Lei antifumo no estado de São Paulo

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É provável que (a lei) reduza a prevalência do tabagismo entre os jovens, pois transforma ambientes que antes eram propícios aos rituais de iniciação ao tabagismo em ambientes livres da fumaça do cigarro.”

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O Brasil, apesar de ser grande produtor e exportador de tabaco, tem atuação exemplar na redução da prevalência do tabagismo nos últimos anos. O percentual de brasileiros fumantes na década de 90 chegava a 30% da população adulta, atualmente, são cerca de 20%. Somos o país com a maior taxa anual de redução de fumantes, segundo a Organização Mundial de Saúde.


O marco inicial e decisivo dessa política eficaz de controle do tabagismo ocorreu no final da gestão do então ministro da Saúde, Henrique Santillo, em dezembro de 1994. Esse médico, nascido em Ribeirão Preto, formado em Medicina em Minas Gerais, ex-governador do Estado de Goiás, sabia o que era preciso fazer e fez, determinando a restrição legal da propaganda comercial do tabaco e seus derivados.


Foi o começo de uma história de conquistas na luta de controle do tabagismo no Brasil. Com a saída de Santillo, Adib Jatene assumiu o cargo de ministro da Saúde em janeiro de 1995 com missão quase impossível de resolver a “batata quente deixada pelo seu colega”.


As empresas de publicidade e a indústria do tabaco estavam enlouquecidas com as ameaças de redução de seus lucros caso o decreto virasse lei. A panela de pressão fervia, como ferve agora com a aprovação da lei antifumo no Estado de São Paulo. Repeteco dos mesmos argumentos, defendidos teatralmente por alguns advogados: “Estado não pode interferir na liberdade de expressão, fere o direito de liberdade”, para não dizer o que realmente pensam: “Vocês querem acabar com nosso negócio. O fato é que Jatene conseguiu, de forma estratégica, apoio para aprovar a Lei Federal n° 9294, que proíbe fumar em ambientes fechados públicos e privados, mas que ainda permitia os “fumódromos”. Uma grande conquista para a época, embora saibamos que, do ponto de vista técnico, a criação dos “fumódromos” não conferiu proteção à exposição passiva à fumaça do cigarro e não desestimularia o seu consumo. De qualquer forma, determinou a primeira mudança comportamental expressiva na sociedade brasileira, tão condescendente com o tabagismo, mas que começava, a partir desse momento, a incorporar o entendimento que a fumaça do cigarro prejudicava sua saúde.


José Serra assumiu o Ministério da Saúde, em 1998, e deu continuidade à política de combate ao tabagismo de seus antecessores. Novas conquistas e avanços, a proibição  total de propaganda de cigarros nos meios de comunicação; a contrapropaganda, com fotos sobre os malefícios do cigarros nos maços de cigarro; a proibição do uso de expressões mal-intencionadas como “ light”, “suave” e “ ultrassuave”.


Em 2003, a Organização Mundial de Saúde organizou a Convenção–Quadro, um tratado Mundial para controle da epidemia Tabagística no Mundo. O Brasil aderiu ao tratado em 2003 e o ratificou no final de 2005.


Escrevi tudo isso para dizer que a Lei Estadual 13.541, a lei antifumo do Estado de São Paulo, atende às prerrogativas de um país que é signatário da Convenção-Quadro, que como tal, prevê a adoção de medidas legislativas, executivas e judiciárias para combater a epidemia tabagística que assola o mundo e que torna o tabagismo ativo a primeira causa evitável de morte e o tabagismo passivo a terceira causa evitável de morte.


A lei tem como foco central a proteção dos não fumantes à exposição passiva, mas também promove alterações no comportamento dos fumantes ao desestimular o seu consumo. Possibilita que o fumante perceba seu grau de dependência a nicotina. Adicionalmente, é provável que reduza a prevalência do tabagismo entre os jovens, pois transforma ambientes que antes eram propícios aos rituais de iniciação ao tabagismo em ambientes livres da fumaça do cigarro.


Especificamente no município de São Paulo, esperamos redução de mil a 3 mil óbitos por derrame cerebral e infarto nos próximos 12 meses, tanto em fumantes quanto em não fumantes, em função da adoção da lei. Nossa expectativa é a redução de 10% a 30% desses eventos, resultados observados em locais onde leis semelhantes foram implementadas.


O fato é que após mais de um mês de aprovação da lei, o apoio a mesma é expressivo. A melhora da qualidade do ar nos ambientes fechados é observada pela quase totalidade de seus usuários e trabalhadores.


Ninguém mais tem que chegar da balada e tomar banho, e lavar a cabeça por estar fedendo a fumaça do cigarro.


Já valeu a pena.


Para finalizar, sei que essa lei antifumo causou confusão até lá no céu. Tem um monte de médico velhinho comemorando aprovação da lei, como José Rosemberg, Mário Rigatto e Henrique Santillo, mas também deve haver um monte de fumante inconformado dizendo: “Pô, por que que essa lei não foi aprovada antes?”.

*Jaqueline Scholz Issa é diretora do Programa de Tratamento do Tabagismo do InCor (Instituto do Coração) de São Paulo, pioneira na comemoração do dia Mundial Sem Tabaco no Brasil realizado com apoio da Organização Mundial de Saúde – Programa Tobacco or Health, em 31 de maio de 1993 e autora do livro Deixar de Fumar.

