{"id":529,"date":"2010-01-27T09:27:42","date_gmt":"2010-01-27T11:27:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogsoestado.com\/joaquimhaickel\/?p=529"},"modified":"2010-01-27T09:27:42","modified_gmt":"2010-01-27T11:27:42","slug":"um-pedaco-de-ponte-parte-xiv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogsoestado.com\/joaquimhaickel\/2010\/01\/27\/um-pedaco-de-ponte-parte-xiv\/","title":{"rendered":"Um Peda\u00e7o de Ponte \u2013 Parte XIV"},"content":{"rendered":"<p><b><big><big>Um cavalo chamado Tot\u00f3<\/big><\/big><\/b><\/p>\n<p>Tot\u00f3 tinha um nome comprido e importante: Ant\u00f4nio Carlos Maciel Filho.  Mas todo mundo s\u00f3 o chamava de Tot\u00f3. Nasceu numa fazenda e l\u00e1 cresceu, livre e solto, com a inoc\u00eancia impregnada de mal\u00edcia dos meninos que convivem com os animais, acostumados \u00e0 vadia\u00e7\u00e3o dos bichos e \u00e0s coisas naturais dos campos e currais.  Pela manh\u00e3, estudava com a professora que o pai trouxera da cidade s\u00f3 para ele, a fim de que n\u00e3o crescesse burro, como as crian\u00e7as do s\u00edtio, que mal aprendiam a ler na escolinha do Governo, situada  meia l\u00e9gua mais adiante, no povoado de Areal Grande.<\/p>\n<p>A noite, repassava as li\u00e7\u00f5es, brincava um pouco com Tininha ou ouvia as est\u00f3rias engra\u00e7adas de Nh\u00e1 Esperan\u00e7a.  As tardes, por\u00e9m, de chuva ou sol quente pertenciam aos dois; montavam a cavalo e sa\u00edam pelas estradas parando de casa em casa, ou iam para a Casa do Fomo ver fazer farinha.  Sempre os dois, sempre juntos, ele e Tininha. As vezes, atravessavam a capoeira que ficava atr\u00e1s da Casa Grande e iam at\u00e9 o chiqueiro espiar o barr\u00e3o cobrindo as porcas.  E l\u00e1 ficavam um temp\u00e3o, ele espica\u00e7ado pela curiosidade de Tininha, um pouco mais velha e mais bem informada:<\/p>\n<p>&#8211; Olha, Tot\u00f3, como o bicho at\u00e9 dorme em cima da outra. Pera a\u00ed&#8230;<\/p>\n<p>E, com uma varinha, acordava o porco para que retomasse os movimentos, pois era o que de bom havia para ver.  Tininha se chegava mais para junto dele e, assim, grudados um ao outro, ensaiavam as primeiras car\u00edcias, imitando os porcos.  Tudo inocente e puro.  Os dois, cada vez mais pr\u00f3ximos do prazer.<\/p>\n<p>Um dia, Tininha &#8211; que tinha, tamb\u00e9m, outro nome, pois, na verdade, se chamava Maria Ot\u00edlia, e era filha de Sebasti\u00e3o Vaqueiro &#8211; perguntou para ele:<\/p>\n<p>&#8211; Tot\u00f3, ser\u00e1 que quando a gente for grande vai fazer assim?<\/p>\n<p>Isso Tot\u00f3 n\u00e3o sabia direito, que dessas coisas Tininha entendia mais.  Contudo, respondeu que sim e que era muito bom.<\/p>\n<p>&#8211; Tu n\u00e3o v\u00ea que a porca at\u00e9 chega pra tr\u00e1s quando a piroca dele vai saindo dela?<\/p>\n<p>-Engra\u00e7ado, parece uma rosca de pua.  Tu n\u00e3o sabe o que \u00e9 pua?  Aquela coisa de fazer buraco em pau&#8230;<\/p>\n<p>Tot\u00f3 inocente, Tininha sabida. Mas l\u00e1 estavam, outra vez, os dois grudados, se remexendo, remexendo, sem saber realmente para qu\u00ea.<\/p>\n<p>&#8211; Tot\u00f3, tu me mostra tua piroca?  