u00f3ria com potencial incr\u00edvel para ser contada em forma de filme.\u00a0 \u00c9 que Joaquim havia comprado um livro de Doc Comparato sobre como fazer roteiro para cinema e televis\u00e3o, e preparou a adapta\u00e7\u00e3o de um conto seu, com roteiro t\u00e9cnico, marca\u00e7\u00e3o de c\u00e2mera, ilumina\u00e7\u00e3o e sequ\u00eancia, n\u00e3o se atendo apenas ao argumento liter\u00e1rio e \u00e0 sinopse cinematogr\u00e1fica.\u00a0 Tratava-se de A Vingan\u00e7a, que est\u00e1 em seu livro Garrafa das ilus\u00f5es.\u00a0 Joaquim tentou realizar o respectivo filme, mas n\u00e3o o conseguiu, por dificuldades t\u00e9cnicas e porque, naquela \u00e9poca, n\u00e3o havia no Maranh\u00e3o uma atriz com desprendimento e desnudamento bastantes para desempenhar determinado papel desprovida de qualquer pano.<br \/>\nMas Joaquim \u00e9 incans\u00e1vel: descansa carregando piano.\u00a0 Dorme com um olho aberto, para n\u00e3o perder o momento que passa.<\/p>\n<p>Em 2003, na comemora\u00e7\u00e3o dos vinte anos da revista Guarnic\u00ea, a Clara Editora e as Edi\u00e7\u00f5es Guarnic\u00ea publicaram o Almanaque Guarnic\u00ea, esp\u00e9cie de ensaio-entrevista-reportagem, a cargo de F\u00e9lix Alberto Lima, na qual vem narrada a trajet\u00f3ria do seman\u00e1rio e de seus idealizadores.\u00a0 Tamb\u00e9m em parceria com a Clara Editora, Joaquim lan\u00e7ou naquela ocasi\u00e3o uma colet\u00e2nea de seus melhores artigos publicados no site Clara on-line.<\/p>\n<p>E como j\u00e1 est\u00e1 demonstrado que a sua inven\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da imagem cinematogr\u00e1fica est\u00e1 associada \u00e0s artes de sua cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, fa\u00e7amos a passagem de um terreno para outro, com o que lan\u00e7aremos mais luzes sobre o perfil multif\u00e1rio de Joaquim Haickel.<br \/>\nA modo de aperitivo, assinalemos que o inquieto e indisciplinado Joaquim valeu-se da ajuda de diversos amigos para fazer em Pa\u00e7o do Lumiar, em 2008, o curta-metragem Padre Nosso, de 58 segundos, baseado em um poema de sua autoria.<\/p>\n<p>Curiosa tranquinagem, por\u00e9m, foi a do primog\u00eanito de Nagib Haickel, a qual culminou com a realiza\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m em 2008, de um antigo sonho seu: roteirizar, produzir e dirigir um filme, baseado no conto Pelo Ouvido, por ele escrito nos anos 80 e publicado em seu livro A ponte.\u00a0 Esse conto foi dado a p\u00fablico pela primeira vez de modo ins\u00f3lito e singular, como n\u00e3o raro ocorre com fatos e fa\u00e7anhas da hist\u00f3ria pessoal desse habilidoso carcamano Haickel.<br \/>\n\u00a0<br \/>\nContemos o fato pela palavra de F\u00e9lix Alberto Lima: &#8220;O escritor ga\u00facho Caio Fernando Abreu veio a S\u00e3o Lu\u00eds ministrar uma oficina de conto para jovens poetas, escritores, jornalistas e universit\u00e1rios maranhenses.\u00a0 Organizado por Teresa Nascimento e Telma Rego, o evento contou com a participa\u00e7\u00e3o de Ant\u00f4nio Carlos Alvim, Raimundo Garrone, Wilson Marques, Paulo Melo Sousa, Lu\u00eds In\u00e1cio, Mois\u00e9s Matias e Marilda Mascarenhas, entre outros.<\/p>\n<p>&#8220;Uma semana de exerc\u00edcios liter\u00e1rios e leitura de textos de Machado de Assis, L\u00edgia Fagundes Telles, Clarice Lispector, Dalton Trevisan etc.\u00a0 Cada dia um conto indicado por algu\u00e9m da oficina, com uma posterior rodada de coment\u00e1rios.