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Personalidades no mundo da medicina

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“A pílula mudou o status da mulher e da abordagem de saúde” (Rodrigues de Lima)
                   

                              A REVOLUÇÃO FEMININA NA SAÚDE

Médico viu e fez acontecer algumas mudanças na vida das mulheres

Geraldo de Lima em seu consultório: “na literatura médica falta clareza em relação à TRH”

Avanços na área da ginecologia melhoraram a vida das mulheres e caminharam junto com elas, fazendo parte da revolução feminina. Como em qualquer processo evolutivo, caíram mitos e velhas condutas médicas foram substituídas por novas – não sem polêmicas. Médico há mais de meio século, Geraldo Rodrigues de Lima acompanhou e fez acontecer algumas dessas mudanças. Livre-docente, professor titular e chefe do Departamento de Ginecologia e da Disciplina de Oncologia Genital e Mamária da Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp), agora aposentado, ele conduziu e orientou várias pesquisas clínicas relacionadas à saúde reprodutiva feminina nos últimos 40 anos.

O professor pontua os principais avanços que presenciou desde o início de sua formação na especialidade. “A vida das mulheres melhorou em vários aspectos. Um dos primordiais está relacionado à evolução dos aparelhos de diagnósticos por imagem. Mas foi a conscientização do valor de sua saúde que, de fato, trouxe impacto positivo, aumentando a capacidade preventiva de doenças e, consequentemente, o poder curativo da medicina”, avalia.

Para ele, a prevenção foi incrementada pela medicina de imagem. Surgiram a tomografia e a ressonância magnética, a mamografia digital, a histeroscopia e a videolaparoscopia, entre outras. “Toda essa maquinaria moderna possibilitou diagnósticos em estágios precoces de doenças, permitindo, em muitos casos, a cura total por intervenções minimamente invasivas. Os exames ginecológico e ultrassonográfico, por exemplo, possibilitam o diagnóstico de câncer de ovário em estágio muito inicial, ocasião em que a cirurgia fornece excelentes resultados”, comemora.

Algumas jovens, que Lima atendeu no início da carreira, hoje são senhoras na casa dos 60 ou 70 anos. Ele lembra que o advento da pílula contraceptiva mudou, e muito, tanto o status da mulher na sociedade como o da saúde em geral. “A própria pílula que surgiu na década de 60 passou por uma revolução inacreditável! As grandes doses de hormônios combinados (estrogênio mais progestogênio) foram reduzidas cada dia mais, até chegarmos às pequenas doses atuais”, diz. O professor recorda que no início havia apenas a de uso oral, mas hoje existem opções como transdérmica, intramuscular e intravaginal, entre outras. A pílula está na quarta ou quinta geração e tornou-se praticamente inofensiva, devido à menor taxa de hormônios. Seu uso regular traz outros benefícios, além de bloquear a ovulação e impedir a gravidez; reduz o risco de câncer de ovário e de endométrio; e de miomas e endometriose”, afirma.

O professor destaca o papel decisivo dos métodos contraceptivos no planejamento familiar: “de todos eles, o DIU-levonorgestrel (Dispositivo Intrauterino) é o mais moderno, cômodo e de fácil aplicação”. Lima aponta a falta de acesso universal aos cuidados de saúde como o maior entrave para que avanços da ginecologia tenham reflexos mais acentuados sobre o controle populacional, a ponto de melhorar a qualidade de vida e de educação dos brasileiros.

Reposição hormonal
Ele destaca, ainda, outros benefícios para a indicação do DIU-levonorgestrel às mulheres. “É um método elegante e inteligente para tratar alguns tipos de hemorragia uterina, como a disfuncional (e a provocada por miomas e pela adenomiose), que não respondem à medicação regular, antes de indicar uma cirurgia. Em boa parte dos casos, a paciente volta ao consultório satisfeita com os resultados, rejeitando a histerectomia”, completa.

O ginecologista conduziu e orientou variados estudos de Terapia de Reposição Hormonal (TRH). Os programas de reposição de hormônio na pós-menopausa envolvendo apenas estrogênio – ou em combinação com progesterona – tiveram “espetacular impacto sobre a vida da mulher”, segundo o professor. “A reposição de hormônios é antiga, começou entre 1930 e 1935, quando se descobriu a fórmula do estrogênio, que possibilitou sua sintetização. Em meados dos anos 70, percebeu-se que o uso contínuo apenas de estrogênio aumentava o risco para câncer no endométrio. O acréscimo de progesterona passou a evitar esse quadro”, explica.

A partir de 1980, os dois hormônios foram combinados em uma só pílula de uso contínuo, tornando-se o método mais aceito. “Mas estudos melhores executados, como o do WHI (Women’s Health Iniciative), mostraram que não se deve dar hormônio às mulheres acima de 65 anos, porque aumenta a possibilidade de infarto do miocárdio e de câncer de mama”, adverte o professor. “Também ensinaram que as doses devem ser pequenas, as menores possíveis para tratar os sintomas que mais aborrecem a paciente (fogachos), pelo menor período necessário”, complementa.

