Precisamos falar sobre isso

0comentário

Por Adriano Sarney

Se você ainda não viu o documentário da Netflix “Carta para Além dos Muros”, de André Canto, está perdendo uma ótima oportunidade para entender sobre a evolução, os tratamentos, as legislações, os estigmas e a atualidade do vírus HIV no Brasil. A AIDS é o estágio avançado da infecção pelo HIV. Hoje, com o progresso da medicina e o acesso gratuito aos medicamentos, as pessoas com HIV conseguem ter uma vida saudável. Com apenas dois comprimidos diários e pouco efeito colateral, o vírus chega até mesmo a ser indetectável em um exame de sangue. Quando descoberto e tratado precocemente e com regularidade, o HIV não mata. O que mata hoje em dia é o estigma em não falar sobre o assunto.

É preciso quebrar o preconceito sobre o tema para educar as pessoas sobre o HIV, ensiná-las a se proteger, falar sobre os riscos e incentivar o teste periodicamente. O vírus não pertence à um grupo ou à uma etnia, ele pode estar em qualquer lugar. Após um considerável esforço do governo e da sociedade civil nos anos 80 e 90, o Brasil avançou no combate contra o vírus, tornando-se pioneiro na ameaça de quebra da patente para produção de antirretrovirais e na distribuição e tratamento gratuito aos soropositivos. No entanto, vemos atualmente uma piora nos índices entre os mais jovens em nosso país e ao mesmo tempo um estigma ainda presente contra os que vivem com o HIV.

A exclusão social e o preconceito sofridos pelas pessoas que portam o vírus são um grande obstáculo. A história retratada no documentário do jovem Caio (nome fictício), descreve suas experiências e descobertas desde que recebeu o exame de HIV. Sua própria mãe recusou-se em ajudar no seu tratamento e muitas pessoas próximas se afastaram. Em uma situação, conta, que uma profissional de saúde ao ver no seu fichário que era soropositivo, evitou usar a mesma caneta que ele tinha utilizado. Não se contrai o vírus por contato nem suor.

Hoje no Brasil temos uma legislação especifica, trata-se da Declaração dos Direitos Fundamentais da Pessoa Portadora do Vírus HIV-AIDS e a Lei 12.984/2014, que prevê quatro anos de prisão. De acordo com a lei, é crime impedir ou dificultar a inscrição de soropositivos em instituições de ensino, assim como demitir ou exonerar de cargos ou isolar trabalhadores em razão da doença.

É preciso atitude política. Enquanto o poder público gasta milhões com peças publicitárias de promoção política dos seus governantes, deveriam investir parte desse recurso às instituições como, por exemplo, a Casa da Criança com HIV no Maranhão, ¨Sonho de Criança¨, contemplada pelo nosso projeto Emendas Participativas e, também, para divulgação de campanhas de conscientização e combate ao preconceito.

Se a medicina avança, a sociedade também precisa evoluir. Quem vive com o vírus pode trabalhar, estudar, namorar, constituir família, fazer exercícios físicos, ter uma vida normal. No entanto, muitos sofrem com o preconceito e isto é a principal causa de suas inquietações. A falta de diálogo e o estigma em falar do assunto nas famílias e nas escolas também é um risco para o aumento do número de casos. Por estas razões, precisamos falar sobre isso!

sem comentário »

Projeto beneficia filhos de pessoas com HIV

0comentário

Wellington apresenta Projeto que propõe fornecimento gratuito de leite em pó para filhos de pessoas com HIV

Projeto de Wellington propõe fornecimento de leite em pó para filhos de pessoas com HIV

O deputado estadual Wellington do Curso (PP) apresentou na Assembleia Legislativa do Maranhão Projeto de Lei que dispõe sobre o fornecimento gratuito de leite em pó para filhos de pessoas com HIV. O PL N.º96/2016 prevê como requisito a hipossuficiência comprovada pela família.

Para o deputado Wellington, o que se quer é garantir a alimentação essencial das crianças, ainda que nos meses iniciais, eliminando qualquer possibilidade de transmissão do vírus HIV.

“Quando todas as medidas preventivas são adotadas, a chance de transmissão do vírus HIV é menor. Para o recém-nascido, o Ministério da Saúde recomenda a substituição do aleitamento materno por fórmula infantil (leite em pó) e uso de antirretrovirais. Infelizmente, sabemos que parte significativa da nossa sociedade ainda tem a pobreza como companhia, o que impede de comprar até mesmo um pacote de leite. Objetivando atender essa demanda, é que propomos o fornecimento gratuito, almejando à plenitude da vida e à defesa da família.”, concluiu.

Foto: Agência Assembleia

sem comentário »

Preocupação importante

0comentário

pedrolucasfernandes

O vereador Pedro Lucas Fernandes (PTB) vai propor na Câmara Municipal a criação de uma Frente Parlamentar em Defesa dos Portadores de HIV. A decisão foi tomada após uma reunião, realizada nesta quinta-feira (12), entre o petebista e o secretário municipal de Saúde, Cesar Félix, na sede da Secretaria Municipal de Saúde.

Numa reunião entre técnicos da Semus e do Ministério da Saúde, também realizada na quinta-feira, foram apresentados números alarmantes da Aids em São Luís.Entre 2009 e 2012, somente na capital maranhense, morreram 442 pessoas por infecções em decorrência do vírus HIV. O último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, lançado este mês, mostrou que São Luís ocupa, proporcionalmente, a quinta posição entre as capitais com o maior número de casos de Aids detectados. É a segunda cidade do Nordeste. Conforme as estatísticas, para cada 100 mil habitantes de São Luís, 42,5 estão infectados com o vírus.

A principal causa da Frente proposta por Pedro Lucas será a liberação de um recurso federal para o combate à Aids, de cerca de R$ 2 milhões, que está parado. “Vamos sensibilizar o secretário para que a gente possa dar andamento nos processos que estão aqui na casa há muito tempo, para a gente tentar combater essa doença. Dois milhões é muito dinheiro”, declarou o parlamentar.

Os recursos serão destinados para aumentar a compra de medicamento para infecções oportunistas — que são aquelas que se aproveitam do HIV para se instalar no doente; mais campanhas educativas, reforma de serviços de referências (Centros de Testagem Anônima do Lira, Anil e Serviço de Atendimento Especializado, no Bairro de Fátima), além da aquisição de uma unidade móvel para testagem e a estruturação de uma unidade de internação, voltada exclusivamente para portadores de HIV. Unidade essa que não existe hoje em São Luís.

“São Luís está em uma situação de crise. A gente está vivendo hoje um perfil epidemiológico de 30 anos, como se aqui não tivesse antirretroviral e nem camisinha. Está morrendo muita gente de Aids e são muitos casos novos”, sintetizou o Wendel Alencar, coordenador-adjunto do Programa Municipal de DST/Aids e Hepatites Virais.

Desde 1985, São Luís já teve 3.098 casos de Aids notificados. Pelo menos 66% desses infectados são do sexo masculino e 34% do sexo feminino. A via mais comum de transmissão da doença é a sexual, com 84% dos casos; desses, 62% são entre heterossexuais, 15% entre homossexuais e 7% entre pessoas com relação bissexual. Durante o período, 86 casos foram diagnosticados em menores de 13 anos, 98% deles expostos pela mãe durante a gravidez. Por mês, em 2012, foi registrada média de 60 novos casos de HIV na população ludovicense.

sem comentário »