Eliziane Gama é destaque no Jornal Nacional

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A senadora Eliziane Gama (Cidadania) foi destaque no Jornal Nacional, da Rede Globo de Televisào nesta quinta-feira (28), após apresentar três propostas que vão acelerar a votação do pacote anticrime, do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, no Congresso Nacional. 

Eliziane Gama explicou no Jornal Nacional que o texto final do pacote anticrime deverá focar em três pontos: corrupção, narcotráfico e crime organizado. (Clique aqui e veja o vídeo).

“A gente ia se encontrar ou da Câmara para o Senado ou do Senado para a Câmara e a construção dos dois textos pelas duas Casas, no meu entendimento ela vai agilizar o processo e ao final nós vamos ter um texto muito mais completo. O Senado tem várias propostas andando, a Câmara tem várias propostas andando e nesta junção de forças a gente vai ter um projeto único que vai centrar fundamentalmente na corrupção, no narcotráfico e no crime organizado”, disse Eliziane ao Jornal Nacional.

Mais cedo, a líder do Cidadania no Senado já havia sido mencionada em reportagem na grande imprensa.

O jornal O Globo destacou que a iniciativa da senadora Eliziane Gama foi uma alternativa à falta de prioridade que existia até então na Câmara. A senadora protocolou nesta quinta-feira três projetos, com o mesmo conteúdo do pacote apresentado por Moro, que serão encaminhados para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Eliziane não considera, contudo, que a tramitação conjunta seja um problema. (Clique aqui e leia mais).

Sem dúvida alguma um dia importante para a senadora Eliziane Gama neste início de mandato em Brasília.

Foto: Reprodução/TV Globo

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Especial: O Maranhão na ‘Rota das Emoções’

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De noite, da calmaria em um barco no Rio Preguiças, a única luz que se vê é a da Lua. De dia, é o céu azul que ilumina as águas. Mas ele fica vermelho quando tem revoada de guará no Delta do Parnaíba. E muda para laranja no pôr do sol atrás da Pedra Furada, no Parque Nacional de Jericoacoara.

Momentos únicos de comunhão com a natureza são a maior aposta da Rota das Emoções, roteiro turístico que passa por três estados limítrofes no Nordeste brasileiro: Maranhão, Piauí e Ceará. O chamariz são as promessas de sol, esportes de aventura (para quem quiser) e claro, as belezas naturais dos Lençóis, no Maranhão; do Delta do Parnaíba, no Piauí; e de Jericoacoara, no Ceará. Mas não é só.

A rota criada em 2005 por Sebrae, empresários e governos locais se expande. Inclui hoje ao menos 14 municípios, em uns 500 quilômetros de uma ponta à outra. O turista pode fazer o roteiro completo ou escolher partes do caminho — agências de turismo organizam os pacotes. Para aproveitar, a recomendação é reservar ao menos oito dias para a viagem. Algumas agências sugerem até 15 dias. O custo gira em torno de R$ 3 mil por pessoa, para oito dias, fora passagens de chegada a uma ponta e volta de outra. Não é uma viagem barata. Mas é acessível, com diferentes tipos de pacotes, hotéis e restaurantes pelo caminho. E vistas que só existem no Brasil.

Uma dica: embora não faltem atrativos na região o ano todo, a partir de junho geralmente as lagoas estão mais cheias, e o tempo, mais aberto, fora da temporada de chuvas.

Como os estados são vizinhos, os deslocamentos entre eles na Rota das Emoções costumam ser por terra, e esse é um charme do roteiro. Atravessar as fronteiras olhando pela janela do carro mergulha o turista na cultura local. Ajuda a se conectar melhor com a paisagem, ver o povo, provar os sabores, sentir as semelhanças de um lugar para outro — e as diferenças também. Haja emoção.