Se tu mostrar, eu te mostro minha piriquita.<\/p>\n<p>Dessa maneira, os dois se conheceram melhor, sem nada acontecer, entretanto, que j\u00e1 n\u00e3o houvesse acontecido. Mas foi nessa tarde, o c\u00e9u e um sabi\u00e1-laranjeira por testemunhas, sem tirar os olhos dos bichos, que Tot\u00f3, engasgado com algo que n\u00e3o tinha na garganta, falando de um modo t\u00e3o diferente, disse \u00e0 menina: Tininha, eu acho que vou te querer sempre.  Quando crescer, eu me caso contigo.<\/p>\n<p>Isso aconteceu numa tarde, que poderia ser de primavera, se houvesse primavera no sert\u00e3o, l\u00e1 pelo m\u00eas de outubro ou fim de setembro.  No come\u00e7o do outro ano, Dr. Maciel, por procura\u00e7\u00e3o do destino, levou o filho da fazenda para estudar na capital, onde entraria no gin\u00e1sio.  Antes de viajar, Tot\u00f3 deu Matreira, que j\u00e1 estava coberta, de presente a Ti\u00e3o: Olha Ti\u00e3o, depois que Matreira parir, ela \u00e9 tua, mas a cria, se for f\u00eamea, \u00e9 minha; se for macho, \u00e9 de Tininha.<\/p>\n<p>Matreira era uma \u00e9gua toda cheia de gra\u00e7a, as ancas luzidias e redondas como as da mulher mais velha e tinha os olhos esverdeados, quase da cor dos de Tininha, que tamb\u00e9m era castanha.<\/p>\n<p>Quando Matreira pariu, a menina ficou em casa, torcendo:- \u00c9 macho, tem quer ser macho.<\/p>\n<p>E da torcida ou n\u00e3o, nasceu mesmo um potrinho, que mal se sustinha em p\u00e9, as perninhas dianteiras muito abertas para n\u00e3o cair, castanho como era a m\u00e3e, quase da cor de sua dona.<\/p>\n<p>&#8211; Vou cham\u00e1-lo de Tot\u00f3, Papai.<\/p>\n<p>O tempo passava e Tininha crescia fazendo-se mulher, ensinando artes e coisas ao cavalinho, servi\u00e7os de casa e do campo.  Fazia j\u00e1 um ano que Tot\u00f3 partira para a cidade, sem nunca dar not\u00edcias, mas a garota n\u00e3o se preocupava muito, tratando de se recompensar:-Ele vai ser doutor!<\/p>\n<p>Na semana de seu anivers\u00e1rio, Tininha cai doente.<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 mal\u00e1ria, disse o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Tininha teve que ir para a rede, armada diante da janela aberta, no quarto da frente, onde passava os dias a espiar a vida l\u00e1 fora. Atenta aos seus barulhos familiares, \u00e0 algazarra dos p\u00e1ssaros, o gemido triste dos carros de boi voltando da ro\u00e7a, a galinhada cacarejando, alegre, debaixo do cajueiro grande que dava para a outra janela, ao lado da casa.  Quando a febre subia e tomava conta de seu corpo entorpecido, ela perdia, tamb\u00e9m, o interesse pelas coisas e a fazenda parecia mergulhar em sil\u00eancio e desola\u00e7\u00e3o. Ligando \u00e0 vida, apenas a cabe\u00e7a bonita de Tot\u00f3, insinuada para dentro do quarto, atrav\u00e9s da janela, de onde ficava a olh\u00e1-la e a relinchar. Aquele rincho baixo e grave, como se fosse um aviso de sua presen\u00e7a amiga ou um convite para levantar-se &#8220;Levanta, patroa, vem comigo, que os caminhos agora s\u00e3o amenos&#8221;. Ti\u00e3o Vaqueiro chegava a se danar:<\/p>\n<p>&#8211; O diabo desse cavalo parece um cachorro, meu Deus!  