Humberto de Maracanã em documentário

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O Boi de Maracanã grava nesta sexta-feira (20) e sábado (21), às 20h, o documentário “O Guriatã”, em homenagem ao cantador Humberto Barbosa Mendes, o Humberto de Maracanã, que morreu em 19 de janeiro de 2015.

Humberto de Maracanã, “O Guriatã”. Foto: Divulgação

A figura marcante na história do grupo folclórico terá sua trajetória retratada em audiovisual graças ao programa Rumos Itaú Cultural. Uma equipe de São Paulo, da produtora Maracá Produções, está em São Luís para captar as últimas imagens que vão compor o DVD durante duas apresentações especiais do Batalhão de Ouro.

O material será montado também com imagens captadas no São João de 2016, quando das apresentações do boi nos diversos arraiais de São Luís. Segundo Maria José Soares, presidente do Boi de Maracanã e viúva de Humberto, oito pessoas da produtora Maracá desembarcaram em São Luís para as gravações.
Ela antecipou que o documentário terá imagens do Guriatã em suas apresentações, depoimentos dos chamados Amigos da Velha Guarda do Boi de Maracanã e passagens com a participação de outros cantadores do boi, como Humberto Filho, Ribinha de Maracanã e Tetêco.

– Os depoimentos foram gravados, por exemplo, com Lourenço Barbosa, Malvino Maia, Vitor Santos, Pedro Paulo Marins e Zé Mário – contou Maria José Soares.

Para as duas noites de gravações e festa na comunidade do Boi de Maracanã, foram convocados, além dos brincantes e convidados, simpatizantes e pessoas de outras comunidades ligadas ao boi, como dos bairros Alemanha, Porto Grande, Vila Maranhão e Taim. O documentário deverá ser lançado no São João deste ano.

Para Maria José Soares, o documentário é um presente bem-vindo para o Boi de Maracanã, por destacar o Mestre Humberto de Maracanã, que dedicou sua vida à cultura do bumba meu boi, incentivando e contribuindo para que novas gerações compreendessem a importância do folclore para a vida de uma comunidade.

– Humberto deu tudo de si para esse grupo folclórico. Acho merecida essa homenagem, sendo esta uma maneira de guardamos uma preciosidade sobre sua história, para que os futuros brincantes conheçam o legado que ele deixou. É uma maneira de não deixarmos a tradição morrer – disse Maria José Soares, que já teve reuniões com a equipe de gravações.

O ano começou movimentado na sede do grupo folclórico. Além da gravação do DVD, continuam, por exemplo, as oficinas de bordado de indumentárias para o São João deste ano.

– É tradição confeccionarmos novas indumentárias anualmente, pois primamos pela plástica do espetáculo. O Boi de Maracanã é um projeto secular que demonstra o amor de uma comunidade pela cultura maranhense. As pessoas que saem ou acompanham o grupo, seja no dia a dia ou nos terreiros juninos, fazem porque gostam das toadas, da dança e de tudo que envolve a nossa tradição – disse a presidente.

“Guriatã” foi o nome dado pela comunidade a Humberto de Maracanã, em homenagem ao pássaro homônimo de canto melodioso. Em outros estados, ele é conhecido também como Gaturamo-Itê, Guiratã, Guipara ou Guriatã-de-Bananeira. É uma ave bastante social e bonita. O macho tem as partes superiores azul-metálicas, uma mancha amarela na testa e as partes inferiores amarelas. A fêmea apresenta as partes superiores verde-oliváceas e as inferiores amarelo-oliváceas.

Maria José Soares tem um desses pássaros em sua residência, no Maracanã.

– O canto do Guriatã é lindo e ele é conhecido como o pássaro mais musical de todos, pois tem a capacidade de imitar outros pássaros. Sua melodia é uma força da natureza, como era o canto de Humberto de Maracanã, que era entoado também com o coração – finalizou.

Serviço

O quê
Duas apresentações do Boi de Maracanã para gravação de documentário

Quando
Sexta-feira, 20, e sábado, 21, às 20h

Onde
Sede do Boi de Maracanã

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Lá se vai mais um Mestre….

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O tempo passa. E as coisas boas permanecem. Não lembro o ano, mas sei que foi em uma noite junina, encontrei com o paulista Otávio Rodrigues, conhecido como “Doctor Reggae”, produtor e apresentador do programa Bumba Beach, nas rádios Mirante FM e Universidade FM, me convidou para lhe fazer companhia e buscar no aeroporto Marechal Cunha Machado, o baterista carioca Robertinho Silva, que viria participar de um Encontro Percussivo, promovido pelo músico Luiz Cláudio, em São Luís. (Por sinal um belo evento, que reuniu músicos dos Estados Unidos, o percussionista Marco Suzano, o grupo Fogo de Mão (MA), etc…)

humbertodemaracana

E ao desembarcar na ilha, Robertinho foi convidado por Otávio para assistir o batizado do boi do Maracanã, na comunidade que leva nome à brincadeira. Vindo de uma excursão no Carnegie Hall, em Nova York, EUA, com Milton Nascimento, Robertinho disse estar cansado, mas topou o passeio. Ao chegar lá, se foi o cansaço, pois ficou de “cara” com o que viu.

Todo aquele efeito provocado pela orquestra percussiva de matracas e pandeirões, a voz exuberante e as toadas repleta de emoção interpretadas por Humberto de Maracanã mexeram com a sensibilidade do músico. Inquieto e sensível, participou ativamente da celebração. No fim da festa, ele levou de ‘souvenir’ pandeirões e todo aquele ritual que definiu como “encantador”. Robertinho Silva se viu diante de um pedaço do Brasil, de um Maranhão, dono de uma riqueza cultural imensurável. Para mim, foi uma experiência pioneira e valiosa.

Alguns anos depois, lá pelos anos 2000, a minha amiga Samira Salomão, paulistana, apaixonada pelo Maranhão, atualmente morando e trabalhando na Globo, em São Paulo, me convidou para uma missão: a de garimpar meninas de brincadeiras juninas em São Luís para interagir com baianas e cariocas, no programa “Central da Periferia”, apresentado, semanalmente, por Regina Casé, na TV Globo. A tarefa não foi fácil, pois visitamos o ensaio do boi de Morros, no Cohatrac, e no dia seguinte, ou seja, num sábado, fomos até à comunidade do Maracanã. E lá tivemos o privilégio de conhecer Humberto de Maracanã. A primeira impressão foi de estar à frente de uma figura lacônica e sábia. Um homem fino, elegante e sincero.

Enfim, o objetivo principal da visita não conseguimos, mas tivemos o privilégio de conhecer Humberto de Maracanã, com quem tive contato pela última vez no Aeroporto Marechal Cunha Machado. Eu me levantei do banco para cumprimentá-lo. Perguntei para onde iria. Ele me respondeu de maneira monossilábica: Vou participara de um evento cultural no Rio de Janeiro. Desejei boa sorte e sucesso ! Foram dois encontros diretos e com a comunidade em que ele fez a sua história.

Lamento, pois não houve momento para “selfies”, mas registrei tudo em minha mente. E como a morte faz parte da vida, só resta agradecer ao mestre Humberto de Maracanã, título concedido a ele pelo Ministério da Cultura (MinC). A Cultura Popular chora aperda, está de luto e nos sentimos órfãos. Mas, tudo continua vivo se percebermos o legado deixado por ele e a todos os mestres que se foram.

Como um cara que gosto e me permito a ouvir do Jazz ao Samba, do Rock à uma boa toada de bumba meu boi, tenho em Coxinho e Humberto de Maracanã os meus ídolos no gênero. Insubstituíveis !

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