O Maranhão é o início da Rota das Emoções. Ou o fim, para quem começa no Ceará. Não há ordem definida. Mas muita gente prefere seguir da esquerda para a direita no alto do nosso mapa. Assim, o roteiro pode começar no Maranhão, cruzar o litoral piauiense, terminando no Ceará. Fica a gosto do turista…

O ponto de partida mais usual é Barreirinhas, nos Lençóis Maranhenses. Se houver tempo, na verdade vale começar a viagem desde São Luís, a capital. Um passeio pelo Centro Histórico para ver os azulejos que decoram as fachadas dos casarões e um almoço com peixe e arroz de cuxá — uma comida típica da região com folha de vinagreira, camarão seco, gengibre, farinha de mandioca seca e pimenta-de-cheiro — são imperdíveis.

Barreirinhas fica a cerca de quatro horas de carro de São Luís. É a base mais conhecida para entrada no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses e seus 155 mil hectares de dunas de areia branca. A cidade não para de crescer e concentra várias opções de hotéis e pousadas. As cidades de Santo Amaro, Paulino Neves e Tutoia, mais rústicas e na mesma região dos Lençóis, também fazem parte da Rota das Emoções.

Os destaques são as lagoas, que aparecem como oásis nesse deserto brasileiro. As águas azuis cristalinas, alimentadas pelas chuvas e por lençóis freáticos, fazem a alegria dos turistas depois de uma longa caminhada de sobe e desce pelas dunas. Carros particulares não entram no parque. Apenas caminhonetes 4×4, as chamadas jardineiras, conseguem encarar o trajeto. Ainda assim, só em pontos determinados do parque, que é considerado unidade de conservação federal.

Em Barreirinhas, um dos passeios mais procurados é o circuito da Lagoa Azul, que inclui paradas em outras lagoas no caminho: Lagoa da Preguiça, Lagoa da Esmeralda, Lagoa Azul e a Lagoa do Peixe (passeio em média a R$ 80 por pessoa). Vale ficar para o pôr do sol. No fim da tarde, a luz e o vento fazem a areia parecer fumaça levantando da duna. Mas é miragem: o pé pisa no chão fresquinho.

Para quem busca algo mais rústico, a viagem continua para Atins, uma vila de ruas de areia fofa, sinal oscilante de wi-fi de dia e estrelas abundantes à noite. A vila faz parte do município de Barreirinhas e fica a umas três horas de lancha voadeira — com algumas paradas — pelas águas tranquilas do Rio Preguiças.

A ida a Atins já é um passeio. A vegetação é abundante nas margens do rio. No caminho há muitas árvores de buriti, bastante usadas no artesanato local e no revestimento de tetos e construções, pela força de suas fibras. Também se veem igarapés, mangue e animais como garças e maçaricos.

A primeira parada é no povoado de Vassouras, com suas dunas e água de coco na região de Pequenos Lençóis. Cuidado com os macacos, sempre atentos — e ágeis! — a algum turista desavisado que traz comida na bolsa.

Mais adiante está o vilarejo de pescadores de Mandacaru. O atrativo é o farol de onde se avistam dunas, a mata e a foz do Preguiças, num bonito encontro do rio com o mar. A subida de 160 degraus compensa. Há lojas de artesanato e, no cais, vendem-se peixes e a tradicional garrafada, feita com álcool e ervas.

Cuidado para não abusar, porque o barco ainda segue até o Caburé, um braço de dunas com uma praia extensa e passeios de quadriciclo (a diária do veículo sai a R$ 380). Aproveite para almoçar camarão na Cabana do Peixe, que pertence a uma gaúcha que se apaixonou por um maranhense — e nunca mais saiu do Maranhão.

O passeio completo de lancha até Atins custa cerca de R$ 100 por pessoa. A chegada já antecipa a simplicidade: não há cais ao atracar o barco. Há poucas casas, hotéis, quase nada de tecnologia. O melhor transporte é um 4×4 ou um quadriciclo mesmo.

Mas as obras são cada vez mais constantes na paisagem, e a oferta de restaurantes e hospedagem, muitos liderados por estrangeiros, só cresce. O sucesso, ironicamente, pode ameaçar o ar intocado que dá fama a Atins.