Lima critica a falta de clareza da literatura médica em relação à duração dos programas de TRH. “Quando devo parar? Quando um especialista pega a literatura existente, não acha isso escrito, o que é um absurdo! Alguns dizem que a indicação não pode superar cinco anos, mas não é verdade. ‘O menor tempo possível’, também não é uma verdade. Para uma pessoa será o menor possível. Mas há mulheres que sentem os sintomas da pós-menopausa até os 90 anos. Se você começar a tratá-las aos 45 anos, ela vai tomar o medicamento até os 50 anos. E depois? A paciente vai passar os 45 anos seguintes com aqueles sintomas e você não vai poder ajudá-la?”, questiona o médico. Para ele é necessário, então, que as pacientes interrompam o tratamento por 20 dias; retornando os sintomas, elas também voltam a tomar o hormônio. Caso contrário, não precisa mais. Isso deve ser feito pelo menos uma vez por ano.

Estudos conduzidos por Lima indicam que baixas doses de estrogênio aliviam os sintomas da menopausa, prolongando seu uso para seis ou sete anos. Com intervalos mensais sem hormônios e com monitorização do endométrio. Um método moderno e interessante é colocar o DIU-levonorgestrel e usar o estrogênio por qualquer via; o endométrio fica, desta forma, permanentemente protegido. Lima fala ainda de outros tratamentos que passaram por transformações nos últimos anos. Leia a seguir, um resumo da entrevista com o professor, um dos mais respeitados entre seus pares da ginecologia.

“A MENSTRUAÇÃO NÃO SERVE PARA NADA”

 A manutenção da menstruação durante o período reprodutivo é mesmo necessária?
Lima: A menstruação não serve para nada, a não ser para avisar à paciente que ela é saudável e não está grávida. Mas se você disser isso, a paciente vai responder “doutor, me sinto tão bem quando menstruo”. Os sintomas do período de tensão pré-menstrual, como a retenção de líquidos, dores, inchaços e ganho de peso, são aliviados quando se inicia o fluxo menstrual. A paciente associa a menstruação à cura dos sintomas. Mas esses sintomas e a dismenorréia são frutos da ovulação. Se bloquearmos a ovulação, eles desaparecem. Portanto, a anticoncepção hormonal também serve para isso. Na fase reprodutiva, quando a mulher não quer engravidar e também após os 40, não há necessidade de menstruação. Indica-se a pílula contínua até por um ano. Desaparecem aqueles sintomas e há mais acúmulo de hemoglobina.

 Quais aspectos das disfunções sexuais podem ser abordados pela ginecologia geral?
Lima: Qualquer médico pode instruir um casal sobre sua vida sexual, desde que seja competente para isso. Há ginecologistas que não se interessam e encaminham a paciente a um colega com esse perfil. Na minha experiência, que não é pequena, a queixa de disfunção sexual é uma das mais frequentes no consultório. Independentemente do tipo de disfunção, o ginecologista precisa ter paciência, ser um pouco “psicólogo de casal” para ouvir e instruir a relação. Para a falta de desejo sexual da paciente, há a testosterona. Doses pequenas desse hormônio masculino é o melhor remédio atualmente para corrigir a libido. Mas é preciso acompanhar de perto seus possíveis efeitos colaterais.

 Como anda a evolução das cirurgias endoscópicas em ginecologia?
Lima: Cada vez mais elas estão substituindo as não endoscópicas. Já é possível tratar várias doenças por meio da videolaparoscopia: endometriose, cisto de ovário, gravidez de tubas, miomas de útero e câncer de ovário e de útero. Essa técnica possibilita até a retirada do útero. A histeroscopia permite a visualização interna do útero, a biópsia de endométrio, a correção de malformações e também a retirada de miomas submucosos.

 Qual a importância clínica das perdas urinárias?
Lima: Todos os tipos de incontinência urinária, de alta ou baixa intensidade, quase sempre ocorrem em pacientes que tiveram parto natural, devido à ruptura das fibras musculares e do tecido conectivo e à perda do poder de contratibilidade da pelve. Alguns casos são resolvidos com exercícios perineais. Mas, para aqueles em que há necessidade de intervenção cirúrgica, as técnicas recentes são simples e a paciente se recupera em apenas um dia. Pelas técnicas TVT (Tension-Free Vaginal Tape) e TVTO (Tension-Free Vaginal Tape Obturator), coloca-se uma faixa em volta da uretra, prendendo-a por cima ou pelos lados, com efetividade em mais de 80% dos casos.

 O que ainda precisa ser feito para melhorar a saúde da mulher?
Lima: Higiene, alimentação adequada, manutenção do peso corpóreo, exercícios físicos continuados, anticoncepção, vida sexual segura, vacinação anti- HPV, exames ginecológicos periódicos e também os complementares, para diagnóstico precoce de doenças malignas, e tratamento hormonal adequado após a menopausa. Tomar leite e sol para adquirir massa óssea, desde criança até os 35 anos, é importante para poder perdê-la após a menopausa.

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Você sabe o seu percentual de gordura?

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Para iniciar uma atividade esportiva, é necessária, primeiramente, uma avaliação física. Uma das etapas desse processo é a medição da massa corporal. O método mais conhecido é o cálculo do índice de massa corporal (IMC), que verifica se a pessoa está acima ou abaixo dos parâmetros ideais de peso para sua estatura. Mas como a relação entre peso e altura é um resultado muito genérico, a indústria de fitness desenvolveu uma série de aparelhos capazes de medir com maior precisão a quantidade de gordura. Dos mais simples, como o adipômetro, aos mais sofisticados, que usam inclusive radiação para obter um resultado com alto grau de precisão.