<\/p>\n<p>&#8220;No pen\u00faltimo dia do curso, Joaquim Haickel sugeriu a leitura em grupo do conto Pelo Ouvido, de David Linch, o diretor e roteirista norte-americano. Lido o conto na oficina, a maioria do grupo &#8211; inclusive o pr\u00f3prio Caio Fernando Abreu &#8211; reconheceu, escancaradamente, tra\u00e7os cinematogr\u00e1ficos que ligavam o texto a experi\u00eancias anteriores do soturno diretor de Veludo azul, Cora\u00e7\u00e3o selvagem e Twin Peaks. O conto, ambientado em Georgetown, bairro de Washington, tem como personagens Churck e Kate.<\/p>\n<p>&#8220;No dia seguinte, o constrangimento foi geral.\u00a0 Soube-se que o conto Pelo Ouvido era de Joaquim Haickel, e n\u00e3o de David Linch.&#8221;<\/p>\n<p>Transmudado para o c\u00f3digo da imagem em movimento, Pelo Ouvido foi selecionado para mais de 120 festivais de cinema, no Brasil e no exterior.\u00a0 Mencionemos alguns: o 12\u00ba Los Angeles Latino International Film Festival, o 34\u00ba Festival de Cine Iberoamericano de Huelva, o Festival des Films du Monde, do Canad\u00e1, o Festival International du Film d&#8217;Amour da B\u00e9lgica, o European Independent Film Festival 2009, o Festival Internacional de Filme Independente de Hamburgo, o 30\u00ba Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano de Cuba, o 3\u00ba New Beijing International Movie Week.<br \/>\nQuanto a pr\u00eamios, em espec\u00edfico, Pelo Ouvido ganhou nada menos que doze at\u00e9 agora, entre eles o de Melhor Filme, no 17\u00ba Concurso Iberoamericano de Cortometrajes de Cartagena, na Col\u00f4mbia; o de Melhor Diretor, no Boston International Film Festival, nos Estados Unidos; o Pr\u00eamio Especial do J\u00fari, na Mostra de Cinema Latinoameric\u00e0 de Catalunya, na Espanha.<\/p>\n<p>\u00c9 que, ao ser transposto para o cinema, o relato de Pelo Ouvido ganhou vida e se transformou numa pe\u00e7a de rara profundidade psicol\u00f3gica, sem falar nas qualidades t\u00e9cnicas que o trabalho, em imagens e sons, alcan\u00e7ou.<\/p>\n<p>Se Joaquim quisesse fazer um longa-metragem, era s\u00f3 estender um pouco a magn\u00edfica atua\u00e7\u00e3o do talentoso casal de atores Eucir Souza e Amanda Acosta.\u00a0 Bastaria aliviar a m\u00e3o pesada e cr\u00edtica de contista-roteirista e deixar no corpo do filme o que acabou por figurar apenas no making-off constante do respectivo DVD.<\/p>\n<p>Nesse trabalho de Haickel, o que surpreende \u00e9 a sutileza com que ele trabalha a rela\u00e7\u00e3o da jovem executiva de vendas, saud\u00e1vel e bonita, com o marido escultor e poeta, surdo e cego, que lhe tem amor intenso e \u00e9 correspondido.\u00a0 Mas, para que a rela\u00e7\u00e3o seja perfeita, ela tem que escutar as cantadas que outro obstinado admirador lhe passa, de que ela gosta e a que d\u00e1 corda, sem jamais se encontrar com ele.\u00a0 Em certo momento, estando na cama, esculpida pelas m\u00e3os suaves e sequiosas do marido, ela telefona para o admirador e se relaciona com o seu parceiro real, ouvindo as palavras do amante virtual como se fossem as do amado presente.\u00a0 O momento \u00e9 tocante, a inven\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria: numa hist\u00f3ria de amor em que nada parecia haver de inovador, Joaquim Haickel consegue dar a volta por cima, descobrindo um caminho novo, admiravelmente inusitado.\u00a0 A fala do amante invis\u00edvel orienta a mulher para melhor relacionar-se com o marido, em sua sepultura viva de eterno sil\u00eancio.<br \/>\n\u00c9 simplesmente genial.