A vila tem outra entrada para o Parque Nacional dos Lençóis. De novo a vista se encanta com as lagoas azuis. São várias, cravejadas como diamantes na areia. E as dunas nunca são iguais: o vento move uns 20 metros de areia por ano. A paisagem de um ano não se repete no ano seguinte. Para o pôr do sol, uma dica é a Lagoa do Gavião. Com sorte, no fim da tarde ainda é possível ver o animal que dá nome ao lugar. Carcarás, ou gaviões-de-queimada, passam por ali.

Na volta do parque, quando a fome bater, vale uma parada no restaurante Canto de Atins, do Antônio. Os pratos de camarão e peixe grelhados, a R$ 80 cada, são os destaques.

Na volta para a vila de Atins, de barriga cheia, esqueça o sacolejo da caminhonete e olhe para cima. Pode ter chuva de estrelas.

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Waldir Maranhão mentiu à Justiça Eleitoral

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WaldirMaranhao

Ministério Público Eleitoral decidiu investigar o caso envolvendo o deputado Waldir Maranhão

O presidente em exercício da Câmara, deputado Waldir Maranhão (PP-MA), mentiu a Justiça Eleitoral em processo que investiga as contas da campanha eleitoral dele de 2010, segundo informou reportagem publicada neste domingo (29) no jornal “O Globo”. De acordo com a publicação, Maranhão teria dito que usou dinheiro da venda de uma casa para fazer a doação para si mesmo, mas o imóvel continua no nome do parlamentar e da mulher dele.

De acordo com o jornal, Maranhão informou à Justiça Eleitoral ter doado para si mesmo R$ 557,6 mi para explicar os recursos arrecadados para a campanha de 2010. Em processo aberto para apurar possíveis irregularidades na prestação de contas, o parlamentar afirmou que vendeu uma casa em São Luís. No entanto, conforme informou a reportagem, o parlamentar continua morando no imóvel.

Procurado pelo G1, o advogado Michel Saliba, que assumiu a defesa de Maranhão no processo da Justiça Eleitoral, confirmou que a origem dos recursos foi a venda de uma casa, mas admitiu que Maranhão disse a ele que continuava morando no imóvel. “Ele me disse: ‘Moro naquela casa, mas aquele negócio não se concretizou. Recebi uma parte’. E aí não entrou em detalhes se houve destrato ou se recomprou a casa”, relatou Saliba.

Saliba afirmou ainda não saber se o registro da casa continua em nome do Maranhão, mas ressaltou que, se ainda estiver em nome dele, não haveria nada de ilegal nisso. “Tem ‘n’ hipóteses jurídicas que justifiquem o fato de ele estar na casa”, disse.

Investigação do Ministério Público

A reportagem de “O Globo” informa que Waldir Maranhão empregou um total de R$ 821,7 em sua campanha para reeleição em 2010, sendo R$ 557,6 mil de recursos próprios. O Ministério Público Eleitoral decidiu investigar o caso, de acordo com o jornal, devido ao fato de o parlamentar ter declarado patrimônio de R$ 16,5 mil.

No processo que corre na Justiça, Maranhão teria informado inicialmente, segundo o jornal,
que obteve empréstimo de R$ 98 mil do Bando do Brasil e que o restante veio da remuneração que recebeu ao longo dos anos como parlamentar e secretário de Ciência e Tecnologia do Maranhão. Segundo a defesa do deputado, o esse dinheiro não teria aparecido na declaração de bens à Justiça Eleitoral porque houve erro quando o partido preencheu o registro de candidatura.

No entanto, com a desconfiança dos promotores, Maranhão mudou a versão e disse que, além do empréstimo,  valor doado por ele a sua campanha teve origem na venda da casa dele.

A assessoria de imprensa do parlamentar informou que Maranhão não vai comentar o caso.

A reportagem informou, ainda, que a Justiça Eleitoral desaprovou as contas eleitorais de Maranhão. Segundo a publicação, no entanto, após inúmeros recursos, os promotores pediram, e o Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) arquivou o caso em 2015, porque o mandato de Maranhão havia terminado em 2014.