Segundo os endocrinologistas, o cálculo do IMC não é confiável, pois desconsidera fatores importantes como volume dos tecidos, sexo e idade. Os tecidos musculares, por exemplo, são mais pesados que os adiposos. Além disso, não distingue o sexo, e a proporção de peso e de altura é diferente para homens e mulheres. Normalmente, o sexo masculino pesa mais que o feminino da mesma estatura. Algumas pessoas mais velhas têm a estrutura óssea mais leve, devido à perda de cálcio, o que também interfere no resultado.
O ideal é fazer uma medição que descreva todas essas informações, pois cada pessoa tem padrões biométricos diferentes.

Adipômetro

Também chamado compasso de dobras, o adipômetro é um equipamento manual que funciona sob pressão e mede as pregas cutâneas. Os exames são feitos em lugares onde a gordura costuma se localizar, como barriga, braços, costas e pernas. Com o resultado das medidas, são elaboradas equações matemáticas que estimam a quantidade de gordura do corpo. É um dos mais antigos e ainda o mais usado pelos profissionais. Entretanto, quando a técnica é usada em obesos, ocorrem falhas, pelo fato das pregas serem bastante espessas.

Bioimpedância

Em formatos diferentes, usa eletrodos, que medem a gordura do corpo por meio de correntes elétricas de baixa intensidade. Dessa forma, a passagem elétrica informa o valor de água e lipídios presente no organismo. Na bioimpedância profissional, os eletrodos são colocados nos braços e nos pés. Para um resultado perfeito, é essencial tomar alguns cuidados: antes do exame, não ingerir alimentos e líquidos, especialmente bebidas alcoólicas ou que contenham cafeína, nem praticar exercícios físicos; retirar acessórios metálicos. Gestantes e portadores de marca-passo não podem fazer a avaliação. Segundo o especialista em medidas físicas Guilherme Pontes, o método é prático, mas não exato.

Se o indivíduo não respeitar as exigências, o resultado não será confiável.

Outros fatores que podem influenciar o teste são o estado de hidratação e o ciclo menstrual.

Aparelho de bioimpedância doméstica

O aparelho tem quatro pontos elétricos, que ficam localizados nas mãos ou nos pés. Quando o indivíduo segura o objeto, é fechada uma corrente elétrica que realiza a medição. No entanto, não aconselha-se apenas esse método, pois a corrente não alcança todas as partes do corpo.

Dependendo do objeto usado, quando a pessoa segura ou pisa no acessório, é fechada uma corrente, que faz um caminho reduzido. Ou seja: mede com precisão somente os membros nos quais o aparelho está mais próximo.

Dexa ou radioabsorciometria

É o exame mais sofisticado. Mede a composição corporal por radiação de dupla energia. A quantidade de massa gorda ou magra é medida pelo densitômetro, que traduz para percentuais as imagens obtidas por raios X especiais que alcança todo o corpo. Mais frequente em consultórios e spas.

Pesagem hidrostática

É considerado padrão ouro, pois prediz a quantidade quase absoluta da gordura.

O indivíduo senta em uma balança no formato de cadeira, dentro de um tanque de água. Define o volume corporal pelo cálculo da diferença entre a massa corpórea aferida e a medição do corpo submerso.

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Como cuidar bem do seu coração

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Ricardo Chaves

De acordo com dados do Ministério da Saúde, 31,5% das mortes no Brasil são provocados por problemas cardiovasculares — o que faz com que esta seja a primeira causa de morte no país. Ontem(domingo) foi o Dia Mundial do Coração. Confira algumas dicas para prevenir esse mal.

Quais são os principais problemas cardiovasculares?

A doença coronária (doença relacionada ao coração) e o acidente vascular cerebral (AVC) são os principais problemas cardiovasculares e uma das principais causas de mortalidade no Brasil.

Quais fatores estão diretamente relacionados ao risco cardiovascular?

Os maus hábitos alimentares, a falta de exercícios físicos e o estresse têm contribuído para o aumento de problemas cardiovasculares, inclusive em pessoas mais jovens. Além disso, existe uma preocupação com pacientes que até então estavam fora da faixa de risco: o grupo entre 35 e 50 anos. Temos visto casos de morte súbita mesmo em pessoas jovens, sendo que entre 20% e 25% são causados por problemas coronários ainda não diagnosticados.

Quais as causas e sintomas dos problemas cardiovasculares?

Em alguns pacientes, a causa da doença pode não ser conhecida. Diferentes fatores podem levar a alterações cardíacas e dos vasos sanguíneos, tais como: hereditariedade, obesidade, diabetes, sedentarismo, pressão alta, estresse, consumo excessivo de sal e de bebidas alcoólicas. Trata-se de uma doença que pode ser silenciosa por muito tempo ou apresentar sintomas vagos e comuns a outras doenças, como dor de cabeça, tontura, cansaço, enjoos, falta de ar e desconforto inespecífico no peito.

É verdade que a incidência de problemas cardiovasculares está aumentando entre adultos jovens? Por quê?