\u00a0 Posso dizer que Joaquim Haickel \u00e9 artista dotado de grande capacidade de avalia\u00e7\u00e3o dos sentimentos humanos, e eu aqui estou para receb\u00ea-lo tamb\u00e9m como ficcionista, como um senhor inventor de hist\u00f3rias, de estilo enxuto, de linguagem cuidadosa e esmerada.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o para nisso a ansiedade inventiva do guerrilheiro palestino que a partir de agora arma sua partida no o\u00e1sis de nosso conv\u00edvio.\u00a0 Joaquim tem projetos liter\u00e1rios engatilhados: lan\u00e7ar\u00e1 at\u00e9 o final de novembro deste ano o livro Dito &amp; feito, sele\u00e7\u00e3o das cr\u00f4nicas que tem publicado aos domingos no jornal O Estado do Maranh\u00e3o, nos \u00faltimos quinze anos.<br \/>\nPara 2010, quando completar\u00e1 trinta anos do lan\u00e7amento do seu primeiro livro, Joaquim pretende nos presentear com uma obra incomum. Chamar-se-\u00e1 M\u00faltiplo de quatro e reunir\u00e1 o melhor de sua produ\u00e7\u00e3o.\u00a0 Ser\u00e3o contos, poemas, cr\u00f4nicas, roteiros de cinema, discursos proferidos na Assembl\u00e9ia Legislativa do Maranh\u00e3o, entrevistas, fotografias.<\/p>\n<p>Em 2011, preparemo-nos para a leitura de alguns de seus discursos pol\u00edticos em A palavra quando acesa (o t\u00edtulo \u00e9 uma homenagem ao poeta Jos\u00e9 Chagas, de quem o tomou emprestado). Para 2012, antes de o mundo acabar, teremos o que, segundo o pr\u00f3prio autor, ser\u00e1 sua obra definitiva, e na qual Joaquim Haickel falar\u00e1 de sua maior paix\u00e3o, o cinema.\u00a0 Refiro-me a 365 filmes para n\u00e3o precisar de psican\u00e1lise, que Joaquim come\u00e7ou a escrever a mais de dez anos, reunindo coment\u00e1rios de pel\u00edculas a que assistiu.\u00a0 N\u00e3o ser\u00e1 simplesmente uma lista dos melhores filmes, segundo a opini\u00e3o do autor, mas sua aprecia\u00e7\u00e3o quanto a filmes que o ajudaram a formar seu cabedal de instru\u00e7\u00e3o e cultura, e ainda serviram para que ele consolidasse seu c\u00f3digo moral e, sobretudo, para que ele n\u00e3o precisasse recorrer a qualquer dos seguidores de Freud, Jung ou Lacan.<\/p>\n<p>Joaquim costuma dizer que se sente uma esp\u00e9cie de filho de Alexandre Dumas, pois se identifica profundamente com as personagens, as hist\u00f3rias e os sentimentos de honra e lealdade emanados do universo liter\u00e1rio do grande folhetinista franc\u00eas.<\/p>\n<p>Perguntado certa vez qual o seu livro de cabeceira, Joaquim respondeu que eram dois livros que falavam de pr\u00edncipes.\u00a0 Pela ascend\u00eancia \u00e1rabe do entrevistado, o entrevistador imaginou que um desses livros deveria ser As mil e uma noites, mas Joaquim respondeu-lhe que os dois t\u00edtulos eram O pr\u00edncipe e O pequeno pr\u00edncipe, &#8220;principalmente&#8221; &#8211; ele completou &#8211; &#8220;por causa do cap\u00edtulo XVII do livro de Nicolau, que discute o que seria melhor que fossemos, amados ou temidos, e por aquela conhecida frase do livro de Antoine que nos faz lembrar para sempre que somos eternamente respons\u00e1veis por quem cativamos&#8221;.\u00a0<\/p>\n<p>Cabe ainda registrar aqui que o novo confrade da Cadeira n\u00ba 37 \u00e9 desportista e grande incentivador dos esportes como forma de inser\u00e7\u00e3o social.\u00a0 Ele foi vice-presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de T\u00eanis e da Associa\u00e7\u00e3o Desportiva Mirante, al\u00e9m de ter conquistado, pessoalmente, diversos t\u00edtulos em modalidades como t\u00eanis, v\u00f4lei e basquete.