Plateia canta com Gal no Back2Black

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A rapper americana Missy Elliott foi o grande destaque deste sábado (24), segunda noite do festival Back2Black, no Rio de Janeiro . Uma chuva leve mas persistente caiu sobre a cidade no fim da tarde e acabou afastando o público da Estação Leopoldina – ao contrário da noite anterior, que atingiu lotação máxima do local. Mas o mau tempo não impediu Naná Vasconcelos de abrir a noite esquentando o público.
O hip hop se afirmou como dominante, na mão de nomes como o brasileiro Emicida e a americana Missy Elliott. No dia do rap, porém, se destacaram também artistas que trafegaram por fora do gênero. O percussionista Naná Vasconcelos abriu os serviços às 21h50m no palco principal, mostrando na estação maracatu, sob a regência dos tambores do Rio Maracatu – o grupo foi um dos convidados do show. Jorge Du Peixe, outra participação especial, incursionou com “Meu maracatu pesa uma tonelada” e “Macô” – os metais, em diálogo com os tambores, deram frescor e vigor ao repertório, num registro diferente mas tão poderoso quanto a usina de groove da Nação Zumbi.
A mesma potência se mostrou na ancestralidade buliçosa de “Os quindins de Iaiá” e “Urubu malandro”, numa festa que teve ainda a presença da caboverdiana Lura, que temperou a batucada brasileira com a malícia de ritmos como o funaná. O trompetista e compositor Hugh Masekela, segunda atração do palco, é um os símbolos do combate ao sistema segregacionista na África do Sul e amigo de Nelson Mandela nessa batalha pela igualdade racial. O jazzista deu continuidade à noite com elegância e simpatia – dirigiu-se à plateia com expressões em português como “barra limpa?” e afirmou que nunca esteve num país onde as pessoas se gostassem tanto como no Brasil. Seu jazz apoiado em chão africano manteve alta a temperatura (a ótima banda ajudou), permitindo-se momentos mais cool, como sua leitura de “Mas que nada”, de Jorge Ben(jor).
Com atraso, devido a chuva, a noite de hip hop aconteceu no segundo palco com o mineiro Flávio Renegado, que passeia por referências como o reggae e samba, além do rapper paulistano Emicida, que se apresentou com o mesmo swingue de Renegado, porém com mais contundência nas rimas e poesias
No palco principal, a grande atração da noite, Missy Elliott apresentou um espetáculo que valorizou mais a visualidade que a música – mesmo levando-se em conta a força de hits como “Lose control”, “The rain (Supa dupa fly)” e “Get ur freak on”. Um grupo de 16 bailarinos – que trocava incansavelmente de figurino, como a própria – mantinha a ação frenética no palco, sustentando a atenção da plateia, que respondeu bem ao show, Durante a apresentação, a artista reverenciou nomes da música negra, entre eles, Tupac, Michael Jackson e Whitney Houston. Ao fim, ela retribuiu lançando um par de tênis (!) para o público.
O kuduro angolano encerrou a noite, no segundo palco, com Os Pilukas, Noite Dia e Francis Boy. A participação de uma mulher da plateia que dançou ao lado dos artistas encarnou – com graça, calor e de forma incontestável – o elo Brasil-África marca registrada do festival.
Último Dia
A quarta edição do Festival Back2Black chegou ao fim no domingo (25). A abertura do terceiro e último dia do festival ficou por conta da cantora e compositora paraense Dona Onete, 73 anos, que apresentou as músicas de seu álbum de estreia, “Feitiço Caboclo”. Acompanhada de músicos liderados pelo respeitado guitarrista Pio Lobato – responsável pela reinvenção da guitarrada em Belém – Dona Onete pôs o público presente para balançar ao som de carimbós, boleros e sucessos como “Amor Brejeiro” e “Tambor do Norte”.
Diva

Na sequência, foi a vez de Gal Costa abrir o palco principal. A musa baiana reuniu o maior público do dia, que cantou em coro sucessos como “Divino Maravilhoso”, “Barato Total”, “Baby” e “Vapor Barato”. Músicas de seu último álbum “Recanto” – o trigésimo da cantora, lançado no final de 2011. O trio formado por Domenico Lancellotti (bateria e MPC), Pedro Baby (guitarra e violão) e Bruno Di Lullo (baixo) misturou sonoridades experimentais, rock e programações eletrônicas. Destaque para a versão de Gal para a música “Um Dia De Domingo”, em que diverte o público imitando a voz grave e inconfundível de Tim Maia.

A cantora Daúde subiu ao palco enquanto Gal ainda se apresentava no principal e contou com uma parcela menor de público, pelo menos até a metade de seu show. A baiana apresentou músicas de seus quatro discos – incluindo sua versão de “Pata Pata”, [da cantora sul-africana, Miriam Makeba, que foi casada com o trompetista Hugha Masakela], celebrada pelo público presente – e também experimentou canções de seu próximo álbum, que será lançado no primeiro semestre do ano que vem.

Enquanto isso, no palco principal, a compositora, cantora e guitarrista do Mali Fatoumata Diawara – mais conhecida como “Fatou” – apresentou músicas de seus dois discos lançados. A sonoridade leve de seu violão acústico e sua voz afinada encantaram parte do público, que já era visivelmente menor em relação ao show anterior (da Gal). Mesmo assim, alguns fãs fiéis cantavam junto suas canções e, ao final do show, a aguardavam para autografar seus discos.

Tributo

O DJ Sany Pitbull prestou homenagem aos 70 anos de vida e 50 de carreira do rei brasileiro da Black Music Gerson King Combo. Sany apresentou o show Black & White Sound System, onde reuniu o próprio Gerson e a banda AfroReggae em formação especial com 10 músicos – sendo seis percussionistas e quatro violinistas. “Rational Culture”, do mestre Tim Maia, foi uma das músicas preferidas pelo público.

Interação

Mas a grande atração da noite foi a compositora, produtora e cantora Santi White, mais conhecida pelo nome artístico Santigold. A americana voltou a encher o palco principal com fãs que dançavam, vibravam e cantavam praticamente todas as músicas. O repertório foi baseado em seus dois discos lançados: “Santogold”, de 2008 e “Master of My Make-Believe”, que saiu em abril desse ano. Com ótimas bases, boa coreografia e voz hipnotizante, Santigold encantou o público presente e fechou a noite muito bem acompanhada: no meio do show, convidou cerca de 20 pessoas do público a subir no palco e dançar a seu lado.

Ao final dos shows, o público, extasiado, balançou ao ritmo charme do DJ Corello, encerrando o Back2Black Rio 2012 do jeito que foi criado pra ser, no mais alto astral.

Celebração

Foram três noites de pura celebração e diversidade cultural. Segundo o escritor angolano José Eduardo Aqualusa, o B2B veio para contribuir para o reencontro entre o Basil e a África. Uma África moderna, contemporânea, produtora de cultura e pensamento. Para ele, “esse processo é importante, também, para afirmação internacional  do Brasil, enquanto grande potência, e muito mais importante ainda para a autoestima dos brasileiros de ascendência africana”.

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