Sim. Isso acontece porque as pessoas com menos de 40 anos estão desenvolvendo maus hábitos desde cedo, como o sedentarismo e a má alimentação, com uma dieta rica em sal, açúcar e gordura. Além disso, temos uma média de 20% de fumantes entre a população adulta jovem. Esse conjunto de situações favorece a migração das doenças cardiovasculares para uma faixa etária menor. E vale ressaltar que, entre os mais novos, as doenças cardiovasculares costumam ser mais graves e, muitas vezes, estão relacionadas ao tabagismo. Outro fato que tem chamado muito a atenção é que mesmo crianças e adolescentes estão ficando obesos e desenvolvendo, por exemplo, diabetes tipo 2 — um dos principais fatores de risco para problemas cardiovasculares —, o que certamente terá reflexo no futuro.

Quais são os impactos da doença cardiovascular quando ela atinge uma pessoa ainda em idade produtiva?

Como se trata de uma população que ainda tem muito a oferecer em termos de trabalho para o país, a redução dos anos produtivos causada pelas consequências das doenças cardiovasculares pode ter impacto na sociedade e na economia, como aposentadoria por invalidez e pensão por morte.

Quais medidas podem ser tomadas para reverter esse quadro?

Para controlar o problema, os médicos são unânimes ao orientar que as pessoas adotem hábitos melhores — a alimentação saudável, a prática regular de exercícios físicos e o abandono do tabagismo são fundamentais para a manutenção da saúde. Um ponto que precisa de muita atenção é o controle dos níveis de gordura no sangue, pois manter o colesterol baixo é uma das medidas que mais tem impacto na prevenção das doenças cardiovasculares.

Também é recomendado o uso de ácido acetilsalicílico sob orientação médica, pois o tratamento pode reduzir significativamente a incidência de ataques cardíacos em grupos de risco. Além disso, é preciso pressionar o governo e a indústria alimentícia por novas regras para a fabricação de alimentos. Vale citar o exemplo de Portugal, onde, recentemente, as sociedades médicas conseguiram a aprovação de uma nova lei que reduz significativamente o teor de sal dos alimentos industrializados. Seria ótimo se tivéssemos algo semelhante no Brasil.

Como é feito o diagnóstico das doenças cardiovasculares?

Por exames clínicos e laboratoriais, como exame de colesterol, teste de glicemia, avaliação de função do rim, teste ergométrico e medida da pressão arterial. O paciente deve ficar atento à medida da circunferência abdominal. De acordo com diretrizes médicas nacionais e internacionais, as mulheres devem ter até 80 centímetros, e os homens, 94 centímetros. Acima desses valores, o paciente é classificado no grupo de risco.

Quais as dicas para manter a saúde do coração?

— Mude o seu estilo de vida e adote hábitos saudáveis _ o que vale inclusive para crianças

— Evite a ingestão de sal, açúcar e álcool em excesso

— Pratique atividades físicas regularmente

— Consuma mais fibras e aumente a ingestão de frutas e verduras para absorver mais potássio

— Use azeite de oliva

— Controle o estresse

— Mantenha o peso ideal

— Reduza a ingestão de gorduras saturadas e carboidratos refinados

— Pare de fumar

— Meça a pressão arterial regularmente

Quais são as atuais recomendações para os pacientes de risco?

Três das principais sociedades médicas norte-americanas — American Cancer Society, American Diabetes Association e American Heart Association — elaboraram um relatório com medidas de prevenção para doenças cardiovasculares, diabetes e câncer. Dentre elas, destacamos: reduzir os níveis de colesterol, controlar o diabetes, parar de fumar, reduzir a massa corpórea, usar ácido acetilsalicílico (sob orientação médica) e fazer exames preventivos regularmente.

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Britânicos querem vender seus rins para pagar suas dívidas

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 A atual crise econômica afetou alguns britânicos de tal forma que puseram à venda seus rins para pagar suas dívidas, informa  o  “The Sunday Times”. Pelo menos uma dúzia de anúncios apareceram ultimamente na internet nos quais doadores britânicos oferecem um de seus rins por 25 mil libras (27.500s euro) ou mais.

Cinco dos vendedores foram contatados por repórteres do periódico, que se fizeram passar por amigos ou parentes de doentes para negociar o preço. Uma das pessoas dispostas a vender um rim é uma enfermeira de 26 anos que disse necessitar o dinheiro para pagar as dívidas depois que fracassou o negócio que tinha montado.

Outro é um taxista de 43 anos do condado de Lancashire, que quer pagar parte de sua hipoteca e comprar-se uma nova fogão. Depois que se revelou esses casos, o ex-presidente da Sociedade Britânica de Transplantes Peter Friend disse que chegou a hora de debater publicamente o fenômeno da venda de órgãos. Segundo ++Friend++, os países ocidentais proibiram essas práticas, “mas o resultado é que o comércio virou clandestino, por isso que é importante um debate ao respeito”.

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Cigarro sem fumaça

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O banimento do fumo de ambientes fechados no Estado de São Paulo, que começa a vigorar em agosto, é a maior conquista da luta pelo fim do fumo passivo no Brasil. Mas a indústria do cigarro já contava com mais este obstáculo e reage. Vem aí o cigarro sem fumaça, em sachês doces para colocar na boca e em balas, além de outras novas estratégias de marketing das gigantes do setor, como investimentos pesados em brindes, alerta a pesquisadora Stella Bialous, consultora da área de políticas contra o tabagismo da Organização Mundial da Saúde.