<\/p>\n<p>Projetos de responsabilidade social a encargo de Joaquim t\u00eam sido desenvolvidos pelo Instituto de Cidadania Empresarial do Maranh\u00e3o &#8211; ICE, de que \u00e9 membro-fundador.\u00a0 Mas seu empreendimento mais obstinado consiste em consolidar a Funda\u00e7\u00e3o Nagib Haickel, entidade sem fins lucrativos, que pretende acionar uma rede de televis\u00e3o educativa via sat\u00e9lite voltada para o ensino formal e para a difus\u00e3o cultural, a qual contar\u00e1 com duas geradoras de TV, uma em S\u00e3o Lu\u00eds e outra em Imperatriz.\u00a0 A mesma Funda\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m implantar\u00e1, em breve, o Museu da Mem\u00f3ria Audiovisual do Maranh\u00e3o, MAVAM, incumbido de preservar a mem\u00f3ria de nossa gente e de nossa terra por meios audiovisuais.\u00a0 Para tanto, o Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional j\u00e1 est\u00e1 restaurando, com recursos da Uni\u00e3o, conseguidos pelo deputado Joaquim Nagib Haickel junto \u00e0 bancada federal maranhense, um pr\u00e9dio, doado por ele, onde funcionava uma das empresas de seu pai e onde funcionar\u00e1 o Museu.<\/p>\n<p>Observem bem como se movimenta este d\u00ednamo-gente que leva o nome de Joaquim Haickel.\u00a0 Trabalhando com as m\u00e3os e com o esp\u00edrito, imbu\u00eddo da paci\u00eancia dos bedu\u00ednos na aridez do deserto, ele lutou, sofreu, resistiu, at\u00e9 chegar \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o do magn\u00edfico projeto que vai acabar realizando o nosso velho sonho do polo de cinema de S\u00e3o Lu\u00eds, desenvolvendo-o em torno do Museu.<\/p>\n<p>Falei h\u00e1 pouco que Joaquim Haickel representa bem a gera\u00e7\u00e3o da imagem viva, que, em nosso meio, se difundiu a contar da segunda metade dos anos 60.\u00a0 Outros fatores, no entanto, explicam-lhe a prefer\u00eancia pelo movimento, alimentada pelo caleidosc\u00f3pio de talentos que \u00e9 a sua personalidade em a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Joaquim diz que, disl\u00e9xico, foi salvo por sua professora particular, Terezinha, escolhida cuidadosamente por Dona Clarice. Era uma jovem dedicada e delicada, talvez fosse capaz de lidar com o temperamento el\u00e9trico do filho de Nagib\u00e3o, tido por todos como desassossegado por demais.\u00a0 A mestra notara que seu aluno obtinha melhor aproveitamento nos estudos quando ela se punha ao seu lado em condi\u00e7\u00f5es de igualdade nas tarefas escolares, fazendo-o superar as dificuldades de leitura e o d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o, lendo para ele e com ele os livros ilustrados da biblioteca dom\u00e9stica, despertando-lhe, por essa maneira, a curiosidade e a aventura do saber.<\/p>\n<p>A esse primeiro influxo educativo, some-se o exemplo de seu tio posti\u00e7o, St\u00eanio, irm\u00e3o de m\u00e3e Tet\u00ea e m\u00e3e Lol\u00f3, um incompar\u00e1vel pedagogo que, invariavelmente, todos os s\u00e1bados e domingos, levava o futuro cineasta e seu irm\u00e3o ao cinema. Pode-se dizer que o que mais aprendeu Joaquim foi de tanto ouvir e tanto ver.<\/p>\n<p>Fiz antes, tamb\u00e9m, r\u00e1pida men\u00e7\u00e3o ao deputado Joaquim Haickel.\u00a0 Foi outra aprendizagem, por osmose ou simbiose.\u00a0 O acad\u00eamico de hoje relembra que, menino, adorava ficar ouvindo as conversas dos mais velhos.\u00a0 Participava, assim, desde pequeno, da vida pol\u00edtica e empresarial de seu pai, em meio a pol\u00edticos do interior do Estado e a empres\u00e1rios da Capital. Vez por outra, o velho Nagib tinha que arregalar os olhos na dire\u00e7\u00e3o do filho, c\u00f3digo cujo significado era &#8220;te sossega, rapaz!