At\u00e9 o nome \u00e9 de cachorro, que me perdoe o doutorzinho que est\u00e1 l\u00e1 na capital Se a gente deixar, \u00e9 capaz dele entrar e deitar, que nem um cachorrinho, debaixo de tua rede.<\/p>\n<p>Mas Ti\u00e3o seguiu as ordens do m\u00e9dico, respeitou os hor\u00e1rios e deu a Tininha todas as receitas.  Em pouco tempo, estava quase boa.  Mais uns dias e, certa manh\u00e3, ela acordou com a certeza de que estava curada.  Nessa hora, ouviu ao longe o alegre relinchar de Tot\u00f3 e, fogo a seguir, o estr\u00e9pito de seus cascos batendo na pi\u00e7arra dura, em desabalada carreira na dire\u00e7\u00e3o de sua casa. Sentiu, ent\u00e3o, for\u00e7as para levantar-se, e, mesmo de chambre, escapar ao fundo da rede e fugir pela janela do quarto.  Montou Tot\u00f3 e saiu galopando, sem esteira, sem nada, segurando-se \u00e0 crina do cavalo, as pernas abrasadas \u00e0 barriga do animal. Debaixo do chambre, roupa nenhuma.<\/p>\n<p>Pela primeira vez, sentia o contato, livre, do sexo com o espinha\u00e7o do animal Tot\u00f3 a levou para onde quis: passaram pela ro\u00e7a, entraram pela mata, cortaram o baba\u00e7ual e pararam dentro do a\u00e7ude, onde ele a jogou n\u00e1gua, com for\u00e7a.  Era como se a amizade, depois da doen\u00e7a e do longo afastamento um do outro, a despeito daquela janela aberta, se consolidasse na alegria do reencontro.<\/p>\n<p>E nada de Tot\u00f3 dar not\u00edcias. Nem foi passar as f\u00e9rias na fazenda, distante aquela tarde de primeiros prazeres e insuspeitado amor, ao p\u00e9 do chiqueiro.  Seria realmente amor?<\/p>\n<p>J\u00e1 com um pouco mais de quinze anos Tininha mostrava a mulher que iria ficar. Mo\u00e7a castanha, de cabelos cor de coco baba\u00e7u, de pernas fortes e grossas, mo\u00e7a que carregava seios que mais pareciam caba\u00e7as boas de beber.  De beber vida.  A caboclinha crescia, esperando sempre por seu amor infantil, enquanto esvaziava seu corpo dos \u00edmpetos naturais da idade no dorso \u00e1spero e f\u00e1cil de Tot\u00f3. Com a mesma inoc\u00eancia, tinha palavras e carinhos especiais com o cavalo. Todas as tardes, ela o levava para banhar-se no a\u00e7ude e l\u00e1 se molhavam, brincavam e se fartavam.  Pelas redondezas, escondidos nas moitas, os rapazes da fazenda a espiar Tininha.<\/p>\n<p>E toca imagina\u00e7\u00e3o a arder, m\u00e3os a funcionar e aquele gemido abafado que subia das touceiras e se transformava em vento nos ouvidos da mo\u00e7a, cujo vestido, molhado mostrava, por baixo da ingenuidade e da pureza a mulher escondida.  &#8220;&#8216;Escuta, Tot\u00f3, escuta s\u00f3 o gemido das moitas.  Esse gemido me d\u00e1 arrepio&#8221;.  Ela guardava as m\u00e3os entre as pernas, deitava \u00e0 beira d&#8217;\u00e1gua, mexendo no ritmo que vinha das moitas.<\/p>\n<p>Uma vez, Raimundo de Belinda chegou mais perto e viu a mo\u00e7a estendida no ch\u00e3o: as pernas abertas e Tot\u00f3 a lamber-lhe os bra\u00e7os, o ventre, o rosto e as coxas.  A presen\u00e7a de Raimundo espantou o animal, que fugiu em disparada.  Num instante, ele se transformou na irracionalidade do desejo e se atirou sobre Tininha, que, tocada na sua inoc\u00eancia, se defende e luta, como gata brava.  