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O Globo denuncia feudo de Waldir Maranhão

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WaldirMaranhao1O Jornal O Globo destacou na edição deste domingo (22) o feudo controlado por Waldir Maranhão, o presidente decorativo da Câmara de Deputados, na Secretaria de Cidades e Desenvolvimento Urbano (SECID).

As informações de nomeação no órgão foram repassadas pela deputada Andrea Murad (PMDB), que também fez um levantamento sobre as contas da secretaria e tomará novas providências sobre o caso a partir de amanhã.

“Como O Globo destacou, Waldir Maranhão possui duas irmãs com cargos importantes na SECID e mais 6 doadores de campanha. Mas o que me chamou ainda mais atenção são os pagamentos sem empenho feitos pela secretaria comandada pelo presidente decorativo da Câmara de Deputados. Vou detalhar mais o caso na tribuna esta semana e tomar as devidas providências diante de mais um caso acobertado tanto pelo governador Flávio Dino quanto pelo Conselheiro Edmar Cutrim, coincidentemente, relator das contas da SECID”, informou Andrea.

Foto: Agência Câmara

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Situação confortável

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RoseanaSarney

O Maranhão fez o dever de casa e integra lista dos 10 estados que se encontram em situação confortável em relação à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). As despesas com pessoal estão abaixo do teto permitido por lei, que é de 49% da receita corrente líquida, conforme atesta reportagem de O Globo, publicada ontem (30), sob o título “Máquinas estaduais inchadas”.

Dos estados do Nordeste apenas Maranhão e Bahia estão em boa situação fiscal. Os demais estados estão na chamada “zona de risco”, sendo que Piauí, Alagoas, Paraíba e Sergipe se destacam negativamente por terem ultrapassado o teto de 49%.

O Maranhão está em situação melhor, além dos estados do Nordeste, do que Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Amapá, Roraima, Tocantins, Pará, Goiás, Mato Grosso e o Distrito Federal.

Na quinta-feira (27), durante encontro com empresários na Federação das Indústrias do Maranhão (Fiema), quando prestou contas de sua gestão, a governadora Roseana Sarney ressaltou que deixará o Estado saneado. “O Governo tem cumprido rigorosamente a Lei de Responsabilidade Fiscal e, ao concluir meu mandato, deixarei o Estado com as contas equilibradas, além de recursos garantidos para a execução das obras que estão em andamento”, afirmou.

Os números mostram o exemplo que o Maranhão tem dado ao país em se tratando de equilíbrio das contas públicas. Os gastos do governo com pessoal alcançam 39,5% da receita líquida, quase 10 pontos percentuais bem abaixo do limite prudencial, que é de 46%.

Há que se destacar, ainda, que o Governo do Estado implementou uma série de medidas que impactaram na folha, como concurso público, Estatuto do Educador e Plano de Cargos e Carreiras (PGCE), que resultou em progressões, promoções e correção de distorções salariais.  de 2009 a 2014, foram efetivadas 10.204 nomeações, sendo que em 2010 a maioria foi referente à educação (4.042) e em 2014 o maior número foi na área de Segurança (2.267). Ainda assim, a situação fiscal do Estado não foi comprometida.

Investimentos

A reportagem de O Globo também destaca que diante desse cenário, 17 estados tiveram que travar os investimentos, a exemplo de São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, entre outros.

Em situação diferente, o Maranhão está investindo maciçamente em obras estruturantes, como construção de novas estradas, saneamento básico, mobilidade urbana, segurança pública e desenvolvimento econômico.

São cerca de R$ 4 bilhões que estão sendo investidos pelo Governo do Estado, por meio do Programa Viva Maranhão, recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A concessão desse crédito por parte do BNDES só foi possível em virtude da avaliação positiva do Maranhão, pelo Tesouro Nacional, como o Estado com maior equilíbrio fiscal.