&#8221;\u00a0 Muitas vezes o gesto n\u00e3o adiantava de nada e o pai tinha que recorrer a Dona Clarice: &#8220;- M\u00e3e, chama Joaquim, que ele j\u00e1 est\u00e1 aqui ouvindo conversa de gente grande.&#8221;<\/p>\n<p>Dividido entre os estudos e a divers\u00e3o, aquele rapaz s\u00f3 veio a trabalhar em 1978, quando passou a assessor na Assembl\u00e9ia Legislativa, onde seu pai era deputado estadual.\u00a0 Naquele ano participou decisivamente da campanha eleitoral.\u00a0 No ano seguinte iria morar em Bras\u00edlia, j\u00e1 seduzido pelo Parlamento, ao qual servia seu pai, ent\u00e3o deputado federal.\u00a0 De volta a S\u00e3o Lu\u00eds, passou a ser oficial de gabinete do ent\u00e3o governador Jo\u00e3o Castelo.\u00a0 Recebia os pol\u00edticos com aten\u00e7\u00e3o e cortesia, tratava a todos com simpatia e defer\u00eancia.\u00a0 Mas, certo dia, cansado de apenas abrir portas, pediu para trabalhar com o Chefe da Casa Civil, Jos\u00e9 Burnet, pol\u00edtico experiente de quem se tornou aprendiz.<\/p>\n<p>Assim foi e foi.\u00a0 Joaquim procurou aprender com os melhores: primeiro que todos, seu pai, que n\u00e3o conseguiu transferir-lhe o jeito &#8220;caboclo&#8221; de ser, mas que, pelo cont\u00e1gio e pelo exemplo, lhe entregou algumas das principais ferramentas da vida &#8211; lealdade, honradez, coer\u00eancia, simplicidade &#8211; e alguns de seus maiores defeitos &#8211; ansiedade e desassossego; com seu tio Z\u00e9 Ant\u00f4nio, exemplo do que um prefeito deveria fazer e de como um deputado jamais poderia agir; com Clodomir Milet, um lorde, discreto, culto; com Jos\u00e9 Burnet, quase cego dos olhos, mas com privilegiad\u00edssima vis\u00e3o pol\u00edtica; com Ivar Saldanha, um pragm\u00e1tico convicto; com Pedro Neiva de Santana e Haroldo Tavares, tio e pai de sua namorada de ent\u00e3o: o primeiro, senhor de uma eleg\u00e2ncia e de uma ironia t\u00e3o bem engomada quanto seus ternos de linho tropical; o outro, um g\u00eanio planejador, magn\u00edfico sonhador; com Nunes Freire, a rudeza doce e honesta; com Castelo, presen\u00e7a e energia; com Alexandre Costa, leal tenacidade; com Lob\u00e3o, conciliador, diplom\u00e1tico; e, fora de s\u00e9rie, com Jos\u00e9 Sarney, a quem sempre cuidou de observar e analisar milimetricamente, na tentativa de aprender com ele tudo o que fosse pol\u00edtica ou com pol\u00edtica se relacionasse, tudo o que nela se deveria fazer e principalmente deixar de fazer.<\/p>\n<p>Apoiado na popularidade que o pai deputado esbanjava por todo o Maranh\u00e3o, Joaquim Haickel elegeu-se para a Assembl\u00e9ia Legislativa estadual em 1982, o mais jovem em todo Brasil naquela legislatura.\u00a0 Eleito em seguida Deputado Federal Constituinte em 1986, foi relator da Comiss\u00e3o de Direitos e Garantias Individuais, respons\u00e1vel, entre outros encargos, pela aprecia\u00e7\u00e3o do projeto que visava instituir a pena de morte no Brasil.\u00a0 Seu parecer, vencedor, posicionava-se contr\u00e1rio ao projeto do not\u00f3rio deputado Amaral Neto.\u00a0 Foi em uma audi\u00eancia p\u00fablica naquela comiss\u00e3o que nos reencontramos.\u00a0 Joaquim que tinha apenas 27 anos, e j\u00e1 convivia com Ulisses Guimar\u00e3es, Afonso Arinos, Roberto Campos, Florestan Fernandes, Nelson Jobim, Jos\u00e9 Serra, Delfim Netto, Artur da T\u00e1vola, Fernando Henrique Cardoso e Lu\u00eds In\u00e1cio Lula da Silva, para citar alguns nomes.