Gordura certa para seu coração

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Apesar da má fama, a gordura é importante para o corpo. Elas fornecem energia, participam de processos estruturais e hormonais, e ainda podem contribuir para a manutenção da saúde do coração. Precisamos estar atentos sobre a quantidade e os tipos de gordura que consumimos. Na média, o consumo diário de gordura não deve ultrapassar 30% da ingestão calórica total. Desses, 20% de gordura insaturada. Entenda as diferenças entre elas.

 

Gorduras boas: são as insaturadas. Há dois tipos:

 Poli-insaturadas: encontradas em peixes como arenque, salmão, cavala, atum e sardinhas, e óleos vegetais como óleo de soja e margarina.

 Monoinsaturadas: encontradas em azeite e sementes como castanhas-do-pará, amêndoas e avelãs. Abacate também tem gordura boa.

 

Gorduras ruins: são as saturadas e trans. O consumo em excesso é uma das principais causas de colesterol elevado e outros problemas de saúde.

 Saturadas: encontradas em carnes gordurosas, manteiga, queijos e leite integral.

 Trans: produtos de panificação como alguns biscoitos recheados industrializados.

 

Faça trocas inteligentes

A dica é diminuir a gordura saturada e aumentar a insaturada – que contêm nutrientes essenciais não fabricados pelo organismo, como ômegas 3 e 6.
 Deixe o leite e o iogurte integral de lado e opte pelos semidesnatados ou desnatados.
 Prefira queijos brancos, como cottage ou ricotas.
 Consuma margarina no lugar da manteiga. “Quanto mais duro for o creme, em temperatura ambiente, maior será a quantidade de gordura
ruim.” Mole é melhor!
 Troque biscoitos com gordura trans por sanduíches naturais com pão integral.
 Crie o hábito de verificar o tipo de gordura nos rótulos de alimentos.
 Substitua carnes gordurosas, como costela, cupim, bisteca e salame, por carnes magras como alcatra, filé-mignon, lagarto e lombo de porco.
Consuma frango, peru ou peixes também.
 Retire a pele ou gordura aparente das carnes.

 

“Prato colorido ajuda o coração”

A recomendação  é comer 400 gramas de frutas e vegetais por dia. Aproveite a diversidade enorme do Brasil e consuma cinco tipos diferentes de fruta ou vegetal, por dia, para garantir a variedade de nutrientes.

 

Pesquisa

Um estudo americano mostra que substituir gorduras saturadas por insaturadas diminui o LDL-colesterol, conhecido como colesterol ruim, e indica que a moderação no consumo de gordura ruim reduz em até 30% o risco de doenças cardiovasculares e o risco de morte.

 

Alto risco
Consultas regulares ao médico são essenciais para avaliar fatores de risco ao coração, como níveis de colesterol, pressão arterial e
avaliação física. Além disso, a adoção de hábitos saudáveis de serem aplicados no dia a dia também pode ajudar na prevenção. Caminhar, subir escada, dormir cerca de oito horas por dia e tomar cuidado com o excesso de açúcar, sal e gordura são fundamentais para manter a saúde em dia.

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Febre Amarela e Doença Cardiovascular

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Dúvidas sobre a febre amarela e doença cardiovascular?

Sim, todos estamos tendo. Nós, cardiologistas recebemos perguntas sobre vacinação contra a febre amarela durante consultas, telefonemas ou mensagens de pacientes ou familiares. Não é sem motivo, já que o surto da doença tem aparecido no noticiário diariamente e tem preocupado todo o país. Seguem abaixo 7 dúvidas e respostas com evidências sobre a relação da febre amarela e doença cardiovascular.

1) Tenho mais de 60 anos e vou viajar para área com alta incidência, devo ser vacinado?

Mesmo tendo mais de 60 anos, se não preenche os critérios de contraindicação, é recomendável a vacinação, mesmo se for portador de doença crônica como IC, DM, DAC. Se estiver dentro das contraindicações (tabela abaixo), não deve viajar ou, se for inevitável ir, usar repelente de insetos e evitar expor-se.

2) Tenho mais de 60 anos, moro em área urbana sem incidência da doença, não vou viajar para área endêmica, devo ser vacinado?

Neste caso, o risco da vacinação é maior que o benefício.

3) Um paciente com menos de 60 anos, mas portador de doença crônica (como IC, DM, DAC) pode ser vacinado?

Sim, deve. A simples presença de doença crônica não contraindica a vacinação.

4) Meu paciente é jovem e tem cardiopatia congênita complexa. Pode ser vacinado?