Tot\u00f3 espiava de longe, sem entender, mas, na sua animalidade treinada, sabia que sua dona fora ofendida e avan\u00e7a sobre os dois, levantando as patas e deixando-as cair terrivelmente em cima daquela massa humana que, agora, apenas se defendia daquele ataque inesperado.<\/p>\n<p>&#8211; P\u00e1ra, p\u00e1ra, pelo amor de Deus! Tininha, manda esse bicho parar!  Milagrosamente, ela consegue p\u00f4r-se de p\u00e9, erguendo os bra\u00e7os.  E Tot\u00f3, como um cavalo de circo, suspende as patas no ar, d\u00e1, com as traseiras, dois ou tr\u00eas passos para tr\u00e1s e desaba no ch\u00e3o.  Tininha estava salva, mas Raimundo desmaiara.<\/p>\n<p>Entretanto, Tininha continuava esperando pela promessa feita no chiqueiro, apesar dos tr\u00eas anos que Tot\u00f3 n\u00e3o mandava not\u00edcia, nem aparecia na fazenda.  E Tininha, cada vez mais bela: virgem de corpo e de esp\u00edrito, olhos esverdeados, corpo marrom, os cabelos cor de castanha de baba\u00e7u, pernas grossas e seios pequenos e firmes.<\/p>\n<p>A fazenda do Dr. Maciel ficava \u00e0 beira da estrada e o tr\u00e2nsito era intenso, de tal sorte que muita gente encostava para pedir uma informa\u00e7\u00e3o ou um gole d&#8217;\u00e1gua.<\/p>\n<p>Num dia de chuva, furou o pneu de um carro, bem pr\u00f3ximo \u00e0 casa de Ti\u00e3o.  Seu ocupante, um homem baixo e gordo, pediu aux\u00edlio a Ant\u00f4nia &#8211; que era uma cabocla de bom aspecto, por\u00e9m de cabe\u00e7a virada e quinze anos mais mo\u00e7a que o marido &#8211; a \u00fanica pessoa que estava em casa, pois  Ti\u00e3o andava \u00e0s voltas com o gado e Tininha, montada em Tot\u00f3, corria, em loucas disparadas, pelos campos e estradas.<\/p>\n<p>Quando Tininha voltou, n\u00e3o encontrou mais Ant\u00f4nia e sim as coisas todas viradas de perna pra cima.  Ti\u00e3o retomou ap\u00f3s dois dias, constatando, ent\u00e3o, que a mulher o abandonara.<\/p>\n<p>A partir de ent\u00e3o entregou-se \u00e0 bebida, andou ao l\u00e9u, de estrada em estrada, como um vagabundo qualquer, sempre fugindo de algo que nem mais lembrava, pois, na verdade, fugia apenas de si pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Certa tarde, ao chegar em casa, completamente embriagado, procurou e n\u00e3o encontrou Tininha.  Tocou-se ant\u00e3o para o a\u00e7ude, tendo nas m\u00e3os o arreio do Tot\u00f3.  L\u00e1 estavam os dois, dentro d&#8217;\u00e1gua, como se fossem dois amigos, tomando banho juntos. Ti\u00e3o grita chamando Tot\u00f3, que obedece docilmente.  Coloca-lhe o arreio e vai amarr\u00e1-lo numa touceira distante, sob os protestos de Tininha.<\/p>\n<p>&#8211; Fica quieta.  Eu sei o que estou fazendo.<\/p>\n<p>&#8211; Pai, vai deitar, que o Senhor est\u00e1 b\u00eabado.<\/p>\n<p>-Agora, tu me pega&#8230;<\/p>\n<p>Pegou a mo\u00e7a, jogando-a no ch\u00e3o. Seus olhos faiscavam. Atirou-se alucinado sobre a filha, rasgando-lhe o vestido, at\u00e9 deit\u00e1-la completamente nua. Tentou beij\u00e1-la, n\u00e3o conseguiu. Tininha quis gritar, mas o grito morreu na garganta.  T\u00e3o voltou a esbofete\u00e1-la.  Em v\u00e3o lutava a mo\u00e7a para libertar-se, sentindo, contudo, que as for\u00e7as lhe iam faltando. Quando ele a penetrou, Tininha desmaiou.