<\/p>\n<p>Acrescentemos, como detalhe, o instrumento inovador de que Joaquim lan\u00e7ou m\u00e3o, para convencer os seus pares quanto \u00e0 inconveni\u00eancia da pena de morte na legisla\u00e7\u00e3o brasileira.\u00a0 Consciente de viver em tempos nos quais uma imagem vale por mil palavras, ele fez uma edi\u00e7\u00e3o resumida do filme O caso dos irm\u00e3os Naves, famoso erro judicial de Minas Gerais, apresentou-o \u00e0 Comiss\u00e3o que votaria o tal indesejado projeto, e esperou o resultado.\u00a0 Sua tese prevaleceu sem maiores percal\u00e7os.<\/p>\n<p>Proveniente de emenda aglutinadora do relator da comiss\u00e3o de sistematiza\u00e7\u00e3o, pois v\u00e1rios constituintes apresentaram projeto semelhante, \u00e9 tamb\u00e9m da autoria de Joaquim, a frase que abre diariamente os trabalhos nas duas casas do Congresso Nacional: &#8220;Sob a prote\u00e7\u00e3o de Deus e em nome do povo brasileiro, declaro aberta essa sess\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Por indica\u00e7\u00e3o de Ulisses Guimar\u00e3es, o Congressista maranhense representou a C\u00e2mara dos Deputados no Congresso Americano de Jovens L\u00edderes Mundiais, de 1987, juntamente com A\u00e9cio Neves, Henrique Eduardo Alves e Cesar Cals Neto, e em viagem diplom\u00e1tica \u00e0 China, em 1988.\u00a0 Ao fim desse mandato, n\u00e3o se candidatou a nenhum cargo eletivo, mas foi convidado pelo ent\u00e3o governador Edison Lob\u00e3o para secretari\u00e1-lo na pasta de Assuntos Pol\u00edticos, a mesma em que, mais de uma d\u00e9cada antes, fora aprendiz de Burnet.\u00a0 Depois, foi para Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o.\u00a0 Afastou-se dos cargos p\u00fablicos de 94 at\u00e9 98 para dedicar-se \u00e0s suas empresas de radiodifus\u00e3o: FM e TV Maranh\u00e3o Central, espalhadas por mais de 50 cidades do Estado.\u00a0 Naquela \u00e9poca plantou a semente do que viria a ser a Funda\u00e7\u00e3o Nagib Haickel.<\/p>\n<p>Em 1998, candidatou-se e elegeu-se o deputado estadual mais votado do seu partido, mas, daquela vez n\u00e3o p\u00f4de contar com a preciosa ajuda de seu pai, que falecera no dia 7 de setembro de 1993, como presidente da Assembl\u00e9ia Legislativa do Maranh\u00e3o.<br \/>\nJoaquim \u00e9 detentor da Medalha Manuel Bequim\u00e3o da Assembl\u00e9ia Legislativa do Maranh\u00e3o, da Medalha do M\u00e9rito Timbira do Governo do Maranh\u00e3o, e da Medalha Bar\u00e3o de Mau\u00e1, do Minist\u00e9rio dos Transportes.\u00a0 Cidad\u00e3o honor\u00e1rio dos munic\u00edpios de Pindar\u00e9-Mirim, Santa In\u00eas, Itapecuru-Mirim, S\u00e3o Domingos do Maranh\u00e3o, S\u00e3o Benedito do Rio Preto, Vitorino Freire, seu curr\u00edculo se enriquece tamb\u00e9m com a Cadeira n\u00ba 9 da Academia Imperatrizense de Letras, para a qual foi eleito em 2006, tendo como patrono o eminente Thucydides Barbosa e fundador e \u00fanico ocupante, at\u00e9 ent\u00e3o, o professor, escritor e humanista Vito Milesi.<\/p>\n<p>O Poder Legislativo do Maranh\u00e3o continua a contar com Joaquim Nagib Haickel como representante de sua gente.\u00a0 L\u00e1 ele tem exercido cargos dos mais importantes, como o de Primeiro-Secret\u00e1rio da Casa e membro efetivo da Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o, Justi\u00e7a e Reda\u00e7\u00e3o Final.<\/p>\n<p>Em 2008, apresentou e fez aprovar, na Assembl\u00e9ia Legislativa, um projeto de resolu\u00e7\u00e3o que institui no Maranh\u00e3o, a exemplo do que h\u00e1 em outros Estados, um pr\u00eamio de incentivo ao cinema maranhense.