Sim, pacientes com cardiopatia congênita, mesmo complexa com mais de 6 meses podem ser vacinados.

5) Meu paciente é valvopata com história de febre reumática (que em última análise é uma doença autoimune) mas não tem tido atividade. Deve ser vacinado?

Não existe nada específico para a febre reumática e todas as doenças autoimunes controladas, na ausência de imunosupressão podem teoricamente receber a vacina, exceto Lúpus onde é contra-indicada, mas mesmo assim existem controvérsias.

6) A vacinação contra febre amarela causa miocardite?

O vírus da febre amarela é uma das causas de miocardite, miocardite pós-vacinal de forma isolada é possível, mas é extremamente rara.

7) Meu paciente teve miocardite sem etiologia definida. Pode receber a vacina?

Sim, pode. Não é contraindicado, tendo ou não recuperado a função ventricular.

 

Temos que destacar que mesmo na ausência de um consenso sobre a vacinação universal, a situação epidemiológica atual exige a intensificação em curto prazo, pelo risco de desencadear uma epidemia urbana catastrófica, de elevada morbidade e mortalidade.

Uma das mais difíceis decisões envolvendo a responsabilidade médica, está na recomendação para pacientes acima de 60 anos, a partir de quando há maior incidência de eventos adversos que, apesar de raros, podem ser graves e fatais.

Essas complicações foram relatadas em estudos com a vacina não fracionada regularmente utilizada e não sabemos se seriam ainda mais raros com a vacina fracionada que se inicia agora.

É preciso entender que esta situação, como todo surto epidêmico ou pandêmico, é dinâmica e existe a necessidade permanente de reavaliações, esclarecimentos e orientações. Assim o Ministério da Saúde, Secretarias Estaduais e Sociedades Médicas, tem orientado que o paciente acima de 60 anos receba a vacina somente após uma autorização vacinal, o que exige uma cuidadosa avaliação do risco epidemiológico. É responsabilidade do médico a definição da proteção desta faixa etária da população. Se o paciente não for vacinado e se infectar, pode evoluir rapidamente para formas graves, além das complicações de sua doença de base.

A decisão, além daquelas comentadas nas 7 perguntas acima, envolve comparar o risco em desenvolver complicações graves com a dose inteira da vacina e o guia abaixo genérico publicado pelo Ministério da Saúde:

  • Estudo do CDC (Centers for Disease for Control and Prevention)
  • Pacientes não idosos: 1-2 por milhão
  • Idosos de 60 a 70 anos: 1 por 100 mil
  • Idosos maiores que 70 anos: 1 por 30 mil

Necessária avaliação criteriosa e individualizada do benefício-risco para a recomendação da vacina:

  • Doenças agudas febris moderadas ou graves.
  • Primovacinação de pessoas com 60 anos e mais.
  • Doadores de sangue ou órgãos.
  • Pessoas infectadas pelo HIV, assintomáticos e com imunossupressão moderada, de acordo com a contagem de células CD4.
  • Pessoas com doenças de etiologia potencialmente autoimune.
  • Pessoas com doenças hematológicas.
  • Pacientes que tenham desencadeado doença neurológica de natureza desmielinizante no período de seis semanas após a aplicação de dose anterior da vacina.
  • Gestantes e mulheres amamentando.

 

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Família combate crime

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A grande doença dos nossos dias tem nome: desumanização das relações familiares

Jovens de classe média e média alta têm frequentado o noticiário policial. Crimes, vandalismo, consumo e tráfico de drogas deixaram de ser marca registrada das favelas e da periferia das grandes cidades. O novo mapa do crime transita nos bares badalados, vive nos condomínios fechados, estuda nos colégios da moda e não se priva de regulares viagens ao exterior. O fenômeno, aparentemente surpreendente, é o reflexo de uma cachoeira de equívocos e de uma montanha de omissões. O novo perfil da delinquência é o resultado acabado da crise da família, da educação permissiva e do bombardeio de setores do mundo do entretenimento que se empenham em apagar qualquer vestígio de valores.

Os pais da geração transgressora têm grande parte da culpa. Choram os desvios que cresceram no terreno fertilizado pela omissão. O delito não é apenas reflexo da falência da autoridade familiar. É, frequentemente, um grito de revolta e carência. A pobreza material castiga o corpo, mas a falta de amor corrói a alma. Os adolescentes, disse alguém, necessitam de pais morais, e não de pais materiais. A grande doença dos nossos dias tem um nome menos técnico, mas mais cruel: a desumanização das relações familiares.