Nos últimos anos, Stella vem revelando ao lado de colegas manobras da indústria do fumo em prol de seus consumidores cativos. Em entrevista na última quarta-feira, ela destacou ainda que não é uma surpresa a reação de donos de bares e restaurantes, que já foram à Justiça tentar derrubar a nova lei do governo José Serra.

Os documentos da indústria, que tem sido vasculhados por ela e outros pesquisadores, revelaram um célebre programa do setor chamado Convivência em Harmonia, que patrocinou em 95 donos de bares no Brasil na defesa dos chamados fumódromos e dos direitos dos fumantes, fato que a indústria considera normal. Veja trechos da conversa com a cientista brasileira, que atualmente vive na Califórnia (EUA).

Como você avalia a reação à lei no Estado de São Paulo?

Não é uma surpresa a existência de grupos de fachada que tentarão até o último momento manter os fumódromos. Em todos os lugares em que se tentou instituir ambientes livres de tabaco houve esses argumentos embasados na liberdade e nos direitos dos fumantes, e de que estamos voltando ao Nazismo e coisas assim. O que me surpreende é que estejam sendo utilizados discursos que, já se sabe, foram fabricados pela indústria e utilizados em programas como o Convivência em Harmonia. Não há nenhum argumento científico. A decisão de levar à Justiça também já vimos em outros lugares, eles tentam pegar um juiz que seja menos informado, tentam lutar até o último momento.

O argumento de que o produto é legalizado também é comum. Isto não poderá se sobrepor nos tribunais de Brasília?

Ninguém está proibindo, estamos apenas restringindo onde. Há atividades legais restritas. Não podemos fazer sexo no parque. Não podemos fazer pipi no meio do salão (risos). Fumar é legal, mas não em qualquer lugar, por medida de saúde pública. Ninguém está tirando o direito de fumar, que aliás não é constitucional. Constitucional é o direito à saúde.

Mas, apesar do avanço no Estado, ainda não temos uma legislação federal que garanta ambientes livres de tabaco. Ela continua parada na Casa Civil.

Vamos continuar agindo e vamos fazer o mesmo tipo de mobilização na esfera federal. É melhor termos um monte de leis estaduais fortes do que uma lei federal fraca. É uma estratégia, um bloqueio. Primeiro o nível local, com isto estamos testando a reação do público. Devargazinho vai andando. A grande importância de São Paulo é o número de pessoas protegidas. Temos leis assim na Irlanda, no Uruguai, mas São Paulo é do tamanho de um país. É preciso que outros Estados não tenham medo e usem a experiência de São Paulo.

Um dos argumentos muito utilizados no questionamento da lei foi o de que o governo não atende adequadamente aqueles que desejam parar de fumar.

Na verdade o Brasil é um dos poucos países com um programa governamental para auxiliar as pessoas a parar de fumar. A demanda por tratamento aumentará com a nova lei e mais ainda com o aumento dos impostos que incidem sobre o cigarro. Mas no Brasil há portarias, capacitação para o tratamento. Não é perfeito. Temos filas de espera, faltam remédios. Mas ao criarmos uma nova demanda as pessoas que já se dedicam a isto na saúde pública terão justificativa para lutar para um aumento da oferta. É importante documentar o aumento do registro de pessoas que querem o tratamento, mostrar que de 100 são atendidos 20. Temos de ter preparo e ter ideia do tamanho da demanda.

Em outros locais em que se conseguiu ter ambientes livres do fumo qual foi o próximo passo da indústria? Dá para baixar a guarda?

Não dá para baixar a guarda nunca. O que estamos vendo é que a indústria está investindo em cigarros sem fumaça, não combustíveis, para usar onde não pode fumar. Parecem umas bolsinhas de chá, só que para colocar na boca. Mas não é inofensivo. Eles estão expandindo o marketing do “smoke any time” (fume a qualquer hora). E estão inclusive dizendo que isto não faria mal, que até ajudaria a parar. Antigamente havia o fumo de mascar, mas era muito nojento. Então começaram com isto na Suécia e vem expandindo nos EUA, fazendo testes na África do Sul, por exemplo. Também já há umas balinhas, parecem aquelas de menta, que são de nicotina, para a pessoa não parar quando precisa. Além disto continua o marketing, sobretudo para jovens, compra um maço, ganha uma bolsa, um boné, compre um leve dois. Há outras áreas que precisam ser melhor fiscalizadas, haverá um aumento de ações da indústria, a inteção é manter a visibilidade do produto.

O que outros países onde isto ocorreu estão fazendo?

Tentando regulamentar este marketing. As empresas não podem ficar encorajando as pessoas a não parar. Além disto, não sabemos os riscos destes novos produtos para a população em geral.


Já há notícias sobre sua chegada ao Brasil?

Ainda não, mas vão chegar. Talvez a indústria ainda tenha esperança nas manobras legais contra a lei de ambientes livres de fumo. Mas porque estão brigando de um lado não siguinifica que não estejam se preparando de outro. A indústria está trabalhando com vários cenários. E a gente, geralmente, só corre atrás do prejuízo.

Em tempo: dados dos Centros de Controle de Doenças (EUA) apontam que o tabaco sem fumaça contém 28 agentes cancerígenos e torna adolescentes mais propensos a fumar cigarros comuns. 3% dos americanos adultos já usam fumo de mascar ou os novos sachês. O porcentual chega a 8% no ensino médio local.

