Dependência de celulares

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          Semana passada, anunciaram na grande imprensa, uma pesquisa importante, realizada em todo território nacional, envolvendo o uso de telefone celular. E, alguns achados da pesquisa, demonstram uma situação muito complicada e preocupante entre as pessoas e o uso desses aparelhos.

           Os pesquisadores, descobriram que 15% dos brasileiros entrevistados, não conseguem ficar 1 minuto sequer sem o telefone celular; 7% deles, por só por 2 horas; 11% só conseguem ficar sem ele, por 6 horas, e 8% por apenas 1 hora. Sinais de inquietação, taquicardia, falta de ar, apreensão e inquietação por nãos disporem dos aparelhos ou por não terem acesso às suas funções, podem ser prenúncios de dependência. 27% dos entrevistados afirmaram que o uso do celular atrapalha a hora de dormir; 23% afeta a relação com outras pessoas e outros 23% informam que o celular tira a tenção nas tarefas diárias. Esses números são estarrecedores.

            Sabe-se que desde a metade dos anos 1990, o uso de aparelhos eletrônicos tem aumentado exponencialmente. Segundo a União Internacional de Telecomunicações (UIT), Agência do Sistema das Nações Unidas, dedicada a temas relacionados às Tecnologias da Informação e Comunicação, já são mais de 7 bilhões de aparelhos celulares em uso no mundo, isso corresponde, a mais ou menos, um aparelho para cada ser humano na face da terra.

           Com o aperfeiçoamento progressivo desses aparelhos, chegou-se a era dos aparelhos inteligentes: Tvs, carros e fones inteligentes, ou smartphones, equipamentos dotados de múltiplas funções:   câmera fotográfica, filmadora de alta resolução, ampla acessibilidade a e-mails e redes sociais, pesquisas on-line, visualização de filmes e programas de TV, músicas, realização de transações financeiras, estudos e diversas outras possibilidades, além, evidentemente, do contato telefônico propriamente dito. Os smartphones vieram para ficar e sua chegada provocou, grandes transformações nos meios de comunicação.

         Como já era de se esperar, as pessoas foram com sede ao pote, no rumo desses equipamentos, pois afinal de contas, nãos se tratava, tão somente, de um telefone e sim de algo que nos dava um “plus” a mais, em nosso modo de viver.  O aparelhinho, deixa o mundo inteiro, literalmente, ao nosso alcance, bastando para tanto alguns “cliques” em seus teclados e, em poucos segundo as coisas mudam. Tem havido tanta evolução, que raras são as vezes que se vê alguém sem portar um celular, ou nas mãos, nos bolsos, nas bolsas e em todo lugar que se pode imaginar.

             Com o aperfeiçoamento dos aparelhos, surgiram novos hábitos e novas formas das pessoas se comportarem no mundo, ao ponto de muito delas perderem completamente a noção de adequação do seu uso. Passaram a usá-los de forma estranha, disfuncional e desvinculada das finalidades para as quais os mesmos foram inventados. A situação foi tão alarmante que no Reino Unido, a uns anos atrás, passou-se a designar esse apego patológico aos celulares de nomofobia (abreviação, do inglês, para: no-mobile-phone phobia), para descrever o pavor, o mal-estar, o estado de apreensão e todo uma angustia que urge nessas pessoas quando o telefone celular não estar disponível. Esse termo tem também sido muito utilizado para descrever a dependência ou uso compulsivo desses aparelhos.

             As taxas estimadas de dependência de celular podem chegar até a 60% entre os usuários. Um estudo brasileiro realizado pela pesquisadora Anna Lúcia King, da UFRJ, verificou que 34% dos entrevistados afirmaram ter alto grau de ansiedade sem o telefone por perto.

             Uma outra particularidade, ao meu ver, ainda mais preocupante é a utilização em massa desses aparelhos, especialmente fones e tabletes, por crianças e adolescentes, pois isso fatalmente irá provocar, desde cedo, comportamentos exagerados e descontrolados, próprios dos usuários disfuncionais. Milhões de crianças, com idades que variam ente dois ou três anos e adolescentes, com acesso livre, total, irrestrito e sem qualquer controle por parte dos pais e professores. O pior, é que essa prática é incentivada pelos próprios pais, não existindo qualquer disciplinamento sobre seu uso e nas escolas sem qualquer controle.

             Qual a perspectiva diante dessa situação? Uma delas, certamente, é o aumento de pessoas, precocemente, afetadas, emocional e psiquicamente, pelo uso disfuncional e desses aparelhos. A outra consequência direta, é o afastamento, lento e progressivo dessas pessoas da sua realidade. Isto é, as pessoas vão deixando de viver em seu dia a dia, suas responsabilidades, seus deveres, seus estudos e outros interesses para se fixarem ao telefone.

          As pessoas já afetadas pela nomofobia, já esboçam sinais de perda das habilidades psíquicas e sociais nos relacionamentos interpessoais, pois passam a ter dificuldades em estabelecer vínculos de amizade plenos e duradouros. Se tornam utilitárias, mediocrizadas e sem profundidade em nada que fazem e perdem a capacidade de se comunicarem.  

         A priorização do uso desses equipamentos, em detrimento de outros interesses é outro problema grave. As pessoas tornam-se fixadas nos celulares e deixam para trás todos os outros interesses, como estudos, trabalhos, atividades físicas e outras ocupações salutares. Passaram a desenvolver tolerância, que é aumentar progressivamente, o tempo de uso desses aparelhos e a apresentarem abstinência que é o fato de passarem mal pela falta dos mesmos, esses dois fenômenos são indicadores importantes para o diagnóstico da dependência.

             Os abusadores de celulares e outros equipamentos eletrônicos, têm maior chance de desenvolverem transtornos psiquiátricos como os da ansiedade, do humor (depressão) da impulsividade, que outros usuários que não estão nessa conjuntura. Problemas físicos, incluindo fadiga, patologia ocular, dores musculares, tendinites, cefaleia, distúrbios do sono e sedentarismo, são também sintomas relatados pelos dependentes. Além disso, esses usuários compulsivos apresentam maior propensão para acidentes automobilísticos ou quedas.

          Nessa perspectiva, outros médicos como os oftalmologistas tem demonstrado que crianças expostas a luminosidade contínua e excessiva, oriundas dos celulares, tabletes e computadores, poderá prejudicá-los, precocemente, com miopias e astigmatismo.  Portanto, os pais devem ficar mais atentos na relação com seus filhos com e os equipamentos eletrônicos, pois esses limites que tem que estabelecer são eles.

2 comentários para "Dependência de celulares"


  1. Aline Moreira

    Muito bom o artigo, na era de hoje, com tantas redes sociais, acabamos nós tornando reféns desses aparelhos, infelizmente 🙁 . Vou compartilhar.

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