Reféns da cultura da autorrealização, alguns pais não suportam ser incomodados pelas necessidades dos filhos. O vazio afetivo, imaginam na insanidade do seu egoísmo, pode ser preenchido com carros, boas mesadas e consumismo desenfreado. Acuados pela desenvoltura antissocial dos seus filhos, recorrem ao salva-vidas da psicoterapia. E é aí que a coisa pode complicar. Como dizia Otto Lara Rezende, com ironia e certa dose de injusta generalização, “a psicanálise é a maneira mais rápida e objetiva de ensinar a odiar o pai, a mãe e os melhores amigos”. Na verdade, a demissão do exercício da paternidade está na raiz do problema. A omissão da família está se traduzindo no assustador aumento da delinquência infanto-juvenil e no comprometimento, talvez irreversível, de parcelas significativas da nova geração.

Se a crescente falange de adolescentes criminosos deixa algo claro, é o fato de que cada vez mais pais não conhecem os próprios filhos. Não é difícil imaginar em que ambiente afetivo se desenvolvem os integrantes das gangues bem-nascidas. As análises dos especialistas em políticas públicas esgrimem inúmeros argumentos politicamente corretos. Fala-se de tudo, menos da crise da família. Mas o nó está aí. Se não tivermos a firmeza de desatá-lo, assistiremos, acovardados e paralisados, a uma espiral de crueldade sem precedentes. É uma questão de tempo. Infelizmente.

Certas teorias no campo da educação, cultivadas em escolas que fizeram uma opção preferencial pela permissividade, também estão apresentando um amargo resultado. Uma legião de desajustados, crescida à sombra do dogma da educação não traumatizante, está mostrando a sua face antissocial. Ao traçar o perfil de alguns desvios da sociedade norte-americana, o sociólogo Christopher Lach (autor do livro A Rebelião das Elites) sublinha as dramáticas consequências que estão ocultas sob a aparência da tolerância: “Gastamos a maior parte da nossa energia no combate à vergonha e à culpa, pretendendo que as pessoas se sentissem bem consigo mesmas”. O saldo é uma geração desorientada e vazia. A despersonalização da culpa e a certeza da impunidade têm produzido uma onda de superpredadores.

O inchaço do ego e o emagrecimento da solidariedade estão na origem de inúmeras patologias. A forja do caráter, compatível com o clima de verdadeira liberdade, começa a ganhar contornos de solução válida. A pena é que tenhamos de pagar um preço tão alto para redescobrir o óbvio. A sociedade precisa de um choque de bom senso. O erro deve ser condenado e punido. A solidariedade deve ser recuperada. É preciso ensinar à moçada que o ser está acima do ter.

O pragmatismo e a irresponsabilidade de alguns setores do mundo do entretenimento estão na outra ponta do problema. A era do mundo do espetáculo, rigorosamente medida pelas oscilações da audiência, tem na violência um de seus carros-chefes. A transgressão passou a ser a diversão mais rotineira de todas. A valorização do sucesso sem limites éticos, a apresentação de desvios comportamentais num clima de normalidade e a consagração da impunidade têm colaborado para o aparecimento de mauricinhos do crime. Apoiados numa manipulação do conceito de liberdade artística e de expressão, alguns programas de TV crescem à sombra da exploração das paixões humanas. Ao subestimar a influência perniciosa da violência ficcional, levam adolescentes ao delírio em shows de auditório que promovem uma grotesca sucessão de quadros desumanizadores e humilhantes. A guerra pela conquista de mercados passa por cima de quaisquer balizas éticas. Nos Estados Unidos, por exemplo, o marketing do entretenimento com conteúdo violento está apontando as baterias na direção do público infantil.

A onipresença de uma televisão pouco responsável e a transformação da internet num descontrolado espaço para a manifestação de atividades criminosas (pedofilia, racismo e oferta de drogas, frequentemente presentes na clandestinidade de alguns sites, desconhecem fronteiras, ironizam legislações e ameaçam o Estado de Direito Democrático) estão na origem de inúmeros comportamentos patológicos.

É preciso ir às causas profundas da delinquência. Ou encaramos tudo isso com coragem ou seremos tragados por uma onda de violência jamais vista. O resultado final da pedagogia da concessão, da desestruturação familiar e da crise da autoridade está apresentando consequências dramáticas. Chegou para todos a hora de falar claro. É preciso pôr o dedo na chaga e identificar a relação que existe entre o medo de punir e os seus dramáticos efeitos antissociais.

* CARLOS ALBERTO DI FRANCO É JORNALISTA.

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