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São Luis vai sediar Congresso Norte e Nordeste de Otorrinolaringologia

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O X Congresso Norte e Nordeste de Otorrinolaringologia será realizado no período de 15 a 17 de outubro em São Luis-MA no Rio Poty Hotel. Presidido pelo Dr Rubens Sousa Santos.

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Entrevista com o presidente do Congresso.

Quais serão os principais destaques dessa edição do Congresso?
Dr. Rubens Sousa Santos: A valorização plena de nossos especialistas, mostrando a experiência da região, a abordagem de temas práticos para o dia a dia e uma inovação para os residentes e recém formados na especialidade: Happy hour com residentes. Muitas vezes o residente não se sente a vontade para questionar na plenária. Pensando nisso, formamos duas turmas, entre 15 e 20 participantes, de maneira muito informal, com professores de larga experiência, em presença de som ambiente e serviço de buffet, que será realizado no final da tarde, no restaurante do hotel. Lá ele estará bem mais a vontade, com colegas do mesmo nível, discutindo temas também do dia a dia. Importante, sem custo adicional.
Estaremos reconhecendo o grande serviço prestado a ORL brasileira pelo prof. Helio Lessa. Homem de grande luta pela melhoria de nossa especialidade.

Qual a importância de um evento como este para a ORL nacional? Ele pode influenciar outros congressos?
RSS: A região N-NE está em plena ascensão técnica-científica na ORL. A apresentação desse crescimento se dá exatamente por meio desse evento. Novos valores acadêmicos são apresentados a cada edição. O aprimoramento dos serviços e o aperfeiçoamento técnico de nossos otorrinos são demonstrados, permitindo diminuir o êxodo dos pacientes para outras regiões. Essa é a grande importância do congresso regional para o País.
Cada congresso é realizado sob a influencia dos anteriores, reproduzindo os acertos e criando novos formatos. Espero que este possa contribuir com outros congressos.

Como você avalia o conteúdo científico do Congresso?
RSS: Os temas abordados são extremamente práticos e dentro de nossa realidade, sem perder, contudo, a visão da grande evolução tanto tecnológica quanto das técnicas de abordagem clínica e cirúrgica que surgem a cada ano. Temas que por vezes se repetem, tornam-se necessários para reforçar condutas ou apresentar novas perspectivas.

Como é ser presidente do 10º Congresso Norte-Nordeste de ORL?
RSS: É estar em consonância com todas estas propostas apresentadas. É ser capaz de buscar a harmonia entre todos, mas sem deixar a oportunidade para grandes discussões que possam elevar nossa especialidade na região, buscando o crescimento e favorecendo melhores condutas aos nossos pacientes, fim de todo aprendizado.

 

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Tire suas dúvidas sobre a pílula do dia seguinte

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Ricardo Chaves

A pílula do dia seguinte é um medicamento de emergência, indicado para situações onde ocorreu a falha de outro método contraceptivo durante a relação sexual ou quando ela foi desprotegida. Por não haver necessidade de apresentar prescrição médica, é facilmente obtido nas farmácias, o que não elimina muitas dúvidas ainda existentes quanto ao uso, a eficácia e a durabilidade do produto.

A ginecologista Rosa Maria Neme, graduada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, com residência médica e doutorado em Medicina na área de Ginecologia pela Universidade de São Paulo e Diretora do Centro de Endometriose São Paulo, faz um alerta:

 

— Apesar de não ter contraindicação, a pílula do dia seguinte deve ser ingerida somente em ocasiões de emergência e nunca como um método contraceptivo convencional, pois seu uso frequente pode alterar o ciclo menstrual.

Tire suas dúvidas

Qual a composição desse medicamento? Por que ele é mais potente em relação às demais pílulas?

A pílula do dia seguinte é composta apenas de progesterona, o levonorgestrel. Ela é considerada mais potente porque possui maior concentração do hormônio quando comparada a uma pílula tomada diariamente.

Como ela age no organismo? Quais os efeitos colaterais?

A ação da progesterona é tornar o endométrio um ambiente inóspito para a implantação do embrião. Como efeito colateral, pode provocar enjoo, mal-estar e dor de cabeça.

A pílula do dia seguinte é eficaz? Oferece riscos ou possíveis efeitos colaterais? Em quanto tempo após a relação ela deve ser tomada?

O ideal é tomá-la até 24 horas depois da relação desprotegida para garantir sua eficácia. Eventualmente, pode ser tomada até 72 horas após a relação. Os riscos de gravidez e também de ocasionar irregularidade menstrual existem. Por essa razão, não deve ser tomada sempre.

É possível evitar a gravidez com ela?

A pílula do dia seguinte possui uma efetividade de quase 94% se tomada nas primeiras 24 horas após a relação sexual desprotegida ou acidental.

Em quais ocasiões ela deve ser tomada?

Somente em ocasiões de emergência e nunca como um método contraceptivo convencional. Deve ser prescrita sempre pelo médico.

Ela tem sido usada por muitos jovens como método regular de contracepção, não emergencial. Qual é o risco desse hábito?

O grande risco é desregular todo o ciclo hormonal. Essa pílula apresenta uma dose alta de hormônio e, se usada de forma não emergencial, pode causar sintomas como irregularidade menstrual, acne e aumento de oleosidade na pele, por exemplo.