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Uma farsa…

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videoFarsa I

É uma farsa o vídeo com suposto preso que teve a perna supostamente rasgada na penitenciária de Pedrinhas. A polícia já descobriu que o vídeo é, na verdade, de um acidente de moto, que nem ocorreu no Brasil, e se deu há quase dois anos. Na investigação, soube-se que foi espalhado por um agente penitenciário com fortes ligações com gente que faz oposição cerrada à política de Segurança.

Farsa II

O juiz Douglas Melo Martins acabou numa esparrela ao aceitar o vídeo fraudulento como sendo mais um fato de Pedrinhas. Pior ainda fizeram os jornais Folha de S. Paulo e O Globo, que publicaram a história sem sequer checar a informação. O que poderia ter sido feito com uma simples consulta na Internet.

Farsa III

O vídeo fajuto é só mais um aspecto do jogo político que esteve por trás da sua divulgação da “investigação” dos problemas sobre a crise no sistema penitenciário do Maranhão. Fortemente ligado a movimentos e partidos de esquerda, o vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-MA, Rafael Silva, também escorregou. Açodado partiu dele a irresponsável afirmação de que havia estupros no presídio, mas os fatos desmoralizam tal versão.

Coluna Estado Maior

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Chorão tentava reaprender a viver

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zecabaleiroUma das coisas que mais abomino no circo de horrores do showbiz é a capacidade que algumas pessoas têm, artistas ou não, de capitalizarem a desgraça (ou pior, a morte) alheia. “Fulano morreu? Hmmm, vou preparar um tweet bem bacana!…” Ou: “Vou ensaiar um depoimento bem lacrimoso pra dar à TV ou ao jornal”…

Quando Chorão morreu, fui procurado por jornais e TVs para dar o meu depoimento lacrimoso, afinal todos (ou quase todos) sabiam da nossa proximidade. Mas evitei. Não estou no time dos que capitalizam a desgraça alheia, como há aos montes por aí. Nem havia risco de eu ser confundido com tal espécie. Mas às vezes é preciso, de um modo quase militante, deixar bem claras as diferenças entre você e o mundo, por mais presunçosa que esta afirmação possa parecer. “Não basta que a mulher de César seja honesta, ela precisa parecer honesta”, diz sábio ditado popular.

Sim, éramos próximos. E sim, poderia dizer que fomos amigos, mesmo pertencendo a mundos tão distantes, e mesmo nos vendo tão poucas vezes na vida. Mas o sentido de “amizade” é algo que independe da frequência com que as pessoas se veem, penso eu. Tem mais a ver talvez com uma certa “afinidade”, palavra de sentido vago, mas que talvez explique a empatia que sempre senti com Alexandre, digo, Chorão. Ele gostava de dizer: “Você foi o primeiro cara da MPB a dar moral pra gente”. E eu retrucava: “Não sou MPB, pô, sou rock também. Só que de outra espécie”. Ele ria.

Desde que gravei “Proibida pra mim”, há 12 anos, e dei seguidos depoimentos elogiando a banda e suas sacadas poéticas, estivemos juntos em várias ocasiões. Primeiro pra uma matéria do “Vídeo Show”, mostrando o encontro inusitado entre uma banda de hard rock e um compositor da “MPB” (“deixe que digam, que pensem, que falem”…). Depois em várias canjas por festivais Brasil afora — “Planeta Atlântida” em Floripa, “Lupaluna” em Curitiba (na última vez em que canjeei com a banda, na edição de 2012 deste festival, subi totalmente borracho no palco e por pouco não dei vexame — esqueci letra e tudo o mais. Quando saí, Chorão falou: “Vocês acham que a turma do rock é louca, né? Mas essa galera da MPB é muito mais, olha aí…”).