<\/p>\n<p>Foi nesse momento que Tot\u00f3 conseguiu arrancar a touceira a que fora amarrado e correu para acudir a dona.  Vendo Ti\u00e3o sobre ela, lan\u00e7ou as patas dianteiras, atingindo-o na cabe\u00e7a.  Agora, apenas cheirava e lambia o rosto de Tininha e vigiava o cad\u00e1ver de Ti\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao despertar, a mo\u00e7a n\u00e3o sabe se foge ou corre para o pai.  Ao v\u00ea-lo im\u00f3vel, aproxima-se dele, pensando que dorme.  Enlouquecida, vendo que ele est\u00e1 morto, monta Tot\u00f3 e corre \u00e0 casa, para buscar enxada, p\u00e1 e cordas.  Quando chega de volta do a\u00e7ude, a noite j\u00e1 vai alta.  Mesmo assim, amarra o corpo no cavalo e se embrenha pela mata adentro, guiada apenas pelo instinto de Tot\u00f3.  No lugar em que enterrou Ti\u00e3o, joga, na cova, uma cruz feita com dois peda\u00e7os de pau, amarrados com cip\u00f3.<\/p>\n<p>Cad\u00ea Ti\u00e3o, Tininha?<\/p>\n<p>Todos queriam saber.<\/p>\n<p>Saiu um dia de casa dizendo que ia pra quitanda de Chico Fanta e nunca mais voltou.  Foi embora e me deixou aqui sozinha com Tot\u00f3.<\/p>\n<p>Os dias se passavam cada vez mais longos, Tininha se sentindo mal, cansando por qualquer coisa, enjoando, enquanto ia engordando e a barriga crescendo.<\/p>\n<p>Cinco meses ap\u00f3s a morte de Ti\u00e3o, Tot\u00f3 Maciel voltou \u00e0 Fazenda. Seu primeiro cuidado foi correr \u00e0 casa do vaqueiro, onde encontra<\/p>\n<p>Tininha, linda como sempre, mas buchudona. N\u00e3o houve alegria naquele reencontro, apenas espanto e m\u00e1goa.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o quero mais nada com voc\u00ea, sua puta!<\/p>\n<p>Naquele momento, Tininha sentiu que n\u00e3o havia mais futuro para ela, que tudo estava perdido e sem rem\u00e9dio. Montou Tot\u00f3 para chorar em disparada pelos caminhos sem fim de seu desespero.  Foi ent\u00e3o que a mata pegou fogo, no fim de uma ro\u00e7ada, vento soprando na dire\u00e7\u00e3o da cova em que enterrara Ti\u00e3o.  J\u00e1 n\u00e3o havia raz\u00e3o capaz de explicar o que a empurrava para l\u00e1. Tot\u00f3, relinchando, apavorado, ainda tenta salv\u00e1-la, cercado de labaredas por todos os lados. A primeira \u00e1rvore, toda vermelha de fogo, o atinge bem no meio do espinha\u00e7o, a segunda se abate sobre ela.<\/p>\n<p>&#8211; Por onde andar\u00e1 Tininha, meu Deus?<\/p>\n<p>&#8211; Sumiu com aquele cavalo. Voc\u00eas n\u00e3o ouviram a est\u00f3ria que Dico de Belinda anda contando por a\u00ed?<\/p>\n<p>&#8211; Que est\u00f3ria?<\/p>\n<p>-Dizendo o Dico, Tininha estava gr\u00e1vida, e o pai era o cavalo Tot\u00f3.<\/p>\n<p>Ainda hoje, h\u00e1 quem conte que houve uma mulher de nome Tininha, que foi coberta por um cavalo chamado Tot\u00f3. E h\u00e1 outros que dizem j\u00e1 t\u00ea-los visto, Tininha e Tot\u00f3, se banhando, ao entardecer, no a\u00e7ude da fazenda do Dr. Maciel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um cavalo chamado Tot\u00f3 Tot\u00f3 tinha um nome comprido e importante: Ant\u00f4nio Carlos Maciel Filho. 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