É perigoso adotá-la como única forma de evitar a gravidez?

Claro. Usá-la como método para evitar a gravidez vai causar um desequilíbrio hormonal significativo no organismo feminino. Ela pode ser conciliada esporadicamente com outros métodos, mas, se usada com frequência, pode causar retenção hídrica e aumento da oleosidade da pele, entre outros sintomas.

Como deve ser tomada?

Deve ser tomada em dose única ou em duas doses com intervalo de 12 horas entre a primeira e a segunda dose.

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Você ainda sabe o que é alimentação saudável?

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A receita é simples e conhecida: a boa saúde está diretamente relacionada à alimentação balanceada. No entanto, hábitos alimentares saudáveis estão cada dia menos presentes no cardápio de grande parte da população. O acesso aos alimentos é maior, mas os produtos mais consumidos são aqueles com baixo valor nutricional.

Para se ter uma ideia, o consumo de refrigerantes no Brasil aumentou 400% nos últimos 30 anos. No mesmo período, as cadeias de fast-food registraram crescimento de 600%. Atualmente, a ingestão de frutas, hortaliças, verduras, cereais e grãos, pelos brasileiros, alcança apenas um terço dos 400 gramas diários necessários para prevenir o câncer e recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O descuido deixa adultos e crianças doentes e sem proteção para lutar contra muitos males.

 

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) relata que os tipos de tumores malignos relacionados aos hábitos alimentares estão entre as seis primeiras causas de mortalidade relativa à doença no país. Nutricionistas e médicos alertam que o brasileiro perdeu a referência do que é saudável. As crianças são reféns de papinhas, sucos industrializados, biscoitos e salgadinhos. Os jovens são campeões no consumo de hambúrgueres, salsichas e batatas fritas — produtos que oferecem riscos por terem em sua composição níveis significativos de agentes cancerígenos.

A alimentação industrializada está no cardápio mesmo em localidades remotas ou interioranas, onde o consumo de legumes e frutas regionais costumava ser maior.

 O apelo da publicidade da indústria alimentícia é devastador. E isso pode ser observado tanto nas classes sociais mais abastadas quanto nas menos favorecidas. Na cabeça das pessoas, os produtos industrializados simbolizam o desenvolvimento. Elas esquecem apenas que o custo para a saúde é muito alto.

O sal, os nitritos e os nitratos que compõem os alimentos processados têm ação carcinogênica e mutagênica. Em palavras simples, eles expõem o organismo ao câncer e outras doenças. Exatamente o oposto ocorre no corpo de quem ingere frutas, legumes e cereais em quantidades ideais.

Por diversos mecanismos, esses itens inibem a mutação de células que desencadeiam o câncer ou atuam de forma a dificultar a multiplicação delas.

O acesso aos produtos processados era muito menor, por isso consumíamos mais alimentos frescos e saudáveis. As refeições eram preparadas em casa e as pessoas dedicavam tempo a elas. Almoçar e jantar era prazeroso, e não apenas um pit stop.

Hoje, os hábitos que comprometem a saúde começam muito cedo. Estudo recente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com 270 famílias constatou que, antes de completarem 2 anos, 67% das crianças já tinham o costume de tomar refrigerantes e 70% comiam biscoitos recheados regularmente.

A vida mudou, está muito corrida e as pessoas se alimentam fora de casa. Fibras, verduras, frutas e hortaliças foram substituídas. Com isso, alimentos mais ricos em gorduras, açúcares e conservantes vão para o prato com mais frequência. A saúde paga o preço. Notamos que, cada dia mais, as doenças que atingiam a terceira idade surpreendem indivíduos muito jovens.

Para os especialistas, quase sempre há tempo para se correr atrás do prejuízo.

É difícil porque, quando falamos em prevenção, buscamos qualidade de vida a longo prazo, mas é mais cômodo enxergar somente o presente .Carnes processadas, refrigerantes e biscoitos industrializados deveriam ser banidos do cardápio.

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Pesquisa mostra riscos das radiações dos celulares

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T-Mobile's MyTouch, Apple's iPhone and the Samsung Impression

Boatos sobre possíveis danos da radiação emitida por celulares ao corpo humano não são novidade. Mas, para deixar de lado os rumores e partir para os fatos, uma organização realizou o levantamento de perfis de emissão de 1.268 modelos de celulares diferentes.

O estudo foi feito para criar uma base de dados contendo informações sobre o máximo de radiação que cada dispositivo emite. Elaborado pela Environmental Working Group (EWG), o relatório concluiu que os padrões de radiação não são os mais seguros e nem respeitam o impacto nas crianças. As informações são da revista Wired.

Os riscos podem ser mais sérios do que alguns rumores apontavam. Segundo cientista da EWG, Olga Naidenko, existe a possibilidade de tumores cerebrais após muito tempo de uso. “Com base em padrões atuais, existe um risco aumentado de desenvolver tumores cerebrais em usuários de longo prazo, que usam celulares por mais de dez anos, por conta da radiação”, disse Naidenko.

De acordo com a pesquisa, celulares Samsung são os mais seguros. Entre os cinco colocados entre os celulares com menos emissão de radiação, quatro aparelhos da marca estão nas primeira posições.

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