Quando CBJ lançou o disco “Nadando com os tubarões”, em 2000, fui convocado a escrever o release de imprensa. Fiquei lisonjeado. Era fã da banda desde o primeiro CD. Tinha o que dizer. E disse. Que a banda era original nas composições, e que Chorão era dotado de uma verve muito especial, de poeta da rua, malandro, debochado, mas também romântico, sedutor, lírico — por que não? Nesse disco, o terceiro da trupe, me chamaram a atenção — além da mistura boa e esperta de hardcore, rap, ska, reggae e até pitadas de bossa, e do espírito sempre gaiato e irreverente do grupo, como pede o bom rock’n’roll — alguns achados nas letras, como: “Eu nunca paguei pra sonhar” (em “Pra mais tarde fazermos a cabeça”); ou “Todo mundo para para ver o caos… O batuque e o massacre, o batuque e o crack, o batuque e a bola, o pobre sempre é a bola” (em “Ouviu se falar”). Novos discos vieram, e com a maturidade da banda, vieram também canções que podem já ser consideradas clássicos dos anos 2000 — “Dias de luta, dias de glória”, “Papo reto”, “Céu azul” e “Só os loucos sabem”, entre tantas.

Ah, não podia esquecer um detalhe pra lá de importante. Chorão me convidou a tocar “Proibida” na cerimônia do seu casamento. Justificativa: sua noiva Graziela, musa da canção, preferia a minha versão, mais delicada, à versão “podreira” da banda. Dizia isso aos risos, tirando onda de enciumado. Nunca havia tocado em casamento algum, mas… Como negar um pedido dessa natureza vindo do homem? Por trás do personagem rock’n’roll, genuíno até a medula, havia também um cara doce e amoroso, camarada e gentil com os amigos.

“Magrelo, vou gravar um DVD dos 15 anos da banda e quero você lá. Vamos fazer um mix do seu arranjo com o nosso em ‘Proibida’, topa?”. “Claro, velho, tô dentro”. E lá fui eu pra Santos. Incrível dividir o palco com ele e a banda (em formação quase original, faltando apenas o Pelado na batera). Que vigor, que punch, que porrada! Não me lembro de ter ouvido antes uma banda brazuca com performance tão impressionante e volume tão ensurdecedor — deliciosamente ensurdecedor.

Noite memorável, quase dez mil pessoas vibrando alucinadas com o show (subi ao palco às 5h da manhã), cantando em coro com a banda, repetindo os bordões que o seu controverso e carismático frontman ordenava. Sim, digo “ordenava” porque a plateia comia na sua mão, outro talento indiscutível do cara… E sim, digo “carismático”, porque, por mais que não se saiba definir claramente o que é uma pessoa carismática, sabemos identificar quando vemos uma.

Depois retribuí o convite chamando-o para gravar “O desejo” no meu “O disco do ano”, lançado ano passado. A música é um rap de refrão melódico, cujo personagem é um sujeito angustiado, dividido entre o desejo insaciável de consumir e a consciência da morte dos sonhos (em suma, esse cara somos nós). Chorão arrasou, com seu jeito muito particular de “rimar”. Mandou um improviso tão bom que não tive como não incluí-lo na faixa já quilométrica.

Na ocasião, junto com o seu filho Alexandre, no estúdio Mega, em Higienópolis, ele me contou que estava entrando numa nova fase, ouvindo mais música brasileira — Jorge Benjor, Gil, Tim Maia… Também me mostrou, ao violão, três pedaços de canções à espera de um desfecho, que gravei no meu iPhone. Finalizei uma delas e a batizei por conta própria de “Um dia você vai”, um rock-balada sentimental e doído. Gravei uma versão de violão e voz em janeiro deste ano e desejava enviá-la pro novo parceiro pra ele dar o seu parecer, como faço sempre que componho a quatro mãos. Infelizmente não fui ágil o suficiente. Pudera! Jamais podia imaginar que aconteceria o que aconteceu. Na parte da letra escrita por ele, ele diz: “Reaprendendo a viver com as coisas /Sem olhar pra trás pela primeira vez”. É vero. Chorão estava tentando reaprender a viver. Pena que não houve tempo. Sim, o destino roteirista é às vezes implacável.

Por Zeca Baleiro, artigo publicado em O Globo

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