<br \/>\n\u00a0Declaradamente apaixonado por sua bela Jacira, o que n\u00e3o esconde de ningu\u00e9m, ele n\u00e3o para, e continua fazendo planos para amanh\u00e3, sem deixar de realizar hoje aqueles que foram projetados ontem.\u00a0<\/p>\n<p>Quando lhe perguntei sobre qual seria sua obra mais importante e em qual das vertentes de sua vida mais se sentia realizado, ele me respondeu: &#8220;Minha melhor e mais bela obra \u00e9 minha filha Laila. O melhor Joaquim Haickel \u00e9 a pessoa, o amigo: \u00e9 a\u00ed onde eu mais me realizo, \u00e9 da\u00ed que provem tudo que sou e que fa\u00e7o&#8221;.<\/p>\n<p>Na \u00faltima vez em que estivemos juntos no Rio de Janeiro, onde Joaquim foi apresentar o seu filme Pelo Ouvido em um importante festival de cinema, ele estava com as m\u00e3os sobre a mesa, e Selton, filho do Serginho &#8211; que hoje \u00e9 as minhas pernas &#8211; lhe perguntou o que significavam aquela tatuagem em seu antebra\u00e7o esquerdo.\u00a0 Joaquim sorriu e disse para o menino que, como ele \u00e9 extremamente hiperativo, que era um poema. Selton arregalou os olhos: &#8211; &#8220;Como assim!? A\u00ed s\u00f3 tem sinais!&#8221; Pois bem, depois que ele traduziu para mim e para o Selton aquele intrincado c\u00f3digo contendo 22 s\u00edmbolos gr\u00e1ficos &#8211; tendo que esmiu\u00e7\u00e1-lo para mim, pois pouco ou nada eu pude ver em seu bra\u00e7o, j\u00e1 que estou ruim das vistas &#8211; depois que ele explicou o que estava escrito ali, nessa hora eu soube como melhor definir Joaquim Haickel, e tenho certeza que voc\u00eas concordar\u00e3o comigo, depois que ouvirem o que est\u00e1 tatuado em seu bra\u00e7o, e que passo a ler agora:<\/p>\n<p>Chame aten\u00e7\u00e3o. Fa\u00e7a uma pausa. A entona\u00e7\u00e3o demonstra sua inten\u00e7\u00e3o, seu pensamento, seu sentimento. Depois, uma pausa maior, que puxe outra id\u00e9ia ou relacione duas.\u00a0 Agora uma pausa ainda maior.\u00a0 Uma parada. Cite, exemplifique. Fa\u00e7a suspense, insinue&#8230;\u00a0 Surpreenda.\u00a0 Pergunte. Depois, mude de assunto &#8211; isso sempre funciona. Valorize os coadjuvantes: eles s\u00e3o mais importantes &amp; necess\u00e1rios do que parecem.\u00a0 Comunique-se. N\u00e3o se esque\u00e7a dos n\u00fameros: eles s\u00e3o indispens\u00e1veis. Nem das equa\u00e7\u00f5es: nada funciona sem elas.\u00a0 Maior?\u00a0 \u00c9 sempre igual a valor!\u00a0 O contr\u00e1rio nem sempre \u00e9 verdadeiro.\u00a0 N\u00e3o se esque\u00e7a. Todo inteiro \u00e9 feito de partes. Adicione!\u00a0 Multiplique! Fazer a diferen\u00e7a \u00e9 mais ou menos feito&#8230; O Infinito.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 verdadeiramente o Joaquim Haickel a quem hoje recebemos como membro desta Casa &#8211; e a quem, para tomar posse do que lhe pertence por todos os m\u00e9ritos, aplicamos o maior castigo: &#8220;nunca antes nem depois neste pa\u00eds&#8221;, n\u00f3s o vimos, ou veremos calado e quieto por tanto tempo&#8230; E sem o celular ao ouvido.\u00a0<\/p>\n<p>E eu que, por falar muito, sou o causador disso, proclamo-o, depois de tudo, o mais novo her\u00f3i de nossa comunidade&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>EM 02.10.2009 \u00a0 \u00a0 Senhoras, Senhores, Caros amigos, ilustres confrades desta nossa t\u00e3o querida Academia Maranhense de Letras, sabiamente conduzida [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-464","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.6 - 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